Entre Médicos
8 Capítulo 08
Notas iniciais
Seattle, Washington
Isabella Cullen
“Eu não sei qual é o problema de vocês, sinceramente, eu não sei. Ou são um bando de dementes ou um quarteto de imbecis.” Edward andava de um lado para o outro, com as mãos para trás e marchando como um militar. “Eu tentei, eu juro que tentei ao máximo pegar leve com vocês, mas eu sabia que não dá pra ser amigo de um bando de aprendizes idiotas.” Ele parou na nossa frente, com os olhos de fogo e bufando como um touro raivoso. Estávamos na sala de descanso, nós quatro, quando Dr. Masen nos convocou aqui, eu sabia que não podia ser boa coisa, e não era. Ele estava de volta, o imbecil e arrogante Dr. Ego Gigante tinha voltado, e o homem amigável e doce que conheci ontem simplesmente não existia, pelo menos, não dentro do hospital. Alice tinha a cabeça baixa e eu sabia o quanto ela estava tentado não chorar. Emmett com a cabeça erguida ouvindo tudo calado, Mike e eu estávamos assustados. “Emmett, você. Dê um passo à frente.” Emmett fez como ele disse e eles ficaram se encarando por uma fração de segundos. Mas que realmente foi assustador. “Como você consegue fazer o que fez aqui dentro? Um hospital, com pessoas morrendo a todo instante, precisando da sua ajuda. Como você se tranca na sala dos atendentes, com duas enfermeiras que gemem como prostitutas? Se você não sabe, isso aqui é um hospital, não um prostibulo. Você é um médico, não um prostituto das enfermeiras. Eu quero que você saia da minha frente, faça o seu plantão de 48 horas e fique longe, está me ouvindo? Longe das enfermeiras vadias. Se eu ouvir mais uma vez falarem da sua ética médica aqui dentro, você está fora do programa. Quer transar? Pegue as suas vadias e vá para a sua casa, aqui neste hospital, não. Você vai trabalhar como uma máquina, não vai descansar, vai trabalhar até seus ossos doerem e os músculos cansarem a partir de agora, e salvar mais vidas do que está acostumado. Você fez um juramento, lembra? Acho que não, você quase deixou uma pessoa morrer enquanto estava fodendo por ai. Que isso não se repita. Estamos entendidos? Eu estou dando uma chance a todos vocês. Por favor, não me deixem irritado.” Alice olhou pra mim e encolheu os ombros assustada, eu não tirava a sua razão, Edward estava mais furioso que de costume. Emmett tinha seus ombros caídos, mas ainda mantinha os olhos fixos no nosso superior.
“Sim, doutor.” Emmett sussurrou baixo, abaixando a sua cabeça em seguida e soltando um suspiro.
“Saia da minha frente e vá salvar alguém.” Emmett assentiu e saiu quase que correndo. Eu não queria estar na sua pele, apenas de assistir sua bronca eu estava me tremendo. “Alice, você, onde fez faculdade? Em Cuba? Sinceramente, por que não conseguiu fazer uma simples intubação? Uma coisa tão banal que você deveria ter aprendido com bonecos humanos, você quase acabou de matar o Sr. Stewart. Escute muito bem o que eu vou falar, você vai fazer todas, está me ouvindo bem? Todas as intubações possíveis até aprender a fazer uma, até lá, não quero você nem perto da sala de cirurgia, se não consegue intubar, imagine só segurando um bisturi.” Alice assentiu ainda com a cabeça baixa, segurei sua mão entre a minha e dei um leve aperto, ela me olhou e deu um sorriso pequeno. Edward voltou a andar, de um lado para o outro, com suas mãos para trás e corpo erguido, como um general no quartel. “Saia da minha frente, Alice.” Ela soltou a sua respiração, olhou pra mim e mordeu o lábio antes de caminhar até a saída, fechado a porta atrás dela. Ele ficou por um minuto, andando de um lado para o outro, eu malditamente contei. Ele parou na nossa frente e olhou pra mim, meu coração acelerou e eu suei, não por uma causa boa e sim de medo. “Mike, você desmaiou na cirurgia ortopédica está manhã. O que é isso? Você é uma mocinha frágil que não consegue ver um pouco de sague e ossos? Ou está com algum problema de saúde? Espero de verdade que seja a segunda opção, por que eu não sei outro motivo para um cirurgião desmaiar em cirurgia. Se não aguenta um pouco de pele e sangue, saia antes que seja tarde. Você está liberado hoje para fazer alguns exames e se recompor.” Ele estava de frente para o Mike, com apenas alguns centímetros de distancia, olho a olho, mas como Mike não aguenta muita pressão ele abaixou a cabeça e tremeu ligeiramente. Eu queria lhe dar um abraço e mandar Edward sair daqui.
