Notas iniciais
Hello, peoples! Desculpem pela demora, mas aqui está um capítulo que queria postar há muiiiiiiiiiito tempo. Não me odeiem. Boa leitura e ressalvas nas notas finais.

Depois de consertar uma antiga van, que estava abandonada há meses no ferro velho de Bobby, Dean reuniu o grupo de caçadores e Castiel no veículo. Então a viagem rumo a Hood River, uma pequena cidade no interior de Oregon que tinha aparecido no último pesadelo de Mia como uma pista, começou de fato.

Por orientação de Bobby, Jody Mills ficou para trás, afinal alguém tinha que cuidar de Henry e Rachel enquanto seus pais do futuro não retornavam das viagens de caça. Já as versões do passado evitavam tocar no assunto.

O silêncio dentro do veículo era quase sufocante e cortado apenas pelo ruído das engrenagens. A van sacudia constantemente na estrada irregular. Mia já havia perdido as contas de quantas vezes tinha caído sobre Castiel, quando Dean fazia uma curva brusca. Em nenhum momento, o anjo reclamou disso.

Por Castiel, ele mesmo teria transportado o grupo para Hood River. Porém, como os caçadores não tinham esquecido a última experiência, sua sugestão caiu por terra facilmente.

Por mais que Castiel assegurasse que o inconveniente não se repetiria, nem um deles queria arriscar e aparecer em locais diferentes um do outro. Além de perderem tempo, era melhor que o grupo não se separasse mais. Havia uma ameaça à espreita que podia se aproveitar de qualquer falha, por menor que fosse.

Cansada do pesado silêncio, Mia observou as expressões distantes de Sam e Dean pelo retrovisor e decidiu perguntar de uma vez:

— Ninguém vai falar sobre as miniaturas de gente que ficaram pra trás?

— Não — Dean respondeu firme, enquanto Sam permaneceu em silêncio, concordando com o irmão apenas com o olhar.

Então Mia deslizou no banco, indo para frente e colocando a cabeça entre o assento do motorista e do carona.

— Eu acho que faria bem conversar sobre o assunto, afinal não é todo dia que filhos caem do céu desse jeito. Como vocês se sentem?

Ainda meio atordoado com a descoberta de que poderia ser pai em um futuro próximo, Sam engoliu em seco e limitou-se a dizer:

— Mia, agora não.

Inconformada, ela voltou-se para o banco atrás do seu, onde Claire e Natalie estavam acomodadas, completamente mudas e com os olhares perdidos nas janelas laterais desde o começo da viagem.

— As mamães têm algo a dizer? — tentou.

Ainda pensando em Rachel e em tudo o que sua existência implicava, Claire demorou alguns segundos para fitar a amiga de volta e responder:

— Como você disse, não é todo dia que nos deparamos com uma situação como essa. É muito para assimilar, nós precisamos de um tempo, Mia.

Também com o pensamento distante, Natalie ajeitou-se no banco e sibilou:

— Não que eu não tenha gostado do meu bebê awesome, ele é bem fofo e lindo, com certeza desperta o lado maternal que eu nem sabia que tinha, mas... É, eu também preciso de um tempo.

— Seu bebê awesome? — Dean franziu o cenho em protesto. E olhando-a pelo retrovisor, fez questão de frisar: — Desculpe, Natalie Jones, mas você está esquecendo de um detalhe muito importante: eu tenho a minha contribuição nisso, cinquenta por cento. Portanto, nosso.

Antes que ela retrucasse, Claire olhou rapidamente para Sam e murmurou distraída:

— Eu também gosto da nossa... filha. Mesmo ela ainda não sendo nossa tecnicamente. Foi impossível ficar indiferente...

— Ela é... linda — Sam pensou alto, chamando a atenção da esposa e lhe arrancando um sorriso tímido. — É claro que eu já gosto dela também e quero protegê-la. Mas ao mesmo tempo isso é tão... Eu não sei.

— Complicado — Claire completou, pensativa.

Enquanto observava os quatro, Mia articulou:

— Pelo menos vocês entenderam que têm um futuro juntos e vão facilitar os meus serviços de cupido, certo?

Diante do silêncio significativo que pairou no ar na sequência e de uma rápida troca de olhares entre eles, Mia suspirou surpresa e comemorou:

— Oh! Vocês já se entenderam. Molto bene! Já era hora mesmo. Aleluia! — Voltando-se para a pessoa sentada do seu lado direito, inqueriu: — Bobby. Que tal falarmos sobre o seu futuro com Jody Mills?

