Notas iniciais
Oi, gente!!!! Primeiramente, muito obrigada a quem já está acompanhando a fic, que favoritou e que comentou o capítulo anterior. Obrigada aos fantasminhas também! Segundamente, esqueci de dar os créditos à Hunter Debora Jones (mishamiga e mishaleitora) pelo título da fic. Sim, sim, sim! Entre Cinzas & Esperança surgiu durante uma conversa e ela me deixou utilizar aqui. Thanks, girl! Terceiramente, tirinhas estão na moda e ela fez uma para Miastiel inspirada no primeiro capítulo. O link é este aqui: http://devaneiosdeumahunter.blogspot.com.br/2016/01/tirinha-miastiel-por-hunter-debora-jones_12.html Leiam as notinhas finais! Por enquanto, boa leitura!

Claire colocou a bolsa de viagem com suas roupas e pertences sobre a cômoda do seu antigo quarto com Sam e esperou que o caçador fechasse a porta atrás deles.

Ignorando tudo o que estava sentindo naquele momento, que se resumia a uma mistura de dor e saudade, Claire virou-se na direção dele, viu quando Sam olhou rapidamente para a bolsa dela e ouviu atentamente quando ele cortou o pesado silêncio:

— Você disse que nunca mais iria embora.

Sim, Claire se lembrava muito bem de sua promessa. Foi algo dito logo depois que ela e Sam se reencontraram, há um ano e meio aproximadamente. Meses antes, Claire havia ido embora quando o exército de demônios foi libertado por Belial e Abaddon em um feitiço em que ela foi peça-chave.

Confusa e sentindo-se culpada pela morte de seu ex-noivo, David, ela abandonou Sam depois disso, no meio de uma estrada, após recusar o pedido de casamento do caçador.

Então, quando os dois se reencontraram e se entenderam, Claire jurou que nunca mais faria algo assim de novo, que nunca mais iria se afastar dele.

Contudo, as coisas tinham mudado de lá para cá. As circunstâncias eram outras. E querendo que Sam entendesse isso, ela manteve a calma e explicou magoada:

— Bem, isso foi antes de você mentir para mim.

— Você não estava em condições de lutar — justificou-se o caçador prontamente.

— Eu sei. E você podia ter me dito isso. Conversado, talvez — contrapôs Claire, em tom de crítica.

Depois de soltar um suspiro incrédulo, Sam replicou:

— Teria feito alguma diferença? Eu quero dizer, você teria desistido de me acompanhar de livre e espontânea vontade?

Permitindo-se perder um pouco da calma, a morena redarguiu em tom acusatório:

— Eu acho que nós nunca vamos saber, não é mesmo? Porque você simplesmente me tirou o direito de pensar a respeito e escolher o que era melhor naquele momento.

Percebendo que ela tinha razão nesse ponto e querendo evitar uma discussão, Sam recomeçou mais calmo:

— Claire...

Entretanto e também querendo evitar uma briga, ela o interrompeu e decidiu ser honesta não só com ele, mas consigo mesma também:

— Sam, olha, eu não sei se estou te abandonando de verdade, de vez, ou se semana que vem eu estarei bem aqui, de novo e dizendo que eu não consegui ficar sem você, mas eu posso te dizer como eu estou me sentindo agora. — Percebendo que tinha toda a atenção do caçador, ela continuou com a voz um tanto embargada: — E a verdade é que... Eu estou ferida. Profundamente. Porque à essa altura do campeonato, eu pensei que você já me via como sua parceira, mas você continua me enxergando como aquela garota de Stanford, que você encontrou anos depois em uma casa qualquer em St. Louis e descobriu ser filha do seu pai postiço Bobby Singer. Você continua me vendo como alguém frágil, que precisa ser protegida o tempo todo, e eu odeio isso. E eu odeio ainda mais a ideia de que atrapalho a sua vida...

— Claire, você não me atrapalha — interrompeu Sam, aproximando-se um pouco dela e baixando de vez a guarda.

