Entre Médicos
7 Capítulo 07
Notas iniciais
Seattle, Washington
Isabella Cullen
“Dra. Cullen, vá para o trauma três. Já!” Eu estava tão desnorteada que mal notava o tumulto ao meu redor, eu só queria estar em casa, com o meu filho. A ideia dele com o Dr. Ego Grande me assustava em uma proporção monstruosa. Dr. Stevens me olhou como se eu fosse uma demente, então sai correndo dali. Uma ambulância tinha acabado de chegar, uma equipe pequena de médicos veio junto comigo, entre eles, Alice. “O que aconteceu?” perguntei indo para o lado da maca.
“Mulher jovem, aproximadamente 25 anos, hipotérmica. Nível de coma nove. Está muito fria, pressão caindo. Pulso fraco.” Um paramédico falava enquanto corríamos com a mulher para dentro, ela estava pálida demais, sofreu algum afogamento pelo seu corpo levemente molhado.
“Na minha contagem.” Alguém apareceu ao meu lado, era um dos médicos no qual eu ainda não tinha trabalhado, ele tinha olhos azuis, cabelos loiros e um pouco longos, era um homem bonito, como todos ali. Ele não olhou para nenhum de nós, apenas para a paciente. “Um, dois, três, já.” A mulher começou a se mexer e murmurar algo inaudível, tentei entender qualquer pequena palavra, mas eram apena sussurros. “Qual seu nome? Consegue me falar?” A mulher apenas continuava se remexendo e sussurrando coisas sem sentido.
“Sinais vitais caindo.” Alice disse enquanto a examinava.
“Certo, tragam bolsas quentes.” Falei para um enfermeiro que estava ao meu lado. “Coloque nas axilas, virilha e atrás do pescoço. E vamos cobrir a cabeça para manter o calor que ainda tem.” O enfermeiro assentiu e saiu em seguida.
“Como ela está evoluindo, Dra. Brandon?” O médico desconhecido por mim, que eu pude ler no seu jaleco como Dr. James, perguntou.
“Ritmo cardíaco 50. Temperatura 29°C. Continua reagindo.” Alice disse orgulhosa.
“Ótimo, inseriu o cateter?”
“Sim, doutor.”
“Cullen, aplique duas doses intravenosas, faça um eletro e a prepare para uma lavagem peritoneal.” Ele olhou diretamente pra mim, enquanto escrevia algo no prontuário sem olhá-lo.
“Ok.” Assenti rapidamente, fazendo o que ele me pedia. “Sedativo injetado.” A lavagem peritoneal começou e eu estava encarregada de fazê-la, eu sequer tinha feito alguma vez. Alice tirou o oxigênio da mulher e eu tentando ao máximo não tremer ao injetar o tubo. “Inicie o projetor e prepare para aquecer.” Dr. James invejou a agulha grande um pouco abaixo do abdômen da paciente.
“Temperatura aumentando, 45°C, ritmo cardíaco aumentou para 68.” Alice informou.
“Isso deve mantê-la aquecida agora. Bom trabalho, pessoal!” Dr. James sorriu para todos nós, retirando as suas luvas e a jogando no lixo. Olhei para a mulher completamente pálida e lhe dei um sorriso tentando tranquilizá-la, com certeza ela estava muito confusa com tudo isso. “Dra. Brandon, quero que cuide da paciente até que seu plantão termine. E Dra. Cullen, trauma 5.” Ele colocou seu cabelo comprido atrás da orelha e nos deu outro sorriso saindo da sala.
“Ele é quente.” Alice suspirou, revirei meus olhos e voltei a olhar para a paciente que evoluía lentamente, olhei para o meu relógio e suspirei. “Ele vai ficar bem, Bella, Edward não é nenhum monstro.” A encarei com uma sobrancelha arqueada por alguns segundos até Alice soltar um longo suspiro como se tivesse notado o que tinha acabado de sair da sua boca, era realmente estupido, ela balança a cabeça positivamente pra mim. “Tudo bem, você está certa. Olha, vai lá ao trauma 5 e veja o que tem pra você, depois vá embora, eu cubro o seu plantão hoje.” Meu coração deu um pulo no peito, olhei apreensiva para Alice, o restante do dia seria folga dela, não era justo.