Embora estivesse feliz com o que o futuro lhe reservava, o caçador não queria se expor e tocar no assunto com Mia. Estava ali por um motivo, tinha uma missão a cumprir. Só iria pensar em procurar Jody e convidá-la para beber um bom uísque, quando resolvesse a situação urgente em que todos se encontravam.

Sendo assim, Bobby limitou-se a estreitar o olhar na direção da garota inconveniente, como se estivesse de mau humor.

Isso levou Mia a erguer as mãos e acatar:

— Tudo bem, não está mais aqui quem falou. Cas?

Ela inclinou-se para o outro lado e ajeitou a gravata do anjo.

— Sim? — ele a incentivou a dizer o que quer que fosse.

— Eu tenho perguntas — anunciou. — Por que o pessoal desse ano não se lembra da gente? Eu quero dizer... Nossas versões do futuro, sabe? Daqui a quatro anos, com certeza eu vou me lembrar da nossa decisão de viajar no tempo, do que nos motivou, de tudo. Eu vou querer estar aqui para me encontrar comigo mesma, por mais estranho que seja. E se eu não puder vir, pelo menos irei avisar a Jody para que ela não me ataque daquele jeito quando eu bater à porta. Então por que a nossa presença causou tanta surpresa nela e naquele outro Castiel? Aposto que os papais e mamães do ano também estão alheios à presença dos seus clones por aqui.

Imediatamente, Sam, Dean, Claire e Natalie entenderam que nessa última parte, Mia se referia às versões futuras deles. E de certa forma, sabiam que a amiga tinha razão. Daqui a quatro anos, eles deviam se lembrar de tudo isso, não deviam?

Por mais que o mundo ficasse maluco, eles deixariam ao menos um bilhete para suas versões de 2016. Ligariam talvez. Não deixariam algo assim passar em branco, por mais ocupados que estivessem caçando coisas e salvando pessoas. Não fazia sentido suas versões de 2020, àquela altura, não saberem sobre a Legião de Lúcifer também. O questionamento de Mia era bem pertinente afinal.

Enquanto os dois casais e Bobby pensavam sobre o assunto, Castiel desconversou:

— É difícil explicar certos paradoxos para humanos.

Ressentida com o comentário, Mia cruzou os braços e o fuzilou com o olhar.

— Sem ofensa — Castiel desculpou-se prontamente. — Tudo bem, eu vou tentar —anunciou, segurando sua mão com carinho. — Viajar no tempo é como atravessar realidades paralelas, universos alternativos, por assim dizer. Pense no tempo como uma linha contínua nesse espaço infinito, onde o passado não pode ser mudado substancialmente, mas o futuro é uma série de possibilidades que se originam com base em decisões que tomamos no presente. Sendo assim, esse futuro no qual estamos agora talvez não existisse antes da Legião de Lúcifer decidir, no presente, dar este salto no tempo, nos obrigando a segui-los. Ao menos, não existia desta forma que estamos vivenciando agora. De certo, alguns detalhes, como certas memórias, se perderam em virtude da intervenção dos anjos caídos na linha temporal paralela do universo. Da mesma forma, há fatores ainda mais complexos envolvidos, pontos fixos na história e...

— Ãn... — Dean pigarreou, sentindo que sua cabeça ia explodir com a confusa explicação. — Por acaso alguém está com fome?

— Eu acho que estou sim — Natalie respondeu, igualmente perdida.

— Eu também. — Claire riu, incapaz de pensar racionalmente com tudo o que tinha visto e até ali.

Ao perceber que mesmo Bobby e Sam ainda tentavam compreender suas palavras e que Mia estava com o olhar concentrado em um ponto qualquer do banco a frente, Castiel sorriu discretamente e lembrou:

— Eu avisei que era difícil explicar para humanos. É muito complexo.

— Não se preocupe, eu acho que entendi — Mia mentiu, orgulhosa, e deu um tapinha na perna dele. Sorriu amarelo ao perceber que o anjo não estava convencido e voltou-se para Dean: — Onde nós vamos comer mesmo?

Não houve tempo para resposta. De repente, o Winchester mais velho avistou algo na estrada e teve que frear bruscamente, fazendo a van derrapar e todos irem para a frente, segurando-se como podiam nos assentos.