Ignorando o que ele tinha dito, ela deduziu com tristeza:

— Talvez você estivesse melhor sem mim.

— Eu não estaria. — Sam deu mais um passo na direção de Claire e segurou o seu rosto entre as mãos, antes de reforçar: — Eu não estou.

Como se o caçador não tivesse dito nada, a morena se desvencilhou, se afastou, e enquanto andava em círculos, ponderou:

— Era só você e o seu irmão. Dois lobos solitários na estrada, mas que davam certo, que ainda funcionam muito bem caçando juntos. Eu nunca deveria ter me metido entre vocês, me desculpe.

Sam a alcançou, obrigando-a a parar, fitá-lo nos olhos e só então disse:

— Não faça isso, são coisas totalmente diferentes. Eu formo uma boa equipe caçando com o meu irmão, com você ou até com o Bobby.

Depois de balançar a cabeça negativamente, pouco convencida da parte que lhe cabia, Claire disse o que estava engasgado em sua garganta há muito tempo, mas que só percebeu que sentia depois do incidente do Triângulo das Bermudas :

— Eu nunca quis atrapalhar a sua vida e te fazer se sentir tão responsável assim pela minha. Sam, eu não preciso que você me salve desse jeito. Eu nunca quis ser um peso, um estorvo para você...

— Você não é! — cortou o caçador, ficando atônito por descobrir que a esposa pensava daquele jeito.

Depois de soltar um suspiro cansado, Claire voltou a se pronunciar:

— Eu não acredito em você. Porque a sua boca diz uma coisa, mas as suas atitudes mostram outra. Sempre mostraram. — Após encará-lo por alguns instantes e percebendo que o Winchester tinha ficado sem argumentos, ela expôs com uma tristeza tangível: — Talvez essa separação seja boa para nós dois, Sam. Você precisa entender como realmente se sente em relação a mim e eu preciso redescobrir a pessoa que sou longe de você. Eu preciso acreditar em mim, na minha força e capacidade, mesmo que você não acredite.

— Eu acredito. — Notando que a caçadora não estava convencida, ele reiterou com a voz mais firme: — Claire, eu acredito. Você é a mulher mais forte, mais corajosa e mais especial que eu conheço.

Um segundo depois, a morena levantou algumas questões:

— Então por que eu não estava com você naquela ilha? Por que você não quis nem conversar a respeito e simplesmente decidiu sozinho o que era melhor para mim? Se eu estivesse bem, se não existisse o feitiço que o Crowley jogou em mim, eu estaria ao seu lado naquela ilha? Realmente estaria? Ou você arranjaria alguma desculpa para fazer o que fez? Para esconder como você realmente se sente em relação à mim?

Sam abriu a boca para responder, mas as palavras não saíram. Então ele se questionou também sobre tudo aquilo e percebeu que Claire tinha um pouco de razão. Ou talvez ele só estivesse confuso e ela também.

Independentemente de qual fosse a resposta, Sam não conseguiu dizer mais nada em sua defesa, muito menos pensar em uma forma de convencer Claire a ficar ali, com ele, onde os dois poderiam consertar as coisas e recomeçar.

A verdade é que ele não tinha mais certeza se eles poderiam fazer isso. O sentimento de derrota o vencia pouco a pouco, o deixando estagnado, sem saber o que fazer e pensando que talvez não merecesse uma segunda chance.

Sendo assim, o Winchester apenas observou a morena tocar em seu ombro por um instante, lhe lançar um olhar marejado, passar por ele lentamente e pegar a bolsa de volta.

Antes de Claire deixar o quarto para trás, o caçador ouviu suas últimas palavras:

— Se cuide, Sam.

E então a porta foi fechada. E ele ficou sozinho.

***

Em uma sala do bunker, Dean estava sentado em uma antiga poltrona de couro, apertando as mãos uma na outra, enquanto Natalie andava de um lado para o outro, impaciente e esperando que o caçador começasse aquela conversa e, principalmente, que aquilo terminasse logo.

