Entre Flores e Sombras (Sebastian e Sam - Stardew)
11 Efeito Dominó
Katarina apagou a luz do quarto e acendeu o abajur na mesinha de cabeceira.
As noites na Fazenda Amanhecer eram serenas, embora ela sentia que, no fundo, estava prestes a mudar.
De manhã, visitou Maru na Carpintaria. Estava precisando de ajuda para cuidar das plantações e a cientista sempre tinha os melhores inventos para ajudá-la.
Havia encontrado Sebastian também, mas este parecia querer evitá-la a qualquer custo, o que magoou Katarina, por mais que ela não quisesse admitir.
Ela pensou que havia feito algo de errado. Talvez Sebastian tinha se cansado dela, pensou. De qualquer forma, ela sentiria saudades daquelas conversas em frente ao lago.
Tentando não pensar muito sobre aquilo, a ruiva se deitou na cama de casal confortável em seu quartinho. Tinha encomendado um colchão novo. O antigo, deixado pelo avô, estava muito rasgado, além de ser desconfortável.
Ela pegou o livrinho favorito e colocou as mechas do cabelo vermelho para trás. Estava bastante concentrada na leitura quando recebeu uma notificação no celular.
Despretensiosamente, pegou o telefone e verificou dez vezes para ver se não havia lido errado.
Era uma mensagem de Sebastian.
"Você estava linda hoje".
Com o rosto iluminado pelo abajur, ela sorriu sem querer. Pressionou os lábios e, de repente, pensou:
— E se a mensagem não tiver sido pra mim?
Ela fechou os olhos. — Idiota — pensou.
Sebastian a evitou naquela manhã, então por que ele mandaria essa mensagem agora? Não fazia o menor sentido.
Abrindo a aba de mensagens, Katarina respondeu, com a mão tremendo um pouco:
"Sebastian..."
E encostou o celular no peito.
Até aquele momento, não havia refletido sobre o que sentia por aquele garoto de cabelos escuros.
Era mais fácil acreditar que eram só conversas introspectivas no lago.
Mas seu coração não parecia concordar.
**
"Fodeu."
Seb estava apavorado.
Ele quis jogar o celular longe, mas isso não resolveria as coisas.
Já era tarde demais pra apagar.
Olhou por cima na aba de notificações e percebeu que ela já tinha respondido.
— Merda, merda, merda. — ele começou a andar de um lado para o outro no quarto, desesperado.
Começou a pensar em algum plano, alguma forma de contornar a situação, mas sua mente estava em branco.
Ele deitou na cama com a cabeça no travesseiro e gritou. Tinha feito uma das maiores burradas de sua vida.
Aquele dia estava sendo uma sequência de decisões ruins.
— Bom é isso... nunca mais vou sair desse quarto — concluiu.
Ele decidiu não responder a mensagem e apenas fugir. Igual havia feito mais cedo ao encontrá-la na frente da escada.
Era assim que ele funcionava: impulsivo quando não devia, covarde quando mais importava.
**
No dia seguinte, Katarina estava determinada a ter uma conversa com Sebastian. Estava confusa sobre o que ele havia dito. Por que o moreno criava intimidade e depois se afastava?
Enquanto tomava o café da manhã, revisou mentalmente o roteiro do que diria a ele durante a conversa.
— Só preciso entender o que aconteceu. — pensou.
No início da tarde, foi até à Carpintaria de Robin. Ela sabia que esperar por uma atitude dele poderia demorar muito, então era melhor tomar iniciativa.
Cumprimentou alegremente a carpinteira e também Maru, perguntando à irmã mais nova do garoto onde poderia encontrá-lo.
— Ele tá no quarto dele... se você quiser ir lá. — a cientista parecia triste.
— Wow, tá tudo bem Maru? Você não costuma ficar tristinha assim. — Kat segurou os braços da amiga com delicadeza, a confortando.
— Relaxa, tá tudo bem. Só discuti com uma pessoa que gosto muito. — ela sorriu, tentando não levar a situação muito a sério.
Depois de dizer algumas palavras de conforto à amiga, a ruiva desceu até o quarto de Sebastian e bateu na porta.
Silêncio. Ele estava mesmo ali?
— Sebastian, sou eu. — a fazendeira levantou o tom da voz para que ele escutasse.
O garoto, que estava deitado na cama, ficou imóvel. — Puta merda. — pensou.
Novamente tentando ignorar seus problemas, ele permaneceu calado, torcendo para que ela fosse embora.
— Eu sei que você tá aí. — silêncio novamente — Se quiser conversar mais tarde, vou estar no nosso ponto de encontro, às 20h.
Sebastian engoliu em seco. Depois, ouviu os passos da garota subindo as escadas e voltou a respirar aliviado. Estava tão tenso que prendeu a respiração.
