Entre Médicos
25 Capítulo 25
Notas iniciais
Seattle, Washington.
Isabella Cullen.
“Oh Deus, não, Irina não é realmente muito parecida comigo. Eu sou a Sra. Masen, esposa dele!” Porra.
As coisas tinham paralisado pra mim, o mundo parecia uma grande bola hilariante. No segundo seguinte depois que a loira peituda soltou aquelas palavras, eu soltei um pequeno sorriso, eu tentei controla-lo mais foi terrivelmente inútil, porque realmente parecia algum tipo de piada, eu parecia meio demente, nada coerente passava pela minha cabeça, absolutamente nada. Mas em seguida eu me senti uma grande e ridícula idiota, o que uma mulher como ela estaria fazendo dentro do apartamento dele? Eu senti uma onda de vertigem me atingir e tudo ficar um porco turvo, dei um passo pra trás apenas para que eu tentasse me conectar de novo, mas parecia que eu estava fora de órbita. Esposa dele. Porra, aquilo estava errado, parecia ser uma enorme mentira, não podia ser verdade, fodidamente não, Edward teria me contado, ele com certeza não esconderia uma coisa dessas de mim, isso era grande, muito, muito grande, muito mais do que eu podia suportar, ninguém mente sobre uma coisa dessas, ou no caso, omite, realmente não. Quando pessoas entram em relacionamentos elas falam sobre esse tipo de coisa. Edward era um cara estranho, cheio de coisas negras no passado, mas ele não me esconderia uma coisa tão grande como essa. Obviamente não. O cara por quem eu estava malditamente apaixonada não me enganaria assim, não, Edward era um cara bom. Porque diabos essa mulher tinha me dito isso? Aperto minhas mãos em punhos e sinto minhas mãos congeladas e soadas, meu coração era uma bateria agora, merda, eu queria saber lidar com esse tipo de coisa, eu queria poder lidar com a pressão em cima de mim, maldita crise de ansiedade.
“Você está bem? Parece pálida.” Ouço a loira sussurrar depois do que me parecia horas, mas na verdade não passavam de segundos. Olho para ela um pouco receosa e malditamente furiosa, a presença dela me incomodava, ela com os seus... Peitos enormes me incomodavam. Ela tinha seus olhos preocupados e sorriso tímido. Ela poderia ser adorável, mas pra mim, não era nada menos do que ridícula. Antes que eu pudesse responder ou perguntar qualquer coisa um barulho alto e estridente de vidro é ouvido um pouco atrás da loira. Nós duas olhamos automaticamente, e logo atrás dela, perto de mais, Edward estava parado olhando com seus olhos arregalados na minha direção e logo abaixo dele, no chão, cacos de vidro e água estavam esparramados. Eu queria fazer alguma coisa, queria gritar, queria correr, queria questiona-lo, mas eu estava paralisada naquele maldito chão. Eu tinha medo de ter algum tipo de infarto precoce, aquilo não estava normal, aquelas sensações, aquela angustia, eu realmente não estava preparada para enfartar agora, mas eu estava sendo estupida. Olhei nos olhos dele, diretamente no fundo deles, tentado encontrar algum tipo de escape, algo que me fizesse acreditar que aquilo não passava de um grande e hilário mal entendido, eu queria que ele risse pra mim, queria que ele me abraçasse e beijasse o topo da minha cabeça como ele sempre fazia e falasse que tudo estava bem. Mas então, olhando bem no fundo dos seus olhos arregalados, eu lembrei, lembrei do dia em que abri a porta da sala de exames do Hospital Geral de Forks e presenciei a fatídica cena do meu marido me traindo, e os olhos dele... Os olhos dele eram os mesmos dos de Edward agora, era a mesma expressão, olhos arregalados, cheios de culpa e traição. Mas a sensação que eu senti não era a mesma, agora doía, santo Deus como doía. Com Carlisle eu só fechei a porta atrás de mim e saí, pronto, simples e fácil. Agora eu queria que ele me dissesse que era mentira, eu queria ouvir qualquer coisa dele, qualquer coisa que me fizesse crer que ele era o cara bom por quem eu tinha me apaixonado. Com Edward era muito mais que isso, porra, eu tinha um coração. Mesmo sabendo, dentro de mim que aquilo era verdade, que ele tinha me traído dessa forma, eu queria acreditar que não, que Edward jamais faria uma coisa dessas, quando senti os meus olhos arderem passei as mãos sobre eles rapidamente, eu não permitiria nenhuma maldita lagrima cair. Eu era uma garota forte, eu sempre fui.
“É verdade?” aquilo não saiu mais que um sussurro, eu sequer sabia se ele tinha ouvido, mas quando ele arfa e olha para a loira eu senti uma maldita pontada no peito. Edward aprecia querer falar, mas nada saia, eu dei um pequeno sorriso sem humor algum, eu era uma grande patética idiota. Olho de relance para a loira que estava encolhida perto da porta com o olhar fixo em Edward. Ele tinha mentido pra mim esse tempo todo, Deus do céu. Eu prometi a mim mesmo, no momento em que sai da casa do Carlisle que homem nenhum me machucaria de novo, e olha como eu estava agora. Uma grande raiva tomou de conta de toda a maldita crise de ansiedade, eu estava com raiva de mim, com raiva dele. Dou dois passos a frente, passos firmes e decididos, ficando perto dele. Edward ainda me olhava assustado e eu queria naquele momento, nunca ter me apaixonado por ele.
“Isabella o que você... O que você faz aqui?” Era tudo o que ele tinha pra me dizer afinal de contas. Aquela foi à coisa mais patética que ele conseguiu sussurrar e gaguejar. Eu o odiava nesse momento. Dou outro passo à frente, ficando perto de mais dele, sentindo o seu perfume inebriante que nesse momento, me dava vontade de vomitar.
“É verdade?” consigo dizer com mais convicção e firmeza, a onda de raiva naquele momento estava realmente me ajudando. Edward olha para um ponto atrás de mim, provavelmente para a sua esposa. Eu queria vacilar naquele momento, a raiva na verdade, não era tão grande como a decepção e a dor, eu queria chorar, mas eu não faria isso na sua frente, malditamente não!
“O que?” ele sussurra de novo, eu estava cansada, cansada de ser passada pra trás, cansada de ser tratada como uma criança, cansada de não saber de absolutamente nada dele. Cansada! Dou outro passo à frente e ele recua um pouco para trás. Edward sempre queria passar a imagem do grande poderoso general Edward Masen, mas ele não passava de um grande e idiota covarde.
“É. A. Porcaria. Da. Verdade. Ou. Não?!” sussurro pausadamente tentando me controlar, tentando não desabar na frente dele ou dela. Eu só queria parecer forte, quando na verdade eu estava aos pedaços. Bastou olhar novamente nos olhos dele, bastou meus olhos ficarem fixos aos seus de novo, para que não restasse duvidas. Aqueles olhos amarelos, agora, eram um poço de culpa e dor. Como se ele tivesse algum direito de sentir isso. Como se ele fosse… O fodido da vitima. Senti o ar faltar nos meus pulmões e coloco a mão no peito, tentando amenizar a situação dentro de mim, tentando não fazer com que aquilo, com que toda aquela situação não me afetasse fisicamente, olho para um ponto no chão, nos pés dele, tentando me controlar. Ele era um mentiroso dos infernos. Tão cafajeste quando Carlisle, tão menos homem quanto ele. Bastou olhar pra ele de novo, que tinha a cabeça abaixada que eu tive a mais completa certeza. Era verdade.
“Se você pelo menos me deixar explicar...” então eu dou mais um passo na sua direção e com toda a raiva, toda a dor, angustia e ódio, deposito com toda a força do meu braço, um tapa forte no seu rosto. Eu queria que aquilo me fizesse sentir melhor, fizesse a dor ir embora, mas a quem eu estava querendo engar, aquilo só aumentou ainda mais o meu desespero e sem que eu permitisse sinto uma lagrima descendo no meu rosto. A minha mão ardia e a marca dos meus cinco dedos estavam estampados do lado esquerdo do seu rosto. Edward aprecia surpreso enquanto colocava a sua mão sobre o rosto e fazia uma careta. A minha respiração estava tão mais rápida quando antes, eu iria hiperventilar, eu estava tonta e prestes a desabar. Eu queria vomitar em algum lugar. “Bella, por Deus me deixe...” quando ele tenta tocar o meu braço foi como levar um choque, eu me afastei tão rápido quando os seus olhos podia acompanhar, recuei como se ele fosse um leproso.
“Nunca mais chegue perto de mim de novo seu maldito cretino. Vai pro inferno.” Fico orgulhosa de mim mesma quando consigo sussurrar isso alto o suficiente, olho pra ele pela ultima vez, vendo seus olhos brilharem e sua boca se entreabrir. Eu não olho para a loira, realmente não me faria bem olhar pra ela agora, mas eu sabia que ela ainda estava perto da porta, eu podia ver os seus sapatos enquanto eu saí correndo dali olhando para o chão. Meu corpo parecia flutuar enquanto eu conseguia correr em direção ao elevador. Eu respirava como se tivesse corrido uma maratona, mas eu tentava aliviar a agonia que se encontrava o meu coração agora, eu tentava aliviar aquilo que me sufocava por dentro. Malditos sentimentos. Aperto o botão do elevador diversas vezes rezando para que aquela porcaria chegasse logo, eu queria sair daqui, queria sumir. As portas não demoram mais que dois segundos para se abrirem, eu corro para dentro da caixa de metal, e quando eu ergo o meu rosto para cima, antes que as portas se fechassem, eu vi Edward correndo pelo corredor na minha direção, aquilo foi o que bastou para que quando as portas finalmente se fecharam antes que ele pudesse me acompanhar, eu deixei finalmente as lagrimas teimosas, que pesavam como toneladas descerem, colo as minhas costas na parede de metal e tento não parecer tão desesperada enquanto o choro sai engasgado pela minha garganta. Porra, aquilo não era eu. Isabella Swan não chorava por caras. Eu era forte, decidida, eu era mãe, o único garoto que tinha o direito de me fazer chorar era o meu filho, aquele garoto era o único por quem eu derramaria alguma lagrima. Aquela mulher frágil dentro do elevado definitivamente não era Isabella Swan, pelo menos não era a de antes. Edward tinha me virado do avesse em tão pouco tempo, coisa que Carlisle não conseguiu fazer em anos. Eu me sentia sufocar, porra, eu queria arrancar a porcaria do meu coração fora, mas eu sabia que a porra toda não estava no meu musculo cardíaco, era o meu maldito sistema límbico, eu queria poder arrancar essa porcaria do meu cérebro. Tentei secar as lagrimas que molhavam o meu rosto, tentando não parecer fraca, tentando cumprir a promessa de não deixar qualquer homem me fazer chorar, mas quando mais eu passava as mãos pelos olhos e bochechas, mais as lagrimas desciam.