“Alice, não precisa, vai ficar tudo bem. Não é justo.” Mas no fundo, eu tinha dúvidas se ficaria realmente tudo bem. Eu não estava tranquila com o Noah perto dele, realmente não, aquilo não tinha sido um bom negócio.
“Ah Bella, por favor, pare de idiotices. Amanhã você cobre o meu plantão, tudo bem pra você?” Não pude deixar de sorrir animadamente.
“Tudo bem, muito obrigada, Alice.” Lhe lancei um sorriso antes do meu pager começar bipar. Corri até o trauma 5. Homem, quarenta e quatro anos vítima de acidente automobilístico, fratura craniana e hemorragia interna. Eu ficaria no hospital mais tempo do que pensei. Dr. Stevens, um médico idoso, completamente rabugento e neurologista de plantão ficou comigo no caso. Eu levantei uma teoria de que todos os neurologistas eram mal educados e arrogantes, o que explicava toda aquela autoridade.
Quatro horas depois saí do hospital, morrendo de ansiedade e nervosismo, era mais de duas horas da tarde, então liguei para Emmett na esperança de eles não terem ido para a casa do Masen, mas infelizmente eles estavam lá. Eu só queria pegar o meu filho e dar o fora dali, Edward não era confiável, eu nem sequer o conhecia, e suas mudanças de humor acabavam comigo. Dirigi de uma maneira não permitida pelas leis do trânsito dos Estados Unidos. Mas eu cheguei em frente ao prédio cinco minutos depois. Eu não queria, mas sorri ao ver o suposto banco do Masen do outro lado do parque, o que ainda era uma ideia absolutamente ridícula. Quem, por Deus, tinha um banco em uma praça e se achava no direito de mandar e desmandar quem sentava nele? Edward Masen, pelo jeito. Era um prédio luxuoso, muito luxuoso, mas nada que um neurocirurgião como Edward não conseguisse pagar. Tinha uma fonte enorme na frente do prédio e antes de entrar no hall, da parte de fora, eu já podia ver o tamanho da área de esporte ali, tinha de tudo. Andei até a grade que não permitia curioso de entrar e tentei localizá-los, o que foi inútil. Entrei no prédio e vi o porteiro, muito carrancudo para o meu gosto, e ao lado mais três homens, todos de terno. “Hum, olá, eu gostaria de ver Edward Masen.” O homem de idade me olhou com tédio, mas parecia um pouco confuso.
“Qual seu nome?” Perguntou conferindo algo no seu computador de ultima geração.
“Isabella Cullen.” Ele olhou para o computador e depois pra mim, mordi meu lábio e apertei minha bolsa com força.
“Ele deixou sua entrada liberada, apenas me deixe ver sua identidade, por favor.” Arregalei meus olhos e fiquei um pouco em choque. Ele sabia que eu viria? Mas como? Ainda um pouco atordoada, entreguei meus documentos ao porteiro, que digitou mais alguma coisa no seu computador e me entregou a minha identidade de volta. “Dr. Masen está na área de esportes.” Sussurrou apontando para o seu lado esquerdo. Assenti e caminhei até onde ele tinha me instruído. No fim de um grande corredor, uma porta de vidro se abriu, me contemplando com a visão do maior campo de esportes que eu já tinha visto. Tinha de tudo ali; quadra de basquete, tênis, voleibol, campo de futebol americano. Não foi difícil encontrá-los. Assim que meus olhos bateram no campo de baseball, sorri ao vê-los, os três eram os únicos ali. Caminhei até eles sem ser notada. Noah parecia estar se divertindo muito, sua gargalhada alta era ouvida por todo campo. Assim que cheguei a uma distância considerável, eu vi Edward com os braços cruzados e um sorriso leve e fácil, tão relaxado, fazendo meu estômago se revirar estranhamente. Ele estava lindo todo casual, com uma calça jeans, tênis, uma camisa cinza de alguma banda de rock e um boné para trás; ele sorria de algo que Noah fazia. Meu sorriso se abriu assim que o meu garoto começou a correr pelo campo como um pequeno maluco, seus cabelos loiros voavam sobre o vento, ele largou o taco que estava segurando no chão e correu até Edward, que abriu os braços pra ele o acolhendo, aquilo fez o meu coração inflar.