Não podia amarelar de novo. Conversaria com ela mais tarde.
**
Oito da noite.
Katarina vestia uma suéter preto e calças moletom, junto de uma bota marrom cano baixo.
Colocou as mãos no bolso da calça e foi em direção ao Lago da Montanha. O vento gelado que fazia naquela noite quase a fez desistir e dar meia volta, voltando para seus cobertores quentinhos.
Mas precisava que as coisas fossem esclarecidas.
Chegando no ponto de encontro, sentiu uma dorzinha no peito ao perceber que ele não estava lá esperando. Seb iria ignorá-la? De novo?
Esperou mais uns dez minutos por Sebastian. Passado esse tempo, suspirou e se virou para voltar pra casa quando escutou o barulho da porta da carpintaria sendo aberta.
Estavam de frente um para o outro. Olho no olho.
Ele franziu o cenho, o cigarro já na boca, o capuz o protegendo do frio nas orelhas.
Chegou perto dela, com uma das mãos nos bolsos, a outra segurando o cigarro. Após uns segundos de silêncio, começou:
— Oi... — sentiu-se na obrigação de ser o primeiro a dizer algo.
– Oi. — ela respondeu, um pouco seca, mas ainda com o olhar doce que Seb tanto gostava.
Os dois ficaram em silêncio novamente, então Sebastian fez um sinal para que ela o seguisse. Eles se sentaram na beira do lago, igual sempre faziam.
— Eu só quis entender a mensagem. Sabe... você tinha sido meio babaca mais cedo. — ela manifestou.
— Eu sei... foi mal. — ele tragou o cigarro, soltando a fumaça para o alto.
Ela tossiu, um pouco incomodada.
Ele olhou para o lago, com os olhos negros semicerrados que tanto intrigavam Katarina.
— Você não vai dizer nada? — ela questionou, se virando pra ele.
Ele soltou a fumaça novamente. Abriu a boca como se estivesse pronto para vomitar um monte de palavras.
Mas não saiu nenhuma.
Fechando os lábios novamente, Sebastian suspirou fundo, pensativo. Katarina deu espaço a ele, apreensiva com o que ele diria.
— Você quer saber por quê sou tão incoerente né? — ele olhou para as próprias unhas roídas. Ela permaneceu em silêncio, esperando.
— Kat, desculpa mas... a mensagem não foi pra você. — ele completou, com o coração cortado.
Ela levantou as sobrancelhas. Um pouco surpresa... mas já esperava isso. Sentiu um pequeno nó na garganta... um leve incômodo no estômago.
— Então pra quem era? — perguntou e logo se arrependeu. Aquilo não era da conta dela.
Pânico. Sebastian não havia pensado no que responderia caso ela perguntasse isso. — Droga, eu deveria ter previsto.— pensou.
Ele engole seco. Poderia responder "ninguém", inventar o nome de alguma prima, sei lá. Poderia acabar com o assunto.
Mas ele escolhe o pior possível.
— Pra Abigail.
Ele desvia o olhar e deixa o cigarro cair sem querer.
A hesitação na fala dele faz Katarina desconfiar, mas ela não contestou.
Se Sebastian estava tendo a coragem de dizer aquilo pra ela, então era verdade, certo?
Ela dá um sorriso meio triste.
— Entendi. Uma mensagem enviada por engano... acontece.
— É. Acontece.
O olhar dele contradiz tudo. Estava sofrendo calado, querendo reverter tudo que estava falando. Abigail? Não, não, não. Eles eram só amigos. Sempre foi isso.
Ele sabia que usar o nome da amiga era injusto, mas no desespero parecia a desculpa mais segura.
O moreno percebe Katarina se levantando e sente que seu coração está sendo levado junto dela.
Em seu íntimo, Kat percebe que mesmo que fosse pra ela... não saberia o que fazer. Não estava preparada pra escolher ninguém.
Mas mesmo assim...
Aquilo havia doído mais do que ela gostaria de admitir.
Ela bate as mãos na roupa pra tirar a grama que havia se prendido no moletom.
— Certo. Desculpa se te deixei desconfortável. É melhor eu ir agora. — respondeu, a voz cansada.
Não. Ele não queria que ela pensasse nele com outra pessoa. Era com Katarina que ele queria ficar.
Mas não podia.
— Certo, eu... boa noite. — Seb disse rapidamente. Aquilo estava acontecendo rápido demais, lento demais.
Ela sorriu brevemente pra ele e acenou, voltando para a Fazenda Amanhecer. A cabeça estava abaixada, tentando cortar o frio vindo em seu rosto.
Ele queria dizer a verdade. Mas congelou.... como sempre.
E agora era tarde demais.
Quando apertou sem querer o botão de enviar, soube que tinha criado uma bagunça enorme.
Era como se tudo estivesse ruindo.
Como um efeito dominó.
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