Entre Amores e Segredos
15 Capítulo 15
O escritório de Stefan era um retrato fiel da vida que ele havia construído. Madeira escura, estantes altas, a mesa impecavelmente organizada — e, por todos os lados, fotografias. Edward percebeu isso no instante em que entrou. Fotos de Bella em diferentes fases da vida, sorrindo de forma espontânea, distraída. Fotos de Mia criança, adolescente, mulher. Fotos de viagens, datas comemorativas, momentos comuns que, para Edward, sempre pareceram inalcançáveis.
Stefan caminhou até o aparador, abriu uma caixa de madeira escura e retirou dois charutos.
— Cubanos — disse com um orgulho quase casual. — Trouxe da última viagem em família.
Edward aceitou o charuto com um aceno breve, mais por educação do que por vontade. Enquanto Stefan falava sobre a viagem, sobre negócios, sobre o tempo em Nova York, Edward já não escutava. Seus olhos estavam presos a uma fotografia específica: Bella sentada no jardim, Mia ainda pequena em seu colo, ambas rindo de algo fora do enquadramento.
Ele sorriu, sem perceber.
Por um segundo — apenas um — Edward se permitiu imaginar aquele cenário sendo outro. Ele ali. Aquela vida. Aquela casa. Aquela mulher.
— …não podemos continuar como antes — a voz de Stefan o puxou de volta.
Edward piscou, respirando fundo.
— Como disse?
Stefan o encarou com seriedade, acendendo o charuto.
— Eu disse que não faz mais sentido essa guerra silenciosa. Não agora. Não com nossos filhos no meio disso.
Edward assentiu lentamente.
— Concordo. — fez uma pausa. — Pelo bem deles… uma trégua.
— Pelo bem das famílias — completou Stefan. — E porque o passado… — ele hesitou por um instante — …já foi longe demais.
Eles trocaram um olhar firme. Não era amizade. Nunca seria. Mas era um acordo. E, naquele momento, isso bastava.
Na sala, o clima era outro.
Mia ria com Anthony, sentada no braço do sofá, enquanto Caroline participava da conversa com naturalidade, comentando sobre Nova York, sobre a empresa, sobre a nova fase da vida deles. A cena era harmônica demais. Correta demais.
Bella observava tudo à distância, sentindo o ar faltar pouco a pouco. Não havia conflito visível, não havia palavras atravessadas — e, ainda assim, algo dentro dela se apertava de forma quase dolorosa.
Era como assistir a duas linhas do tempo se cruzando de maneira cruelmente perfeita.
Ela se levantou sem chamar atenção e seguiu para o quarto. Assim que fechou a porta, apoiou as mãos na cômoda, respirando fundo antes de pegar o celular.
A chamada de vídeo conectou quase imediatamente.
— Bella? — Alice apareceu primeiro, os olhos arregalando no segundo seguinte. — Espera… você está pálida.
— Edward está aqui — disse Bella, sem rodeios.
O silêncio foi imediato. Rosalie surgiu na tela logo depois.
— O quê?! — as duas falaram juntas.
— E… — Bella engoliu em seco — Mia e Anthony estão noivos.
O choque foi visível.
— Anthony… Cullen? — Rosalie perguntou, incrédula.
— O mesmo.
Alice levou a mão à boca.
— Meu Deus… a namorada dele… — ela parou, como se a ficha finalmente caísse. — Era a Mia?
— Sempre foi.
O silêncio que se seguiu foi pesado.
— Isso não é coincidência — murmurou Rosalie. — Isso é destino sendo cruel.
Bella fechou os olhos por um instante.
— Eu só precisava contar a alguém — disse, a voz baixa. — Antes que isso me engolisse inteira.
Depois do jantar, a casa foi aos poucos se aquietando. Mia e Anthony se despediram com risadas suaves, Caroline e Edward se recolheram cedo, e o silêncio voltou a ocupar os corredores.
No quarto, Bella sentou-se na beira da cama, ainda vestida, os pensamentos emaranhados demais para serem organizados. Stefan fechou a porta atrás de si e ficou alguns segundos parado, observando-a.
— A vida tem um senso de humor estranho — ele disse por fim.
Bella assentiu, sem olhá-lo.
— Às vezes parece que ela testa o quanto conseguimos suportar.
Stefan se aproximou, sentando-se ao lado dela.
— Isso… — ele respirou fundo — …não pode respingar na Mia. Promete pra mim.
Bella virou o rosto, encarando-o com seriedade.
— Promete você — disse ela. — Que essa história está enterrada. Que Edward não é mais um capítulo aberto entre nós.
Stefan segurou o rosto dela com cuidado.
— Está enterrada — afirmou. — Eu prometo.
O momento que se seguiu foi silencioso, íntimo, carregado de uma cumplicidade construída ao longo de décadas. Stefan ajudou Bella a tirar o vestido com gestos lentos, quase reverentes. Não havia pressa, nem urgência — apenas a necessidade de reafirmar o que ainda os unia.
Mais tarde, a banheira cheia, a água quente, o vapor envolvendo os dois como um refúgio. Eles se encontraram ali não como amantes jovens, mas como duas pessoas que escolheram ficar, apesar de tudo. O amor aconteceu em silêncio, profundo, necessário.
A madrugada rompeu o descanso de forma brutal.
— Mãe… pai… — a voz de Mia ecoou pelo corredor, fraca, trêmula.
Bella foi a primeira a se levantar. Stefan veio logo atrás. Mia estava pálida, suando frio, a mão pressionando o peito.
— Está doendo — ela sussurrou. — Muito.
Não houve discussão. Em minutos, estavam no carro, cortando a estrada em direção ao hospital.
O diagnóstico veio rápido demais.
Carlisle Cullen entrou no quarto com o rosto sério, profissional — mas os olhos denunciavam o peso pessoal daquela situação.
— Mia… — disse com suavidade — vamos precisar agir rápido.
O tumor no mediastino era raro. A cirurgia, urgente. O risco, real.
Bella sentiu o mundo se inclinar.
Não demorou para Edward chegar, acompanhado de Anthony, completamente desfeito. O choque foi imediato quando Anthony percebeu a familiaridade entre todos, quando viu Carlisle, Esme, os tios, a avó chegando um a um.
— Vocês… — ele engasgou — …já se conheciam?
Ninguém respondeu de imediato.
Porque, naquele hospital, não importava mais o passado, os silêncios ou as escolhas erradas.
Só importava Mia.
E, pela primeira vez em muitos anos, todas aquelas vidas estavam novamente entrelaçadas — não por amor, nem por desejo, mas pela urgência de não perder o que realmente importava.
E o destino, silencioso, observava...
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