Notas iniciais
Oi? Ahahahah Mia Clarke e Castiel curtiram esse título, mas muita calma nessa hora porque não é o que parece ser. Ou será que pode ser? Vixe... Não sei de nada, nada mesmo. Well, cheguei com mais um capítulo, hunters do meu Brasil! Eu ia segurar a postagem por mais uns dias, só que mês que vem eu começo outra fic, vai ficar corrido pra mim escrever, revisar e responder o povo, então tenho que aproveitar para adiantar o que posso por aqui, não é? Sem delongas, boa leitura e leiam as notinhas finais!

Meio dia — Bunker dos Homens das Letras

Na sala principal, Sam e Dean estavam em pé diante da enorme mesa do lugar e encaravam Chloe e Kevin de um jeito inquisitivo.

Enquanto isso, Castiel permanecia imóvel diante de uma grande janela, com um olhar distante e uma expressão esperançosa ao mesmo tempo. Ele pensava em Mia e na conversa daquela manhã. Especialmente no beijo que lhe roubou e sobre o qual ela não demonstrou qualquer resistência.

— Então é mesmo verdade? — questionou Dean, cruzando os braços e estreitando o olhar na direção do casal sentado à mesa. — Vocês fizeram mesmo isso? Armaram o encontro desta manhã?

Diante do silêncio culpado dos dois que se limitaram a trocar um olhar cúmplice, Sam se manifestou acidamente:

— Eu pensei que vocês fossem profetas, não que tivessem vocação para cupidos.

— E eu pensei que vocês fossem mais espertos e menos teimosos — rebateu Kevin com firmeza, deixando os caçadores desconcertados por um momento e fazendo a hacker sorrir discretamente, orgulhosa dele. — Qual é, caras? Vocês tiveram a chance de fazer as pazes, mas só pioraram as coisas e afastaram as garotas de vez — gesticulou indignado.

— Isso não é verdade. A Mia ainda me ama — intrometeu-se Castiel, sem desviar a atenção da paisagem vazia lá fora, mas deixando claro que estava ouvindo a conversa.

Kevin e Chloe olharam na direção do anjo por um instante, depois voltaram a atenção para Dean que revirou os olhos ao ouvir aquelas palavras. Sam, por sua vez, soltou um suspiro cansado, fechou os olhos, pressionou o centro da testa com as pontas dos dedos e orientou:

— Não liguem, ele já disse isso umas mil vezes hoje.

Diante da observação do Winchester mais novo, Castiel desviou o olhar da janela, fitou o quarteto no centro da sala e reiterou em tom de protesto:

— Porque é a mais pura verdade, a Mia ainda me ama. Portanto, ainda há esperança. — Olhando especificamente para os caçadores, ressaltou: — Não só para mim, mas para vocês também.

— O Cas está certo. — Kevin endireitou-se na cadeira, se concentrando em Sam e Dean mais uma vez. — Vocês já passaram por crises assim antes e tudo se resolveu.

Na sequência, Chloe decidiu se manifestar, completando o raciocínio do noivo:

— E eu tenho certeza que vão se resolver agora também. Vocês só não podem desistir, entregar os pontos desse jeito. Isso está errado.

Mesmo querendo manter a esperança, pois no fundo não sabia como ia conseguir ficar longe de Natalie, Dean estava incomodado com o teor e rumo da conversa. Principalmente porque estava recebendo conselhos amorosos de duas crianças praticamente. Por isso, ele tentou encerrar o assunto:

— Com todo o respeito, Kev, mas isso não é problema seu.— E fitando a hacker, acrescentou de um jeito mais polido: — Nem seu. Nós causamos isso e agora temos que aguentar as consequências.

Sem saberem mais o que dizer ou fazer para ajudar os caçadores naquela questão delicada, o casal apenas ouviu o que Sam disse logo depois:

— Olha, nós agradecemos o empenho e a boa intenção, mas... Não há nada que vocês possam fazer para mudar as coisas. Então, vamos deixar assim, tudo bem? Dar tempo ao tempo e quem sabe assim...

De repente, o caçador parou de falar, pois percebeu que Castiel ficou visivelmente desconcertado ao ouvir certa palavra mencionada acidentalmente por ele. E se era possível um anjo ficar ruborizado de constrangimento, Castiel ficou.