Natalie sabia que nada que Dean dissesse iria mudar a forma como ela estava se sentindo e como via o que ele havia feito, mas sabia que era melhor ouvir o que o caçador tinha a dizer de uma vez.

— Você não quer se sentar? — questionou o Winchester com certa cautela.

— Eu estou bem assim — retrucou a loira, sem olhar para ele. — Além disso, eu não pretendo demorar.

Após observá-la por mais alguns instantes, Dean replicou com cuidado:

— Eu não consigo me concentrar com você andando de um lado para o outro desse jeito.

— Eu não sabia que precisava de concentração para contar mais mentiras, eu pensei que fosse algo natural à essa altura — insinuou Natalie, agressivamente. Contudo, convencida de que era melhor sair um pouco da defensiva para que aquilo terminasse o mais rápido possível, ela deteve o passo, o encarou por um momento, caminhou até uma poltrona ao seu lado e se sentou. — Tudo bem, eu estou ouvindo.

Dean demorou alguns instantes para começar de fato. Ele sabia que Natalie estava com raiva, mas não imaginava que estivesse tão magoada como agora percebia que ela estava e isso o deixou hesitante. Precisou de algum tempo para organizar os pensamentos e formular sua defesa, até que por fim se pronunciou:

— Olha, eu sei que você está com raiva e eu entendo, mas... O Crowley te matou uma vez, Naty, mandando aquele demônio atrás de mim. Você morreu nos meus braços e eu não podia arriscar e deixar que acontecesse de novo, entende? Eu posso estar errado em ter decidido isso por você e feito o que eu fiz, mas se você perguntar se eu estou arrependido, eu não vou mentir, eu não estou. Você está a salvo, não se feriu e isso é o mais importante para mim. Eu só quero que você saiba que a minha intenção não era magoar você nem ser machista, eu só... Não podia te levar para o olho do furacão. Eu nunca me perdoaria se aquele desgraçado ou qualquer outro demônio machucasse você de novo.

Após ponderar tudo o que ouviu, Natalie respirou fundo e disse:

— Acabou?

— Não faz isso — pediu Dean, incomodado com a indiferença implícita naquela pergunta. — Agora é a hora em que você retruca, me xinga, me bate até, se você quiser.

— Sim, eu deveria mesmo te bater. — Natalie riu sem humor e fitou o chão por um momento, antes de retomar: — Eu pensei que fosse querer isso, sabe? Brigar com você, essas coisas, mas... Quer saber? Apesar de não concordar com o que você fez, agindo como um homem das cavernas e me deixando presa naquele hotel, eu consigo entender os seus motivos, Dean.

Surpreso e desconfiado, o caçador redarguiu:

— Consegue?

— Sim — confirmou Natalie, surpresa consigo mesma por estar tão resignada em relação àquele ponto. — Foi machista e eu me senti péssima quando acordei e soube de tudo, mas você agiu daquele jeito... Por amor, certo?

Fazendo um esforço, Natalie tornou a fitá-lo nos olhos e ouviu sua resposta:

— Exato. — E depois de se mexer impacientemente na poltrona e conter um sorriso, Dean questionou esperançoso: — Então, se você entende, isso significa que eu e você... Que nós estamos bem, certo?

Natalie comprimiu os lábios, sentindo um nó se formar em sua garganta e uma angústia dentro de si. Em seguida, o analisou por um momento e por fim anunciou:

— Depende do que você vai me responder agora.

Pressentindo que aquilo não era um bom sinal, mas disposto a arriscar e consertar as coisas, o caçador replicou:

— Qual é a pergunta?

Com certa hesitação e receio da resposta, a loira verbalizou algo que a afligia desde que acordou sem Dean naquele hotel:

— Quando... Brincou comigo no avião, você já estava mentindo para mim? Escondendo o grande plano? Ou ele foi formulado depois daquilo, em terra firme?

Dean abriu a boca para responder, mas as palavras não saíram. Não teve coragem de dizê-las, pois só naquele momento percebeu o que tinha feito e como isso sim tinha magoado Natalie profundamente.

