Entre Dois Mundos
3 Olhos vermelhos
Notas iniciais
Victor passou a fazer frequentes rondas pelas regiões vizinhas. Dias já se passaram e nenhum outro indício do nosso “visitante” surgiu. Talvez tenha ido embora. Nós não tínhamos certeza. De qualquer forma, tínhamos de estar atentos.
É noite de sábado. Jantar em família. Era bom estarmos todos juntos ao redor da mesa. Não precisávamos nos referir um ao outro por nomes falsos. Podíamos conversar sobre qualquer coisa. Era o único lugar onde podíamos ser nós mesmos. A melhor sensação.
Meus padrinhos, Corina e Narin Becali- que acabaram optando, por segurança, serem chamados de Nora e Herold Green- possuiam uma loja de antiguidades à poucas quadras da nossa atual residência.
Corina e Narin, são casados. E eram feiticeiros reais no Castelo de Vlaus. Se tornaram grandes amigos dos meus pais. Conheceram Victor em meados dos anos 90, e acabaram tornando-o parte da família, um filho. – mesmo que ele seja cinquenta e cinco anos mais velho que seus ’’pais adotivos”.
—Novidades sobre o visitante? – perguntou Narin. Servindo um vinho.
—Aparentemente não está mais na localidade. –respondeu Victor. Que apenas nos presenteava com sua companhia.
A TV estava ligada. E durante a refeição uma notícia nos chamara a atenção.
“...Dois corpos foram encontrados na manhã desde sábado. Clark Mills e Jonathan Parker saíram para praticar uma caçada esportiva nas mediações da região sudoeste em Oslo, capital da Noruega. O departamento de polícia da região investiga o caso. As suspeitas são de ataque de animais...”
—Ataque de animais...-repetiu Narin. –Victor, você poderia verificar essa região? Ataques de animais não são comuns em Oslo...
—Irei caçar nessa madrugada. Oslo fica há algumas horas, posso ir até lá.
Continuamos o jantar. Narin e Victor conversavam sobre a possibilidade do ’’ ataque de animais” ter sido causada pelo ’’ visitante de Bergen”. Reparo que Corina estava com um olhar distante. E que eu conhecia bem.
Corina é uma mulher especial, possui dom de ver futuros próximos- com algumas restrições — suas visões são subjetivas – se modificam frequentemente – pois se adaptam conforme às decisões tomadas pelas pessoas..
—Corina, O que você viu? –perguntei quando ela voltava do transe. Os outros também se atentaram para ela.
—... Não tenho certeza...-ela balançou a cabeça algumas vezes, se recuperando. –Acho que vi a Floresta Hoia-Baciu, estava escura, havia uma lua de sangue no céu. Mas estava tudo embaçado. –ela pousou as mãos ao redor dos olhos.
—Nada nítido? –perguntou Narin.
—... Eu vi o castelo dos Dalca... Vi Claus, senti calafrios. Não é um bom sinal...-Ela repentinamente ficou sem expressão.- ...Claus tem planos de se expandir...-ela completou.
***
Os dias tem passado cada vez mais rápidos nos últimos tempos. Corina à algumas semanas teve uma visão.
"...Claus tem planos de expandir... ". Ela disse durante o jantar.
Coisas ruins estão para acontecer. Até então não sabemos quando, mas Claus pretende revogar a decisão do meu avô Vlaus de deixar os ’’mundos” separados. Claus tem planos de revelar a existência daqueles que vivem dentro da floresta, conquistar mais terras, destruir os humanos.
Narin acredita que logo teremos de nos mudar novamente. As notícias nos telejornais sobre pessoas desaparecendo ’misteriosamente’ e vestígios de grandes animais estão sendo encontrados próximo as matas, se tornaram cotidianas.Com as últimos anúncios, Victor tem estado cada vez mais atento as desaparecimentos -por enquanto, ainda estamos em uma distância segura, mas sabemos que não será por muito tempo. Já estamos nos últimos dias do último ano letivo e pretendemos nos mudar logo após a formatura.
21:46pm, marcava o pequeno relógio de mesa que se encontrava sobre meu criado mudo. Fitei os brilhantes números que piscavam insistentemente sob o móvel de madeira maciça. Desviei o olhar, voltando-me para aquilo que me prendera a atenção nas últimas duas horas, a fotografia dos meus pais estampas no interior no medalhão. Hoje, oficialmente, completava onze anos da morte deles. Onze anos desde que perdi minha família e minha vida.
