Entre A Vida E A Morte

6 A minha história começa apenas agora


Notas iniciais
O primeiro dia em que a verdadeira história de Elliot se inicia. A saudade e a preocupação com a família, sua única família, o faz vagar em sua mente. Uma jornada começa, e fará de tudo pra vingar suas perdas.

“Ouvia-se vozes. Longas e sussurrantes. A dor e a morte fediam naquele lugar. No fundo de sua mente podia-se sentir o mar de almas que clamava por uma salvação perdida. Uma salvação levada e guardada pelo Leviathan. Forjada no fogo do inferno, carregadora das almas destronadas e sugadas pela maldade e destruição espiritual, tem sua foice como uma aliada indispensável. Samael viajou de muito longe, muito mesmo, e finalmente, quando a porta se abriu, não deixou-a fechar antes que pudesse sair. Implantou-se no cérebro do Último Guerreiro da Luz, este tão forte como seus ancestrais.”

* * *

Eu sentia os movimentos de meu próprio corpo. Sentia meu corpo andar lenta e silenciosamente, em direção à porta. Minha cabeça não demonstrava uma saída, eu estava preso por meu próprio cérebro. A porta foi aberta, e senti a fraca brisa que entrou no quarto. Eu não sabia o que estava me controlando, ou por quê eu não conseguia me auto controlar, mas eu sentia que não vinha de mim e que era algo péssimo.

Meu corpo agarrou alguma coisa com a mão. Meus movimentos pareciam difíceis, como se eu fosse um morto-vivo. A sala estava perto, e pude captar alguns sons de Daniel e Luize. Eles conversavam alegremente. Mas tudo em um segundo parou e eu senti um forte baque nas costas, e no mesmo momento, voltei ao normal, eu tinha minha visão embaçada por um liquido negro. Daniel segurava-me contra a parede da sala.

- Droga isso não é nada bom – Luize disse preocupada. – Solte-o.

Ele hesitou.

- Agora! – ela falou.

Ele soltou-me e eu fui ao chão, pois não sentia nada, apenas via e ouvia. Meus olhos lacrimejavam liquido negro, de meus ouvidos e de meu nariz pingava o mesmo.

- Ele foi invadido. Vou preparar algo pra ajudá-lo. – ela continuou e logo saiu da sala deixando bem claro que era pra eu estar deitado na cama.

Quando Daniel me carregou eu já não tinha mais noção de nada. Meu cérebro girava junto de meus olhos. Não suportei mais a sensação e deixei-me ser levado pelo desmaio.

Acordei sem saber o tempo, eu apenas senti os cálidos toques de gotas em minha boca. Seu gosto não era tão bom, parecia boldo, mas era algo bem diferente. O que me fez acordar rapidamente e levantar. A cabeça latejava, os órgãos do sentido ardiam.

- O que aconteceu? Estou todo ardido – perguntei recebendo a risada de Daniel em resposta.

- Um ser das Trevas invadiu sua mente e tentou ferir Daniel. – Luize disse séria. – Precisamos treinar você. Hoje.

* * *

- Este é Liwis, seu instrutor. Ele vai ensinar como controlar sua mente, assim, seus poderes. – falou ela.

Luize seguiu rumo à casa, enquanto ficamos no jardim.

- Primeira regra garoto. Apenas você vê sua mente. Ela tem que sempre estar escura, de acordo com o cérebro humano. A única coisa que entra na cabeça é a imagem que está ao alcance de seus olhos. Não deixe amigos entrarem, família, nada. Entendeu? Mas deixe meus ensinamentos entrarem, claro. – brincou.

Confirmei com a cabeça.

- Antes de tudo, iremos começar com sua história. – Ele pegou um livro grande, velho e poeirento sobre uma mesa com alguns utensílios para nossa aula.