“Tudo bem, Dr. Masen, obrigado.” Mike encolheu os ombros dando um passo para trás.
“Não me agradeça, mocinha, por mim você estava fora, por ser um fraco, agora dê o fora da minha frente.” Mike saiu correndo como um maluco, eu imaginava que ele sairia mesmo, eu mesma estava pra dar o fora dali. Edward fechou os olhos com força e segurou a ponta do seu nariz, enquanto ele marchava na minha frente com os olhos fechados eu torcia para que ele tropeçasse, caísse e batesse a cabeça em alguma coisa para que ele desmaiasse e eu pudesse sair correndo dali. Esse homem, andando de um lado para o outro como um touro sob efeito de heroína, não era nem de sombra o que eu vi com o meu filho se divertindo, com certeza não era. Mas este era o verdadeiro Edward Masen; carrasco, insuportável e arrogante. Eu o odiava com todas as minhas forças. Se eu pudesse avançaria no seu pescoço, o prenderia na parede e bateria na sua cara até aquele rosto bonito ficar deformado. “Eu não suporto incompetentes, não suporto. Eu tento. Tentei ser bonzinho, amigo, mas não dá, eles não colaboram, isso é o que me faz lembrar o porquê de não gostar de pessoas.” Ele grunhiu. Esmurrou a cabeceira da cama de solteiro e se sentou nela, afundando as mãos no rosto. Eu tentei lembrar o porquê de eu estar aqui, não matei ninguém, não desmaiei em nenhuma sala de cirurgia e com certeza eu não andava transando pelos corredores do hospital. Olhei para o homem na minha frente que tinha os fios de cabelo presos nos punhos.
“Posso sair, Dr. Masen?” Edward então olhou pra mim, um olhar desesperado e sôfrego, mas irado, muito raivoso. Edward esfregou o rosto e bufou se remexendo na cama como se estivesse desconfortável.
“Eu não sou um monstro. Eu não sou.” Ele sussurrou, pra ele mesmo, me fazendo arfar. Eu não sabia o que tinha de errado com aquele homem, mas ele não era nem um pouco normal ou racional. Ele sofria algum transtorno bipolar ou alguma coisa do tipo. Ele deveria cuidar da sua própria cabeça antes de cuidar da dos outros, por que ele não era racional.
“Eu posso sair?” Repeti, agora mais firme. Edward olhou pra mim novamente e suspirou, ele se jogou na cama deitando-se e colocando os braços sobre os olhos.
“Faça como quiser, só tente não matar ninguém.” Grunhiu ficando imóvel. Suspirei cansada, eu queria lhe dizer um punhado de verdades. Ele me confundia totalmente, deixava-me de pernas bambas, o coração acelerado e com falta de ar. Isso com certeza era ódio, raiva e decepção. Eu esperava que ele pudesse mudar, ou algo assim. Saí da sala pisando duro, bati a porta com toda a força fazendo um grande barulho e fui em direção à emergência.
“Ah, Dra. Cullen, vá até a pediatria, sala dois. Estão precisando de um interno lá.” Assenti para um residente que passou por mim quase correndo. A pediatria ficava no segundo andar, assim que coloquei meus pés lá, mordi meu lábio inferior. Eu não era forte o suficiente para lidar com crianças sofrendo e morrendo, o meu psicológico não era tão forte assim. Assim que andei até o quarto, vi o Dr. Vladimir em pé em frente a um leito. Ele segurava um urso de pelúcia e falava em uma voz infantil enquanto fazia o urso andar sobre a cama.
