Notas iniciais
Olás! Cheguei com mais um capítulo de ECE. Leiam as notinhas finais, tenho um aviso importante. For now, boa leitura!

Mia tinha acordado há pouco tempo. Depois de passar alguns instantes fitando o teto do quarto e pensando na noite mal dormida, ela virou de lado e seus olhos logo se concentraram no criado-mudo próximo da cama. Mais especificamente, na primeira gaveta do pequeno e rústico móvel.

Um minuto depois, a caçadora jogou o cobertor para o lado e se sentou. Abriu a gaveta e retirou dali uma pequena caixa azul marinho. Dentro dela, encontrou a aliança de seu casamento com um certo anjo do Senhor. Seus olhos brilharam inevitavelmente e uma sensação de nostalgia a invadiu pouco a pouco.

Enquanto observava a delicada joia, Mia se perguntava por que não havia jogado aquilo em qualquer lugar, assim que voltou do Triângulo das Bermudas. Estava com muita raiva de Castiel na época e decidida sobre não voltar para ele, portanto, era o que devia ter feito sem pestanejar.

Ao invés disso, teve consideração suficiente para retirar a aliança e guardá-la ali, em sua caixinha original, ao lado da sua cabeceira, mantendo-a sempre por perto, sempre ao alcance.

Enquanto olhava para a aliança, Mia pensava em tudo o que aconteceu desde que Castiel surgiu em sua vida. Apesar de todas as turbulências, tinha sido uma vida boa e feliz. Então... Conseguiria abrir mão disso? Dele? Da felicidade que sentia quando estava ao seu lado? De tudo? O que ela estava fazendo afinal?

Tentando silenciar tais questionamentos, Mia piscou algumas vezes, guardou a joia novamente e fechou a gaveta com um movimento rápido e brusco. Mas as perguntas continuaram martelando em sua mente. E no fundo, ela sabia muito bem as respostas.

Depois de tomar um banho rápido para os seus padrões, e trocar o pijama de flanela por uma calça jeans e uma blusa cinza folgada, que deixava os ombros à mostra, ela foi até a cozinha da casa de Bobby e se serviu de uma generosa xícara de café, feito por Claire naquela manhã.

Ainda pensativa, a caçadora se apoiou na pia e ficou olhando para um ponto qualquer da mesa logo à frente, enquanto tomava a bebida revigorante.

De repente, sentiu um arrepio ao lembrar do último encontro com Crowley e das ameaças que ele fez. Duas semanas haviam se passado, mas todos os dias Mia se pegava pensando nas palavras do demônio.

Era mesmo uma tortura saber que, a qualquer momento, Crowley poderia usar alguém com quem ela se importava para atingi-la. Suas maiores preocupações eram Kevin e Chloe, que estavam longe e vulneráveis. Por isso, Mia fez uma nota mental para contatar os dois mais tarde e pedir que tomassem muito cuidado.

Depois de servir a segunda dose do café, Mia caminhou rumo a sala, entornando o recipiente na boca e fechando os olhos distraidamente. Com isso, não ouviu o farfalhar das asas de Castiel, muito menos percebeu quando ele se materializou bem na sua frente. Simplesmente foi de encontro ao peito do anjo e desequilibrou-se um pouco ao evitar que o café respingasse no inconfundível sobretudo bege.

— Eita... — sibilou ela, sem jeito.

Após uma significativa e longa troca de olhares, a caçadora deu um leve soco no ombro de Castiel e brincou para dissipar a tensão:

— Você sabe mesmo como surpreender uma garota, hein?

Enquanto Mia desviava dele e voltava a caminhar, o anjo a seguiu com um olhar intrigado. Sabia que ela provavelmente ia fugir de um certo assunto mais uma vez, porém precisava tentar.

Pensando assim, Castiel seguiu a caçadora e, enquanto ela mexia distraidamente numa pilha de livros sobre a mesa de Bobby Singer, ele deu o pontapé inicial:

— Nós precisamos conversar.

