Entre Médicos
2 Capítulo 02
Notas iniciais
Seattle, Washington
Isabella Cullen
Na parte interna do hospital estava tão cheia quando a externa, eram muitas pessoas, muitos médicos e muita correria. Porra, eu queria aquilo, sempre quis. Não pude deixar de sorrir amplamente, finalmente meu sonho de adolescente estava enfim, sendo realizado. Era sem sombra de duvidas maior e mais luxuoso do que todos os pequenos hospitais de Forks, andei até a recepção mais próxima e pedi informações, a senhora educada me disse que o diretor do hospital estava reunido com os internos no quinto andar, me entregou um crachá, segundo ela, eu estava supostamente atrasada. O que não era nenhum pouco bom para a minha ética no primeiro dia de trabalho. Corri até o elevador lotado. Algumas pessoas me olhavam um pouco curiosas, pelas roupas, eram médicos e talvez, enfermeiros. Olhei no relógio digital na parede do elevador e fiz uma carata. Sim, eu estava três fodidos minutos atrasada. Isso era péssimo.
Ao chegar ao quinto andar tudo que via eram paredes brancas e mais pessoas. Seattle Grace era como um maldito labirinto branco, com corredores sem fim e uma multidão vestida de azul. Corri pelo corredor a direita, como a recepcionista tinha me informado. Pedi informações para uma enfermeira e ela em disse onde ficava a sala. Parei em frente, respirei fundos três vezes e entrei. Todos já estavam reunidos, e um homem um pouco mais velho parou de falar no momento em que entrei. Alguns se viraram e olham pra mim. Ótimo, eu odiava ser o centro das atenções, e aparentemente era o que eu estava sendo. Mordo o meu lábio nervosamente e desvio os meus olhos para um canto qualquer.
“Como eu ia dizendo, antes da colega nos interromper, vocês estão aqui hoje na esperança de finalmente entrarem no jogo, há um mês estavam na faculdade de medicina, tendo aulas com diversos cirurgiões, e acreditem, eu sei como é. Mas agora, vocês são os médicos.” Todos do grupo, até agora desconhecidos por mim, se entreolharam e sorriram, orgulhosos de sigo mesmos, a mesma sensação que eu sentia no momento. O homem a frente deu alguns passos e abriu uma porta, as luzes foram ligadas, seguimos ele, era uma sala de cirurgia, meus olhos brilharam e um sorriso vitorioso cobriu os meus lábios. Eu estava no meu lugar mágico. “Os sete anos como residentes de cirurgia, serão os melhores e piores das suas vidas. Serão testados até o limite. Aqui agora serão suas casas, seus colegas serão sua família e seus pacientes serão sua prioridade, não é mais uma brincadeira, agora irão conviver como médicos de verdade. E pessoas de verdade. Deem uma olhada ao redor, comprimente seus colegas e enturmem-se. Sou o Dr. Aro Vulturi o diretor do hospital. Vocês tem quinze minutos para irem ao vestiário, colocarem seus uniformes e esperarem ser chamados pelos seus chefes e responsáveis. Boa sorte calouros.”
Dr. Vulturi deu um sorriso e saiu, continuei olhando um pouco ao redor admirada com aquela sala, era o meu sonho se tornando realidade, eu já podia ver, o paciente na maca, minha equipe ao lado, as luzes fortes, o bip do coração, e o bisturi na minha mão. Como um choque em todo mundo ao mesmo tempo, lembramos dos quinze minutos, era extremamente estranho estar no meio de pessoas que eu não fazia ideia de quem eram, provavelmente eu era a mais velha formada ai, por ter parado por um tempo. Todos saíram e eu os segui, talvez eles soubessem andar nesse labirinto melhor que eu. Eles seguiram para o final do corredor, alguns já conversam entre si animadamente por estarem ali, outros já estavam calados apenas olhando tudo ao redor, assim como eu. Entramos em uma porta dupla, que provavelmente era o vestiário. Tinham diversos armários como no colegial e alguns vários bancos longos espalhados por ali. Eu olhava tudo atentamente assim como todos, era tudo muito novo, era a porcaria do meu sonho sendo realizado. Os caras começaram a tirar as roupas ali menos, na frente de todos, apenas ergui a minha sobrancelha e desviei os olhos rapidamente. Loucos. Já alguns seguiam para algumas pequenas cabines e foi esse o caminho que eu tomei, um pouco envergonhada e incerta. Vesti meu scrubs azul, o jaleco por cima e o meu estetoscópio sobre o pescoço. Amarrei meu cabelo em um rabo de cavalo e por fim, calcei um par de tênis.
