Entre Elas
4 Em Vegas - Pt. 1
Notas iniciais
[Regina]
Emma permanece me abraçando, quando noto Killian se aproximando de nós duas, com ar debochado: – Olá! — cumprimenta-nos. – Esse país é muito pequeno quando pensamos em diversão, jogos de azar e sacanagem! — continua, sorrindo.
Antes que eu possa pensar em alguma resposta à altura para o seu comentário grosseiro, minha amiga, fala, apartando-se de mim: – E você sempre está onde a sacanagem está!
Apesar da tensão, não consigo reprimir o riso com a sua abordagem direta, principalmente quando vejo pela cara dele que o revide rápido o pegou de surpresa.
Então, ele retruca, parecendo menos confiante: – Vejo que sua língua continua ferina, Swan!
Nesse momento, Emma rodeia minha cintura com um dos braços e Killian, percebendo imediatamente o gesto, comenta:
— Por falar em sacanagem... Dá pra notar que bastou eu sair do caminho, para ela começar entre vocês!
Não entendo de imediato, mas a fala seguinte da loira me faz crer que Killian deve ter imaginando que estamos juntas.
Ela, sem desfazer o mal-entendido, alfineta: – E eu adorei tirar você do caminho! Ainda mais porque tive o prazer de te deixar só com as cuecas! — a loira faz referência ao nosso divórcio, no qual foi minha advogada.
Sorrio com essa menção e também por notar que ele já começa a parecer irritado.
Mas, tentando disfarçar o aborrecimento, continua, cínico: – Ainda ganhando muito dinheiro com separações, Emma?
— Sim! Enquanto houver maridos babacas como você, com certeza! — rebate, no mesmo tom.
Não posso negar que nessas horas a grosseria habitual de Emma vem bastante a calhar.
Percebendo que já perdeu a batalha, Killian, fala, olhando fixamente para ela: – Adoraria continuar tendo essa conversa com você, Swan. Porém outros assuntos mais urgentes me esperam! — desviando o olhar sugestivamente para a mulher com quem permaneceu abraçado todo o tempo.
Então, na sequência, vira-se para mim: – Regina, embora sua “amiga” esteja com uma procuração para falar por você esta tarde, foi um prazer revê-la e espero que ela — fala, observando Emma. – venha dando conta do recado, pois lembro que você era bem safadinha na cama. — conclui, de forma rude.
— Levando em consideração o belo viço da pele desta mulher... — minha amiga diz, apontando para mim – Você pode avaliar se eu estou dando conta dela ou não! — finaliza, atrevida.
Amo a minha amiga mais do que nunca neste momento e, gargalhando, agarro o pescoço dela, para provocá-lo.
De repente, sem que ela espere, atendendo a um impulso, uno nossos lábios, num beijo inesperado e quente. Para completar a provocação, ergo a perna, imitando o clichê do cinema.
Com o canto do olho, o vejo se afastando com ar de reprovação. Mas, ao senti-la corresponder ao contato, fico estranhamente mexida, ainda mais porque não imaginava que Emma beijasse tão bem.
Quando nossos lábios se separam, ela me olha meio assustada, parecendo não entender:- Que foi isso, Mills!? Se empolgou com a mente pervertida do seu ex? Você sabe que agora, provavelmente, ele vai transar com aquela fulaninha, pensando em nós duas, né? — inquere, num tom brincalhão.
Diante da pergunta, tenho duas sensações: fico aliviada por ela não aparentar ter percebido que o seu beijo me afetou, mas também decepcionada, por parecer que levou tudo na brincadeira.
— Como ele especulou tanto sobre nós, quis provocá-lo! Porém, confesso que também estava curiosa há muito tempo para saber por que suas ex’s sempre vem chorar no meu ombro quando termina o namoro com elas. Queria saber qual encanto você tem! — digo, tentando dissimular o que ainda estou sentindo.
— Ah, agora eu entendo por que Killian disse que você é safadinha! E aí? Descobriu qual é o encanto da Swan? — indaga sorridente.
— Olha, pra ser bem sincera, não! Já beijei melhores! — respondo, com um sorriso sarcástico estampado no rosto.
— Sei... Você está é se vingando do que eu lhe disse há 20 anos, no baile, sobre você não fazer meu tipo! — rebate, pegando as malas, e entramos no hotel para fazer o check-in.
Nesse instante, somos seguidas pelas outras.