“Eu vou dar um abraço nessa linda menininha.” Ele dizia de uma forma extremamente carinhosa. Uma menina linda, com cabelos loiros e olhos azuis, deu uma afinada e bela gargalhada, ela devia ter uns quatro anos, aquilo apertou o meu coração.
“Dr. Vladimir.” Me mostrei presente e ele logo olhou pra mim, dando um sorriso de uma forma infantil, isso me fez entender da sua fama de meigo, talvez por isso ele fosse o chefe da pediatria.
“Oh, você é a interna que me mandaram? Dra. Cullen, certo?” assentei dando um pequeno sorriso, ele olhou para a garotinha que olhou pra mim. “Veja, pequena Valentina, esta é a médica que vai me ajudar a cuidar de você, não é legal? Ela e o fofo urso de pelúcia juntamente comigo, vamos fazer sua pequena dorzinha de cabeça passar.” Ele colocou o urso ao seu lado a fazendo assentir e sorrir, repousando sua cabeça no travesseiro. “Valentina deu entrada na emergência essa manhã. Estava desmaiada, com convulsões; quando ela acordou reclamou de fortes dores de cabeça, a mãe dela disse que as dores são constantes, mas que foi a primeira vez que ela desmaiou e teve convulsões. O que devemos fazer nesse caso, Dra. Cullen?” ele escreveu algo no prontuário rosa decorado com personagens de desenhos e entregou pra mim.
“Uma ressonância e uma tomografia do crânio.” Peguei o prontuário o lendo rapidamente.
“Exatamente, eu já a levei para os exames e gostaria que você fosse os buscar pra mim, para analisarmos juntos, você pode fazer isso pra mim, por favor?” Dr. Vladimir deu uma picadela para a pequena garotinha, que agarrou seu urso de pelúcia com mais força.
“Claro, doutor. Você está bem, Valentina?” Olhei pra ela, ficando da sua altura, alisei seus cabelos e ela me lançou um sorriso.
“Sim, tio Vlad me levou pra tirar muitas fotografias da minha cabeça, deve ser divertido aqui dentro.” Ela apontou para a própria cabeça, me fazendo rir.
“Com certeza, deve ser maravilhoso aqui dentro, não acha?” ela assentiu. “Tudo bem, vou pegar as fotos para eu e o Dr. Vladimir dar uma olhada.”
“Ok.” Lhe lancei outro sorriso. Aquele médico, Vladimir, era perfeito pra crianças. Eu podia facilmente ver seus olhos brilhando quando ele olhava para a pequena e frágil garotinha, o seu sorriso verdadeiro e cheio de amor. Era por médicos assim que me tornei uma, eu queria fazer o mundo diferente. Um mundo com médicos mais humanos. E olhar o pediatra assim, com aquele brilho e aquele sorriso me fazia encher de esperança. Fui até a sala de exames para pegar os resultados; uma tomografia e uma ressonância, tudo para descobrir o que aquela pequena tinha. Mandei uma mensagem no pager do Dr. Vladimir para que ele viesse até mim. Tomei a liberdade de abri os exames e dar uma olhada. Ela tinha um tumor, um grande o suficiente para uma pequena criança feliz como ela, aquilo me partiu. Eram como pequenas couves-flores na parte esquerda do cérebro.
“O que temos aqui?” Dr. Vladimir seguido do Dr. Ego Grande entraram na sala, Edward parecia cansado e entediado, seus olhos com bolsas escuras embaixo e vermelhos, como se tivesse chorado ou algo assim. Edward olhou pra mim e foi até a ressonância, era nítido o tumor do lado esquerdo da cabeça, com dois centímetros de diâmetro. “Isso não é bom, não é?” Vladimir suspirou e olhou os outros exames com mais cuidado sendo seguido por Edward. Eu fiquei logo atrás apenas os observando, era obviamente pra isso que eu estava aqui, olhar e aprender.
“Como a mãe dela não a trouxe antes?” Edward resmungou, passando as mãos no cabelo.
“Talvez ela não tenha achado que fosse tão sério, doutor.” Vladimir deu de ombros.
“Bem, elas nunca acham. Na melhor das hipóteses podemos operar, mas não sabemos se a mãe estará de acordo.” Edward ainda olhava para os exames na sua frente.