“Eu ganhei, eu ganhei, eu ganhei do Emm. Você viu como eu arremessei longe, Edward? Ninguém nunca conseguiria pegar.” Eu comtemplei a visão do Dr. Ego Grande, arremessando o meu filho no ar e o pegar em seguida, bagunçando os seus cabelos e colocando o seu boné na cabeça dele. Mordi meu lábio e tentei ignorar as sensações esquisitas que tomavam conta de mim naquele momento. Andei lentamente até eles, assim que abri a porta grande que dava acesso ao campo, dois pares de olhos viraram em minha direção, Noah direcionou seus olhos diretamente pra mim, eu estava constrangida de estar ali e estragar o momento deles, aquilo parecia tão ridículo agora. Noah estava se divertindo, afinal de contas.
“Boa tarde.” Dei um pequeno sorriso e coloquei minhas mãos no bolso da calça. Emmett estava do outro lado do campo completamente entretido com um cão. Edward tinha um belo sorriso no rosto, enquanto olhava pra mim. Edward colocou Noah no chão, que veio correndo até mim com um boné maior que sua cabeça, me fazendo rir.
“Mamãe, o que veio fazer aqui? Veio me ver jogar?” ele parou na minha frente com olhos curiosos e os braços cruzados, eu quase podia jurar que ele estava odiando a minha presença ali.
“Hum, isso, exatamente. Eu vim ver você jogar, meu amor, como está indo?” ele lentamente revirou seus olhos pra mim, mas deu um sorriso pequeno.
“Eu arremessei tãããooo longe, mamãe, Emmett nunca pegaria. Edward me disse que sou o melhor, acredita? Eu posso ser até jogador quando crescer. Posso ser jogador, não posso?” Sorri com sua empolgação e arrumei o boné que caia para o lado. Noah estava um pouquinho soado e ofegante, sua pele pálida estava levemente avermelhada, lhe dando um tom adorável.
“Noah, venha aqui, deixe essa sua mãe babona aí e venha pegar essa bola.” Emmett gritou tão estrondosamente alto que pensei que Seattle todo tinha ouvido. Noah saiu correndo até o outro lado, onde Emmett estava com uma luva. Eu gargalhei um pouco o vendo tão empolgado.
“Pensei que não viria.” Edward estava ao meu lado, com um belo sorriso no rosto e a cabeça abaixada.
“Como sabia que eu viria?” Arqueei minhas sobrancelhas pra ele, que deu uma pequena gargalhada, um som que eu nunca tinha ouvido vindo dele.
“Bem, se você fosse à mãe coruja que eu pensei que seria, com certeza viria, ainda mais pensando que eu sou o vilão.” seus olhos pareciam ainda mais claros sob a luz solar, me fazendo suspirar.
“Bem, você é?” Edward deu mais uma pequena gargalhada, fazendo seus ombros mexerem. Adorável. De repente ele ficou sério, muito sério, olhando para alguma coisa atrás de mim. Ouvi um rosnado vindo de algum lugar, me virei lentamente. Arregalei meus olhos no momento em que vi o cachorro que Emmett brincava, ele não parecia tão dócil como antes. Era um cão grande, preto, com orelhas pra cima e mostrando seus dentes pra mim. Eu fiquei paralisada no lugar, minha boca entreaberta e os olhos esbugalhados. Aquele cão olhava pra mim como se fosse arrancar toda a minha pele e lamber os meus ossos. “Oh meu Deus.” Sussurrei baixo, eu tinha um medo absurdo de cães e aquele em especial estava me fazendo tremer, seus dentes eram bem grandes e afiados, não sobraria um pedaço de mim. Santo Inferno! Algo quente, grande e duro me agarrou por trás, fazendo todos os músculos do meu corpo colapsar, minhas pernas tremeram como gelatina. Eu não sabia se era pelo fato de um cão do inferno estar com os dentes arreganhados pra mim, ou por Edward estar me agarrando por trás, suas mãos vieram para a minha cintura e ficaram paradas ali, sua cabeça se encaixou no vão do meu pescoço e sua respiração pesada e quente me fez suspirar.