Quando saí da cabine algumas pessoas já estavam vestidas com as costas pregadas em seus armários e conversando entre si. Aparentemente todos já haviam pegado os seus armários, andei entre eles procurando algum que estivesse desocupado, quando encontrei, finalmente pude suspirar aliviada. Já estava aberto então apenas joguei a minha mochila lá dentro antes de novamente olhar ao redor um pouco apavorada, era um grupo de vinte pessoas, mais homens que mulheres, e ficou tumultuado de mais naquele pequeno espaço. Eu tinha um pouco de dificuldade em socializar, então provavelmente eu estaria sozinha ali. Ficamos parados lá até outro médico parar na nossa frente, ele era mais velho, carrancudo e exausto. Olhou algo na prancheta. E falou o nome de quatro pessoas do grupo, que os seguiram animadamente, como se estivessem indo para o parquinho de diversão e eu não os culpava.
“Eu sempre quis ser estilista, sabe, nem sei por que me formei nisso, mas eu estou amando!” Uma garota pequena, de cabelos curtos, negros e espetados sorriu parando na minha frente, ela aprecia uma pequena fada, seus olhos eram redondos e incrivelmente azuis, seu sorriso era enorme e ela tinha as mãos juntas como se estivesse prestes a bater palmas, lhe dei um pequeno sorriso, porque por mais que eu não a conhecesse, parecia impossível não retribuir aquele sorriso. “Aproposito, sou Alice Brandon.” Ela separou as suas mãos e estendeu uma na minha direção, peguei a sua pequena mão prontamente em um cumprimento.
“Hey, sou Isabella Cullen-Swan, mas pode me chamar de Bella.” Ela apertou a minha mão um pouco forte de mais, mas aparentemente ela só estava animada. Porra, a baixinha tinha força.
“Então quem você pegou?” Ela mordeu seu lábio, eu sequer tinha visto isso ainda, dei de ombros e peguei o papel que eu tinha colocado no bolso do meu jaleco, enquanto eu o pegava, ela me olhava ansiosamente.
“Dr. Edward Masen, eu não sei por que diabos esta sublinhado ao lado o nome Hitler.” Ela deu mais uns pulinhos e não pude deixar de sorrir. Alice, aparentemente gostava de pulos e ela era mais animada do que qualquer pessoa que eu já cheguei a conhecer.
“Pegaram o Hitler? Eu também, porque inferno um homem tem esse apelido, ele é nazista?.” Um cara enorme, que devia estar jogando futebol americano, parou na nossa frente, Alice parecia uma criança na frente dele, seu cabelo era curto e negro, pele pálida, olhos azuis e como eu disse, o homem parecia um armário, mas com certeza, não menos bonito, o homem era incrivelmente lindo. Ele daria medo nos pacientes.
“Ouvi dizerem que ele tem a paciência de um demônio. Dizem que ninguém suporta o seu ego. Fiquei com ele também.” Alice falou fazendo uma careta, eu também estava assustada, eu não queria um ogro como meu chefe. Minha vida não estava completamente nos eixos e minha cabeça já era um poço de confusão, eu não precisava de um cara que se achava o dono do mundo sendo o meu supervisor. Mas talvez aquilo fosse exagero, ninguém podia ser tão ruim assim!
“Sou Emmett McCarty, pelo menos ele vai nos torturar juntos.” Nós três sorrimos. Pelo menos meus colegas não pareciam tão ruins assim. Emmett parecia ser o cara gato e brincalhão e Alice a baixinha feliz. Uma bela dupla.
“Emmett McCarty, Isabella Cullen, Mike Newton e Alice Brandon.” Um homem jovem e de aparência cansada e entediada falou nossos nomes, pelo seu uniforme, era um enfermeiro.
“Onde ele está?” Emmett perguntou ao homem. Ele revirou os olhos como se realmente não quisesse estar ali e olhou por trás dos seus ombros.