“Ela é tão pequena.” Sussurrei baixo, mas o suficiente para que eles ouvissem, Edward olhou pra mim e arqueou uma sobrancelha.
“Sim, mas se necessário, vamos opera-la. É a vida dela, Dra. Cullen. A cirurgia é a melhor solução.” Encolhi meus ombros e dei alguns passos para trás. Porra, ele estava tão arrogante hoje. “Bom, de agora em diante o caso é meu. Vamos, Dra. Cullen, você já faz parte do caso mesmo.” Ele tirou das mãos do Dr. Vladimir o prontuário com um pouco de arrogância, pegou os exames e começou a caminhar para a saída. Maldito ignorante.
“Eu sou o pediatra dela desde sempre, doutor, acho que devo estar no caso também.” Ele parou de andar e se virou para Vladimir.
“Você vai abrir o cérebro daquela garotinha e retirar o tumor, Dr. Vladimir?” ele estava sendo irônico, aquilo era notável nas suas sobrancelhas arqueadas e o sorriso torto.
“Não sozinho, mas eu acho...”
“Vamos, Dra. Cullen, temos muito que fazer.” Santo Inferno! Como ele conseguia ser assim? Como aquele filho de uma coitada, poderia ser tão sem ética e malditamente bipolar? Ele saiu da sala, Dr. Vladimir coçou a nuca e me deu um pequeno sorriso que retribui, saindo logo em seguida. Edward caminhava a passos rápidos, lendo o prontuário da Valentina sem olhar pra frente. Ele poderia tropeçar e quebrar o pescoço em algum lugar, seria acidente e provavelmente ninguém ligaria, ninguém além do seu cão, Sony.
“Se me permite dizer, doutor, o senhor foi rude.” Ele parou de andar e como eu acompanhava seus passos ligeiros, acabei por bater de cara nas suas costas. Maldição. Merda, eu parecia tão segura e brava, mas agora eu me sentia um pequeno rato sob o olhar cínico e arrogante dele. Edward ficou de frente pra mim, com aquele olhar. Ele colocou o prontuário debaixo do braço e deu um pequeno sorriso, quase nulo, mas deu.
“O que disse?” Olhei para os lados, talvez procurando ajuda, mas era um corredor um pouco vazio, apenas enfermeiros passando com exames e alguns médicos. Ele parecia tão alto agora, olhei pra cima vendo seus olhos cerrados.
“Que o senhor foi completamente antiético e extremamente arrogante, Dr. Vladimir adora aquelas crianças, e Valentina é especial pra ele. Mais um médico na equipe seria ótimo, ele é pediatra, entende mais de crianças que qualquer um de nós, e ser tão mal educado não lhe faz um bom médico, nem muito menos nos dá um bom exemplo, pelo contrário.” Arregalei meus olhos com minhas próprias palavras. Tudo bem, respire, querida Bella. Apenas respire. Eu era tão imbecil, boca grande e completamente sem filtro. Jesus, Maria e José! Eu estava dando uma lição de moral no meu chefe, que por ventura eu tive uma pequena queda alguns dias atrás. Edward ficou por um bom tempo me encarando, como se estivesse sem palavras ou procurando algo coerente e não rude para me dizer.
“Está duvidando do meu profissionalismo? Escute bem...”
“Eu não duvido que seja um bom médico, Dr. Masen, estou apenas dizendo que deveria rever seus conceitos e como trata os seus colegas de trabalho. Não é legal, nem para eles nem para os pacientes ao redor, me desculpe se lhe desrespeitei, mas essa é a verdade, sei que sou uma simples interna e que posso estar colocando a perder a minha carreira e talvez eu também não esteja sendo coerente, mas o senhor realmente me deixa confusa. Desculpe.” Filtro verbal? Eu simplesmente não o tinha. Eu não queria pedir desculpas coisa alguma, para o inferno com as desculpas, mas ele é meu chefe. Edward cerrou os dentes, eu via isso pelo modo como sua mandíbula – lambível – se contraia.
“Você está na minha equipe, Dra. Cullen, apenas siga as minhas ordens e minhas regras, fui claro?” Apertei minhas mãos em punhos para não socar a sua cara, era tudo o que eu mais gostaria de fazer. Jesus, me ajude a não bater nele.