— Sério? — resmungou Dean, soltando um suspiro incrédulo. — Até nessa situação, você consegue pensar naquilo, Cas?

Sem dizer uma palavra, o anjo voltou a fitar a paisagem externa. Mas não ficou muito mais tempo no bunker. Antes que a situação se tornasse ainda mais embaraçosa, o farfalhar de suas asas se espalhou pelo recinto e ele desapareceu em seguida.

Quando o silêncio dominou a sala de novo, Sam pigarreou e recomeçou:

— Nós temos trabalho a fazer agora. Precisamos localizar alguns demônios e mandá-los de volta ao Inferno antes que o estrago seja maior.

Depois de ponderar o que ouviu, Kevin retrucou:

— Não que isso não seja importante, é muito importante sim, mas vocês não estão pensando em usar o trabalho como desculpa para não irem atrás da Claire e da Natalie, estão? Vocês vão mesmo desistir?

Após refletir sobre o questionamento do profeta, Dean acabou respondendo:

— Ninguém está falando que vai desistir, okay? Mas nesse momento, caçar é a única coisa que nos resta. Então é isso que nós vamos fazer. Não é uma desculpa, é o nosso trabalho. Simples assim.

Sam olhou o irmão de esguelha e assentiu, concordando com o seu ponto de vista. Focar-se no trabalho era o melhor que eles podiam fazer por ora. Se não podiam consertar tudo, iriam consertar o que fosse possível. Demônios que nunca deveriam terem sido libertados estavam andando sobre a Terra naquele exato momento. E eles precisavam acabar com aquilo logo.

— Nós podemos ajudar — Kevin sugeriu, fazendo a noiva voltar-se em sua direção com uma empolgação tangível.

Em seguida, Chloe encarou os caçadores diante de si e abriu a boca, mas antes que se manifestasse, Dean ergueu um dedo em riste e determinou:

— Fora de cogitação. Vocês não vão se envolver nessa loucura de novo. — Olhando especificamente para o profeta, lembrou: — Você quase morreu, Kev. O desgraçado do Metatron quase acabou com a sua raça. E, no entanto, você escapou, ganhou uma segunda chance e eu não vou deixar você jogar isso fora. — Fitando a garota, acrescentou: — Nem um de vocês. Ouviu, Chloe?

Embora quisesse ajudar, a hacker entendia o que o Winchester mais velho estava dizendo e sabia que Sam concordava. Ela quase perdeu Kevin, não podia arriscar de novo. Por outro lado, que mal teria em rastrear alguns demônios usando os seus talentos com computadores? Ela poderia invadir sistemas de segurança, câmeras, descobrir alguma coisa.

— Eu sei o que você está pensando. — a voz de Sam fez a garota encará-lo prontamente. O caçador sorria levemente quando completou: — Você é boa no que faz, Chloe, eu admito. Mas antes de você, eu já me virava nesse meio. Como você acha que eu consigo identificações do FBI com tanta facilidade? Cartões de crédito? Invadir sistemas? Inclusive da polícia? — Enquanto ela refletia sobre tudo isso, ele prosseguiu: — Então, a menos que eu realmente precise da sua consultoria ou dos serviços de profeta do Kevin, vocês estão fora.

— Fim de papo — disse Dean com firmeza, corroborando os argumentos do irmão. — Vão ter uma vida normal, pombinhos — aconselhou.

— Enquanto demônios possuem pessoas lá fora e fazem o que bem entendem com elas e com o mundo? — protestou Kevin.

— Não por muito tempo — rebateu Sam, seriamente. — Nós vamos consertar isso. Nós sempre consertamos.

— Vocês não precisam se preocupar com nada disso, tudo bem? Não foram vocês que causaram esse caos, então fiquem frios e curtam a vida. — reiterou o caçador mais velho. — Podem subir e assistir alguma coisa no Netflix, se quiserem. Claro, nada para maiores de 18 anos. E mantenham a porta do quarto aberta. Só por precaução — aconselhou e deu um sorriso divertido na sequência, sabendo o efeito que suas palavras causariam.

Sentindo o seu rosto ruborizar, Chloe levantou rapidamente e se afastou um tanto atrapalhada dizendo:

— Tudo bem, eu vou ali me esconder e já volto. Não, provavelmente eu não volte. Adeus, mundo.

