Ensinamentos de um Cafajeste
6 Rachel - Ignorada
Notas iniciais
Sinceramente? Mal prestei atenção no que Ed dizia, só entendi que algo tinha acontecido com seu namorado na Irlanda.
– ... E então ele disse que talvez não dê certo! – meu amigo fungou e eu vi que ele segurava o choro.
Meu coração foi jogado do topo do Empire State Building ao ver aquela cena e eu o abracei com força.
Tínhamos matado a primeira aula, porque Ed não estava em condições alguma de assistir aula, então nos escondíamos sob as arquibancadas do campo de futebol enquanto ele me contava tudo.
– Ed, me desculpe pela sinceridade, mas se ele não quer ao menos tentar, é por que ele não acredita em você dois juntos, e acho que você não precise de um cara assim. – Falei séria e ele assentiu como se entendesse. – Tem tantos caras bonitos nessa escola! Com certeza qualquer um deles ficaria feliz em te ter.
– Eles podem ser bonitos, mas são héteros, Anne.
– Sei disso – eu sorri de canto-, mas também tem os homossexuais, e se você não quiser nenhum deles, você pode converter algum dos héteros em gay! Com seu charme e sotaque quase Irlandês eles vão cair aos seus pés.
Ele gargalhou e me abraçou.
– Você fala como se eu fosse uma garota que mexe um pouco os seios e todos morrem de amor – ele disse me dando um tapinha no joelho.
– Você não é... Mas posso te emprestar um sutiã com enchimento se quiser ser – falei e ele voltou a gargalhar.
Ed se sentiu melhor para podermos ir para a segunda aula, então fomos de volta ao prédio escolar pouco antes do sinal bater, e assim que o sinal bateu e entramos na escola, ele me abraçou pela cintura e sussurrou em meu ouvido:
– Apenas para provocar os menininhos assanhados.
– Do que está falando? Já está tentando seduzi-los? – ergui as sobrancelhas, surpresa, e ele riu. Pegamos nossos livros em nossos armários.
– Estou falando de você. Sabia que muitos caras me odeiam até hoje porque sabem que eu já te vi de sutiã?
– Meu Deus, porque contou isso a alguém? – lhe dei um tapa no braço e ele deu de ombros divertido voltando a me abraçar quando voltamos a andar.
– É legal contar a eles que mesmo sendo gay, já vi mais mulheres seminuas do que eles que são héteros.
Voltei a rir. Com Ed era fácil esquecer qualquer preocupação, como o professor de Artes dos primeiros anos do Senior High.
Quando chegamos à sala da aula de História, Riley nos esperava aparentemente enfurecida.
– Vi os dois chegarem à escola, porque não foram à primeira aula? – ela ralhou comigo e com meu amigo.
– Matamos a primeira aula – falei me sentando em meu lugar.
– Isso eu percebi, o que foram fazer?... Espera, não me diga que Ed resolveu virar homem! – ela nos olhou com expectativa e o ruivo a olhou ofendido.
– Eu sou homem tá legal? Mas se está achando que ficamos nos pegando durante a primeira aula, está enganada, continuo gostando de garotos – falou ele.
– Bem que eu imaginei que estava bom demais pra ser verdade, Rachel Annelise pegando alguém? Eu com certeza estaria sonhando se isso acontecesse.
– Hey! – joguei minha mochila nela que se protegeu com os braços finos- Eu não estou tão na seca assim ok?
– Por quê? Algum paquera novo que não me contou? – ela me olhou com os olhos cheios de malícia e eu bufei.
– Isso não é da sua conta.
– Claro que é! Sou sua melhor amiga, tenho o direito de saber. E aí, quem foi?
Inspirei fundo e abri a boca, mas a fechei novamente quando vi que meu cérebro não formulava a palavra “Chad” e sim “Aaron”.
– Chad – falei depois de uma pequena repreensão mental a mim mesma.
– Aquele bonitinho do Alfred High School? – Riley arregalou os olhos e eu assenti – Meu Deus! E como foi? Vocês saíram? Ele beija bem? Vão sair de novo?
E pelo resto da aula tive que me dedicar a responder a perguntas curiosas de Riley, sabendo que tudo pioraria quando Alex e Amber juntassem-se a nós na próxima aula.
Até o recreio tive que contar várias vezes, detalhadamente minha saída com Chad na sexta-feira a noite, mas é obvio que escondi os esbarrões e a dança com o professor de Artes do colégio.
E então quando saímos da sala para todos irmos em direção ao refeitório no intervalo, senti um cutucão nas costelas dado por Amber e olhei para o que ela quisesse que eu olhasse: Aaron que passava por nós de cabeça abaixada pela primeira vez desde que eu tinha derrubado-o no início das aulas, ao passar ao meu lado ele ergueu um pouco a cabeça e eu abaixei a minha.
Aparentemente ele me ignoraria pela primeira vez desde que chegara ali, eu só não sabia se aquilo era bom ou não.
– Porque ele não te cumprimentou? – perguntou Amber confusa.
– Não sei, mas não me interesso em saber também – falei sem saber se realmente aquelas palavras eram verdadeiras.
Enquanto íamos os cinco para o refeitório, algo remoia em minha mente: se ele estava me ignorando, isso provavelmente acontecia por causa dos nossos momentos roubados na sexta-feira, e se sim, isso significava que ele pensava naquilo tanto quanto eu não significava? E se sim, também significava que ele sabia que aquilo era muito errado, assim como eu... Certo?
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