Notas iniciais
Oie, meus Deus do Céu, eu estou tão feliz, obrigada aos quase setenta comentários, quero dedicar todos que comentaram e recomendarão, obrigada a Kathe, naathm e Káàh Salvatore pelas lindas recomendações, obrigada de verdade lindas ♥

Seattle, Washington

Edward Masen

Eles riam e bebiam, falando sobre amenidades; e eles eram extremamente boca suja. Emmett, por Deus, ele poderia fazer seu próprio dicionário de palavrões. Encolhi-me furtivamente na cadeira e coloquei as mãos suadas no bolso da minha calça. Há muito tempo que eu não ficava tão próximo de tantas pessoas como agora. E quando falo muito, é realmente muito. Eu estava sufocado, o barulho me atordoava. Não consigo me lembrar da última vez que saí com colegas de trabalho ou com algumas pessoas para beber em um bar. E agora eu estava aqui, com os meus internos, graças à Isabella. Ela tinha a gargalhada mais engraçada e contagiante que já presenciei em anos. Meu coração parecia tão acelerado como nunca, meu cérebro latejava conforme a musica barulhenta tocava no local, e eu não estava acostumado com aquilo. Tudo que eu queria era me levantar e ir embora, mas eu sabia se fizesse isso, eu continuaria sendo solitário, e eu sabia que isso não era bom.

Quando eu contei à Isabella sobre eu ter ido para o Exército, eu esperava qualquer coisa daquela nanica mulher sorridente e boca suja. Menos, é claro, que ela me desse um pequeno sorriso, pegasse a minha mão — de uma maneira que me assustou — e saísse me puxando até o seus amigos, dizendo-me que eu viria com eles para uma noite de bebida. Eu não queria realmente vir com eles, mas eu fiquei contente quando eles apenas sorriram pra mim e deram de ombros. E ela, antes de entrarmos cada um em seu próprio carro, me puxou pelo braço e sussurrou calmamente no meu ouvido: “Você não precisa pedir desculpas, você é o chefe, apenas mostre à eles que você pode ser legal e que quer se misturar.” Mais uma vez ela deu o seu brilhante sorriso cheio de dentes brancos, antes de me lançar uma piscadela e entrar no seu carro. Fiquei contente, muito, eu não queria realmente pedir desculpas, não acho que fui tão rude assim. Talvez um pouco, mas internos precisavam de disciplina e ordem, e foi o que dei a eles.

E era isso que eu estava mostrando a eles, estava tentando me misturar. Mas aqui, parecia não ser o meu lugar, não pelas pessoas ao redor, mas pelo ambiente. Eu bebericava minha bebida uma vez ou outra, mas eu não era fascinado por álcool como Emmett e Mike. Eu não conseguia lembrar quantas garrafas eles beberam, e Alice, por Deus, ela parecia um marinheiro bêbado, nunca deixando seu copo de cerveja vazio. Isabella e eu éramos os únicos sóbrios ali. Eu gostava de analisá-los. Emmett era o palhaço de todos eles, ele adorava contar piadas estúpidas e histórias intrigantes; ele parecia uma grande criança. Mike, bem, Mike era o bobão, desde a primeira vez que bati meus olhos nele eu soube, ele era um imbecil fraco e ingênuo. Ele bebia sua cerveja apenas rindo e dando um comentário ou outro sobre as garotas do bar. Sujo. Alice, ela era a garota-patricinha-bêbada. Sim, ela era uma mistura louca de fadinha meiga com motoqueiro bêbado, dando um ar de graça nela. Isabella, bem, Isabella eu já conhecia um pouco. Ela era a meiga, mas durona, sempre com um pé a trás e sem filtro algum. Eu ficava fascinado com isso nela. Ela me peitava como se fosse o meu pai, era irônica como se fosse a minha irmã, mas era doce como se fosse a minha mãe. Ela era um mistura louca e intrigante. Desde o primeiro dia em que bati meus olhos naquela mulher, eu sabia que ela me traria problemas, e ela trouxe. Um punhado deles, nós soltávamos faísca sempre que estávamos perto um do outro.