“Como água, doutor.” Ele me olhou de cima a baixo, soltou uma pequena bufada de ar e se virou, voltando a caminhar. Fomos todo o percurso até o quarto de Valentina em silencio. No elevador fiquei o mais afastada possível, tentando não olhá-lo, mas eu fracassava miseravelmente. Edward olhava para frente com uma mão no bolso do seu jaleco e outra segurando firmemente o prontuário, como se sua vida dependesse daquilo. Assim que entramos no quarto, Valentina nos olhou, sua mãe estava sentada na cama ao seu lado, alisando seus cabelos e conversavam. Edward olhou pra a mãe e para a filha por alguns segundos, segundos que demoraram demais pra mim, não apenas pra mim, pois a mãe olhava para nós dois a procura de respostas.
“Olá, sou o Dr. Edward Masen, neurologista, esta é minha interna, Isabella Cullen. Você deve ser a doce Valentina. Estou certo?” pela primeira vez no dia ele deu um sorriso, verdadeiro e bonito, ele parecia realmente gostar de crianças e o sentimento era recíproco, isso me fazia questionar por que ele não era pediatra, talvez assim ele fosse menos ranzinza.
“Aham.” A garotinha assentiu, abraçando com força seu urso.
“Olá, sou Nina, a mãe dela. O que ela tem?” a pobre mãe parecia tão aflita como qualquer outra, eu não a culpava, mal conseguia me colocar no seu lugar. Edward suspirou e coçou a nuca.
“As noticias não são boas. Valentina tem o que chamamos de ependimoma do quarto ventrículo.” Nina colocou as mãos na boca e arregalou seus olhos, eu não gostaria de imaginar o quanto aquilo doía.
“O que diabos isso quer dizer? Ela tem câncer? Como isso aconteceu?”
“Sim, ela está com câncer, este tipo de tumor atinge pessoas mais jovens. Ela está no 1° grau, o que é uma coisa boa, podemos retirar com cirurgia e logo em seguida ela será guiada para a radioterapia. Ela ficara bem, se tudo der certo.” Nina caiu sentada na cama com as mãos no rosto, Valentina olhava tudo assustada.
“Onde está o tio Vlad?” ela perguntou com sua voz assustada e baixa, olhei para Edward com a sobrancelha arqueada, eu gostaria de saber o que ele diria para a pequena garotinha, assustada e doente.
“Dra. Cullen irá chama-lo. Não se preocupe, gatinha.” Olhei pra ele boquiaberta, sem saber o que fazer ou como agir, Edward olhou pra mim sobre seus ombros e deu o seu sorriso torto. “Ouviu, Dra. Cullen? Chame o Dr. Vladimir pra nós, por favor.” Ele me deu uma piscadela e voltou toda a sua atenção para Valentina e sua mãe. Nina voltou com uma série de perguntas, sobre a gravidade do problema, as escolhas e a cirurgia. Edward conversava calmante com a mãe da criança, com uma voz doce e falas simples, para que Nina entendesse melhor. Ele parecia tão legal agora. Valentina olhou pra mim com aqueles belos olhos pidões, que encheram meu coração de amor. Dei-lhe um sorriso reconfortante e sai para procurar o Dr. Vladimir. Andei por quase todo hospital e por toda a pediatria, então achei melhor lhe mandar uma mensagem no meu pager.
“Oh, Dra. Cullen? Você queria me ver?” Dr. Vladimir parou na minha frente, ele aprecia bem, com seu sorriso de sempre.
“Sim. Dr. Masen disse que gostaria de você no caso, além do mais, Valentina quer ver você.” Ele arqueou uma sobrancelha e coçou sua nuca.
“Ele me quer no caso? O que diabos deu de errado nesse homem? Edward Masen nunca volta atrás com sua palavra.” Ele pareceu pensar por um segundo ou seis.
“Talvez ele seja bipolar.” Dei de ombros enquanto caminhávamos juntos para o quarto de Valentina.
