Entre Cinzas & Esperança

17 Que nos encontremos novamente


Notas iniciais
Título totalmente inspirado em The 100. Me julguem, mas eu amo essa série ahahahahah Bem, antes de mais nada, nada mesmo, quero agradecer do fundo do meu coração às moçoilas Queen of Bitches e MollyWinchester por terem recomendado a fic. Meninas, muito obrigada mesmo! Fico muito feliz que acompanhem ECE e gostem assim a ponto de saírem da zona fantasma (que linda forma de fazer isso, aliás) e recomendarem. Dedico este capítulo a vocês! Obrigada, obrigada, obrigada! Este capítulo terá um elemento da 11 temporada de SPN, então qualquer semelhança não é mera coincidência. Of course que eu fiz as minhas adaptações eheheheh Boa leitura a todos!

No presente...

Na garagem do bunker, Bobby fechou o capô do Camaro de Natalie e limpou a chave inglesa, que tinha acabado de usar, com uma flanela. Depois de guardar a ferramenta em uma caixa de metal, ele entrou no veículo e girou a chave na ignição, fazendo um ronco mecânico soar pelo lugar.

Vendo que tudo estava em ordem, Bobby desligou o carro e saiu, confabulando consigo mesmo:

— Desta vez você foi longe demais, Mia Clarke.

— Por quê? O que ela fez?

O caçador virou-se imediatamente na direção da voz familiar que havia surgido e também do bater rápido de asas que se espalhou pela garagem.

Ao reconhecer Castiel a poucos metros dele, cumprimentou:

— Bem vindo de volta, Cas. Espero que tenha boas notícias.

— Sim, eu tenho — o anjo confirmou, e logo depois perguntou com curiosidade: — Mas o que você estava falando sobre a Mia?

Lembrando-se de uma situação ocorrida mais cedo — quando Natalie tentou ligar o Camaro a todo custo, sem sucesso, meia hora depois de Mia ter saído da garagem com uma expressão no mínimo suspeita —, Bobby relatou:

— Aquela criança travessa andou aprontando com o carro de Natalie Jones. Um claro sinal de que não tem amor à própria vida. Por sorte, eu sou um bom mecânico e, aparentemente, Natalie não desconfiou da sua coelha. Ela está à salvo por enquanto.

Ainda confuso, Castiel questionou:

— Por que Mia faria uma coisa dessas?

Prontamente, Bobby revelou a motivação da garota:

— Porque ela queria induzir a Natalie a pegar uma carona com Dean. Algo mais romântico, segundo ela.

Percebendo que o anjo continuava sem entender a história como um todo e que havia algo mais importante a ser discutido naquele momento, o caçador achou melhor desconversar:

— Longa história. — Enquanto limpava outras ferramentas e as guardava na caixa, ele perguntou: — Você disse que tem boas notícias, certo?

Ansioso, Castiel aproximou-se de Bobby anunciando:

— Sim e irei explicar tudo futuramente.

Ao ver os dedos do anjo a poucos centímetros do seu rosto, Bobby recuou, ergueu as mãos entre os dois e o cortou:

— Ei! Espere um pouco, idjit.

Castiel estancou no lugar, mas algo em sua expressão fez Bobby sair da defensiva e analisá-lo por algum tempo. Deduzindo que o anjo tinha encontrado uma forma de deter a Legião de Lúcifer, e por isso estava tão ansioso, o velho caçador quis confirmar:

— Então é isso? A hora chegou?

O anjo limitou-se a assentir e então aguardou Bobby lhe dar o aval para enviá-lo ao futuro de uma vez. Ao invés disso porém, o caçador lembrou-se da missão de meses atrás, quando foi ao Triângulo das Bermudas, e ponderou precavido:

— Eu tenho que avisar a Jody primeiro. Da última vez que embarquei em uma missão de vida ou morte assim, ela me ignorou por semanas por não ter dito uma palavra sequer antes de partir. Ela ficou preocupada e... Furiosa, devo dizer.

— Jody Mills se importa com você. — Castiel foi taxativo. Em seguida, estreitou o olhar, esboçou um discreto sorriso e acrescentou quase sem perceber: — Eu me pergunto por que você não a deixa saber que o sentimento é recíproco.

A palavra sentimento fez Bobby se lembrar imediatamente do passado, de sua finada esposa, da possessão demoníaca que se abateu sobre ela, do que ele teve que fazer ao não conseguir salvá-la.

