Entre Cicatrizes e desejos
6 CAPÍTULO 5/ CIÚMES?
Simon Carter estava claramente incomodado.
E, pela primeira vez…
ele nem tentou esconder.
Continuei dançando, deixando a música guiar meu corpo, fingindo não notar o jeito que os olhos dele estavam presos em mim.
Ou talvez eu só quisesse que ele continuasse olhando.
— Você está provocando ele de propósito — o garoto murmurou perto do meu ouvido.
Sorri de leve.
— Talvez.
Antes que qualquer outra coisa acontecesse—
Uma mão segurou meu pulso.
Firme.
Repentina.
Inconfundível.
Tudo desacelerou.
— Vem comigo.
A voz de Simon era baixa. Controlada. Mas não era um pedido.
Era uma ordem.
— Me solta — retruquei, tentando me afastar.
Ele não soltou.
Em vez disso, o aperto aumentou um pouco — e ele me puxou para mais perto.
Rápido demais.
Perto demais.
— Simon—
Eu não terminei.
Porque no segundo seguinte…
os lábios dele estavam nos meus.
Sem aviso.
Sem hesitação.
Sem controle.
O beijo foi bruto. Intenso. Dominante.
Por um momento, eu congelei.
Minha mente ficou em branco.
O barulho sumiu.
O mundo sumiu.
Só existia ele.
Só existíamos nós.
E então—
Eu o empurrei.
Forte.
— Não. — minha voz saiu mais firme do que eu me sentia. — Eu não vou ser só mais uma pra você.
Ele me encarou, respirando de forma irregular.
— Quem disse isso? — respondeu, quase frio. Quase indiferente.
Aquilo doeu.
Mais que o beijo.
Mais que qualquer coisa.
Porque, de repente, tudo fez sentido.
Simon Carter não estava confuso.
Ele só estava acostumado a conseguir o que queria.
E ir embora depois.
Engoli em seco, me forçando a continuar de pé.
— Claro — falei, assentindo de leve. — Óbvio.
Não esperei ele dizer mais nada.
Virei as costas.
E fui embora.
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Na manhã seguinte, acordei com um objetivo claro:
Esquecer ele.
Na verdade — três objetivos.
Fazer um amigo.
Arrumar um emprego.
E esquecer Simon Carter.
Principalmente o último.
Fiquei deitada, olhando para o teto, enquanto Cactus se enroscava ao meu lado como se soubesse que eu precisava disso.
— Bom timing — murmurei, passando a mão pelo pelo dele.
Por um momento…
tudo pareceu calmo.
Seguro.
Normal.
Peguei meu celular e comecei a procurar vagas de emprego.
Não era fácil. Cidade nova. Vida nova.
Da Califórnia para o Upper East Side.
Uma grande mudança.
— Minha vida agora — sussurrei pra mim mesma, quase testando as palavras.
Meus novos pais… eram bons. Muito bons.
Gentis. Presentes, mesmo ocupados.
Eles se importavam.
Até demais, às vezes.
Eles sempre perguntavam sobre meu passado.
E eu sempre mentia.
Porque a verdade…
a verdade não era algo que eu conseguia simplesmente dizer em voz alta.
Ainda não.
Talvez nunca.
---
— Tem um bar contratando aqui perto — falei pra mim mesma, sentando mais ereta. — Perfeito.
Eu precisava de permissão.
Mia estava em casa.
Ótimo.
Desci as escadas e encontrei ela no sofá, completamente absorvida em um livro.
— O que você está lendo? — perguntei.
— *Bridgerton* — ela respondeu na hora.
Pisquiei.
— Claro que é.
Ela sorriu, deixando o livro de lado.
— Então, o que te trouxe aqui?
Hesitei por um segundo.
— Eu queria perguntar… se posso arrumar um emprego.
A expressão dela suavizou.
— Na verdade, isso não é necessário.
Franzi a testa.
— Como assim?
Ela respirou fundo.
— Você já está matriculada na escola.
Silêncio.
— O quê?
— Seu pai e eu organizamos tudo — ela continuou com cuidado. — Eles aceitaram você, mesmo com o atraso.
Meu peito apertou.
Escola.
Só essa palavra já foi suficiente para me puxar de volta.
Rápido demais.
Fundo demais.
Eu não terminei.
Eu parei.
Por causa dele.
— Katherine?
A voz dela parecia distante.
Distante demais.
— Eu… — minha garganta travou. — Eu só…
Imagens invadiram minha mente.
Vozes.
Medo.
Dor.
Eu não conseguia respirar.
— Katherine?
A mão dela tocou meu ombro.
Eu me encolhi.
— Eu estou bem — falei rápido. Rápido demais.
Me levantei.
— Eu só preciso de um pouco de ar.
Me virei pra sair, mas ela segurou meu braço.
— Katherine.
A voz dela estava mais suave agora.
Cuidadosa.
— Eu sei que você está escondendo algo — ela disse. — Você não precisa passar por isso sozinha.
Meu peito apertou.
Eu não queria dizer.
Eu não conseguia dizer.
Mas também não conseguia carregar aquilo sozinha.
Era pesado demais.
Demais.
Olhei pra ela.
De verdade.
E, pela primeira vez… não vi uma estranha.
Vi alguém que se importava.
Alguém seguro.
Talvez.
Meus lábios tremeram.
— Eu… — minha voz falhou. — Eu não contei tudo.
Ela não interrompeu.
Não me apressou.
Só esperou.
E, de alguma forma… isso tornou tudo mais difícil.
— Eu—
As
palavras queimavam.
Como se não pertencessem ao mundo.
Como se dizê-las tornasse tudo real de novo.
Mas já era real.
Sempre foi.
Engoli em seco.
E finalmente—
— Eu engravidei quando tinha doze anos.
Silêncio.
Pesado.
Sufocante.
E então—
Me forcei a continuar.
— Foi o meu pai.
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