“Oh não, ele não é, Dr. Masen é sempre rabugento e arrogante, ele nunca foi gentil com um de nós, a não ser é claro, seus pacientes, bem, ao menos isso certo?” Franzi a testa e mordi meus lábios. Bem, ele era sim arrogante, quase sempre, quase, duas ou três vezes ele já foi gentil, então eu decidi de uma vez por todas parar de tentar descobrir o que diabos tinha de errado com aquele homem, eu sinceramente não queria mais descobrir.
Assim que chegamos ao quarto, Dr. Vladimir e Dr. Ego trocaram algumas palavras antes de Valentina tomar total atenção pra ela, dando seu luminoso sorriso assim que viu Vladimir, que se sentou ao seu lado da cama e começou a conversar com ela, meigo. Edward deu um sorriso tão pequeno, que eu tinha certeza que ele não queria que ninguém visse. “Dra. Cullen, vá até o quadro de cirurgias e marque a da nossa paciente, para às 17h.” Edward não olhou pra mim enquanto falava, ele apenas mantinha seus olhos fixos na doce menina e no seu mágico médico. A mãe da garotinha estava mais controla, seus olhos estavam vermelhos enquanto ela alisava os cabelos loiros da sua filha. “Oh, me encontre na sala de exames assim que fizer o que mandei, temos que discutir umas coisas antes da cirurgia. Leve-me um café.” Imbecil, ele pensava que eu era sua serviçal ou algo do gênero? Pelo modo que ele falou, com certeza pensava. Homenzinho intrigante dos infernos. Fiz o que ele mandou, marquei a cirurgia da Valentina para às 17h, até lá ela ainda tinha uma série de exames para fazer. Fui até a máquina de café mais próxima e resmungando peguei um café amargo – como meu chefe – para Edward e um cappuccino pra mim. Edward e Vladimir estavam na sala de exames, olhando mais uma vez o tumor de Valentina, eles discutiam algo. Aro, o diretor, também estava aqui. Coloquei o café dele na sua frente com um pouco de agressividade e tomei um pouco do meu. Dr. Aro me deu um pequeno sorriso que retribui.
“Vamos pedir um hemograma completo e um eletrocardiograma antes da cirurgia. Dra. Cullen, pode cuidar disso pra nós?” Edward me lançou um olhar e tomou um pouco do seu café, parecendo satisfeito. Assenti dando de ombros.
“Ótimo, esta é uma cirurgia que eu gostaria muito de assistir, boa sorte, Dr. Masen.” Aro se despediu e saiu da sala sendo seguido pelo Dr. Vladimir, Edward continuava olhando os exames e me aproximei.
“Você já fez uma cirurgia dessa antes?” Edward soltou um pequeno sorriso e olhou pra mim, nós estávamos consideravelmente perto, mais que o necessário.
“Um punhado de vezes, Dra. Cullen. Só fiz uma cirurgia dessa em uma criança com menos de cinco anos uma vez, Valentina será a segunda.” Ele suspirou, voltando sua atenção para a tomografia.
“Acha que ela vai ficar bem? Ela é só uma menina.” Mordi meu lábio e vi seus solhos caramelizados em mim mais uma vez.
“Na pediatria, Dra. Cullen, não há adultos em miniatura, há crianças, crianças que acreditam em magia, em fadas. Fazem de conta que tem um pó mágico no soro deles, tem esperança, cruzam os dedos e fazem pedidos para alguém que eu não faço ideia se existe. Eles são mais resistentes que os adultos. Eles acreditam, na pediatria eles têm milagres e magias, tudo é possível para essas crianças. Ela vai ficar bem.” Ele me lançou um sorriso e mordeu seu próprio lábio. “Sem contar também, que sou o melhor.” Arqueou sua sobrancelha pra mim e bateu seu ombro no meu. Revirei meus olhos e soltei um pequeno sorriso. “Espero você na sala de grandes milagres, Dra. Cullen.” E então ele saiu. Ele parecia entender muito bem de pediatria. Edward Masen a cada dia que passava me deixava mais intrigada.
