Notas iniciais
Voltei mais cedo do que eu pensava kkk Tenho que aproveitar que estou com tudo fresco na cabeça.

Voltei para mais um dia de narrativa e espero que estejam gostando de como iremos desenrolar esse conto e de todas as situações que surgiram com esse encontro de dois mundos completamente diferentes, mas que nos mostraram que, independentemente de qual seja a sua situação, devemos ser gratos, pois o que mais invejamos no outro é, na verdade, aquilo que talvez o outro não queira e considere um fardo...


Lucian


“Comporte-se como se todos estivessem observando, mas trate cada pessoa como se ela fosse a única pessoa naquela sala.”


Esse era o lema que Lucian escutara desde quando aprendera a falar e a andar. Apesar da frieza dos pais e até mesmo de certa distância que ambos mantinham com ele, escutava o pai repetir aquilo todos os dias.


E era exatamente assim que acordava todos os dias, às 06h, com seu conselheiro real o despertando para mais um dia de agenda cheia, sem tempo para ser um rapaz comum, com sonhos, ambições ou até mesmo diversões, como ele já vira algumas vezes escondido em algumas TVs, quando conseguia escapar dos olhos atentos de seu conselheiro.


— Vossa Alteza, perdoai a interrupção. O dia já se apresenta diante de vós, e as primeiras horas pertencem ao estudo e ao aperfeiçoamento. É chegada a hora de vos levantardes.


Essa era a deixa. Ele não tinha mais cinco minutos, muito menos poderia dizer que não queria levantar. Então, colocou-se de pé, fez sua higiene pessoal, vestiu seus trajes reais e seguiu em direção ao conselheiro, que já o aguardava para iniciar sua rotina diária.


— Não poderia ser um pouco menos formal comigo, Pierre? Já me bastam todas as nossas aulas ao longo do dia. Conceda-me ao menos a liberdade de conversar contigo como um amigo.


Pierre entendia o jovem príncipe, porém não poderia simplesmente baixar a guarda, principalmente quando eram observados o dia inteiro e não podiam se dar ao luxo de perder pontos quando se tratava da educação do futuro monarca do condado.


— Ombros para trás, Alteza. Cabeça erguida. Caminhai sem pressa. Aquele que possui autoridade não necessita demonstrá-la através da precipitação.


E, com isso, Pierre voltou a dar os comandos, e o jovem Lucian percebeu que era mais um dia de batalha perdida. Então, começou a seguir seu conselheiro e fazer exatamente tudo o que ele o orientava.


— Agora, Alteza, deixemos para trás o conforto dos aposentos. Vossa mente será hoje vossa primeira arma. Estudaremos história, línguas, estratégia e as responsabilidades que um dia repousarão sobre vossos ombros.


E assim se inicia mais um dia de todos os estudos e treinamentos de um jovem príncipe.


Para ser bem sincera com vocês, eu tenho um pouco de dó de Lucian e, com o passar das linhas, vocês irão entender onde quero chegar.


Às 08h, o que seria um café da manhã normal para qualquer pessoa, para Lucian é mais um treinamento de etiqueta: como se sentar, como pegar os talheres, como se portar com todos ao seu redor. E, apesar de os pais estarem tomando o desjejum junto com ele, ambos parecem perdidos em seus próprios mundos, mas sempre atentos às correções que o conselheiro fazia ao jovem.


— Meu filho, guardai estas palavras em vosso coração, pois um dia caberá a vós conduzir homens e governar um reino. À mesa, não é o homem que mais fala aquele que demonstra maior importância, tampouco é aquele que busca ser o centro de todas as atenções. O verdadeiro poder está naquele que sabe ouvir, que concede a cada homem a dignidade de ser escutado e que, por sua postura e respeito, faz todos ao seu redor sentirem-se honrados. Lembrai-vos, meu filho: um verdadeiro rei não precisa elevar a voz para ser ouvido. Sua grandeza se revela na maneira como trata aqueles que estão abaixo de sua coroa.


Lucian escutava tudo com atenção, principalmente porque eram raras as vezes em que seu pai dirigia a palavra a ele, e acreditava que aquela era sua forma de demonstrar que se importava com ele.


— Sim, meu pai. Guardarei vossas palavras com grande estima. Se um dia eu tiver de portar uma coroa, que eu jamais me esqueça de que ela não me torna maior que aqueles que estão diante de mim. Um verdadeiro príncipe deve saber ouvir antes de ordenar e respeitar antes de exigir respeito. Espero, quando chegar minha vez de governar, ser lembrado não apenas pelo poder que me foi confiado, mas pela honra com que tratei aqueles que confiaram em mim.