“Fim do corredor à esquerda.” Eu e Alice seguimos o Dr. Armário, Deus, ele era muito grande. Eu estava um pouco apreensiva para conhecer o Dr. Masen, realmente torcia para que ele fosse ao menos, um pouco gentil. Quando viramos à esquerda tinha uma bancada com algumas enfermeiras sentadas e outras em pé, uma falava ao telefone e as outras digitavam nos seus computadores ou estavam escrevendo alguma coisa, e de costas para nós, tinha um homem alto, ele parecia estar escrevendo alguma coisa, pelo seu corpo inclinado sobre a bancada e a forma como o seu ombro se mexia. Ele usava seu scrubs, a diferença era que o seu era de uma tonalidade diferente, um azul-escuro, porque, claramente ele era um cirurgião.
“Mike Newton, muito honrado em fazer parte da sua equipe, Dr. Masen.” Um rapaz de estatura média e incrivelmente loiro e de olhos azuis, parou atrás do Dr. Masen, ele tinha um sorriso jovial e parecia incrivelmente feliz por estar ali, ele tinha sua mão estendida no ar. Á estatua alta vestida de azul se virou para nós, eu e Alice suspiramos e arfamos. Porra dos infernos! O homem era estupidamente lindo. Seus cabelos em um tom de loiro escuro, quase acobreados, eu não sabia ao certo, mas eram completamente bagunçados, apontando em todas as direções como se ele tivesse passado as mãos sobre eles muito durante o dia. Sua mandíbula era quadrada, forte e masculina, com uma barba clara e sexy por fazer. E seus olhos, eram cor de uísque, eu nunca tinha visto algo parecido, eram incrivelmente claros, eram como mel derretido, sua sobrancelha era grossa, mas caia bem no seu rosto, lábios na medida certa e rosados, porra, ele era sexy pra caralho. E alto, não tanto quando o Dr. Armário, mas era. Ele olhou para Mike e em seguida para a sua mão, revirando os olhos, olhando para cada um de nós, quando o seu olhar cor de caramelo caiu em cima de mim eu prendi a respiração.
“Eu tenho algumas regras básicas pra vocês, primeiro, eu não queria estar aqui, sou um cirurgião, deveria estar lá cima, cuidado de pessoas de verdade, e não como babá de vocês, só estou aqui agora, por que Dr. Vulturi me pediu para fazer parte desse grupinho imbecil. Segundo, não aceito bajulações, então não adianta querer que eu goste de vocês, porque eu não vou, eu já os odeio só por estar com você nós não seremos amigos, jamais, nunca, em hipótese alguma. Aqui estão seu protocolo de traumas, listas de telefones e seus pagers, cada um tem os seus nomes, então os coloquem na cintura e não o percam. As enfermeiras vão lhes mandar mensagens regulamente, então as respondam rápido. Seu primeiro tuno inicia agora, 48 horas. Se apresentem rápido com seus nomes e sobrenomes, rápido, eu não tenho o dia todo.” Agora eu entendia o por que de Hitler, o homem era um cirurgião estupido e idiota como a maioria. Um idiota de um ditador. Cada um de nós falamos os nossos nomes rapidamente e o seu olhar caiu sobre cada um de nós, como se decorasse os nossos rostos. Nós quatro nos atrapalhamos um pouco para pegar tudo o que ele disse, peguei meu pager e coloquei na cintura me atrapalhando um pouco, quase o deixando cair. Dr. Ego grande começou a caminhar rápido pelo hospital e o seguimos. Ele era tão esnobe. Minhas penas curtas mal conseguiam acompanha-lo.
“O que ele tem de sexy, tem de arrogante” Alice sussurrou pra mim me fazendo concordar rapidamente. Era a porcaria da verdade.
“Ele se acha só porque não é um de nós, ele acha que pode nos tratar como se fossemos lixo, não sei qual é a desse imbecil.” Foi Emmett dessa vez, mas o cirurgião arrogante parou de andar ainda de costas, e todos nós paramos como um maldito trenzinho. Porra ele tinha ouvido. Nós quatro nos entreolhamos um pouco apavorados.