— Agora não é um bom momento. — Mia tomou o último gole do café e depositou a xícara vazia sobre a mesa.

O anjo a observou abrir e folhear um livro qualquer. Teve certeza que ela não prestava a mínima atenção em uma só linha. Então tornou a falar:

— É, eu imaginei. Você disse isso várias vezes nos últimos dias. Você tem fugido, mas em algum momento terá que falar, Mia.

Após uma breve pausa, Castiel retirou o livro das mãos dela, obrigando-a a lhe dar atenção, e inqueriu:

— O que Crowley fez exatamente? O que ele disse para te deixar tão impressionada e distante? Por que eu tenho a impressão que você está com medo dele?

Porque eu estou, gênio. Ela admitiu em pensamento, com um olhar envergonhado.

Contudo não teve tempo para expor tal resposta ou para desconversar, pois antes disso a porta da sala foi aberta repentinamente e Bobby entrou resmungando alguma coisa.

Ele vinha seguido por Sam e Dean, trazia um galão com um tipo de óleo e parecia determinado a fazer alguma coisa com a qual os Winchester, claramente, não concordavam.

— Nós não podemos fazer isso — Dean reclamou, com uma expressão insatisfeita e parando no meio da sala. — Tem que ter outro jeito.

— Não tem — retrucou Bobby, resoluto. — Olha, eu não sei vocês, mas eu estou cansado de andar em círculos com essa história. Já passou da hora de encontrar aqueles demônios e mandá-los de volta para o esgoto de onde saíram.

Mia pigarreou para chamar a atenção do trio, mas foi completamente ignorada, enquanto Sam articulava, enfático:

— Eu sei disso, Bobby, acredite. Mas invocar o Gabriel não é uma opção plausível. Nós nem sabemos se podemos confiar mesmo nele.

Intrigada com o rumo da conversa, Mia trocou um rápido olhar com Castiel, deu a volta na mesa e alguns passos na direção dos caçadores. Na sequência, o anjo parou ao lado dela e ambos prestaram atenção na réplica de Bobby:

— Na humilde opinião de um velho, eu acho que aquele infeliz provou o seu valor. Eu não estou dizendo que podemos baixar a guarda, nem que devemos esquecer as gracinhas que ele fez a vocês no passado, mas está claro que nós e aquele arcanjo temos um interesse em comum. Gabriel não queria a ascensão infernal e ajudou a estancar a ferida antes que mais sangue jorrasse por ela. Vocês não podem esquecer que, bem ou mal, ele também nos ajudou com Lúcifer. Talvez ele possa ser um aliado novamente.

— Eu concordo e estou dentro! — Mia se manifestou, erguendo a mão no ar e finalmente chamou a atenção dos caçadores.

Depois de observá-la e pensar um pouco, Castiel empertigou-se e deixou todos surpresos ao revelar:

— Será inútil. Eu já chamei por Gabriel inúmeras vezes desde aquele dia e vasculhei a Terra à sua procura. Parece que ele não quer ser encontrado. Talvez não se importe como você acha que ele se importa, Bobby.

Deixando a surpresa de lado e ignorando o pessimismo do anjo, Bobby insistiu:

— Bem, só tem uma forma de descobrir e não custa tentar de novo. — Caminhando rumo ao quarto do pânico visivelmente decidido a fazer aquela tentativa, orientou: — Quem estiver interessado, me siga. Ah! E chamem as garotas. Não vamos deixar ninguém de fora desta vez, idjits.

Sam e Dean trocaram um rápido e cúmplice olhar, sabendo que a última parte foi para eles, afinal Mia já estava ali e concordava com a ideia do velho caçador, então só faltavam Claire e Natalie.

Uma pergunta que Mia fez a Castiel na sequência fez com que os dois parassem de pensar nisso por ora e prestassem atenção no que acontecia na sala:

— Como assim você procurou o Gabriel? Por que não me contou?

