Ensinamentos de um Cafajeste
10 Rachel - Ciúme
Notas iniciais
Eu nunca fiquei tão ansiosa para uma aula quanto na manhã seguinte a notícia explosiva de Riley sobre Aaron ser nosso novo professor de Artes. Eu ainda tinha alguma esperança de que ela estivesse errada em relação a Senhora Fitz, mas é claro que ela não estava, como nos foi confirmado na aula que deveria ser de Artes, porém ficamos em tempo vago já que a professora não estava presente, mas a orientadora nos avisou que no dia seguinte, durante a aula de artes deveríamos ir ao estúdio de artes do Senhor Balzer.
Então naquela manhã eu puxava as mangas compridas da minha blusa a cada dois minutos para cima, porque elas escorregavam e cobriam minha palma, me irritando, mas na verdade tudo estava me irritando. Quando fico ansiosa qualquer coisa me irrita até que o motivo da minha ansiedade – naquele dia, a aula de Artes- passe.
Naquela manhã eu devia estar transpirando ansiedade, porque Alex me olhou desconfiada e eu podia prever que ela diria algo se Amber não tivesse sido mais rápida.
– Quem é essa? – a loirinha disse fuzilando algo a minha costas, e eu saí de seu caminho e me coloquei entre Riley e Ed para ver quem quer que fosse e quase me arrependi de ter feito isso no mesmo momento.
Do outro lado do estacionamento, na parte reservada a professores, podíamos ver o carro esportivo de Aaron, e o próprio estava encostado a lataria enquanto uma loira de cabelos cacheados e pouco mais baixa que ele se pendurava no pescoço do moreno.
Não pude ver os olhos dele para ler sua expressão porque ele estava com óculos escuros, mas podia imaginar que ele teria a mesma reação que os garotos ao redor dele estavam tendo: todos os meninos haviam parado sua trajetória – não importa qual fosse- para observar o short tão curto e enterrado da garota que estava com Aaron que dava para ver seu útero sendo repartido pela costura do shorts.
Aaron sorriu para a garota e então se inclinou para dizer algo a ela, mas enquanto sua cabeça se inclinava para frente, pude ver seus olhos acima das lentes, e eles estavam fixos em mim, porém ele beijava a mulher que se esfregava nele. Quando suas pálpebras se fecharam para aprofundar o beijo, e seus braços tomaram possessivos a cintura dela, eu desviei os olhos e abracei Ed quieta.
– O que foi? – ele sussurrou de encontro ao meu ouvido e eu balancei a cabeça para dizer que não queria falar sobre aquilo.
– Cadê o diretor afinal? Vão deixar essa orgia acontecer assim mesmo? Na cara dos alunos? – Alex reclamava indignada, até que ela tirou a mochila e a entregou extremamente séria para Amber – Segura minha bolsa que eu vou lá resolver isso.
Mas é claro que ela não foi, porém sua cara de assassina de vadias loiras me fez gargalhar.
– Eu seguro e você bate- sugeri e ela riu.
– Ensinem a essa vadiazinha com quantos palitos de picolé se faz uma canoa – pediu Amber e todos olhamos para ela.
– Palitos de picolé? – disse Riley.
– É, nunca ouviram esse ditado? Meu Deus, é da época da minha avó.
– Sabemos disso, Amb, mas o ditado é... – Riley, eu e Alex olhamos para Ed, que tentava explicar. Sabíamos que a burrice de Amber não tinha cura – Esquece.
– Eu hein. – Amber bufou e depois bateu palmas feito criança. – A vadia largou ele!
Olhei de volta ao novo casalzinho, mas a menina não tinha largado ele coisa nenhuma, só tinham parado de se beijar. Droga, porque aquilo estava me incomodando tanto?
– Porque parece que ele está olhando para cá? – perguntou Riley curiosa.
– Porque ele está – disse Ed confuso e tentei entender o que ele dizia. Realmente, a cabeça de Aaron não se desviava da direção onde estávamos.
Bufei e apoiei a testa no ombro de Ed. Aaron já estava me dando dor de cabeça.
– Você está bem? – perguntou Ed tocando meu rosto e eu ergui os olhos preguiçosa para ele.