“Vocês são os internos, os ralés, os merdas, ninguém, base alimentar na cadeia cirúrgica. Vocês fazem exames, pedidos, passam remédio, trabalham a cada minuto até caírem e não reclamarem. Se eu me acho, Dr. McCarty, é porque eu já estive no lugar de vocês um dia. Então se coloquem em seus lugares, e me respeitem. Eu exijo isso!” Ele voltou a andar rapidamente, eu estava assustada, e todos os meus colegas também, inferno de homem esnobe, se ele não queria estar aqui, por que não se reclamou com o chefe e continuava com as suas cirurgias, servindo apenas para acariciar seu ego?! Nos primeiros trinta minutos ele saiu andando e ditando suas regras como o fodido Hitler, todos nós nos mantemos calados, para nossa própria segurança. Ele nos mostrou algumas partes do hospital, que deveríamos decorar. Porque segundo ele, ele não mostraria de novo. “Quarto dos atendentes, durmam onde quiserem e quando puderem, o que me leva a regra número três, se eu estiver descansando, depois de uma cirurgia de horas nunca, jamais me chamem, a não ser que seu paciente esteja realmente morrendo. Regra número quatro, é bom que seu paciente não esteja morto quando eu chegar. Não só vocês terão matado alguém como terão me chamado sem motivo. Então se entenderam, não me perturbem quando eu estiver trabalhando ou descansando.” O pager dele bipou então ele olhou para cada um de nós e saiu correndo, e claro, nós fomos atrás. Descemos pelas escadas o mais rápido que podíamos. Até chegar na entrada do hospital, na parte da emergência, tinha uma ambulância parada ali, os paramédicos desciam uma garota sobre uma maca tendo sintomas de convulsão. “Quem é ela?” ele perguntou colocando o prontuário do seu lado da maca e saindo correndo com ela, nós e os paramédicos o seguiam. A magia ia começar, finalmente!
“Kate Deville, 19 anos, convulsões intermitentes na última semana. Está sem acesso venoso. Começou a ter uma crise convulsiva na faculdade.” Os paramédicos pararam na recepção, e nós seguimos o Dr. Masen pelos corredores, ele gritava e dava ordens para todos saírem da frente, a menina convulsionava enquanto Emmett verificava seus sinais vitais. Seguimos para a sala de trauma, Edward fazia tudo muito rápido e muito habilidoso. Eu olhava tudo um pouco apavorada e os meus colegas não estava diferente. Corremos para colocar nossas luvas e olhamos para o Dr. Masen que arqueou a sobrancelha para nós.
“Virem ela de lado devagar, Mike, dez miligramas de diazepam.” Ele ficou afastado dando algumas ordens para nós, Alice continuava com oxigênio, Emmett tentava segura-la, e eu auxiliava Mike. “Condutor branco à direita, Isabella, coloque o soro, não deixe o sangue coagular.” Eu tremia um pouco, assim como todos os três, estávamos nervosos. “Vamos rápido, eu não tenho o dia todo e muito menos ela.” Assim que Mike injetou a medicação ela parou, regulei seu soro. Respirei fundo assim como todos enquanto a olhávamos se acalmar e entrar na inconsciência. “Eu quero todos os exames de rotina, tomografia, hemograma, bioquímica, toxicológico. Alice cuida dos exames, Emmett examine a paciente, Isabella leve a Kate para a tomografia. Ela é sua responsabilidade agora.” Ele jogou as suas luvas no lixo e passou suas mãos sobre os cabelos já em uma desordem iminente, antes dele sair, Mike puxou o seu braço, eu, Alice e Emmett nos entreolhamos, ele era maluco.
“E eu Dr. Masen?” ele o olhou de cima a baixo e puxou seu braço com um pouco de força.
“Você vai cuidar dos toques retais.” Ele saiu nos deixando sozinhos e Emmett deu uma risada.
“Ele só pode estar brincando. ” Mike resmungou saindo da sala. E todos fizeram o mesmo, Alice saiu para fazer os pedidos dos outros exames. Emmett a examinou superficialmente. E assim que ele terminou seguiu comigo até a tomografia. Fizemos o percurso, encontramos Alice lá, fizeram à tomografia, aquilo era novo pra mim e aquela maquina era como o meu mais novo bebê. Nos exames não vimos absolutamente nada, nenhuma anomalia, o cérebro dela estava perfeito. Estranho. Emmett foi para a parte da emergência, Alice procurar o cirurgião arrogante para lhe informar dos exames e eu levei Kate até o quarto.
“Eu perdi a minha prova de matemática. Sabe o quanto era importante? Eu estudei dias para aquela prova, agora você, uma enfermeira está aqui agora enfiando agulhas em mim” Ela gemeu, olhei pra ela e lhe dei um pequeno sorriso.
“Você vai ficar bem, já fez alguns exames, só vamos esperar o Dr. Masen dar uma olhada em você.” Ela sentou na maca e cruzou os braços. Era a minha primeira paciente e eu queria que ela gostasse mim, uma das coisas primordiais que eu queria estabelecer, era uma boa relação com os meus pacientes.