Depois do ocorrido, Bobby enterrou a tragédia dentro de si, se concentrou apenas na vida de caçador e nos filhos de John Winchester. Até conhecer a Xerife Jody Mills, há alguns anos. Não podia negar que ela havia se tornado importante para ele. Era uma boa amiga e, ao mesmo tempo, não era só uma amiga.

Fosse o que fosse, Bobby não conseguia esquecer o passado e as marcas que deixou. A verdade era que ele não queria envolver Jody no sobrenatural, mais do que ela já tinha se envolvido.

Pensando desta forma, Bobby fugiu do assunto:

— Não faça isso. Já basta ter que aguentar a Mia insinuando coisas sobre nós e querendo que haja um nós.

Ele hesitou por um segundo, afastou uma genuína esperança que sentia quando ponderava aquela possibilidade, pegou o celular no bolso da jaqueta surrada e retomou:

— Eu preciso avisar desta vez ou serei um homem morto quando voltar. Eu não vou entrar em detalhes, mas ao menos preciso dizer que ficarei um tempo... incomunicável.

Em respeito a ele e querendo lhe dar certa privacidade, Castiel concordou:

— Tudo bem, faça isso. Eu vou falar com a Mia por enquanto.

Tão repentinamente como surgiu ali, o anjo desapareceu, deixando Bobby Singer sozinho.

Depois de selecionar o contato de Jody Mills, ele respirou fundo e aproximou o aparelho do ouvido.

***

Ao som de Shake it off, Mia retirava as roupas que havia trazido da casa de Bobby de uma mala e as colocava de volta em seu guarda-roupa, no seu quarto no bunker. Ela e Castiel haviam reatado definitivamente e, portanto, não havia mais nenhum motivo para as coisas não voltarem a ser como eram antes.

Animada, Mia se mexia constantemente ao som da música, de um jeito meio desengonçado e frenético, e cantava alguns trechos baixinho, quando o ruído de um bater de asas e uma brisa repentina se espalhou pelo lugar.

Sentindo o seu coração dar um salto, ela soltou uma pilha de roupas sobre a cama — onde mais uma montanha delas podia ser vista —, e se virou prontamente na direção do anjo de sobretudo, que observava a cena meio intrigado.

— Cas! Você voltou! — Mia se jogou em seus braços sem pestanejar, aliviada e feliz, e foi correspondida prontamente com um abraço carinhoso e apertado. — Eu pensei que fosse demorar mais. Alguma novidade?

— Sim, mas antes... — O anjo olhou a bagunça por sobre o ombro dela e indagou: — O que você está fazendo?

— Ah! — Mia se desvencilhou, pegou a pilha de roupas que havia largado antes e respondeu: — Arrumando minhas coisas. Estavam na casa do Bobby, lembra? Mas já que eu resolvi te dar uma segunda chance, achei natural trazer tudo de volta para o nosso ninho de amor.

Enquanto Castiel estreitava o olhar, achando o argumento engraçado e em parte presunçoso, Mia lhe lançou um leve sorriso e passou por ele, seguindo até o guarda-roupa. Ao abrir uma das portas porém, foi surpreendida por um amontoado de peças que despencou aos seus pés.

Envergonhada e irritada, ela olhou para Castiel e garantiu:

— Eu juro que tinha arrumado essa parte.

— Eu acredito em você — ele a tranquilizou, embora por dentro estivesse rindo do senso de organização de Mia Clarke. Ou da falta dele.

Depois de observar a pilha de roupas no chão, aquela que a caçadora ainda segurava e mais um montante de peças que cobria toda a cama, Castiel estalou os dedos.

Mia só teve tempo de piscar e, quando percebeu, tudo estava devidamente dobrado e arrumado dentro do guarda-roupa. Havia até certa simetria entre as peças e divisão por cores e tonalidades.

Surpreendida, ela virou-se para Castiel, colocou as mãos na cintura e disse com despeito:

— Metido.

Fingindo que havia ficado ofendido, ele provocou:

— Se quiser, eu posso desarrumar tudo novamente e você organiza do seu jeito.

Mia arregalou os olhos no mesmo instante, balançou a cabeça negativamente e caminhou até ele dizendo:

— Não, não! Por favor, deixa assim. Está ótimo! — Depois de jogar os braços em volta do pescoço do anjo mais uma vez, ela agradeceu: — Obrigada.

Castiel estremeceu ao sentir o tom sugestivo no tom de voz da caçadora e no olhar em chamas fixo no seu. Sabia muito bem o que Mia estava insinuando. Sabia que, assim como ele, ela estava com saudade. Sabia que esperava uma resposta para obrigada e aonde isso os levaria.

