Ensinamentos de um Cafajeste

23 Rachel - Come and get it


Notas iniciais
Capitulo inspirado em devaneios/atos de duas alunas pervertidas durante a aula de filosofia de Thiago Cabeça-Quadrada...

Falhei impiedosamente em manter-me firme em minha decisão. Como? Bem, eu explico.

Durante a semana minha missão obteve sucesso, ignorei Aaron por todo o tempo, mas na sexta-feira ele parecia cansado de ser invisível para mim, e infelizmente a ultima aula era dele.

Riley conversava algo com Alex, e eu assistia entediada mais uma versão de Royals no modo cup song. Já era a quinta apresentação consecutiva daquela música, e parecia que minha vez de apresentar logo minha música – com Riley e Alex – não chegava nunca.

Odeio ser a última a apresentar algo, porque fico na expectativa até que eu me livre daquela responsabilidade, e eu teria que cantar – o que eu amo fazer, porém não em público – e isso tudo não facilitava minha vida.

A apresentação de Royals estava no fim quando Ed me mandou um papelzinho dobrado e eu o desdobrei confusa. Não mandávamos recadinhos desde que ele fora para a Irlanda.

“Cuidado com essas pernas Tocha, tem um moreno querendo apagar seu fogo...”

Ergui uma sobrancelha para aquela mensagem e olhei para Ed, que apontou minimamente com a cabeça para a mesa de Aaron, que realmente encarava minhas pernas bastante visíveis por conta do tecido justo da calça jeans, e ergueu os olhos para meu rosto quando viu que eu o flagara, então deu um sorriso enorme.

“Estou a tanto tempo sem homem nenhum, que talvez eu deixasse meu fogo ser apagado por ele”

Mandei a folha de volta e Ed me olhou de boca escancarada depois que leu, eu ri de sua cara. Pouco depois a folha estava de volta.

“Como você é tarada Rachel Annelise! Mas sério, você realmente deixaria se ele tentasse...?”

“Quem sabe? Ele não é de se jogar fora, e beija muito bem”

“Me poupe dos detalhes.”

Gargalhei descontroladamente ao ler aquilo. Ed me olhava com cara de nojo pelo que eu havia escrito antes, e quando me viu rindo, ele gargalhou também, mas de modo mais discreto.

– Rachel, gostaria de compartilhar o motivo de piada conosco? – indagou Aaron.

– Não, valeu.

– Então não atrapalhe a apresentação dos seus colegas.

Dei de ombros e abri a folha pensando no que escreveria. As minhas amigas agora me olhavam curiosas.

– O que é isso? – perguntou Riley.

– Nada demais – falei mas não deixei que ela pegasse o papel. Ed era o único a saber sobre mim e Aaron, e se dependesse de mim, continuaria assim.

– Está falando com quem? – perguntou Alex.

– Ed. Ele quer saber sobre os caras que eu acho que sejam gays na escola – menti e Alex revirou os olhos e então voltou a chamar a atenção de Riley para retomarem o assunto que eu sem querer havia interrompido.

Voltei a escrever.

“Sério, falar disso agora me fez imaginar as outras coisas boas que ele deve saber fazer com a boca...”

Entreguei o papel para Ed, que me olhou abismado e corou, mordi o lábio fortemente para não dar uma risada alta de novo e atrapalhar a apresentação de When I’m Gone que um grupo fazia. Ele me entregou o papel pouco depois.

“Sério, pare de poluir minha mente. Imaginar sexo hétero é a ultima coisa que eu quero agora”

“Ah qual é Ed, você é gay, sei que acha Aaron lindo. Todas acham.”

“Desde quando você é ‘todas’?”

“Não sou ‘todas’, mas sou uma adolescente com hormônios a flor da pele. Qual o problema de imaginar seu professor gostoso na hora H?”

– Rachel! – Ed gritou indignado depois de ler e eu arregalei os olhos.

Ed escreveu algo no papel e me estendeu, mas uma mão forte surgiu do nada e puxou a folha enquanto Ed segurava uma ponta e eu a outra. Balzer.