“Então, você é enfermeira mesmo?” Kate arqueou uma sobrancelha pra mim. Mas merda, aquilo parecia que seria difícil com ela.
“Não, eu não sou enfermeira. Sou uma interna, mas o meu superior é o Dr. Masen.” Ela bufou e se deitou revirando os olhos pra mim.
As sete primeiras horas eu não tive tempo de ligar para o meu filho. O Masen nos mandou rodar como peões pelo hospital, sem ter contado direto com algum paciente além é claro, da garota irritante chamada Kate. Nós tínhamos quinze minutos para um lanche rápido, Emmett, Alice e Mike estavam sentados em uma mesa conversando quando eles me viram e acenaram para sentarmos juntos, caminhei em direção à eles, colocando a bandeja com a minha refeição sobre a mesa, eu não pude deixar de me sentir aliviada. “Kate Deville é um castigo!” Sussurrei dando uma mordida no meu sanduiche, eu estava faminta.
“Não pior que o nazista Hitler, eu não consigo comer depois de fazer oito exames retais.” Mike faz uma careta e todos nós rimos. Emmett e Mike mantinham uma conversa sobre uma cirurgia importante que Mike tinha assistido na galeria, ele parecia tão empolgado. Assim que terminei minha refeição fui até o telefone do refeitório e liguei para casa.
“Noah Cullen falando.” Eu tive que sorrir com a sua tentativa de parecer um adulto. Merda. O meu garoto era o meu mundo todo e eu já estava morrendo de saudades do meu loirinho.
“Hey homenzinho, mamãe falando, como andam as coisas ai?”
“Mamãe! Eu estou pintando com tia Jane, eu vou fazer um desenho bem lindo pra você. To muuuuuita saudade mamãe. ” Mordi meu lábio e apertei meu telefone firme sobre a orelha, eu queria tanto estar com ele. Eu já estava morrendo de saudades dele.
“Também estou com saudade de você amor.” Me virei e vi o Dr. Masen parado na nossa mesa, ele olhou ao redor e seus olhos pararam em mim. Maldição, nem nos meus pequenos minutos de refeição eu tinha paz daquele homem. “Eu tenho que desligar, comporte-se, boa noite, mamãe te ama.”
“Também amo você mamãe!” Eu gostaria de falar com Ângela, mas esse com certeza não era o melhor momento. Coloquei minhas mãos no bolço do jaleco e segui até meus colegas e o meu chefe, que não parecia muito simpático, na verdade, ele nunca parecia.
“Eu estava procurando por você Dra. Cullen, vamos trabalhar no caso da Kate juntos.”Maravilha, uma adolescente irritante e um médico metido. Perfeito. “O resto de vocês vão para a emergência, Dr. Newton continua no que estava fazendo.” Ele odiava Mike e a mim, isso era obvio. “Tenham uma boa refeição, tenho uma cirurgia agora, não fosso ficar por muito tempo, Isabella cuide de Kate, se ficarem perdidos e precisarem de ajuda, bipem o Dr. Marcus, ele ajudará.” Então se virou e todos nos resmungamos.
“Pelo menos eu vou entrar em ação agora!” Emmett sorriu assim como Alice, eu e Mike apenas fizemos caretas. E ainda me restavam 41 horas com Kate e o Dr. Ego grande. Antes de eu dar uma mordida na minha maça meu pager bipou, joguei a maça em cima da mesa e corri até o quarto da Kate. Se ela estivesse tendo mais uma crise convulsiva e eu não estivesse ali com ela, Dr. Ego grande comeria o meu fígado, e eu estaria sendo completamente impudente com a minha paciente. Corri pelo hospital empurrando uma pessoa ou duas, minha respiração era arfante enquanto eu subia as escadas.
“Você demorou!” Kate estava sentada na cama, aparentemente normal e revirou os olhos pra mim assim que passei pela porta. Minha respiração era cortante e arfante. Diabos, eu precisava de um copo de água e um pouco de folego.
“Você está sentindo alguma coisa? Tontura, dor de cabeça? Alguma tremedeira recente?” A analisei com o estetoscópio checando seus batimentos que estavam bons, a pressão estava ótima também, chequei se soro que tinha sido trocado recentemente. Para mim, no meu diagnostico, ela parecia nada menos do que perfeita. Então eu me perguntava por que diabos ela tinha me bipado.
