Ensinamentos de um Cafajeste

30 Rachel - Jogando Verde


Notas iniciais
Esqueci de avisar mas todos os caps a partir de agora são o POV da Rachel

Eu já tinha desistido absolutamente daquela maldita excursão, não iria nem que me pagassem, mas é claro que depois de faltar alguns dias na escola, minhas amigas surgiram brotadas do inferno na minha casa, um dia antes da excursão para Bastille.

– Racheeeeel – cantarolou Riley invadindo meu quarto no horário depois da escola, e arrastando Alex e Amber com ela.

– Hm – resmunguei e puxei minha coberta até o queixo. Nos últimos dias estava inventando dores e mais dores para mamãe me deixar ficar em casa. Nada corajoso, eu sei.

– O que você tem? – perguntou Amber preocupada, sentando-se ao meu lado na cama.

– Ebóla, gripe suína, diabetes, Alzheimer, varíola...

Amber fez careta e se afastou, como se eu realmente estivesse doente.

– Agora pode falar a verdade, nós aceitamos – disse Alex impaciente e eu suspirei.

– Estou cansada da escola.

– Todas estamos querida, mas não podemos fugir, ainda mais no ultimo semestre de aulas – disse Riley sentando-se do lado oposto as outras duas – agora dá para falar a verdade, sabemos que sua doença tem comer, sobrenome, profissão, e é extremamente gato.

Ergui uma sobrancelha. Elas estavam jogando verde para colher maduro não é?

– Ed nos contou tudo – acrescentou Alex.

– Eu vou afogar aquela Gazela no vaso sanitário do banheiro masculino – murmurei irada. Era assim então? Eu contava meus problemas a ele e ele contava aos outros? Ok que as meninas não eram quaisquer umas, elas eram minhas amigas, não espalhariam tudo por aí, mas ainda assim! A ideia era ninguém saber!

– E ele contou de-ta-lha-da-men-te – falou Amber sorrindo maliciosa.

– O quanto ele contou? – murmurei emburrada.

– O bastante, mas não o suficiente, queremos a versão saída da sua boca – disse Riley impaciente.

– Esqueçam, já é constrangedor o suficiente ter que admitir que me relacionei com Aaron, imagina ter que detalhar tudo isso de novo? Nem pensar!

– Espera, Aaron? O professor? Meu Deus, Rachel! – gritou Amber assustada.

Franzi as sobrancelhas. Ed não tinha contado a elas?... Ah merda elas haviam me pegado, elas não sabiam de nada. Argh Rachel, sua burra.

– Ed não contou nada não é mesmo? – suspirei e passei as mãos no rosto. Pronto, se entregou de bandeira Heart.

– Não, mas sabíamos que você estava escondendo alguma coisa, agora é sua obrigação nos contar tudo – disse Alex me fuzilando com o olhar para que eu contasse.

– Ok... – soltei o ar pesadamente e então lhes contei tudo.

Ao finalizar a história mais resumida possível, elas também pareciam não aceitar muito bem. Ninguém nunca aceitava na verdade, mas acho que me imaginar com o professor gotoso da escola não é a coisa mais fácil do mundo.

– E então ele ouviu eu dizer para o Ed que gostava dele...

– E...? – perguntou Amber esperançosa.

– E ele me pediu desculpas, provavelmente porque não sente o mesmo – dei um sorriso triste.

– E é por isso que você tá fugindo dele? Por isso faltou as aulas? – perguntou Riley.

– É...

– Qual o seu problema? – gritou Alex irritada – Aquele idiota diz que não gosta de você, e ao invés de você ir para o colégio toda gostosa e mostrar para ele o que ele está perdendo, você se esconde em casa? Pelo amor de Deus Rachel, você já foi mais corajosa.

Abaixei a cabeça. Ela tinha razão, eu já fora mais corajosa.

– Você vai para Bastille amanhã né? – disse Riley séria.

– Não.

– Porque não Rachel Annelise Heart? – Amber colocou as mãos na cintura e me olhou brava.

– Eu já não queria ir antes, agora então...

– Você vai – ordenou Riley se levantando da minha cama e indo abrir meu closet.

– Não vou a lugar algum – garanti.

– É claro que vai – Amber bufou.

