Entre Médicos
3 Capítulo 03
Notas iniciais
Seattle, Washington
Isabella Cullen
“Preciso de um café, muito forte!” Deixei minha testa cair sobre o punhado de livros na mesa, eu tinha lido por sete horas seguidas, revisado mais livros do que já pensei ser capaz. A biblioteca do Seattle Grace poderia ser facilmente comparada com a de alguma universidade. Mas claro, é um hospital cheio de internos, residentes e médicos devorando informações o tempo todo. Eu adorava ler, amava cada pagina da anatomia humana, mas era frustrante não encontrar o que se procura. Emmett estava sentado no chão, no canto da sala silenciosa, rodeado por livros e doces, muitos doces, me impressionava ele não ficar imperativo com a quantidade de glicose no sangue. Segundo ele, funcionava para o cérebro. Alice estava sentada do meu lado, com óculos de grau grandes e rosa, mas aparentemente, segundo ela, na moda.
“Seu pedido foi atendido.” Mike colocou em cima da mesa uma bandeja de isopor com quatro copos. O cheiro da cafeína me fez sorrir um pouco.
“Eu te amo Mike. Amo mesmo.” Alice gemeu pegando um dos copos e bebericou a bebida. Mike lhe lançou um sorriso torto e uma piscadela, me fazendo rir. “Eu não vou transar com você por um simples café, esquece.” Ele revirou os olhos e se sentou ao lado do Emmett, levando um copo para ele e outro para o Dr. Armário. Mike pegou um dos seus caramelos e Emmett fez uma careta.
“Me sinto na faculdade.” Emmett choramingou como uma criança, quase me fazendo rir.
“Somos médicos Emmett, nunca paramos de estudar. Acostume-se.” Sussurrei tomando meu café sem tirar os olhos do meu livro.
Me peguei pensando tudo que já tinha estudado sobre neurologia nos últimos tempos, as tomografias não mostraram nada, sua cabeça estava limpa e saudável. “Ela não tem ingerido drogas, não tem nenhum tumor, ela não sente dor de cabeça. Todas as malditas possibilidades esgotadas. Ótimo.” Emmett resmungou outra vez enchendo a boca de balas. Suspirei profundamente e afundei minhas mãos nos meus cabelos, fechando meus olhos e tentando focar em todos os últimos acontecimentos, talvez eu tivesse deixado passar alguma coisa. Há algumas horas ela estava reclamando que não participaria de uma apresentação idiota de balé por que caiu e torceu o tornozelo, que pra ela, parecia ser muito importante, e agora ela podia morrer, simplesmente morrer, sem nunca ter feito a sua maldita apresentação. Peguei o prontuário dela e levantei da mesa ainda com o meu café na mão.
“Onde você vai?” Alice olhou pra mim assim como os garotos. Dou de ombros mordendo o lábio em seguida.
“Vou ver a Kate, e fazer algumas perguntas, talvez com sorte, eu consiga alguma coisa.” Assentiram e andei pelo hospital olhando para todos os lados para não ver o Dr. Ego grande por perto, eu não queria vomitar agora, por que essa era a única sensação que ele me causava. Olhei pelo vidro da porta do quarto dela e não tinha ninguém, Kate assistia televisão e nem sequer olhou pra mim quando entrei. “Oi Kate, você está bem?” ela virou a sua cabeça na minha direção e incrivelmente me deu um pequeno sorriso, aquilo não parecia normal dela, Kate não sorria, ela só resmungava.
“Você tem sorte.” Ela falou com um tom invejoso mais ainda sorrindo, fiz uma careta e fui olhar seu soro.
“Do que você está falando?” ela revirou os olhos como se eu fosse burra.