Abriu e folheou algumas páginas, quando encontrou, leu as palavras quase ilegíveis:

“Nos tempos antigos, há milhares de anos, quando humanos já predominavam a grandiosa Terra, dois poderes, o da Vida e o da Morte, foram encontrados presos pelas pedras do Leviathan, o protetor dos poderes, do fluxo das almas que transitam os três mundos, e tão desconhecido que ninguem sabia como fora criado. Os humanos diante de tão desconhecidas forças, as liberou, dando origem assim ao espirito da Luz e ao das Trevas. Os lideres humanos acabaram possuídos pelos tais espiritos, e, com as grandes intrigas criadas, cada lider criou suas forças para uma grande guerra, destinando o futuro do planeta. As Trevas criaram a dor, o medo, monstros incontroláveis, licantropes, vampiros, dragões, bruxas. A Luz criou seus poderosos Soldados da Luz, anjos, o amor, a paz, a amizade e a pureza. Mas a guerra foi travada. Os monstros destruídos, os Soldados da Luz mortos, restando raríssimos, e as forças, que um dia foram tão potentes, tinham sua fraqueza impetuosa. Mas novos seres se originaram desse poder, sabe-se lá como. Samael, a Morte, e o Último Soldado da Luz, o imortal.”

- Garoto...

- Elliot – cortei.

- Garoto, esta é sua árvore geneológica – ele apontou a árvore – Seu pai, Marcel, era filho de Gael, que tinha seu trisavô Johan Lasse. Ele era um dos maiores Soldados da Luz da história. Você é Elliot Lasse. Você é um Soldado. Tenha essa grande honra.

Ele se curvou diante de mim, venerando-me.

- Para com isso. – falei envergonhado. – Eu sou apenas um adolescente fraco, inultil. Não há por quê venerar-me.

- Talvez fraco, mas os mais fracos usam sua sabedoria e poderes. Isso faz de você um garoto perspicaz. Você não é forte para uma luta de corpo, mas sua mente é mais forte do que pensa. Garoto! Venha comigo.

Liwis tinha um jeito estranho, ele era animado demais, ele agia como se fosse da Era Medieval. Era algo estranho para mim. Nada comum comparado aos dias atuais.

- Sr. Liwis, quantos anos tem? – perguntei.

- Ah, garoto... Uns mil. Não me lembro mais foram tantos anos.

- Caduco.

Ele chegou a um barracão e logo voltou com alvos e duas bestas carregadas. Liwis colocou os alvos em linha reta na minha frente. Marcou uma linda vermelha com tinta.

- Você vai lançar raios contra os alvos. Se passar da linha leva flechada – ele disse.

- Há! Enlouqueceu? Vai me matar? E como vou lançar raios?

- É aí que entra o que te ensinei. Se vire. – e simplesmente sentou-se ali próximo.

Ele estava fazendo jogo, mas como bom aluno, esvaziei a mente, apenas tinha as imagens que entravam pelos olhos. Lembrei-me das outras vezes em que imaginei as coisas acontecendo. Apontei a mão com força em direção ao alvo um. Nada.

- Concentre-se em seu interior. Lembre-se sempre. Você é um Soldado da Luz. – de novo ouvi sussurros parecidos com Ben. Depois de muitas tentativas, caí sentado ao chão, não conseguia mais concentrar, não conseguia mais pensar em outra coisa que não fosse a saudade por ele. Seu toque era importante para mim. Levantei e andei para dentro da casa.

- Às vezes basear sua força em certos pensamentos ajudam a usar o poder com mais potência. – Liwis me fez parar depois de alguns passos.

Girei e um filete azul jorrou-se contra um alvo que não virou pó, simplesmente sublimou. Percebi o leve sorriso marcado no rosto do instrutor de uns mil anos.

- Não duvide de sua força, Elliot. Muitos aprendizes que ensinei só conseguiram lançar raios, e mais fracos que este, depois de uma semana. Você é especial, pois você é o Último Soldado da Luz.

* * *

Era noite e estava bem frio. Tomávamos nosso chá, enquanto conversávamos aleatoriamente sobre o treinamento.

- Elliot, você tem uma importância enorme nessa história, mas, infelizmente nasceu numa era muito ruim para seu próprio discernimento. O mundo precisa de você. As Trevas estão cada dia mais forte, cada vez mais perigosa. Cada dia há mais noticias de assassinatos, de suicidios, mortes. Isso é como um carregador ligado a esse espírito maligno. – disse ela.

- Eu estou começando a entender, já que todos estão falando isso. – falei.

- Hoje foi um dia importante para mostrar-nos que corremos perigo. Samael está tentando matar você, assim como fez com seus pais. Ele sabe que demonstra perigo a ele, que pode matá-lo.

- Eu vou acabar com ele. Vingarei cada segundo de sofrimento que trouxe aos meus pais e a mim.

Notas finais
E concerteza não será nada fácil.