“Meus pais não chegaram, quero ir pra casa. Eu estou com tanto tédio.” Coloquei minhas mãos no jaleco e suspirei. Ela era tão irritante.
“Você me bipou por que quer ir pra casa e está supostamente entediada?” arqueei minha sobrancelha pra ela, quando Kate me lançou um pequeno sorriso torto.
“Sim!” Deu de ombros como se não fosse grande coisa, mas porra, aquilo era uma coisa enorme, que tinha realmente me irritado.
“Srta. Deville, quando se bipa alguém é por que está realmente precisando de ajuda, sabe quantas pessoas tem nesse hospital precisando seriamente de ajuda? E você me chama por que quer ir pra casa e está com tedio? Você sabe muito bem que não vai pra casa agora. Dr. Masen não lhe deu alta, estamos tentado encontrar o que causou as convulsões, então, por favor. Colabore. Você vai ficar bem.” Kate revirou os olhos e se jogou na cama, como uma criança emburrada. Eu realmente merecia aquilo no meu primeiro dia no hospital?
“Eu cai e torci meu tornozelo semana passada. Fiquei sem ir ao balé essa semana, perdi o ensaio e não vou à apresentação. A minha vida está uma merda.” Revirei meus olhos tentando controlar a pequena onda de raiva.
“Está sentido alguma dor Kate?” Ela negou. Claro que negou! “Ótimo, Vou ver se conseguiram localizar os seus pais, enquanto isso espere o Dr. Masen sair da sala de cirurgia.” Tudo que ela fez foi novamente, revirar os olhos pra mim. Soltei uma bufada de ar antes de sair do quarto.
Passei minhas próximas duas horas revendo os exames da Kate, tentado achar alguma coisa, conversando com os pais dela e esperando o Dr. Ego grande sair da sua cirurgia, eu fui bipada mais três vezes por ela para tomar chá. Eu não podia negar, eu estava adorando isso. O hospital é claro, a loucura, a correria, a adrenalina, tudo isso fazia absolutamente cada esforço valer a pena. “Peguei um cara com tiro no peito, vou auxiliar o Dr. Sam Uley, na cirurgia, não é um máximo?” Emmett parou do lado com um prontuário nas mãos e escrevia algo enquanto falava. Mas seu sorriso era tão grande que mostrava com perfeição as suas covinhas profundas.
“Parabéns Emmett, pelo menos você não está com uma adolescente irritante e nem com o Dr. Hitler.” Ele deu um sorriso e soltou uma piscadela em seguida. Meu pager bipou novamente, era Kate. Se aquela garotinha estivesse me chamando para tomar chá outra vez, eu surtaria. “Tenho que ir Emmett, a gente se vê por aí.” Ele acenou e saí correndo, era uma longa caminhada até o quarto dela, o elevador demoraria, então peguei as escadas. Quando cheguei ao quarto andar, às enfermeiras corriam e falavam entre elas. Merda, com certeza não me biparam para tomar um chá. Corri até o quarto dela e ela convulsionava na cama, tinham enfermeiros de mais na sala. E pela segunda vez no dia eu me senti apavorada.
“Demorou doutora, o que diabos aconteceu com você? Ela está com convulsões recorrentes. Como quer proceder?” Algum enfermeiro perguntou. Eu estava um pouco em pânico apenas vendo o corpo daquela adolescente convulsionar sobre uma cama.
“O que ela tomou? Já deram alguma coisa á ela?” gaguejei andando até ela, eu tremia um pouco e o meu musculo cardíaco batia muito rápido enquanto eu tentava controlar a minha respiração. Mexer com cadáveres certamente era mais fácil do que a pratica em si.
“Demos diazepam, e dois miligramas de lorazepam, eu acabei de dar a segunda dose, como devemos proceder? Dra. Cullen precisa nos dizer o que fazer!” Uma enfermeira colocou a mascara de oxigênio nela. Corri até o lado de Kate e ouvi seus batimentos, estavam baixos, minha mão tremia. Maldição. Eu sentia como se todos os pares de olhos ali, estivessem em mim.
“Lorazepam não funcionou?” perguntei tentado parecer calma, mas por dentro eu estava em pânico. Completamente e absolutamente em pânico.
“Não! Ela já tomou quatro miligramas.” Isso já era mais que o suficiente. Eu tinha que fazer alguma coisa, mas eu não sabia o quê.
“Já chamaram o Dr. Masen? Bipem o Dr. Marcus.” O enfermeiro que estava ao lado esquerdo da cama me olhou ironicamente.
