Ensine-me a te amar

5 5. Meus novos dilemas


Notas iniciais
Oiiii, voltei! OK, sei que demo rei, mas acabei cometendo erro no calculo dos dias e esqueci de avisar que estaria saindo em uma viagem na sexta, ou seja, que ficaria alguns dias sem poder acessar a NET. Sinto muito por isso. Agora que consegui um pouco de área estou postando ele cap. como é do celular a formatação vai ficar meio zoada, mas prometo que concerto ate amn. Espero que gostem *-*!

Despedi-me de Natsu dizendo que iria direto para casa por aquele dia, alegando estar realmente cansada e querer descansar. O rosado me sorriu, acenou positivamente e se despediu, indo em direção à guilda para, provavelmente, anunciar sua chegada.

Mas eu não estava com cabeça para isso. Não queria encarar todo mundo e ter de sorrir como se não estivesse assustada, porque estou, e só percebi o quanto quando vi-me sozinha em meu quarto.

Estar sozinha para pensar, sem precisar fingir que nada estava errado, pareceu ser o que finalmente despertou minha mente para a realidade. Tranquei a porta da frente como sempre, mas dessa vez passei o trinco na janela. Qualquer coisa que me impedisse de ver Natsu naquele momento.

E agora, completamente sozinha, desabei no chão. Não houvera notado, porém minhas pernas tremiam tanto que eu mal me mantinha em pé direito. Na verdade, todo meu corpo parecia tremer. Eu estava assustada, e me sentia sozinha.

Por todo esse tempo, nunca tive segredo algum com meus amigos, podia dizer tudo a eles sem me preocupar com sigilo. Mas agora era diferente. Sentia que não conseguiria, mesmo se quisesse, contar a alguém sobre isso. Eu mesma mal conseguia crer, pronunciar as palavras em si já parecia impensável.

Grávida... Eu estou grávida. Repetia em minha mente, sentindo o pânico fechar-me a garganta Por que comigo? Por que agora? E, dentre tantas outras pessoas, por que tinha de ser de um filho dele?

Não vou mentir. Eu estava apavorada. Só um mero pensar sobre o tanto que essa palavra significava já era o suficiente para me deixar tonta. Toda minha vida, literalmente, trocaria de teor em questão de meses. Meses. Parecia tão pouco tempo e tudo mudaria tão rápido.

Pela primeira vez, considerei realmente contar a Natsu sobre isso. Não só por não saber como lidar sozinha com essa situação, como por imaginar o que ele faria se descobrisse que eu lhe escondia coisas. No fim, eu realmente não fizera esse filho sozinha (nem tinha como) e a culpa, embora fosse principalmente minha, também era um pouco dele.

Nem consigo imaginar o que ele diria. Será que ficaria com raiva? Ou ficaria assustado como eu? Ou talvez... feliz? Acho que o termo certo seria surpreso, depois só posso presumir o que sentiria.

Eu devo ser uma pessoa horrível. Os pais deveriam ficar tão felizes quando têm seus primeiro filho. Muitos nem podem ter crianças, outros ficam anos tentando, e alguns, como nós, vêm por acidente. Mas acho que, de todas as possibilidades, a mais adversa é a minha. Eu era virgem, e engravidei justamente depois da minha primeira noite. Só podia ser a maior má sorte que eu podia esperar de mim mesma.

E ainda assim me sinto mal, porém não consigo ver aquela coisa tão feliz, inocente e abobalhada que uma mãe de primeira viagem deveria sentir. Eu não sei como me sentir feliz com isso. Simplesmente estou com medo demais para sentir qualquer outra coisa. Devo ser mesmo uma pessoa horrível, até estava pensando em não dar a luz a esta criança.

É claro que eu não sentia raiva dela. Ela tinha culpa de nada. Na verdade, os culpados éramos nós e nossa mentalidade infantil. Ou talvez eu mesma, que, mesmo não completamente bêbada, não detive-o naquela noite. Tantas possibilidades contraditórias, tantas coisas que poderiam ter acontecido diferentes, e, indo contra todas elas, essa criança está aqui. E não tenho a mínima ideia do que posso fazer agora.