Quando as portas de metal se abriram no térreo, sai correndo dali, tendo a certeza que as pessoas que estava por lá me olhavam atentamente. Sequer eu me importava com aquilo. Porra, isso parecia algum tipo de pesadelo. Em um minuto eu e Edward estávamos no apartamento dele nos amando e no outro, eu descubro que ele é casado. Porra, casado. Aquela mulher da foto, era ela, ele guardava fotos da mulher, porcaria, aquilo era confuso. Em um dia o meu marido me traia com a sua amante, e no outro, eu era a amante. Irônico. Quando entro quase que correndo no meu carro, deixo a minha testa cair no volante e tento me acalmar para dirigir, mas maldição, aquilo era difícil de mais, as malditas lagrimas não paravam de cair, a dor profunda no meu peito me fazia me sentir pequena, fazia um monte de sensações ruins. Tento pensar, colocar a cabeça no lugar e imaginar porque inferno Edward escondeu isso de mim, porra, tanto tempo, tantas oportunidades. Mas ele preferia brincar de casinha comigo e com o meu filho, como se nós fossemos os seus brinquedinhos, eu queria saber o que ele faria quando desistisse de brincar de família feliz e voltar a sua vida real, para a sua esposa. Eu não devia ter me deixado levar, não deveria ter lhe dado uma oportunidade sem antes chacoalha-lo pelos ombros e exigir respostas, obviamente eu fui uma idiota. Mas inferno, onde no mundo eu imaginaria algo como isso, algo tão grande e importante como um casamento. Porra, ele tinha filhos também? Tudo fazia sentido agora, o seu jeito estranho, a forma de como ele fugia, o modo dele agir. Então eu me dei conta, naquele momento, que eu não sabia absolutamente nada de Edward Masen, tudo que eu sabia dele era uma mentira, as poucas coisas eram vagas, eu sequer sabia como era a relação dele com a família, eu não sabia nada da sua vida em Chicago, eu sempre respeitei o seu momento porque aquilo parecia ser doloroso pra ele, quando na verdade, era tudo uma farsa. Caralho, eu andava transando com um cara que eu sequer sabia nada dele, eu tinha deixado um estranho perto do meu filho, a coisa que eu deveria proteger como a minha vida. Eu deixei ele entrar na minha casa e dormir no mesmo teto que o meu garoto. Estupida. Porra, eu era muito patética. Meu celular vibrou no bolso de trás da minha calça. Respirei fundo três vezes e tentei pensar no meu garoto enquanto secava as lagrimas, mas aquilo não adiantava, eu não devia sofrer tanto por um cara que... Por um cara que eu amava. Isabella Swan idiota. Joguei a minha testa contra o volante repetidas vezes, tentando trazer a razão novamente. Meu celular vibrou novamente e eu tirei do bolso vendo o nome do Edward piscar na tela, dei um sorriso sarcástico e revirei os olhos jogando o aparelho no banco do passageiro e girando a chave, eu precisava sair dali, precisava parar de pensar nele e na sua mulher. Eles estavam juntos, no apartamento dele, fazendo coisas. Porra, eles faziam coisas enquanto estávamos juntos?
Eu não deveria dirigir agora, não nesse estado, mas eu precisava sair daqui eu ia... Pirar a qualquer momento. Olho pelo retrovisor tentando ver se tinha algum carro atrás de mim para que eu pudesse sair, então eu o vi, saindo correndo da porta do prédio na direção do meu carro, ele parecia arfante e cansado. O desespero realmente tomou conta de mim quando percebi que ele tinha reconhecido o meu carro e corria na minha direção. Foda-se ele. Mesmo sem qualquer estrutura e não pensando com coerência arranquei o meu carro dali, quase batendo em um outro carro que vinha atrás de mim e levando algumas buzinadas pelo caminho. Eu não deixaria que ele mentisse pra mim novamente, eu não queria ouvir absolutamente nada que vinha da sua boca mentirosa. Merda, eu queria enganar a mim mesma quando o que eu mais queria era que ele me dissesse algum cosia que fizesse com que nós dois ficássemos juntos, eu não me sentia pronta para me separar dele, eu não queria. Eu dirigia rapidamente pelas ruas de Seattle ouvindo alguns xingamentos na minha direção e algumas buzinadas, eu mal podia ver a estrada pelas lagrimas que nublavam as minhas vistas. Eu não queria ficar sozinha naquela casa, pensando em coisas que me fariam querer matar Edward Masen. Emmett. Ele passou pela minha cabeça como um raio e eu finalmente pude soltar um pequeno sorriso ao meio as lagrimas pensando que eu tinha um lugar pra ir, um lugar onde pessoas que gostavam de mim de verdade estariam ali por mim. Tentei secar as lagrimas enquanto me localizava, mas aquilo era tão fodidamente inútil. Sentir-se traída pela segunda vez, era o triplo de vezes pior. O telefone tocou novamente, olhei de relance para o banco do carro onde eu tinha jogado o celular e o nome dele piscava na tela. Impressionante, tanto tempo, esperei por uma ligação dele durante o maldito dia todo, e agora, agora que eu tinha descoberto o maldito que ele era, Edward queria me dar algum tipo de explicação. Tarde de mais queridinho. Aperto minhas mãos no volante tentando conter a vontade de jogar o aparelho para fora do carro. Isso não seria bom, não seria mesmo.
Há poucos minutos estaciono o carro de qualquer jeito em frente ao prédio que Emmett morava. Olhei para o meu celular no banco do passageiro vendo mais uma ligação dele. Edward Masen podia morrer de ligar nessa porcaria de telefone, eu não queria ouvir qualquer possível justificativa, se é que existia alguma. Saio do carro batendo a porta com força e deixando o celular lá dentro. Eu devia estar verdadeiramente uma bagunça, o porteiro do prédio me olhou com pena assim que fiquei na sua frente. Passei as mãos sobre os olhos, tentado não parecer tão ridícula na frente daquele senhor, mas era drasticamente impossível. Eu ainda queria chorar, e queria gritar, gritar muito, mas não seria na frente daquele pobre homem. “Hum, sou Isabella Cullen, hum... Emmett ele...”
“Oh claro, dele deixou sua entrada liberada.” O porteiro me deu um sorriso pequeno, mas seus olhos ainda demostravam a mais terrível pena, eu me perguntava se o meu rosto estava tão terrível assim. “Você está bem?” ele perguntou me dando a total certeza que sim, eu estava terrivelmente na merda. Pelo menos ele era mais educado que o porteiro do prédio do Edward. Porra, apenas em pensar naquele nome e naquele homem meu coração já perdia uma ou duas batidas, maldição, meus olhos estavam ardendo agora.
“Eu... Eu estou bem obrigada.” Tendo dar um sorriso e tenho certeza que falhei miseravelmente quando ele fez uma careta. Solto um suspiro longo e vou em direção ao elevador. Eu só estive aqui uma vez, mas eu me lembrava do andar e do apartamento. Quando entrei no elevador, sozinha e confusa, tudo aquilo voltou novamente, aquela mulher no apartamento do meu namorado, do homem que eu estava terrivelmente apaixonada e que era casado. Casado. Eu já tinha feito alguns vários planos pra nós, e agora, tudo parecia uma grande e terrível mentira. Imbecil. Aquilo estava me matando por dentro, tanto tempo que ele teve, tantas oportunidades de ser sincero, e nada. Eu não significava absolutamente nada pra ele. Solto um soluço acompanho por algumas lagrimas e um sorriso. Merda, eu parecia tão absurda agora, chorando por aquele arrogante idiota que tinha me enganado. Soltei um grunhido alto e dei um soco forte na parede de metal do elevador me xingando em seguida quando a dor nos meus dedos me fez gemer. Eu me odiava. Ótimo, era tudo que eu precisava agora. Quando chego no andar do Emmett tento secar as lagrimas e parecer decente, mas parece um pouco impossível, minha mão doía como o inferno e a porcaria do meu coração doía terrivelmente mais. Isabella Swan era uma tremenda imbecil. Eu parecia uma maldita garotinha estupida e frágil. Solto um longo suspiro tocando a campainha. Seco as lagrimas rápido com a mão boa quando ouço passos perto da porta e alguns risos lá dentro. A minha pequena baixinha abre a porta, ela tinha um sorriso alegre e uma garrafa de cerveja na mão, mas bastou ela me olhar que seu sorriso foi morrendo aos poucos. Porra.
“Bella o que...” apenas não deixei que ela terminasse quando me joguei nos braços dela enterrando a minha cabeça no seu pescoço e falhando na missão de não derramar mais lagrimas. Mas maldição, traição doía tanto, e quando vinha do cara que você entregou o seu coração, porra. “Bella, o que aconteceu? O Noah tá bem?” Alice sussurrou me apertando contra o seu corpo pequeno. Eu a abracei com tanta força, que eu facilmente poderia machuca-la, mas eu precisava disso, tudo que eu precisava nesse momento, era de um abraço amigo. Apenas chorei, deixei que aquela dor estranha e não curável pela medicina transbordasse. O ombro de Alice provavelmente ficaria uma poça, mas ela não pareceu se importar enquanto alisava as minhas costas e me pedia para ficar calma. Eu precisava daquilo, o meu emocional precisava desabafar, talvez chorando, eu conseguiria por aquilo pra fora. Eu não era uma grande entendedora de amores e sequer tinha muita experiência com isso, mas deixar que aquele choro meio desesperado saísse, me fazia sentir melhor. Eu sentia vontade de vomitar de novo e um terrível frio na barriga.
“Bella?” levanto a minha cabeça do ombro da minha baixinha e ainda com as vistas embaçadas vejo Emmett atrás dela com o cenho franzido e olhos preocupados. Solto um soluço engasgado tentando parecer um pouco coerente. “Merda Bellinha.” Emmett sussurra vindo na minha direção me puxando para os seus braços fortes. Deixo meus braços rodearem a sua cintura com força e enterro a minha cabeça no seu peito. Ele me aperta forte contra os seus braços com uma mão na minha cabeça e outra na minha cintura. Ele beija o topo da minha cabeça e mesmo ainda chorando e soluçando eu dou um sorriso, sentindo aquele abraço caloroso e protetor, eu me sentia nos braços do meu pai. Emmett me ergue do chão um pouco, andando comigo para dentro. Tudo que eu desejava era ficar naquele abraço protetor para sempre. “O que ele fez Bella?” Emmett sussurrou. Dou outro sorriso sem humor algum, Emmett provavelmente já sabia que Edward ia me magoar uma ora ou outra. “Você tem que parar de chorar agora e me dizer o que está acontecendo, ou eu vou na casa dele agora mesmo, e arranco a cabeça dele fora.” Emmett pega o meu rosto entre as suas mãos e me encara, respiro fundo algumas vezes novamente tentando me trazer para a razão. Ele seca as minhas lagrimas com os polegares enquanto beija novamente o topo da minha cabeça. Aquela crise patética de choro tinha que acabar, sequer eu devia estar chorando por um cara que não merecia absolutamente nada me mim, muito menos as minhas lagrimas que costumavam ser orgulhosas.
“Bella, o que está acontecendo pelo amor de Deus?” era a voz calma do Mike que agora aprecia um pouco agoniada. Me solto do Emmett um pouco, passo minhas mãos nos cabelos e sobre o rosto. Respiro fundo mais algumas vezes. Eu sentia meus olhos inchados e nariz entupido.
“Ele é casado, a... A porcaria da mulher dele está na casa dele e ela... Ela tem... Malditos peitos enorme e... E ele é casado. Casado.” Eu não parecia realmente muito coerente enquanto tentava falar e ao mesmo tempo gesticular com as mãos. Eu me senti um pouco tonta, parecia ainda mais absurdo ouvindo essas palavras saindo da minha boca. Caminho automaticamente até o sofá e deixo o meu corpo cair sentado lá. A sala estava um silencio, olho em direção aos meus amigos e eles continuavam parados no mesmo lugar, boquiabertos e surpresos tentando processar a ideia, porra, nem eu tinha conseguido processar essa porcaria ainda.
“Como assim casado?” Mike é o primeiro a sussurrar, ele me encara um pouco confuso e eu reviro os meus olhos inchados enquanto solto uma risada sarcástica.
“Casado, casado Mike. Eu... Eu fui na casa dele, pra tentar entende-lo e conversar com ele, e ela estava lá, toda bonita e dizendo que era esposa dele, Edward não negou. Porra eu sou tão estupida. Ele é totalmente casado.” Sussurro passando as mãos pelo rosto, aquilo era difícil, difícil falar. Eu ainda me sentia confusa e uma parte de mim, a parte demente e irracional gritava na minha cabeça, que talvez, aquilo realmente era um mal entendido. Mas eu sabia que não era, e era totalmente difícil lidar com aquilo, como Edward tinha feito isso comigo? Ele parecia o cara perfeito quando estava comigo e Noah, o cara que eu queria casar e que fosse o pai do meu filho. Como seria agora? Como seria no dia seguinte, e no dia seguinte disso, e quando Noah voltasse? Como seria olhar pra ele no hospital, sentir o coração acelerado e saber que ele não era meu, nunca foi. Porra, minha cabeça queria explodir. Eu só queria sumir.
“Eu não entendo, como aquele filho da puta pode...” ouço Alice sussurrando e eu me pergunto a mesma coisa.