Ela seria uma médica excepcional, eu via isso nela. E eu queria transformá-la nisso. Isabella e os seus amigos me deixam confuso. Eu nunca, jamais, imaginaria que agora, eu estaria aqui, em um bar com os meus internos. Mas eu estava bem, com eles ali, eu nem me lembrava mais como era ter amigos. Era bom. A ideia de não estar sozinho sempre, mesmo correndo o risco de um deles irem embora. “Então, o paciente perguntou pra mim se ia doer, eu disse que sim, mas que amanhã a dor passava. Então, ele disse que amanhã voltava.” Emmett deu uma tremenda gargalhada. Eu me ajeitei na cadeira e analisei a maneira doente de Emmett. Ele provavelmente tinha de ser estudado. Ele achava que suas piadas eram boas, talvez isso o tornasse mais engraçado; mas Deus, ele era tão estúpido que eu queria revirar os olhos. Alice gargalhou como um caminhoneiro, Mike estava tão bêbado que nem sabia o que estava acontecendo e Isabella, ela deu uma sutil e pequena risada olhando pra mim. Ela era doce.

“Emm, conta aquela do dentista, conta vai.” Alice ria antes mesmo da piada. Ela era uma pequena fada hilária. Talvez eles não fossem tão ruins como eu pensava que seriam.

“Eu vou ao banheiro, com licença.” Isabella sorriu pra nós, colocando sua garrafa em cima da mesa. Uma mecha do seu cabelo caiu sobre o rosto e ela delicadamente colocou atrás da orelha de uma maneira bonita.

“Eu vou com você.” Alice, talvez a mais bêbada do grupo, se agarrou no braço de Isabella e elas saíram se arrastando até o banheiro. Olhei para a minha cerveja quente e tomei um pequeno gole tentando não fazer careta, essa porra estava quente mesmo.

Entããão, há quase dois meses atrás, eu me lembro de um suposto médico que disse que nunca seria amigo dos internos, não é o que parece.” Mike com sua voz arrastada e bêbada gargalhou dando um murro no braço de Emmett, que também sorriu olhando pra mim e tomando sua bebida. Com as mãos sob a mesa, apertei meus punhos e mantive a minha postura ereta. Se eles não estivessem tão bêbados, eu provavelmente iria explodir e mandá-los à merda, depois mandaria Isabella para o inferno por ter me trazido aqui. Mas eu apenas respirei fundo algumas vezes e me remexi na cadeira. Paciência não era a minha virtude, não mais.

“Talvez esse médico tenha mudado de ideia.” Dei de ombros, tentando normalizar minha respiração. Não tinha sido tão ruim assim. Mike fez uma cara de desdém e revirou os olhos para mim. Revirou os olhos para mim. Para mim!

“Por quê?” arqueou sua sobrancelha amarelada como a minha quando eu tinha oito anos de idade. Bem, essa era um pergunta difícil de responder, eu não pretendia ser amigo de nenhum deles. Mas também não esperava por uma interna pé no saco e irônica como Isabella, nem conhecer o seu pequeno garoto; aquele moleque me fez me sentir feliz de novo. Feliz como eu não me sentia há anos. E a sua mãe, bem, ela me trazia um tanto de sensações diferentes, mais ruins que boas, mas eu não podia desconsiderar as boas. Conhecer Emmett também não foi tão ruim assim. Ter amigos não estava na minha lista de coisas quando deixei Chicago. Mas agora, agora que já tinha provado um pouco, era bom. Ter Isabella por perto era engraçado, ela me fazia sorrir a cada coisa estupida que dizia. Por fora eu estava fervendo, mas por dentro, eu gargalhava.

“Eu quero tequila.” Alice gritou a alguns metros de distancia, roubando a minha atenção para ela. Isabella tentava segurá-la, enquanto Alice tropeçava em seus próprios pés. Se ela pensava que amanhã eu iria pegar leve com ela no hospital, ela estava completamente enganada. Parecia que eles tinham esquecido que amanhã eles trabalhavam. Um bando de irresponsáveis. Revirei meus olhos veemente.

“Você é de Seattle?” Mike Newton parecia estar querendo ser malditamente enforcado esta noite, sua curiosidade me dava vontade de arrancar seu pescoço fora. Segurei minha garrafa com um pouco de força.

