Entre Flores e Sombras (Sebastian e Sam - Stardew)
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Mais uma manhã fria de outono começava.
Katarina preparou um café simples e se sentou para comer quando o celular vibrou.
Era Sam.
"Cheguei em casa. Obrigado por ontem... desculpa por tudo."
A mensagem era simples e totalmente "ele"... mas, por algum motivo, bateu diferente.
O peito dela apertou de um jeito que não era tristeza nem alegria. Era só... um calor inesperado.
Talvez por lembrar da forma como ele segurou a mão dela antes de dormir.
Talvez porque ele tentou ser forte demais, de novo.
Ela respondeu com alguns emojis animados, tentando agir com naturalidade.
Depois de terminar o café, prendeu o cabelo e saiu para cuidar da fazenda.
A rotina pesada de antes agora parecia diferente.
Quando chegou ao vale, Kat achava que precisava provar que aguentava tudo sozinha. Agora, a fazenda continuava exigente, mas já não era um monstro para domar. Era um lugar onde ela podia respirar — e onde descobriu que podia contar com seus amigos.
Enquanto tirava leite das vacas, lembrou de Sam tentando ajudá-la com a caminhonete.
De Abigail a puxando para dentro da cidade quando ela ainda se sentia perdida.
E das conversas longas com Sebastian, que a faziam enxergar partes de si que ela evitava.
E, por algum motivo, tudo isso pegou nela de um jeito novo naquele dia.
**
Já era começo de tarde quando Katarina finalizou todos as tarefas. Terminando de almoçar, ela foi direto para casa de Sam para ver como ele estava.
— Ah, oi Katarina! Pode entrar.
Era Jodi quem abriu a porta. Quando Kat perguntou sobre Sam, a mulher respondeu que ele estava no quarto, descansando. O Dr. Harvey recomendou um bom repouso para que ele melhorasse completamente.
A mãe do garoto ofereceu uma sobremesa para Kat, e as duas ficaram na sala de jantar conversando.
Com as mãos repousadas no colo, Jodi deu um sorriso fraco e começou:
— É legal que você sempre está por aí ajudando o meu menino. Obrigada por isso, Katarina.
A ruiva sorriu para ela, e a outra continuou, um pouco desanimada dessa vez:
— Talvez você entenda mais sobre meu filho do que eu mesma... — suspirou.
Katarina permaneceu em silêncio, um pouco triste pela situação. Jodi sempre estava muito atarefada cuidando da casa e dos meninos. Nem sempre podia oferecer todo o suporte emocional que eles precisavam.
Kat finalizou o pudim que estava comendo e disse:
— Por todo o tempo que passei com ele, posso te dizer que o Sam valoriza muito a família. Acredite, ele ama muito você e o Vincent. — a fazendeira deu um sorriso cúmplice.
— Eu sei disso. — Jodi retribuiu com um olhar terno. — Mas, bem, eu queria ser mais presente. Veja só... fui a última a chegar no hospital. — ela parecia chorosa.
Katarina pressionou os lábios, sem saber muito o que dizer. Ainda sim, tentou:
— Ele precisa de apoio. — deu uma pausa — Mas você já está dando seu melhor... não é facil.
Jodi assentiu, um pouco cabisbaixa, apoiando a cabeça em uma das mãos.
— Ele não tá sozinho. Tem muitas pessoas aqui que gostam e cuidam dele. — Katarina concluiu.
— Assim como você. — Jodi lançou um olhar que Kat não soube decifrar muito bem, mas ela corou um pouco ao pensar na ambiguidade daquela frase.
A ruiva ficou pensativa, as palmas das mãos suadas. Pensava nas memórias dos dois juntos...
De todas aquelas vezes em que se ajudaram sem esperar nada em troca.
O quase-pedido para um encontro.
O entrelaçar das mãos no festival.
O respirar juntos enquanto dormiam no hospital.
O coração da fazendeira acelerava. Jodi parecia ler os pensamentos dela, pois disse:
— Ele também parece gostar muito de você. — sorriu, certa do que dizia. Ela estava sempre notando tudo sem ser percebida. Coisa de mãe.
— Eu... — Katarina começou, mas a voz sumiu. Respirou fundo e tentou novamente — Só quero que ele fique bem.
Jodi assentiu, como se aquela frase simples dissesse tudo.
— Vai ficar. — garantiu. — Aliás, você quer passar lá no quarto e dar um oi?
O coração de Katarina deu um salto, mas ela disfarçou rápido — talvez rápido demais.
— Melhor não — respondeu com um sorriso pequeno. — Não quero atrapalhar o descanso dele. Só queria mesmo saber se estava tudo certo.
Jodi pareceu entender, e até respeitar.
Havia algo não dito naquela decisão. Algo que a mãe de Sam percebeu, mas não comentou.
— Você tem um coração enorme, Katarina. — disse enfim, dando um tapinha leve no braço dela. — Obrigada por cuidar tanto dele.
A fazendeira devolveu o sorriso, meio tímida, e se despediu, agradecendo pelo pudim.