Apesar de tudo isso, Castiel fez um esforço para não ceder às fraquezas da carne naquele momento, pigarreou e desculpou-se:

— Eu responderia o que você está imaginando, mas isso com certeza iria comprometer o nosso foco. E eu tenho novidades, lembra?

Um pouco frustrada, Mia respirou pesadamente, se afastou e desligou o rádio sobre a cômoda. Depois disso, sentou-se na cama e assentiu:

— Sou toda ouvidos.

Depois de se acomodar ao lado dela, Castiel retirou uma camurça cor de vinho do bolso interno do sobretudo, abriu o tecido entre eles e revelou um misterioso artefato.

Curiosa, Mia perguntou:

— O que é isso?

— A Trombeta de Josué — respondeu direto, como se fosse explicação suficiente.

Confusa e sem conseguir conter um meio sorriso, Mia debochou:

— E Josué não vai ficar bravo por você andar por aí com a trombeta dele? Você ao menos pediu emprestado, Cas? Ou simplesmente foi pegando como se fosse sua?

Percebendo que a caçadora queria uma explicação de verdade, o anjo ignorou a brincadeira e esclareceu:

— Isso é a Mão de Deus, Mia. Uma delas, ao menos.

Depois de morder o interior da bochecha e olhar algumas vezes do artefato para o semblante impassível de Castiel, ela opinou um tanto incrédula:

— Jura? Porque olhando daqui parece um chifre de carneiro.

Quando o anjo inclinou um pouco a cabeça, intrigado, Mia tornou a observar o artefato bíblico com mais atenção e exclamou surpresa:

— Oh! Espere aí, é um chifre de carneiro?! Eu acertei? Eu sou uma gênia mesmo.

Enquanto ela ria de si e da conclusão óbvia, Castiel observou:

— Você está muito espirituosa hoje. Algum motivo especial?

Tal pergunta fez Mia lembrar-se imediatamente do seu trabalho como cupido mais cedo. Pensou em relatar o que havia feito ao anjo, porém estava curiosa demais sobre a Trombeta de Josué. A ficha finalmente havia caído, e Mia queria saber mais detalhes e quais seriam os próximos passos, agora que Castiel havia encontrado a arma que eles tanto precisavam contra a Legião de Lúcifer.

Sendo assim, ela disse:

— Depois eu explico. Mas me conta, aonde você conseguiu essa belezinha, hein?

— Na Batalha de Jericó, obviamente — Castiel respondeu de um jeito sério, para em seguida sorrir torto, deixando claro que também sabia ser espirituoso quando queria.

Porém, quando Mia cruzou os braços e arqueou as sobrancelhas, ele resolveu ir direto ao ponto:

— Numa câmara secreta no subsolo do subsolo do subsolo do Vaticano. — Pensativo, o anjo refletiu: — Eram tantos subsolos, eu tenho certeza que estou esquecendo algum.

— Não importa. Foi no Vaticano, ponto. — Mia deu de ombros, satisfeita por aquela busca não ter sido tão difícil como todos haviam imaginado que seria. — Posso pegar? — indagou, inclinando-se e aproximando a mão na direção do artefato.

Contudo, antes que seus dedos tocassem o chifre de carneiro, Castiel a interrompeu abruptamente:

— Não! — Enrolando a Mão de Deus novamente no tecido e percebendo que Mia tinha se assustado um pouco com a sua postura, ele relaxou e explicou melhor: — Uma vez que você toque, o poder da Mão de Deus é absorvido imediatamente e precisa ser utilizado nos minutos seguintes.

Mia permaneceu em silêncio pelos próximos segundos. Piscou algumas vezes, enquanto se perguntava se tinha entendido bem. Por fim, perguntou receosa:

— Você está dizendo que essa coisa é descartável? — Quando Castiel simplesmente assentiu, ela questionou preocupada: — E como nós vamos saber se ela funciona mesmo?

Lembrando-se de algo importante contido na bíblia e que havia sido mencionado durante as pesquisas sobre a Mão de Deus, Castiel respondeu:

— Pela palavra do seu testemunho.

Mia o encarou por alguns instantes, arqueou as sobrancelhas e então sentenciou:

— Você sabe o que significa.

O anjo assentiu com um meneio de cabeça, antes de explicar:

— Eu tive uma espécie de revelação quando me aproximei da Mão de Deus. Palavra do seu testemunho significa simplesmente... Ter fé. É o que nos permite usar o poder absorvido. Nossa capacidade de crer.