Entre a nossa conversa com Killian e o beijo, percebi que as meninas assistiram a toda a cena paralisadas. Logo depois que beijei Emma, vi em seus rostos expressões incrédulas, embora não tenham tido coragem de emitir qualquer palavra.
Mas, acho que depois do nosso último diálogo, elas relaxaram, entendendo que tudo não passou de uma grande brincadeira. Pelo menos para uma de nós...
***
[Naquele mesmo dia, à noite...]
Desde que chegamos ao hotel, Emma não largou a mesa de Blackjack, onde já deve ter perdido boa parte do seu patrimônio.
Estou indo tentar arrancá-la de lá agora, pois tenho medo de que precisemos voltar para São Francisco a pé, uma vez que minha amiga é extremamente compulsiva, azarada e teimosa.
Ao me aproximar da mesa, vejo que ela está fumando e também com um copo de whisky do lado. Logo, tenho a certeza que terei trabalho para convencê-la a abandonar o jogo, ir para quarto tomar banho e se arrumar, para sairmos na noite de Vegas em busca de outros tipos de diversão com nossas amigas.
Já chego arrancando o cigarro dos seus dedos e ela reclama, fuzilando-me com o olhar: – Mills, devolve meu cigarro!
— Você não disse que tinha parado de fumar? — pergunto, impaciente.
– E quantas vezes você me viu fumando, nos últimos oito meses, antes de agora? — responde, com raiva.
– Não sei, Emma! Nós não somos gêmeas siamesas, portanto, há muito tempo disponível para você me enganar! Agora, trate de se levantar desta mesa, porque você está cheirando mal e já deve ter perdido até o seu precioso cadillac para a banca. — digo, num tom severo.
— Eu perdi só 3000 mil dólares, mas, já recuperei quinhentos. E se você parar de me perturbar posso recuperar o restante. — fala, tomando uma dose da bebida.
— Ou perder tudo!- alfineto, tirando o copo de sua mão e puxando-a da mesa, mesmo sob protestos. Ela, que está meio cambaleante, se apoia em mim para não cair.
— Tudo bem, Mills! Só vou te obedecer porque você me deu o melhor beijo que recebi nos últimos dias. — confessa, colocando o braço direito em meu ombro, e sorrindo maliciosamente para mim.
O cheiro do whisky, presente no seu hálito, embriaga-me um pouco e, por um momento, esqueço que estou diante da mulher que é minha amiga há 36 anos e sinto-me tentada a beijá-la de novo. Mas, felizmente, Emma tropeça e quase cai no chão, trazendo-me de volta à realidade.
Depois de ajudá-la a se recompor e levá-la até o banheiro do quarto que estamos dividindo, fico esperando-a tomar banho, por medo que se machuque e penso que preciso urgentemente dar uns beijos em alguns desconhecidos durante essa viagem, porque não é nada normal ficar fantasiando isso com Emma Swan.
***
Acordo lentamente, sentindo minhas pálpebras pesadas e com um gosto acre na boca.
Lembro que não estou sozinha na cama. Minhas têmporas latejam e, quando tento me erguer, sinto o quarto rodar.
Olho para o lado e a primeira coisa que vejo é Emma com um lençol cobrindo apenas o seu quadril.
Flashes da louca noite anterior chegam, então, a minha mente.
[Flashback – Noite anterior...]
Quando Emma, enfim, terminou de se arrumar, saímos juntas para a agitada vida noturna de Vegas. Encontramo-nos com as nossas amigas no saguão do hotel.
Alugamos uma limusine para que a noite fosse vivida com glamour e estilo.
Já dentro do veículo, estouramos uma garrafa de champanhe para começar bem a noite.
A mais animada de todas, obviamente, era Ruby, que logo avisou querer experimentar de tudo durante sua despedida de solteira, na pecaminosa capital de Nevada.
Enquanto brindávamos à felicidade da morena de mechas vermelhas, Aurora e Jamie trocaram um tórrido beijo, depois de enlaçarem os braços e tomarem o champanhe de maneira romântica.
Ao ver a cena, Rubs se empolgou e declarou: — Muito bem meninas! É realmente esse espírito que eu quero esta noite: muito amor, beijo na boca e amigas se pegando! — falou, entusiasmada, olhando para a morena asiática e a ruiva que continuaram beijando-se intensamente. — Lembrem-se que vocês prometeram ser meu gênio da lâmpada e me concederem três pedidos inusitados nesta viagem. — prosseguiu, esfregando as mãos e olhando maliciosamente para a gente.