“Chicago.” Foi tudo o que eu disse antes de voltar a olhar para Isabella, que estava sentada na minha frente. Com seu sorriso bonito e olhos achocolatados extremamente curiosos, se ela pensava que iria arrancar alguma coisa de mim, ela estava muito enganada. Emmett, como sempre, tirou a atenção de todos para ele, contando mais uma de suas historias mentirosas e imbecis. Olhei para o meu relógio e era um pouco mais de meia noite, eu estava impaciente e minha cabeça latejava, eu precisava de um analgésico. Então, algo que Emmett disse arrancou uma forte gargalhada de Isabella, me fazendo olhá-la. Ela tinha cerveja descendo pelo canto esquerdo do seu lábio. Ela gentilmente passou o polegar pela mandíbula, subindo até seus lábios, parando em cima deles e dando uma pequena chupadinha. Merda! Seus olhos saíram de Emmett e vieram pra mim, que desviei rapidamente olhando para um ponto esquecido do bar. Aquela mulher me deixava confuso, eu não entendia a mim mesmo quando ela estava por perto.

“Eu deveria ir embora, está tarde, amanhã tenho que ir para o hospital cedo.” Bem, tínhamos alguém coerente aqui, finalmente. Alice, que estava agarrada ao pescoço do Mike, resmungou alguma coisa inaudível. Emmett tinha se levantado segundos atrás, para flertar com alguma garota aleatória do local. Isabella olhou pra mim e mordeu seu lábio inferior. “Você vai ficar?” Por Deus, é claro que não, eu estava fervendo de vontade de ir embora. Levantei-me rapidamente, vendo Isabella sorrir fazendo o mesmo que eu. Coloquei cem dólares em cima da mesa, o suficiente para pagar as minhas bebidas e a de Isabella. Mas Isabella sendo Isabella, também colocou uma nota de cinquenta dólares; pegou sua bolsa e casaco que estavam ao seu lado e deu alguns passos para trás, sempre olhando pra mim.

“Vou com você.” Ela continuava mordendo o seu lábio. Eu tinha me sentido atraído por aquela mulher desde a primeira vez que a vi. E eu tentei de todas as maneiras não sentir isso, por ninguém, há anos. Então, ela simplesmente chegou e foi instantâneo.

“Vejo vocês amanhã, pessoal.” Eles estavam tão dementes de bêbados que sequer ouviram o que ela disse. Saí do bar com Isabella caminhando lentamente na minha frente, ela tinha um bumbum adorável, sua calça jeans era apertada o suficiente para que seu traseiro ficasse bem visível. Coloquei minhas mãos no bolso da calça e caminhei com ela até o seu carro, que estava estacionando em frente ao meu. Ela olhou pra mim, com seus adoráveis olhos cor de chocolate, eles estranhamente brilhavam, eram realmente bonitos. “Obrigada por ter vindo.” Ela sorriu, ela teimava com o seu cabelo que recaía perfeitamente no seu rosto.

“Obrigado você, por ter me chamado. Foi uma noite agradável.” Ela fez uma careta consideravelmente engraçada.

“Você não se divertiu muito.” Ela afirmou encolhendo os ombros e olhando para o chão. Ela de longe parecia à mulher topetuda que me peitou na porta do hospital. Tirei uma mão do bolso e puxei meus cabelos um pouco, sorrindo pra ela.

“Acredite Isabella, eu me senti bem, como há anos eu não sentia. Obrigado por me fazer enxergar como é viver de novo.” Ela novamente me encarou. Sua respiração parecia presa nos seus pulmões pelo jeito que sua postura estava reta, seus olhos um pouco esbugalhados, suas bochechas estavam coradas, mesmo com a rua escura, era notável a vermelhidão na sua pele pálida.

“Você é esquisito.” Talvez, apenas talvez, ela estivesse um pouquinho bêbada. Não teria outra razão pra ela falar assim comigo, além é claro, de ela ser um pouco sem filtro. Eu gargalhei um pouco, tirando a sua atenção. Ela me tirava da órbita.

“Eu certamente sou.” Ela sorriu também, concordando plenamente.