– Estou com dor de cabeça – reclamei. Eu só queria sair do campo de vista daquele maldito homem dos olhos dourados.
– Tadinha – Ed tocou a testa na minha e eu sorri o abraçando pelo pescoço.
– Se você não fosse gay, poderíamos casar Ed, teríamos um futuro brilhante juntos – falei e ele riu.
– Você nunca me satisfaria completamente, sinto muito Anne, mas se você não arranjar um namorado até os trinta anos, nós casamos ok?
– Ok – eu ri e ele beijou meu nariz.
Por mera curiosidade, observei de canto de olho para Aaron e sua acompanhante. O moreno tinha tirado os óculos escuros e agora nos encarava possesso, então sem ao menos respirar puxou novamente a loira com uma força brutal e a beijou com voracidade.
– Vamos entrar – pedi aos meus amigos, que olhavam confusos de Aaron para mim.
– Porque ele estava te olhando? – indagou Riley.
– Porque ele ama me pirraçar? – sugeri puxando ela comigo pra dentro da escola.
– Mas como ele estar se agarrando com uma vadia na frente da escola te pirraçaria?
– A pirraça não é a vadia – eu acho-, é ele simplesmente me olhar porque sabe que você vai me entupir de perguntas depois.
Ela ergueu as sobrancelhas como se aquilo fizesse sentido, e eu esperava mesmo que fizesse.
. . .
A voz de Jason Mraz me acalmava de modo inexplicável, suas músicas, o ritmo suave das músicas, as letras, tudo parecia agir como um calmante para o meu sistema nervoso, e por todo o período das primeiras aulas me mantive ouvindo repetidamente seu álbum Love Is a Four Letter Word, que apesar de um álbum romântico, tinha o poder raro de me acalmar.
Eu já estava quase esquecendo o ocorrido no estacionamento ao ouvir 93 Million Miles quando fui parada por esbarrar num peito forte. Olhei para quem quer que fosse pronta para dizer desculpas, mas minha boca se recusou ao fazê-lo ao ver Aaron parado, me olhando sério.
– Rachel – falou em modo de cumprimento.
– E aí – resmunguei e tentei passar por ele. Minhas amigas tinham continuado a andar como sempre, me largando para trás com o Moreno Sedutor apenas para me importunarem depois. Droga, porque elas não ficavam ali? Assim saberiam tudo e não me fariam longos questionários depois.
– Podemos conversar? – ele pediu.
– Acho que não, estou com fome – acenei ainda sem olhá-lo. O corredor estava ficando vazio e só estávamos nós ali, aquilo definitivamente não era bom.
– Por favor, Rachel – ele suspirou cansado e eu me virei para olhá-lo.
– O que quer? – perguntei sem me aproximar e por fim ele fez isso, ficando a minha frente enquanto os últimos alunos passavam pela porta da cantina.
– Conversar oras.
– Sobre...?
– Sobre qualquer coisa.
– Pelo amor de Deus, Aaron. Sério, estou com fome, porque não chama sua amiguinha loira pra conversar? – o sarcasmo se infiltrou automaticamente na minha voz.
– Ficou com ciúmes, sweetheart? – ele deu um sorriso de canto, contente ao saber daquilo.
– Porque eu ficaria? E pare de me chamar assim.
– Não precisa ter ciúme sweetheart, meu corpo é dela, mas meus pensamentos são seus – ele deu uma piscadinha com um sorriso cafajeste brotando no rosto de traços perfeitos.
Filho da...
– Não tenho ciúmes de você – rosnei.
– Não é o que parece, tentando me provocar daquele jeito com o seu amiguinho Ferrugem... – ele balançou a cabeça negativamente e eu não consegui segurar uma gargalhada.
– Ed? Por favor Aaron, não preciso dessas brincadeirinhas.
– Mas eu preciso – ele tocou meu rosto por um momento e deu um sorriso travesso-, elas me excitam ainda mais.
Paralisei, e ele pareceu notar isso porque riu e se afastou, me deixando lá, sozinha e brava no corredor por não saber o certo porque aquela maldita frase tinha mexido tanto comigo.
O que aquele homem queria afinal? Me enlouquecer com essas entrelinhas?
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