— Não sei se gosto desse seu tom e muito menos deste seu olhar. — Mary falou, temerosa.
— Calma, querida, confie na “lobinha” aqui! — disse, usando o apelido herdado de sua avó, Eugênia Lucas, que ficou conhecida por "loba", devido a sua astúcia e faro para os negócios, numa época em que o papel da mulher era apenas ser dona de casa. — O negócio é o seguinte: estamos em oito! Já temos um casal formado e o que eu quero é que as outras seis, em pares escolhidos por mim, troquem um quente beijo de língua enquanto as outras assistem. — proclamou, solenemente.
Todas se entreolharam, expectantes, provavelmente imaginando com quem trocaríamos saliva daqui a pouco.
Como já estávamos na terceira garrafa de champanhe, o álcool nos deixou um pouco mais desinibidas e animadas para satisfazer o primeiro desejo da noiva.
— Então, vamos lá! — ela começou: — Tina vai ficar com Emma, porque eu já percebi certa tensão sexual entre elas.
Neste instante, as duas loiras se encararam desconfiadas e o riso foi geral.
Ruby, então prosseguiu: — Mary vai beijar Regina!
Nolan ficou visivelmente sem jeito, e Ruby, percebendo o desconforto da outra, ainda acrescentou: — Não olhe pra mim desse jeito! Eu já te flagrei olhando as pernas de Mills com lascívia.
Mary ficou ruborizada e eu sorri com essa insinuação e, ainda mais, com a reação dela.
— Por fim, como todas já devem ter percebido, Belle terá a honra de beijar meus deliciosos lábios... Porque eu tenho tesão nela! — admitiu e caímos na gargalhada, inclusive Belle que, no momento, levava a taça de champanhe à boca e interrompeu devido à revelação da morena.
Tina e Emma foram as primeiras a trocar um longo beijo e, Swan, entrando no clima da brincadeira, começou a apalpar o corpo da outra.
Quando o beijo terminou, Emma ainda disse, num tom ao mesmo tempo malicioso e zombeteiro: — Agora que experimentou o beijo, Bell, já está pronta para o roça-roça!? — Mary e eu começamos a rir, mas as outras ficaram sem entender a brincadeira da loira.
Quando chegou a nossa vez, sob os olhares atentos de nossas amigas e de sua irmã, Mary se projetou em minha direção e colou seus lábios nos meus, afastando-se rapidamente.
— Mary Nolan, você chama isso de beijo!? Estou te dando a oportunidade de provar a boca de uma morena linda e sensual, com pernas maravilhosas, como você já deve ter notado — piscou para a outra— E vai ficar só no selinho? Não, senhora... Quero ver línguas se enroscando! — decretou Ruby, num tom autoritário.
Mary enrubesceu, no entanto, resignadamente, beijou-me de novo. Só que dessa vez, segurei-a pela nuca, metendo minha língua dentro da sua boca, arrancando gritos de incentivo das outras.
Interrompi o beijo e notei que Mary ficou sem ar. Foi quando ouvimos Emma dizer: — Que beijo foi esse!? Pensei que a safada da família fosse eu! — sublinhou, rindo da irmã.
— Ei, Mary, tirei uma foto deste momento caliente e vou enviá-la agora mesmo para David! Quero que ele veja o quanto você está se divertindo! — Aurora avisou e a outra pulou sobre ela, tirando o celular de sua mão, para, então, constatar que a ruiva mentiu.
Todas riram da tensão de Mary, inclusive Emma, que aproveitou para tirar um pouco mais de sarro da irmã.
Depois de Ruby e Belle passarem mais de três minutos atracadas uma na boca da outra, enquanto cronometrávamos, a pedido da noiva, chegamos à boate.
A primeira música que ouvimos foi “Erotica”, de Madonna, e já entramos no clima do ambiente, sensualizando na pista de dança.
Notei que Tina ficou empolgada com o beijo que deu em Emma, porque começou o que parecia ser as preliminares do roça-roça, esfregando-se no corpo da loira, sensualmente, subindo e descendo.
Aurora e Jamie continuaram se comportando como o novo casal apaixonado da turma e também dançaram juntas.
Mary saiu da pista e foi para o bar juntamente com Belle, providenciar nossos drinques.