Quando o veículo finalmente parou, o grupo se recompôs aos poucos. Bobby resmungou algo e outros xingaram baixinho, com exceção de Castiel, que permanecia inabalável.

Um a um, eles olharam para a estrada. A menos de um metro do para-choque, notaram uma garotinha, visivelmente assustada por quase ter sido atingida em cheio pelo carro.

Ela não devia ter mais de oito anos. Era branca, tinha os cabelos longos, claros trançados e presos com uma fita azul, que combinava perfeitamente com o vestido da mesma cor. Sua feição era tão delicada que mais parecia uma boneca de porcelana. Atônita com o grande susto, ela arfava continuamente.

— Balls! — Bobby exclamou, aturdido.

— Que diabos... — Dean emendou, confuso.

— Nem um pouco estranho, hum? — Sam ironizou, analisando a menina com atenção.

Mia olhava continuamente deles para as garotas atrás de si. Também encarou Castiel e notou algo em seu olhar compenetrado. Não soube identificar o que era, mas de repente decidiu que isso não era relevante.

— Qual o problema de vocês? — questionou, abrindo a porta ao mesmo tempo em que passava por cima de Castiel e saía da van. — É só uma garotinha perdida.

— Mia, espere! — o anjo pediu com firmeza, entretanto tudo o que recebeu em resposta foi a porta sendo fechada a poucos centímetros de seu rosto. — Tem alguma coisa estranha acontecendo aqui...

Mia se afastou com passos apressados. Olhou para trás ao ouvir o farfalhar de asas e viu que Castiel havia saído do veículo naquele exato instante, sem utilizar a porta necessariamente.

— Ela só precisa de ajuda, gênio — reforçou, sem entender por que todos pareciam estagnados com a presença daquela menina.

O anjo apressou-se, mas Mia parou diante da criança primeiro. Notou que estava descalça e que seus pés estavam sujos. Abaixou-se com cautela — mais por receio de assustá-la do que por desconfiança.

— Mia, não se aproxime tanto — Castiel orientou, sem saber exatamente por que disse isso.

Ele também não entendia por qual motivo estava agindo assim, já que parecia estar diante de uma menina normal. Mas ao mesmo tempo... sentia que algo estava errado. Muito errado. A forma como ela os surpreendeu simplesmente não fazia sentido.

— Ei, está tudo bem — a caçadora tentou tranquilizá-la. Procurou por suas mãos e as uniu com as suas. — Você está perdida? Onde estão os seus pais desnaturados?

A boa vontade em ajudar esvaiu-se assim que Mia sentiu um arrepio intenso percorrer sua coluna e eriçar os cabelos da nuca. De repente, começou a se perguntar por que ignorou o aviso de Castiel. Talvez ele estivesse certo em ser precavido. Talvez era melhor que ela tivesse sido também.

— O que aconteceu... com você? — perguntou, meio incerta, medindo a menina e torcendo para que estivesse sendo apenas paranoica.

Ela não lhe respondia. Para piorar, sua expressão, antes assustada e indefesa, começou a se estabilizar. Mais do que isso, a mudar completamente, a se fechar, a se tornar fria demais para uma criança perdida. Não podia ser paranoia de Mia.

— C-Cas? — gaguejou, tentando soltar suas mãos, movida por um instinto de preservação.

Não conseguiu se desvencilhar. A menina as apertava firmemente. Cravou as unhas em sua pele.

A caçadora ignorou a pontada de dor e desviou o olhar do sorriso maligno que surgia no rosto delicado, enquanto a suspeita de Castiel se confirmava a cada instante.

Ele podia sentir algo muito negativo emanando da criança. Não entendia como não tinha percebido imediatamente, mas talvez ela tivesse alguma camuflagem à prova de anjos.

— Solte-a. — Os olhos de Castiel assumiram um tom de azul claro e luminoso, ao mesmo tempo em que uma espécie de zunido proveniente dele se propagou no ar.

A garotinha o ignorou. Parecia se divertir com o impasse e pânico crescente que pairava no meio da estrada deserta.

Pela visão periférica, Mia pôde ver o restante do grupo tentando sair da van. Por algum motivo, as portas haviam travado. Por algum motivo, Mia soube que a explicação estava naquela menina misteriosa.

— Qual... é o seu nome? — perguntou sem querer realmente ouvir a resposta. Tentou se soltar novamente. Não conseguiu.

Então, pela primeira vez, a garotinha se pronunciou:

— Legião. — Seus olhos giraram nas órbitas, ficando totalmente brancos. — Pode nos chamar assim. Nós somos muitos aqui dentro.

