Entre Cinzas & Esperança

1 Enquanto houver amor, há esperança


Notas iniciais
Cheguei, hunters do meu Brasil!!!

E primeiramente, desculpem pela demora, mas depois de finalizar Ascensão Infernal, me concentrei em terminar outra fic (Trapaças do Destino) e aí eu precisava tirar um tempinho para descansar.

Mas, now I'm back!!!

Seguinte, os primeiros capítulos serão mais focados nos casais, contudo depois vou falar das consequências da ascensão infernal e outros paranauês.

Por enquanto é isso, boa leitura!

Com Claire e Natalie ao seu lado, Mia bateu à porta do bunker e logo foi atendida por Kevin. Apesar de não estar nos seus melhores dias, Mia sorriu, deu um leve soco no ombro do amigo e o cumprimentou:

— E aí, profeta?

— E aí, sua maluca? — replicou, recebendo um abraço em seguida. — Tudo bem? — perguntou, mesmo sabendo que ela não estava.

Mia respondeu afirmativamente com um som gutural e se desvencilhou do abraço ao ver Chloe Lee atrás de Kevin. Enquanto ela adentrava a base dos Homens das Letras para abraçar a hacker também, o profeta cumprimentou Natalie e Claire, as orientou a entrar e fechou a porta na sequência.

— É muito bom ver vocês — Claire disse ao casal, depois de abraçar Chloe.

— É bom ver vocês também, meninas — retribuiu a nerd, cumprimentando Natalie na sequência. — Nós ficamos sabendo o que aconteceu. Vocês estão bem?

Natalie não sabia se a hacker estava se referindo à ascensão infernal em si ou às separações, mas fez questão de mentir às pressas:

— Estamos ótimas! Melhor impossível! — e sem dar chance dela ou do profeta aprofundarem o assunto, indagou: — Tem certeza que eles não estão por aqui, né?

Chloe e Kevin trocaram um olhar tão discreto, que nem Mia, nem Claire, muito menos Natalie perceberam a cumplicidade implícita ali. E antes que pudessem desconfiar de qualquer coisa, o profeta garantiu do jeito mais convincente que pôde:

— Temos. Sam e Dean estão caçando alguma coisa macabra em Oregon e não vão voltar tão cedo. O Bobby foi caçar também e o Cas teve um imprevisto no Céu. Não se preocupem, vocês têm tempo de sobra para pegarem o que precisam e irem embora sem que eles sequer sonhem que vocês pisaram aqui.

— Fiquem à vontade — emendou Chloe, sorrindo e trocando mais um olhar com o noivo.

— Obrigada — assentiu Mia. Porém, ao ver o casal abrindo as bocas para se pronunciarem ao mesmo tempo, quando provavelmente diriam uma palavra mais proibida do que nunca para ela, Mia os cortou rapidamente: — Não respondam!

E em seguida, saiu pela tangente, caminhando rapidamente rumo à escada, seguida por Claire e Natalie que, assim como ela, estavam ali para pegarem as roupas e pertences que Bobby ainda não tinha levado ao ferro velho, onde elas estavam desde o retorno do Triângulo das Bermuda, há três semanas.

Assim que ficaram sozinhos, Kevin e Chloe se entreolharam por alguns instantes, de uma forma mais cúmplice, até que o profeta indagou:

— Você acha que isso vai dar certo?

— Pelo menos nós fizemos a nossa parte e não mentimos sobre o Bobby — respondeu a hacker, dando de ombros. — Eles precisam conversar — opinou, franzindo o cenho levemente. E estendendo a mão para ele, indicou a saída e disse: — Vamos? É melhor dar alguma privacidade aos pombinhos teimosos.

Kevin assentiu, segurou a mão da loira e logo os dois saíram do bunker.

***

Enquanto isso, Sam e Dean estavam na garagem do lugar, lavando o Impala e conversando sobre coisas aleatórias até serem interrompidos por Castiel. O anjo se materializou diante deles repentinamente, lhes causando um baita susto.

Ao invés de se desculpar por isso, Castiel simplesmente comunicou com uma ansiedade latente:

— Elas estão aqui.

Ainda se recuperando dos sobressaltos, os irmãos se entreolharam confusos. Mas apenas por alguns instantes, pois logo entenderam de quem o anjo estabanado estava falando.

E com isso, sentiram um misto de sentimentos os dominarem pouco a pouco até culminar em uma urgência tangível.