— Oi? — murmurou a garota. — Ah, só isso? Ter fé? Muito fácil! — ironizou, antes de olhar para cima e emendar incrédula: — Sem ofensa, Deus, mas fé? Francamente, quanta criatividade...

Querendo que ela entendesse a importância daquele ponto, Castiel segurou sua mão sobre a cama, fazendo-a olhar para ele automaticamente, e decidiu ser mais incisivo:

— Mia, eu sei que Deus desapareceu e deve explicações a… todo o mundo por causa disso, mas eu acho que Ele me guiou até a Trombeta de Josué. — Após pensar um pouco, o anjo acrescentou: — Meus irmãos não tinham informações sobre ela ou sua localização, como eu já esperava. E no entanto, eu a encontrei. Sem muitas dificuldades. Eu segui os seus palpites e comecei pelo Vaticano. E de alguma forma, eu soube que não seria necessário procurar em nenhum outro lugar. Foi como se... a Mão de Deus me chamasse, como se eu tivesse sido escolhido de alguma maneira que não sei explicar, apenas... sentir.

Depois de absorver a explicação de Castiel, a caçadora ficou visivelmente receosa e expôs:

— Se a sua intenção é me tranquilizar, não está funcionando, anjo. Desde quando ser escolhido por Deus, para qualquer coisa, acaba bem?

O anjo a fitou de um jeito firme e reiterou:

— Eu acho que nós teremos que confiar Nele. Como eu disse, ter fé.

Sentindo-me meio zonza com o assunto e ainda cética, Mia se levantou e deu alguns passos pelo quarto. Atônita com aquela possibilidade, ela parou diante de Castiel e indagou retoricamente:

— Você acha mesmo que o Todo Poderoso está por perto?

— Bem, alguma coisa trouxe Gabriel de volta. E o Bobby. E eu mesmo, tantas vezes. Até você. — O anjo também se levantou e, vendo que Mia tinha franzido o cenho, num claro sinal de dúvida, completou o raciocínio: — O sangue de demônio pode ter influenciado as suas ressurreições, mas acredite, apenas Deus pode devolver a vida. Ele pode usar anjos e outros instrumentos para isso, não importa, a decisão final é sempre Dele.

Mia não se considerava ateia, mas devido à sua experiência como caçadora e aos acontecimentos anteriores a isso, tinha certa dificuldade em confiar em Deus. Afinal, era difícil confiar em alguém que havia desaparecido, pendurado as chuteiras em plena iminência do apocalipse e que fechava os olhos para tantas desgraças pelo mundo.

Se Deus realmente fosse confiável e se importasse com a humanidade, o trabalho de caçadores nem existiria, certo? Ele não seria necessário, pois monstros e demônios não caminhariam entre nós.

Por outro lado, Mia não podia ignorar que alguém ou alguma coisa havia interferido certas vezes no curso da história. Geralmente, em momentos cruciais, decisivos.

Coisas inexplicáveis haviam acontecido nos últimos tempos. Milagres, por assim dizer. Todos eles a favor do lado bom da força.

De alguma forma, Deus podia estar por perto sim. De alguma forma, Ele dava indícios de que não era tão distante. Talvez Ele se importasse afinal.

Além disso, se não houvesse monstros e demônios por aí, ela nunca teria conhecido Castiel. Ou Sam e Dean. Não teria conhecido nenhum deles, na verdade.

Sua vida não era um mar de rosas, mas apesar de tudo, Mia não trocaria o que tinha hoje por uma vida normal. Não se tivesse que abrir mão de Castiel ou das amizades que construiu graças ao envolvimento com o sobrenatural.

Diante da complexidade que todo aquele assunto trazia, Mia preferiu enterrar todas essas questões dentro de si e propôs:

— Okay, okay, antes que você resolva fundar uma igreja e me converter, vamos nos concentrar no que realmente importa. O que nós faremos agora?

— Não é óbvio? — desafiou Castiel. — Agora nós vamos para o futuro.

Antes que Mia absorvesse a resposta, o anjo aproximou a mão a fim de tocar sua testa. Isso fez a caçadora se inclinar um pouco para trás por instinto e interrompê-lo:

— Ei, ei! Calminha aí. Você quer dizer agora literalmente?

Castiel abaixou a mão e revisou a situação até ali:

— Nós temos a Trombeta de Josué e sabemos para onde ir, então por que esperar? Aliás, esperar pode ser arriscado. E se a Legião de Lúcifer descobrir que nós estamos a caminho e se refugiar em outro momento do futuro? Nós voltaremos à estaca zero. Então sim, Mia, nós temos que ir agora.