“Eu vou quebrar a cara dele.” Emmett grunhi com uma voz totalmente furiosa me fazendo encara-lo assustada. Emmett passa por mim feito um furacão e pega as chaves do carro em cima da mesa de centro. Olho para Alice e Mike que pareciam assustados vendo Emmett daquele jeito. “Eu avisei, se ele quebrasse o seu coração a cara maldita dele sairia muito pior.” Emmett estava totalmente furioso e aquilo me assustou um pouco.
“Emmett você não vai a lugar algum, você já bebeu muito e vai fazer merda.” Alice diz na sua voz autoritária parando na frente da porta e cruzando os braços.
“Alice tem razão Emm, por mais que eu também queira fazer isso, não vai funcionar, hoje não.” Mike sussurra colocando a mão sobre ombro do Emmett, eu me levanto em pulo me deixando tonta. Porra aquilo daria merda.
“O inferno que não vai. Saí da minha frente Alice Brandon.” Alice arqueia a sobrancelha em desafio e eu caminho até eles. Por mais que eu quisesse que Emmett quebrasse a cara daquele desgraçado, e Deus, como eu queria. Não podia deixar o meu amigo sair daquele jeito.
“Emm, por favor, não saia gora, você pode quebrar a cara dele depois... eu... Porra.” Solto um gemido dando um passo para trás me sentindo novamente tonta, três pares de olhos me encaravam preocupados, Emmett agora já não transmitia tanto ódio, ele me encarava com seu olhar doce.
“Bella o que você tem?” Mike sussurra vindo na minha direção, ele pega minhas mãos entre as suas. Soltei um gemido de dor e ele encarou minha mão vermelha e levemente inchada. “O que aconteceu com a sua mão?” ele analisa minha mão por alguns segundos antes de me encarar.
“Eu só fiquei um pouco tonta, mas já passou. Eu meio que dei um soco no elevador.” Dou de ombros e Mike ergue as sobrancelhas.
“Tudo bem, senta aqui porque você parece péssima.” Ele sussurra me levando novamente para o sofá, Alice e Emmett também vem para o meu lado e Alice pega a minha mão analisando o leve machucado.
“Não é nada de mais.” sussurro tentando tirar a minha mão das dela, mas a baixinha era malditamente forte. Solto outro gemido de dor quando ela estica os meus dedos. Emmett e Mike se ajoelham ao lado de Alice e os três olham para a minha mão e para o meu rosto, eu me sentia uma criança.
“Isso vai ficar feio amanhã Bella. Mike, tem uma bolsa de gelo no frízer.” Emmett sussurra para Mike que fica de pé e vai para a cozinha. “Eu ficaria feliz se esse soco tivesse sido na cara dele.” Dou uma pequena risada quando Emm me da uma piscadela seguida por um pequeno sorriso.
“Eu dei um tapa nele.” Dei de ombros e Alice soltou uma pequena risada.
“Essa é a minha garota!” Emmett bagunça os meus cabelos que certamente já estavam um ninho. Mike volta com a bolsa de gelo e senta do meu lado, a colocando delicadamente sobre os meus dedos. Soltei um longo suspiro de alivio quando o gelo começou a fazer efeito e a dor sendo amenizada aos poucos. Nós quatro ficamos em silencio por alguns minutos, eu me sentia melhor, rodeada por eles, provavelmente foi uma boa coisa ter vindo até aqui.
“Hum, Bella, eu entendo que você não queira falar sobre isso, mas, é meio difícil de raciocinar. Tudo bem que ele é estranho, mas ninguém nunca comentou sobre isso no hospital, você já foi na casa dele e não tinha nenhum vestígio de mulher, e quando vocês não estavam juntos no hospital, estavam juntos em algum lugar, como isso é possível?” Eu me perguntava a mesma coisa, mas aquilo era ridículo, se aquilo não fosse verdade, Edward teria me dito, a loira teria me dito, eu sabia que alguma coisa de muito errada tinha nessa historia, mas na verdade, eu não queria mais saber. Eu não queria mais fazer parte das coisas confusas que Edward me escondia.
“Eu não sei Alice, eu não sei. Talvez ela estivesse em uma viagem de férias, e ele resolveu se divertir por enquanto, eu realmente não faço ideia, mas eu também não quero mais saber. Edward não usou apenas a mim, não mentiu e escondeu uma coisa dessas só pra mim, ele envolveu o Noah nisso, e porra, por mais que eu goste dele, Noah é mais importante que tudo, e se eu tiver que poreje-lo de qualquer dor ou sofrimento, eu tenho que nos afastar do Edward, mesmo já sendo tarde pra isso.” Solto uma longa e dolorosa bufada de ar, meus olhos ardiam de novo e eu sentia um pouco de fata de ar. Verdadeiramente eu não fazia ideia do que faria amanhã ou do que faria da minha vida, eu sequer sabia o que fazer nesse minuto. Era tudo muito confuso e incerto, eu tinha feito planos, que incluíam Edward em todos eles. O enjoou veio forte e eu automaticamente coloquei a mão na boca. Quando eu me dei conta, as lagrimas desciam soltas novamente, porra, de novo não.
“Bella, você parece pálida, eu vou pegar água pra você.” Alice sussurrou, mas Emmett foi mais rápido, ficando de pé.
“Eu vou pegar um remédio muito melhor pra ela.” Então ele foi em direção à cozinha e com a mão boa tratei de secar as lagrimas. Aparentemente eu não tinha aprendido que aquilo não valia a pena.
“Eu sei que tudo parece meio confuso agora, mas amanhã é outro dia Bella, as coisas vão se acertar.” Não, absolutamente Alice estava errada, nada iria se acertar, porque eu já não fazia mais questão disso, e nada do que Edward pudesse me falar me faria perdoa-lo, se é que ele queria algum tipo de perdão. Uma música alta e agitada foi ouvida pela sala. Alice, Mike e eu nos entreolhamos e giramos nossa cabeça para trás onde Emmett estava saindo de perto do seu aparelho de som, ele mexia o seu quadril com a batida da musica me fazendo soltar uma risada e na sua mão tinha uma garrafa cheia de tequila e na outra, três garrafas de cerveja.
“Aqui está o seu remédio Bella.” Ele me estendeu a garrafa de tequila sem sequer um copo. Olhei para a garrafa e em seguia pra ele, que estava parado na minha frente com as mãos na cintura.
“Tequila?” minha voz escoava rouca, provavelmente por conta do choro, eu soava indignada e com uma pitada de humor. Emmett me deu uma piscadela e distribuiu as garrafas de cerveja. Alice a pegou prontamente soltando um gritinho e ficando de pé.
“Vamos lá Bella, não chore mais por aquele babaca, pelo menos não hoje, nós viemos aqui pra nos divertir e é isso que vamos fazer. E pare de chorar que isso não faz o seu tipo.” Alice dizia animadamente enquanto rebolava o seu quadril e tomava um gole da sua cerveja. Eu a olhei com uma careta e em seguida olhei para a minha garrafa, porra, eu vomitaria se tomasse aquilo. Mas a ideia parecia tentadora.
“Aposto uma cirurgia que você não consegue.” Emmett ergueu suas sobrancelhas sugestivamente me fazendo sorrir. Mike já tomava a sua cerveja, ainda sentado ao meu lado, ele também sorria. Soltei uma longa suspirada e abri a garrafa ouvindo os três comemorando e virando as suas garrafas.
“Okay.” Sussurrei olhando para a garrafa e ignorando a vertigem tomei um gole pequeno sentindo a bebida descer queimando pela minha garganta, fiz uma careta olhando para a bebida e ouvi a gargalhada estrondosa do Emmett.
“Você tem que beber com estilo Bella, vem cá.” Ele me estendeu sua mão e eu aceitei prontamente ficando de pé. “Agora vire essa porcaria de garrafa até onde você conseguir.” Fiz outra careta não gostando muito da ideia, eu era relativamente fraca para bebidas, aquilo não me parecia atraente. Olhei para cada um dos meus amigos, Alice já dançava pela sala, ou melhor, ela pulava, Mike bebida e sorria.
“Foda-se Edward Masen.” Sussurrei virando a bebida e tomando o quanto eu conseguia em apenas um gole, sentindo meus olhos e garganta arderem.
“É isso ai garota!” Emmett comemorou me dando um pequeno murro nos ombros. Eu já me sentia tonta e aquilo pareceu bom, eu esqueceria Edward e a sua bagagem por hora.
Alguns minutos se passaram, e a minha garrafa já estava pela metade. Eu estava tonta e não raciocinava direito, mas era divertido. Nós quatro dançávamos pela sala berrando e cantarolando uma musica em espanhol, que sequer sabíamos o que significava. Depois de um tempo, que eu realmente não sabia quanto, minha bebida estava quase acabando enquanto eu pulava pela sala do meu amigo, com eles ao meu lado e bebendo a minha doce e amada tequila no gargalho. Alice e Mike dançavam juntos, quase colados, bebendo suas cervejas, Emmett pulava comigo do meu lado cantando alto, eu me perguntei, por alguns segundos, se ninguém reclamaria daquela barulheira em pleno dia de semana. Fechei meus olhos enquanto deixei a música animada tomar conta do meu corpo, eu dançava pela sala dando algumas gargalhadas quando esbarrava em algumas coisas, bebendo a minha bebida vez ou outra. Eu me senti bem, pela primeira vez no dia, sentindo meus cabelos pulando juntamente comigo, deixando aquela musica alta me dominar, eu estava verdadeiramente tendo uma paixão platônica pela minha garrafa de tequila. Certamente nós tínhamos uma bela historia a partir de agora. Quando vinha na minha cabeça, relâmpagos da minha noite com Edward e sua esposa peituda, tudo que eu conseguia fazer era gargalhar e beber. Era engraçado. Porra, era muito engraçado.
Depois do que pareceu centenas de horas, estávamos nós quatro deitados no chão da sala do Emmett, lado a lado, com as pernas em cima do sofá e olhando para o teto, cada um preso em sua própria embriagues. Eu estava sonolenta e nada muito coerente passava pela minha cabeça, apenas é claro, que o lustre do meu amigo era muito, muito bonito e grande, eu o encarava boquiaberta pensando no que aconteceria se ele caísse sobre nós, certamente sangue e pedaços de carne pra todo o lado, acabei soltando uma risada com a imagem de nós quatro, amassados por um lustre. Minha doce e gentil tequila, já tinha acabado há horas, então roubei algumas das cervejas dos meus amigos, e quando acabou, passamos para o uísque. Agora tudo estava quieto e silencioso, realmente não parecia o apartamento barulhento de horas atrás, que o sindico teve que ligar e reclamar, nós apenas gargalhamos e aumentamos o som. O lustre do Emmett era realmente muito bonito, eu me lembraria de perguntar onde ele tinha o comprado. Solto uma risada ao tentar levantar a minha mão machadada, sentindo uma dor engraçada. “Vocês... Vocês acham que eu mereço um premio ou algo assim?” consigo sussurrar gaguejando um pouco e rindo da minha própria voz embriagada.
“Por que diabos você iria merecer um premio?” Emmett, que estava do meu lado, girou a cabeça na minha direção e eu sorri ao ver os seus olhos inchados. Nossos rostos estavam tão próximos, soltei uma risada pensando que eu poderia vomitar no seu rosto.
“Você sabe, por ser a esposa traída, e depois virar a amante, em um tempo muito curto.” Ouço uma gargalhada e vejo Mike sorrir encarando teto, não consigo segurar soltando uma risada também.
“Se você ganhar um premio, eu quero uma foto com ele.” Alice sussurrou, ela parecia sonolenta enquanto soltava um suspiro.
“Oh, eu também, não é um premio Nobel de medicina, mas um premio é um premio.” Emmett sussurra pensativo. Acabo dando outra gargalhada e todos me acompanham, eu não conseguia pensar ou ter noção do que nós estávamos rindo realmente, sequer eu sabia que horas eram, mas era divertido.
[...]
