Ensinamentos de um Cafajeste
29 Rachel - Will
Notas iniciais
Eu realmente não sabia se ele fazia para me provocar, ou se realmente gostava da companhia de Sophie Vadia Connor, eu temia essa ultima alternativa, confesso. Não é fácil essa vida de caso proibido, merda.
– Porque ele está aqui? – perguntou Ed me puxando para longe das meninas.
– Pergunte a ele- retruquei cruzando os braços emburrada.
– Ele não veio pro sua causa? Esse homem não tira os olhos de você desde que chegou aqui – disse o ruivo e eu bufei.
– Percebi mesmo, olha lá ele babando naquela vadia.
– Ah Rachel, pare com esse ciúme idiota – disse Ed rindo e balançando a cabeça.
– Não é idiota, e também não é ciúme, ele que é um estúpido que fica dando bola praquela vadia mesmo depois do domingo... – minha voz morreu.
Eu não havia contado para Ed – não tivemos tempo para falar sobre isso-, e eu simplesmente tinha deixado escapar, e agora meu melhor amigo me olhava com os olhos azuis arregalados.
– Ah meu Deus! Vocês...? – ele também deixou a frase morrer e eu corei, abaixando a cabeça- Rachel sua safadinha!
Eu ri envergonhada e tapei o rosto com as mãos.
– Me conte tudo, detalhadamente – ele pediu semicerrando os olhos curiosos.
– Mais tarde, veja com seus pais se você pode ir lá para casa e eu te conto tudo, prometo.
– Hm, hoje não dá, preciso cuidar do meu sobrinho – ele fez careta.
– Will está aqui? – gritei dando um pulinho no lugar e atraindo a atenção das pessoas ao redor, inclusive das minhas amigas e de Aaron, mas ignorei esse ultimo.
– Sim – Edmund suspirou cansado.
– Leve ele – sugeri sorrindo enormemente. Will era um amor, a criança ruiva mais perfeita e educada do mundo!
– Não sei se é uma boa...
– Por favor Ed, estou com tanta saudades dele – choraminguei e Ed revirou os olhos.
– Eu levo o Will.
O sinal tocou e as meninas vieram a nosso encontro.
– Vocês dois estão muito de segredinho ultimamente – reclamou Amber abraçando Ed e eu ri.
– Verdade. Aliás, quem é Will e porque todo esse fogo no cu Rachel? – perguntou Alex e eu revirei os olhos rindo.
– É o sobrinho do Ed, é a criança mais linda do mundo! – falei empolgada.
– Will está aqui? Porque não contou antes pokebola? – gritou Riley dando um tapa em Ed que se encolheu com o tapa.
– Porque vocês todas estão sempre ocupadas demais com seus problemas com homens para prestar atenção em mim – choramingou ele e todas bufamos.
. . .
Era fim de aula quando liguei para mamãe para avisar que iria para a casa de Ed – ao invés dele ir para a minha, como combinado inicialmente – para ver Will, mamãe ficou empolgada então deixou que eu fosse sem problemas.
– To com tanta saudade do Will – suspirei pegando a mão de Ed enquanto ele ia ao meu lado em direção a sua casa, poucas quadras dali.
– Não sei se isso me chateia ou alivia, porque não sei se você vai dar mais atenção pra ele do que pra mim.
– Primeiro eu vou paparicar muito o Will, porque sério ele é a melhor pessoa do mundo para abraçar! – Ed me olhou ofendido e eu beijei sua bochecha em desculpas – Depois de agarrar Will loucamente, eu te dou atenção.
– Espero que aquela praga durma logo – resmungou Ed e eu lhe dei um tapa no braço.
– Ed!
– Estou falando sério, quanto mais tempo passa mais peste ele fica – reclamou Ed e eu revirei os olhos.
– Você só está com ciúmes.
– E não deveria? Minha melhor amiga só quer ir para minha casa para ver o meu sobrinho!
– Estou indo te contar fofocas, devia me amar por isso Edmund.
– E eu te amo querida – ele sorriu e eu retribui o gesto.
Chegamos a casa de Ed e a porta foi aberta antes mesmo que nos aproximássemos, e um ruivinho que batia pouco acima da minha cintura, de olhos azuis e cara de bebê, saiu de lá.
– Mamãe o tio Ed chegou! – ele gritou me olhando curioso.