“Tudo bem, fique bem quietinha, Isabella, ele não é mau.” Sussurrou no meu ouvido e me apertou mais contra o seu corpo. Santo homem quente! Suas mãos eram possessivas na minha cintura. Tudo bem, talvez se o cão fosse me comer, ele comeria Edward também. O cachorro deu um passo pra frente e latiu pra mim, rosnando mais uma vez. Olhei para Noah com medo dele se aproximar, o garoto nem se quer olhava pra mim.
“Ele vai me matar.” Fechei meus olhos com força, me apavorando um pouco, querendo sair correndo dali, mas as mãos firmes dele me impediram. Eu queria chorar, eu não queria morrer sendo comida pelo um cão.
“Shiii, ele não vai, fique quieta.” Sussurrou mais uma vez, perto de mais do meu ouvido, fazendo os pelos da minha nuca ficarem eriçados. Como se não bastasse aquele cachorro do inferno estivesse querendo me comer, Edward ainda tinha que me prender tão firmemente. Edward deu um passo lentamente para trás me levando junto, o cachorro pareceu ficar mais furioso e latiu mais ainda, rosnando e olhando diretamente pra mim. Assim que Edward deu mais um passo me levando junto, o cão avançou pra cima de nós. “Quieto, Sony. Pare agora!” Assim que fechei os olhos com força me preparando para a mordida, senti ser rodopiada no ar e meu rosto ser batido em algo duro, meus pulmões pediam por oxigênio, eu estava completamente sem ar, com medo e tremendo. Parecia estar tudo bem, nenhum pedaço do meu corpo parecia ter sido arrancado, abri meus olhos lentamente e olhei pra cima, vendo um par de olhos caramelizados fixos em mim, um sorriso torto no rosto, espalmei minhas mãos no peito dele e tomei ar por alguns segundos. “Eu disse que não sou o vilão.” Falou tão baixo que quase não ouvi, levantei meu rosto novamente, me perdendo naquele mar de caramelos, seu rosto estava muito próximo ao meu, suas mãos firmes na minha cintura colocando uma força extraordinária como se a qualquer momento eu fosse sair correndo.
“Eu sei.” Suspirei mordendo meu lábio quando o seu sorriso se tornou maior. Ele passou a língua nos lábios, me deixando hipnotizada e se aproximou mais, ficando bem perto, muito perto. Um latido forte e alto foi ouvido, me assustando novamente, me lembrado que o cachorro ainda estava ali, olhei para trás do Edward e vi o cachorro parado ali, sentado no chão com a língua de fora e o pescoço torto para o lado. “Ele ainda quer me matar?” dei dois passos de distancia entre Edward e eu.
“Não, Sony é um bom garoto, ele só é um pouco ciumento, não é amigão?” Edward sorriu caminhando até o cachorro e se abaixando para afagar sua cabeça. Andei um pouco mais pra trás ainda assustada.
“Ele é seu?” Ele sorriu e continuou a fazer carinho no cão.
“Sim. Sony, esta é Isabella; Isabella este é o Sony, meu colega de quarto.” O cachorro olhou pra mim mexendo a cabeça de um lado para o outro como se entendesse alguma coisa que ele falava. “Comprimente a dama, Sony, e peça desculpas.” Edward apontou o dedo pra mim fazendo o cão se levantar e caminhar na minha direção, andei para trás ainda com medo do que aquele cão podia fazer comigo. “Tudo bem, Isabella, ele não vai mais ser um cão do mau.” Parei de andar e olhei para Edward, que tinha um sorriso no rosto. O cachorro parou na minha frente, se sentou e esticou sua pata no ar, na minha direção. “Ele quer lhe cumprimentar.” Edward deu de ombros e estiquei minha mão na direção da pata do cão, me tremendo dos pés a cabeça, ele podia facilmente arrancar minha mão com os dentes. Sony, como era chamado pelo dono, colocou sua pata em cima da minha mão e olhou pra mim, diretamente nos meus olhos mexendo a cabeça de um lado pro outro.