"Bella? Bella pelo amor de Deus... Porra acorda." Eu sentia meu corpo ser chacoalhado aos poucos enquanto alguém berrava absurdamente alto. O som daquela voz, soando totalmente desesperada, fazia os meus ouvidos se contraírem. Quem diabos tinha me acordado agora? Enquanto eu era chacoalha de volta à realidade eu ouvia vozes altas e um enorme barulho de coisas caindo e pessoas correndo. Merda, era como se estivessem gritando no meu ouvido, fazendo a minha cabeça querer explodir. "Você tem que acordar agora Bella!" Outra vez alguém chacoalhou meus ombros e eu soltei um resmungo, poderia ser algum tipo de sonho ou alucinação, mas não era, a dor que aos poucos vieram no meu corpo me fizeram crer que aquilo era bem real. Onde diabos eu estava? Tento abrir meus olhos lentamente apenas para ver quem era o estupido que tinha me acordado, mas foi uma péssima ideia, a claridade e o barulho que só ficava cada vez alto, faziam a minha cabeça latejar. Porra. Eu estava deitada em uma coisa dura e fria. Fecho meus olhos com força e tento me virar na direção oposta de quem quer que fosse, que não parava de balançar meu corpo dolorido. Mas foi claramente inútil quando a dor nas minhas costas e a minha cabeça me fizerem gemer, minha garganta era uma poça seca e meus olhos ardiam, o que diabos tinha de errado?!
"Isabella Cullen-Swan, porra mulher acorda por tudo que é de mais sagrado, estamos todos fodidos, todos, caralho, caralho." Uma voz feminina berrou nos meus ouvidos me fazendo fechar os olhos com força, minha cabeça latejou e eu desejei nunca estar acordada. Tentei me conectar enquanto passava as mãos pelos olhos doloridos e ardidos, minha boca tinha gosto de álcool e tudo ao redor cheirava a mais pura cerveja e tequila. Fechei os olhos com força sentindo uma enorme vertigem lembrando lentamente da noite passada e desejando que tudo não passasse de um pesadelo. As coisas aos poucos, começavam a fazer um pouco de sentido. Edward. Casado. Loira peituda. Choro. Emmett. Tequila. Trabalho. Trabalho? Abro os meus olhos um pouco desesperada não sabendo sequer que dia era hoje.
"O que inferno está acontecendo? Que horas são?" Minha voz estava péssima, fiz uma careta, sequer parecia eu falando, rouca e cortante. Cada palavra que eu falava era uma pontada diretamente na cabeça. Passo as mãos novamente pelos olhos e tento os abrir novamente, era como se tivesse uma tonelada de areia dentro deles. Estava tudo muito claro, mas eu podia ver Emmett correndo por um lado, Alice por outro e Mike sentado no sofá com as mãos na cabeça e balançando as pernas nervosamente. Olho ao meu redor fazendo uma careta, eu tinha dormido no chão e ao lado tinha uma garrafa de tequila vazia, outra de uísque, e várias latas de cerveja espalhadas por ali. Aquele cheiro forte me dava vontade de vomitar.
"Estamos fodidos Bella, fodidos." Mike choraminga enquanto passa as mãos pelo rosto. Novamente eu tento entender e me conectar, nada fazia muito sentido agora. Absolutamente nada, era como se eu ainda estivesse dormindo, mas a porcaria das dores eram reais de mais, quanto mais eu tentava pensar e olhar, mais minha cabeça doía. Tento massagear minhas têmporas para aliviar um pouco as dores e a leve tontura.
"Bella, falta doze minutos para as oito da manhã. Doze minutos." Emmett berra passando na minha frente correndo tentando fechar as suas calças, no primeiro segundo eu solto um sorriso ao ver o seu estado atrapalhado, mas no outro, quando minha mente começa a raciocinar, arregalo os meus olhos lentamente. Porra, porra, porra. Emmett estava perturbado, aquilo estava errado, muito errado. Às oito horas da manhã, nós deveríamos estar prontos esperando o novo chefe na maldita bancada e não bêbados jogados no chão cheios de ressaca.
"O que? Porra!" Fico de pé em um pulo me segurando no sofá para que eu não caísse com a enorme tontura. Minha mão deu uma leve fisgada, quando tentei sustentar o meu corpo com ela. "Merda." Sussurro sentindo os meu corpo quebrado e minha maldita cabeça como se fosse um balão. Me jogo no sofá pensando o que merda eu faria agora. Coloco as mãos na cabeça imitando o gesto do Mike. Eu não pensava muito bem de ressaca, malditamente não. Edward Masen me mataria hoje, e por mais que eu o odiasse nesse minuto, ele ainda era meu superior. Eu sabia que tinha que correr de alguma maneira, mas era como se eu estivesse anestesiada.
"Toma Bella, temos que ir, tipo, agora." Alice aparece na minha frente com uma caneca grande e fumegante. Tomo um gole forte da bebida quente como inferno queimando a minha boca. Aquele era o pior café que eu já tinha tomado na vida. Ela provavelmente tinha colocado um pacote todo em meio copo de água. Fiz uma careta quase cuspindo o café.
"Porra Alice, o que é isso?" Gemo estendendo a caneca pra ela novamente que revira os seus olhos inchados. Ela me parecia bem, tirando o fato dos seus cabelos curtos estarem uma bagunça.
"Isso se chama: Cura ressaca. Beba de uma vez e pare de reclamar, agora vamos." Alice e Mike continuavam com as mesmas roupas da noite passada, Emmett que corria pela casa, vestia uma camisa enquanto tomava café com a outra mão. Eu não sabia realmente que horas eles tinham acordado, mas aparentemente eles tinham acabado de acordar também, pelo desespero mútuo, obviamente. "Vamos!" Alice puxa minha mão livre tentando me colocar de pé.
"O que? Enlouqueceu? Eu não posso ir assim, eu estou fedendo a álcool Alice." Ela me encara de cima a baixo e faz uma careta, porra, pela sua cara, eu estava muito pior do que eu imaginava.
"Merda, você está horrível, não temos tempo Bella, é isso ou o Masen nos mata." Emmett para na minha frente, agora completamente vestido, ele me encara tomando fôlego.
"Okay, vamos raciocinar direito aqui. Bella, no banheiro tem um armário acima da pia, lá tem uma escova de dente nova, você tem dois minutos. Alice, você faz mais café, e Mike, você pega uma camisa minha, porque Deus, você está fedendo. Eu vou tirar o meu carro da garagem, se formos em um só, chegaremos mais rápido. Espero vocês lá em baixo, e por tudo que a de mais sagrado, não demorem." Emmett falava rapidamente enquanto parecia que ele tinha raciocinado direito pela primeira vez. Pedi para que Emmett pegasse o meu celular no carro, caso Noah ligasse. Então cada um correu para um lado. Mike e eu fomos para o quarto do Emmett, eu realmente não reparei muito, mas pelo pouco que meus olhos pegaram, era uma grande bagunça. Mike correu para o closet e eu em direção ao banheiro. Minha cabeça pensava uma tonelada enquanto eu tentava colocar os pensamentos em ordem, mas tudo ainda parecia muito bagunçado e confuso. Procuro a maldita escova que Emmett tinha dito, e faço uma pequena desordem no seu armário até encontrar o objeto lacrado. Rasgo a embalagem de qualquer jeito e coloco creme dental em seguida. Enquanto eu tentava escovar meus dentes tão rápido quanto eu conseguia, me olho no espelho arregalando os olhos um pouco com a minha imagem no espelho. Porra. Eu estava um caco. Meus olhos estavam vermelhos e muito, muito inchados, eles mal se abriam, aquilo era consequência da crise idiota de choro da noite passada. Meus cabelos eram um ninho, fios para todo o lado e muito provavelmente seria um trabalho longo conseguir passar algum pente naquele cabelo. Meu rosto... Merda, parecia uma pequena bola do quanto inchado ele estava. Eu precisava urgentemente de um banho e aquilo era absolutamente óbvio. Era tudo o que o meu moído corpo precisava. Terminei de escovar os dentes e enxaguei a boca. Peguei um sabonete que estava em cima da bancada da pia e lavei o meu rosto três vezes, tentando amenizar aquela bagunça. Voltei a me olhar no espelho fazendo uma careta, nada tinha se resolvido. Procuro um pente entre as gavetas e ouço Mike gritar por mim em algum cômodo da casa. Porra, eu sabia que beber aquela porcaria de tequila não seria uma boa ideia, certamente não quando você tem que trabalhar no dia seguinte. Encontro o pente e tento passa-lo nos meus cabelos rapidamente, ao menos aquela bagunça teria que ser amenizada. Desisto de arrumados de forma decente, e quando termino com o pente, faço um coque de qualquer jeito, tento a certeza que estava péssimo. Minha mão doía um pouco, enquanto eu mexia com ela, mas nada que eu não pudesse aguentar.
Mike me esperava na porta, o pobre rapaz parecia tão mal quanto eu. Mas ao menos a adrenalina, fazia com que ele ficasse mais esperto. Corremos para a cozinha e Alice parecia completamente atrapalhada tentando equilibrar quatro copos térmicos de café enquanto abria a porta da saída. Mike e eu ajudamos com os copos e corremos para o elevador. Eu não sabia qual de nós estava realmente pior, ou quem tinha bebido mais, sequer eu lembrava da hora que apagamos, mas uma coisa eu sabia, foram malditas poucas horas de sono, nossos olhos denunciavam isso, e o enorme sono que eu sentia nesse segundo, me dava a certeza. “Não adianta, ele vai nos matar lentamente hoje.” Alice choramingou assim que entramos no elevador. Infelizmente eu tenho que concordar com ela quando olho a hora no relógio digital do elevador. Faltavam seis minutos para às oito da manhã, nunca chegaríamos no horário. Eu não sabia o que era realmente pior, ter que ver Edward todo dia pelo hospital, ou ficar sozinha em casa chorando e me lamentando, as duas me pareciam duas péssimas opções, melhor seria se tivesse como desaparecer.
“Nós que deveríamos mata-lo hoje, nada menos que isso.” Mike geme do meu lado bebericando um pouco do seu café enquanto olhava para o teto, sua perna balançando compassivamente, denunciando o quanto ele estava nervoso. Obviamente, ele não era o único. Tudo que eu menos queria, era ter motivos para que Edward me dirigisse à palavra. Apenas de imaginar, que eu o veria hoje, fazia o meu estomago gelar. Quando as portas de metal e abrem, saímos correndo pela garagem a procura de Emmett. Ele estava próximo de nós, um pouco mais afrente, vamos correndo e eu tropeço sobre os meus pés algumas vezes até chegar até ele. A maldita pequena caminhada, era o suficiente para o meu estomago ficar enjoado e minha cabeça latejar. Dentro do seu jipe, Emmett batucava os dedos no volante, impacientemente. Quando ele nos vê, revira os olhos e reclama pela nossa demora.
“Seu celular.” Emmett me entrega o aparelho assim que eu me acomodo no banco de trás ao lado de Alice, Mike vai no banco do passageiro ao lado do Emmett, que mal espera fecharmos as portas para arrancar o carro dali rapidamente. “Eu preciso de café. Agora!” Emmett sussurra sem tirar os olhos da direção, Mike lhe entrega um dos copos e Emmett toma um longo gole fazendo uma careta. Eu devia fazer isso também, eu tinha que de alguma maneira, não chegar ao hospital parecendo tão mal. Olho para o meu copo fazendo uma careta, apenas imaginando o gosto. Solto um longo suspiro tomando um longo gole da minha bebida quente e forte. Aquilo era péssimo, mas me fazia despertar. Todos no carro ficam em silencio, cada um pensando na sua própria desgraça. Emmett dirigia como um louco pelas avenidas congestionadas, se ele não maneirasse o pé no acelerador, nós chegaríamos no hospital, mas como pacientes. Tomo mais um pouco do meu café, me sentindo um pouco melhor, olho para a tela do meu celular, um pouco receosa. Mordo o meu lábio e desbloqueio a tela, torcendo para que ele estivesse descarregado, mas infelizmente, ele não estava. Meu coração malditamente acelera e o meu estomago embrulha quando vejo trinta e duas ligações perdidas do Edward. Cinco de hoje, eu realmente adoraria ter um infarto naquele momento. Eu não queria ficar abalada, eu não queria reagir assim, mas merda, aquilo era inevitável, meu coração acelerava de um jeito absurdo apenas de pensar nele. Tinha também cinco mensagens de texto, se eu as lesse agora, provavelmente eu vomitaria no carro do meu amigo, e isso não seria bom. Tento não ficar tão nervosa enquanto soco o celular no bolso traseiro da minha calça e volto a beber o meu café. Dezoito minutos depois, Emmett estaciona de qualquer jeito na sua vaga habitual, ele provavelmente tinha muita habilidade no volante, eu teria batido em três ou quatro carros naquele processo louco. Todos nós descemos correndo e meio atrapalhados tentando correr para dentro do hospital sem bater em ninguém. Quer dizer, eles corriam, eu estava mais atrás, tentando não ficar tonta, ou apenas talvez, querendo prolongar o encontro com o Dr. Traidor, eu deveria apenas parar de colocar apelidos nele, a lista estava ficando muito extensa. “Que horas são?” Emmett perguntou agoniado apertando o botão do elevador diversas vezes. Eu apenas tomava o meu café como se fosse água, não em importando muito se ele estava quente, eu só queria que aquilo me fizesse melhorar.