Deixando claro que também tinha ficado intrigado com a revelação, Dean pressionou o amigo:

— São ótimas perguntas, Cas.

Sam limitou-se a arquear as sobrancelhas com curiosidade, esperando uma explicação. Então Castiel observou os três por um momento e resolveu explicar primeiro para Mia:

— Você não estava falando comigo na época. — Olhando para Sam e Dean, respondeu a eles também: — E vocês não teriam concordado. — Após uma breve pausa, o anjo ainda acrescentou em sua defesa: — Além disso, meu chamado foi em vão, então não havia por que contar. Gabriel não voltou a se manifestar desde o Triângulo das Bermudas e duvido que apareça hoje.

Depois de avaliar os argumentos de Castiel, Mia redarguiu:

— Bem, como Bobby disse, só tem um jeito de descobrir, tentando de novo.

Assim que ela seguiu rumo ao quarto do pânico, Castiel sibilou mais para si mesmo do que para os caçadores que ainda o encaravam:

— Certo, não custa tentar.

E então ele desapareceu, deixando o barulho de suas asas para trás, ao mesmo tempo em que se transportava para o quarto do pânico no subsolo da casa.

Ao perceberem que tinham ficado com a delicada tarefa de localizarem Natalie e Claire, os Winchester se entreolharam por um momento, hesitantes. Por fim, o mais velho revirou os olhos e caminhou rumo à saída.

— Ei! Aonde você vai? — questionou um confuso Sam.

Sem olhar para trás, Dean girou a maçaneta e explicou antes de sair:

— Hoje é domingo, alguém costuma lavar aquela lata velha que chama de carro hoje.

Quando a porta foi batida com força e Sam se viu sozinho na sala, ele olhou tudo em volta e pensou em possíveis opções de onde encontrar Claire. A casa não era muito grande, então se ela não tinha ouvido a conversa de momentos atrás e aparecido, as opções eram bem reduzidas.

Com um forte palpite, Sam caminhou rumo à biblioteca.

***

Enquanto isso, do lado de fora da casa, Dean passou por alguns carros dispersos no ferro velho e seguiu rumo aos fundos do lugar.

Primeiro, ele ouviu uma música baixa — Fooled around and fell in love, de Elvin Bishop. Depois reconheceu Natalie de costas, lustrando a lataria do Camaro com uma flanela úmida. Em seguida e para seu desespero, reconheceu aquelas benditas e estonteantes pernas à mostra pelo short jeans que a loira vestia.

— Fica frio — disse para si mesmo, obrigando-se a parar de olhar enquanto coçava a nuca.

Entretanto, Dean não resistiu e se pegou olhando de novo, bem no instante em que a caçadora percebeu que não estava sozinha e se virou na direção dele.

Natalie franziu o cenho instintivamente. Em parte por ver quem estava ali, em parte por ter percebido que Dean Winchester não olhava exatamente nos seus olhos.

Tentando disfarçar, o caçador se apoiou na porta do carro e provocou com um sorriso sonso:

— É impressão minha ou você engordou um pouco?

Natalie piscou algumas vezes, assimilando a provocação sem graça, e obrigou o seu coração a voltar ao ritmo normal. Pelo menos tentou, enquanto reprimia a genuína felicidade em seu subconsciente e fechava a cara com raiva.

Em seguida, ela deu as costas a Dean e voltou a limpar o carro aos resmungos:

— Eu não sei o que você veio fazer aqui, mas seja lá o que for, eu não estou interessada. Então, se for por falta de adeus... Já sabe.

— Ah, é muito bom te ver também, Natalie! Nossa, que saudade da sua simpatia e bom humor, você nem imagina! — o Winchester fez questão de ser afiado na resposta, como uma forma de reprimir certos sentimentos. — Antes que você pense que eu vim aqui por causa dos seus lindos... olhos... — Dean se distraiu por um longo momento, secando as pernas da caçadora novamente. Porém fazendo um esforço, se empertigou e concluiu do jeito mais indiferente que conseguiu: — Desculpe desapontá-la, mas eu só vim transmitir um recado. O Bobby quer tentar uma coisa estúpida e aguarda todos nós no quarto do pânico para servimos de testemunhas. Te vejo lá. Se você estiver interessada nisso, é claro.