Passei o resto do dia com a doce Valentina, fizemos todos os exames necessários e tivemos um bom tempo de meninas conversando. Ela estava preocupada com seus cabelos, eu sorri e disse que eles logo ficariam grandes e belos novamente, que talvez seria bom que ela mudasse um pouco, isso pareceu acalmá-la. No seu quarto, sua família quase toda estava lá, todos emocionados; seus pais, avós e seu irmão mais velho. Aquilo me fez pensar em Noah, eu sequer suportaria passar por uma coisa daquelas. Sou médica e tenho que acreditar no que eu vejo, no que eu toco e na ciência, mas eu pedi silenciosamente à Deus que tudo desse certo e essa doce menina voltasse bem para a sua família. Às 16h45 os enfermeiros, juntamente com o Dr. Vladimir e Edward vieram buscá-la. A sala de cirurgia não estava tão cheia. Na galeria, Dr. Aro, Emmett e Alice e mais alguns que eu não conhecia assistiam, uma enfermeira cortava seus cabelos e conversava com ela animadamente, Edward e Vladimir conversavam enquanto se preparavam. O cérebro era a parte mais sensível da anatomia humana, era extremamente calculado e uma cirurgia como esta demoraria em torno de três a quatro horas. O anestesista já estava sentado ao lado de Valentina assim que entramos. “Estou com medo, Bella.” Ela sussurrou pra mim assim que fiquei ao seu lado e segurei sua pequena mão.
“Vai ficar tudo bem, Valentina. Quando você acordar, já vai estar tudo no lugar e você ficará bem, não vai sentir nada. Eu estarei aqui o tempo todo segurando a sua mão, sim?” Ela assentiu e me deu um pequeno sorriso, olhando para a luz forte em cima dela. Mesmo com a máscara, eu podia dizer que Edward estava sorrindo pra mim, como o jeito que seus olhos ficavam pequenos e puxados quando ele sorria. O anestesista aplicou a medicação e pouco tempo depois ela estava dormindo e pronta para a cirurgia. Edward tomou seu posto e me chamou para ficar ao seu lado observando tudo. Eu estava em êxtase, era a primeira vez que eu participava de uma cirurgia neurológica. Impressionante. Vladimir passou o tempo todo do outro lado de Edward, o auxiliando e fazendo uma observação uma hora ou outra. Ele era bom, realmente era, suas mãos e dedos eram ágeis e rápidos, sempre no foco e sem parar. Ele tinha uma técnica impressionante com aqueles longos dedos.
“Dra. Cullen, veja, bem aqui, está vendo?” Ele segurou com uma pinça e vi nitidamente. “Ótimo, agora pressione aqui pra mim. Você consegue.” Olhei pra ele que arqueou suas sobrancelhas e assentiu. Fiz o que ele pediu. Assim que a cirurgia terminou, um sucesso como Edward disse, fomos nos lavar. Vladimir parecia contente e Edward com sua máscara de indiferente novamente.
“Não está feliz por ter salvado a garotinha?” Perguntei pra ele, secando minhas mãos.
“Bem, é o meu trabalho, estou contente que tenha dado tudo certo, agora vamos nos concentrar no pós-operatório. Certo, Dr. Vladimir?”
“Sim, doutor, vou ficar de olho nela, estou de plantão hoje, não se preocupe. Belo trabalho, Dra. Cullen.” Vladimir sorriu antes de sair da sala. Edward e eu saímos juntos.
“Fez um ótimo trabalho, doutora, espero trabalhar com você mais vezes.” Ele sorriu tentando arrumar seus cabelos que caiam na testa, adorável.
“Obrigada, doutor.” Sorri, dando uma olhada no meu relógio.
“Mas não vá se achando, ainda tem muito que aprender.” Falou com aquela sua voz séria e arrogante mais uma vez.
“Certamente. Tenha uma boa noite, Dr. Masen.” Fomos por direções opostas, ele para a sala dos médicos e eu para a dos internos. Alice, Emmett e Mike estavam lá, Mike sentado no chão olhando para o nada enquanto os outros dois se trocavam.
“Porra, hoje foi um dia difícil, só quero me entupir de cervejas e um pouco de tequila.” Alice grunhiu, retirando sua blusa na frente de todos sem se preocupar.
“Eu também.” Mike suspirou.
“Você vem, Bella?” Emmett, como sempre, colocou seu braço no meu ombro.
“Eu tenho um filho me esperando em casa, Emm.” Retirei seu braço de mim, indo me trocar.
