Notas iniciais
Hi! Obrigada pelos comentários do capítulo anterior, fico muito feliz que tenham gostado do retorno e das revelações eheheheh E superhipermegablaster obrigada a EverythingisBLUE pela recomendação MARAVILHOOOOOOOOSAAAAAAAA que me deixou sem chão! Menina do céu, primeiro eu levei um susto porque não tava esperando recomendação nesta fic (ainda a minha insegurança), aí fui abizoiar e fiquei em choque com tanto carinho, com tantos elogios, com tudo! Muito muito muito obrigada mesmo!!!! Você fez o meu dia e eu vim correndo postar o capítulo! Dedico a usted! Well, ele não acrescenta muiiiiiiitas novidades à trama, é mais um capítulo de ligação e emocional, mas mesmo assim espero que curtam!

Futuro. Castiel havia dito muitas coisas, mas esta era a única palavra que ecoava incessantemente na cabeça de Mia.

Enquanto Sam, Dean, Bobby, Natalie e Claire bombardeavam o anjo com perguntas sobre o quanto eles podiam confiar em Gabriel, sobre a Legião de Lúcifer, sobre como exatamente eles venceriam os anjos caídos, Mia só conseguia pensar no medo que sentia. Não da viagem no tempo em si ou de enfrentar poderosos inimigos quando chegasse lá, mas de descobrir o que o destino lhe reservava.

O quanto ela avançaria no tempo? Como estaria nesse futuro? Crowley ainda reinaria por lá e cumpriria as ameaças subentendidas que fez? Seus amigos e Castiel estariam bem? Vivos? Ela seria apenas uma solitária caçadora com medo da própria sombra?

Sem conseguir focar-se na conversa que transcorria a sua volta, e sentindo-se inútil e desconfortável por isso, Mia aproveitou que todos estavam distraídos e se afastou devagar, até deixar a sala e, por fim, a casa de Bobby Singer.

Depois de entrar no Mustang, dirigiu sem rumo certo por aproximadamente vinte minutos e parou em um bar no meio de uma estrada da região. Apesar de não ser nem onze horas da manhã, não hesitou em se aproximar do balcão e fazer o pedido:

— Whisky, por favor.

O sujeito do outro lado, um homem barbudo e um pouco acima do peso, arqueou as sobrancelhas e checou o horário em seu relógio de pulso. Depois tornou a fitar a cliente diante de si, como quem pergunta se a pessoa tem certeza.

Um pouco irritada, Mia articulou em sua defesa:

— O que foi? Em algum lugar do mundo, é meia noite, sabia?

— Você que sabe, moça — sibilou o homem, dando-se por vencido e pegando uma garrafa e um copo embaixo do balcão.

Mia sorriu levemente e aguardou o sujeito servir a primeira de muitas doses que pretendia tomar. Entretanto, alguém pretendia arruinar tal plano e antes que a bebida encontrasse o fundo do copo, uma voz ecoou atrás da caçadora:

— Ela quis dizer água. Por favor.

Ao reconhecer a voz de Castiel e prevendo que ele não iria deixá-la encher a cara, Mia fechou os olhos por um instante e praguejou em pensamento. Em seguida, sorriu amarelo para o homem atrás do balcão e, muito a contragosto, assentiu com um meneio de cabeça.

Depois de pegar a garrafa de água gelada que ele lhe entregou e deixar algum dinheiro sobre o balcão, se afastou e passou pelo anjo sem olhar para ele exatamente.

Acomodou-se em uma mesa no canto do estabelecimento, longe de tudo e de todos, porém não conseguiu se livrar da presença de Castiel. Como Mia previa, o anjo puxou a outra cadeira e sentou a sua frente. Ficou observando-a enquanto ela tomava a água em silêncio.

— O que você está fazendo? — perguntou por fim, intrigado com o comportamento da caçadora.

Com deboche, Mia respondeu:

— Aparentemente, tentando ficar bêbada com água... Estraga prazer.