“Do Dr. Masen, meu Deus, ele é sexy, doce, gentil, e muito prestativo, lindo e muito quente, eu já disse que ele é sexy? Porque Deus, ele é.” Peguei seu prontuário e olhei os remédios que ela tinha tomado recentemente, nada de anestesias nem morfinas, ela não parecia estar delirando, mas com certeza estava, talvez fosse pela doença. Ou talvez Dr. Ego grande arrogante, tinham um irmão medico ou o pai dele trabalhava aqui, outro Masen, não ele.
“Do que você está falando Kate, de que Dr. Masen você está falando?” ela revirou os olhos pra mim de novo como se eu fosse demente e de certa forma eu estava me sentindo uma.
“Edward gostoso Masen, o meu médico.” Seu sorriso era sonhador, a garota estava alucinando, com certeza. Mas possivelmente, tinha a possibilidade dele odiar apenas os internos. A fama dele aqui no hospital não era das boas, porra, ele tem o apelido de Hitler, isso é doentio.
“Tudo bem, eu só vim dar uma passada rápida e saber mais um pouco do seu tombo no balé, foi muito grave?” ela fez uma careta e estreitou os olhos pra mim. Aquilo não parecia ser importe, mas qualquer pequena coisa não poderia passar despercebido.
“Não muito, caí, bati a cabeça, torci o tornozelo, fui pro hospital, mas o médico só imobilizou o meu pé. Por quê?” aos poucos um pequeno sorriso se formou nos meus lábios e eu queria realmente, realmente sorrir, mas mordi a parte de dentro da bochecha, tentando não parecer ridícula na frente dela.
“Nada, vou falar com o Dr. Gostoso então.” Ela sorriu pra mim e retribui. Aneurisma, ela podia estar com aneurisma cerebral, ela caiu, bateu a cabeça, pensou ser uma quedinha atoa, mais não era. Como isso não tinha passado pela minha cabeça ainda, era isso, a única fodida explicação. O médico nem sequer tinha feito algum exame. Ela precisava de uma angiografia. Eu tinha que achar o Dr. Ego e fazer com que ele autorizasse o exame. Seria praticamente impossível acha-lo por todo esse hospital. Fui até a enfermeira chefe e lhe perguntei onde o suposto Dr. Sonhos estava. Eu não fazia ideia por que elas o chamavam assim, ele não era o meu homem dos meus sonhos de forma alguma, nunca! Ele era ao contrario do que eu julgava homem dos sonhos.
“Bella, onde você vai com tanta pressa?” Alice seguida por Emmett pararam na minha frente me fazendo parar de andar, ou correr. Eu ainda sentia o sorriso demente nos meus lábios e eles aparentemente notaram.
“Atrás do Dr. Masen, vocês não deviam estar na biblioteca estudando ou na emergência?” continuei meu trajeto e eles continuavam me seguindo.
“Sim, mas fomos procurar você no quarto de Kate e ela disse que você estava indo procurar o Dr. Masen. Descobriu alguma coisa?” olhos de Alice brilhavam e o seu sorriso também, Dr. Armário ainda mastigava algum dos seus doces e parecia divagar. Eu meio que gostava de Alice, ela parecia ser do bem.
“Aneurisma. Ela me disse que na aula de balé caiu e bateu a cabeça. Pode ter afetado.” Emmett sorriu e revirei os olhos, Alice arqueou uma sobrancelha pra mim.
“Isso é quase impossível Bella, uma quedinha fazer isso. Você sabe.” Sorri ainda mais e coloquei as mãos no bolso do meu jaleco enquanto balançava a cabeça negativamente.
