Entre Elas

11 Não devíamos ter feito isso!


Notas iniciais
— Boa leitura!!!

[Regina]

Sinto as íris verdes dela sobre mim, observando-me na parcial escuridão do casebre e apenas ouço as batidas das janelas e da porta, provocadas pelo zunir do vento lá fora.

— Se o que você queria era me assustar, conseguiu! Agora, já pode parar com esse climinha de filme de terror — resmungo, vendo-a encostada na porta, impedindo a minha saída.

— Eu não tencionava assustá-la, Regina! — ela diz e então se afasta da entrada, caminhando até o criado-mudo que fica junto a um dos catres e acendendo a pequena luminária colocada sobre ele que parece ser a única fonte de luz disponível no ambiente.

A iluminação ainda é insuficiente, mas o ar sinistro que se instalou desde que ela invadiu o casebre como um furacão vai se dissipando gradativamente.

Emma aproxima-se novamente de mim, mas não diz nada, voltando a apenas me encarar em silêncio.

— É sério que você não me deixou sair pra ficar aí só me olhando sem dizer nada? — pergunto já ficando exasperada com a atitude dela.

A minha irritação cresce exponencialmente quando não recebo resposta, então bufo, chateada, e faço menção de ir embora. Mas, quando estou virando a maçaneta da porta, Swan aperta o meu braço com força, fazendo com que me volte para ela.

­— Eu não deixei você sair porque eu quero que me diga o que realmente está rolando com a Mary... — faz uma pausa e antes que eu possa articular algo, continua ainda mais séria: — Você está apaixonada por ela?

Faço um movimento brusco para baixo tentando livrar meu braço do seu aperto. Não consigo soltá-lo dessa forma, mas Emma mesma o faz quando a encaro com visível raiva e digo: — Eu tenho uma pergunta melhor pra você: e se eu estiver? Pelo que me consta isso não é da sua conta!

Ela fica claramente espantada com a minha resposta, que nem eu mesma entendo por que foi tão agressiva. Mas a realidade é que fiquei muito chateada com a sua pergunta.

Fica calada por um instante, talvez esperando que eu continue a falar, mas depois declara: — Antes eu achava que estavam apenas curtindo uma novidade, afinal vocês deveriam ser heterossexuais até onde eu sabia... Mas agora as vejo correndo risco para se encontrarem furtivamente e não sei que outro nome isso pode ter a não ser paixão.

Com um sorriso de canto rebato: — Apesar de ter consciência que você é uma pessoa grosseira e sem tato, Emma, eu sempre a achei muito coerente. Mas, ultimamente, eu juro que não estou mais te reconhecendo. Você fala uma coisa e faz outra completamente diferente... Disse que ia tentar ser mais compreensiva comigo e com a sua irmã, mas não consegue deixar a gente em paz; depois faz um lindo discurso sobre não se meter na vida de Mary, porém veio até aqui mandar ela ir cuidar do marido... O que afinal está acontecendo com você? — disparo, quase de um fôlego só.

Swan passa a mão sobre o cabelo e responde: — Eu não sei... Queria fazer o que eu digo, o que prometo, só que não consigo. Mas, agora, eu apenas preciso saber se você está apaixonada por ela, porque eu quero decidir se devo fazer uma coisa ou não! — ela afirma, parecendo confusa.

— O que você está pensando em fazer? Um escândalo, caso eu esteja muito envolvida com Mary? — rebato, incrédula.

Emma sorri sem jeito e replica: — Claro que não, Regina! Você sabe que esse tipo de escândalo não faz meu gênero.

Finalmente baixo a guarda e resolvo satisfazer a sua curiosidade, embora não esteja cem por cento certa do que vou dizer: — Enfim, eu continuo não entendendo por que isso poderia ser tão importante... Mas não, eu não estou apaixonada pela sua irmã! Eu apenas me sinto muito atraída por ela e, às vezes, a gente corre risco por isso também... Você, melhor do que ninguém, deveria saber — finalizo fazendo alusão à vida sexual nada tranquila da minha amiga.