“Olá, Sony.” Sussurrei pra ele, que lambeu minha mão me fazendo sorrir.
“Eu disse que ele não era tão ruim assim.” Edward veio até nós e voltou a acariciar a cabeça do Sony.
“Ele pareceu bem ruim quanto tinha os seus dentes pra fora.” Sussurrei fazendo Edward sorrir. Olhei em direção a Noah, ele conversava alguma coisa animadamente com Emmett, aquele armário humano parecia uma pequena criança. “Noah, vamos embora.” Gritei para que ele me ouvisse, ele olhou para trás e veio correndo até mim sendo seguido por Emmett que também corria.
“Não podemos ir embora, Edward me prometeu um sorvete, mamãe, por favor, por favor.” Ele pulou na minha frente com as mãos unidas como se fizesse uma oração. Eu não sabia o que diabos Edward tinha feito para conquistar o meu filho, mas o que quer que tenha sido, deu muito certo.
“Bellinha, achei que ia estar trabalhando hoje.” Emmett, como sempre, colocou o seu braço gigante no meu ombro me apertando, ele estava tão suado que eu fiz uma careta.
“Ah Emmett, você está suado e fedendo.” Brinquei o empurrando, fazendo com que ele me apertasse ainda mais contra ele. “Alice me cobriu hoje, eu queria ver vocês jogando.” Mordi meu lábio e senti minhas bochechas quentes, eu corava como um tomate sempre que mentia, isso era terrível. Edward soltou uma gargalhada e balançou a cabeça negativamente. “Vamos, Noah, devolva o boné do Edward e vamos embora, depois eu lhe dou um sorvete ou algo assim.”
“Não, mãe, por favor, Edward me prometeu, não seja tão má.” Ele bateu o pé no chão e resmungou.
“Noah, já incomodamos Edward demais por hoje.” Merda, eu queria ir embora dali, ficar longe dele me parecia o certo, mas aparentemente o meu homenzinho não queria me ajudar. Porra.
“Oh não, Isabella, tudo bem, eu prometi mesmo, não vai ser nada demais. Vamos conosco, te pago um também.” Ele arqueou as sobrancelhas pra mim e deu um bonito pequeno sorriso de canto.
“Tudo bem, então.” Noah comemorou indo até Edward e eles bateram os punhos, me fazendo ficar um pouco assustada, eles tinham se tornado amigos tão facilmente.
“Eu tenho que ir, tenho plantão hoje e entro as quatro. Até amanhã, Bellinha. Desculpa deixar sozinha com a fera.” Emmett beijou o topo da minha cabeça e sussurrou no meu ouvido, ele foi até Noah, eles também bateram os punhos e Emmett falou alguma coisa com ele. Ele se despediu do Edward com um aceno e saiu. Edward correu até o outro lado do campo sendo seguido por Sony e apanhou algo no chão, que percebi ser uma coleira assim que ele colocou no pescoço do cão.
“Mamãe, você viu o quanto ele é legal, Sony é tãããão engraçado. Você podia me dar um cãozinho, eles são tão fofos.” Me apavorei quando aqueles olhos azuis pidões olharam pra mim, ele só podia estar ficando maluco. Cães estavam fora de cogitação, totalmente fora.
“Noah, cuidar de um cão não é tão fácil assim, e você é muito novo pra isso.” Edward veio até nós sendo puxando pelo cachorro. Ele podia ser bonito, mas parecia com os cães do FBI. Um pastor alemão preto. Caminhamos até a saída do campo e passamos pela recepção, vendo todos olharem para nós. Edward estava do meu lado segurando a coleira do cão e Noah do meu outro lado segurando firmemente a minha mão, com o boné caindo para o lado. Assim que chegamos ao parque, Noah saiu correndo na direção do carrinho de sorvete, segurando o boné na cabeça para que não caísse.
