Ensinamentos de um Cafajeste
5 Rachel - Smooth
Notas iniciais
Fuzilei a figura alta de Aaron que se afastava a passos largos em direção a pista de dança.
O que ele queria com aquela provocação afinal? Se provar irresistível? Se bem que... Droga eu realmente gemi com os toques dele! Meu Deus eu estou tão carente assim?
Quando Chad, meu acompanhante, voltou do banheiro eu o puxei pela mão em direção a pista de dança e ele foi de bom grado.
Dançamos umas duas músicas agarrados antes de Chad me dizer que ia pegar uma bebida, então ele foi imediatamente substituído por alguém que colou-se a minhas costas, virei o rosto para ver quem era e tentei me afastar ao ver que se tratava de Aaron, mas ele me abraçou pela cintura com força, me mantendo ali. Pensei em gritar, mas isso provavelmente não adiantaria nada já que ninguém achava estranho pessoas se agarrando por todos os lados naquele lugar, mas ninguém sabia que o homem que me agarrava era professor da minha escola, além de ser muito mais velho que eu, estar bêbado e eu ter descoberto recentemente que ele sabia tocar os lugares certo para baixar minhas defesas.
– Você não devia usar uma saia tão curta assim se não quer homens atrás de você, ruivinha – provocou ele.
– Me solta, Aaron.
– Ok, mas depois de uma dança.
– Não sou obrigada a dançar com você.
– Não, não é, só estou pedindo educadamente que faça isso, depois eu vou embora se quiser.
O olhei irritada. Provavelmente era mais fácil e rápido ele me soltar depois daquela dança do que se eu tentasse discutir com ele.
Bufei e ele afrouxou o aperto em minha cintura, mas como se para provocar, a música que começou a seguir não podia ser mais sexy.
[n.a: deem play agora]
Smooth, de Santana feat. Rob Thomas soou pelas caixas de som do lugar, e Aaron segurou delicadamente, porém firme em minha cintura enquanto me guiava ainda a minhas costas.
Man it’s a hot one
Like seven inches from midday Sun
I hear you whisper and the words melt everyone
But you stay so cool
My muñequita, my spanish harlem Mona Lisa
You’re my reason for reason
The step in my groove
Eu me movia e podia sentir seu corpo bem colado em mim, fazendo senti-lo em lugares que não devia sentir.
And if you say this life ain’t good enough
I would give my world to lift you up
I could change my life to better suit your mood
Cause You’re so smooth
No refrão da música, ele me girou pela mão me fazendo rodopiar e depois me segurou com força contra seu corpo enquanto acelerava nossos passos entrando no “modo Salsa”.
And it’s Just like the ocean under the moon
Well that’s the same as emotion that
I get from you
You got the kind of lovin that can be so smooth
Give me your heart, make it real
Or else forget about it
Se é para fazer isso, que façamos certo então. Pensei e posicionei certo minhas mãos, uma em seu ombro e a outra em sua mão direita enquanto ele me girava e depois colava-se a mim novamente a minhas costas enquanto voltávamos ao mesmo passo do inicio, mas agora suas mãos deslizavam da minha cintura para minha barriga descoberta enquanto ele deixava beijos em meu ombro.
I”ll tell you one thing
If you would leave it would be a crying shame
In every breath and every Word I hear your name calling me out
Out from the barrio, you hear my rhythm from your radio
You feel the turning of the world so soft and slow
Turning you round and round
No segundo refrão, ele voltou a me girar para ficarmos frente a frente, mas agora parecia que já tínhamos decorado os passos um do outro porque nos movíamos em uma sincronia perfeita, e depois do refrão resolvi provocá-lo um pouco, para ele ver que não tinha tanto controle sobre mim quando pensava ter.
And if you say this life ain’t good enough
I would give my world to lift you up
I could change my life to better suit your mood
Cause You’re so smooth
Desci as mãos por seu tórax enquanto rebolava descendo e sorri satisfeita ao vê-lo arfar, então voltei a posição inicial e ele me puxou com brutalidade contra seu peito, deixando ainda menos espaço entre nós do que antes e voltou a me guiar com a mesma leveza e sensualidade de antes.
And it’s Just like the ocean under the moon
Well that’s the same as emotion that
I get from you
You got the kind of lovin that can be so smooth
Give me your heart, make it real
Or else forget about it
Quando a música deu os acordes finais e por fim parou, minha perna estava enroscada em sua coxa, ele se inclinava sobre mim e depositou um beijo perto demais da minha boca, ambos arfávamos. Aaron segurava meu corpo todo com um só braço, como se não estivesse bêbado e como se eu não pesasse nada, então me firmei ao chão novamente e me recompus, depois o olhei e vi que o homem tinha um sorriso vitorioso nos lábios, quase como quem ri de mim, então me afastei dele com a expressão voltando a ser dura e sem dizer nada, lhe dei as costas indo a procura de Chad. Depois daquilo ficar longe dele seria implorar por aproximação de Aaron, e eu realmente não queria aquilo, porque minhas reações a ele eram desconhecidas até mesmo para mim.
. . .
Na manhã seguinte acordei com uma ressaca das piores e acabei ficando na cama durante todo sábado, Chad me ligou algumas vezes, mas minha dor de cabeça era tanta que desliguei o aparelho celular sem nem mesmo atendê-lo, então ele ligou na minha casa e minha mãe me obrigou a falar com o garoto porque falou que ele era “realmente muito insistente”.