— Não era a isso que eu me referia — retrucou o anjo, estreitando o olhar enquanto ela tomava um generoso gole da água e evitava encará-lo de volta. — Eu me refiro a tudo. Mais especificamente ao seu comportamento nas últimas semanas, ao fato de você ter saído sem que ninguém visse e por querer ficar bêbada às onze da manhã. Por que você veio para cá, Mia?

Sem querer lhe dar explicações e entrar em um assunto que preferia evitar, a caçadora finalmente encontrou o olhar do anjo e mudou drasticamente o rumo da conversa:

— Então... Vocês já têm um plano?

Por mais que soubesse que ela estava desviando o foco, Castiel ficou confuso com a pergunta e rebateu:

— Como assim vocês?

Fingindo que tinha acabado de se lembrar de algo importante, Mia bateu na própria testa e despejou:

— Oh! Acho que eu esqueci de mencionar, mas sobre todo aquele papo maluco de viagem no tempo... Eu estou fora.

Ela tomou mais um pouco de água, enquanto o anjo assimilava suas palavras. E ainda mais confuso com a postura dela, Castiel tentou abrir seus olhos:

— Mas você ouviu o Gabriel. Se não fizermos isso juntos, se alguém ficar de fora, tudo vai dar errado.

— Dane-se, eu não acredito nele — Mia disse no ato, mais para convencer a si mesma do que Castiel.

— O suficiente para arriscar? — questionou ele, sabendo que no fundo ela não estava falando sério. — Não são apenas as nossas vidas que estão em jogo, Mia, mas o destino de bilhões de pessoas. Se for libertado, Lúcifer vai fazer com o planeta o que bem entender, o que sempre quis. Ele vai trazer destruição, sofrimento imensurável, até exterminar toda a raça humana. É isso o que você quer? — acrescentou numa tentativa de trazê-la de volta a realidade.

E funcionou. Mia engoliu em seco ao estremecer com a simples ideia de que Lúcifer vencesse no final, deixou a água de lado e, sem pensar duas vezes, respondeu:

— Claro que não. Você está certo, me desculpe. Eu estava sendo egoísta, só isso.

Depois de observá-la passar as mãos pelo cabelo, num sinal de ansiedade e nervosismo, Castiel recomeçou:

— Egoísta não. Você está com medo de alguma coisa e me evitando sempre que pode. Por quê?

Movida pelo instinto de fugir do assunto mais uma vez, Mia mentiu:

— Bitch, please... Eu não estou com medo coisa nenhuma, nem te evitando.

Porém, diante da expressão incrédula e insistente de Castiel, ela tomou uma decisão. Não aguentava mais guardar aquilo para si e estava claro que ele não se daria por satisfeito, caso ela desconversasse novamente.

Sendo assim, Mia respirou fundo e despejou com o seu característico ritmo acelerado:

— Tudo bem, já que você vai insistir nisso até o fim dos tempos, eu vou ser direta. O Crowley só não me matou em Paradise Hill porque, segundo ele, não teria a menor graça. Mas ele não vai me deixar em paz. Nunca. Ele vai tentar me ferir como puder, sempre que puder. E isso se estende a qualquer pessoa ou anjo que insistir em ficar perto de mim, fazendo parte da minha vida de alguma forma. Você entende o que isso significa?

Castiel desviou do olhar de Mia e pensou um pouco sobre o que ela havia contado e argumentado. Embora entendesse a gravidade das ameaças de Crowley, ele não conseguiu conter um discreto sorriso quando tornou a fitá-la e resumiu:

— Em outras palavras, você está tentando me proteger?

— Por que soa tão ridículo com você falando? — Mia encolheu-se na cadeira e franziu o cenho, desconfortável.

Sem pestanejar, o anjo replicou:

— Porque é. — Quando ela lhe encarou duramente, ele ergueu as mãos em sinal de rendição e emendou com cautela: — Como você diz, sem ofensa. — E após um momento a avaliando, prosseguiu: — Eu me sinto honrado, Mia. Obrigado. Mas você não acha que os papeis estão meio invertidos? Afinal, eu sou um anjo do Senhor e você, humana. Uma humana muito... temperamental, aliás.

— Como? — ofendeu-se.

Sem dar importância à reação, Castiel provocou de um jeito dissimulado:

— Eu ia dizer teimosa, mas imaginei que você não fosse gostar muito. Temperamental me pareceu uma alternativa melhor. Mas geniosa também é aplicável.