“Mas é possível, não é uma ideia descartável.” Enquanto eu quase corria pelos corredores eles me seguiam sem falar nada. Assim que chegamos ao refeitório analisei o ambiente minimamente a procura de cabelos acobreados. Descartei as mesas com mais de uma pessoa, ele não era do tipo que tinha amigos, ninguém o aguentaria, eu ficaria admirada dos seus pais o amarem, era uma ideia estupida, óbvio que o amavam, mas com certeza não eram orgulhos do filho mal criado. E eu estava certa, afinal de contas, ele estava sentado sozinho em uma mesa distante das outras, seus olhos concentrados em um livro enquanto ele mastigava alguma coisa, alheio a qualquer um que passasse por ele, respirei fundo algumas vezes antes de fazer o meu caminho até ele, minhas pernas tremiam um pouco, respirei fundo três vezes antes de finalmente me aproximar. “Dr. Masen.” Seus olhos lentamente deixaram o seu livro grosso e vieram até mim, engoli em seco. Esse homem tinha a capacidade de me deixar apavorada com um simples olhar, ele fazia todos os pelos do meu corpo de eriçarem e não de uma maneira boa. Eu sentia que Brandon e McCarty ainda estavam atrás de mim, só que bem mais afastados, provavelmente com medo de serem repreendidos ou humilhados na frente de todos do refeitório.
“O que está fazendo aqui? Espero que seja algo realmente importante para estar me incomodando na hora da minha refeição Dra. Cullen.” Sua voz era rouca e rude, muito rude, como se ele estivesse falando com a pessoa que matou seu cachorro, o que ele provavelmente não tinha, um homem como ele não devia ter um cachorro também, ao menos que o animal o mordesse na canela por ser tão grosso e estupido, se eu fosse cachorra dele certamente morderia suas bolas. Que merda de pensamento é esse Isabella, por Deus.
“Aneurisma, ela caiu e bateu à cabeça na aula de balé semana passada, ninguém fez nenhum exame sobre isso, logo depois ela começou a ter as convulsões. Podemos fazer uma angiografia, se o senhor autorizar.” Ele passou tempo de mais olhando pra mim e eu mastiguei meu lábio, era a minha mania quando eu estava nervosa ou em uma situação pouco agradável, como está. Ele fechou o seu livro e vi seus dedos longos e elegantes batucarem a mesa, ele tinha belos dedos, dedos muito longos, belas mãos para um cirurgião. Ele fazia milagres com aqueles dedos dentro dos cérebros das pessoas.
“Sabe o quando isso é improvável Isabella? Aneurismas não acontecem por uma simples queda. Não me faça perder tempo, com suas suposições.” Ele revirou os olhos, ele revirou os olhos pra mim e voltou a sua refeição como se eu não tivesse dito nada. Como eu o detestava. Porra! Eu queria que ele engasgasse com a porcaria da sua comida e eu com certeza puxaria uma cadeira para assistir.
“Eu sei Dr. Masen, você é o especialista o grande neurocirurgião do Seattle Grace, nada escapa dos seus olhos. Mas francamente, você não descobriu nada, nem os meus colegas, qualquer pista. Nenhum exame mostra nada de anormal na paciente. O senhor pediu nossa ajuda e eu estou com a possível solução e não vai fazer nada? É só mais um dos vários exames que ela fez. Não fique sentado aí esperando aquela garota morrer.” Ele lentamente olhou pra mim sobre cílios e eu senti a minha respiração faltar. Tudo bem, eu tinha o total de zero controle sobre a minha boca. Edward parecia estar em uma disputa consigo mesmo, discretamente olhei para o lado e vi Alice cochichar algo para Emmett que encolheu os ombros, eles deram um passo para trás. Eu continuei na minha posição, cruzei meus braços e arquei uma sobrancelha pra ele, eu sei, estava sendo atrevida, mas era importante.
“Espero que não esteja me fazendo perder tempo.” Ele levantou tão rápido da cadeira que ela quase caiu para trás, ele caminha rápido, com seu livro debaixo do braço e passos firmes no chão, eu passei por Alice e Emmett que fizeram uma careta antes de sair correndo atrás de nós dois. Era impossível seguir o Dr. Ego, sua mão esquerda não saia da sua bagunça iminente em cima da cabeça. Deus, queira que eu estivesse certa. Não queria ouvir mais gritos e xingamentos por hoje. Ele não esperou que eu e meus colegas entrassem no mesmo elevador que ele, assim que chagamos ele fechou as portas sem olhar para nós.