Querendo sair dali o mais rápido possível, o caçador se virou e começou a se afastar, ao mesmo tempo em que Natalie continha um sorriso de satisfação. Pelo reflexo da janela do Camaro, ela havia flagrado o olhar escrutinador e impróprio que Dean havia lançado na direção do seu corpo, momentos antes.

E disposta a se gabar um pouco pelo efeito que ainda exercia sobre ele, a loira deixou a flanela de lado e anunciou:

— Espera, eu vou com você.

No mesmo instante, o Winchester deteve o passo e engoliu em seco. Esperou até que Natalie o alcançasse. E trincou o maxilar quando ela lhe lançou um sorriso sonso e arrematou:

— Ah! E não se preocupe, eu sei muito bem que não era nos meus lindos olhos que você estava pensando. Certas coisas não mudam, não é?

Irritado e sem argumentos, Dean seguiu a loira com o olhar quando ela lhe ultrapassou. Entretanto, para não lhe dar o gostinho de achar que ele estava olhando demais para onde não devia, o caçador apressou o passo e caminhou ao seu lado, com a cabeça erguida o suficiente para evitar que caísse em tentação.

Natalie só não riu disso porque, relembrou a última vez em que o viu e resolveu alfinetá-lo de outra forma:

— Ei, quando você vai me agradecer por ter te salvado daquele wendigo? Eu sei que disse que não precisava, mas um pouco de educação e humildade não vão te matar, sabia?

Por mais que estivesse grato, Dean sabia que a loira não queria um agradecimento formal, só estava contando vantagem e tentando tirá-lo do sério. Por isso, ele optou por desconversar:

— Você não vai esquecer isso tão cedo, não é?

Natalie sorriu e o provocou mais uma vez:

— De nada.

***

Sam teria batido na porta, mas ela já estava aberta, como costumava ficar sempre, aliás. Parado na soleira da biblioteca, ele observava Claire sentada à mesa, olhos fixos na tela do notebook, dedos trabalhando rapidamente em algo que ele não saberia dizer o que era.

O caçador pretendia dizer algo para indicar que estava ali, ou pelo menos pigarrear para chamar a atenção de Claire, mas antes que fizesse uma coisa ou outra, ela percebeu sua presença e ergueu o olhar em sua direção. Parou de digitar no mesmo instante.

Surpresa e vacilante, a morena não sabia o que pensar ou dizer. Só sabia que, apesar de tudo, estava feliz em revê-lo. Por isso, permitiu-se mergulhar naquele olhar por longos instantes, até que Sam finalmente cortou o silêncio:

— Ocupada?

— Apenas fraudando uma administradora de cartões de crédito — informou, meio distraída. Depois de piscar algumas vezes, ela riu da própria resposta e achou melhor acrescentar: — É para Mia. Uma forma de despistar o Crowley, já que ela acredita que ele pode rastreá-la com o cartão anterior. Eu disse que Crowley é um demônio e que, infelizmente, tem formas sobrenaturais de encontrá-la se quiser, mas ela anda meio paranoica desde Paradise Hill.

— É, eu soube — sibilou Sam. — O Cas contou o que aconteceu — acrescentou, sentindo-se culpado por não ter conversado com a amiga pessoalmente sobre isso. Tinha apenas ligado para saber como ela estava, logo depois que o anjo relatou a ele e a Dean o ocorrido.

Depois da surra que levou, era natural que Mia quisesse evitar Crowley a todo custo. Mas Sam desconfiava que não tinha sido apenas a violência física que havia deixado Mia paranoica. Ela estava escondendo alguma coisa, ocultando o teor da conversa que teve com Crowley. E isso não podia ser um bom sinal.