Kevin, por sua vez, soltou um suspiro de indignação ao mesmo tempo em que balançava a cabeça negativamente.

— Idiotas — resmungou baixinho, antes de levantar e seguir na direção que a hacker havia ido.

Assim que os dois sumiram do seu alcance de visão, Sam fitou o irmão de um jeito repreensivo. Mas Dean não se abalou nem um pouco com a clara reprovação. Ao invés disso, deu de ombros e disse tranquilamente:

— O que foi? Funcionou. Eles se foram por ora, duvido que toquem nesse assunto de novo e nós podemos trabalhar em paz. Eu vou fazer umas ligações agora mesmo, descobrir se algum caçador soube de algo suspeito. Enquanto isso, você procura na internet. — E dando um tapinha no ombro do irmão, sorriu levemente e completou: — A temporada de caçada aos demônios está oficialmente aberta, Sammy. Vamos acabar com a festa desses desgraçados, tudo bem?

Apesar da aparente empolgação, assim que deu as costas para o irmão e deixou a sala, o sorriso de Dean se foi, dando lugar a uma expressão consternada e vazia, pois era assim que ele se sentia na verdade.

Tudo havia dado errado, demônios estavam à solta e Natalie, a única coisa boa em meio ao caos da sua vida, não queria vê-lo nem lambuzado de chantilly. Ele havia estragado tudo, como sempre.

Tentando afastar o sentimento de derrota e solidão, o Winchester lembrou-se de sua obrigação com o mundo naquele momento, foi até o seu quarto, ignorou o quanto o lugar lembrava Natalie Jones, pegou o celular sobre o criado-mudo e começou a fazer as ligações necessárias.

Enquanto isso, na sala, Sam ainda observava o papel de parede na tela do seu notebook sobre a mesa. Era uma foto dele e de Claire. Ela mesma havia escolhido em meio a tantas outras fotos que tiraram na curta lua de mel e colocado ali.

Enquanto observava o sorriso radiante da caçadora e o seu, indiscutivelmente bobo, na imagem, duas coisas passavam pela cabeça de Sam Winchester. Como era incrível e preciosa a normalidade que Claire trouxe para a sua vida nem um pouco normal e como ele havia estragado tudo. Como ele sempre estragava, aliás.

Fazendo um esforço, o caçador desviou o olhar da foto e abriu o navegador, ocultando assim a imagem de um passado feliz que parecia estranhamente distante agora.

Em seguida, ele respirou fundo e digitou algumas palavras no mecanismo de busca, ao mesmo tempo em que tentava aplacar o vazio dentro de si de alguma forma. Sem sucesso.

À noite — Ferro velho

Impaciente, Mia tamborilava os dedos sobre a antiga mesa da sala de Bobby Singer — que mais parecia uma biblioteca devido a grande quantidade de livros distribuídos por suas estantes e prateleiras —, observava Claire sentada do outro lado, aparentemente concentrada na pesquisa que fazia por meio da internet em seu notebook. Aparentemente.

Não demorou muito para que o barulho irritante e repetitivo que Mia estava fazendo a desconcentrasse, fazendo-a desviar a atenção da tela e arquear as sobrancelhas na direção da garota do outro lado da mesa.

Assim que percebeu a indireta, Mia cruzou os braços contra o peito e explicou-se:

— Desculpe, é que eu estou um pouco ansiosa.

— Um pouco? É, eu percebi. — Claire sorriu levemente e bocejou em seguida. Aquela busca infrutífera por pistas dos demônios libertados estava ficando cansativa e desanimadora. E o pior, nem havia começado a caçada propriamente dita.

Neste momento, Natalie, vindo da cozinha, adentrou a sala. Ela segurava uma bandeja com três xícaras que continham uma bebida fumegante.

Uma simples respirada e Mia reconheceu o aroma no ar. Animada, mal esperou Natalie se aproximar o suficiente da mesa e já se esticou para pegar uma das xícaras.

Assoprou o líquido por um instante e provou o primeiro gole de olhos fechados. E o café foi como uma injeção de ânimo, um alento em meio àquele dia longo e tedioso. Mia sentiu o efeito revigorante da cafeína imediatamente e se acomodou melhor na poltrona, sentindo-se mais viva e disposta. Com as energias renovadas.