Em outras palavras, assim como Castiel necessitava falar com Mia, Sam e Dean também precisavam ter uma importante conversa com Claire e Natalie. Não dava mais para adiar esse momento. Ele havia chegado afinal.

***

Devagar, Mia empurrou a porta do seu antigo quarto no bunker e entrou com passos hesitantes. Era difícil estar ali depois de tudo que havia acontecido. Ainda mais porque o lugar estava cheio de boas e salientes lembranças com Castiel, o que deixava tudo mais complicado.

O sentimento de Mia por ele não havia mudado, apenas as circunstâncias que sim. Embora já tivessem mentido um para o outro antes e feito isso com boas intenções, desta vez havia certo derrotismo e resignação no semblante da caçadora. Desta vez, Mia sentia que não seria capaz de relevar o que Castiel havia feito. Não tinha volta. Não mais.

Pensando assim, ela respirou fundo, ergueu a cabeça e caminhou até a cama, carregando uma grande bolsa de sarja verde musgo no ombro. Depois de colocá-la sobre a cama e ignorar as lembranças que surgiram em sua mente ao olhar em tal direção, Mia caminhou até o guarda-roupa, abriu duas portas e começou a pegar suas roupas e pertences pessoais.

Ela já tinha colocado boa parte na bolsa, quando um farfalhar de asas ecoou pelo recinto. Com isso, a caçadora estagnou no mesmo instante e fitou um ponto qualquer a sua frente, enquanto pensava no que fazer diante daquela inconveniente e dolorosa situação. Depois de algum tempo, finalmente se virou na direção de Castiel, logo atrás dela, e o encarou com desesperança.

O anjo estava exatamente como ela se lembrava, é claro. A mesma cara de coitadinho e inocente. Mas em seus profundos olhos azuis, Mia viu uma tristeza tangível. Uma tristeza que já tinha visto algumas vezes e que sabia muito bem o que significava. Ele estava sofrendo tanto quanto ela.

Incomodado não só com o reencontro, mas também com o sufocante silêncio entre eles, Mia pigarreou e explicou com a voz apática:

— Eu só vim porque o casal profético garantiu que você estava no Céu.

— Eu estava — confirmou o anjo. — Mas eu vi que Claire e Natalie estavam aqui e imaginei que você também estaria.

— Certo. E eu devia ter imaginado que você chegaria a essa conclusão. — A caçadora riu sem humor da sua própria estupidez e olhou para os lados visivelmente desconfortável.

Ignorando o fato de que ela quis evitar aquela situação, Castiel olhou para a bolsa sobre a cama, para as roupas que Mia segurava e indagou:

— O que você está fazendo?

— Você sabe. — Ela tornou a encará-lo.

Castiel, por sua vez, deu um passo à frente e recomeçou:

— Mia... Nós já passamos por isso outras vezes. Já tivemos que mentir para proteger um ao outro. Tanto você quanto eu já estivemos nos dois lados da questão. E nós entendemos os motivos e superamos. Por que nós não podemos superar desta vez?

Embora não quisesse alimentar aquela conversa, Mia achou que Castiel merecia uma resposta. Quem sabe assim ele entendesse a sua postura?

Sendo assim, ela expôs:

— Porque desta vez é diferente, Cas. Desta vez, você olhou nos meus olhos e afirmou, com todas as letras, que nós enfrentaríamos o Crowley juntos. Desta vez, era muito importante para mim que você estivesse falando a verdade. Mas no momento seguinte, eu estava presa em um sonho idiota, incapaz de acordar e fazer aquilo que eu pensei que nós tínhamos combinado. Você simplesmente me jogou para escanteio como se eu fosse uma donzela em perigo, uma coisa extremamente frágil, quando tudo o que eu queria era que você tivesse mais fé em mim e na minha força porque nós dois podíamos ter feito aquilo juntos, Cas. E eu precisava fazer, precisava encarar o Crowley e acabar com ele, mas você me tirou o direito de sequer tentar isso. — Percebendo que o anjo iria interrompê-la, Mia ergueu a mão entre eles e prosseguiu: — Eu sei que já menti para você também, que fiz até um pacto com o Crowley para devolver a sua graça, para te proteger, mas eu pensei que depois daquilo, nós tivéssemos concordado em não mentir mais, mesmo se fosse com as melhores das intenções. Eu pensei que nós tivéssemos evoluído e amadurecido, Cas. Nós vínhamos falando sobre isso há algum tempo, lembra? E eu pensei que tínhamos entendido que juntos nós éramos mais fortes, que era assim que tinha que ser, parceiros, leais e honestos um com o outro. — Após uma pausa para organizar os pensamentos, Mia concluiu vencida: — Me desculpe, mas eu cansei de bater na mesma tecla. Eu cansei dos mesmos erros, das brigas pelos mesmos motivos e das reconciliações que nos levam aos mesmos erros de novo e de novo. Sempre! Eu não posso mais continuar com isso. Com nós. Sinto muito, mas eu não posso.