Irritada, Mia riu sem humor e começou a levantar ao mesmo tempo em que resmungava:

— Legal, você não está me levando a sério.

Prontamente, o anjo segurou a mão dela sobre a mesa, a impedindo de ir embora, e esclareceu:

— Não, é você que não está me levando a sério. Por isso, eu também serei direto.

A contragosto, a caçadora voltou a se sentar. Então cruzou os braços contra o peito e ouviu o que Castiel expôs a seguir, com uma firmeza que a irritava e encantava ao mesmo tempo:

— Eu não tenho medo do Crowley e não vou aceitar que você se afaste de mim ou dos seus amigos por causa dele. Mais do que isso, eu não vou permitir que você deixe de viver a sua vida por causa dele. Então, se nós tivermos que lidar com Crowley para sempre, adivinhe? Nós lidaremos com ele para sempre. Mas faremos isso juntos, não separados. Não mais.

Sentindo que era a sua vez de falar, Mia ignorou o seu coração acelerado e a sensação de segurança que as palavras do anjo lhe despertaram, arqueou as sobrancelhas e inquiriu:

— Quando você diz nós e juntos, quer dizer que não vai mais mentir pra mim, nem me deixar de fora do jogo como da última vez?

Castiel sabia que aquela era uma pergunta crucial. Por isso, permitiu-se pensar por algum tempo, antes de responder do jeito mais franco que pôde:

— Eu não posso prever como vou reagir quando a sua segurança estiver em risco de novo. E considerando Paradise Hill, você não pode exigir muito de mim neste ponto, lembra?

Mia simplesmente assentiu, pois sabia que Castiel estava certo. O incidente de Paradise Hill a levou a agir do mesmo jeito que o anjo no Triângulo das Bermudas. Mais do que isso, a fez perceber que os dois agiram assim várias vezes, sempre pensando na segurança do outro em primeiro lugar, contando algumas mentiras ao outro por causa disso. No fim, eles eram iguais neste ponto. O sujo e o mal lavado.

— Mas eu prometo que vou tentar respeitar o seu espaço e o seu livre arbítrio de agora em diante — a voz terna de Castiel e a mão dele sobre a sua fizeram Mia afastar os pensamentos anteriores e ouvi-lo com atenção. — Talvez... essa luta contra a Legião de Lúcifer, da qual você queria pular fora, por conta própria, há apenas alguns segundos, possa ser um bom teste para nós dois.

Ignorando o leve tom de provocação, Mia ateve-se ao resto, entrelaçou a mão dele e sibilou:

— Talvez.

Castiel sorriu, satisfeito com a conversa e por ter esclarecido tudo o que estava mal resolvido até então. Contudo, ainda havia um detalhe que precisava ficar claro entre os dois. Por isso, ele sondou, esperando que Mia entendesse:

— E então?

— Então o quê? — Ela piscou algumas vezes, distraída enquanto mexia nos dedos de Castiel.

Ele resolveu tentar de uma forma mais direta:

— Nós estamos bem agora? Definitivamente?

Mia semicerrou o olhar, entendendo o que o anjo queria saber e fazendo a pergunta para si mesma. Pensou um pouco enquanto um filme passava em sua mente.

Tinha sido uma longa jornada até aquele momento, cheia de altos e baixos, sofrimento, provações, autoconhecimento, confissões. E depois daquela conversa, finalmente Mia não via mais nenhum motivo para que eles não ficassem juntos de novo.

Ela tinha sentido tanto medo do futuro, mas agora entendia que não precisava temê-lo de verdade, já que ele estava sentado bem na sua frente. Castiel era o seu futuro. O seu destino. Sempre foi. E juntos, eles venceriam qualquer coisa, qualquer inimigo, em qualquer tempo.

Sentindo uma felicidade genuína que crescia e ganhava força dentro de si, lhe deixando mais confiante e forte a cada instante, Mia repousou a outra mão sobre a de Castiel, lhe lançou um olhar sugestivo e respondeu:

— Definitivamente é uma palavra muito forte, que eu só pretendo usar quando não existir essas malditas roupas entre nós e o codinome coelhos voltar a fazer sentido. Mas por hora, sim. Nós estamos bem, anjo.