“Bem, eu vou indo. Vejo você amanhã, tenente.” Eu gargalhei um pouco. Ela deu aquele sorriso, aquele que ela faz um pequeno barulhinho e mexe furtivamente os ombros. Isabella deu uma piscadela abrindo a porta do seu carro. Puxei seu braço, eu fazia muito isso ultimamente, ela olhou pra mim com uma sobrancelha arqueada.

“Eu não era tenente, apenas um médico militar. Tenha uma adorável noite.” Seus olhos chocolates olhavam pra mim, como ela sempre fazia ultimamente. Isabella era a criatura mais linda que eu já conheci ultimamente. Eu me odiava por sentir atração por ela. Isso era errado, muito errado, mas porra, eu queria tanto beijá-la novamente. Eu não fazia isso há algum tempo, eu não sentia falta, até ficar por um tempo consideravelmente longo ao lado de Isabella. Os seus lábios me atraiam assim como ela toda. Gentilmente, de uma maneira desconhecida por mim, seus lábios — macios e rosados — encostaram-se à minha bochecha. Eu não me lembrava da última vez que alguém fez isso comigo, meus olhos instantemente se fecharam. Aquele ato de carinho fez meu estomago se revirar e meu coração perder uma batida. Ela tinha os lábios tão macios e quentes, que eu queria beijá-los. Aquilo me assustava como o inferno. Foi um beijo demorado, ela se separou de mim um pouco e ficamos a poucos centímetros de distância. Fechei minhas mãos em punhos para conter a vontade de agarrá-la e beijá-la aqui mesmo, a sua ameaça da última vez ainda rondava meu cérebro. Que merda de problema tinha de errado comigo?

“Tenha uma boa noite, Dr. Masen.” Ela então se separou de mim e entrou no carro dando partida. Eu fiquei como um doente, em pé, na calçada, olhando para onde ela arrancou seu carro. Minha bochecha, ainda no lugar onde ela beijou, estava quente. Eu ainda podia sentir facilmente seus lábios ali. Dei um pequeno sorriso passando as pontas dos meus dedos sobre o local. Eu parecia uma mocinha, mas Jesus, eu não sentia isso em anos. Entrei no meu próprio carro ainda com um sorriso, acho que eu nunca sorri tanto. O pub até o meu apartamento não era longe. Estacionei no lugar de sempre, e peguei o elevador até o ultimo andar. Eu morava em um duplex, no penúltimo e ultimo andar. Depois da guerra, eu gostava de estar confortável e ter o meu próprio lugar, mesmo que este fosse vazio e escuro. Eu não conhecia ninguém naquele prédio, o que era estranho, porque parecia que todo mundo conhecia todo mundo. No elevador, todos se cumprimentavam e ninguém me olhava, como se eu fosse invisível, além é claro, das oportunistas que podem farejar uma conta corrente a trinta metros. Quando girei a maçaneta, o meu mundo voltou ao que era. Negro e sem vida, vazio e frio, além é claro, de Sony. Que assim que me viu, correu em minha direção, subindo em cima de mim. Ele era a única coisa que me fazia rir durante todo o dia. Eu amava aquele cão, porque ele era a única lembrança que me restava de Chicago. A única lembrava boa que me restava dela. Sony era uma das poucas coisas que eu amava.

“Hey, garotão. Como se comportou, hein? Sentiu minha falta?” Sony lambeu minha mão, a babando toda, me fazendo rir. “Eu também senti a sua, companheiro.” Afaguei sua cabeça, mas ele parecia não querer carinho agora, apenas brincar. Caminhei até o meu quarto sendo seguido por ele. Era sempre assim, aquele cão me seguia a cada passo que eu dava, ele e meus pais eram a única coisa que ficaram me esperando depois da guerra. Assim que entrei no banheiro para tomar um banho, ele parou na frente da porta, se sentou e ergueu sua cabeça olhando pra mim. Ele era incrível. Sorri e fechei a porta o ouvindo reclamar. Sony parecia uma esposa ciumenta e controladora. Tomei um banho rápido, eu estava exausto. Saí enrolado em uma toalha, e coloquei uma boxer. Sony me seguia a cada passo que eu dava, sua cama grande como ele, estava posta ao lado da minha, com seus brinquedos babados e suas cobertas. “Tenha uma boa noite amigo.” Ele se deitou e fiz o mesmo. Era a parte mais difícil de todo o dia.

