Ensinamentos de um Cafajeste
11 Aaron - Convite
Notas iniciais
Eu sentia como se estivesse brincando com fogo, Rachel era a própria chama, queimava se você chegasse muito perto e se distraísse perto dela, ela se arrastava até você lentamente e antes que visse estava ferido, seu toque por mais que parecesse não danificar, queimava e quando você fosse ver já era profundo demais pra voltar atrás, ela era assim, ardia enquanto houvesse espaço para fazê-lo, mas quando era cercada, perdia seu oxigênio e consequentemente apagava. E por mais masoquista e errado que isso possa soar, todo aquele perigo que a cercava me instigava ainda mais, toda aquela analogia com a chama também podia ser entendido como um Aaron que adoraria ser queimado pela garota dos cabelos vermelhos e sorriso impertinente, mas é claro que assim quando se é criança, você sabe que por mais belo que seja brincar com fogo, pode se machucar com aquilo, mas é obvio que não se importa, porque a adrenalina e o constante pensamento de que você é o grande fodão e nunca vai se machucar com aquilo, te fazem continuar, e é por esses raios de motivos que eu não fazia o que era ético e me afastava, e foi por isso que não recusei o pedido da orientadora de ser professor da turma dela que estava sem aula de artes coincidentemente no mesmo horário que eu não dava aula alguma.
Sempre fui do tipo de cara que fica com mulheres pelo simples prazer da satisfação que elas me proporcionavam, sou o cara que se você for gostosa, eu te como antes que você se lembre como se soletra seu nome, e você deve estar me achando um puta cafajeste falando coisas desse tipo certo? Mas não serei hipócrita em dizer que só me relaciono com mulheres por quem me apaixono, porque se fosse assim todo fim de semana eu seria apaixonado por uma garota diferente. Sinceramente, acho que nunca fiquei com uma mulher mais de um mês... Pensando bem, acho que Chloe é a única mulher com quem já dormi que continuo a sair, mesmo que seja apenas pelo desejo carnal, e falando em Chloe...
Ok, você deve estar pensando que no mínimo eu a convidei para ir comigo até o colégio porque eu queria ou: afastar as alunas que continuavam a se insinuar para mim, fazendo com que elas pensem que sou comprometido. Ou: porque resolvi que Chloe devia ser levada a sério e que estávamos realmente em um relacionamento agora.
A verdade é que nenhuma das opções está correta, pra ser bem sincero, Chloe foi lá em casa noite passada e hoje de manhã, quando eu ia sair para trabalhar, ela me pediu uma carona até o centro que ficava a apenas umas quadras da escola, então o plano era ir até a escola e de lá ela seguia seu rumo, mas não foi bem isso o que aconteceu já que ela se pendurou demoradamente em mim assim que saí da porra do carro e continuou ali até que eu a afastasse, o que aconteceu pouco depois de Rachel entrar na escola agarrada aquele garoto ruivo insuportável.
Se eu estou com ciume? Bem... Estou. Não gosto de ver outras pessoas tendo o que é ou deveria ser meu, ou no caso de Rachel, o que ainda virá a ser, porque por mais errado que isso seja, ser racional já está me cansando, e me controlar para não agarrá-la e saciar logo esse desejo que exala do meu corpo ao vê-la também está me cansando. Merda, é tão mais fácil ceder e ser um cafajeste com ela do que controlar meu amiguinho para não criar vida toda vez que a vejo, e o melhor disso tudo: agora eu era oficialmente seu professor.
– Bom dia pessoal – falei entrando no estúdio de Artes alguns minutos depois que minha nova turma do último ano deveria estar ali.
– Bom dia – responderam quase todas garotas e eu sorri para elas meio que automaticamente.
– Sou o Sr. Balzer, mas me sinto um velho raquítico quando me chamam de Senhor, então me chamem de Aaron ok? – continuei encontrando Rachel entre os alunos sem dificuldade, e droga, o Ferrugem estava ao seu lado, de dedos entrelaçado com ela. Mal notei quando minha expressão se fechou.- Certo, pelo cronograma letivo eu deveria passar artes cênicas a vocês, mas acho isso chato então vou inverter o cronograma, portanto vou passar música no primeiro semestre e artes cênicas no segundo.
Vi pela visão periférica, Rachel erguendo a mão.
– Sim Srta. Heart? – falei ainda sem olhá-la.
– A Sra. Fitz já tinha começado a passar artes cênicas, Sr. Balzer – ela frisou, como que para se mostrar rebelde e eu sorri dirigindo meus olhos a ela, que me encarava desafiadora.
– Sei disso, e não me importo nem um pouco, eu sou seu professor agora e vou começar por onde bem entender.
– Podemos ficar atrasados em relação as outras turmas – ela retrucou.
– Como eu disse: não me importo nem um pouco, Heart. Eu só tenho que passar o que está no cronograma, não existe uma ordem exata para que isso seja feito.
Os outros alunos nos olhavam avidamente, girando a cabeça dela para mim, como quem assiste uma partida de tênis.
Ferrugem disse algo baixinho a Rachel, que bufou e cruzou os braços emburrada. Aquilo me irritou. Aquele garoto sabia até mesmo acalmá-la? Só podia ser brincadeira comigo ver Rachel ser controlada por aquele...
– Posso agora começar a aula, Heart? – perguntei sério e ela deu de ombros mal me olhando.
A aula se passou rápido, num primeiro momento só perguntei se algum aluno sabia tocar algo e alguns poucos se manifestaram dizendo saber tocar teclado ou violão, Rachel não deu mais sinal de vida durante a aula e nem disse ao resto da turma que sabia tocar violino, então preferi não lhe encher ainda mais pedindo que tocasse algo. Na verdade, deixei que os que sabiam tocar brincando com os instrumentos enquanto ignorava a pontada em minha cabeça pelo resquício de ressaca da noite anterior.
– Professor? – uma de minhas alunas me tirou de meus breve devaneios com uma garota de cabelos vermelhos.
Olhei cansado para a garota alta e loira, que sorria timidamente.
– Sim?
– Queria saber se você gostaria de ir a festa que eu vou dar sábado – ela convidou sorridente.
Franzi as sobrancelhas. Era infelizmente bem comum aqueles convites de alunas, mas eu sinceramente já tinha passado da fase de Party House, mas não gostava de dizer não a alguém, contudo achava que seria necessário se não a garota ficaria chateada caso eu não aparecesse depois.
– Hã, sinto muito...
– Riley – ela completou com um sorrisinho no rosto.
De repente me lembrei de algo que Rachel havia dito há alguns dias atrás, sobre Riley não saber controlar seus ovários. Então se aquela era amiga dela, provavelmente a ruiva estaria presente.
Olhei de relance para a Heart, que parecia interessada em suas unhas, mas que ergueu o olhar para mim como se sentisse que eu a olhava, um olhar de pânico tomou seu rosto quando ela viu quem falava comigo.
– Eu adoraria – mudei meu tom com a loira, que ampliou ainda mais o sorriso e abriu meu estojo, pegando uma caneta lá dentro e puxou meu bloco de anotações para rabiscar algo.
– Esse é o meu endereço, aparece por lá as nove – ela pediu me estendendo o pedaço de papel.
– Estarei lá – prometi. Sem dúvidas eu não perderia a oportunidade de irritar Rachel ainda mais.
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