— É impressão minha ou você está insinuando que gostaria que nossas roupas não estivessem onde estão? — indagou retoricamente.

Ela suspirou, tomou o último gole de água e, enquanto se levantava, deixou a resposta subentendida:

— Não dá para negar, eu senti falta da sua astúcia.

***

Instantes depois, enquanto caminhavam lado a lado pelo pequeno estacionamento na direção do Mustang, os dois se aproximaram mais um pouco e suas mãos se tocaram sutilmente. Antes que pudessem pensar no que estavam fazendo, elas já tinham se entrelaçado por instinto.

Então Mia apoiou a cabeça no ombro de Castiel por um momento e questionou:

— Como você me encontrou aqui mesmo?

Após pensar um pouco, o anjo explicou:

— Não foi muito difícil, eu só precisei me concentrar e sua imagem nesse bar ficou clara. Aparentemente, a sua ligação com Crowley não é mais tão forte como antes. Meu sangue deve ter ajudado, além do fato dele ter desistido de te transformar em uma aliada do Inferno.

Aliviada, a caçadora expirou com força e balbuciou:

— Enfim uma boa notícia na existência conturbada de Mia Clarke. — Ao alcançar o Mustang, virou-se na direção de Castiel, passou os braços em volta do seu pescoço e emendou: — Você pode me encontrar, me curar e, se quiser, pode me beijar também.

Dissimuladamente sério, Castiel uniu as sobrancelhas e fingiu pensar na sugestão, torturando a caçadora com a espera por algum tempo. Por fim, ele abandonou a máscara, sorriu levemente e trouxe o rosto de Mia para junto do seu, enquanto a outra mão descia pelas costas dela e repousava em sua base.

Então seus lábios finalmente se uniram. A princípio, em um beijo cálido, mas logo envolvente e indiscutivelmente apaixonado. Sem pensar duas vezes, a caçadora aproximou-se ainda mais, praticamente colando-se a Castiel, ao mesmo tempo em que se recostava no veículo atrás de si.

Só então eles perceberam o quanto sentiram a falta um do outro. Por mais que não tivessem se afastado totalmente, agora era diferente, especial. Os dois estavam juntos novamente, completos. E Mia, finalmente, tinha entendido que não poderia viver de outra forma que não fosse aquela. Com Castiel.

Com o coração inevitavelmente acelerado e um tanto sem fôlego, ela afastou o rosto devagar, sorriu para ele e confessou:

— Eu sei que nós temos que voltar e que há uma missão importante pela frente, mas neste momento, eu só consigo pensar em tirar o seu sobretudo e... — Mia deslizou um dedo pela lapela da peça e mordeu o lábio inferior antes de completar: — Todo o resto.

— Não dá para negar, eu senti falta do seu romantismo — Castiel replicou, brincando com algo que ela havia dito antes. — Não há ninguém no bunker agora — insinuou, olhando-a com carinho.

Animada, Mia pressionou sua boca contra a dele, depois piscou, abriu a porta do Mustang e questionou antes de entrar:

— Então o que nós ainda estamos esperando?

Algum tempo depois

Mia parou o Mustang em frente ao bunker e deu um beijo demorado em Castiel, antes de sair do veículo aos risos e correr em direção à entrada da fortaleza, desabotoando a própria blusa.

Antes que ela chegasse à porta, Castiel se materializou na sua frente, a puxou para si e a beijou do mesmo jeito que ela havia feito no carro. Intensamente.

O farfalhar de asas ecoando em seus ouvidos, um frio no estômago e a sensação de que os seus pés tinham saído do chão por um momento fizeram a caçadora deduzir que o anjo tinha transportado os dois para dentro do bunker.

Com as pernas bambas — em parte por ter sido levada de um lugar para o outro, mas principalmente pelo efeito desconcertante do beijo —, Mia apoiou as costas em uma estante, do que imaginou ser a sala principal, e envolveu os lábios de Castiel com mais ardor, enquanto afastava o sobretudo dele, a fim de tirá-lo o mais rápido possível.

