Notas iniciais
Amo incondicionalmente essa música aí, Love is Easy ehuehuhe se quiserem ouvir e se apaixonar (ou não) como eu...

O som do violino e do violão não deixavam minha cabeça, e se me concentrasse um pouco mais, conseguia reproduzir perfeitamente os sorrisos que Aaron dirigia a mim, e até mesmo sua risada quando começávamos a tocar algo sem combinar, como se estivéssemos em perfeita sintonia.

– Rachel! – minha mãe estalou os dedos debaixo do meu nariz, fazendo prestar atenção a ela.

Em algum momento durante o jantar, meu pai havia se levantado e se retirado para a sala, restando somente eu e minha mãe na mesa, e mamãe não parecia muito contente.

– Oi...

– Você nem tocou na comida.

– Não estou com muita fome – sorri um pouquinho e empurrei o prato pra longe.

– Mas tem que comer – ela empurrou o prato de volta pra mim.

Suspirei e espetei uma ervilha, então a comi e sorri irônica para mamãe, empurrando novamente o prato.

– Não estou brincando – ela disse séria e eu bufei.

– Nem eu, estou enjoada.

Ela semicerrou os olhos para mim, mas não me impediu quando levantei e subi para o meu quarto. Assim que me joguei na cama, ouvi passos no corredor e me virei para ver minha mãe entrando no quarto em seguida e fechando a porta.

– Podemos conversar Rachel? – ela pediu e eu me sentei confusa. Minha mãe nunca queria conversar comigo.

– Eu lavo a louça mãe, tá tudo certo – falei sorrindo.

– Não é sobre a louça que eu quero conversar – ela se sentou na cama a minha frente.

– E sobre o que é então?

– Sobre... Bem, acho que já está mais do que na hora de termos aquela conversa.

Conversa? Que conv... Ah não.

– Não está não, ainda acho que são as cegonhas que trazem os bebes, já tudo certo, acha que o tempo vai ficar ensolarado amanhã? – eu falei nervosa. Se eu estava tentando mudar o assunto? É, acho que sim.

– Rachel! – ela ralhou dura – Não tente evitar, precisamos conversar sobre isso.

– Não precisamos mãe, eu ouço mais sobre... Isso, do que deveria desde a sétima série, por favor, vamos evitar isso.

– Não Rachel, esse é um assunto sério que uma mãe deve ter com uma filha.

Abri a boca para reclamar sobre ter quase certeza de que não tinha nada que ela fosse me contar que eu já não soubesse, mas ela foi mais rápida.

– A primeira vez de uma mulher , — ela começou e eu murchei. Realmente não teria como fugir daquilo – é algo muito importante, por isso eu acho que você deve esperar até estar pronta...

– Continuarei virgem até os sessenta e sete se você parar com isso agora – prometi.

– Não adianta tentar fugir Rachel, é melhor ouvir isso da sua mãe do que do seu pai não é? – ela disse e eu bufei. Na verdade seria bom não ouvir de ninguém – Certo, vamos voltar então... Ah sim, a primeira vez é algo muito importante, sua virgindade é provavelmente a coisa mais importante que você tem e você não pode entregar isso a qualquer um, só a um homem especial, que não vá brincar com seus sentimentos, por alguém que você sinta algo... De preferência um rapaz da sua idade, que vá te respeitar...

Ela olhava séria para mim, como se quisesse que aquela frase fizesse algum grande sentido para mim. O que diabos ela estava tentando dizer com aquilo afinal.

– Não com um cara mais velho – ela continuou para ver se eu entendia-, e muito menos um cara proibido.

– Está insinuando que eu ficaria com um cara comprometido mãe? – falei sem acreditar.

– Não, não comprometido, mas mais velho e... Bom... – ela parecia não saber como me falar o que quer que fosse, até que entendi o que ela estava tentando dizer.

– Mãe! – gritei sem acreditar – Não está me dizendo isso pelo motivo que eu acho, está?

– Bom, ele é um homem muito bonito... – ela meneou a cabeça.

– É, e é meu professor! – arregalei os olhos – Pelo amor de Deus, eu nunca sequer me imaginaria desse jeito com ele!

Ela me olhou como se não acreditasse nas minhas palavras. Ok, nem eu acreditava muito, mas imaginar não faz as coisas acontecerem.

– Você pode ser inocente, mas ele é um homem formado e jovem, não sabe controlar muito bem os impulsos.

– Mãe, chega – supliquei – você só o viu hoje e garanto que vai ser a ultima vez, não há motivo pra isso tudo.

Ela me olhou por alguns minutos, até que suspirou e se levantou.

– Acho que tem razão, confio em você e sei que tem juízo, não sei nem porque isso passou na minha mente.

– Nem eu – resmunguei enquanto ela beijava meus cabelos, ela me olhou por um segundo e então saiu do quarto quieta.

. . .

– Today I’m laughing the clouds away, I hear what the flowers say drinking every drop of rain – cantarolei me pendurando no pescoço de um ruivo gorducho que me esperava em frente ao meu armário.

– And I see places that I have been in ways that I’ve never seen, my side of the grass is Green – ele continuou cantando e então começamos uma dança lenta no meio do corredor, sem nos importarmos nem um pouco com as pessoas que nos olhavam e riam.

– Bom dia Ed – sorri e fiquei na ponta dos pés para beijar seu rosto.

– Vejo que alguém acordou feliz – ele disse sorridente e eu assenti- posso saber o motivo?

– Receio que não meu caro ruivo – sorri e o soltei.

Peguei meus livros no armário e fui cantando novamente Love Is Easy, do McFly em direção ao laboratório de Biologia com Ed como meu apoio vocal.

Assim que nos sentamos dividindo a bancada, Riley entrou correndo na sala com Amber em seu encalço.

– A Senhora Fitz está com problema de coluna! – ela gritou feliz.

– O quê? E porque você está feliz com isso? – choraminguei.

Sempre adorei a senhora Fitz, nossa professora de Artes desde que entramos naquele colégio, e a única – com exceção de Aaron atualmente- que não fosse meus pais que sabia do meu amor por violino. A senhora Fitz me emprestava frequentemente a chave de seu estúdio para que eu pudesse praticar no violino já que meus pais não podiam me dar um, e que eu não podia levar o da escola para praticar em casa.

– Porque sabe quem vai ser o nosso novo professor querida? Aaron deus-grego Balzer.

Gelei.

Porque eu tinha a leve impressão de que me manter com ele mais do que alguns minutos diários não faria bem algum a minha sanidade?

Notas finais
Reviews?