“8hs: 22min. Vamos apenas nos preparar para a morte.” Mike sussurrou lentamente olhando para a tela do seu celular. Eu nunca tinha chegado tão atrasada, talvez não fosse tão absurdamente tarde, se o nosso superior não fosse tão paranoico com atrasos, naquele segundo eu desejei ainda estar bêbada. O elevador chegou, ele estava um pouco cheio, alguns médicos e um enfermeiro. Chegamos ao nosso andar e respirei um pouco rápido de mais. Caminhamos rápido em direção ao vestiário, eu realmente não queria chegar tão rápido, mas era o meu trabalho, e um bocado de pessoas precisavam de mim. Passamos pela bancada habitual, na qual Edward sempre fica nos esperando e solto minha respiração aliviada, quando não o vejo ali. Talvez ele tivesse ido para alguma cirurgia de emergência, ou para o PS. Abaixo a cabeça fechando os olhos enquanto caminho e agradecendo mentalmente, por não ter que ver a cara dele hoje pela manhã.
“Merda.” Ouço Alice sussurrar agoniada. Levanto minha cabeça olhando pra frente. Sinto o meu coração acelerar e meu estomago se revirar quando vejo Edward parado na porta do vestiário dos internos. Ele estava de braços cruzados olhando diretamente na minha direção, parei de caminhar um pouco, não porque eu quis, mas porque minhas pernas pareciam não obedecer os meus comandos. Edward não parecia bravo, não enquanto olhava pra mim, seus olhos estavam inchados e sua boca entre aberta. Eu não podia ser tão patética. Então vesti minha calcinha de menina grande, soltei uma longa respiração e voltei a andar na direção do vestiário.
“Atrasados.” Novidade. Edward para no meio da porta atrapalhando nossa passagem. Ele continuava com os braços cruzados e eu não podia vê-lo totalmente, Emmett e Mike estavam na minha frente, como um muro, e eu os agradeceria depois por isso. Vejo os braços de Emmett se contraírem e algumas veias se sobressaírem quando ele fecha os punhos com força, provavelmente eu sabia onde ele queria descansar o seu punho, e fazer isso na cara do seu chefe, não era um bom negocio. “Eu adoraria lhes dar uma bronca, mas tudo que eu quero é que vocês sumam das minhas vistas nesse segundo. Vocês têm dois minutos, e não pensem que essa conversa acaba aqui.” Sua voz era baixa, mas ao mesmo tempo, firme e enojada. Ótimo eu também queria que ele sumisse das minhas vistas. Ele saí da frente e todos entram no vestiário, eu estava prestes a suspirar aliviada quando antes que eu entrasse, Edward segura o meu braço com um pouco de força me fazendo parar. Aquilo foi o suficiente para que eu ficasse malditamente irada, tento puxar o meu braço do seu aperto sendo completamente inútil. Levanto minha cabeça para encara-lo e tento não fraquejar quando vejo os seus olhos bonitos e traidores olhando diretamente nos meus, como ele sempre fazia, me deixando deslumbrada, mas agora, tudo que eu queria, era ficar longe dele. “Isabella, você tem que me deixar explicar, pelo amor de Deus, eu liguei pra você a noite toda, fui na sua casa e você não estava lá, onde você dormiu? Está com a mesma roupa de ontem.” Ele falava rápido e agoniado, com o rosto perto de mais do meu. Travo a mandíbula e respiro pausadamente, tentando me controlar para não lhe da outro tapa.
“Eu falei pra você nunca mais tocar em mim, então tire as suas mãos imediatamente do meu braço, Masen.” Fico orgulhosa comigo mesma, por conseguir falar. Edward pareceu um pouco assustado com a minha reação e finalmente me solta. Me afasto dele, deixando uma distancia considerável entre nós. E quando tento entrar no vestiário, novamente sou impedida por ele, que segura o meu pulso rapidamente.
“Me deixe explicar ou ao menos te dizer, você precisa saber antes que...”
“Antes que o que? Que eu descubra? Eu já descobri não é mesmo, não temos mais nada falar um com o outro Dr. Masen, nós tínhamos há um tempo, quando você me chamou para o nosso primeiro jantar, agora já não importa mais. Agora me solta, eu tenho dois minutos, não é?” eu realmente estava furiosa com o seu jeito estupido, como se ainda tivesse mais coisa pra saber, como se eu quisesse saber, no momento, tudo que eu queria, era que Edward, ficasse bem longe de mim. Ele me encara por alguns segundos, parecia um olhar sofrido, mas nada que vinha dele poderia ser verdadeiro. Então ele finalmente me solta, ainda com os olhos fixos nos meus. Pego o resto de dignidade que me sobra e entro no vestiário para me trocar. Estava vazio, porque nós estávamos obviamente atrasados. Quando cheguei perto do meu armário, vi Emmett sentado no banco, e Alice e Mike na frente dele.
“O que aquele desgraçado queria com você Bella? Eu quase quebrei a cara dele, mas Alice, obviamente, não deixou.” Emmett parecia realmente furioso. Dei de ombros tentando mostrar que eu não me importava muito, quando na verdade, eu estava fervendo por dentro. Abri o meu armário pegando um muda de scrubs extras, que eu sempre deixava lá.
“Ele queria conversar, como se ainda tivesse coisas a serem conversadas.” Dou um sorriso irônico, mas sem qualquer humor e vou para o outro lado dos armários, onde eles não podiam me ver, para que eu pudesse me trocar. Tirei a minha jaqueta que fedia a tequila e fiz uma careta a jogando no chão junto com a minha blusa. Assim que eu comecei a abaixar as calças, Alice apareceu do meu lado e me deu um pequeno sorriso também tirando as roupas rapidamente. Fiquei consideravelmente feliz, por ao menos eu estar com o meu all star.
“Hey, Bella?” Alice sussurrou baixo, assim que terminamos de nos vestir, eu tinha as minhas roupas fedidas nas mãos, pronta para joga-las no armário. Me viro na sua direção e arqueio a sobrancelha.
“Sim?” ela olha para os lados como procurasse alguém e solta um suspiro chegando perto de mim.
“Se ele quer conversar, ouça. Mesmo que você não o perdoe, é o mínimo que ele pode fazer, e isso vai te fazer melhor também, pelo menos, você não vai ficar criando historias que apenas vão te fazer mal, eu sei que você está odiando ele agora, mas eu sei que você é apaixonada por ele, então apenas deixe ele se explicar, mesmo que depois você lhe de um soco.” Dou um pequeno sorriso e concordo positivamente com a cabeça, mesmo que isso não queira dizer que eu iria ouvir o seu concelho, realmente eu não queria explicação alguma dele, não queria mais, nada que me dissesse me faria odiá-lo menos. Dou um longo suspiro e vamos para o outro lado dos armários, Emmett amarrava o cadarço do seu tênis e Mike tomava o seu café já vestido. Guardo minhas roupas no armário, e pego um elástico que tinha lá dentro e amarro os cabelos em um rabo de cavalo.
“Já estávamos aqui há três minutos, não sei como ele não entrou aqui ainda.” Mike fica de pé passando as mãos pelos cabelos. O pobre rapaz parecia muito sonolento. Respiro fundo algumas vezes torcendo para que eu ficasse com qualquer outro cirurgião que não fosse ele, eu aceitaria de bom grado até Leah Clarwer. Saímos do vestiário, e eu estava um pouco receosa, mas solto um longo suspiro de alivio quando não o vejo mais na porta. Seguimos até a bancada, e lá estava ele, olhando para um ponto perdido no chão e com as mãos no bolso do seu jaleco. Eu faria qualquer coisa para não em sentir tão demente perto dele, ou não sentir o meu coração bater irregularmente quando ele olhava pra mim. Emmett, Alice e Mike vão para mais perto dele, parando na sua frente, eu apenas continuo atrás, não querendo ter muito contado visual com ele.
“Jon Salivam, 31 anos, deu entrada essa manhã depois de ter desmaiado no trabalho. Artéria basilar se rompeu como um balão. Hemorragia subaracnóide, aneurisma do tamanho de uma bola de gude.” Edward pega um prontuário que estava em cima do balcão e assina alguma coisa, eu estava feliz que ele não estivesse olhando pra mim nesse momento.
“Não tem como controlar uma hemorragia assim.” Emmett sussurra pensativo e profissional.
“Tem com uma cirurgia standstill.” Edward sussurra ainda sem olhar para nenhum de nós. Eu lentamente arregalo os meus olhos e sinto o meu coração acelerar, não por Edward ou nada disso, porra. Essa cirurgia seria brilhante.
“O que? Você vai fazer uma hipotermia profunda?” Alice pergunta maravilhada. E porra, quem é que não estava? Aquilo era brilhante, e qualquer interno morreria para estar em uma cirurgia dessas.
“Quero tentar, mas pra isso, preciso de um histórico mais completo do paciente. Exames laboratoriais e uma arteriografia cerebral.” Então ele ergue o prontuário, e todos olham pra ele como se fosse à cura de todos os nossos problemas, menos eu é claro, mas a minha surpresa foi quando ele parou diretamente na minha frente. Ergo meus olhos para Edward, que me encarava, ele parecia apreensivo. Porra, ele queria que eu fizesse isso com ele. Três pares de cabeça viram na minha direção, indignados. Merda, a culpa não era minha. Eu queria mais que tudo não pegar essa cirurgia, queria fugir e não ter que lidar com isso. Mas era o meu trabalho, então eu tinha eu ser profissional, não daria para fugir dele pra sempre, ele é meu chefe, e a culpa era toda minha, por ter me deixado envolver com ele. Pego o prontuário resignada e Edward me dá um sorriso. Reviro meus olhos um pouco e volto a minha atenção para o prontuário. “Vocês três, vão para o PS. Uma ambulância está prestes a chegar.” Olho de relance para os meus amigos, que continuavam parados, boquiabertos e olhando na nossa direção. Merda, eu não queria dar motivos, para pensamentos errados. Era só o meu trabalho. Isso não significava que eu ia abrir as minhas pernas pra ele de novo. “O que vocês estão esperando? Andem longo. Sumam da minha frente.” Edward grunhi de um forma arrogante e os três saem quase correndo dali. Eu olhava para o prontuário, sem ler absolutamente nada, eu estava tentando não olhar pra ele.
“Eu... Hum, vou visitar o paciente e leva-lo para os exames.” Sussurro olhando pra ele e ficando um pouco sem ar.
“Bella, espera.” Começo a caminhar rapidamente, esperando que ele parasse de me seguir, mas era inútil. Fecho meus olhos com força tentando sair quase correndo. Mas Edward com suas malditas pernas longas conseguia me alcançar em um piscar de olhos. “Hey, espera.” Pela terceira vez no dia ele puxa o meu braço. Qual merda era o problema dele?
“O que diabos você quer?” sussurro tentando não chamar muita atenção, mas era inútil, parecia que todos que passam ali estavam olhando pra nós. Então ele novamente estava com o rosto perto de mais de mim, e se antes eu tinha vontade de puxa-lo e beija-lo, agora eu tinha vontade de estapear aquele rosto bonito.
“Você tem que me ouvir, por favor, por favor, eu não quero perder você.” aquelas ultimas palavras fizeram meu coração bater rápido, mas eu não podia me deixar engana novamente por ele.