– Escuta aqui queridinha – Alex apontou um dedo para a minha cara e eu ergui as sobrancelhas. Ela nunca parecera tão mortífera – você vai a essa viagem, e não é porque você quer boa nota ou porque está interessada nesse maldito festival, você vai porque você quer se divertir com as suas amigas. Foda-se Aaron, foda-se o que ele pensa ou sente! Ele não tem o direito de deixar uma das minhas melhores amigas para baixo, e nós vamos mostrar isso a ele.

Seu olhar determinado me mostrava que não havia nada que eu dissesse ou fizesse que a faria mudar de ideia e opinião. Alex queria que eu fosse e ponto, eu iria nem que ela precisasse me arrastar.

– Eu odeio tanto vocês – resmunguei me levantando e indo ajudar Riley com a mala.

E na manhã seguinte eu estava lá, com minhas amigas, na fila para o ônibus que minha turma lotaria, com os documentos e a autorização – que eu não levei quando era para ter levado – em mãos. Sete horas de viagem me aguardavam, o que me tranqüilizava era saber que apesar de Aaron ser o supervisor do meu ônibus, eu poderia ignorá-lo enquanto estava rodeada de minhas amigas e Ed. Além do mais eu sequer sabia se ele queria se aproximar, afinal ele tinha meu número, sabia o número da minha casa e meu endereço, se quisesse notícias já teria aparecido.

No final das contas eu sabia que Alex tinha toda a razão querendo me arrastar para aquela viagem.

Aaron tinha o direito de não gostar de mim como eu gostava dele, e só Deus sabe o quanto eu gostava dele, mas nem ele nem ninguém poderia me impedir de me divertir e aquilo era tudo o que eu queria.

Pedir um fim de semana sem pensar no meu professor é demais?

Na fila, depois de Riley estava eu, e o professor de artes também não parecia mais estar me esperando, já que pareceu surpreso ao me ver.

– Oi... – falou sorrindo fraco. Olheiras roxas estavam debaixo de seus olhos, que agora tinham um brilho fraco e os cabelos estavam bagunçados como se ele mal tivesse dormido e quando conseguiu fazê-lo precisou acordar e correr para o colégio.

– Oi – murmurei vendo que ele demorou conferindo meus documentos do que o necessário.

– Como você está? – perguntou ele e eu franzi a testa. Porque diabos ele se importava? – Você sumiu da escola, achei que alguma coisa tinha acontecido.

– Estou ótima – murmurei puxando meu documento de sua mão e subindo os degraus do ônibus, indo diretamente sentar no fundo entre Riley e Alex. O ultimo assento coincidentemente tinha cinco lugares, o mesmo número de pessoas que formava meu círculo de amigos, portanto não precisamos passar por aquele sofrimento de precisar largar alguém sozinho em sua poltrona.

– Certo pessoal! – disse Sophie Connor, sorrindo larga e falsamente – A viagem é longa como todos sabem, então espero que ninguém precise ir no banheiro! – ela tentou brincar, mas imagine a cena: um ônibus lotado de adolescentes que acabaram de acordar, enfezados por estarem de pé mais cedo que o comum, e uma professora falando conosco como se tivéssemos oito anos novamente. Claro que suas tentativas de interação foram falhas – Bem, eu e Aaron estamos juntos nessa – ela afagou o ombros do Balzer com sua mão e sorriu para ele, que lhe forçou um sorriso. Desviei os olhos deles para Alex, que ignorava completamente o discurso e desenhava no vidro embaçado do ônibus coisas obcsenas e engraçadas –, porém eu vou precisar ir para o outro ônibus. Sejam bonzinhos com o senhor Balzer e não se divirtam sem mim hein...

Vadia. Some daqui Connor. Porque o motorista do ônibus não pode acidentalmente acelerar e te atropelar enquanto você vai para o seu ônibus? Tio do ônibus eu te amaria eternamente se você fizesse isso, entraria para sempre na minha lista de “considero pakas”.

– É isso o que a Sophie falou pessoal – a voz rouca de Balzer preencheu meus ouvidos, e involuntariamente eu o olhei, ele passava os olhos pelos alunos, mas por fim os parou em mim ao perceber que tinha minha atenção – mas não vou ficar enchendo o saco de vocês com coisas que já sabem. Vamos nos divertir em Bastille! Só tentem por favor não engravidar e nem matar alguém durante o trajeto, agradeço.

O ônibus começou a se mover. Bastille aí vamos nós.