— Santa Natalie Jones! — Suspirou satisfeita, se preparando para saborear mais goles.

Natalie limitou-se a arregalar os olhos na direção de Claire com visível assombro. Esta franziu o cenho, pois também não compreendia o verdadeiro amor que Mia nutria por aquela bebida.

Tudo bem, café era muito bom e estimulante mesmo, necessário em alguns momentos do dia, especialmente pela manhã, para despertar. Contudo a impressão que Claire tinha, e com certeza Natalie também, era que Mia simplesmente não conseguiria passar um dia sem tomar café. Uma quantidade generosa dele, diga-se. Em vários momentos do dia.

Deixando essa questão para lá, afinal era impossível entender completamente o ser humano Mia Clarke, Claire pegou a sua xícara também, a colocou sobre a mesa ao lado do notebook e agradeceu:

— Obrigada.

— De nada — replicou Natalie distraidamente, mas chamando a atenção de Mia que se engasgou com o café e tossiu um pouco diante do que ouviu.

Sem dar muita importância para isso, Natalie colocou a bandeja sobre a mesa, sentou na poltrona ao lado de Mia, pegou a última xícara, tomou um gole do café e perguntou para Claire:

— E então? Nada ainda?

Mia tossiu novamente ao se engasgar mais uma vez. Sentiu sua garganta queimar e o seu rosto enrubescer consideravelmente.

— Nada. — Claire suspirou cansada e distraída, ignorando um novo acesso de tosse da garota. — Nenhuma notícia suspeita, nada que indique atividade demoníaca, absolutamente nada. E isso é estranho porque calma e demônios não combinam nem um pouco.

— Realmente. Esse silêncio todo não combina em nada com eles — concordou Natalie intrigada.

Desistindo de tomar o seu café em paz, Mia controlou a tosse como pôde, respirou fundo, recuperando o fôlego, e protestou indignada:

— Será que vocês podem parar com isso, por favor?

— Com isso o quê? — Claire a fitou confusa, mas logo percebeu o que ela e a amiga haviam dito repetidas vezes. Então, segurando o riso, lamentou: — Desculpe, foi sem querer.

Natalie também matou a charada e se juntou a Claire quando esta não aguentou mais e riu da situação.

Revoltada, Mia fuzilou as duas com o olhar e se levantou dizendo:

— Eu vou para o meu quarto. Me acordem, caso descubram alguma coisa relevante.

— Pode deixar — comprometeu-se Natalie entre um riso e outro. — E por enquanto que nós não descobrimos nada, você pode dormir um pouco... Coelha. — provocou, rindo mais ainda e levando Claire a fazer o mesmo.

Ainda mais possessa, Mia abriu a boca para protestar, mas achou melhor sair dali o mais rápido possível, deixando o som dos risos das duas caçadoras para trás, à medida que se afastava às pressas e seguia rumo à cozinha, embora tivesse dito que ia para o quarto.

Ela estava bem desconcertada mesmo e com muita raiva por ainda se sentir desta forma toda vez que se lembrava de Castiel. De nada com Castiel, na verdade. O que acabava significando a mesma coisa, porque era isso que os dois mais faziam quando estavam juntos.

Faziam. Quando estavam juntos. Passado.

Mia sentiu uma pontada de dor ao se dar conta disso, mas ignorou a sensação e caminhou até a geladeira com passos largos. Não importava se tinha acabado de tomar uma bebida extremamente quente e que poderia ficar torta ao receber o ar gelado proveniente do refrigerador, ela precisava de um docinho com urgência. Chocolate seria o ideal.

Infelizmente, não havia chocolate, mas Mia encontrou uma torta de limão em uma das prateleiras e um chá gelado na porta. Com certeza, eram de Natalie e Claire respectivamente e ela enxergou nisso a oportunidade ideal para se vingar, além de aliviar a ansiedade que sentia.

Então, Mia sorriu malignamente e, sem pensar duas vezes, pegou a torta e o chá, levou tudo até uma pequena mesa, se acomodou e fez o que tinha que fazer.