– Will! – gritei empolgada e ele sorriu, então correu e pulou no meu colo.
– Tia Rach!
– Meu Deus esse menino ainda lembra de você? – Ed arregalou os olhos – Faz anos que vocês não se vêem.
– Sou difícil de esquecer, Ed – dei de ombros e entrei na casa mesmo sem ser convidada, os pais, a irmã e o cunhado de Ed estavam na sala, conversando sobre algo, porém pararam ao me ver.
– Rachel! – comemorou Anna, a irmã de Ed, que era praticamente sua versão feminina, só era pouco mais baixa e mais magra.
– Anna – sorri e a abracei com um braço, equilibrando Will no outro.
– Rachel – William, marido de Anna acenou para mim e os pais de Ed se levantaram para me cumprimentar.
– Quanto tempo querida! – disse a mãe do ruivo, beijando minha testa.
– Nunca mais veio nos ver – resmungou o pai dele, chateado.
– Sinto muito, os estudos estão me afogando – suspirei e beijei seu rosto enrugado, o que o fez sorrir.
– Bom Edmund, precisamos ir. Olhe o Will, e sinta-se em casa Rachel, foi bom te rever. Precisa aparecer mais vezes querida, sentimos sua falta – disse a mãe de Ed e eu sorri e assenti.
– Pode deixar, planejo vir mais vezes.
– Mas é só por causa do Will, nem se iludam achando que é por causa de vocês – reclamou Ed e eu lhe dei um tapa no ombro.
– Ed! Não fala merda.
Os adultos riram e saíram, Anna e William beijaram a testa do filho e pediram que ele se comportasse antes de saírem.
– E aí Will, do que vamos brincar? – perguntei ao ruivinho quando a porta foi fechada.
– Hm... De super heróis! – ele gritou empolgado e eu o coloquei no chão, ergui uma sobrancelha e me agachei na sua altura.
– Só se eu for o Batman.
. . .
Will se cansou de brincar de super heróis cerca de duas horas depois do início da brincadeira, seus pais só chegariam tarde da noite, e Ed estava dando graças a Deus que eu não o largara sozinho com o menininho – obrigando-o assim a brincar com Will do que ele quisesse -, mas era fim de tarde quando Will começou a reclamar que estava chato ficar em casa e que ele queria ir no parque.
– Vamos levá-lo ao parque – decidi entrando com o ruivinho no quarto de Edmund, que estava em frente ao computador, mexendo no Polyvore.
– Não, obrigado – resmungou mau humorado.
– Vamos lá Ed, vai ser legal!
– Não vou a lugar algum.
– Porque está bravo?
– Não estou bravo.
Suspirei e voltei-me a Will.
– Querido, porque não junta seus brinquedos preferidos e põe numa mochila para brincarmos no parque? Eu já vou lá, só preciso falar com o tio Ed – falei dócil e Will assentiu e saiu correndo do quarto.
Encostei a porta e cruzei os braços, voltando-me a Edmund.
– O que aconteceu?
– Nada, Rachel, nada.
– Ed!
– O que é? – gritou irritado, finalmente virando para me olhar frio.
– O que aconteceu cacete?
– Nada!
– Vá tomar no cu então.
– Você veio aqui para me contar sobre sua primeira vez, e tudo o que fez até agora foi brincar com o meu sobrinho já percebeu? Mal deu por minha falta!
– Você está com ciúme, Ed? – inspirei fundo para não mandá-lo para o inferno – Céus! Will é uma criança e eu não o vejo faz tempo, não posso ao menos matar saudade?
– A questão não é essa.
– Qual é a questão então?
– A questão é que você parece não se importar mais comigo!
Ergui as sobrancelhas surpresa e meneei a cabeça, indo até sua cadeira e sentei em seu colo, abraçando-o pelo pescoço.
– Sinto muito que tenha se sentido assim, não foi a intenção... – ele ficou em silencio, até que suspirou e me abraçou de volta – Vamos ao parque, lá Will vai se distrair com outras crianças, e eu te conto tudo, prometo.
– Ok – ele sorriu um pouco beijou minha bochecha -, agora saia do meu colo antes que eu comece a repensar minha opção sexual, Rachel.
Gargalhei e saí de seu colo, Ed ficou desligando o computador enquanto eu fui terminar de ajudar Will com sua mochila de brinquedos para enfim irmos ao parque e eu poder contar tudo logo a Ed.
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