“Sim, nenhum parece estar disponível.” Assenti diversas vezes tentado me controlar e manter a calma, era pra isso que tinha um diploma. Mas era o meu maldito primeiro dia com pessoas de verdade não cadáveres e bonecos estúpidos.
“Ok, deem a ela fenobarbital!” O enfermeiro que estava ao meu lado me olhou um pouco incerto antes de pegar a medicação e injetar o medicamento no soro dela, mas nada adiantava. Aparentemente tudo que eu estava fazendo estava sendo inútil.
“Já está no soro, não está adiantando. Dra. Cullen precisamos fazer alguma coisa. Precisa nos dizer como proceder!” Ela ainda convulsionava sobre a cama, nada adiantava. E ninguém conseguia dizer o que ela tinha, nem os exames. Passei as mãos no cabelo e eu queria malditamente chorar por estar tão nervosa, a garota podia morrer nas minhas mãos no meu primeiro dia. No meu maldito primeiro dia. Eu estava aqui para salvar vidas e não tira-las.
“Chamem o Dr. Masen novamente, rápido, por favor!” Os batimentos cardíacos dela estavam abaixando cada vez mais, sua pressão 70x44mmHg. Eu estava paralisada e apavorada. O monitor cardíaco parou, o coração dela tinha parado. Ela estava tendo uma parada cardíaca. Merda! Eu não podia deixar aquela menina morrer, a família dela estava lá fora, esperando por ela, confiando em nós.
“O coração está parando, código azul, código azul.” mais da metade dos enfermeiros saíram correndo gritando código azul. O enfermeiro que estava do lado dela olhou para mim como se me culpasse de alguma coisa, mas ele também parecia perdido. Porra, era o meu trabalho! Eu tinha que malditamente parar de ser a garotinha frágil e vestir a minha calcinha de menina grande.
“Peguem o desfibrador, rápido, rápido.” Menos de cinco segundos alguém chegou com o desfibrador, corri para o lado da Kate. “Carrega em 200.” Descarreguei sobre o seu tórax, olhei pra ela e para monitor. Nada. “Carrega em 300, afastem-se.”
“Estamos perdendo ela.” alguém sussurrou e eu me senti flutuando naquele momento, e com certeza, não era uma sensação boa,
“Carregue em 370. Agora!” Nada adiantava, o enfermeiro continuava com o oxigênio. “Vamos lá Kate, reaja, por favor, por favor.” Surrei, estávamos em 32 segundo sem os batimentos, eu tinha que malditamente usar outra droga. “Carregue de novo, 370 novamente!” Os enfermeiros se entreolharam e assim que descarreguei nela, seus batimentos foram voltando ao normal. A respiração que eu prendia se soltou. Agora era o meu coração que estava descompensado.
“A pressão sanguínea está fluindo, temos ela novamente.” O enfermeiro olhou pra mim e deu um pequeno sorriso aliviado, eu ainda estava em choque. Olhei para a maquina, sua pressão estava se normalizando e os batimentos também. Ele continuava com o oxigênio e o resto das pessoas saiam levando o desfibrador. Eu estava paralisada olhando pra tudo isso um pouco apavorada. As imagens passavam na minha cabeça como um filme e eu me perguntei o que faria se ela tivesse morrido, pela minha falta de bom senso. Eu estava tremendo, literalmente, e ao menos tempo eu estava paralisada, mal conseguia sair do lugar. Eu queria vomitar.
“O que diabos aconteceu aqui?” Edward entrou na sala correndo puxando os cabelos e olhando para Kate e pra mim. Ele parecia furioso.
“Ela teve outra convulsão e um ataque do miocárdio.” Ele trincou os dentes e foi até ela empurrando o enfermeiro de lado examinando-a. Eu estava parada ao lado oposto do dele.
“Eu mandei você cuidar dela, monitora-la. Inferno, não sabe fazer nada direito Dra. Cullen? Se formou onde, em algum curso online?” ele não olhava pra mim apenas falava com um tom hostil e grosseiro. Dei uns passos para trás e me senti tremendo novamente.
“Eu estava checando ela, o dia todo eu só fui...” ele levantou a mão na minha direção, no claro sinal para que eu calasse a boca.