— Ela vai ficar bem — assegurou Claire, lendo a expressão preocupada do caçador. — Ela é Mia Clarke. Além disso, o Cas tem estado por perto. Eu quero dizer, ainda mais, quase o tempo todo. Ela reclama, mas eu sei que a presença dele a acalma. — Distraindo-se com o assunto, Claire sorriu e deixou escapar: — Na verdade, eu não entendo por que os dois ainda não voltaram, está claro que ainda se amam.

Então, foi a vez de Sam pensar alto:

— Nem sempre o amor basta. Algumas pessoas tendem a complicar as coisas.

Ao perceber que sua observação soou como uma indireta e que Claire ficou sem jeito com as palavras soltas no ar, Sam sorriu amarelo, deu um passo a frente e gesticulou:

— Mudando de assunto, da última vez que te vi, você estava salvando a minha pele e eu nem tive oportunidade de agradecer por isso. Então... obrigado.

— Não há nada para agradecer. Eu só fiz o que tinha que fazer, o que estava ao meu alcance, meu trabalho — amenizou Claire, embora soubesse que matar aquele wendigo teve um significado maior do que uma simples caçada.

— Mesmo assim, obrigado. Você se tornou uma caçadora e tanto — elogiou Sam, vendo suas palavras surtirem um efeito imediato, suavizando o semblante da morena e fazendo-a sorrir levemente. — Eu confesso que foi humilhante pra mim, mas que fiquei orgulhoso de você.

Claire deixou um riso escapar, relaxou mais um pouco e replicou:

— Ouvir isso de alguém como Sam Winchester é muito importante pra mim. Obrigada.

Aos poucos, os dois foram ficando sérios e um silêncio um tanto incômodo começou a se instalar na biblioteca. Então, Claire uniu as sobrancelhas intrigada e recomeçou:

— Desculpe perguntar, mas por que a visita mesmo?

Voltando a si, Sam pigarreou e foi direto ao ponto:

— O Bobby pretende invocar um velho conhecido e quer que você esteja presente.

Curiosa, Claire recostou-se na cadeira e indagou:

— Que velho conhecido?

Sam pensou um pouco sobre a pergunta, riu sem humor ao lembrar da tal figura e fez certo suspense ao dizer:

— Alguém com um senso de humor no mínimo duvidoso.

Algum tempo depois

O clima era de expectativa no quarto do pânico onde todos estavam reunidos, aguardando o arcanjo Gabriel resolver dar o ar de sua graça. Literalmente.

Bobby tinha feito um breve ritual de invocação, já que simplesmente chamar pelo anjo não tinha surtido qualquer efeito. Contudo, a cada minuto que passava, ficava claro que nem mesmo algumas palavras em latim misturadas com outras em enoquiano tinham funcionado.

Foi Mia que, sentada em uma mesa e entediada com todo aquele marasmo e suspense, rompeu o silêncio:

— Talvez ele esteja ocupado tocando harpa em alguma nuvem por aí.

Enquanto ela balançava os pés para a frente e para trás, Castiel se aproximou, se apoiou na mesa, posicionando-se bem ao lado dela, e esclareceu:

— Não faz muito o estilo dele, mesmo que anjos realmente tocassem harpa.

— Não mesmo — concordou Sam, enquanto via Mia se afastar discretamente de Castiel.

Olhando-a de soslaio, o anjo sorriu discretamente e voltou a se aproximar dela. E Mia tornou a se afastar, arrastando o corpo para o lado enquanto esboçava um sorriso amarelo na direção do anjo. O movimento se repetiu algumas vezes, até que a mesa acabou.

Antes que caísse no chão, Mia empertigou-se e resmungou com ironia:

— Acho que eu vou ficar em pé mesmo.

Sem se intimidar, Castiel se pôs ao seu lado, segurou a mão da garota e replicou:

— Por mim tudo bem.

Ela até tentou se desvencilhar, mas o anjo entrelaçou seus dedos com mais força, enquanto observava o rosto da caçadora corar pouco a pouco.