“Que estupido!” Grunhi, a cada segundo que eu passava ao seu lado eu o odiava mais, ele era tão estupidamente grosso e arrogante, aquele babaca sequer nos conhecia.
Fomos pelas escadas até o andar dos exames eu o esperaria por lá, quanto menos contato com aquele estupido, melhor. Meus colegas ainda me seguiam como se eu estivesse prestes a descobrir a cura do câncer. Chegamos na sala de exames e quinze minutos depois ele entrou, duas enfermeiras empurravam a marca de Kate até a maquina do exame. Dr. Ego sentou-se na frente do computador, eu não tirava os olhos da tela assim como o Dr. Ego e Alice. E ali estava ele, o aneurisma, pequenininho, quase imperceptível. Eu queria gargalhar e dançar bem na cara daquele idiota, mas eu não podia.
“Ali está ele, pequeno, mas notável. Impressionante.” Ele parecia bastante interessado, dei um pequeno sorriso de lado e Alice também sorriu pra mim dando uma piscadela. Eu estava orgulhosa de mim mesma. Eu tinha superado as expectativas do cirurgião idiota. “Bem, é um aneurisma, vamos operar, Dr. McCarty prepare a sala três e se prepare pra me auxiliar.” Arregalei meus olhos assim como meus colegas, Dr. Ego ficou de pé e saiu da sala.
“Você não pode fazer isso, disse que quem descobrisse iria auxiliar você na cirurgia, não pode fazer isso!” Ele parou no meio do corredor e se virou pra mim, olhos semicerrados e um sorriso prepotente no rosto.
“Você descobriu, talvez por sorte ou apenas para aumentar o seu próprio ego, eu não vou te dar os parabéns por isso, fez sua obrigação. Não vou deixar você entrar nessa cirurgia comigo Dra. Cullen, você ficou parada por minutos vendo a sua paciente morrer, ela teve uma parada cardíaca por sua culpa, é incompetente, não preciso de incompetentes na minha sala de cirurgia. Não vou deixar você matar minha paciente.” Então ele saiu, caminhando como se fosse Deus. Fiquei petrificada no mesmo lugar por minutos, nunca imaginei que meu primeiro dia fosse tão difícil e complicado. Talvez não seria se tivesse pegado outro chefe. Ele desmerecia o meu trabalho. Isso não era justo, nenhum pouco. Eu odiava aquele grande babaca de merda!
“Sinto muito Bella, o caso era seu, mas ele é o chefe.” Emmett colocou a mão no meu ombro e lhe dei um sorriso significativo antes de sair andando rápido, passei pelos corredores vazios assim como a minha mente. Em um corredor abandonado tinha macas quebradas e paradas em uma grande fileira, eu só queria dois minutos de sossego para pensar. Me joguei em cima de uma das macas e fechei os olhos por segundos.
“Bella você está bem?” Mike estava deitado em uma das macas ao meu lado e eu nem tinha o visto, ele estava rodeado de livros e uma grande porção de copos de café.
“Não precisa mais quebrar a cabeça, já descobriram o problema de Kate.” Respirei fundo e mordi meu lábio na vaga tentativa de não chorar. Tudo que eu quero é ser uma boa profissional e fazer o meu trabalho direito, mas com aquele filho da puta, isso certamente não aconteceria.
“Não brinca, quem descobriu?” ele se sentou rapidamente e arregalou seus olhos pra mim, cheios de olheiras, e nosso plantão mal tinha começado.
“Eu.” Sussurrei rindo da minha própria voz falha. Eu queria por tudo chorar e talvez assim, aquilo melhorasse e me fizesse seguir o meu plantão tranquilamente. Merda. A felicidade que eu estava no momento em que coloquei os meus pés nesse hospital, já tinha ido embora há algum tempo.