Deduzindo a resposta, ela levantou da poltrona com os olhos marejados, riu sem humor, começou a se afastar e balbuciou:

— Como eu imaginei.

— Natalie, espera. — Dean levantou e segurou em seu braço, fazendo-a olhar em sua direção com uma expressão desapontada e também raivosa. — Desculpe, mas eu não consegui resistir à você. Eu nunca consigo — foi o que ele conseguiu dizer em sua defesa.

Com um movimento brusco, a caçadora puxou o braço de volta, deu um passo para trás, colocou as mãos na cintura e o acusou com raiva:

— Claro que você não conseguiu resistir! Esse é Dean Winchester! Sempre pensando mais com a cabeça de baixo do que com a de cima!

— Oh, oh! Também não precisa falar assim — protestou, um tanto indignado e ofendido. — Desse jeito fica parecendo que foi só sexo e você sabe muito bem que não foi. Nunca foi só sexo com você. Nunca é. Você sabe disso, você sabe que eu...

— Pare! — Natalie ergueu as mãos entre os dois, depois as passou rapidamente pelos olhos ainda mais marejados, se recompôs na medida do possível e prosseguiu com a voz embargada: — Não venha dizer que você me ama, Dean! Você transou comigo enquanto mentia, descaradamente, para mim! Você me usou! Você foi baixo, machista, egoísta e...

Envergonhado, Dean a interrompeu:

— Não foi a minha intenção. Eu juro que não pensei que...

— Eu sei — foi a vez da loira o cortar, enquanto se recompunha novamente. Momentos depois e um pouco mais calma, ela retomou: — E isso deixa as coisas ainda piores porque você nem ao menos percebeu o que fez. Nem imaginou o quanto eu me sentiria usada depois. Você achou aquilo totalmente natural. Você não pensou em mim nem por um segundo, apenas em você e naquele momento.

O Winchester não disse mais nem uma palavra em sua defesa, pois sabia que seria em vão e que não tinha justificativa para o que fez. Sim, ele estava assustado com o avião, queria estar com Natalie sempre que possível, mas agora percebia que não foi certo esquecer que estava mentindo para ela, independentemente das suas boas intenções com isso, e ceder àquele momento de desejo. Não foi certo.

Sentindo que ia acabar chorando, e orgulhosa demais para fazer isso na frente de Dean, Natalie olhou para cima, piscou algumas vezes, depois o encarou duramente e retomou entredentes:

— E é isso que eu não consigo entender, Dean. Muito menos aceitar e relevar. Então, não, eu e você não estamos bem. — Sem lhe dar chance de resposta, a loira caminhou até a porta, e antes de passar por ela, encerrou sem olhar para trás: — Nunca mais estaremos.

O caçador viu Natalie desaparecer do seu alcance de visão e estremeceu quando a porta foi batida com força, causando um baque surdo que se espalhou pela sala e ficou ecoando em seus ouvidos por muito tempo depois.

***

Após deixarem o bunker definitivamente para trás, Mia, Natalie e Claire foram para uma lanchonete Biggerson's localizada na região.

Embora naquele momento não estivessem animadas com a ideia de comer qualquer coisa, elas pediram alguns lanches que a rede possuía. Enquanto aguardavam em uma das mesas perto de uma enorme janela, contaram uma a uma como tinham sido as conversas com Castiel, Dean e Sam.

Mia tinha sido a última a relatar o seu momento com o anjo e então arrematou:

— E foi assim que aconteceu. O Cas ficou repetindo "você ainda me ama, você ainda me ama" como um disco riscado. Anjo idiota. — A garota se recostou no banco e cruzou os braços, pensativa. Porém, ao perceber que Natalie e Claire se entreolhavam de um jeito esquisito, questionou: — O que foi?

— É que eu achei isso bem fofo — confessou a filha de Bobby, com um discreto sorriso.

Em seguida, foi a vez de Natalie opinar:

— É, e foi muito legal da parte dele se recusar a te tocar enquanto estava mentindo para você.