E, por um instante, naquele momento, Lucian viu orgulho passar pelos olhos de seus pais. Porém, no instante seguinte, ambos já estavam com as expressões frias novamente e se levantavam para seus afazeres.


Antes de sair, o rei e a rainha olharam novamente para o filho e sabiam que o conselheiro era realmente muito eficiente e estava ajudando na construção de um verdadeiro monarca.


— Muito bem, Vossa Alteza. Respondestes com a sabedoria e a dignidade que se espera daquele que um dia há de portar a Coroa. Vossa Majestade certamente se orgulha de ouvir tais palavras de seu herdeiro.


Lucian apenas assentiu, mas, no fundo, sentia-se feliz, pois, pela primeira vez, sentiu-se acolhido com tais palavras. Assim que terminou seu desjejum, levantou-se e acompanhou o conselheiro para o seu próximo compromisso.


Eu poderia passar toda a rotina do príncipe, porém acho que perderia um pouco a essência do conto e ficaria algo cansativo de ler. Porém, vou colocar qual é a rotina dele para ficar um pouco mais claro o porquê de ele não ter liberdade e, assim, vocês tiram as próprias conclusões.


Lembrando que isso é apenas em algumas horas, e não durante o dia inteiro.

Rotina diária — Formação de um Príncipe

06:00 — Despertar e disciplina

06:30 — Postura e presença

07:00 — Preparação física

Segunda:

corrida/caminhada + mobilidade

Terça:

natação

Quarta:

artes marciais ou esgrima esportiva

Quinta:

corrida/ciclismo

Sexta:

exercícios de força supervisionados

Sábado:

esporte coletivo ou atividade ao ar livre

Domingo:

caminhada leve e recuperação

08:00 — Café da manhã e etiqueta à mesa

09:00 — Estudos de formação

Segunda — História

História mundial

História política

História das monarquias

Grandes civilizações Guerras e tratados

Formação dos Estados

Terça — Geografia

Países e capitais

Fronteiras

Recursos naturais

Geopolítica

Culturas e povos

Quarta — Filosofia

Ética

Justiça

Virtude

Liderança

Estoicismo

Pensamento crítico

Quinta — Literatura

Grandes clássicos

Poesia

Discursos

Biografias Retórica

Sexta — Economia

Finanças pessoais

Comércio

Economia básica

Administração

Orçamento

Negociação

Sábado — Ciência

Matemática

Astronomia

Biologia

Tecnologia

Ciências naturais

Domingo — Leitura livre

11:00 — Retórica e comunicação

12:00 — Idiomas

13:00 — Almoço e etiqueta social

14:00 — Diplomacia e posicionamento

15:00 — Lealdade e caráter

16:00 — Artes e cultura

17:00 — Estratégia

18:00 — Esporte e habilidades tradicionais

19:00 — Vestimenta e apresentação

20:00 — Jantar formal

21:00 — Conselho consigo mesmo

22:00 — Recolhimento


Entenderam agora?! Isso, para mim, não seria vida se eu vivesse naquela época. Imaginem você ser preso na própria vida. Por isso que, quando dizem “quem muito tem, nada tem”, essa é a verdadeira realidade que o jovem Lucian vive.


O que acabou acontecendo é que, em um descuido do conselheiro, que estava conversando com os guardas sobre as próximas aulas do jovem príncipe, o mesmo escapou e fugiu pelos corredores, tentando respirar um pouco sem toda a pressão do dia a dia.

Estava tão submerso em encontrar um bom esconderijo que esbarrou em uma jovem com uma pilha de toalhas recém-dobradas.


— Peço-vos sinceras desculpas. Eu estava tomado pela pressa e, por minha falta de atenção, acabei por esbarrar em vós. Espero, por gentileza, que me perdoeis por tamanha indelicadeza.


Ele estava se repreendendo mentalmente. Como poderia ser tão descuidado a ponto de atrapalhar o serviço da jovem?!


— Meu rapaz, não fora nada, não. Só me ajude, por favor, a pegar essas toalhas, pois irei levá-las para lavar. Não posso mais usá-las para guardar, pois caíram no chão.


Choque!


Era exatamente isso que ele estava sentindo. Era a primeira vez que alguém o mandava fazer alguma coisa, em vez de fazê-la por ele. E foi aí que ele teve certeza de que a jovem era nova e não sabia quem ele era.

O que era irônico, já que todos sabiam quem ele era.


Notas finais
Espero que gostem Kizlars