“Então por que não está se preparando para a cirurgia? O que ela tem? Não é cirúrgico?” Sorri e balancei a cabeça negativamente.
“Aneurisma, ela tinha caído há uma semana. Quem vai auxiliar o Masen na cirurgia é o Emmett. Não me pergunte porque, o homem me odeia.” Ele jogou a sua cabeça na parede assim como eu e deu uma longa e profunda suspirada.
“Emmett é um puta sortudo, duas cirurgias no primeiro dia, caralho. Primeiro um coração, depois um cérebro.” Ele tinha razão, pegar em um coração e um cérebro no primeiro dia de interno não é pra qualquer um. A sensação que eu tinha era que nunca iria entrar em uma sala daquelas algum dia, que eu jamais iria auxiliar alguém, por que o Dr. Ego iria acabar comigo para todos os outros cirurgiões. Aquilo estava sendo muito mais difícil do que eu pensei que seria. “Você salvou a menina Bella, você descobriu, devia estar feliz só por esse fato. Salvou a vida de uma menina no seu primeiro dia, eu não passei do cara que faz toques retais.” Ele sorriu e eu acompanhei. Mike também parecia ser do bem, mesmo um pouco atrapalhado era um rapaz do bem. Mas ele tinha razão, Edward Masen podia bancar o cirurgião bonitão, mas quem tinha descoberto a doença da paciente tinha sido a interna burra. Antes que eu falasse mais algumas coisa meu pager bipou. Dei um sorriso para Mike e sai correndo até emergência.
[...]
Às 48 horas tinham acabado, finalmente, eu estava totalmente pronta para ir pra casa curtir o meu filho e ter uma noite tranquila de sono. A cirurgia de Kate tinha sido bem sucedida, Emmett ficou para cuidar do seu pós-operatório, o resto de nós passamos o restante das horas na emergência, suturando, fazendo exames e traumas mais leves. Não vi o Dr. Ego grande por todo o meu plantão, o que foi extremamente bom, não estava preparada para ver aquele homem de novo, não por agora. Por mim ele podia ir diretamente para o inferno que eu não ligaria. “Finalmente, nosso primeiro plantão concluído com sucesso.” Emmett se vangloriou enquanto se vestia, eu não pude deixar de olhar seu abdome, era um bom abdome, diria exagerado, mais admirável.
“Fale por você, estou morto, vou de taxi pra não dormir na direção, eu não durmo há dois dias, quando eu chegar em casa vou dormir até amanhã.” Mike estava mesmo mal, ele cochilava no seu armário, eu também estava exausta tudo o que eu queria era um dia todo de sono. Mas eu não tinha, minha prioridade era o meu menino. Nós quatro saímos do vestiário juntos, cada um com sua própria história hospitalar no primeiro dia.
“Foi bom conhecer vocês, até mais. Preciso do meu sono perdido.” Alice me deu um beijo no rosto e acenou para os outros enquanto saltitava até o seu carro extremamente chamativo, eu não sabia a história real de nenhum deles, mas pelo Porsche amarelo de Alice, eu tinha uma leve ideia que ela era a mais afortunada de todos nós. Despedi-me dos outros com acenos e fui em direção ao meu carro.
O trajeto até a minha casa não foi rápido, estava exatamente na hora do rush. E eu me pegava fechando os olhos vez ou outra. Quando finalmente estacionei meu carro na garagem suspirei longamente. Peguei a minha mochila no banco e andei calmamente até a porta que levava á cozinha. Eu estava cansada, exausta com sono e frustrada, mas mais que tudo isso eu estava morrendo de saudades do meu filho. Assim que passei para a sala vi Jane deitada no sofá, enrolada com edredons e assistido algum filme. Eram oito e quarenta da manhã, Noah provavelmente só acordaria depois das dez.
“Jane, bom dia! Tudo bem?” ela olhou pra mim e sorriu.