Eu poderia escolher ter esse filho. Só... só talvez. Teria de dizer ao Mestre, e todos na guilda ficariam sabendo. Tenho certeza que me apoiariam. Levy, Erza, Cana, até Juvia e Wendy ficariam do meu lado, me dariam uma força que, no momento, eu sinto que realmente preciso. Já do resto também não sei o que esperar. Como Gray, Natsu e o todos os outros reagiriam só posso saber quando contar.

Imagino sua primeira pergunta.

E quem é o pai?

Quem... certo? Pensei em Natsu tentando cuidar de uma criança. E logo fiz uma careta. Era um quadro catastrófico em todos os sentidos possíveis e imagináveis. A primeira coisa que me vinha a mente eram coisas explodindo e choros. Céus, sei que ele nunca faria mal a ninguém de propósito! Mas ainda é o Natsu. O Natsu da Fairy Tail. Aquele lembrado por suas brigas e pelo êxito em destruir propriedade alheia. E isso nunca mudaria. Porque justamente era o Natsu.

Pra ser sincera, eu gosto dele assim. De seu jeito extrovertido e sua pavio curto, até da sua maneira diferente de pensar e de seu desprendimento para com as responsabilidades. Eu me divertia mais com ele do que com qualquer outra pessoa. Natsu sempre foi especial.

E ainda há a parte dele que se mostra apenas quando está em meio à lutas. Sua personalidade fiel, competitiva, orgulhosa e determinada vinha à tona. Em meio a desafios e confrontos, toda sua parte um tanto abobalhada (ou quase toda) praticamente desaparecia. Porque Natsu não é uma pessoa com um lado só, ele é do tipo que não fala da maioria das coisas que sente. Então só posso imaginar o que pode estar sentindo naquele momento.

Ele poderia estar sentindo falta de Igneel, mas estava sempre sorrindo. Poderia ter pensado anteriormente que sua melhor amiga de infância, Lissana, houvera morrido em missão, porém também sempre sorria. Ele era assim. Parecia quase inabalável a essas quedas, e isso fez com que eu me sentisse um tanto patética por estar com tanto medo agora. Porque Natsu sempre foi mais forte do que eu, confesso, em muitos sentidos.

E agora, talvez, só talvez, eu deva ser forte por ele também. Somos crianças, é verdade, mas não posso simplesmente contornar meu erro. Não há uma terceira opção. Ou eu desisto agora, ou vou em frente com isso. Nem que ir em frente signifique ser mãe solteira e cuidar sozinha dessa criança. Porque a ele, sinto que não posso contar nada. Nem conseguiria dizer.

Ele já tinha sua própria cota de tristezas na vida. Perdeu pessoas que amava, e sempre esteve de frente com a possibilidade de perdê-las. Natsu é forte, mas como conseguiria contornar isso? Não é uma coisa que possa ser resolvida com socos ou chamas, é uma responsabilidade da qual, ou abrimos mão ou tomamos para nós mesmos.

E ele já sofreu tanto, que não consigo me imaginar dizendo a ele que, a partir de agora, estaríamos ligados para sempre. Um filho é um laço eterno entre duas pessoas, seria o mesmo que o prender a mim para o resto da vida. E ele nem deve sentir algo parecido. Nunca sei o que está pensando, muito menos o que sente. Não que eu nunca tenha me perguntado isso, todavia nunca cheguei a uma resposta certa.

Num segundo uma imagem veio-me a mente. Imaginei uma criança pequena de cabelos rosados correndo pelas ruas de Magnólia, em direção à Fairy Tail, rindo e arrumando confusões com todos que podia no caminho.

Um bebê.

Uma mistura de nós dois num ser completamente novo. Seria como um recomeço, para Natsu e para mim. Alguém que viria a mudar por completo nossas vidas, uma criança tatalmente dependente de nós.

Ainda lembro-me dos tempos em que me sentia sozinha por não receber carinho e atenção de meus pais. Recordo-me plenamente dos dias que passei chorando ao túmulo da minha mãe e desejando que papai ao menos me perguntasse como foi meu dia, ou mesmo o que estava fazendo. Porque não é somente dando comida e mantendo-a aquecida que fazemos uma criança feliz. Ela tem de ser amada.