— Eu sei bem do que você está falando... Porque sinto que estou prestes a correr um grande risco! — afirma, num tom confidente, como se tivesse admitindo um pecado.

Então, num rompante, Emma me envolve no círculo de seus braços e me puxa para si. Sua boca se fecha sobre a minha num contato brusco e faminto. Não demora para que sua língua lasciva pressione meus lábios, exigindo passagem e mais rapidamente os entreabro, permitindo que ela penetre dentro de mim.

Esse não é um dos beijos doces e castos que trocávamos quando ainda éramos crianças nesse mesmo casebre e começávamos a despertar para a sexualidade, ainda que inconscientemente, impelidas pela natural curiosidade infantil; muito pelo contrário, é um contato erótico que envolve línguas, salivas e leves mordidas.

Ao sentir suas mãos subirem pelas minhas costas, fazendo o mesmo percurso que Mary fazia antes de Emma praticamente se materializar aqui dentro, inclino a cabeça para trás, separando os lábios, antes de perguntar: — O que você... está fazendo? — tento recuperar o fôlego que ela me roubou, beijando-me dessa maneira imprevista.

— Se eu não tivesse aparecido, você e Mary estariam transando, não? — ergue a sobrancelha — Então, acho que lhe devo uma boa foda! — exclama com ar cafajeste e, antes que eu tenha a possiblidade de me mostrar indignada com sua afirmação, ela me vira e me empurra contra a parede.

Sem qualquer cerimônia, sobe a saia do meu vestido e dá um forte tapa na minha nádega com a mão direita aberta.

— Cachorra! — insulta-me, enfiando os dedos da outra mão no meu cabelo, puxando-o bruscamente para trás, fazendo com que eu gema de dor.

— Isso, isso... Quero ouvi-la gemer! — murmura com a boca a milímetros do meu ouvido.

Depois, gira-me a cabeça e me beija novamente, pressionando-me cada vez mais contra a madeira, enquanto sua mão livre desliza por dentro da calcinha de renda que visto, roçando nos meus pelos pubianos até encontrar o meu clitóris úmido que, nesse momento, anseia por suas carícias.

Volto a gemer contra os lábios dela quando percebo que é a primeira vez que Emma me toca assim, tão intimamente. Já perdi as contas de quantas vezes ficamos nuas perto uma da outra ou de quantas vezes dormimos juntas, mas nossa relação jamais havia chegado a um momento como este: absolutamente sexual.

Minha mente dá voltas e tento raciocinar... Preciso dar um fim a essa loucura, porque não sei como esse ímpeto de desejo nos afetará amanhã. Porém, me pego dividida entre duas mulheres que coexistem dentro de mim. A perspectiva fraternal de uma, me lembra que estou sendo subjugada e profundamente acariciada pela minha melhor amiga desde sempre. Mas a fêmea, o animal sexual que também me habita, grita para que eu esqueça a racionalidade e me entregue ao momento, me entregue à mulher que me domina desse jeito tão indelicado e feroz.

Ela interrompe o contato dos nossos lábios e percebo que também está com a respiração entrecortada: — Quero te ouvir gemer meu nome! — grunhe, ao mesmo tempo em que continua estimulando meu clitóris com as pontas dos dedos.

Ah...ofego, prendendo o lábio inferior.

Tento não lhe dar o prazer de escutar meus gemidos. Quero provocá-la... Quero que entenda que não vou ser passivamente dominada por ela.

Emma dá outro puxão no meu cabelo e sinto-a escorregar pelos grandes lábios, umedecendo-os, esgueirando-se pela minha excitação. Trinco os dentes, calando o prazer na garganta.

— Hum... Então, você é uma menina má? — rosna ao perceber minha atitude — Vou ter que fazer com que me obedeça! — decreta e para de me estimular.