“Bom dia Bella! Tudo ótimo. Então, como foi? Não foi tão ruim certo? Minha irmã no primeiro dia como interna chegou em casa literalmente chorando.” Sorri e me sentei ao seu lado podendo finalmente respirar calmante e fechar os olhos. Era a melhor sensação estar em casa, segura.
“Além de um chefe irritante e extremamente grosseiro, foi tudo bem, eu acho.” Ela sorriu e voltou sua atenção para a televisão, passava um filme, aparentemente de romance. “Como o Noah se comportou?”
“Ele foi ótimo Bella, na verdade ele é ótimo, o pai dele liga duas vezes ao dia, e eles passam meia hora conversando. Fofo.” Soltei um longo suspiro e um sorriso em seguida, Noah amava incondicionalmente o pai dele, e eu sinceramente, adorava essa ligação que ambos tinham um com o outro.
“Obrigada Jane, por tudo.” Jane passou mais cinco minutos antes de ir embora dizendo que voltava amanhã à noite.
Subi as escadas correndo indo até o quarto do Noah, seus brinquedos estavam jogados no chão, tinha roupas pelo chão também, caminhei até ele e sorri ao ver meu filho dormindo tão calmamente, ele estava encolhido, com suas cobertas de dinossauro jogadas sobre ele, uma perna fora da cama e sua respiração uniforme, aquele era o melhor lugar no mundo pra mim, beijei seus cabelos e me deitei ao seu lado, abraçando seu pequeno corpo ao meu. Noah era tudo o que eu tinha agora, ele é a minha vida. Fechei meus olhos me perdendo no cheiro viciante que vinha dos seus cabelos, aquele cheirinho de neném tinha o incrível poder de me acalmar, ele mesmo inconscientemente conseguia tirar qualquer peso de mim. Noah era o meu solzinho particular no meio da tempestade. Me matava ter que ficar longe dele por tanto tempo, por mais que eu amasse o meu trabalho eu amava muito mais o meu menino, mais do que qualquer coisa nesse mundo. Por mais que eu quisesse tomar um banho o sono venceu e acabei dormindo agarrada ao meu filho, sentido o seu cheio único e infantil. Ele era a única coisa que me faria esquecer aquelas 48 horas.
Acordei com algo se mexendo do meu lado, soltei um grunhi rouco acompanhando por um longo suspiro, quando finalmente abri meus olhos não pude deixar de sorrir, Noah estava acordado, ele olhava pra mim sentado na cama, seus olhos estavam inchados e vermelhos e a cara amassada. Incrivelmente lindo. “Bom dia mamãe. Eu nem vi você chegando. Eu senti sua falta. Muita!” Sentei-me na cama tentado organizar meus pensamentos e acordar realmente, ainda me sentia um pouco sonolenta e verdadeiramente cansada, a empolgação dele era tanta que não pude deixar de sorrir ao ver seu belo sorriso no seu rosto amassado. Noah se jogos nos meus baços e sentou nas minhas pernas, com uma perna em cada lado do meu quadril. Ele me abraçou pelo pescoço e sorri enquanto apertava seu corpinho nos meus braços.
“Bom dia homenzinho. Cheguei agora de manhã. Senti muita a sua falta também filho. Então, o que vamos fazer hoje? Eu voto em dormir!” Gemi me jogando novamente em sua cama, ouvi sua doce gargalhada e ele sentou em cima da minha barriga, me fazendo olha-lo e sorrir.
“Já dormimos muito mamãe, tem que levantar dorminhoca.” Ele fez uma tentativa fajuta de me fazer cócegas na minha barriga, mas eu não diria a ele que eu não sentia nada, então comecei a gargalhar.
“Você tem razão, estou mesmo uma dorminhoca.” Parei de rir quando suas pequenas mãos foram para o meu rosto e ele me deu um beijo molhado na testa. Porra. O meu pedacinho azul era o garoto mais incrível do mundo todo e com ele, eu me sentia completa, como se não faltasse mais nada no nosso mundinho perfeito.