Um pouco afoita diante da ideia de ir para o futuro naquele exato momento, a garota olhou tudo em volta, enquanto ponderava o argumento de Castiel e se perguntava se precisava levar alguma coisa em específico para a viagem. Sua garrafa térmica talvez?

Contudo, ao lembrar que daria apenas um salto no tempo — portanto, tudo o que precisasse provavelmente estaria por lá —, Mia relaxou, expirou com força e assentiu:

— Tudo bem. Mas me prometa que você vai dar mais cinco minutinhos para os casais complicados descomplicarem. E tente não interrompê-los em momentos assim... Hum, romanticamente constrangedores.

Mia sorriu enquanto Castiel entendia a quem ela se referia. Entendia também por que ela estava tão animada quando ele chegou e compreendia o relato de Bobby.

De alguma forma, Mia havia aproximado Dean e Natalie, assim como Sam e Claire. Com certeza, havia bancado o cupido e estava confiante sobre o resultado de sua interferência.

Bem, Castiel não podia negar que a estratégia dela tinha dado certo, afinal ele flagrou os dois casais em momentos romanticamente constrangedores. Exatamente o que Mia havia acabado de pedir que ele não fizesse.

— Oops... Isso explica muita coisa — o anjo murmurou sem perceber, com uma ponta de culpa no semblante.

A caçadora franziu o cenho, sem compreender o contexto, e até pensou em questionar Castiel. Entretanto, de repente estava ansiosa demais para ir ao futuro e acabar com aquela agonia de uma vez.

Sendo assim, Mia o puxou pela lapela do sobretudo e exigiu:

— Ah! Um beijinho de até logo viria bem a calhar. Você sabe, só para relaxar um pouco.

No instante seguinte, ela pressionou seus lábios contra a boca de Castiel. Envolveu seus lábios calmamente, com receio de perder o foco. Afastou-se algum tempo depois, meio zonza, e profetizou com um suspiro:

— Que nos encontremos novamente. — Diante do olhar questionador de Castiel, Mia defendeu-se: — O que foi? Eu gosto da série e fiquei com essa frase na cabeça. Quem nunca?

Castiel pensou um pouco, entendendo a referência, assentiu brevemente e orientou:

— Não se preocupe, eu estarei logo atrás de você. Nós vamos nos encontrar mais cedo do que você imagina, Mia.

Ela sorriu ansiosa e balançou a cabeça afirmativamente. Fechou os olhos e finalmente sentiu os dedos de Castiel tocarem sua testa suavemente. Não soube explicar a si mesma o que aconteceu, era diferente de qualquer outra sensação que já havia sentido, mas sabia que não estava mais ali. No bunker. Em 2016.

***

Castiel voltou imediatamente à garagem e constatou que Bobby tinha acabado de encerrar a ligação com a Xerife Mills. O caçador ainda estava com o celular em mãos e uma expressão distante no rosto, quando ergueu o olhar na direção do anjo e relatou:

— Ela ficou preocupada e furiosa do mesmo jeito. Disse que eu avisei muito em cima da hora, algo assim. Mas pelo menos eu fiz a minha parte, certo?

Solidário, Castiel deu um meio sorriso e assegurou:

— Vocês irão se ver novamente, Bobby. Não se preocupe. Todos nós vamos voltar em breve.

Querendo confiar nisso, o caçador assentiu e deu o aval:

— Eu estou pronto.

Sem esperar mais, Castiel tocou a testa do amigo e ambos desapareceram da garagem. E daquele tempo.

No futuro...

Bobby ouviu uma música tocando e aos poucos a melodia de The Gambler foi ficando mais alta em seus ouvidos. A voz grave e inconfundível de Kenny Rogers logo o despertou por completo, fazendo o caçador levantar a cabeça e olhar tudo em volta.

Demorou alguns segundos para reconhecer a biblioteca da própria casa, a mesa bagunçada diante de si e para lembrar do que Castiel havia feito.

Como tudo parecia exatamente igual, Bobby chegou a se perguntar se estava mesmo no futuro ou se o anjo tinha apenas o mudado de lugar.

O caçador ainda pensava nisso, quando Jody Mills adentrou o recinto, sorriu para ele, colocou as mãos na cintura e disse surpresa:

— Oh! Você já voltou? Como foi a caçada? Eu pensei que fosse demorar, já que você não tinha a mínima ideia do que estava enfrentando. — Seguindo até o rádio próximo da janela, ela mudou de assunto: — Que Kenny Rogers não me leve a mal, mas é melhor desligar isso.