Na sequência, desce o zíper do vestido e afasta as alças, fazendo com que a peça deslize pelo meu corpo. Minha calcinha também acaba no chão e, depois de me desnudar por completo, ela me arrasta, ainda me segurando pelos cabelos, para o catre que está mais perto.

A pequena caminhada faz minhas pernas ficarem ainda mais bambas, porém, logo, sou colocada de quatro sobre o pequeno leito e o sinto vibrar com o peso do corpo, provocando o ranger das molas antigas.

Ela solta meus fios e se afasta um pouco, mas, antes que eu entenda o que está acontecendo, Emma volta e me puxa pelos quadris, colando o sexo, úmido, na minha pele, dando-me a certeza que agora ela também está nua.

Seus dedos voltam a esfregar-se no meu sexo, mas, desta vez, sua outra mão não se agarra ao meu cabelo. Agora, fecha-se sobre a garganta e tenho a impressão que serei estrangulada por ela, porém, a pressão que faz no meu pescoço me provoca apenas uma estranha sensação de prazer masoquista.

Agarrando-me desta forma, penetra-me inesperadamente e mordo o lábio, sentindo o gosto de sangue e lágrimas se formarem em meus olhos. Novamente, consigo abafar os gemidos, mas ela segue implacável, estocando-me num delicioso vai e vem, dentro e fora, enquanto fricciona o seu sexo na minha bunda, molhando-me com seus líquidos vaginais.

— Vamos, Regina, geme meu nome, vai... — clama, apertando-me o pescoço, no mesmo instante que gira os dedos dentro de mim — Diga: Em..ma! — incita-me, separando silabicamente o próprio nome.

Confesso que estou a ponto de gritar o nome dela, mas não quero ceder ao seu sadismo e pressiono os lábios, fechando os olhos, experimentando os primeiros espasmos de prazer percorrendo minhas terminações nervosas, descendo e subindo pelo meu corpo.

Silenciosamente explodo e abro os olhos, soltando o ar pela boca e me agarrando ao fino colchão, enquanto todo meu ser vibra devido ao intenso orgasmo que Emma Swan está me proporcionando, sem que eu tenha dito ou gemido qualquer palavra, muito menos o seu nome.

Então, ela retira os dedos de dentro de mim, mas continua friccionando o clitóris na minha nádega enquanto sua mão segue em volta do meu pescoço, apertando-o: — Puta! — grunhe Você é uma puta, Regina Mills! xinga-me de novo e apenas sorrio maldosamente, sentindo os mamilos túrgidos dela roçando na pele.

Empurra-me contra o colchão, fazendo o catre ceder mais com o peso e passa o braço pelos meus seios, erguendo-me um pouco o torso. Em seguida, mordisca a cartilagem da orelha, ainda esfregando o clitóris endurecido no meu bumbum.

Seus movimentos se tornam cada vez mais acelerados e, depois de senti-la se retesar, ouço-a gemer: — Re...gina! — e meu ar de malícia é gradativamente substituído por uma expressão de vitória.

Emma continua agarrada a mim, com o rosto afundado em meu cabelo e sua respiração ofegante é o único ruído que ouço dentro do casebre. Tenho a impressão que ela está soltando o ar pela boca, tentando recuperar o fôlego.

Aos poucos noto que ela vai se acalmando e Emma rola para o lado, me liberando do peso do seu corpo.

Minhas pálpebras começam a se cerrar e percebo que estou prestes a pagar o preço pelas brincadeiras e pela bebedeira que tive ao longo do dia. Sem falar também no intenso sexo que acabei de desfrutar.

Imagino que, em poucos instantes, me entregarei a um profundo sono. Todavia, antes de entrar totalmente no reino dos sonhos, ainda ouço uma rouca voz, que é a minha própria, sussurrando: — Não devíamos ter feito isso!

Notas finais
- Até o próximo!!!