Enquanto estava dançando sozinha, senti alguém me pegando por trás e ouvi a voz de Ruby, sussurrando no meu ouvido: — Na realidade, quem olha para as suas pernas com desejo sou eu! — revelou e virei-me para ela, enlaçando meus braços no seu pescoço. Senti suas mãos deslizarem para as minhas coxas, levantando o meu vestido vermelho.
— Então, aproveite enquanto ainda não está casada, baby! Pois daqui a 15 dias, as únicas pernas que você irá tocar serão as da sua esposa, que também deve estar se divertindo muito em Reno¹! — disse, sorrindo, meio embriagada, já que tenho pouca resistência ao álcool.
Dançamos durante alguns minutos, de forma lasciva e, vez ou outra, trocamos uns beijos. Embora não quisesse imaginar isso, fiquei o tempo todo pensando o quanto Emma beija melhor que ela.
Esses pensamentos me perturbaram e percebi que ainda precisava beber mais para afastar o súbito desejo de provar novamente os lábios de minha melhor amiga.
Fui, então, até a mesa onde Belle e Mary já estavam com os drinques e virei mais alguns copos.
Empolgada com o ambiente, as músicas e a bebida, acabei ficando com vários caras e colocando em prática o plano de beijar desconhecidos para esquecer o que estava sentindo por Emma.
Depois dessa “orgia” de línguas, voltei para a mesa, onde encontrei Mary sozinha e bastante animada, mexendo-se ao ritmo da batida eletrônica que ecoava na boate.
— Onde está Belle? — perguntei, procurando a ruiva.
— Acho que cansou de ficar aqui sentada e foi se divertir! — respondeu, e pelo tom de sua voz, notei que já havia tomado alguns drinques.
— E você? Vai dançar sozinha a noite toda?! — indaguei. — Deveria aproveitar, porque é muito raro termos uma noite de solteira quando já estamos casadas. — apontei, maliciosa.
— Não quero dançar com estranhos. Eles podem se aproveitar do meu estado! — explicou, com sorriso meio débil.
— Não seja por isso! Você pode dançar com a conhecida aqui! — sugeri, apontando para mim.
Ela parecendo ficar empolgada com a ideia, colocou sua bebida em cima da mesa, pegou na minha mão e saiu me rebocando de volta para a pista, onde Emma e Tina se beijavam novamente.
Quando já dançávamos, Mary olhou para mim e confessou: — Eu nunca tinha beijado uma mulher antes! Acho que agora entendo porque Emma é lésbica! É ao mesmo tempo proibido e excitante ficar com alguém do mesmo sexo. — revelou, entusiasmada.
— Não sabia que era a sua primeira vez, se soubesse teria sido mais delicada! — afirmei, brincalhona, e ela sorriu.
— Pelo jeito, isso não é novidade para você! — falou, depois de algum tempo.
— Engano seu! Jamais havia tido essa experiência antes de beijar a sua irmã para provocar Killian, hoje à tarde. Mas, em menos de 24h, também beijei você. Agora, acho que sou oficialmente bissexual! — respondi sorrindo.
— Posso te pedir uma coisa?! — questionou-me com olhar meigo.
— Claro!- respondi, já imaginando o que ela iria me pedir.
— Queria te beijar de novo! — confessou, com voz doce.
— Será um prazer! — disse, enlaçando-a pela cintura e atraindo-a até mim.
Toquei seus lábios de uma forma terna, roçando-os delicadamente com os meus. Mas, ela agarrou meu pescoço, intensificando o contato, dando um leve puxão no meu cabelo.
Interrompi o beijo: — Pelo visto, seu constrangimento inicial já passou, hein, Sra. Nolan? — questionei, zombeteira.
— Há muito tempo só estou beijando David e, como você bem disse, tenho que aproveitar minha rara noite de solteira! — exclamou, puxando-me para si e beijando-me novamente de forma quente.
Quando, enfim, pareceu ter se saciado, soltou-me e sorri, desviando o olhar e, logo, encontrando o de Emma que aparentava ter ficado muito interessada com a cena que sua irmã e eu acabávamos de protagonizar.
Neste instante, Ruby chegou com Belle, as duas um tanto descabeladas, e anunciou:- Ei, meninas, já é meia noite! Está na hora do meu segundo pedido ser realizado. Vamos para um clube de Strippers!. — e seguiu andando para avisar às outras.
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