Depois de pausar a canção, a Xerife voltou-se na direção de Bobby mais uma vez e começou a estranhar o silêncio dele. Mais do que isso, o caçador estava com uma expressão engraçada, como se tivesse levado um susto, e isso a intrigava.

— Jody? — ele arriscou por fim, enquanto tentava entender o que estava acontecendo.

— Sim?

— O que você está fazendo aqui? — ele perguntou, arrancando uma gargalhada da Xerife.

— Muito engraçado! — Ela aproximou-se, inclinou-se e o surpreendeu com um beijo estalado nos lábios.

Bobby corou. E sem saber o que pensar, questionou meio contido:

— Não me leve a mal, eu até gostei, mas por que você fez isso?

Mills franziu o cenho, acariciou o rosto de Bobby e depois olhou para uma garrafa de whisky sobre a mesa. Ela estava quase vazia. Um copo com um resquício da bebida se encontrava ao seu lado. Logo, ela deduziu por que ele estava estranho e o repreendeu:

— Você precisa parar de beber, Bobby Singer.

— Acho que sim... — o caçador sibilou, meio desnorteado, enquanto Jody se afastava.

Enquanto seguia rumo à porta, ela orientou:

— Vem. Vamos tomar o café da manhã antes que as crianças acordem.

Bobby arregalou os olhos e exclamou profundamente confuso:

— Crianças?! Que crianças?!

A Xerife parou na soleira da porta e olhou na direção dele com certa preocupação. Mas então lembrou-se que o marido estava na estrada quando Sam, Claire, Dean e Natalie deixaram os filhos aos cuidados dela e foram caçar.

Eles costumavam fazer isso quando tinham algum trabalho. E ultimamente, as viagens eram cada vez mais frequentes e demoradas. Criaturas, que nenhum deles sequer sabia que existiam, estavam surgindo dia após dia em diferentes estados. Parecia que o sobrenatural havia enlouquecido nos últimos tempos.

Afastando esses devaneios, Jody foi direto ao ponto e informou:

— Henry e Rachel estão aqui. Tente não acordá-los quando subir, tudo bem?

Mills deixou a biblioteca antes que Bobby tivesse tempo de perguntar quem eram Henry e Rachel. Como se o universo quisesse responder tal pergunta, dois choros de bebês se propagaram no ar de repente e se espalharam por sua casa como duas sirenes.

— Tarde demais! — Jody gritou da cozinha. — Você pode dar uma olhada nos seus netos enquanto eu coloco a mesa?

Paralisado, Bobby refletiu sobre a palavra dita por Jody.

— Netos? — repetiu baixinho, enquanto os bebês continuavam clamando por atenção.

— Bobby Singer, é para hoje! — reiterou a Xerife, fazendo-o se levantar no susto e seguir rumo ao andar de cima da casa, atônito.

Os choros ficavam mais altos à medida que o caçador aproximava-se de um dos quartos. A porta estava aberta. Bobby entrou.

Notas finais
Legenda: Mão de Deus: artefatos que contêm parte do poder divino; Trombeta de Josué: um desses artefatos. Aparece na série, é um chifre de carneiro e a parte de ser descartável é baseada no que foi dito na série também; Palavra do seu testemunho: a princípio, os personagens pensaram que seria um ritual, mas na verdade é algo mais simples (ou complicado?): ter fé. Well, gostaram do capítulo? Agora todo mundo está no futuro, hein? Humm... E o futuro do Bobby com a Jody? ♥ Quem leu O Caso do Slender Man sabe que esses dois constroem algo juntos e quem são esses "netos" que a xerife menciona. Quis trazer um pouco disso para a fic, já que agora ela se passará no futuro. Em O Caso do Slender Man, as mini pessoas estão maiores, sete anos se eu não me engano, aqui elas ainda são babies. Então, estamos vendo algo intermediário... Não irei aprofundar muito nessa questão, mas será impossível deixar esse revelação passar em branco também. Então, terei que mostrar mais um pouco dos bebês nos próximos capítulos, antes de chutar o pau da barraca de vez. Oi? Sobre a menção a Deus... Sim, estou pensando em trazê-lo para a história de fato. Ou pelo menos deixar esse mistério no ar. Ainda não decidi eheheheh Bem, inté o próximo capítulo e fiquem à vontade para comentar! Beijos de luz!