Atônita, Mia arregalou os olhos, e teria caído para trás, caso conseguisse levantar ou se soltar. Seu corpo estava petrificado pela aterradora surpresa. Um grito ficou preso em sua garganta.

Por mais que estivesse diante dos anjos caídos, que possuíram aquela pobre criança, uma parte de si se recusava a acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo.

Parecendo longe e baixo demais, Mia ouvia Dean praguejando e alguém quebrando uma das janelas da van, de certo para escapar.

Foi neste momento também que as enormes asas de Castiel ficaram visíveis. Discretamente, ele procurou pela Mão de Deus no bolso do sobretudo. Com a voz mais grave, estreitou o olhar sobre a "criança" e reforçou ameaçador:

— Eu disse, solte-a. E deixe meus amigos em paz.

Mais vidro foi quebrado abruptamente. Porém ninguém conseguia abrir as portas do veículo.

Mia teve a impressão de que Bobby orientava Claire e Natalie a saírem pelas janelas, mas as duas pareciam discordar, não queriam deixar os caçadores para trás, estavam em um impasse desesperado. Ao mesmo tempo, um odor de queimado pôde ser sentido no ar, misturando-se com um cheiro forte de gasolina.

De repente, a van começou a se mover para trás. Numa velocidade crescente. Seus pneus cantando na pista à medida que derrapavam.

Castiel tentou impedir, erguendo a mão na direção do veículo a fim de estabilizá-lo a todo custo. Porém, os anjos caídos eram mais fortes e numerosos. Eram muitos realmente.

Por isso, Castiel não conseguiu manter o controle por muito mais tempo. Então voltou a tatear a camurça que envolvia a Mão de Deus em seu bolso. O artefato era o único meio de lutar contra aquela força do mal.

Antes que ele o retirasse do bolso, a Legião lhe lançou um olhar fulminante, deduzindo o seu plano. Com uma voz dura e, definitivamente, não-humana, disse:

— Adeus, Castiel.

Tudo aconteceu tão rápido e de uma forma tão chocante, que Mia chegou a duvidar que tivesse mesmo vivendo aquele pesadelo.

O fato é que a menina finalmente soltou suas mãos, mas apenas para estalar os dedos e explodir o anjo com um gesto rápido e mortal, espalhando sangue por toda a parte, como se Castiel fosse uma mosca inconveniente que precisava ser eliminada sem cerimônia. E foi.

Desta vez, o grito de horror não ficou preso na garganta de Mia. Ele soou tão alto que, por um momento, a caçadora não ouviu mais o ruído da van derrapando na pista, cada vez mais longe e veloz. Algo se partiu dentro dela e sua percepção do mundo em volta ficou comprometida.

— Não!!! — berrou, banhada em sangue, levantando-se e olhando desnorteada para as manchas vermelhas e pegajosas no asfalto, um último resquício da existência do seu anjo. — Não... Não... Não pode ser...

Mia levou as mãos à cabeça e sua visão ficou embaçada por dolorosas lágrimas. Seu coração batia pesadamente e sua respiração falhava.

Tomada pelo choque e despespero, ela olhou para a frente ao mesmo tempo em que um clarão quente foi sentido. Uma explosão fez o chão tremer sob seus pés, deixando suas pernas ainda mais trêmulas, como se fosse possível. A van estava em chamas. Logo, estaria em pedaços contorcidos e enegrecidos. Não tinha como haver sobreviventes... Não havia.

Mal tinha assimilado o significado de tudo isso, Mia sentiu a menina segurar o seu pulso com uma força descomunal.

Quase inerte e experimentando um nível de dor que jamais imaginou sentir um dia — semelhante apenas à dor de ter perdido seus pais da forma como foi —, ela voltou-se para a Legião com os olhos quentes e o rosto úmido.

Mia estava destruída, abalada, em choque, sozinha. Seus amigos estavam mortos. Castiel... estava morto. Um vazio tomava conta do seu peito a cada instante. Um embrulho no estômago lhe dava náuseas cada vez mais fortes. O desespero era paralisante. Um nó formou-se em sua garganta.

Não importava o que ela tinha visto naquele ano, os eventos seriam reescritos. Castiel mesmo disse que o futuro é uma série de possibilidades que se originam em decisões e eventos anteriores. E agora que todos estavam mortos, tudo tinha mudado. Os anjos caídos venceriam. Já haviam vencido. Não havia mais qualquer esperança. Apenas cinzas e mais cinzas por toda a parte.

