Ensinamentos de um Cafajeste

1 Rachel - The Freedom Song


Notas iniciais
Desculpe se houver erros, a preguiça não me permite por meu lado perfeccionista em prática e arrumar tudo até deixá-lo perfeito :[

Sempre odiei o primeiro dia de aula... E o segundo também, ah! Também o terceiro e não posso me esquecer de todos os outros dias que se seguem desse primeiro, com exceções claro aos finais de semana, que parecem ser os únicos realmente decentes dessa porcaria de vida de estudante que eu levo.

Mas voltando o foco ao meu primeiro dia de aula: ele não estava sendo um dos piores, com certeza já tive primeiros dias de aula piores, como na segunda série do fundamental onde eu fui para a escola sem as calças – e aí você pergunta “Onde estavam os pais dessa criança?”-, ou no primeiro dia de aula da quinta série onde minha menarca resolveu acontecer no meio da aula de matemática, ou ainda até mesmo meu primeiro dia de aula no ano passado, onde fui na onda dos veteranos e acabei levando suspensão de três dias por vandalizar o mascote do colégio, Larry o Esquilo.

Porém, no primeiro dia de aula do meu último ano do High School, eu estava mais do que disposta a passar despercebida, ou o mais despercebida que a única garota ruiva, e a mais baixa da escola pode passar. Eu ouvia quieta – um verdadeiro milagre, segundo minhas amigas- a conversa das garotas ao meu redor, que comentavam fervorosamente sobre algum cara bonito que haviam visto na entrada do colégio.

Lembro que Riley disse mesmo algo sobre um “moreno sedutor” estar olhando para nós, mas não lhe dei atenção porque estava exatamente na minha parte preferida de The Freedom Song e eu estava curtindo demais a música balançando a cabeça e as mãos de um lado pro outro pra prestar atenção em quem quer que fosse, além do mais, quando se tem uma garota de cabelos quase vermelhos fazendo o que mais parece a dança da chuva em frente ao colégio, é normal as pessoas olharem, mas não porque minha beleza exuberante e meu brilho intergaláctico chamou atenção, e sim porque elas me olham pensando “que porra é essa?”. Sei que as pessoas pensam isso, eu mesma pensaria se me visse dançando do jeito que eu danço, mas é claro que minha tecla do foda-se vive ligada e por isso não me importo nem um pouco com os comentários que certamente se seguem após minhas performances em frente ao colégio.

Durante as três primeiras aulas, eu escutava parcialmente as vozes dos cantores que ecoavam em meus fones de ouvido, e os comentários descarados de minhas amigas em relação ao tal Moreno Sedutor,e sim, esses comentários começaram no inicio da aula e continuaram até... Agora.

O sinal que nos dispensava de uma entediante aula de Química Avançada tocou e eu quase corri porta a fora com a mochila pendurada no ombro.

- Rachel! – gritou Riley e eu me virei impaciente para ela. Ela fazia de propósito? Porque parecia que sempre que dava hora do lanche ela enrolava mais para andar porque sabia que eu estava ansiosa para devorar todos os lanches possíveis daquele colégio.

- Anda Riley! – pedi e ela bufou e me seguiu.

Riley tinha os cabelos curtos num corte moderno, sendo a frente mais comprida que atrás, seus cabelos eram loiros, ela era mais alta que eu – novidade... — e tinha olhos castanhos que os garotos diziam serem sedutores, mas para mim lembravam bolas de chocolate ao leite com uva passa – sendo essa uva-passa as suas pupilas.

Riley veio ao meu lado revirando os olhos e fomos o mais rápido possível até nossos armários que ficavam lado a lado, peguei dinheiro e joguei minha mochila de qualquer jeito lá dentro, então puxei pelo punho mal deixando ela terminar de trancar seu armário e praticamente corremos para a cantina.

No meio do caminho, um dos corredores estava encerado demais, meus pés deslizaram e Riley se soltou de mim antes que eu a levasse ao chão comigo, mas é claro que quando eu caí levei alguém junto no exato momento em que voltava a tocar The Freedom Song no meu celular e foi instantâneo, praticamente voltei a dançar, só não fiz isso porque um corpo estava sobre mim e me imobilizava completamente.

O homem sobre mim- sim, homem e não moleque- tinha a pele bronzeada e linda, o maxilar era quadrado e uma barba espessa crescia ali, seu nariz era aristocrático e os olhos tinham um lindo tom, quase como ouro líquido, os cabelos eram pretos e lustrosos, nem muito curtos nem muito longos. Eu podia imaginá-lo facilmente saindo de alguma capa de revista como Teen Vogue e até mesmo imaginar que sua voz era rouca e a risada era perfeita, e provavelmente eu imaginaria aquilo se não estivesse tocando The Freedon Song no meu fone, se ele não estivesse me retardando a chegar a cantina, e especialmente se não estivesse me olhando com os olhos curiosos como um cientista que descobriu uma nova espécie animal. Acho que esse ultimo fator era o que realmente complicava meu raciocínio.

- Ops – disse ele abrindo um sorriso enorme.

- Desculpa – falei e esperei que ele saísse de cima de mim, mas ele se demorou ali-, hã... Com licença?

- Ah claro – ele riu divertido e saiu de cima de mim. Sim, sua voz era rouca e sua risada... Indescritível.

Levantei-me rapidamente e limpei minhas roupas. Peguei meu celular para checar as horas, e acabei mudando a música ao tocar num lugar errado da tela e fiz careta com aquilo.

- Você se machucou? – perguntou o homem ainda no chão.

- Não, e você?

- Estou bem – ele disse se levantando e limpando a calça jeans azul e a camisa preta que usava.

- Certo, desculpe mais uma vez – falei e lhe dei as costas procurando com os olhos Riley, que tinha me deixado para trás e ido para a cantina, mas olhava de canto de olho a cena pelo vidro redondo que havia na porta do lugar.

- Tudo bem. Qual seu nome?

- Rachel... – olhei para ele impaciente. Porque diabos ele continuava falando comigo? Já tinha me desculpado não tinha? Será que agora eu não podia ir finalmente comer?

- Ok, prazer em conhecê-la Rachel, sou Aaron.

- O prazer é todo meu, a gente se vê por aí – acenei para ele e entrei na cantina de uma vez indo direto para a fila do Buffet.

Notas finais
E então? Juro que melhora com o tempo ehuehuhe