E vi-me não conseguindo suportar o fato de privar Natsu do contato com ela. Esse filho nem sequer nascera e as possibilidades já eram infinitas. O futuro que parecia sombrio e amargo por um momento, pareceu se iluminar um pouco. Iluminar-se com a imagem encantadora do sorriso dessa criança. Pois nunca seria de todo ruim ser mãe. Não poderia ser.

Eu deveria contar a ele. Pensei, levantando da cama com um expressão receosa Natsu nunca me perdoaria se descobrisse isso de outra pessoa.

Mas era tarde. O sol já se punha naquele dia, que certamente fora o mais atribulado e confuso de toda a minha vida. Tive de ceder em dormir, não pensaria mais sobre isso até que tivesse plena certeza que de que caminho tomaria.

*****

Dias se passaram no silêncio. Eu ia à guilda todos os dias, como sempre, mas, semprei que voltava a encará-lo, não conseguia pronunciar uma palavra sequer sobre o que eu deveria. Ainda estava ocorrendo uma batalha dentro de mim, entre a parte que queria e a parte que não queria contar a Natsu sobre isso.

Acabei ficando mais distante de minhas amigas. Não fui mais à biblioteca da guilda ver Levy ou ajudá-la com os livros, Juvia saíra em missão com Wendy o Charlie, o que deixava apenas Erza ainda presente na guilda.

Mas, justamente por ser a Erza, eu não estava conseguindo me abrir com ela. Sentia como se ela fosse me repreender (o que eu bem mereceria) e não tinha certeza se poderia me aconselhar. Todas as vezes que encontrava com Levy pelos corredores da guilda, ela estava com Gajeel, o que me fazia reprimir a vontade de falar com ela.

Houvera decidido que contaria com a ajuda delas naquele momento, afinal estava me sentindo muito sozinha desde que descobri a gravidez, que ainda não dava muitos sinais aparentes.

Passei, nos últimos dias, por nada mais que algumas tonturas e enjoos pela manhã. Passava as noites em claro, sendo confrontada pelos fantasmas da minha consciencia, acordava cedo sentindo o peso das horas mal dormidas. Em compensação, andava comendo melhor. Coisas mais leves e menos gorduras. Ainda que esse cuidado não fosse exatamente por mim, mas pelo bebê, e estava também evitando gastar muita energia mágica ou fazer coisas consideradas perigosas. Se eu decidisse mesmo ter essa criança, seria assim pelos próximos nove meses.

Outra coisa que mudou foi o meu humor. Estava mais quieta, mais reservada, mais... pensativa. Pelo menos isso ao olhar dos outros. Erza frequentemente parecia me olhar como se quisesse ficar preocupada com meu estado, porém eu sempre lhe sorria e dizia que estava apenas pensando demais.

Natsu também já parecia notar alguma coisa, mas creio que nada muito aparente, pois parecia que ele apenas tentava me animar, como se pressentisse que eu estava triste. E isso não foi a única coisa que mudou.

É claro que o rosado continuava o mesmo. Arrumava brigas e apostas com Gray o tempo inteiro, apanhava da Erza por isso diariamente e fazia o estardalhaço de sempre. Porém, eu me enervava muito mais agora quando ele invadia meu apartamento. Ficava muito mais preocupada quando o encontrava dormindo na minha cama, e ansiosa ao dormir e sentir seu cheiro impregnado nos lençóis. Era impossível lidar com as coisas assim.

E, depois do que aconteceu naquele dia, tomei minha decisão.

*****

O dia começara normalmente. Acordei com a luz do sol machucando meus olhos, saindo das persinanas ainda entreabertas. Um livro meio aberto repousava em meu colo, e lembrei-me que, antes de dormir, o estava lendo. Acabando por adormecer com o volume ainda aberto sobre as pernas.

Fechei o livro e o pus na mesa de cabeceira, espreguiçando-me e dando um sorriso.

–Mais um dia! -falei para mim mesma, levantando e indo ao banheiro.