Há vários dias venho pensando constantemente neles- em como sempre diziam que estaríamos juntos- e realmente poderia ter sido desta forma, se eles não tivessem sidos roubados de mim. Apesar de ter ido embora ainda muito pequena, me lembro de como eles sempre se mostraram muito forte juntos. Amados por todos, justos e fiéis ao seu povo- assim como meus avós, Vlaus e Caterina.
As lembranças vem me consumindo. Mesmos que quisesse esquecê-los, Corina e Narin não permitiriam, frequentemente os surpreendo-os perdidos em pensamentos, comentando de como eram nossas vidas em nossa terra natal, dos bailes, das canções das ninfas do lago leste, e de como vivíamos em tempos de paz e tranquilidade, sem segredos, mentiras. Sendo apenas nós mesmos.
—Nós mesmos... –repeti o pensamento após um longo suspiro. Logo adormeci.
Está tudo escuro. Ouço sons de passos. Galhos se partindo. Estou no centro de uma floresta. Ouço um agudo ruído.
—Tem alguém ai?
Tudo desapareceu. Estou em uma grande sala redonda. Altas janelas de vidro revelam uma noite escura. Não há estrelas no céu. Não há nada. Apenas uma grande e bela esfera vermelha no alto da noite.
—Lua se sangue. -concluo.
Uma tenebrosa gargalhada invadiu o espaço.
Na ala norte da sala, vejo um majestoso trono revestido de ouro e rubis. Sentado nele, uma figura. Uma assustadora figura humana.
Muitas coisas sobre o meu passado já não eram alimentadas pela minha mente, as lembranças eram vagas. Mas aquela figura era bastante particular. Uma criatura. Uma criatura de pele pálida e cabelos negros. Uma criatura com intensos olhos de sangue. Uma criatura cuja a aparência que, dentre poucas coisas, sobreviveu em minha memória. Um rosto que eu jamais poderia esquecer.
—Claus. -me arrepiei.
Estava paralisada. Aquele olhar era inconfundível. Aquele olhar queimava e me consumia por dentro.
—Pequena criança... -sua grave voz ecoou por todo o espaço. -Que agradável surpresa...- ele sorriu.
—Como pode sorrir? Depois de tudo o que você fez... Matou sua família, o seu pai... O meu pai.
—O seu pai era um fraco! Todos eles eram.-disse friamente.
—Eles te amavam...
—Amor... O amor é para um sentimento para pessoas pequenas. Te limita, te deixa fraco e cego.- ele gargalhou.
—Você ainda pagará por tudo que fez Claus! Um dia você cairá.- afirmei.
—Quem seria capaz de tal coisa? Você?...- debochou. -...Criança tola! NINGUÉM JAMAIS PODERÁ ME DERROTAR! – bravou.
Seu olhar era tão penetrante e estarrecedor. Era impossível não ser hipnotizada por eles.
Gargalhou.
Sua expressão mudara. Agora ele vestia um sorriso no canto de seus lábios.
—Algumas pessoas são tão ingratas. -completou. — Deveria está satisfeita por ainda poder respirar... Mas não se preocupe...LOGO NÃO ESTARÁ MAIS! – de repente os sangrentos olhos pularam em minha direção.
—AHAHAH! –acordei desnorteada. A porta do quarto se abriu instantaneamente. Um vulto entrou no ambiente. Era Victor.
—Brie! Ouvi seus gritos.- Victor estava parado ao pé da minha cama.
Eu não conseguia falar. Não podia. Apenas me derramava em lágrimas.
Victor me abraçou. Era o abraço mais gelado, vindo dos braços mais duros. Mas era aquele abraço que mais me dava segurança. O que eu mais amava. Eu sabia que enquanto eu tivesse aquele abraço, no final, tudo terminaria bem. E era o que eu mais desejava, que tudo terminasse bem.
—Obrigada por está aqui.-o abracei ainda mais forte.
—Eu sempre estarei.
E eu sabia que estaria...
Victor era uma das poucas coisas que faziam sentido em minha lamentável existência. Sua presença me fazia forte. Seu sorriso me mantinha esperançosa nos momentos de dor. Seus olhos amendoados, sempre me diziam que eu nunca estaria só. Mas nossa cumplicidade é algo que não se podia controlar.