– Bilhetinhos são proibidos, prestem atenção a apresentação – disse Aaron se afastando com o papel.

Puta. Que. Pariu.

Ele se sentou a sua mesa com o papel em mãos no exato momento em que o ultimo grupo terminara de se apresentar.

– Heart, sua vez — disse ele sem ao menos me olhar. Eu podia ver a excitação em seus olhos por descobrir por fim o que eu e Ed escrevíamos. Filho da mãe!

Meu estomago se revirou só de imaginá-lo lendo aquilo. Merda eu devia ter controlado esses meus dedos idiotas para não escrever tudo aquilo!

– Rachel, é a gente – disse Alex me cutucando e eu me levantei trêmula.

– Relaxa Rach, você canta bem – disse Riley acariciando meu braço. Ela devia achar que eu tremia de nervoso, mas não era nada disso.

– Podemos apresentar sentadas? – resmunguei para elas, mas meus olhos se negavam a desviar-se das mãos de Aaron, que brincavam com o papel, mas ele não o desdobrava apenas pela satisfação em me ver nervosa daquele jeito com a hipótese dele ler aquilo.

– Claro – respondeu Alex sorrindo para mim e puxamos três cadeiras para trás das mesas.

– Qual a música meninas? – indagou o Balzer.

– Come And Get It, da Selena Gomez – respondeu Riley.

Aaron ergueu uma sobrancelha e se levantou, indo sentar-se ao fundo da sala – e carregando a porcaria da folha junto- então pediu que começássemos.

Nos entreolhamos por um segundo, então posicionamos os quatro copos que usaríamos ao todo, e começamos cada uma com seu copo.

Então cantamos em coro em nossa entrada:

When you ready come and get it

Na na na, na na na, na na na

When you ready come and get it

Na na na, na na na, na na na

When you rea-a-a-ady

When you rea-a-a-ady

When you ready come and get it

Na na na, na na na, na na na

Meus olhos colaram-se em Aaron, e eu só percebi isso quando vi um sorrisinho canalha de canto brotar em seus lábios rosados. Talvez ele estivesse entendendo aquilo como uma provocação, mas tudo bem, porque talvez fosse de fato uma provocação.

Alex começou sua parte:

You ain’t gotta worry it’s an open invitation

I’ll be sittin’ right here real patient

All day all night I’ll be waiting standby

Can’t stop because I love it

Hate the way I love you

All day all night

Maybe I’m addicted for life, no lie

Mordi o lábio e comecei com os olhos fixos em meu copo, mas no meio da minha parte ergui a cabeça e semicerrei os olhos divertida ao ver que Aaron me encarava boquiaberto, então passei a cantar para ele.

I’m not too shy to show, I love you

I got no regrets

I love you much too, much to hide you

This love ain’t finished yet

This love ain’t finished yet

So baby whenever you’re ready

When you ready come and get it

Na na na, na na na, na na na

As meninas uniram-se a mim:

When you ready come and get it

Na na na, na na na, na na na

When you rea-a-a-ady

When you rea-a-a-ady

When you ready come and get it

Na na na, na na na, na na na

Por fim foi a vez de Riley:

You got the kind of love that I want, let me get that

And baby once I get it I’m Yours no take backs

I’m gon’ love you for life, I ain’t leaving your side

Even if you knock it ain’t no way to stop it

Forever you’re mine baby I’m addicted no lie

No lie

Eu:

I’m not too shy to show, I love you

I got no regrets

So baby whenever you’re ready

Terminamos a música com um ultimo refrão:

When you ready come and get it

Na na na, na na na, na na na

When you ready come and get it

Na na na, na na na, na na na

When you rea-a-a-ady

When you rea-a-a-ady

When you ready come and get it

Na na na, na na na, na na na

O pessoal bateu palmas e eu sorri aliviada. Havia enfim terminado, mas como alegria de pobre dura pouco, o pânico ressurgiu assim que vi que em algum momento enquanto eu não olhava, Aaron tinha desdobrado o bilhetinho meu e de Ed e agora lia tudo aparentemente interessado.

– Muito bem crianças, isso é tudo por hoje – disse ele no exato momento em que o sinal bateu.