E ela teria tirado. E prosseguido com o resto, caso Sam não tivesse pigarreado de repente e perguntado um tanto sem graça:

— Nós devemos interrompê-los?

— Talvez gravar e jogar na rede? — emendou Dean.

Mais do que depressa, Mia e Castiel se afastaram e olharam na direção da mesa, atônitos.

Enquanto o anjo se recompunha, ajeitando o sobretudo e a gravata ligeiramente torta, Mia apressou-se em fechar os botões da blusa e arregalou os olhos ao perceber que, além dos Winchester, outras pessoas estavam na sala: Bobby, Claire e Natalie.

Enquanto Sam e Dean estavam sentados à mesa, de frente um para o outro, Bobby estava à cabeceira. Notebook, livros e manuscritos dos Homens das Letras espalhados por toda a parte.

Natalie e Claire encontravam-se de pé, cada uma segurando um livro que, aparentemente, haviam acabado de retirar de uma estante do outro lado da enorme sala. Todos olhando para ela e Castiel.

Sentindo o seu rosto quente como fogo, Mia engoliu em seco e perguntou com um fio de voz:

— O que vocês estão fazendo aqui?

Dean lhe lançou um sorriso forçado e replicou:

— Eu poderia perguntar o mesmo, mas como não quero ouvir vocês dois respondendo... nada, que tal esquecermos que essa cena constrangedora aconteceu?

— Parece bom. — Mia balançou a cabeça afirmativamente algumas vezes, evitando olhar para o Winchester mais velho ou para qualquer outra pessoa ali.

— Parece ótimo — Castiel limitou-se a concordar, posicionando-se ao lado de Mia.

Tentando ajudá-los, Claire decidiu explicar por que ela e os outros tinham saído do ferro velho e ido ao bunker:

— O acervo daqui é bem mais amplo e nós temos que descobrir como derrotar os anjos caídos de Lúcifer, antes de... darmos o tal salto para o futuro.

Castiel apenas assentiu, incapaz de dizer qualquer coisa naquele momento. E Mia, numa tentativa de enterrar o incidente anterior de uma vez, disse com uma falsa empolgação:

— Um dia inteiro de pesquisa então? Ótimo! Eu vou fazer litros e litros de café para nos manter acordados e bem concentrados!

Quando ela começou a se afastar, Castiel se preparou para segui-la e anunciou:

— Eu vou com você.

— Não na minha cozinha — cortou Dean em tom reprovador e firme, fazendo ambos estancarem no lugar. — Coelhos — resmungou baixinho, mas num volume suficiente para que todos ouvissem.

Sentindo o seu rosto queimar de vergonha novamente, Mia colocou as mãos na cintura e se defendeu com indignação:

— O quê? Isso é um absurdo! Não é o que você está pensando! Nós não íamos... Não íamos fazer nada, nada mesmo, nós... Espera aí — de repente, ela parou de falar, olhou de soslaio para Castiel e sussurrou confusa: — Nós íamos?

Parecendo nervoso com a pergunta — e visivelmente culpado também, já que talvez Dean estivesse certo sobre suas intenções —, Castiel endireitou a postura, assumiu um semblante sério e, olhando para todos, mudou de assunto:

— Eu andei pensando e, já que Gabriel não foi específico sobre o quanto nós temos que avançar no futuro para encontrarmos a Legião de Lúcifer, eu vou vasculhar o passado e arrancar essa informação diretamente dele. Acreditem, será mais eficaz do que invocá-lo de novo. — Olhando para Mia uma última vez, ele se despediu: — Hasta la vista, baby.

Logo em seguida, o barulho característico de suas asas se espalhou pela sala principal, junto com uma leve brisa.

— Cas, espere! — Mia ainda deu passo para o lado, mas já era tarde demais, o anjo havia desaparecido, escapado do seu alcance num piscar de olhos.

— Espera... Ele disse hasta la vista, baby? — Sam riu um tanto surpreso.