Irritada, Mia estreitou o olhar na direção das duas e indagou:

— Por acaso vocês estão defendendo o Cas?

— Não! — apressou-se em dizer Claire. — Claro que não.

— De forma alguma! — emendou Natalie. — É só que... Bem, o Sr. Awesome não teve uma postura nobre assim — refletiu, sem graça e magoada.

— Espera aí, você disse Sr. Awesome? — estranhou Mia, já que a loira só costumava chamar Dean desta forma carinhosa quando eles estavam juntos e bem, o que claramente não era o caso.

Percebendo o que havia dito, Natalie deu um tapinha no ar e desconversou:

— Foi só força do hábito. Eu quis dizer o traste. — E voltando-se rapidamente na direção de Claire, sentada ao seu lado e de frente para Mia, emendou: — E o Sam? Como ele se comportou com você?

Meio constrangida, a filha de Bobby respondeu:

— Ele estava me evitando um pouco antes da viagem e não tentou qualquer aproximação quando nós chegamos ao hotel, mas o motivo nem era consciência pesada. Eu acho que ele estava mais preocupado com a minha saúde por conta do feitiço, me achando debilitada demais, frágil demais, enfim, essas coisas típicas dele.

— Sim, essas coisas bem típicas e fofas de Sam Winchester — refletiu Mia, sorrindo levemente.

Prontamente, Claire semicerrou o olhar e rebateu:

— Por acaso você está defendendo ele?

— Não! Claro que não! — Mia encarou as duas caçadoras diante de si e percebendo que elas não estavam muito convencidas disso, respirou fundo e tentou ser mais clara: — Olha, os três erraram, ponto final. Uma atitude nobre ali, outra acolá, não muda o que aconteceu. Nós fomos enganadas e presas em um sono profundo como três princesas da Disney. Eles feriram nossa liberdade e nossos corações, então que tal colocar uma pedra nesse assunto, erguer a cabeça e dar a volta por cima?

— E como nós vamos fazer isso exatamente? — indagou Natalie, enquanto a ficha finalmente caía e ela percebia que sua relação com Dean tinha terminado para valer. Desta vez, não havia esperança para eles, somente cinzas de uma história cheia de altos e baixos, idas e voltas, alegrias e decepções.

— Arrumando a bagunça dos trastes para começo de conversa? — sugeriu Mia, mas percebendo que as amigas não tinham entendido muito bem, explicou melhor: — A Tábua do Anjos dizia que aqueles que caíram com Lúcifer seriam libertados e isso daria início à ascensão infernal. Não foi bem isso o que aconteceu e eu não sei se fico aliviada ou apreensiva, mas o fato é que muitos demônios escaparam daquele portal. Então nós temos que localizá-los e mandá-los de volta para o Inferno. Um a um.

— Haja latim, sal e água benta... — balbuciou Claire, pensativa. Contudo, em seguida ela endireitou a postura e concordou: — Tudo bem, eu estou dentro.

— Vocês não acham que o Sr. Awe... — Natalie parou no meio da frase, pigarreou, disfarçou como pôde o que quase disse de novo e reformulou: — Digo, que o traste e seus companheiros de aventura estão pensando em fazer o mesmo neste exato momento?

Após pensar por um instante, Mia deu de ombros e respondeu:

— Provavelmente, mas não se preocupe, têm demônios para todo mundo.

Logo depois, foi a vez de Claire ponderar:

— Eu não sei vocês, mas eu não quero encontrar com... Vocês sabem quem por aí. Além de doloroso, seria bem clichê.

Tanto Mia quanto Natalie sabiam que ela estava se referindo a Sam e se sentiam da mesma forma, pois também não queriam esbarrar em Castiel e em Dean por obra do destino.

Sendo assim, Mia pensou um pouco e sugeriu:

— O Bobby pode nos ajudar com essa parte, nos dizendo para onde aqueles três patetas pretendem ir e assim nós evitamos um reencontro. Por falar nisso, para onde o seu pai foi mesmo?