“Vamos a algum lugar legal pra brincar mamãe, depois nós vamos montar o meu vídeo game, tomar sorvete e comprar chocolates. E você vai jogar comigo e depois vamos assistir desenho até tarde, porque hoje eu não vou dormir, vamos passar a noite acordados.” Sorri da empolgação iminente e fiz uma careta com seu dia cheio de atividades, ele falava uma palavra em cima da outra sem tempo até mesmo de respirar. Do seu dia, a única coisa que realmente me chamou atenção foi à parte de passar o dia embolados no sofá assistindo desenho, por mim, começaríamos a fazer isso agora mesmo.
“Ótimo, vamos fazer tudo isso, primeiro vamos tomar um banho e almoçar, tudo bem?” ele assentiu beijando minha bochecha novamente, Noah era o garotinho mais carinho que já conheci, e eu simplesmente amava aquilo nele, garotos geralmente não eram assim.
“Você abriu alguém mamãe? Salvou muitas vidas?” Me lembrar disso me fazia lembrar do hospital e hospital me trazia lembranças nada agradáveis do Dr. Ego. Eu apenas me perguntava como alguém conseguia ser tão da manhã como ele, para Noah não tinha hora ruim, ele sempre estava empolgado e feliz, o que era bom na verdade.
“Não abri ninguém Noah, mas salvei vidas sim, uma garota em especial e eu estou feliz por isso.” Lhe lancei um sorriso ao lembrar da Kate, ela provavelmente ficaria bem.
“Legal!” Noah saiu pulando até o banheiro me fazendo rir. Eu amava passar qualquer quantidade de tempo com ele. Jogo-me na cama novamente, olhando para o teto branco e me sentindo um pouco sonolenta, merda, eu adoraria passar o resto dia dormindo, era tudo o que eu precisava, realmente era. Mas a minha realidade era um garotinho de cabelos loiros que tinha uma energia extraordinária, e um dia cheio de planos. Peguei meu celular que estava ainda no meu bolso apenas para ver as horas. Passava um pouco do meio dia, ao menos eu tinha dormido um pouco.
Pelo resto do dia eu consegui apenas engana-lo com atividade dentro de casa, montamos o seu vídeo game, jogamos um pouco e deixei ele ganhar de mim todas as vezes, tecnicamente eu não deixava, mas eu fazia a minha consciência acreditar fielmente nisso. Assistimos desenho pelo resto do dia, jogados no sofá com uma coberta por cima de nós, e agradeci pela chuva forte lá fora não colaborar na nossa saída. Eu ainda não tinha tido minhas horas consideráveis de sono. Ele não parava de dizer o quanto gostava de Jane e aquilo me agradava. Quando a noite chegou, pedimos uma pizza e comemos assistindo Meu malvado favorito. De novo. Noah parecia estar falando sério sobre passar a noite acordado, o medo que ele conseguisse me invadiu totalmente, ele nunca tinha acordado tão tarde, uma hora e meia da manhã ele apagou no sofá enquanto passava algum desenho bobo na TV. Eu sorri seguindo com ele para o seu quarto. Quando finalmente deitei na minha cama, tudo o que fiz foi agradecer por poder ter uma noite de sono.
“Mamãe, mamãe, mamãe, você tem que ver o sol lá fora, está forte, eu nunca vi o sol tão forte assim, muito forte, vamos ao parque, acorda mamãe, mamãe!” Abri meus olhos com dificuldade pela luz forte que irradiava pela janela do quarto, Noah pulava na cama como um macaco, quase em cima de mim, ele ainda estava de pijama e muito animado. Ele pulou em cima de mim e eu gemi com o seu peso, não pude deixar de gargalhar com sua empolgação, mesmo não querendo realmente sair de casa. “Vamos, vamos, vamos tomar sorvete e eu vou poder brincar, e tirar algumas fotos pro papai.” Me rendi sentado na cama com ele ainda no meu colo de frete pra mim. Seus pequenos olhos azuis estavam claros como o céu hoje e o seu sorriso tão grande como eu nunca vi.