Estranhamente, a garota não se sentiu melhor quando terminou a sua infantil vingança. Na verdade, sentiu-se culpada e prometeu a si mesma que, na manhã seguinte, iria até uma loja de conveniência nas proximidades do ferro velho e providenciaria uma torta substituta para Natalie e o chá gelado para Claire. Com sorte, elas nem dariam por falta das guloseimas, pois Mia consertaria tudo antes.

Em meio a esses pensamentos, a ansiedade continuava ali, fazendo Mia pensar em Castiel sem nem perceber. E não era só por causa da palavra que Natalie e Claire deixaram escapar na conversa de momentos antes, era por tudo.

A ficha começava a cair para Mia, a sensação de vazio crescia e ela se perguntava se tinha mesmo feito a escolha certa ao desistir do anjo. Será que seria mesmo capaz de deixar tudo para trás?

Sentindo o seu coração apertado, ela balançou a cabeça negativamente, repetiu em pensamento que tinha sim feito a escolha certa, que não tinha volta, que Castiel havia mentido na ilha, ultrapassado um limite e que ela não podia relevar isso.

Já tinha relevado muitas vezes, mas aquele círculo vicioso de mentir para o outro com a desculpa de que era para proteção e por amor tinha que acabar. Tinha acabado. Ponto final.

Com o orgulho renovado, Mia deixou a cozinha, passou rapidamente pela sala, a fim de evitar as amigas, mas por sorte as duas estavam distraídas e não a viram subir as escadas na ponta dos pés.

Depois de tomar um banho rápido e vestir um pijama, Mia foi até o quarto que estava ocupando desde que ela e as outras se mudaram para o ferro velho, esticou o corpo sobre a cama e fechou os olhos.

O sono começava a embalar a sua mente, a convidando para uma tranquila e irresistível noite de descanso, quando um farfalhar de asas, uma leve pressão sobre a cama e uma brisa sutil em seu rosto a despertaram imediatamente.

Logo Mia reconheceu a figura de Castiel sentado no meio da cama. Então levou às mãos ao rosto e reclamou:

— Ah não... Assombração à essa hora da noite? Ninguém merece.

Diante disso, o anjo inclinou a cabeça um tanto confuso e achou melhor esclarecer:

— Eu não sou uma assombração, Mia. Eu sou um anjo do Senhor. Você sabe disso.

— Tanto faz — balbuciou ela, no fundo achando engraçado como Castiel não captava a ironia implícita em certas observações. — O que você veio fazer aqui, Cas? — Mia afastou as mãos do rosto e ignorou o seu coração acelerado. — Por favor, não me diga que foi para repetir aquela ladainha como um disco riscado.

Castiel sorriu levemente ao entender do que ela estava falando. E embora quisesse muito dizer aquelas palavras que tanto a irritaram naquela manhã, o que ele respondeu foi:

— Eu só vim te desejar boa noite.

Intransigente, Mia se mexeu na cama, de tal forma que ficasse de costas para Castiel, fechou os olhos, fingindo que ainda estava morrendo de sono, quando na verdade ele havia passado completamente, e tentou encerrar a conversa:

— Certo, boa noite. Agora tchau. Você já pode ir embora, okay?

Para seu desespero, Castiel não moveu um músculo, deixando claro que não pretendia ir embora tão cedo. Talvez não estivesse ali apenas para desejar uma boa noite, afinal. Talvez estivesse ali para insistir mais um pouco em uma reconciliação e confundir a sua cabeça ainda mais.

Embora estivesse com raiva do anjo por tudo isso, Mia também estava curiosa. Por isso, ela manteve a calma, saiu um pouco da defensiva, sentou-se na cama, encarou o anjo com certa confusão e expôs:

— Eu não entendo. Na ilha, naquele maldito sonho, você pareceu bem conformado quando eu avisei que se prosseguisse com o seu plano estúpido, não existiria mais nós para contar história quando eu acordasse. E agora você está aqui. Insistindo nisso. Por quê?

Calmamente e sustentando o olhar da caçadora com segurança, Castiel respondeu com uma honestidade tangível:

— Eu estava pronto para aceitar a sua decisão, Mia. Mas apenas porque eu acreditei que a minha atitude acabaria com o que você sente por mim. Mas eu estava errado. Felizmente, eu estava errado. Você pode estar magoada com o que aconteceu naquela ilha, comigo e com o que eu fiz, eu entendo. Mas o sentimento ainda está aí, dentro de você, pulsando forte, o tempo todo. Ele não mudou. Você ainda me ama.