Sem esperar por resposta, ela se virou, colocou as roupas que faltavam na bolsa, forçou o zíper até fechá-lo, a segurou com certa dificuldade devido ao peso e começou a se afastar.

Entretanto, a caçadora foi impedida de prosseguir quando Castiel ficou em seu caminho e questionou:

— Você ainda me ama?

Mia corou imediatamente. E se amaldiçoou por isso. Então, disfarçando o quanto ficou desconcertada com a súbita pergunta, ela deu de ombros e desconversou:

— Não importa.

— Você pode me dar uma resposta de verdade, por favor? — insistiu o anjo, enchendo-se de uma esperança genuína. — Eu posso ter errado, tudo bem, mas você ainda me deve uma resposta honesta já que é tão evoluída como disse.

Castiel não queria provocar Mia, mas foi o que acabou fazendo ao dizer isso. E ela não deixou passar em branco, retrucando com ironia:

— Tão maduro distorcer as minhas palavras em prol de si mesmo.

Mais uma vez, o anjo insistiu:

— Você vai responder ou não? — Aproximando-se mais da caçadora e arriscando tocar em seu rosto, reiterou: — Mia, você ainda me ama?

A caçadora o fitou com um olhar vacilante e desconcertado. Abriu a boca para responder que não, mas não conseguiu e a mentira morreu em sua garganta. Então, com raiva de si mesma, se desvencilhou do toque de Castiel, ergueu um dedo em riste e ordenou com raiva:

— Escuta aqui, pare de me visitar no ferro velho e de ficar me olhando enquanto eu durmo! Caso não saiba, eu acordo toda vez que você vai embora deixando aquele patético, incômodo e insuportável barulho de asas para trás, e sei que você esteve lá! E isso é ridículo! A sua esperança é ridícula! — Notando algo no semblante do anjo, ela esbravejou: — Do que você está rindo?!

Castiel não estava rindo exatamente, apenas esboçando um discreto e satisfeito sorriso, mas preferiu não discutir esse detalhe com Mia. Ao invés disso, agradeceu:

— Obrigado por responder a minha pergunta. Mas eu já sabia.

Sentindo o seu sangue ferver nas veias diante da resposta convencida do anjo, a caçadora o fuzilou com o olhar por um instante, depois passou por ele como um foguete, caminhou com passos largos em direção à porta e resmungou:

— Até nunca mais, Castiel.

Quando a porta bateu com força depois que ela saiu do quarto, o anjo sorriu novamente e replicou sozinho:

— Eu também te amo, Mia.

No corredor e próxima da porta, a caçadora ouviu tais palavras soarem meio abafadas por causa da madeira e não conseguiu conter o seu coração que acelerou subitamente.

Contudo e ainda muito magoada, ela decidiu esquecer toda aquela conversa e se manter firme em sua decisão. Sua história com Castiel havia acabado. Não podia fraquejar só porque ele mexeu um pouco com ela. Bem pouco. Quase nada. Nada mesmo.

Mentindo para si mesma, Mia desceu as escadas apressada, mas deteve o passo quando viu Sam e Dean vindo na direção oposta. Eles também pararam e a olharam com certa apreensão.

Antes que eles dissessem qualquer coisa, Mia se lembrou do que Kevin e Chloe haviam lhe contado, riu sem humor e disse irritada:

— Caçando em Oregon, certo? — Os irmãos se entreolharam sem entender por que ela tinha dito aquilo. — O casalzinho 20 mentiu! Burra! Eu devia ter imaginado que eles tentariam bancar os cupidos. No fim, a verdade é que eu criei dois monstros! — Diante de novas expressões confusas, Mia resolveu ser mais incisiva: — Me deixem adivinhar, vocês estão indo conversar com a Naty e a Claire, não é?

A resposta de Sam foi apenas um olhar esperançoso. Já Dean rebateu um tanto hesitante:

— Então elas estão mesmo aqui?

