Entre Flores e Sombras (Sebastian e Sam - Stardew)
6 Lago da Montanha
Havia se passado uma semana desde a Dança das Flores. Katarina estava um pouco chateada. Recebeu uma ligação da mãe e do irmão pedindo para que ela voltasse para cidade, eles sentiam falta dela. Mas ao mesmo tempo, percebeu a desaprovação no tom de voz dos dois sobre a nova vida que Kat estava construindo.
— Eles deveriam estar felizes por mim — Kat pensou em voz alta e colocou o telefone em cima da mesa de centro da sala.
Já era tarde da noite e ela decidiu sair de casa para tomar um ar e observar as estrelas. Na cidade, dificilmente se conseguia ver alguma. A poluição tampava tudo, o que irritava Katarina. A última vez que havia visto a imensidão do céu estrelado foi na última visita ao avô.
Ele tinha um telescópio que ficava na varanda da casa, e os dois ficavam procurando constelações até se cansarem.
E lá estava ela novamente no Vale do Orvalho. Precisava parar de pensar um pouco e relaxar a cabeça. Deixou os cabelos ruivos soltos, calçou sua bota de couro e partiu rumo ao Lago da Montanha. Lá era um lugar pacífico que transmitia paz ao coração de Katarina, e era disso que ela precisava agora.
Após caminhar um pouco, chegou na trilha que dava em direção ao lago, mas acabou se surpreendendo com o que viu. Sebastian estava sentado na beira do lado, observando silenciosamente a paisagem. Ele parecia tranquilo e introspectivo.
Katarina se aproximou lentamente, para não assustá-lo, e se sentou ao lado dele.
— Noite difícil pra você também? — Sebastian seguiu a garota com o olhar, até os dois estarem lado a lado.
— É... digamos que sim. — Katarina suspirou e deu um sorriso fraco. Desviou o olhar para o laguinho pacífico, contemplando-o.
Os dois ficaram em silêncio por alguns minutos. Sebastian puxou um cigarro do bolso e o acendeu com um pequeno isqueiro. Ele suspirou fundo e depois tragou, parecendo relaxar um pouco. Olhou para o céu iluminado pelas estrelas com uma expressão serena.
Katarina se deitou na grama, na beira do lago, olhando para o céu também. Observou Sebastian fumando, mas permaneceu calada.
De repente, ele se virou para ela e deu um sorriso encantador.
— Não vai me dizer algo como "você deveria parar de fumar?" — Sebastian arqueou as sobrancelhas.
A fazendeira riu de leve. — Não vou te dar sermão, relaxa. — Kat se virou de lado e apoiou a cabeça em uma de suas mãos, com um dos cotovelos apoiados na grama.
Sebastian apenas sorriu e tragou novamente. Ele ofereceu para Katarina, mas esta recusou.
— Se eu começar a fumar, não duro um dia na lavoura. — Kat recusou, sarcástica. Seb levou na brincadeira e deu uma risada.
A risada dele era levemente rouca, assim como a voz dele. O garoto passou a mão pelos cabelos escuros e franziu a testa, depois se deitou ao lado de Katarina.
— Sempre venho aqui quando quero sumir um pouco... — Sebastian disse, a voz calma.
— Você quer que eu vá embora? — Kat levantou uma sobrancelha, olhando para ele.
— Eu já disse que você não me incomoda. — Ele deu um sorriso curto, que desapareceu rápido. — Eu só... fico pensando demais quando tô sozinho. Sobre o que ainda me prende aqui.
Kat se sentou ao lado dele, com cuidado.
— E o que te faz ficar?
Sebastian soltou um riso fraco, quase triste.
— Nada. É isso que me assusta.
Ele passou a mão pelos cabelos novamente, inquieto, e continuou:
— Eu... queria sair daqui. — Ele finalmente olhou para Kat, mas desviou logo em seguida, como se tivesse dito mais do que pretendia.
Katarina franziu o cenho, surpresa, mas manteve a voz suave:
— Para onde iria?
— Para a cidade. Zuzu City. — A expressão dele suavizou num sorriso nostálgico. — Fui lá uma vez com o Sam, quando a gente tocou num bar. Faz anos... mas eu nunca esqueci a sensação.
— Engraçado... eu fiz o caminho contrário. — Kat respondeu, irônica. — quis comentar mais, mas não queria tirar aquele momento de desabafo de Sebastian e o afastar. — Mas agora me sinto em casa.
— Às vezes acho que não me encaixo em lugar nenhum. — Sebastian se sentou, olhando para a fazendeira. Kat sentiu uma pontada no seu coração, estava triste por Seb. Ele deveria ter um motivo para ser tão fechado e infeliz assim.
Ela sorriu, complacente. Queria fazê-lo se sentir melhor.
— Você não tá tão sozinho quanto acha. — Kat respondeu, sendo empática.
Os dois suspiraram simultaneamente, o que arrancou um sorriso de ambos, que desviaram o olhar. Sebastian não parecia concordar muito com a afirmação da garota, mas se aproximou um pouco dela e levantou levemente a mão, abaixando-a em seguida, parecendo mudar de ideia.
Por um instante, Kat pensou em segurar a mão dele, mas algo a fez parar. Lembrou-se de que Sebastian não curtia muito toques físicos.
— Não costumo falar essas coisas — ele disse, a voz cansada. A fazendeira escutava, atenta — O Sam é meu único amigo... sabe? Mas acho que nem ele me entende às vezes — completou com uma expressão cansada.
Katarina não respondeu. Só havia o som da brisa e do lago entre eles. Ela pressionou os lábios, pensativa. Se perguntava se Sam conhecia aquele lado mais vulnerável do moreno.
Também se questionou porque ele não havia incluído Abigail como amiga também.
Após alguns segundos se olhando, Sebastian pareceu um pouco distante de repente e se afastou de Katarina, levantando.
Ele bateu com as mãos nas roupas para tirar aquela grama que havia ficado nele antes de sair.
— É... eu tenho que ir agora, tenho uns projetos pra finalizar amanhã.
Katarina levantou também, surpresa com a repentina aproximação e distância criada por Seb em tão pouco tempo.
— Tudo bem... eu já ia voltar mesmo. — Katarina disfarçou. Será que ela tinha dito ou feito algo de errado?
— Boa noite, ruivinha. — ele disse baixo, quase sem encarar — como se tivesse percebido o que falou só depois. Kat sentiu seu rosto esquentar e ficou ali tentando processar o que havia acontecido.
O som da brisa distante batendo sobre o lago, bem como o cheiro das folhas a ajudaram a voltar para a realidade.
Ela começava a pensar sobre o jeito de Sebastian. Ele estava tentando dizer algo que ela ainda não compreendia?
De repente, lembrou-se dos olhares trocados entre eles durante a Dança das Flores. Em seu íntimo, ela sabia que aquilo havia significado algo para ela.
E, de algum jeito, sabia que aquilo também significou para ele.
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