“Ele é um garoto encantador, parabéns.” Olhei pra Edward, que sorria. Ele não parecia ele. Aquilo era apavorante e completamente estranho.
“Obrigada. E obrigada por ter sido gentil com ele hoje, Noah não conhece muita gente por aqui, e ele gostou muito de você.” Enquanto caminhávamos, ele não tirava os olhos de mim, aquilo me deixava um pouco assustada.
“Oh tudo bem, ele é um grande garoto, foi um prazer, tinha muito, muito tempo que eu não me divertia tanto. E foi muito legal.” Acenei com a cabeça, lhe dando um pequeno sorriso e recebendo outro em troca.
“Eu quero duas bolas de chocolate e uma de morango.” Noah falava para o senhor simpático do carrinho de sorvetes.
“Noah, não exagere.” O repreendi, fazendo uma leve careta para que ele entendesse, Noah encolheu os ombros enquanto olhava pra mim e vi ele bufar suavemente.
“Tudo bem, eu prometi quantas bolas ele quiser.” Edward arrumou o boné que caia da cabeça do Noah. Meu filho ficou feliz com sua casquinha de três bolas, Edward acabou por insistir de me pagar uma bola de morango e para ele, uma de creme. “Vamos nos sentar ali.” Ele apontou para o seu banco.
“Vai me deixar sentar lá hoje?” brinquei quando ele olhou pra mim e deu uma lambida no seu sorvete. Tão sexy.
“Eu fui um idiota, não fui?” Ele fez uma careta adorável com o canto da boca suja de sorvete. Edward parecia tão simpático e aparentemente normal ali, na minha cabeça aquilo ainda parecia totalmente errado e esquisito.
“Você com certeza foi.” Ele sorri um pouco, enquanto desvirou os olhos de mim. Sentamos banco, lado a lado, perto de mais.
“Tudo bem, eu vou tirar essa imagem, afinal de contas.” Deu uma piscadela pra mim, me fazendo corar.
“Mamãe, eu e Sony vamos correr atrás dos pombos.” Fiz uma careta ao olha para o cachorro com a língua de fora.
“Tudo bem, ele é treinado e dócil, ele apenas não foi muito com a sua cara.” Edward disse soltando a coleira do cachorro, o fazendo correr com Noah.
“Isso foi reconfortante.” Revirei meus olhos pra ele. Noah e Sony corriam atrás dos pobres pombos que saiam voando, Noah gargalhava toda vez que Sony pulava tentando pegar algum pombo no ar. “Ele parece mesmo dócil, não entendo por que ele latiu pra mim, ou por que você não o fez parar.” Dei outra lambida no meu sorvete, fazendo Edward olhar diretamente para a minha boca.
“Eu queria te assustar um pouco, foi divertido no final.” Ele gargalhou, Edward tinha uma linda gargalhada, completamente descontraída e rouca.
“Eu não achei divertido. Então você sabia que ele não iria me morder?” Olhei pra ele perplexa.
“É, eu sabia sim.” Deu de ombros como se não fosse grande coisa.
“Tão maduro.” Suspirei tomando mais um pouco da minha coisa gelada. Nós ficamos um tempo sentados, apenas olhando as coisas ao redor, Noah parecia estar se divertindo muito, dito pelas suas gargalhas altas. “Eu pensei que você não tivesse amigos.” Joguei a minha dúvida em cima dele, o homem era um idiota e do dia para a noite virava o bonzinho. Completamente estranho.
“Eu não tinha, e não queria ter, eu não sabia o quanto fazia falta pessoas ao redor, até tê-las.” Sorriu pra mim, dando a ultima mordida na sua casquinha. Eu não sabia o que tinha dado nele, e sinceramente, eu estava amando esse novo Edward, descolado, fácil e relaxado, tão completamente diferente do de dias atrás. Seria tão fácil lidar com ele assim, no hospital.
“Ter amigos é bom.” Ele olhou pra mim e deu um pequeno sorriso, seus olhos estavam nos meus lábios. “O que foi?” ele negou com a cabeça e passou o polegar na minha bochecha descendo até o canto dos meus lábios.