— Pois é, Metatron fez algo bom afinal — Dean ponderou, lembrando-se que o escriba traiçoeiro fez uma espécie de download na mente de Castiel há alguns meses, o enchendo de conhecimentos da cultura pop. — São tantas referências que o Cas entende agora, que o Capitão América se sentiria deslocado conversando com ele. Tipo... mais deslocado — brincou, arrancando um riso de Natalie.

— Sabe de uma coisa? Quando essa missão maluca acabar, eu vou fazer uma sessão especial de Schwarzenegger, versão T-101* — ela planejou, suspirando animada com a ideia.

Dean também se empolgou e sorriu. Por um milésimo de segundo, quase se convidou para a maratona de Exterminador do Futuro. Entretanto, ao se lembrar de que ele e Natalie não eram mais um casal, desmanchou o sorriso aos poucos e opinou meio apático:

— Parece divertido.

Natalie ergueu o olhar na direção dele e, também por um milésimo de segundo, pensou em como seria legal fazer uma sessão de cinema com Dean. A última vez que fizeram algo assim, foi com o filme Annabelle, que ela preferia esquecer que existia. Bonecas macabras não eram o seu forte, definitivamente.

Sentindo a necessidade de mudar de assunto, ela olhou para Mia e indagou:

— Então, vocês voltaram, hum?

Bobby aproveitou o tema e se pronunciou também:

— Tirando a cena de minutos atrás, muito bem. Que outros sigam o exemplo de vocês.

Quando o velho caçador lançou olhares significativos para a filha, Sam, Natalie e Dean, um silêncio perturbador se instalou na sala. Os ex-casais se entreolharam inevitavelmente e disfarçaram em seguida. Muito mal, aliás.

Mia, por sua vez, se perguntou se era um bom momento para investir no seu lado cupido novamente, como nos velhos tempos, e promover duas reconciliações em breve.

Enquanto ela pensava em como faria isso exatamente, Claire pigarreou e apressou-se em interromper o silêncio:

— Eu fico feliz por vocês, Mia.

— É, eu também! — emendou Natalie. — Mas não é nenhuma recaída, é? Tipo... Vocês voltaram definitivamente mesmo, certo? — quis confirmar.

Antes que pudesse planejar a resposta, Mia ouviu-se dizendo:

— Definitivamente é uma palavra muito forte, que eu só pretendo usar depois que as malditas roupas...

Ao se dar conta que estava falando demais e que o restante do discurso só interessava a ela e Castiel, a caçadora engoliu o restante das palavras, piscou algumas vezes, voltando a si, e fitou um a um os rostos que a encaravam de volta. Todos eles esperando que ela completasse o raciocínio e, ao mesmo tempo, receosos sobre o que ela diria a seguir.

Então, numa manobra para escapar de tal saia justa, Mia riu de um jeito nervoso e exclamou:

— Café! Eu esqueci do café! — E caminhando apressada rumo à cozinha, despediu-se por ora: — Hasta la vista, babies!

Todos a seguiram com os olhares, mas prefeririam não comentar mais nada sobre o assunto. E logo ela desapareceu no final do corredor que levava à cozinha.

Notas finais
* T-101: modelo do ciborgue interpretado por Arnold Schwarzenegger no filme Exterminador do Futuro e sequências. Me gusta muito de Exterminador do Futuro... Gente, conforme vocês devem ter percebido, baixou a shipper Miastiel em mim, eu não resisti, tive que focar nos coelhos, me julguem. Eu estava lembrando da fic Recomeço (quando o apelido coelhos foi mencionado pela primeira vez), lembrei dos flagras e situações constrangedoras que aconteciam, bateu saudade e pimba, me deixei levar. Última fic, sacomé né? Sempre vai rolar umas referências às anteriores eheheheheh Estou tentando balancear os capítulos (uns mais focados no problemão que o povo terá que enfrentar, outros focados mais na emoção), então o próximo irá retomar a questão dos anjos caídos, muita pesquisa, algumas pistas, dicas e afins. Gabriel? Talvez... Ah! O que foi o episódio 11X20 de SPN, pelo amor dos meus filhinhos??????? Eu sabia!!!! Ainda não vi o 21, mas gente... Essa reta final está me deixando negoçada. Inté! Não se esqueçam das reviews, hein?