Depois de revirar os olhos sem qualquer paciência, Mia desceu os degraus que faltavam, passou pelos dois e respondeu:

— Estão e eu espero que chutem os seus traseiros.

Incomodados com a agressividade da antiga amiga, Sam a seguiu com um olhar incrédulo. Dean, por sua vez, fez o mesmo e ainda protestou:

— Oh, oh... Posso saber o que foi que eu te fiz?

Mia deteve o passo no meio da sala, sentiu a raiva dominá-la diante de tamanho cinismo e virou-se na direção dos dois com um olhar mortal.

Com isso, Dean percebeu que tinha sido uma pergunta idiota e Sam resolveu defendê-los, erguendo as mãos na altura do peito e expondo cautelosamente:

— Olha, Mia... Eu, o Dean e o Cas fizemos o que fizemos para protegê-las. Nós podemos ter errado, okay, mas foi tentando acertar, foi para o bem de vocês, de todas vocês.

O olhar que Mia lançou para o Winchester mais novo na sequência poderia ser definido como fulminante. E sua resposta soou fria e dura:

— Continue repetindo isso, Samuel. Quem sabe um dia vocês acreditem que seja mesmo verdade?

— Você acha que não é verdade? — indagou o mais velho, confuso.

Um segundo depois, Mia respondeu ainda mais segura de si:

— O que eu acho, Dean, é que você, o seu irmão e aquele anjo lá em cima são todos farinha do mesmo saco. Três machistas. O Bobby também, com a diferença que ele é pai e, pelo o que eu entendi, não estava totalmente de acordo com o que vocês aprontaram.

— Com o que nós aprontamos? — retrucou o Winchester mais velho, irritado com a crítica. — Vocês podiam ter morrido naquela ilha!

— Vocês também! — rebateu Mia prontamente. — Todos nós podíamos ter morrido naquela maldita ilha. Todos nós podemos morrer a qualquer momento! Eu e as garotas podemos morrer de outras formas agora, em mil possibilidades diferentes, sem que vocês e suas atitudes machistas camufladas de instinto protetor possam impedir! Mas antes que vocês se encham de preocupação e culpa só porque eu estou cogitando algo assim, deixa eu dizer outra coisa muito importante: nem tudo que acontece nas nossas vidas é culpa de vocês, então mudem esse discurso ultrapassado porque não cola mais. E mais uma coisa, da próxima vez que vocês pensarem em decidir algo pela gente, não façam. Apenas não façam.

Sam e Dean ficaram sem palavras. No fundo e por mais que tivessem tentado agir do jeito que achavam certo, eles sabiam que tinham ultrapassado um limite delicado e mereciam ouvir aquelas coisas.

Por outro lado, uma parte deles achava que as caçadoras estavam exagerando em se afastarem daquele jeito. Eles acreditavam que com uma boa conversa e um pouco de boa vontade delas, tudo poderia voltar aos eixos de novo. Não podiam aceitar que estavam tão errados assim e que as coisas eram tão diferentes desta vez.

De repente, a voz de Natalie, que estava no topo da escada, carregando uma bolsa semelhante a de Mia no ombro, ecoou pela sala do bunker:

— Eu concordo com ela em gênero, número e grau.

Imediatamente, Dean e Sam olharam naquela direção e viram que Claire estava ao lado da loira, também com uma bolsa cheia de roupas. Com as últimas peças que Bobby tinha se recusado em levar ao ferro velho porque queria que as garotas parassem de fugir e conversassem de uma vez com os maridos.

Foi o Winchester mais velho que cortou o silêncio que havia se instalado, fitando Natalie e pedindo um pouco hesitante:

— Mesmo assim, eu acho que mereço o direito de resposta, de explicar o meu lado e me defender. — Quando a loira lhe lançou um olhar extremamente duro, ele indagou receoso: — O que foi?

— Eu estou pensando no que você realmente merece, Dean Winchester — retrucou Natalie.

Contudo, antes que ela prosseguisse e, provavelmente, ofendesse o Winchester mais velho com uma série de xingamentos ou fizesse algum tipo de ameaça, Claire colocou a mão no ombro da amiga e argumentou:

— Não que eu esteja defendendo ele, mas talvez seja melhor ouvi-lo de uma vez. — E olhando para Sam, que acompanhava a conversa meio apreensivo, propôs: — Se você quiser fazer o mesmo, este é o momento.