Victor Danilova nasceu em 1922, no sul da Rômenia. Mas pouco se lembra do seu passado, sabe apenas que ficou órfão no início da adolescência, seus pais haviam morrido em umas das antigas epidemias virais da época. Viveu até atingir a maioridade em um orfanato. Foi em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, que ele – fugindo de soldados alemães, que o perseguia – acabou se perdendo dentro de uma floresta, a Hoia-Baciu. Foi encontrado desacordado por uma senhora, uma transmorfo — que o ajudou nos dias mais dolorosos do final de sua antiga vida- havia sido mordido, e tornou-se um vampiro. Com o seu novo modelo de vida, passou a viver no Reino de Piatră, se alimentando de animais silvestres. Até encontrar Corina e Narin.
Victor é meu guardião. Corina, meses antes do meu nascimento, previu que assim seria. Mas também, ele é mais que isso. Somos grandes amigos. Temos uma forte ligação, desde o meu primeiro suspiro, ele sempre esteve ao meu lado.
Dias se passaram. Estou em meio a semana de provas finais. A semana tem sido agitada e um tanto ’’estressante”. Tenho passado minhas noites sobre os livros. Victor tem me ajudado, ele era bom nisso. "Ficamos bons nisso quando se vivi o ensino médio repetidas vezes” -ele disse em uma das vezes que me ajudou com a matéria de biologia.
Bom, até que tinha suas vantagens ele conhecer os assuntos. Ele sempre tira as melhores notas. E também, posso ter aulas particulares com um professor nada convencional.
23:19pm marcava o visor do meu celular. Foi um estudo muito proveitoso, confesso. Mas já estava ’’ trancada” no quarto a bastante tempo. Notei quando senti meu estômago roncar.
***
Victor e Narin encontravam-se no sótão da antiga casa- organizando o espaço- enquanto conversavam sobre a mais nova ’’novidade”. Victor à algumas noites, enquanto caçava no sudoeste do estado, identificou o cheiro de mais ’’visitantes”. Metamorfos. Dessa vez, não estavam tão perto quanto o ’’ vampiro de algumas semanas atrás”. Mas era mais um sinal de alerta. O que estariam fazendo do lado externo de Hoia-Baciu?
—Essa noite irei fazer mais uma ronda nos arredores, se eles estão próximos não quero ser pego de surpresa.-disse Victor realocando uma caixa em um canto disponível no local.
— Corina teve mais uma visão à pouco, nada concreto, ela não consegue decifra-lo, Claus deve está incerto de suas escolhas.- Narin suspirou.-...Assim espero, pelo menos ainda há esperanças...
— Esperanças por Claus é o que menos tenho em minha existência. –ironizou Victor.
—Filho, sei que Claus é um ser amargo e desprezível, mas você deveria ter mais fé nos outros. –sorriu.
—Narin, eu não... -Victor parou repentinamente sua fala. –...Beatrice!. –bravou desaparecendo instantaneamente da visão do homem- que correu logo atrás em sua velocidade previsivelmente humana.
Minutos antes...
Após horas sentada em uma cadeira em frente a uma escrivaninha, sentir minha barriga, mais uma vez, implorar por algo comestível. Levantei rapidamente- o que me fez ficar tonta por alguns segundos- em direção ao corredor que levava ao andar térreo da casa, onde se encontrava a cozinha.
Ao me encontrar no último degrau, observando a janela, percebi que ainda chovia muito no lado exterior da residência. A janela se encontrava entreaberta- possibilitando a entrada de algumas gotículas d’ água no interior da aquecida sala. Ao me aproximar da grande esquadria de vidro, pude observar que no interior da pequena mata- do outro lado da rua- um par de brilhantes avermelhados flutuava no meio da escuridão. Aquela imagem era assustadoramente familiar para mim – paralisei e arrepiei. Senti uma grande corrente fria percorrer pelo meu corpo.
Fechei a janela e as grandes brancas cortinas rapidamente, dando poucos passos para trás. Saltei ao perceber que a porta da entrada da casa se encontrava escancarada e que aqueles cintilantes avermelhados eram na verdade grandes olhos sedentos- que pertenciam a uma aparentemente figura humana- à pouquíssimos metros de mim. Prontos para atacar.
Não conseguia me mover, não conseguia respirar, apenas cerrei os olhos esperando pelo provável fim que aquela cena levaria, o meu.