Tomei um bom banho de banheira, usando os sais de banho (novos) que houvera aprendido a fazer. E estava mesmo muito relaxante. Quando saí, enrolada em uma toalha, sentia-me completamente renovada.

É claro que o sentimento foi por água a baixo quando ouvi aquela voz.

–Ohayo, Luce! -cumprimentou-me um certo Dragon Slayer, sentando de pernas cruzadas sobre minha cama com aquele sorriso estampado no rosto.

–Invadiu! -exclamei, ainda incrédula com o fato de ter de aturar as invasões nada discretas do Salamander- O que faz aqui a essa hora Natsu?

–Estou com fome!

–Vá comer na guilda. -respondi, apertando instintivamente a toalha ao redor do meu corpo.

–Lucy má. -afirmou Happy, tristonho.

–Eu não sou má! E por que na minha casa afinal de contas?-indaguei, indo até ele de braços cruzados.

–Porque eu não sei cozinhar.

–E isso me inclui em...?

–Ah, por favor, Luxxxy! A comida dele é tão horrível que pode matar um gato. -choramingou Happy.

–Ei! -protestou o rosado.

–Aanh, que escolha eu tenho? Tudo bem. -ele sorriram animados- Mas só dessa vez! -tive de acrescentar.

–Yoshaa! -comemorou Natsu- Eu posso ajudar a cozinhar! -disse ele, formando uma chama envolta da mão direita.

–Nem pensar! -dissemos eu e Happy ao mesmo tempo, rindo em seguida.

Chutei os dois do quarto para poder me trocar, respirando aliviada quando me vi novamente sozinha.

Vesti-me com calma, escolhendo roupas para que pudesse ir para a Fairy Tail mais tarde e fui para a cozinha.

Depois de vários minutos o café ficou pronto, e tive de fazer o triplo de comida para eles do que faria para uma pessoa normal. Mas tinha de admitir que não havia nada mais adorável do que a felicidade dos dois com algo tão simples quanto uma refeição.

Logo nos dirigíamos à guilda, falando sobre qualquer coisa fútil. Era bom poder falar com ele normalmente, eu me sentia bem rindo das besteiras que o rosado falava sobre suas missões anteriores com Happy, Gray e Erza. Rir com ele, vê-lo sorrir, parecia algo que fazia minha vida completa. O sorriso de Natsu, aquele caloroso, brincalhão e tão único seu, me desarmava mais do que deveria. Fazia meu coração tropeçar nas batidas por um segundo, e eu sabia o que isso significava. Mas reprimia a sensação à todo custo, ela haveria de desaparecer algum dia, bastava esperar.

Quando chegamos à guilda Natsu praticamente arrebentou a porta, como sempre, anunciando sua chegada à plenos pulmões para toda a guilda, que o cumprimentou com os copos levantados e alguns comentários sobre seus exageros diários.

Como Gray não estava presente, o primeiro desafiado da vez foi Laxus, que pareceu ter pouca paciência até para nocauteá-lo, porém a irritação venceu e logo o rosado foi jogado pelos ares de novo.

Já eu me acomodei em um dos bancos, perto de onde Mira servia alguns copos, rente a seu balcão. Ao seu lado apareceu uma outra Strauss atarefada, que parecia preparar algo no forno.

–Natsu chegou? -indagou Lissana, que contornou o balcão imediatamente, indo em direção ao rosado.

Percebi que alguns olhares a seguiram enquanto ela abordava o mesmo, que estava se levantando do chão após o golpe do loiro. E eu via que os olhavam com expectativa, como se esperassem que algo dosse acontecer.

–Por que todos estão olhando assim pra eles? -perguntei à Mira, que também fitava a cena.

A albina mais velha sorriu gentilmente, mirando à irmã atentamente.

–Lissana anunciou à todos mais cedo. -segredou-me em voz baixa- Ela disse que se declararia a Natsu hoje.

Notas finais
E então? Ficou bom? Vou colocar a imagem no cap. Assim que conseguir acesso ao meu notebook, OK? Espero que tenham aproveitado e tambémadoraria que comentassem o que acharam.