“Sai já daqui! Já cheguei, fique na emergência com os outros internos. Não preciso mais de você. Incompetente.” Olhei na sua direção por um momento antes de sentir meus olhos ardendo, ninguém nunca, jamais, tinha falado comigo daquele jeito. Ele era idiota, arrogante e anti-hético. Eu estava um pouco paralisada tentando compreender aquilo. Tudo para mim parecia um pouco assustador. Ele me encarava com a sua sobrancelha arqueada, como se a qualquer segundo ele fosse gritar comigo de novo. Respiro fundo algumas vezes antes de sair dali. Eu me sentia orgulhosa de mim mesma por conseguir andar. Fiquei por cinco minutos ao lado da máquina de doces, eu ainda estava nervosa. Sobre tudo. Eu sentia uma enorme vertigem.
“Tudo bem Bella? Você parece pálida.” Alice parou do meu lado e colocou a mão no meu ombro. Tento parecer decente e lhe dou um sorriso, que sinto sair como uma careta.
“Eu estou cansada, estou há dez horas em pé, quase matei uma menina e o Dr. Ego grande acabou de me dar uma bronca.” Alice fez uma careta e encolheu os ombros.
“Sinto muito Bella, ele grita com todo mundo. É o nosso primeiro dia, coisas erradas podem acontecer. Eu queria chutar o saco dele, mas provavelmente eu perderia minha licença médica.” Ela dá um pequeno sorriso e antes que eu falasse mais alguma coisa, fomos bipadas.
Na emergência todos pareciam um bando de urubus tentado pegar o caso mais sério. Mas eu gostava daqui, era uma correria relativamente grande, Dr. Ego grande não ficava gritando o tempo todo e a maioria dos pacientes eram gentis. Eu queria fazer parte do caso da Kate ainda, gostaria de descobrir qual era o problema dela, por que os exames não apontavam nada, mas aparentemente Edward não me queria mais no caso. Peguei o prontuário de um homem esfaqueado na coluna pela própria esposa, eram cortes superficiais que só precisavam de alguns pontos. Fiz as suturas enquanto mantínhamos uma conversa sobre o que tinha acontecido, e ele apenas parecia muito bêbado enquanto me fazia rir, solicitei um radiograma da coluna, apenas para ter certeza que não atingiu nenhum musculo. Os internos do nosso grupo foram chamados à sala de reuniões o que atiçou a curiosidade de todos nós. “Cara eu segurei um coração hoje, vocês têm ideia da sensação de entrar em uma sala daquela, e pegar em um coração de verdade?” Emmett divagava sonhador. Certamente ele teve um dia de muitas aventuras hoje, diferentemente de mim.
“Não se gabe tanto Dr. McCarty, tenho certeza que nada é mais emocionante que toques retais.” Mike ironizou. Bebi meu café e sorri.
“Oh, tem sim, trabalhar em um caso com o Dr. Ego grande!” sussurrei, antes que alguém falasse alguma coisa ele entrou na sala. Pela minha visão periférica vi Emmett revirar os olhos e Mike bufar. Os olhos cor de jade dele vieram automaticamente até mim, ele que vá pro inferno. Aquele arrogante de merda! Revirei os meus olhos e voltei a minha atenção para o meu copo de café, ele era mais atrativo que o cirurgião arrogante na minha frente.
“Vou fazer algo muito raro para um cirurgião, vou pedir ajuda aos meus internos, como vocês sabem estou com Kate Deville que até agora é um mistério. Ela não responde a nenhum medicamento, os exames estão limpos, mas ela está tendo convulsões sem causas visíveis. É aí que vocês entram, eu preciso que vocês achem a causa da doença o mais rápido possível. Banquem os detetives, se virem, como eu sei que vocês parecem urubus na carniça, quem encontrar o problema dela irá comigo na cirurgia e os deixo auxiliar. Vocês terão o que nenhum interno já teve, ajudar em um procedimento avançado. Tem uma ficha sobre o caso dela para cada um. Me mostrem que vocês não passam de um bando de universitários mijões e medrosos.” Então ele saiu, ainda olhando pra mim, qual era ao problema dele afinal?
“Cara, eu quero ir nessa cirurgia.” Emmett correu para pegar a ficha que Edward deixou em cima da mesa.
“Essa é minha!” Mike também pegou uma cópia e saiu da sala.
“Então lá vamos nós.” Sussurrei para Alice que sorriu e me entregou uma ficha. Eu adoraria descobrir o que Kate tinha e mostrar ao Dr. Ego grande onde eu realmente me formei e fazer ele me pedir desculpas por ser tão arrogante.
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