Por fim, Mia se deu por vencida e expirou com força, revirando os olhos. O anjo, por sua vez, sorriu satisfeito e a fitou com um carinho tangível.

Em seguida, olhou na direção da armadilha de óleo santo, que Bobby havia preparado minutos antes, no centro do lugar. E ela estava do mesmo jeito: sem Gabriel em seu interior.

Claire estava ao lado do pai, pensativa, quase distante. E Natalie começou a abrir e fechar um isqueiro repetidamente, fazendo o único barulho que perdurou na masmorra particular de Bobby Singer, até Dean sugerir:

— Talvez sintonizar Casa Erótica tenha mais efeito.

Ao rir da sugestão pertinente do caçador, Natalie se distraiu do isqueiro e o fogo atingiu um dos seus dedos de raspão. Soltando o objeto, ela resmungou um ai, sacudiu a mão e levou o dedo à boca por alguns instantes, chamando a atenção de Dean imediatamente.

— Machucou? — quis saber ele, arregalando os olhos, se controlando para não ir até a caçadora e checar por si mesmo se estava tudo bem.

A loira examinou o dedo rapidamente, depois ergueu o olhar na direção de Dean e respondeu sem jeito:

— Foi só um susto.

Enquanto ela pegava o isqueiro de volta, o Winchester tentou disfarçar a preocupação que demonstrou antes e sibilou com desdém:

— Desastrada.

Antes que Natalie retrucasse, Bobby se cansou de toda aquela espera e resmungou:

— Balls... — E virando-se para Castiel, reconheceu frustrado: — Você estava certo, isso tudo é inútil. Aquele filho da mãe alado não vai aparecer.

— Eu sinto muito — lamentou o anjo.

Aos poucos, todos saíram do quarto do pânico e foram para o andar superior da casa. E um a um se viram surpreendidos ao se depararem com uma enorme mesa no centro da sala, com um verdadeiro banquete de guloseimas variadas, coloridas e hiper calóricas distribuídas em várias travessas e bandejas sobre ela. Além de jarras com uma infinidade de bebidas e gôndolas com doces sortidos, como balas, pirulitos e jujubas.

Porém o que mais os deixou atônitos foi a figura irreverente à cabeceira da mesa. Mesmo Mia, Natalie e Claire — que nunca tinham o visto antes —, souberam naquele momento quem o sujeito era.

Antes que elas ou os outros dissessem qualquer coisa, Gabriel lhes lançou um sorriso divertido e justificou o banquete:

— O que foi? A geladeira estava vazia. — Trazendo uma das bandejas para perto de si, ele agitou as sobrancelhas na direção dos anfitriões e brincou: — Alguém aí quer marshmallow?

Notas finais
Peço desculpas por terminar o capítulo justo aí. Ainda mais porque não tenho previsão de quando postarei o próximo. E era sobre isso que eu queria falar... Infelizmente, terei que dar um tempo na fic. Não estou mais conseguindo escrever como antes, nada do que desenvolvo parece bom, estou insegura, com medo de escrever bobagem, de eu mesma não gostar, de vocês não gostarem mais, enfim. Prefiro me afastar por tempo indeterminado. Já fiz isso com minha outra fic em andamento e assim como pedi desculpas aos leitores de lá, peço desculpas a vocês também. Sei como é chato acompanhar uma história e, de repente, o autor coloca a fic em hiatus, mas neste momento, eu sinto que não tem outro jeito. Prometo que não vou desistir nem nada, só preciso de um tempo mesmo para refletir sobre o que planejei para a fic, se vai ser isso mesmo, se vou mudar algumas coisas etc. Além disso, quero voltar com alguns capítulos na manga e preciso escrevê-los com muita calma, sabendo que se eu não ficar satisfeita, posso reescrever tudo sem iludir vocês kkkkk Enfim, muito obrigada e inté a volta. PS: Agora esqueçam esse aviso e me digam o que acharam do capítulo, hein?