Ensinamentos de um Cafajeste
22 Rachel - Toxina
Notas iniciais
– Aaron – chamei minutos depois. O sinal ia bater a qualquer momento, e ele parecia estar quase adormecendo com a cabeça em meu colo enquanto meus dedos não pareciam parar quietos em seus cabelos sedosos.
– Hm?
– O sinal já vai bater, preciso ir pra sala – suspirei, mas ele não se mexeu.
– Não, fica aqui – resmungou manhoso e eu sorri bagunçando seus cabelos de uma vez.
– Tenho que ir Balzer, e se não me engano, você tem que dar uma aula.
– Porque eu não podia gostar de uma menina da minha idade? – ouvi ele resmungar se levantando e gelei. Ele disse que gosta de mim?
O olhei confusa. Aaron tinha dito mesmo que gostava de mim? Não, eu devia estar enlouquecendo já.
– Venha sweetheart, agora que me fez levantar acho bom que suma daqui – ele resmungou mal humorado e eu revirei os olhos, limpando minha saia e ajeitando-a.
Pus a mão na maçaneta para sair da sala, mas paralisei ao sentir o corpo de Aaron colado a minhas costas enquanto ele me afastava da porta.
– Preciso ir, Balzer.
– Vai voltar a ser a bad girl comigo? – ele resmungou levando meu cabelo para um só ombro e depositando um beijo em minha nuca. Estremeci.
– Achei que o bad boy da história fosse você – comentei.
– E eu sou, por isso damos certo – ele me virou de frente para si e sorriu antes de selar nossos lábios rapidamente.
Eu ainda tentava imaginar como Aaron sabia dizer a coisa certa em alguns momentos, e ser um completo babaca em outros. Transtorno de dupla personalidade talvez?
O sinal bateu e eu o empurrei, Aaron afastou o rosto do meu, mas continuou com os braços firmes em minha cintura.
– Obrigado pela ajuda hoje, Rach.
– Sem problema, professor – sorri debochada e me desvencilhei dele. Saí da sala pouco tempo antes de ver alunos entrando lá, e assim que ergui os olhos, dei de cara com um ser ruivo extremamente sério e de braços cruzados.
– Foi boa a rapidinha de intervalo? – ele provocou malicioso e eu dei um tapa em seu braço, puxando-o pela mão para a sala onde teríamos aula de Física.
– Ótima, melhor orgasmo da minha vida – ironizei e Ed fez careta.
– Aaron deve ser ótimo mesmo, mas me poupe dos detalhes – pediu e eu bufei revirando os olhos.
. . .
– Gente – Sophie Connor estava na nossa aula de Artes, e eu não conseguia entender o que diabos aquela vadia estava fazendo ali. Para mim, o único motivo de ela estar presente, era babar em Aaron, que fingia não ver. Canalha.
– Hey pessoal – O Balzer tentou chamar a atenção do pessoal que conversava ao fundo da classe.
Coloquei meus fones de ouvido e cruzei as pernas irritada enquanto parecia que nem mesmo Jason Mraz me acalmaria. Por fim desisti de Jason e coloquei Fall Out Boy, tomando cuidado para excluir I Don’t Care da playlist.
Eu balançava a cabeça e o tornozelo ao som da música enquanto mexia em meu celular descaradamente, sem querer saber sobre o que Sophie ia falar. Thanks For The Memories estava bem animada até um par de mãos pousarem sobre o tampo da minha mesa com um baque tão alto que eu consegui ouvir mesmo com os fones de ouvido no ultimo volume.
Aaron estava inclinado sobre a mesa, e me olhava sério. Ergui o queixo e ergui uma sobrancelha para ele, sem tirar os fones de ouvido. Ele fez isso por mim, puxando os pequenos auto falantes de meu ouvido pelos fios.
– Estou falando com você, Heart – ele disse sério.
– Estou ouvindo você, Balzer – retruquei.
– Ótimo, Sophie quer falar com todos os da turma. Eu fico com seu celular por enquanto.
– Hm, vai me dar o papelzinho rosa da Detenção agora ou depois?
– Detenção? – ele franziu a testa – Porque eu te daria detenção?
– Porque geralmente é isso o que os professores fazem, quando eu saio de sala.
– Mas você ainda está aqui.
Levantei-me e fui até a porta.
– Agora não estou mais – falei saindo por fim.
. . .
Ed parecia a ponto de explodir enquanto andávamos para a minha casa. Ele estava se controlando para falar algo desde que eu saí da sala de Aaron, e eu já estava ficando curiosa para saber o que era.
– Fala logo Gazela – falei quando já estávamos a alguns metros das dependências da escola.
– Vamos para uma excursão! – ele disse empolgado.
– Quê?
– Era por isso que Sophie estava na nossa sala, ela e Aaron vão nos levar em uma excursão para Bastille!
– Bastille é longe daqui Ed, tem certeza de que a excursão é para lá? – indaguei confusa.
– Tenho, vai ter um festival de música feita com instrumentos alternativos lá, Sophie conseguiu as entradas. Só os últimos anos vão, e seu amado Aaron também, já que é por causa dele que temos que ir.
– Temos? Oi?
– Aaron disse que quando voltarmos de lá, teremos uma prova sobre a viagem e que essa nota vai valer 75 por cento da nossa nota semestral. Você saberia de tudo se não tivesse dado um ataque bipolar, discutido com o Balzer e sumido da sala.
Bufei e cruzei os braços. E além de tudo, fiquei tão puta que nem fui pedir meu celular de volta. Ah foda-se tem senha mesmo.
– Não quero ir nessa excursão estúpida.
– Nem eu querida, mas pense bem, você e Aaron poderão escapar para muitos lugares por lá.
– Dá pra parar? Não temos nada e não temos motivo algum para escapar para lugar algum. Aliás, vou me afastar dele.
– Porque vai fazer isso?
– Acho que os motivos são bem óbvios, Ed. Aaron é uma toxina que precisa ser evitada, porque depois que te atinge, se espalha de um jeito impossível de pará-lo.
– Mas você gosta dele... – disse Ed confuso.
Na verdade, aparentemente é ele que gosta de mim. Pensei, mas não verbalizei. Ed não precisava de mais informação para manter seu shipp atualizado, e eu não precisava de mais ilusão. Aaron estava se controlando hoje para não comer Sophie com os olhos, ele devia usar a frase “porque fui gostar de você?” de modo fofo com ela, e com todas as outras que ele traça toda noite.
– Não, eu não gosto, e isso não importa mais Ed. Já me decidi.
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