“Tudo bem, vá escovar os dentes, colocar uma roupa e espere a mamãe lá em baixo.” Ele balançou a cabeça mais vezes que pude contar e saiu correndo. Ele estava tão animado, eu adorava ter essa quantidade de tempo com ele, mesmo eu tendo que ir ao hospital a noite tentaria ao máximo poder curtir o meu menino o dia todo. Tinha uma carga horaria de oitenta horas semanais, ainda tinha mais trinta e duas horas a serem cumpridas. Tomei um banho frio, hoje estava estranhamente quente. Coloquei uma regata preta, calça jeans clara, e o meu par de all star, deixei meu cabelo solto e corri escada a baixo como uma criança, nada como uma boa noite de sono, mesmo um pequeno garoto de cabelos loiros ter me acordado as sete e meia da manhã. Sorri ao ver Noah na janela admirado com o sol estava forte, Forks não era uma cidade clara e muito menos Seattle, por isso ele estava intrigado e completamente empolgado. Preparei nosso café da manhã e notei que Noah quase não comeu nada, ele estava elétrico e ansioso.
Quando saímos de casa não eram nem oito e meia, dirigi por quinze minutos até estacionar em frente à praça mais próxima da minha casa. Era grande e verde, tinha alguns brinquedos, um lago, pessoas caminhando e muitas crianças. Noah saiu correndo do carro como um lunático que nunca tinha visto tanto verde. Ele correu até a parte dos brinquedos e eu sentei em um banco bem próximo. Eu ainda estava com sono, mas era bom pegar um pouco de sol, senti-lo entrar pelos poros, era algo tão raro que parecia que a metade da população de Seattle estava aqui. Noah brincava no escorregador com outras crianças, eu estava ansiosa para que ele começasse a escola logo, assim ele poderia fazer novos amigos e começar com a sua interação social, eu esperava de coração que ele fosse tão bom em fazer amigos quanto seu pai, se o pobre garoto fosse como eu, ele faria seu primeiro amigo na ensino médio. Fechei os meus olhos por vários minutos sentindo o vento bater no meu rosto e a quentura do sol na minha pele, era uma sensação tão boa. Abri meus olhos apenas para dar mais uma olhava em Noah que agora corria com um punhado de outras crianças e eu sorri, ele puxou ao pai, graças a Deus por isso, ele tinha que se divertir um pouco. Olhei para o outro lado e antes que eu fechasse os meus olhos novamente, Edward Masen estava correndo na minha frente. Santo Deus da misericórdia. Ele era sexy. Sexy no uniforme azul. Sexy com um jaleco. Mas nada, nada era comparado ao Dr. Ego de bermuda larga, um par de tênis e uma camisa no ombro. Suas penas eram definidas e firmes, enquanto ele colocava uma a frente da outra para a sua corrida, elas se contraiam mostrando levemente os seus músculos. Seu abdome, Deus, que abdome, ele não era grande como Emmett, mas o homem tinha todos os músculos no lugar certo, sua barriga com alguns gominhos, os peitorais definidos, com mamilos rosados, completamente suado, gotículas de suor escorriam pelo seu peito até a barriga. Edward era tão branco e pálido que o sol que refletia nele, quase o fazia brilhar. Ele estava com fones de ouvido. Seus cabelos nunca estiveram tão revoltos apontados para todos os lados. Sua mandíbula travada e com uma leve camada de pelos no rosto. E seus olhos estavam em mim, ele me encarava e vinha na minha direção. Arfei como nunca quando o Dr. Ego grande parou na minha frente com um sorriso torto que eu nunca tinha visto. O que esse homem queria agora?
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