— Estava demorando... — Mia revirou os olhos, mas sentiu o seu rosto ruborizar diante de tais palavras. Era verdade, afinal. — Anjo convencido — acrescentou, tentando desviar a atenção do que realmente importava.

Satisfeito por Mia não negar aquilo e por parecer mais aberta ao diálogo, Castiel acrescentou:

— O que eu sinto também não mudou.

Agradecendo aos céus pelo quarto estar parcialmente escuro, ocultando assim o seu rosto ruborizado, Mia abaixou a cabeça, ficou mexendo as mãos em seu colo e sibilou:

— Eu sei.

O sorriso de Castiel se alargou por um momento e o seu olhar se tornou mais intenso enquanto fitava Mia com carinho. Em seguida e com cautela, ele se aproximou mais dela, fazendo a caçadora erguer o olhar em sua direção meio tensa.

Uma parte de Mia queria afastar Castiel e mandá-lo embora de uma vez. Mas algo em seu coração foi mais forte. Por isso, ela simplesmente permaneceu imóvel, o encarando em silêncio quando o anjo tocou o seu rosto com uma das mãos. Seus olhares se cruzando o tempo todo.

Castiel acariciou a bochecha de Mia sutilmente, causando um arrepio desconcertante no corpo da garota, ao mesmo tempo em que ela sentia o seu coração mais aquecido e acelerado. E isso era um grande contraste, assim como a sua postura, pois Mia queria desistir de Castiel, estava decidida a isso, mas por outro lado era incapaz de deixar de sentir o que sentia por ele. No fundo, estava dividida entre o que achava que era certo e o que realmente queria fazer.

Quando o anjo fechou os olhos e aproximou-se mais um pouco, Mia parou de pensar nisso e em qualquer coisa. Quando ele inclinou o rosto, encaixando-se pouco a pouco ao dela, a caçadora fechou os olhos também e deixou-se ser beijada por ele. Sem qualquer resistência, sentindo o toque suave dos lábios do anjo nos seus. Quando Castiel afastou o rosto momentos depois, ela permaneceu de olhos fechados e o ouviu desejar:

— Boa noite, Mia.

— Você tem que parar com essa coisa de me beijar — ela reclamou baixinho. — Sério. Não faz mais isso — pediu sem muita firmeza.

Sem que a caçadora visse, o anjo sorriu e insinuou em tom de promessa:

— Até amanhã.

E então o vento característico das asas dele balançaram suavemente os cabelos dela, ao mesmo tempo em que o farfalhar também característico se espalhou e se dissipou no ar rapidamente.

Mia finalmente abriu os olhos, se viu sozinha no quarto e, instantes depois, deixou o seu corpo cair sobre a cama. Em seguida, levou as mãos aos cabelos, controlou a respiração entrecortada e murmurou para si mesma:

— Ele quer me enlouquecer. Só pode ser isso.

Notas finais
Eitcha lelê! Castiel quer enlouquecer a Mia? Sim ou não? Ahahahaha me julguem, mas eu gostei de escrever esse momento. Sei que tem leitoras querendo que o Cas sofra um pouquinho, que a Mia dê um gelo nele, maaaaaaaas às vezes os personagens ganham vida própria e eu apenas transcrevo o que eles querem fazer, o que sentem etc. Este momento entre os coelhos foi um deles. Por outro lado, isso não significa que pretendo reconciliar todo mundo rapidamente e happy end. Quero explorar mais coisinhas ao longo da fic e não estou com a menor pressa de terminá-la. Em outras palavras, tenho que ser bem fria (oi?) e não facilitar as coisas para esse povo. Mudando um tiquinho de assunto, gostaram de Kevloe? É provável que no próximo capítulo eles já tenham voltado para Stanford porque teremos uma passagem de tempo. E do papo sobre nada, nada mesmo, entre Claire e Natalie? E a Mia engasgando a cada segundo? Ahahahah não tem jeito, uma vez coelha, sempre coelha. Beeeeeeem, por hoje é só! Inté o próximo capítulo e não se esqueçam das minhas reviews!