Dormir. Eu não conseguia, nem com remédios, nem com terapia. O abajur estava ligado ao meu lado, deixando o teto e boa parte do quarto claro. Olhei para cima, para o gesso branco e pálido do teto acima de mim. Eu tentava dizer a mim mesmo que não era o teto fraco da minha barraca, que ninguém entraria aqui e tentaria me matar ou explodir ninguém. Mas eu nunca me sentia protegido o suficiente à noite. Era como se quando eu fechasse os olhos os soldados ao meu lado fossem morrer, ou eu próprio fosse sequestrado ou tivesse meu corpo explodido por uma bomba. Meu coração estava acelerado, meus olhos ardiam, meu estômago revirava. Eu suava e o ar do quarto era insuficiente, eu estava com angustia, eram todos os sintomas. Mexi-me na cama e fechei os olhos por uma fração de segundos, antes que dentro do meu próprio cérebro lembranças que eu não queria, viessem. Se eu soubesse que aquela guerra, que aquele ano de residência fosse me fazer tão mal, eu jamais teria ido. Eu perdi tantas coisas em um ano, mas aprendi um monte também. Talvez aquilo tenha me feito um ser humano pior, mas também me tornou um médico melhor. Um médico que faria de tudo para salvar a vida de quem quer que fosse. Eu aprendi que para salvar a vida de alguém, não é preciso uma sala de cirurgia esterilizada, uma equipe gigante, um punhado de instrumentos e aparelhos de alta definição. Eu só precisava do meu conhecimento, das minhas mãos, uma garrafa de uísque barata, uma lamina velha, cipós e o resto eu me virava. Era assim na guerra. Na maioria das vezes, eu não tinha nada, apenas um homem morrendo na minha frente. Aquele ano, aquela guerra, acabou comigo. Ninguém que ia para aquele lugar, voltava são. Quando voltei, eu tinha perdido tudo. Eu pensei que viveria apenas para a medicina, que era tudo que me restava e tudo que eu precisava. Mas eu estava errado. Eu não era feliz, por muito tempo eu não sabia o que era sorrir, bem, até agora. Às 5h45 meus olhos se fecharam, minha consciência estava cansada, então eu dormi.

“Cale a boca, você não vai morrer, está me ouvindo? Eu vou cuidar de você. Por favor, por favor, não me deixe sozinho nessa, por favor.”

“Tire o meu sofrimento, Edward. Por favor, acabe com isso, apenas me deixe ir.”

“Eu não vou matar você, nós não estamos aqui pra isso, mantenha seu coração batendo, apenas fique com ele batendo.”

“Apenas me ponha no chão, me deixe aqui.”

“Merda, não! Eu não vou fazer isso, ela nunca vai entender.”

Minha cabeça latejava e meus olhos pesavam, quando um barulho insuportável ecoava nos meus ouvidos. Sentei-me na cama e abri meus olhos me conectando rapidamente. É só o meu quarto. É apenas o seu telefone, Edward. Da sala, Sony latia com todos os seus pulmões de cão. O celular tocava, eram sete e quinze da manhã. Maldição, eu sequer tinha descansado. Passei as duas mãos no rosto tentado me acordar. “Sony, qual é o seu problema, seu cão dos infernos.” Ele entrou no quarto com meu telefone na boca, que tocava sem parar. “Dê-me isso agora, seu pulguento.” Ele saiu correndo em direção oposta, saindo do quarto. Deus me ajude. “Sony, volte já aqui.” Ele estava na sala, sentado no chão com o telefone na sua frente, tocando sem parar. Fui mais rápido que ele e peguei o telefone. “Edward Masen.” Respondi fazendo uma cara severa para Sony. Ele pareceu entender que tinha feito merda, abaixou sua cabeça e suas orelhas. Garoto esperto.

“Edward, filho, finalmente.” Travei o maxilar e parei de caminhar. Elizabeth!

“Mãe?” Cai sentado no sofá, e um pequeno sorriso se formou nos meus lábios.