“Não vamos chegar tarde, Bella, você precisa também, só vamos relaxar um pouco, ligue para a babá. Apenas um pouco, sim?” Alice implorou, arrancando um sorriso meu. “Não quero ser a garota que entra com dois caras em um bar.”
“Tudo bem, só um pouco. Antes eu tenho que ir ver um paciente, me esperem no estacionamento.” Assim que me troquei, eles me acompanharam até o elevador. Eles desceram para o estacionamento e eu fui até a pediatria. Valentina ainda dormia na sua cama, sua mãe estava ao seu lado e seu pai, que era um dos homens do exercito com seu uniforme intimidador, estava ao lado conversando com Edward, que também vestia roupas casuais, eles parecia se conhecer. Edward se portava como um deles, reto, braços pra trás e falava sobre algo que eu não entendia o que. “Boa noite, eu só passei para saber como ela está.” Três pares de olhos vieram em minha direção, entre eles Edward.
“Oh, ela está bem, não acordou ainda, mas o Dr. Masen disse que é por causa dos medicamentos.” Sua mãe tão doce como a filha, deu um sorriso.
“Certo, amanhã eu passo por aqui pra ver como ela está.” Acenei para a mulher e dei um sorriso para Edward e o Major John. Caminhei devagar até o elevador e fiquei esperando pacientemente até que ele chegasse, uma figura alta e grande parou do meu lado. Era Edward.
“Como Noah está?” Ele me perguntou assim que entramos no elevador. Quando as portas se fecharam, e nós ficamos muito perto, eu podia sentir o cheiro amadeirado que vinha dele.
“Hum, bem, obrigada.” Estranhei, olhando para o chão.
“Você está indo pra casa?” Olhei pra ele, que bagunçava ainda mais suas madeixas.
“Não, Alice e os meninos me chamaram para ir a um bar, então...” ele abriu um sorriso de lado e assentiu. Assim que as portas se abriram nós saímos juntos, lado a lado, até a saída, logo se podia ouvir as risadas e a conversa alta que os garotos mantinham em volta do carro de Alice. Edward parou ao meu lado e olhou pra eles.
“Você acha que eu fui, hum, rude ou muito grosso com eles?” suas mãos mais uma vez maltratavam seus belos cabelos. Ele estava perguntando pra mim? Sério?
“Olhe, lá dentro você é meu chefe, eu não tenho que lhe dar lição de moral ou algo assim, mas bem, você que é responsável por nós e sua obrigação é nos ensinar, dar suas regras e dar bronca. Mas sendo sincera, eu não sei que tem de errado com você. Mas às vezes você é legal, isso torna você até mais atraente. Mas Deus, na maioria das vezes, você é um estúpido, eu não entendo você, juro que não, não sei qual é o verdadeiro Edward Masen. Por que parece que você adora jogar e ter duas faces. Eu entendo que eles erraram, e feio, mas á outras maneiras de repreensão do que apenas ser um estúpido. E fora que tem horas que você parece mais um militar dando suas regras do que um médico dando lição.” Edward ao contrário do que eu pensei, não me matou, nem entrou no hospital para me demitir, eles simplesmente sorriu.
“Então, você acha que eu devo pedir desculpas?” ele era maluco, e eu não queria ficar perto de malucos. Revirei meus olhos e voltei a caminhar sem olhá-lo. Sua mão rapidamente segurou o meu braço, me fazendo parar. “Olha, eu sei que tenho sido um imbecil, mas eu sou assim. E eu estou tentando não ser. Eu só queria tentar, eu não fazia ideia que estava sozinho até ficar, e não sabia que era tão ruim ser sozinho, até ter gente por perto e ir embora, novamente. Eu já estive no exercito antes, talvez por isso eu pareça um fodido militar, eu já vi pessoas explodirem na minha frente, Isabella. Eu vi coisas, presenciei coisas que eu jamais quero ver novamente. Médicos que fizeram anos de faculdade comigo, morreram lá, eu quase morri. Eu perdi muitas coisas importantes pra mim depois daquilo, eu só estava tentando seguir adiante. Eu só quero tentar. Então se você puder, por favor, me ajudar e me dizer se eu devo pedir desculpas, você vai me ajudar muito.”
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