Entre Irmãos
5 Capítulo 5: O Outro Lado da Saudade
O aniversário de seis anos de Mia se aproximava como uma nuvem cinzenta para Loren. Para ela, cada celebração era um lembrete cruel de que James não estaria na foto para apagar as velas. Sua intenção era passar o dia de forma discreta, apenas um bolo pequeno e o silêncio que ela já dominava tão bem.
Mas Elijah tinha outros planos.
— Ela merece um dia em que o luto não seja o convidado de honra, Loren — ele disse, com aquela calma persistente que a desarmava. — Deixe-me cuidar de tudo. Só desta vez.
Loren cedeu, mais por exaustão do que por vontade. E, no sábado seguinte, o quintal que Elijah havia recuperado estava transformado. Balões lilás e brancos balançavam suavemente sob o arco de flores, e o cheiro de pipoca e doces preenchia o ar.
A festa estava cheia. Os pais de Loren circulavam com sorrisos aliviados, enquanto os pais de James e Elijah observavam os netos com uma ternura que Loren não via há meses. Sua irmã, Bianca, que sempre teve um faro apurado para homens interessantes e complicados, não perdia uma oportunidade de se aproximar de Elijah.
— Você ficou ainda melhor com esse uniforme de "herói da família", Elijah — Bianca disse, encostando-se no balcão enquanto ele servia bebidas, jogando o cabelo para o lado com um sorriso sugestivo.
Elijah mal desviou o olhar das garrafas.
— O uniforme é só uma roupa, Bianca. E eu estou ocupado agora. Com licença.
Ele se afastou com uma polidez gélida, deixando-a falando sozinha. Loren, observando de longe enquanto fingia ajeitar os doces, sentiu um estranho e incômodo aperto no peito que não soube identificar.
Em um canto do jardim, Loren viu seus sogros, os Mackenzie, segurarem as mãos de Elijah.
— Obrigado por voltar, meu filho — disse o pai de James, com a voz embargada. — Não sei o que seria desta casa, de Loren e das crianças, sem você.
Até seus próprios pais se aproximaram, tocando o ombro de Elijah com gratidão.
— Você salvou o espírito dessa família, rapaz — seu pai afirmou.
Loren sentiu-se subitamente vulnerável. Era como se o mundo inteiro estivesse validando a presença de Elijah, enquanto ela ainda tentava manter as muralhas erguidas. Ver todos que ela amava tratando-o como o pilar da casa a fazia sentir-se pequena e, ao mesmo tempo, estranhamente protegida.
A noite caiu e os convidados se foram. As crianças, exaustas de tanta felicidade, já dormiam profundamente em seus quartos, cercadas por novos brinquedos. Restaram apenas Loren e Elijah no quintal silencioso, recolhendo os restos da festa sob a luz pálida da lua.
Loren guardava os últimos pratos de papel, mas seus movimentos eram lentos. A pergunta que ela vinha sufocando há seis anos finalmente queimou sua garganta.
— Por que você fez aquilo, Elijah? — Ela perguntou, sem olhar para ele.
Ele parou de recolher as cadeiras e fixou o olhar no horizonte.
— O quê?
— Por que você sumiu? — Ela se virou, a voz trêmula. — Por que foi embora naquele verão, sem se despedir, e nunca mandou uma carta? Por que nos deixou aqui, se sentindo como se você nos odiasse?
Elijah soltou um suspiro pesado, o tipo de som que carrega o peso de uma vida inteira de arrependimentos. Ele caminhou até a cerca, de costas para ela.
— Eu me sentia sozinho, Loren — ele mentiu, a voz soando rouca. — No meio de tanta alegria, de tanta perfeição que existia entre você e o James... eu não encontrava meu lugar. Parecia que eu era uma nota fora do tom em uma música perfeita. Eu me alistei e fui embora porque precisava de um lugar onde o silêncio fosse a regra, não a exceção.
Loren o observou, sentindo uma dor aguda por ele. Ela não viu o modo como os nós dos dedos dele ficaram brancos ao apertar a madeira da cerca.
Ela não sabia a verdade.
Elijah nunca contaria que o verdadeiro motivo de sua fuga não foi a solidão, mas o amor devastador e proibido que sentia por ela desde o primeiro dia em que James a apresentou à família. Ele não suportava ver a mulher que amava escolher seu irmão mais velho, viver uma vida de sonhos com ele, enquanto Elijah morria um pouco a cada jantar de domingo.
— Sinto muito que você tenha se sentido assim — Loren disse baixo, dando um passo cauteloso em direção a ele. — Mas você não está mais sozinho agora.
Elijah fechou os olhos, lutando contra o impulso de se virar e puxá-la para seus braços.
— É tarde demais para muitas coisas, Loren. Mas estou aqui agora. Isso tem que bastar.
Ele se afastou, deixando Loren sozinha no jardim sob as estrelas, sentindo que, pela primeira vez, a sombra de Elijah não era uma ameaça, mas um abrigo que ela estava começando a desejar, mesmo sem admitir.
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