“Seu grande cabeça oca, qual é o seu problema, Edward Anthony Masen? Quer me matar?” eu sorri, Lizzy era sempre tão dramática quanto podia.

“Desculpe, eu vi suas ligações, mas não tive tempo de retornar.” Menti descaradamente, fechando os olhos um pouco, se ela estivesse aqui, com certeza me daria um cascudo.

“O inferno que não teve. Eu estou velha, Edward, não faça isso com sua mãe. Como você está? E a terapia, tem ajudado? Você está namorando?” ela sempre vinha com essa conversa. Mas a quem eu queria enganar? Era minha mãe, eu nunca ficaria bravo com ela, nunca mais.

“Calminha ai, senhora Lizzy, eu estou bem. E a terapia, bem, estou melhorando.” Mordi meu lábio, eu odiava mentir pra ela. Eu não estava melhorando coisa alguma, talvez eu nunca melhorasse, nem com uma terapia idiota. “E como você e papai estão?” desconversei, com a ilusão de Lizzy esquecer seu interrogatório semanal.

“Estamos ótimos, Edward sempre cabeça-dura como você. Acho que é mal de Edwards.” Eu sorri “E seus internos? Ainda sendo um mal criado com eles? Eu não te criei assim, espero ter melhorado, querido.” Maldita hora que fui falar mal dos meus internos pra minha mãe logo na primeira semana. Ela sempre vinha com suas lições de moral. Eu nem parecia um maldito adulto de quase 33 anos.

“Estamos indo bem agora. Ontem Isabella, a interna, me chamou para ir a um pub com eles.” Eu menti um pouco, dei de ombros e falei como se não fosse muita coisa, mas pelo silêncio do outro lado da linha, Lizzy faria uma festa.

“Isabella, uh?! A garota que você dizia mais odiar?” Ela tinha um ponto. Eu odiava esse meu jeito, essa minha língua solta e contar tudo pra minha mãe.

“Sim, ela não é tão ruim assim.” Dou de ombros torcendo para que ela esquecesse esse assunto.

“Bem, parece não ser mesmo. Ela é bonita?” Ela tinha uma voz totalmente maliciosa.

“Elizabeth!” A repreendi. Porra!

“O quê? Só quero saber se a mulher é bonita. Está sendo um cavalheiro com ela?” Revirei meus olhos e pensei por um segundo em encerrar a ligação e dizer que a linha estava ruim.

“Ela é bonita sim, mãe. Muito, na verdade. Eu não tenho de ser um cavalheiro com todo mundo que eu vejo.”

“Como não? Se eu estivesse aí, puxaria sua orelha. Pelo que você já me disse dela, parece ser uma mulher excepcional. Mãe solteira, certo?” Ela estava tentando me arrumar um casamento. Eu farejava isso a quilômetros. Lizzy nunca cansaria de tentar me arranjar alguém.

“Como estão às coisas aí em Chicago? Ela ou ele já...”

“Não, Edward! Jasper e nenhum dos Halle apareceram mais por aqui. Por favor, filho. Você está em outra cidade, reconstruindo a sua vida depois daquela guerra horrível. Se permita viver de novo. Eu sei que já me cansei de falar isso, mas você é meu filho, por favor, por favor, viva. E essa mulher, Isabella, alguma coisa tem. Sempre que nos falamos e você toca no assunto dos internos, você fala dela em especial, se permita ser feliz.” Revirei meus olhos e fiquei de pé olhando o relógio, eu tinha pouco mais de meia hora para me arrumar. “Ela é especial? Ela te faz sentir alguma coisa? Atração?”

“Mãe, por favor, já tivemos essa conversa um bilhão de vezes. Isabella é só a minha interna.” Puxei meus cabelos, aquela conversa não estava me fazendo bem, eu estava mentido descaradamente. Por que raios eu tinha que ter falado dela com minha mãe em um momento de raiva? “E mesmo que por acaso, apenas talvez, eu sentisse alguma coisa, ela me acha um idiota. Ela me odeia.” Falei nada mais que a verdade. Minha mãe ficou em silêncio por um tempo, e eu estava quase desligando o telefone quando a ouvi sorrir.