Subitamente, ouço um forte barulho de um impacto, e milésimos de segundos depois um estilhar de vidro. Rapidamente abri meus olhos, duas silhuetas encontravam em um espantoso- e impressionantemente rápido- confronto corporal.
—Querida, venha comigo.- disse Corina aproximando-se.- Rápido!
Despertei do meu transe. Corremos para o andar superior, entrando no cômodo do corredor mais distante das escadas, cerramos a porta com o móvel mais próximo, nos trancando no meu quarto.
Corina se dirigiu a janela, observando o movimento exterior. A rua estava completamente abandonada- visto o temporal que se instalara desde o inicio da tarde. Podíamos ainda ouvir alguma agitação vindas do andar inferior. Me aproximei de Corina- que me envolveu em seus braços calorosos.
—Vamos ficar bem. — ela disse.
Alguns minutos depois, Narin veio nos avisar que já nos encontrávamos em segurança. Victor estava no porão ’’acomodando” o nosso mais novo hóspede.
O porão era o único espaço da casa estruturado com uma grossa camada de concreto, totalmente fechado, com apenas uma saída, uma grade de aço.
Após toda a agitação, fomos ao encontro de Victor. Dois andares a baixo, no fim de um longo corredor, estava Victor, observando o interior da, agora, cela.
Cuidadosamente me aproximei. Ao fundo do cômodo, estava uma figura irritada e bastante inquieta. De repente, percebendo minha presença, o indivíduo me fuzilou raivosamente. Bruscamente a criatura chocou-se contra a grade de aço- a única coisa que nos separava.
—!!!- gemeu o indivíduo após se encontrar com as barras.
—Já avisei, as barras estão regadas com erva d’ ente. — anunciou Victor. -Você só vai se machucar tentando atravessa-las.- advertiu.
Erva d’ ente. Um toque e suas propriedades causariam a um humano o derretimento da pele. Um toque que causaria uma desconfortável dor em um imortal. Um dos poucos truques que Narin e Corina ainda conseguiam realizar. Não tínhamos muitos recursos para magia do lado de cá.
—Quem é você? — pleiteou Narin.
—Alguém com que você vai se arrepender de ter encontrado!- rosnou.
— Vejo que não conseguiremos nos comunicar desse jeito. Acalme-se e voltaremos. –afirmou Narin.
Com exceção de Victor- que ficou ao encargo de vigiar o hospedeiro- todos nos dirigimos de volta para o andar comum do domicílio.
Já amanhecia quando finalmente consegui adormecer. Mas não foi um sono nada tranquilo, ao contrário, tive insistentes pesados. Flashbacks da noite em que fugi do meu lar. Dos gritos desesperados de Cecília. Despertei ofegante. Já era noite novamente, provavelmente dormir o dia inteiro. Percebi uma umidade em minha nuca. Ouvi batidas na porta.
—...Entre.- afirmei sentando no macio colchão. A porta vagamente se abriu. Pude identificar lindos olhos amendoados na porta entreaberta.
—...Estava sonhando? – disse Victor fechando a porta após adentrar no quarto.
—Pesadelos, meus pais... –disse cabisbaixa.
—...Eles voltaram a serem frequentes, não é mesmo? –sentou na ponta direita do colchão.
—Depois de muito tempo, sim.- confessei.
—Sinto muito, gostaria de poder te proteger deles...
—Eu estou bem... –forcei um sorriso. – ...E o "convidado”?
—Narin está cuidando dele, está menos descontrolado... O cheiro dele, era ele que estava aqui à algumas semanas.
—Era ele?...Ele disse alguma coisa? Por que está aqui?
—Nada de relevante, apenas insultos.- riu baixo.-...Você precisa se alimentar... –fitou-me autoritário. Minha barriga roncou.
—As vezes chega a ser irritante você conseguir ouvir meu estômago reclamar antes de mim... –levantei.
—Você sempre diz isso... –sorriu de canto.
Após concluir minha rotina de higiene matinal, juntei-me a minha madrinha em uma breve refeição.
—Beatrice, está se sentindo bem?
—...Ãn?.- suspirei. – Estou... pensativa...
—E o que lhe aflige, minha querida?
—Os pesadelos voltaram... – relatei. –E me sinto estranhamente fraca.
—Doente?