“Acho que é meio tarde pra isso. Agora eu tenho que trabalhar Dr. Masen, me deixe em paz. E não pense que eu vou continuar sendo a sua concubina.” Edward solta o meu braço e sem dizer qualquer coisa ele me deixa sair. Tudo aquilo me deixou um pouco tonta e anojada. Merda. Sigo direto para o Quarto do Sr. Salivam, ao menos assim eu teria alguma coisa para me distrair.
O dia no hospital tinha sido meio, diferente. Trabalhar com Edward era sempre fantástico, mas hoje, estava sendo um castigo, sempre me olhando como se a qualquer minuto eu estivesse prestes a falar com ele, nunca me deixava ficar longe o suficiente, eu me sentia sufocada, ao menos, ele não tinha mais tentando conversar. Os exames do Joe, e todos os outros procedimentos tinham sido feitos durante todo o dia por mim, ele era um cara bacana e adorava conversar, ele me ajudou a me distrair um bocado, mas sempre com Edward ao meu encalço. Aquela situação era péssima e eu me perguntava se tinha como piorar. A cirurgia do Joe seria feita no dia seguinte, e ele parecia bastante animado para uma pessoa que teria o corpo congelado. Esse certamente ficaria marcado em um dos meus piores dias, trabalhar de ressaca, com uma mão dolorida e com enjoos frequentes, era o inferno. Quando finalmente estava perto da minha hora, vou mais uma vez visitar Joe, apenas para me certificar que ele ficaria bem. Durante todo o percurso agradeci mentalmente por não ver Edward em nenhum lugar. Mas a minha alegria dura pouco, quando chego ao quarto do Joe e Edward está lá, conversando com ele e com a sua mãe. Ele não percebeu a minha presença, parecia estar realmente muito focado na sua conversa. Então Joe vira a cabeça na minha direção e me dá um sorriso. “Hey se não é a médica mais gata desse hospital, eu tenho sorte.” Ele me dá uma piscadela e eu sinto o meu rosto corar vergonhosamente. Edward para o que estava fazendo e nos encara, eu realmente não presto muita atenção nele.
“Isso é porque você ainda não viu a Dra. Ashley, ela é sem duvidas, a mais bonita por aqui, uma loira estonteante.” Retribuo a piscadela caminhando na sua direção e dando uma olhada no seu soro.
“Oh, eu duvido muito, e eu prefiro as morenas.” Ele me dá um sorriso sacana e eu apenas solto um risada, Joe não falava por maldade, ele era brincalhão e eu gostava disso nele, a sua mãe apenas sorria na nossa direção. “Diga-me Dr. Masen, ela não é a cirurgiã mais linda que á por aqui?” então eu tenho vontade de sair correndo dali. Olho um pouco para Edward que tinha os seus olhos fixos em mim, ele tinha um pequeno sorriso torto, que ainda tinha um enorme poder sobre mim, eu apenas desvio meus olhos.
“Você tem razão Joe, ela não é só a mais linda que eu conheço, como também é a mais incrível.” então vejo Joe me olhar de lance e em seguida olhar para Edward. Ele arqueia uma sobrancelha, porque malditamente, Edward não parava de olhar pra mim.
“Eu vim apenas ver como você estava Joe, amanhã eu tenho plantão e venho vê-lo antes de entrar na cirurgia.” Ele sorri e acena, mas ainda olhando pra mim e para o meu chefe regulamente.
“Ótimo, será um prazer saber que terei mãos de fadas me tocando, mesmo que eu esteja congelado.” Estreito os meus olhos e ele solta uma pequena gargalhada. Ele tinha um humor um tanto quando negro.
“Fico feliz em saber que está bem Joe, tenha uma boa noite e nos vemos amanhã.” Dou um sorriso para e ele e para a sua mãe antes de sair quase correndo do quarto, eu não queria que Edward me seguisse ou coisa assim. No vestiário Mike já estava lá, ele já estava se trocando, sua cara era péssima e verdadeiramente casada. Tinha alguns internos lá também, nada muito tumultuado, apenas fofocas rolando entre eles. “Hey Mike.” Ele me encara, quando paro do seu lado para pegar as minhas roupas sujas no meu armário.
“Hey Bella, estou uma bosta, queria estar com o meu carro. Ainda temos que esperar Emmett.” Ele geme batendo a testa no seu armário, eu apenas dou um sorriso enquanto pego as minhas roupas. Vou para uma das cabines me vestindo rapidamente, tudo que eu queria era ir embora, me debruçar sobre o vaso e vomitar loucamente. Quando saio, Mike me esperava na porta, seguimos para o estacionamento e era uma verdadeira merda ter que esperar Emmett. Nós falávamos sobre a cirurgia do Joe por todo o caminho enquanto ele falava o quanto estava louco para assistir a cirurgia, mesmo que fosse da galeria. Quando passamos pela porta da saída eu sorria da historia do Mike e do seu paciente maluco de hoje, mas então automaticamente eu paro de rir quando Edward para correndo na minha frente, eu não sabia de onde ele tinha saído, mas certamente era do hospital, ele ainda estava com os seus scrubs e de jaleco, ele parecia ofegante. Reviro os meus olhos e tento passar por ele quando Edward tampa a minha passagem, vejo Mike nos olhar um pouco de relance e ficar mais próximo de mim.
“Por mais que você diga que não queira, eu quero me explicar Bella, eu quero que você entenda e que não odeie. Bella eu não quero perder você, eu não posso te perder, você me salvou, mesmo que não sabida do que, você me tirou da escuridão.” Ele falava ofegante enquanto tentava recuperar o folego, seus olhos tinham aquele mesmo brilho, e eu me sentia perdida toda vez que olhava pra ele, meus olhos arderam e eu apenas respirei fundo algumas vezes tentando manter o pouco de orgulho que ainda me restava.
“Edward, qual a parte de; vá pro inferno, você não entendeu? Você não entende, não importa mais, eu não me importo com o que você tenha pra dizer, não quero mais saber, nada do que diga me fará odiá-lo menos. Eu me sinto uma vadia suja e imunda por ter me deitado com um homem casado, então se você gosta um pouco de mim que seja, me deixa em paz.” Edward tenta falar mais uma vez, mas eu apenas saio andando para bem longe dele, quase correndo, Mike vem atrás de mim e quando chego no carro deixo algumas lagrimas salpicarem dos meus olhos. Merda, isso tinha que mudar, eu não podia sair chorando toda vez que Edward me falasse alguma coisa. Inferno. “Mike, diga para o Emmett que amanhã eu vou buscar o meu carro, vou pegar um taxi.” Seco as lagrimas rapidamente tentando não fazer com que Mike visse, mas era inútil.
“Bella...” eu apenas lhe dou um sorriso, e antes que ele falasse qualquer coisa vou em direção aos taxis. Eu ainda me sentia uma grande merda quando entrei no taxi, ele tinha palavras bonitas, palavras que me fazia ficar fascinada, mas eu não podia perdoa-lo, aquilo era de mais. Merda, eu nunca imaginei ser uma amante vadia. Eu meio que tinha uma terrível raiva de prostitutas amantes, que destroem os lares, e eu estava sendo uma agora, mesmo que Edward seja o mais culpado. Realmente era difícil imaginar Edward como um canalha desgraçado. Quando finalmente chego em casa solto um pequeno sorriso quando McQueen corre na minha direção assim que abro a porta e pula nas minhas pernas.
“Hey destruidor, você sentiu a falta da mamãe? Eu também senti sua falta, sinto muito se o seu pai é um maldito safado.” Sussurro para o pequeno cachorro o pegando nos braços e beijando o topo da sua cabeça, McQueen solta um pequeno latido tentando morder meu nariz. “Eu sei, estou ficando louca não é? Você é só um cachorro.” O coloco de volta no chão e então ele sai correndo para fora, em direção ao gramado, deixo ele ficar lá por um tempo, McQueen precisava de ar livre. Olho para a sujeira que ele tinha deixado na minha sala e faço uma careta, uma enorme onda de enjoou me atinge quando sinto o cheiro de urina, arregalo os meus olhos correndo escada à cima, foi apenas o tempo de correr para o banheiro e me agacha no vazo para que eu vomitasse tudo que eu tinha. Eu não me lembrava a ultima vez que eu tinha comido, e isso realmente não me fazia falta. Eu ainda sentia um pouco do gosto da tequila na boca, e vomito mais um pouco. Era tudo culpa da maldita tequila. Quando finalmente termino, me sinto um pouco tonta e vou direto tirar as minhas roupas para tomar um banho. Demoro muito mais que o suficiente debaixo do chuveiro, lavo os meus cabelos e corpo demoradamente. Saio enrolada em uma toalha e vou escovar os dentes. Eu precisava do meu Noah comigo, era tudo que eu mais precisava nesse segundo. Vou para o quarto e visto um moletom velho. Limpo a bagunça daquele cão na minha sala e o coloco para dentro trancando a porta, preencho as suas tigelas com ração e água. Subo as escadas desanimadamente e me jogo na minha cama, coloco o celular para carregar ao lado da minha cama e dou o meu melhor sorriso quando Noah me liga. Ele estava animado e me contou todo o seu dia divertido, segundo ele, ele e o pai iriam para o cinema daqui a pouco, ele perguntou por Edward e eu apenas tentei desconversar, aquilo seria um assunto complicado para um garoto tão pequeno que já tinha sofrido pela separação dos pais. Depois do telefonema do meu menino, eu me sentia muito melhor. Noah era a minha vida e o único cara que merecia o meu coração, era ele. Eu estava cansada e dolorida, não demoro muito a cair no sono.
Quando acordei era pouco mais das seis da manhã, ótimo, quando eu podia dormir até tarde, eu não dormia. Maravilha. Tentei dormir novamente, mas quando mais eu ficava na cama, mais pensamentos ruins vinham na minha cabeça, e mais lugar para Edward ocupar. Eu ainda me sentia um pouco enjoada, eu estava odiando aquilo. Fico de pé instantaneamente e vou escovar os dentes. McQueen já corria pela sala com o seu urso de pelúcia na boca. Vou até a cozinha e tomo apenas um copo de leite, realmente nada mais entraria no meu estomago. McQueen corria inquieto pela casa, então decidi lhe colocar na coleira e ir dar uma volta com ele pela rua. Eu ainda estava com o meu moletom velho, mas eu não pretendia trocar, as ruas estavam meio desertas por ser cedo de mais. Quando chegamos em casa, McQueen parecia muito mais calmo. Eu o deixo no gramado enquanto penso em limpar a casa, aquilo me faria distrair e seria bom não ter Edward na minha cabeça o tempo todo. Subo até o meu quarto para pegar o celular, eu precisava falar com Emmett, sento na cama e tiro o aparelho do carregador, desbloqueado a tela e vendo uma ligação perdia e uma nova mensagem do Edward. Aquilo foi o suficiente para que eu sentisse um frio no estomago. Mordo o meu lábio e abro a mensagem.
Eu me sinto um canalha desgraçado, e realmente eu sou, mas Bella, me deixe explicar, então você pode tirar as suas próprias conclusões. Nada do que eu disse a você é mentira. Isabella, você mudou a minha vida e eu não quero que me odeie. Deixe-me apenas explicar, por favor, eu preciso que você me ouça, eu estarei batendo na porta da sua casa assim que eu sair do hospital.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Edward M.
Jogo o celular na cama e coloco as mãos na cabeça, merda. Meu coração nesse segundo batia muito rápido. Talvez Alice tenha razão, talvez eu precisasse de uma explicação mesmo que isso não me fizesse perdoa-lo, mesmo que não tivesse explicação, eu apenas precisava disso. Mas não seria na minha casa, eu não iria chorar na frente dele como uma menininha.
Estarei te esperando as oito, na praça em frente ao seu prédio, no mesmo banco.
Isabella S.
Pronto, agora estava feito. Mesmo que eu odiasse Edward para sempre, eu queria saber, eu queria entender toda essa historia na qual eu era envolvida. Ele também não podia ser tão canalha assim, tinha que ter alguma coisa, tinha que existir explicação. Fiquei na cama por alguns segundos mastigando o meu lábio e olhando para o teto. Quando estava perto das oito, me levanto em um pulo e apenas tiro a minha calça de moletom a substituindo por um jeans, amarro os meus cabelos em um rabo de cavalo e deixo a faxina e o meu carro para mais tarde, eu sentia que iria explodir de ansiedade. Calço o meu all star velho e corro para ligar para algum taxi. Não tinha mais mensagem do Edward, quer dizer, corria o enorme risco dele não ir e mais uma vez eu ser a idiota patética da relação. Quando o taxi me deixou na praça eu me sentia muito mais ansiosa e nervosa. Olho o banco de longe e ele estava vazio, solto uma longa bufada de ar enquanto caminho até ele.