Eu corri até minha carteira, pendurei minha mochila – que nem tinha sido aberta- no ombro e ia saindo quando ouvi ele dizer:

– Rachel, espere um segundo por favor.

É agora que a humilhação começa?

Olhei em desespero para Ed, que tinha o mesmo olhar que o meu no rosto, mas seguiu para fora da sala com Alex e Riley.

Esperei impaciente enquanto Aaron vinha até mim, ainda lendo enquanto andava.

– Já não chega disso? – resmunguei mal humorada, sem me importar com o fato de ainda ter umas cinco pessoas dentro da sala.

– Só um segundo, estou terminando – ele disse impertinente e eu bufei sentindo minhas bochechas arderem. Eu estava corando, ótimo.

– Chega Balzer – choraminguei quando a ultima garota saiu da sala, lançando um olhar desconfiado para mim e para o professor.

– Então... – ele ergueu a cabeça para mim e guardou o papel no bolso da calça antes que eu fizesse algo. – Quer dizer que eu beijo muito bem né?

Ergui uma sobrancelha. Me recusava a ficar ali ouvindo aquilo.

– Mas isso eu já sabia – Aaron continuou-, o que eu não sabia sweetheart era que você me imaginava “na hora H” – ele fez aspas e eu mordi o lábio com tanta força que achei que ia sangrar.

Cadê um saco de papel pra eu esconder o rosto numa hora dessas?

Aaron apertou os lábios e eu podia ver que ele se segurava para não rir de mim.

– Chega, to indo – falei irritada e lhe dei as costas, então ouvi sua risada e pouco depois sua mão me segurava pelo pulso.

– Calma aí, eu não queria rir de você, só fiquei surpreso que você falasse esse tipo de coisa, sweetheart. Não que eu não saiba que você me deseja loucamente, é claro.

Revirei os olhos e tentei soltar meu punho de sua mão, mas ele segurava firme.

– Te fode, Balzer. Agora licença, tenho que ir para casa.

– Espera, tenho uma proposta pra te fazer – ele disse sério e eu olhei-o mais atentamente.

Ok, ele achou que só porque escrevi aquelas coisas, vou topar ir pra cama com ele. Merda! Eu era virgem, e Aaron Balzer não era o príncipe encantado para quem eu queria entregar aquilo.

– Quer ir comigo até a casa dos meus pais domingo? – ele disse rápido, como se temesse perder a coragem caso demorasse demais.

O convite me pegou completamente de surpresa. Fiquei sem palavras.

Ele queria que eu fosse conhecer seus pais? Mas... Por quê?

– Esse silencio não era exatamente o que eu esperava – ele fez careta e passou as mãos pelo cabelo, me olhando a espera de uma resposta.

– Desculpa Aaron, mas... Eu... Não sei. Quer que eu conheça seus pais? – perguntei e ele assentiu receoso- Hm, meus pais enlouqueceriam se eu dissesse a eles que meu professor quer apresentar a família dele para mim.

– Então não diga a eles – sugeriu Aaron esperançoso -, é só um almoço, a tarde você vai estar sã e salva em casa, eu prometo.

– Eles ainda vão enlouquecer se descobrirem...

– Por favor Rach, você parece ser a única pessoa que faz toda a melancolia da doença da minha mãe ser menor. Ela adoraria te conhecer.

Golpe baixo.

Inspirei fundo e olhei para o teto.

O que eu faço agora?

– Certo Balzer, posso dizer aos meus pais que vou almoçar na casa do Ed.

– Obrigado – ele sorriu aliviado e beijou minha testa de modo protetor. – Aliás, pelo o que entendi do bilhetinho, Edmund sabe sobre nós certo?

Assenti hesitante.

– E ele não liga? Achei que ele fosse apaixonado por você.

Então eu explodi em gargalhadas.

– Ele é gay, Aaron!

– Ah... Isso explica muita coisa – ele disse e eu ri ainda mais.

Notas finais
Achei fofo, falo mesmo u_u' e vocês, o que acharam sweethearts? ehueh tenho que encontrar outro apelido, sério '-'