Basicamente Chad queria me perguntar como eu estava, se tinha gostado dele e de sair com ele, e se eu estaria livre na semana seguinte. Respondi que já tinha coisas planejadas e desliguei.
Não me entenda mal, eu gostei de Chad, a noite passada foi a primeira em que saímos, mas ele me pareceu muito... Sem graça. Ele era aquele garoto que a maior loucura da vida fora tirar o pendrive do computador sem retirá-lo em segurança, e garotos cautelosos nunca me pareceram muito convidativos, além do mais, a última coisa na qual eu pensava era em Chad. Algo de estranho vinha acontecendo comigo, porque sempre que eu fechava os olhos não era a imagem do garotinho magrelo que era Chad que me aparecia na mente, e sim de um homem musculoso e aperto firme e seguro... Era a imagem de Aaron que me surgia e dos momentos travessos da noite passada, momentos que não deviam acontecer e você já sabe os motivos: ele ser mais velho, ele ser professor, ele ser tudo o que eu abomino em um homem... Mas aparentemente eu vinha desejando muito o tal fruto proibido.
No domingo passei o dia todo com minha mãe, fizemos brownies, assistimos filmes clichês de romance, e coisas assim. Ela disse que sentia falta do nosso tempo mãe e filha, porque realmente fazia muito tempo que não ficávamos só nós duas de bobeira em casa, meu pai não tinha paciência para filmes, então enquanto nós fazíamos a sessão mãe e filha, papai lavava todo local que podia enxergar de seu carro, e depois do carro de minha mãe.
Fomos uma família grande e comum por aquele dia, e eu agradeci mentalmente pelo milagre que foi minha mãe não querer sabe o que aconteceu quando saí com Chad na sexta, já que geralmente ela sempre queria saber dos meus encontros, mas suspeito que ela tenha ouvido eu falar com ele pelo telefone e sabe que não deve ter sido muito bom.
Na noite de domingo fui dormir o mais tarde possível, achando que assim a segunda-feira não viria tão rápido... Bem, eu estava errada.
Pensei seriamente em dizer a mamãe na segunda que estava com cólica, e se ela dissesse que aquilo não era desculpa eu inventaria que estava com Ebóla, apenas para não ter que ver a cara de um certo professor de Artes do nono ano porque estava com vergonha dele depois de ter me esfregado em seu corpo lindo e musculoso... Ok, foco Rachel.
Porém uma ligação acabou com as minhas estruturas e me fez desistir de todas as possíveis idéias sobre mil doenças que eu podia inventar para não sair da cama aquele dia.
– Alô? – falei atendendo o celular depois da terceira vez que ele tocou.
– Anne? – chamou uma voz nada boa do outro lado da linha. Ed, com certeza – Podemos conversar?
– Aconteceu alguma coisa?- perguntei repentinamente alerta e me sentei na cama.
– Não... Bem, sim... Ai Anne!
– Calma, relaxa, respira e me fala o que houve.
Ele fez o que eu pedi e depois voltou a falar:
– Quer saber? Acho melhor conversarmos pessoalmente... Te vejo na escola?
– Claro Ed...
– Tudo bem, até lá.
– Até.
Desliguei o celular ainda confusa, porém agora eu tinha certeza de que tinha que ir para a escola, porque meu melhor amigo não estava nada bem e certamente precisava de mim.
Suspirei e fui me arrumar ao som de Jason Maravilhoso Mraz, e quando terminei de calçar meu tênis preto, pendurei minha mochila praticamente vazia nas costas e saí de casa depois de pegar uma maçã pra comer no caminho e de gritar um “To indo!” para minha mãe, que respondeu algo que eu não consegui entender.
Eu balançava a cabeça no ritmo de The Woman I Love enquanto andava para a escola comendo minha maçã. Eu morava a cerca de quatro quadras da escola, então gostava de ir e voltar andando do colégio porque era divertido ver a vizinhança com todas aquelas casas praticamente idênticas, com suas paredes feitas de tijolinhos ou madeira, grandes janelas e geralmente uma pequena varanda na frente... Pensando bem, aquelas casas eram bem parecidas com a minha casa.
Quando cheguei no colégio encontrei Ed na porta, ele parecia aflito com algo e meu coração apertou. Não importava o que era, ver meu melhor amigo mal me atingia instantaneamente.
– Anne – ele suspirou me abraçando com força e se inclinando pra esconder o rosto em meu pescoço.
– O que aconteceu? – perguntei preocupada abraçando-o de volta e deixei que ele me abraçasse pelo tempo que julgou necessário.
– Logan... – ele disse vagamente e eu suspirei, então peguei sua mão e o puxei para dentro do colégio.
Ed não disse enquanto andávamos pela escola ainda de dedos entrelaçados, então meus olhos alcançaram um par de olhos dourados que saíam da sala dos professores e eu segurei o ar por um segundo. Aaron estava sério, a expressão quase dura e seus olhos desviaram do meu por um segundo para a minha mão agarrada a de Ed, e assim que seus olhos me deixaram eu me agarrei ao braço do ruivo e escondi o rosto atrás dele enquanto passávamos por aquele corredor.
Droga, essa acelerada no coração devia acontecer assim mesmo?
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