Eu estava realmente muito mais enjoada que ontem, eu me perguntava se ainda era pela tequila, mas certamente não. O efeito o álcool e ressaca já tinham ido embora do meu organismo a boas horas. Talvez fosse o nervosismo, minhas mãos soavam constantemente e eu as esfregava no jeans da minha calça. Meu coração era como uma bateria constante, e meu estomago, Deus, ele estava péssimo. Sentimentos era uma droga. Eu tentava me concentrar nas crianças correndo na minha frente, que me faziam lembrar do Noah, ou nos cães que passeavam com os seus donos, mas nada, absolutamente nada me fazia tirar Edward da cabeça. Aquilo era uma grande merda. Olho para os lados um pouco e em seguida para a tela do meu celular conferindo as horas. Eu não estava adiantada, ele é que estava atrasado, talvez ele não viesse. Ótimo, aquilo seria o meu escape para odiá-lo ainda mais. Sequer eu devia ter aceitado conversar com ele, na minha cabeça não havia nada a ser conversado, tudo já estava muito mais que esclarecido quando a loira peituda abriu a porta do apartamento dele, mas o meu coração estupido queria ouvir alguma coisa que o fizesse ter razão, que tivesse alguma explicação, qualquer coisa que não me fizesse ficar longe dele. Eu estava sendo uma grande tonta apaixonada, mas eu precisava disso, meu coração precisava de alguma coisa para ficar calmo, talvez assim eu conseguisse seguir a minha vida adiante sem pensar o dia todo em Edward Masen. Minhas pernas balançavam constantemente em um claro sinal de ansiedade e tudo que eu queria era vomitar. Olho para a grama abaixo de mim, tentando me manter calma e sã. O sol, que batia fortemente do meu lado direito é rapidamente substituído por uma sombra, tento não ficar mais nervosa do que eu já estava e lentamente levando a minha cabeça, eu não precisava olhar para saber quem era. Mas eu olho de relance, Edward agora estava sentando do meu lado direito, e quando nossos olhares se encontraram, eu tive vontade de abraça-lo, eles estavam tão mais claros, mas ainda estavam inchados e com grandes olheiras embaixo deles, Edward não sorria, e eu muito menos. Rapidamente desvio os meus olhos dos dele, porque aquilo não estava me fazendo bem, então olho pra frente, onde tinha uma arvore e algumas crianças corriam ao redor dela. Coloco as minhas mãos no bolso do meu moletom tentando aquece-las. Então nós passamos alguns belos minutos em silencio, eu não olhava mais pra ele, mas eu sentia os seus olhos em mim. Aquilo só servia para o meu coração bater ainda mais rápido. Prendo meu lábio inferior nos dentes e começo a mastiga-lo, talvez aquilo me fizesse acalmar. “Eu... Eu sinto muito Bella, não queria que fosse desse jeito. Eu não me sentia pronto, e quando eu finalmente queria contar tudo, nunca tinha oportunidade” O ouço sussurrar roucamente e dou um pequeno sorriso sarcástico sem olha-lo.
“Você sempre teve oportunidades Edward, sempre, no nosso primeiro encontro, ou no segundo, ou quem sabe quando ao invés de estarmos transando, você fosse homem o suficiente e me contasse de uma vez. Casamento não é uma coisa que pode ser escondido Edward, mesmo que você não viva com ela, ou sei lá oque diabos aconteceu, isso era uma coisa pra ser contada no primeiro encontro. Eu contei pra você, tudo sobre mim. Eu nunca quis ser amante de ninguém e olha o que eu me tornei.” Tento não parecer fraca e não chorar, solto um suspiro de alivio quando percebo que eu não ia chorar novamente. Não por ele. Não de novo. Então seus dedos erguem o meu queixo na sua direção e por mais que eu quisesse me afastar, eu não o fiz. O seu rosto estava tão próximo que eu podia sentir o seu hálito no meu rosto.
“Você nunca foi isso pra mim Bella. Nunca. Você sempre foi muito mais que isso. Porra você... você mudou a minha vida. Tenho vontade de me socar quando imagino o quanto eu estou fazendo você sofrer, quando você é única pessoa que não merece qualquer tipo de sofrimento. Eu lamento muito, muito mesmo não ter te contado nada antes, mas é tão...Tão difícil. Eu não ia esconder isso de você pra sempre, não quando eu queria formar uma família com você. Mas do nada ela apareceu e estragou tudo.” Eram palavras bonitas, palavras que fizeram o meu coração se alegrar e bater, se possível, ainda mais rápido. Mas pra mim, agora, eram só palavras. Tiro a minha mão do bolso e gentilmente afasto a mão dele do meu rosto. Edward abaixa cabeça e solta uma longa arfada de ar.
“Você não entrou nesse jogo apenas com a possibilidade de me magoar Edward, eu tenho um filho e você sabe disso, e ele te ama. Noah é uma criança, você devia apenas por um segundo, ter pensando nele antes de envolve-lo nessa porcaria, antes de continuar com os seus segredos estúpidos, ou simplesmente ter me dado um pé na bunda muito antes, teria sido muito mais fácil.” Edward respira fundo e levanta a cabeça, me encarando novamente, diretamente nos olhos me deixando tonta.
“Eu sei, mas eu pensei que não fosse chegar a esse ponto, eu ia te contar Bella, eu juro que ia. Não era um jogo, não é um jogo. Eu não menti quando disse que pensava em ter uma família com você. Minha intenção jamais foi magoar o Noah porque eu também o amo muito pra isso.” Dou outra risada, agora olhando pra ele, Edward franze o cenho e estreita os olhos pra mim, nego com a cabeça e desvio os meus olhos dos dele. Tudo que ele falava, pra mim, era como palavras jogadas ao vento, nada tinha mais significado pra mim, não quando o estrago já tinha sido feito.
“Eu só quero entender Edward, por favor, não esconda mais nada.” então é sua vez de desviar os olhos dos meus. Edward fica com uma postura rígida, arrumando o seu corpo no banco enquanto mantinha o seu corpo e olhos para frente, sem nunca me olhar. Mas eu continuava a olha-lo, eu queria ver cada expressão com tudo que ele ia falar, mesmo que não mudasse nada, eu precisava entender.
“Rosalie e eu nos conhecemos quando éramos crianças, na verdade, nós nos odiávamos.” Ele dá uma risada como se lembrasse de alguma coisa. “Ela e eu tínhamos seis anos quando ela se mudou para a casa do lado, foi ódio à primeira vista. Ela tinha um irmão, Riley.” Edward para por um segundo parecendo um pouco tenso, sua respiração acelera e ele volta a olhar para o chão. “Eles eram gêmeos, Riley e eu nos tornamos melhores amigos imediatamente, ele era como se fosse o meu irmão, o irmão que eu nunca tive. Ele era um nerd e eu sempre fui maior que ele, então eu consumava defende-lo de garotos idiotas. Riley e eu nunca nos separávamos, e Rosalie meio que odiava isso. Quando tínhamos nove anos, os pais deles morreram em um acidente. Foi... horrível. Nós estávamos voltando da sorveteria quando a irmã dele veio correndo e chorando na sua direção. Riley sempre foi o garoto mais sorridente e alegre que eu conheci, ele sempre foi mais maduro que a sua idade. Então do nada, era só ele e Rosalie no mundo. Eles tinham tios que moravam em outro país e que viriam ficar com eles, então enquanto os Hale não chegavam, eles ficaram na minha casa, foi ai que além de ser melhor amigo do Riley, eu me tornei da irmã dele também. Quando os Hale chegaram, depois de alguma conversa com os meus pais, eles decidiram ficar morando por um tempo na cidade. Então um tempo, se tornou anos. Eles tinham um filho, Jasper Hale, em menos de seis meses nós éramos o quarteto fantástico. Inseparáveis. Eu comecei a namorar Rosalie quanto tínhamos quinze anos, e nos casamos com vinte. Era tudo perfeito de mais. Riley namorava a minha irmã e Jasper uma garota da faculdade, era como a vida perfeita. Todos nós fazíamos medicina e morávamos juntos em um grande apartamento. Riley sempre me apoiou em qualquer coisa que eu fazia, ou em qualquer decisão. Ele sempre foi como o meu irmão. Quando terminados a faculdade, Rosalie e eu fomos morar sozinhos em Chicago, e Jasper casou com a sua colega de faculdade, Maria. Riley, era, meio largado, mas ele amava a minha irmã e o sentimento era mutuo. Então ele não tinha um local certo pra morar, ele vivia mais na minha casa do que no seu próprio apartamento, e eu não importava. Era como a minha vida perfeita, então... Então na nossa residência, eu decidi me tornar médico militar, Deus do céu, foi a pior decisão que já tomei na vida. Rosalie era absolutamente contra, já Riley adorou a ideia, nós dois tinham a mania de querer salvar o mundo o tempo todo, nós gostávamos de competir. Pensávamos que poderíamos salvar a pátria. Dois garotos sonhadores e idiotas. Então Rosalie enlouqueceu, porque não havia nada que ela amasse mais que o irmão, eles eram inseparáveis, Jasper e eu gostávamos de chama-los de siameses. Quando Riley e eu décimos entrar nessa loucura, Rosalie e Jasper decidiram não nos deixar ir sozinhos, e mesmo a contra gosto, eles foram conosco.” Então Edward me olhou de relance e eu pude ver os seus olhos molhados com algumas lagrimas que ele lutava para segura-las. Aquilo realmente acabou a minha estrutura e eu queria abraça-lo, aquilo parecia ser difícil pra ele. Edward passou a palma da mão pelos olhos rapidamente e voltou a olhar para um ponto perdido na sua frente. “Aquele lugar é o inferno Bella, o inferno. Eram tantas crianças inocentes, tantas pessoas que não tinham nada haver com aquela guerra maldita, tantas famílias se separavam. Nós não tínhamos instrumentos suficientes para tantas pessoas, nós não tínhamos aparelhos nem tecnologia, tínhamos as nossas mãos e a lua para iluminar o deserto. Nós íamos de um acampamento para o outro, sempre um lugar pior que o outro, sempre pessoas piores que as outras. Bombas eram estouras o tempo todo. Eu tinha medo de morrer ou de perder algum deles, eu jamais me perdoaria se aquilo acontecesse. Nunca era um bom dia, nunca. Eu queria salvar a minha própria vida, queria salvar a vida das pessoas que eu amava e consequentemente, a vida de todos que passavam pelas minhas mãos, mas nem sempre isso era possível. Parece bonito de fora, parece lindo, uma decisão heroica dos médicos, as pessoas pensam que nós estamos seguros, mas nunca estávamos, nós não dormíamos com medo daquelas barracas frágeis seriam atingidas, ou de um dia fecharmos os olhos para descansar e nosso corpo ser explodido em um monte de pedaços. A guerra fode a cabeça de qualquer um que passa por lá Bella, qualquer um. Eu meio que fiquei paranoico e eu não era o único. Quando eu ouvia barulhos de helicópteros, eu ficava com medo, porque eu sabia que coisas feias estavam por vir. Não é como você vê na televisão ou em um documentário, é mil vezes pior.”
“Eu... Eu sinto muito.” Sussurro não imaginando qualquer outra coisa que eu pudesse falar. Edward parecia estar mergulhado em memorias ruins, eu sabia que aquela guerra não tinha feito bem a ele, eu sabia que tinham alguma coisa que ainda o ligava aquele lugar. Edward me olha e eu sinto vontade de chorar quando eu vejo os seus olhos sofridos e molhados. Ele passa as mãos pelos cabelos parecendo agoniado.