Prontamente, Claire explicou:

— Atrás da Xerife Mills. Ela não atendeu as ligações dele e isso o deixou preocupado.

Natalie franziu o cenho e perguntou receosa:

— Você acha que ela está perigo?

— Não, ela só não quer falar com o meu pai no momento porque... — Claire parou de repente ao se lembrar da sua parcela de culpa naquela história, mas sabendo que não tinha feito de propósito e que as amigas queriam saber o resto, concluiu: — Talvez eu tenha deixado escapar o que aconteceu quando ela me ligou esses dias para saber como estavam as coisas. A Jody não ficou nem um pouco feliz em ser a última a saber que o meu pai e os trastes partiram para aquela missão arriscada. Ela ficou preocupada, furiosa na verdade e eu acho que está dando um castigo nele, o ignorando.

— Bem feito — disseram Natalie e Mia ao mesmo tempo.

Neste momento, uma garçonete se aproximou, segurando a bandeja com os pedidos e os colocou sobre a mesa na frente de cada uma delas.

Assim que a funcionária desejou bom apetite e se afastou, Claire começou a comer a sua salada, Natalie deu uma generosa mordida no X-Bacon que tinha pedido e Mia ignorou o seu sanduíche natural, preferindo retomar a conversa:

— O Bobby mencionou que o tal arcanjo Gabriel ressurgiu das cinzas e impediu que a ascensão infernal se tornasse mais catastrófica, certo? — assim que Claire e Natalie assentiram, ela propôs: — Então e se nós o invocássemos? Ele pode saber uma forma mais rápida de localizar os demônios que escaparam.

Enquanto analisava a sugestão, Claire limpou a boca com um guardanapo e tomou um gole de chá gelado. Só depois disso ela opinou:

— Olha, eu sei que ele ajudou muito, mas eu não sei se confio no Gabriel. Eu soube que ele prendeu o Sam no Impala uma vez, o transformando no próprio carro, sabe? — Ao ouvir Natalie rir daquilo, quase se engasgando com o refrigerante que tomava no momento, Claire a olhou de esguelha e informou pausadamente: — E que, há alguns anos, matou o Dean várias vezes seguidas e das maneiras mais esdrúxulas possíveis só por diversão.

Indignada, Natalie bateu a lata sobre a mesa e exclamou:

— O quê?! Que arcanjo abusado! — Contudo, lembrando a si mesma que Dean Winchester não era mais problema seu, ela deu de ombros e disfarçou a preocupação como pôde: — Não que eu me importe, é claro. Por mim, Gabriel pode fazer picadinho dele que eu não estou nem aí.

Mia e Claire trocaram um olhar significativo, mas preferiram fingir que tinham acreditado na outra. Então, depois de um momento relembrando tudo o que Bobby havia contado nos últimos dias, quando relatou o que aconteceu na ilha vulcânica do Triângulo das Bermudas e do papel de Gabriel no final, Mia soltou um breve suspiro e recomeçou calmamente:

— Olha, eu sei que ele deve ser um anjo bem maluco, mas... Bem, ele libertou as 666 almas dos pactos e permitiu que elas fossem para o Céu.

Só ao terminar de dizer isso, Mia sentiu o peso do significado de suas palavras e foi murchando aos poucos.

Bobby havia contado o que Gabriel havia feito em uma de suas idas ao ferro velho nas últimas semanas, mas embora aquilo fosse algo positivo em meio à ascensão infernal, a garota não conseguia parar de pensar naquele número. Não conseguia esquecer que 666 pessoas perderam suas vidas ao fazerem pactos com demônios de encruzilhada e que ela teve a sua contribuição nisso.

Pensar assim a sufocava e angustiava por dentro. Era uma sensação horrível e vergonhosa que ela disfarçava como podia, mas que, às vezes, simplesmente não conseguia. Como naquele momento.