“Você está toda melada.” A palavra melada, vindo da sua voz e do modo como ele olhou pra mim, quase, de verdade me deixou literalmente molhada, ele era tão lindo, seus lábios estavam entreabertos enquanto ele passava seu polegar sobre os meus lábios. Seus olhos encaram os meus lábios de uma maneira quente, e eu nunca vi aquele amarelo tão escuro, quase como um castanho, tão intenso e quente.
“Muito?” Foi quase um sussurro, ele olhou para os meus olhos em seguida, nós estávamos tão perto.
“Eu limpo.” Deu um pequeno sorriso torto, ele aproximou seu corpo do meu, bem perto, sua respiração com cheiro de creme e gelada bateu no meu rosto, me fazendo fechar os olhos. Tão perto. Sua respiração fria e pesada bateu bem perto da minha boca, seu polegar fazia um caminho muito lento sobre eles de cima pra baixo, de um lado para o outro. “Acho que já está bem limpo agora.” Sua voz rouca bateu no ouvido, descarregando uma eletricidade por todo o meu corpo. Abri meus olhos lentamente, vendo o seu sorriso presunçoso.
“Obrigada.” Sussurrei confusa, sentido meu rosto esquentar, passei minha língua nos meus lábios e me afastei um pouco, muito corada. Ele é a porra do seu chefe sua idiota.
“Mamãe, eu caí. Olha.” Noah veio mancando até mim, eu estava tão corada e envergonhada. Noah tinha o joelho ralado e um sorriso no rosto, talvez ele tivesse se acostumado com tantos machucados. Sony estava ao seu lado, sentado com a língua de fora.
“Noah, mamãe já disse pra você não ficar correndo, temos dois pés esquerdos, lembra?” ele fez uma careta e sorriu pra mim.
“Tá só ardendo um pouco.” Deu de ombros, ele estava todo sujo de sorvete, uma mistura louca de rosa com marrom na sua camisa e em todo o seu rosto.
“Tem certeza que não está doendo, Noah?” Edward se inclinou no banco para ver melhor o machucado dele.
“Tenho, Edward, eu sou bem forte.” Revirei meus olhos na sua tentativa de se manter forte diante de Edward.
“Tudo bem, Noah, vamos embora, você precisa de um bom banho e vamos fazer um curativo nisso.” Fiquei de pé e Edward também.
“Tá bom.” Ele suspirou, Edward colocou a coleira no seu cachorro e saímos do parque lado á lado como entramos. “Eu vou poder vim jogar com você qualquer dia desses, não é Edward?” Ele olhou diretamente para o Edward enquanto parávamos ao lado do meu carro.
“Não vamos incomodar ele novamente, Noah.” Arrumei mais uma vez o boné que caia da sua cabeça.
“Claro que vai, grande corajoso, sempre que quiser, é só pedir a sua mãe. Será muito legal. Sony vai gostar de ver você de novo.” Edward sorriu, Noah caminhou até Sony e afagou sua cabeça, gargalhando quando o cão lambeu sua mão suja de sorvete.
“Tudo bem, obrigada Edward. Devolva o boné dele, filho.” Edward sorriu pra mim e se agachou, ficando na altura do Noah.
“De nada, Isabella. Pode ficar com o boné, Noah. Venha sempre que quiser.” Eles batem os punhos como sempre, Edward se inclinou e sussurrou algo no ouvido de Noah, muito baixo. Mesmo que eu tentasse, não conseguiria ouvir, estreitei os meus olhos querendo como o inferno saber o que eu diabos eles tanto falavam. Noah sorriu e balançou a cabeça olhando pra mim. “Até mais, Isabella.” Ele se inclinou e beijou minha bochecha rápido, mas foi o suficiente para me deixar corada e quente.
“Até, Edward. Tchau Sony.” O cachorro latiu pra mim, os dois deram as costas e suspirei, eu não sabia o que estava acontecendo de errado, ou o que Edward pretendia, mas eu adoraria que ele continuasse dessa maneira, principalmente no hospital.
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