“Era um dia qualquer, parecia um dia qualquer pra mim, estávamos no acampamento, Riley e Rosalie jogando uma bola improvisada e Jasper contando os dias para ir embora daquele inferno, ele começou a me odiar naquele mesmo lugar, como se eu tivesse o forçado a entrar ali, Rosalie também andava afastada e um pouco paranoica, mas eu não a culpava, Riley era o único, que como sempre, estava do meu lado. Mas eu não culpava Jasper, ele tinha deixado a sua esposa em casa sozinha, para nos acompanhar. Faltava pouco para o programa acabar e todos contavam os minutos para sair daquele inferno. Eu não lembro de muita coisa, lembro que vinha uma tempestade de areia e tínhamos que sair dali. Sempre quando isso acontecia, era um enorme tumulto e naquele dia não foi diferente. Tinha apenas dois helicópteros e alguns feridos nas barracas. Então nós fomos divididos em grupos diferentes. Rosalie queria ir comigo, mas o helicóptero chegaria primeiro, eu lembro de me sentir estranho quando ela me beijou antes de correr para o helicóptero com Jasper, Riley ia comigo e eu lembro dela me dizer para cuidar do irmão. As memorias ficam meio perdidas, só lembro de entrar com Riley na traseira de um dos carros, lembro também dele contar uma de suas piadas estupidas, porque ele nunca ficava sem uma, e também dele me falar que quando voltássemos iria pedir Irina em casamento. Lembro também que ele fez algum tipo de piada sobre o meu cabelo curto e então eu não lembro de mais anda. Apenas de acordar com um machucado na perna, e me sentindo muito mal. Nós fomos atacados por um bomba caseira que estava no meio da estrada. Tinha pessoas carbonizadas, e Riley estava do outro lado do carro que pegava fogo. O corte na minha perna tinha sido profundo e estava infeccionado. Mas eu lembro de conseguir correr até ele. Riley estava horrível, tinham sangue pra todo lado, sua perna estava destroçada e ele tinha uma veia arrebentada que saia muito sangue. Eu fiquei apavorado, porque eu não podia deixar ele morrer, ele estava lá por minha culpa. Eu pensei que as pessoas iam notar o nosso atraso e viriam atrás de nós, mas não vieram, passamos a noite naquele mesmo lugar, Riley gemia de dor e eu não sabia o que fazer, porque não tinha sobrado nada naquele maldito carro. Minha perna também doía, e eu sentia febre. Quando amanheceu e ninguém veio nos procurar, eu decidi não esperar. Eu lembro daquele dia, porque foi um dos piores da minha vida, e pode apostar, esse dia estava na minha lista. Coloquei Riley no ombro, mesmo com os seus protestos e mesmo com a minha dor fodida na perna, eu comei a andar sem rumo, eu só queria que alguém nos achasse e cuidassem do meu irmãozinho.”
Eu meio que já previa o que estava prestes a vir, quando olhei para Edward e algumas lagrimas desciam livres pela sua bochecha. “Eu andei até cair no chão, cheio de dor e medo, medo do que poderia acontecer, medo daquele deserto, medo daquela guerra. Lembro de quando anoiteceu e eu estava morrendo de sede e fome, Riley estava deitado na areia tentando estacar o seu sangue e tentando não morrer. Riley não era o tipo de cara que tinha medo da morte, ele tinha medo de deixar a sua irmã sozinha, ele sabia que ela não viveria sem ele. Eu estava deitado na areia olhando para o céu escuro e acho que estava um pouco delirante, mas lembro de Riley cantarolar e mais uma vez, contar algumas piadas. Mais um dia amanheceu e mesmo com dor, sede, fome e febre, coloquei Riley no ombro e comecei a andar novamente sem rumo, Riley desistiu de lutar naquela tarde, quando ele me pediu para deixa-lo naquele deserto sozinho e ir procurar ajuda, mas eu nunca faria isso com ele. Eu... eu estava com sede Bella, muita, muita sede, lá era quente, Deus do céu, muito, muito quente, eu... Eu lembro de colocar Riley na areia naquele final de tarde e... E eu urinei na minha mão, bebendo a minha própria urina, merda, eu fiz isso. Naquele momento era a melhor coisa pra mim, Riley já mal conseguia falar. Eu sentia como se estivesse perdendo o movimento da minha perna, e aquilo me apavorou, eram tantas dores e sensações diferentes. Mas eu não desisti, voltei a por Riley nos meus braços e voltei a andar com ele na esperança de encontrar qualquer lugar, qualquer ajuda. Naquela noite eu senti a minha perna dormente e então eu perdia as forças, lembro de cair no chão e deixar Riley cair também. Porra, eu me odeio por ter sido tão fraco. Quando eu vi a merda que tinha feito, quando eu vi Riley no chão, com sangue saindo do seu pescoço eu fiquei apavorado e consegui estacar com a minha camisa, mas eu sabia que aquilo não ajudaria por muito tempo. E foi naquela mesma noite, quando eu perdi as esperanças e deixei que Riley se fosse, ele pediu e eu... eu não aguentava mais, ele não aguentava mais, eu deixei o meu melhor amigo morrer nos meus braços, por minha culpa.”
Edward arfava e suas lagrimas desciam, meu coração ficou pequeno de mais e quando eu percebi, eu também chorava. Sem pensar em qualquer coisa, ou qualquer magoa ou raiva, puxo Edward para os meus braços onde ele aceita de bom grado deixando a sua cabeça pousar na curva do meu pescoço. Aperto ele entre meus braços querendo que toda aquela dor que ele sentia, fosse embora, merda, eu não queria vê-lo tão frágil. Eu entendia que aquilo era difícil pra ele, porra, eu sequer conseguia imaginar passar o que ele passou. Edward continuava com a cabeça na curva do meu pescoço e eu podia ouvir ele chorando baixinho, afago os seus cabelos e beijo a sua cabeça demoradamente. Ele parecia um garotinho frágil e assustado, o garoto que eu queria proteger e amar. “Eu sinto muito Edward, não consigo nem imaginar o que você passou lá.” Sussurro no seu ouvido e ouço ele arfar. Edward levanta a sua cabeça, apenas para que nossos rostos ficassem muito próximos e ele pudesse como sempre, olhar diretamente no fundo da minha alma, seus olhos salpicavam lagrimas, mas ele abriu um pequeno sorriso.
“Quando eu digo que você me salvou Bella, eu não estava mentindo. Como se... Como se eu estivesse me afogando e você foi o meu salva-vidas.” Ele sussurrou, sem nunca desviar os olhos dos meus, ele beija lentamente a minha testa e limpa os seus olhos. Edward de afasta, ficando em uma distancia considerável e respira longamente.
“E Rosalie?” pergunto depois de alguns segundos. Eu só queria entender tudo e saber se tinha algum escape para nós dois. Edward me encara por alguns segundos antes de novamente, desviar os olhos.
“Depois que Riley se foi, eu não lembro de mais nada, apenas de acordar em um lugar estranho, escuro e assustador. Tinha uma mulher do meu lado e eu fiquei apavorado, mas eu não conseguia falar muito ou me levantar. Ela falava outra língua eu não conseguia entender absolutamente nada. Mas depois eu entendi que ela tinha me salvado, ela e o marido, eles moravam em uma cabana, em uma pequena vila. Eu não sabia quantos dias eu tinha dormido, ou o que tinha de errado, lembro que quando olhei para a minha perna, estava cheia de ervas e plantas, ela me deu um copo d’agua eu bebi a jarra toda. Eu queria andar e sair dali, mas eu não conseguia, sequer me comunicar, foram meses complicados, Said e a sua esposa salvaram a minha vida, tinha noites que eu delirava de febre, eles me davam algum tipo chá e eu acordava bem. Tudo o que eu pensava era em Rosalie e como ela estaria lidando com isso, pra mim, ela era o amor da minha vida. Depois de um longo tempo, quando eu já podia andar, soldados entram na cabana e me encontram lá. Eu fiquei aliviado, mas eu não era o mesmo, eu não saí daquele lugar em um helicóptero do mesmo jeito que eu cheguei, meu estava quebrado e destruído, eu não dormia, sequer eu conseguia viver. Onde Said e a esposa moravam, tinham ataques de bombas frequentes. Quando eu finalmente sai dali, descobri que estava a três meses desaparecidos e tudo que eu queria, era voltar para casa, voltar para minha esposa e que ela me ajudasse a ficar inteiro de novo. Eu não sabia como contar a minha mulher que o irmão dela estava morto, aquilo não saia da minha cabeça. Doei uma quantia em dinheiro para que Said a sua esposa pudessem viver melhor e sair daquele inferno. Quando eu pousei no solo dos Estados Unidos, a primeira pessoa que eu queria ver e abraçar era Rosalie, mas ela não estava me esperando. Era a minha mãe e o meu pai, eles pensavam que eu tinha morrido e Deus, eu nunca vou me perdoar por der dado tamanha dor aos meus pais. E quando eu cheguei em casa, no meu lar, Rosalie não estava mais lá, ela tinha ido embora com o seu primo a algum tempo, eu fiquei desesperado porque, Deus, eu a amava de mais. A casa era vazia de mais sem ela. Minha mãe disse que ela simplesmente voltou, se despediu do Sony, que tínhamos deixado filhote com a minha mãe, e foi embora. Minha irmã me odiava, ela me culpava por ter matado o Riley, e eu não discordava dela. Maria tinha abandonado Jasper muito antes dele voltar. Eu fiquei paranoico, maluco, eu precisava dela para ficar inteiro de novo. Eu fiz terapia, eu conversava com psicólogos, psiquiatras e nada adiantava, eu não dormia, eu não comia direito, eu só pensava em procura-la. E depois de dois anos de procura eu decidi desistir, talvez ela não quisesse ser encontrada, foi quando eu me mudei para Seattle, por insistência do meu pai. Eu era um cara bom, mas a guerra me transformou, eu não queria amigos e não queria que ninguém se aproximasse de mim. Mas mesmo fingindo estar seguindo em frente, eu sempre esperei o dia que ela voltasse pra mim, que eu me ajoelhasse nos seus pés e pedisse perdão, porque eu sentia que Rosalie era a outra metade da minha vida. E aí eu conheci você e o Noah que me ensinaram a viver de novo, depois de muito tempo. Eu não contei antes, porque sempre que eu lembro ou falo disso, eu sinto uma parte boa minha, morrer.”
A minha cabeça processava tudo rapidamente e eu me sentia confusa, querendo entender Edward e o mais importante, tentando não sentir ciúmes do amor da sua vida. Por mais que Edward dissesse que eu tinha o salvado, eu podia ver nos olhos e no jeito que ele falava, que não era verdade, não totalmente, ele ainda precisava ser salvo, eu via que sempre que ele tocava no nome da esposa dele, uma coisa diferente fazia os seus olhos brilharem ainda mais e ele vacilar um pouco. Ela não era só a esposa fujona que não tinha mais importância, eu via isso nele e aquilo acabava comigo. Ela era muito mais que isso. E por mais que ele dissesse que gostava de mim e que não queria me perder, aquilo não parecia o suficiente. “E agora ela está de volta?!” foi mais uma pergunta, do que afirmação, vi os ombros ficarem tensos e a sua respiração mudar, aparentemente apenas de pensar nela, ele mudava drasticamente. Foi ai que eu me dei conta, nós conversamos, eu tinha o entendido, eu queria salvar o meu menino assustado, mas isso não mudava o fato que a mulher que ele amava estava de volta exigindo o seu lugar e eu era só... Só a interna simples, com filho para criar e a garota que ele gostava, não a que ela amava.
“Agora ela está de volta!” ele sussurra pra si mesmo, parecendo realmente se dar contar que ela estava ali agora. E eu era só a garota a ser descartada.
“E o que você vai fazer?” sussurrei um pouco receosa, Edward me olhou rapidamente, desviando os olhos em seguida. Merda, eu tinha perdido o chão naquele instante. Edward encolheu os ombros e fechou os olhos.
“Eu... Eu não sei.” Dei um sorriso sem humor algum e voltei a encarar a grama, nós ficamos alguns segundos em silencio, até que eu finalmente juntei forças e fiquei de pé, Edward acompanhou meus movimentos com os olhos e franziu o cenho. Coloquei minhas mãos no bolso do meu moletom e soltei um suspiro longo, não querendo bancar a garota frágil.
“Ótima resposta!” sussurrei antes de sair caminhado para longe dele.
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