De repente, o toque suave da mão de Claire sobre a sua e suas palavras gentis a despertaram de tais pensamentos:

— Mia, não foi sua culpa. Você não ajudou a selar todos aqueles pactos, você foi tão enganada quanto aquelas pessoas.

Ela ergueu o olhar na direção da filha de Bobby por um momento e, no seguinte, fitou Natalie e ouviu suas palavras também:

— Além disso, as almas escaparam de uma eternidade de tortura no Inferno e estão em paz agora.

Antes que Mia dissesse qualquer coisa, Claire acrescentou:

— E pelo o que eu entendi, essas pessoas não tinham família, amigos nem qualquer propósito na vida, estavam perdidas de qualquer forma, até por isso fizeram os pactos.

— Terem sido libertadas e enviadas ao Céu foi o melhor que poderia ter acontecido a elas — arrematou a outra, estreitando o olhar na direção de Mia e esperando que aqueles argumentos surtissem efeito.

Após assimilar tudo o que elas disseram, Mia percebeu que tinha duas escolhas: continuar se culpando e deixar que isso a destruísse um pouco a cada dia, ou se perdoar e se concentrar no que podia fazer para se redimir. Ou seja, caçar os demônios que escaparam, impedindo assim que mais pessoas se ferissem ou perdessem suas vidas.

Com a escolha consolidada dentro de si, Mia respirou fundo, soltou o ar devagar e enterrou aquela culpa dentro de si ao dizer para as duas caçadoras na sua frente:

— Talvez vocês estejam certas, meninas. Talvez não, vocês estão. — E assim que Claire sorriu levemente, satisfeita por Mia ter entendido, ela retomou: — Então, o que vocês me dizem? Topam invocar o Gabriel? Ele pode ser útil. E se não for, basta nós o mandarmos para Far Far Away usando um sigilo enoquiano e um pouco de sangue.

Após pensar naquilo por alguns instantes, Natalie opinou:

— Não, eu concordo com a Claire. Eu não sei se confio nesse cara. Acho melhor esgotarmos nossos métodos primeiro e só envolvê-lo em último caso.

Em seguida, Claire levantou a tela do seu notebook que estava sobre a mesa, acessou a internet e anunciou:

— Se tantos demônios escaparam, deve ter pelo menos um caso suspeito que nos levará a um deles. Eu vou procurar por padrões até encontrar alguma coisa.

Mia encarou as duas, suspirou e se deu por vencida:

— Tudo bem, dois votos contra um. — Depois de tomar um gole do seu suco de morango, indicou o notebook com um gesto rápido e concluiu: — Mãos à obra. A temporada de caçada aos demônios está oficialmente aberta.

Notas finais
Juro juradinho que não vou mais escrever DRs kkkkkkkkkkk Chega, né? Era necessário mostrar essas conversas entre Sam/Claire e Dean/Natalie, pois eles não fizeram isso na fic anterior. Espero que com esse capítulo tenha dado para entender os respectivos pontos de vista. Mas agora que todo mundo já conversou e não se entendeu (oi?), podemos seguir com a história. Por falar em história, a Mia mencionou uma coisa importante neste capítulo. Segundo a Tábua dos Anjos, os anjos que caíram com Lúcifer deveriam ter sido libertados durante a ascensão infernal. Foi algo que eu mencionei em Heaven & Hell, mas que acabou caindo no esquecimento em Ascensão Infernal. Aos poucos, vou retomar este ponto e explicar melhor esse babado, afinal nós só vimos demônios escapando das profundezas, certo? Será? E eu não sei vocês, mas eu queria muito que as meninas invocassem o Gabriel kkkkkkkkkk Porém, tudo tem a sua hora e em algum momento, quando vocês menos esperarem, o moçoilo irreverente vai reaparecer por aqui again... Por enquanto é isso, gente. Espero que tenham gostado e fiquem de olho em mim (oi?) no Twitter e Blog porque eu posso postar mais tirinhas por lá, novidades sobre a fic etc. Beijos e inté mais! Reviews? (Não se esqueçam das reviews, chuchus!)