—Perdida, incapaz...
—Os últimos acontecimentos não têm sido muito favoráveis, as notícias nos telejornais, as visões, o ataque de ontem à noite...
—Victor comentou sobre o ’’visitante’’ ser esse cara?
—Sim, pelo menos agora sabemos quem é. Podemos descobrir o que ele quer.
... Será... Será que meu tio o enviou? Ele descobriu onde estamos? Ele, ele quer a mim? ...E os que estão comigo!? Não pode ser! O que está acontecendo?! Eu não sei, não sei!
—...Me sinto culpada, eu sou o motivo desse tormento.- cerrei os olhos, cobri meu rosto com as mãos.
Ela abaixou minhas mãos e a segurou.
—Não se culpe pelas desgraças causadas pelo seu tio, Claus sempre foi uma criatura... Complicada.
—É mais que isso, Corina. As coisas pioram a cada dia! .- fitei-a.- Tenho a sensação que...-respirei fundo.- Não sei, alguém precisa para-lo.
Com o fim da refeição, Corina e eu nos reunimos aos outros -onde se encontravam com o prisioneiro.
Dessa vez, embora fosse vivível sua irritação por estar confinado, a criatura se encontrava em uma aparência mais"agradável” que na noite passada. Assim, pude observar melhor sua silhueta- o homem vestia uma calça jeans de lavagem escura, uma camisa branca, manchada por algo que parecia ser sangue, grandes e pesadas botas pretas e, no canto do quarto, pude observar uma jaqueta de couro jogada no chão. Sua pele era pálida como papel, seus cabelos eram escuros como carvão, um pouco acima dos ombros, seu olhar era profundo e assustadoramente vermelho.
—Acredito que já esteja mais calmo?.- indagou Narin à criatura.
—Vocês não sabem o que estão fazendo.- retrucou.-
—Não dificulte as coisas... – Victor ameaçou.
—Claus o mandou? –disse Corina.
—Vocês conhecem Claus? –disse dono dos olhos vermelhos, aparentemente surpreso
—Não seja estúpido, não vê o que somos?.-Victor disse seriamente.
—Você é um dos meus.- O vampiro fixou seu olhar em Victor. – Dois humanos...- voltou seu olhar para o casal à minha frente, sorrindo de canto, seus olhos brilharam.- E uma criatura que não consigo identificar... – disse o rapaz observando-me. Senti um frio arrepio, como o da última noite.
—Não sabe quem somos? –disse Narin.
—Imbecis, com certeza! – disse o rapaz revirando os avermelhados olhos.
—O que faz aqui, fora do Reino? –disse Corina
—Poderia fazer a mesma pergunta...- o rapaz erguei uma das sobrancelhas.
—Desembucha!.- irritou-se Victor.- Se quiser escapar vivo...
Após alguns resmungos o ’’detento” resolveu falar.
— Tive que...- ele contraiu os olhos, dolorosamente. — ...fugir...- a palavra parecia muito difícil de ser dita. — ... Fiz algumas coisas que desagradaram meu pai...
—Que tipo de coisas? –indagou Victor.
Exitou.
—...O desobedeci. Ele queria que eu liderasse um massacre contra os povos do sul... Não concordei com a ideia, e meu pai não suporta ser contrariado. Ele acabou enviando seus capangas para virem atrás de mim. Venho fugindo nos últimos meses, mas Vacile e seus companheiros estão cada vez mais perto...- rosnou- E vocês estão me atrasando!
—Você disse Vacile?- repetiu Narin. –Quem é seu pai?! –cerrou os olho desconfortável, esperando a resposta.
—Rei Claus II Dalca. –confessou.
Aquele nome me fazia arrepiar todas as vezes que o ouvia, e dessa vez não fora diferente.
—Claus é seu pai?! Mas como?- disse Corina confusa.
—Claus me encontrou à alguns anos, eu estava muito doente e ele me salvou... Me transformou... Ele disse que viu um grande ’’potencial” em mim. –bufou, revirando os olhos.
—Então Claus tem feito caridade? –ironizou Victor.
—Depois de ter se alimentado e matado toda a minha família, sim.-rosnou o preso.
—E depois dele ter matado sua família, você seguiu com ele? –pela primeira vez, adentrei na conversa.
Não respondeu.
—Como você se chama? –indaguei.
— Sou Adrien, Adrien Kreta.
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