Depois de assentir com um meneio de cabeça, Sam subiu os degraus rapidamente e parou diante da esposa, sentindo o seu coração acelerado e, ao mesmo tempo, uma sensação de derrota dentro de si. Ele tinha a impressão que por mais que mostrasse o seu lado naquela situação, seria em vão.

Claire, por sua vez, parecia bem calma e firme, embora por dentro estivesse lutando para não demonstrar o quanto estava sofrendo longe dele.

Enquanto os dois se olhavam em silêncio, Natalie soltou o ar com força, encarou Dean com raiva, e convencida de que a amiga tinha razão, decidiu fazer um esforço e ouvir o que ele tinha a dizer logo.

Sendo assim, enquanto Claire e Sam seguiam rumo ao quarto que costumavam dividir, a loira desceu as escadas com passos duros. Quando parou de frente para Dean e ele se ofereceu para ajudá-la com a bolsa, Natalie colocou-a em um canto, caminhou até uma sala menor e resmungou:

— Seja breve porque eu não tenho o dia inteiro, idiota.

O Winchester mais velho seguiu a caçadora com o olhar e balbuciou de um jeito carinhoso:

— Insuportável...

Assim que ele se retirou da sala, Mia se virou na direção da saída e tomou um baita susto ao ver Castiel se materializar em sua frente naquele exato momento. Ela levou a mão ao coração, enquanto o som do farfalhar de asas se dissipava no ambiente e o anjo exibia o mesmo sorrisinho cínico e satisfeito de antes.

— Você ainda me ama — lembrou.

Mia o fuzilou com o olhar, o empurrou de qualquer jeito e caminhou resoluta até a saída do bunker. Logo, ela abriu a porta do Mustang, entrou e se preparou para colocar o cinto. Entretanto, hesitou quando o anjo tornou a surpreendê-la, surgindo no banco do carona.

Mia olhou para ele e, irritada, se adiantou:

— Se você disser aquilo de novo, eu juro por Deus que quebro os seus dentes mesmo que isso quebre a minha mão junto!

Castiel inclinou um pouco a cabeça, estreitou o olhar e a provocou de um jeito inocente:

— Que você ainda me ama?

Mia desviou o olhar, respirou fundo, fechou os olhos por um instante, depois os abriu e ficou em silêncio, esperando que o anjo parasse de torturá-la daquela forma e a deixasse em paz.

Porém, ao invés disso, Castiel argumentou calmamente e seguro:

— Enquanto houver amor, há esperança. É o que dizem.

— Então eu vou deixar de te amar. — Mia deu de ombros e cruzou os braços, fazendo pouco caso das palavras dele e lutando para se mostrar indiferente.

Após um momento de silêncio a observando com carinho, Castiel arrematou:

— E eu vou estar aqui, esperando você perceber que não é capaz de deixar de sentir o que sente. Esperando você voltar.

Mia olhou na direção dele no mesmo instante, com mais raiva, e ia retrucar, mas percebeu que o anjo estava se aproximando perigosamente dela. Quando a mão dele envolveu o seu rosto, um alerta se acendeu em sua mente e a caçadora tentou impedi-lo, dizendo:

— Não se atreva!

Mas o seu pedido foi em vão. Castiel simplesmente ignorou, fechou os olhos e seus lábios tocaram os dela com sutileza e ímpeto ao mesmo tempo, demoradamente, levando a garota a ceder instintivamente e fechar os olhos também enquanto sentia a maciez quente da boca do anjo sobre a sua.

O coração de Mia disparou. E ainda estava descompassado quando Castiel se afastou lentamente, a observou por um longo momento e então se foi.

Ainda de olhos fechados, Mia sentiu um vento suave balançar os seus cabelos e tocar o seu rosto, ao mesmo tempo em que o barulho de asas ecoava em seus ouvidos, se perdendo pouco a pouco no ar.

Em seguida, Mia abriu os olhos, olhou para o banco do carona, depois em volta só por garantia, e percebeu que Castiel tinha ido embora.

Seu coração permaneceu acelerado pelos instantes que se seguiram e toda a conversa com o anjo ficaria ressoando em sua mente pelo resto do dia. Talvez por mais tempo. Talvez até Mia se convencer de que ele tinha razão, ela não deixaria de amá-lo. Nunca. E enquanto houvesse esse amor, haveria esperança.

Notas finais
E aí? O que acharam? Contem tudinho nos reviews, chuchus! Estou meio perdida com esse retorno e não sei o que escrever nas notas finais ahahahahaha

Beijos!