Despertando-a deste pensamento, a Legião anunciou com frieza:

— Adeus, Mia Clarke.

Desta vez, ela sabia que ninguém iria salvá-la. Não teria volta ou reversão. Era mesmo o fim. O seu encontro definitivo com a morte finalmente havia chegado. Mia só não poderia imaginar que seria desta forma. Sentia-se tão derrotada e impotente.

Incapaz de lutar ou reagir, a caçadora fechou os olhos com força e esperou por seu destino. Deixou a dor excruciante envolvê-la até reduzi-la a mais absoluta escuridão e completo vazio.

***

Assustada e ofegante, Mia abriu os olhos de repente e sentou-se na cama. O quarto na república de estudantes estava escuro, pois ainda era madrugada. Por volta de cinco horas.

— Pelo menos não foi tão ruim quanto o pesadelo da noite passada. — Ouviu-se refletindo, enquanto se recompunha do sonho perturbador com a placa de um carro qualquer, CNK 80Q3.

Na sequência, Mia inclinou-se para procurar e acender o abajur sobre o criado-mudo. Ao fazer isso, no entanto, esbarrou o pé em alguma coisa. Levou um ligeiro susto ao ver um sujeito desconhecido, de sobretudo bege, sentado em sua cama, olhando para ela fixamente.

— Sonho ruim? — Os olhos dele se estreitaram, enquanto uma sensação de déjà vu invadia a mente de Mia ao mergulhar naquele tom familiar e aconchegante de azul.

As lembranças vieram na sequência. Como um furacão. Rápidas, intensas e avassaladoras. Tudo o que aconteceu nos últimos anos estava de volta. Momentos bons e ruins. Alegrias, perdas, caçadas, revelações. Rostos amigos. E aquele rosto em específico. Sempre no centro de tudo.

— Cas... — Mia murmurou, sentindo seu coração ficar apertado subitamente. — Claro... claro que você estaria aqui. Faz todo o sentido.

Confuso, o anjo inclinou a cabeça, franziu ligeiramente o cenho e indagou:

— Como você sabe quem eu sou?

Sentindo a dor sufocante acordar dentro de si, Mia fez um esforço e afastou a última lembrança que tinha dele — a de sua morte repentina e covarde naquela estrada.

Fechou os olhos por um momento. Depois tornou a encará-lo e finalmente respondeu:

— Porque eu morri... e isso é uma memória.

Notas finais
Antes de mais nada, nada mesmo, esta cena final é uma referência e tanto ao primeiro capítulo de Destino. E no próximo capítulo (que se chamará Memórias) teremos mais flashbacks de Mia Clarke, será algo bem emocionante, inclusive porque irei mostrar algo da infância da moçoila. Finalmente a Legião apareceu, hein? Me inspirei na Lilith girl para criar essa garotinha "indefesa" na estrada, que na verdade estava possuída por uma série de anjos do mal. Tenso? Sobre ter matado todo mundo, desculpem, mas não resisti. Oi? As coisas estavam muito calminhas pro meu gosto e eu avisei que neste capítulo as coisas iam se complicar, ficarem tensas etc. Isso porque a fic está se aproximando do final e daqui pra frente cada mergulho será um flash. Pelas minhas contas, ECE terá 30 capítulos, talvez um pouco mais porque já estou com saudade dos personagens e não quero me despedir... Como eu disse lá em cima, não me odeiem. Ao invés disso, confiem em mim (algo que eu estava com saudade de dizer há algumas temporadas). O próximo capítulo terá uma surpresa e tanto. Algumas respostas também. E já está bem adiantado. Antes que eu me esqueça, escrevi uma songfic Miastiel (mais uma) e quem quiser dar um confere, está aqui: https://fanfiction.com.br/historia/709653/Eternal_Flame/ Também adoraria que vocês passassem rapidinho em um conto de terror que escrevi para um desafio de Halloween: https://fanfiction.com.br/historia/711148/Algo_na_escuridao/ E por fim, criei uma conta no Ask.fm e adoraria responder perguntas que vocês tenham sobre esta fic ou demais devaneios: http://ask.fm/HunterPriRosen1 Por hoje é só, pessoal! Beijos de luz e não se esqueçam dos reviews. R.I.P. Sam, Dean, Bobby, Claire, Natalie, Castiel e Mia...