Ao sair da casa quentinha, sentiu o ar gelado da tarde tocar seu rosto. Ela inspirou fundo, tomando o caminho de volta para casa.
Estranhamente, tudo parecia mais silencioso que o normal — ou talvez fosse só o mundo dentro dela que estivesse barulhento demais.
Então, parou no meio da rua, tendo uma ideia.
Puxou o celular quase sem pensar e abriu a conversa com Abigail.
"Ei, bora no Saloon hoje? Tô precisando desligar um pouco."
"Se quiser, chama o Seb também."
Apertou "enviar".
E no silêncio que veio depois, algo dentro dela pareceu... diferente. Mas Kat não sabia nomear o quê. Alguns minutos depois, Abby respondeu.
"Acho que hoje não, Kat."
A ruiva franziu o cenho, olhando para o próprio telefone. Tinha algo de diferente na resposta da amiga.
Aquilo não soava como a garota de cabelos roxos que ela conhecia.
Preocupada, a fazendeira respondeu:
"Certo. Quem sabe outro dia... mas você tá bem?"
A outra, que sempre respondia tão depressa, atropelando as palavras, demorou um pouco a responder:
"Tudo sim... só não hoje. A gente se fala."
E ficou offline.
**
Já era tarde da noite quando Katarina preparava o jantar. Estava um pouco sem apetite.
Passou o dia todo se sentindo meio desligada, como se estivesse flutuando.
Ela sabia que essa sensação tinha relação com dia estranho que foi aquele.
A mensagem do Sam... tão normal, mas que soou diferente pra ela.
E aquela resposta distante da Abigail...
Um cheiro esquisito a despertou dos seus devaneios. Ela tinha deixado a panela de arroz por tempo demais no fogão.
— Droga, queimou um pouco. — murmurou, irritada.
Enquanto jantava, o celular dela vibrou. Era o irmão.
"Maninha, tudo certo? Você não ligou esse fim de semana."
Katarina paralisou um pouco, pensando no que dizer. Estava evitando a família já tinha um tempo. Ela se sentia um pouco ressentida pela falta de apoio deles, não podia negar.
Uma parte dela ainda esperava que eles enxergassem seu esforço.
Após refletir, ela digitou:
"Oi... tudo legal sim. Foi mal, tava ocupada ajudando um amigo."
Pouco tempo depois, a resposta:
"Saquei. A mamãe tá sentindo falta de você. Podemos te ligar agora?"
Agora não — Katarina pensou. Estava fugindo de seus problemas pessoais, novamente. Aqueles que a acompanharam mesmo tendo se mudado da cidade.
"Eu já ia dormir agora... amanhã eu ligo." — a ruiva rapidamente inventou uma desculpa.
"Ok. Avisa a gente qualquer coisa" — o irmão respondeu, e Katarina suspirou aliviada.
Voltando para aba de conversas mais recentes, o nome de Sam aparecia em primeiro. Ela releu a mensagem do começo do dia, sorrindo sem perceber.
Depois, reparou no nome de Sebastian entre as conversas. Já fazia um tempo que não se falavam, e todo o drama familiar do dia acabou trazendo o moreno à mente.
Ela clicou no contato dele, mandando uma mensagem:
"Tudo bem aí?" enviou e logo sentiu uma leve ansiedade.
Ele não demorou muito, mas a resposta fez Katarina levantar uma sobrancelha.
"Tudo certo. Só ocupado."
Estranho... a mensagem estava formal demais, fria demais. Katarina sentiu um incômodo no estômago. Era a comida que caiu mal ou... o quê?
"Beleza... se cuida." — ela respondeu.
Deixou o telefone na mesa, levantando-se. Foi para o quarto e deitou na cama, esparramando os cabelos ruivos.
Ela fechou os olhos, frustrada.
— Por que todos estão agindo tão estranho hoje? As pessoas... e eu. — encarou o teto.
Fechou os olhos novamente. Tentou dormir, mas não conseguiu. Após uma hora virando para os lados na cama, desistiu e calçou as botas de couro.
Ela sabia pra onde ir quando estava com insônia.
Lago da Montanha.
**
No alto da colina, Sebastian desligou o motor da moto e se sentou no chão ainda úmido pela neblina.
Dali, a Vila Pelicanos parecia pequena. Silenciosa. Distante.
Ele respirou fundo, apoiando os braços nos joelhos.
Pensou na conversa com Abigail.
Pensou na noite no hospital.
Pensou na mensagem que acabara de enviar para Katarina — fria demais até pra ele.
Ele voltou o olhar para o horizonte.
Do lugar onde estava, conseguia ver o delicado brilho de Zuzu City. A vista de longe da cidade grande sempre lhe dava uma sensação estranha e triste.
Sebastian manteve os olhos semicerrados, deixando todo aquele peso emocional o atingir.
— Talvez eu precise mesmo ir embora daqui.
O pensamento veio sem pedir licença.
Sebastian fechou os olhos, deixando o vento frio bater no rosto.
Nada fazia sentido.
E ao mesmo tempo, nada doía mais do que ficar.
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