“Mude isso. Use a educação que eu lhe dei, a corteje, chame-a para um encontro. Se permita, Edward. Eu ficaria tão feliz! Se não for ela, qualquer uma. Mude um pouco essa sua cabeça dura. Eu sei que aí dentro, ainda existe um romântico inigualável, use isso filho, você não vai se arrepender.”

“Faz tanto tempo que eu não faço isso, mãe...”

“Nunca é tarde, meu amor. Eu sei que você ainda sabe dar flores e sair com uma bela dama. Esqueça um pouco seus traumas, seu passado e apenas viva. Faça isso, eu sei que vai lhe fazer bem. Veja o que ela gosta. Ela é médica, gosta de medicina, dê algo relacionado, romântico, é claro. Seja diferente, a surpreenda, a estude, e dê algo especial.” Eu sorri, minha mãe era uma romântica nata. Eu aprendi tanto com ela, mas eu tinha esquecido isso com o tempo. Isabella valia a pena? Valia a pena o esforço? Eu não fazia ideia.

“Eu tenho que ir, mãe, estou atrasado. Eu amo você.”

“Eu amo você também, meu amor. Se permita.” Sorri e desliguei o telefone. Lizzy sempre seria Lizzy. Eu sequer podia acreditar que falava de Isabella, a minha interna, com ela. Eu estava maluco. Sacudi minha cabeça e fui me arrumar.

Assim que cheguei ao hospital, segui para a sala dos médicos. Como previsto, estava lotada, cheio de médicos esnobes, que só sabiam se gabar e falar das suas conquistas e o salario no fim do mês. Eu apenas revirava os meus olhos a cada coisa estúpida que eles falavam. Eu os detestava apenas pelo fato de eles se acharem melhor que todo mundo. Nem com seus pacientes eles eram cordiais. Antes mesmo de eu colocar o meu jaleco, meu pager bipou. Ótimo! Meu dia tinha começado maravilhoso.

“Dr. Masen, bom dia!” Zafira, a neurocirurgiã de plantão. Ela era tão atirada como qualquer outra. Olhei-a de cima a baixo e revirei meus olhos para ela. Peguei meu estetoscópio, o colocando no pescoço e saí da sala. Eu era um homem charmoso, era apenas isso que explicava as enfermeiras quebrarem o pescoço pra mim. Elas me entediavam. Tinha uma quantidade enorme de prontuários a minha espera. A quem eu queria enganar? Eu amava o meu trabalho, era a única coisa que me fazia esquecer-me do mundo. Peguei o primeiro que vi e li. Deu entrada nessa madrugada, dores de cabeça e desmaios. Dei de ombros e antes que eu saísse para visitar ouvi uma gargalhada, eu reconhecia aquele som de longe.

Olhei para trás e lá estava ela. Com seus cabelos castanhos soltos, caindo perfeitamente no seu ombro. E ela ficava tão bonita com seu uniforme. Suas mãos estavam no bolso do jaleco e ela ria de algo, provavelmente imbecil, que Emmett falava ao seu ouvido. Então, ela olhou pra mim, ainda sorrindo. Ela não devia olhar pra mim assim. Não tão profundo. Não para mim. Era como se ela conseguisse ler aqui dentro, onde meus demônios se escondiam, onde era tão escuro. Aqui dentro, o que eu queria esconder. Mas não tinha nada mais que me fascinava ao vê-la chegar, com a pele pálida e aquele belo sorriso de orelha a orelha. Se aquele sorriso fosse pra mim, eu seria o cara que mais teria sorte no mundo. Sem dúvida, ela me tirava o fôlego. Eu sorri de volta, afinal, Elizabeth podia ter razão. Eu não poderia mudar o meu passado, mas o futuro, esse eu podia.

Notas finais
Gostaram? Odiaram? Diga ai em baixo o que acharam, deixe sua opinião. Tentei ao máximo expor um pouco os sentimentos do nosso médico, comentem ai em baixo e deixa sua autora feliz, ou recomendem e a deixem nas nuvens, beijocas e até mais minhas lindas. Deixem uma autora feliz, prometo responder todos com muito carinho ♥