Ensinamentos de um Cafajeste
13 Rachel - Diálogo
Notas iniciais
Seus lábios moviam-se sobre os meus, sua língua parecia algo indefinido, algo entre uma caricia e algo mais rude, algo tão... Aaron. Seu perfume inebriante preenchia meu nariz, e eu correspondia ao seu beijo sem mais forças para lutar contra aquilo. Enrosquei meus dedos os cabelos de sua nuca, puxando-o ainda mais para mim e ficando na ponta dos pés para alcançar melhor seus lábios viciantes. Eu podia viver só daquele beijo, como se não tivesse mais necessidade alguma. Eu só precisava dele.
Quando a necessidade de ar se fez presente, ele mordeu meu lábio com certa força e depois selou nossos lábios, descendo beijos ao longo do meu pescoço. Meus olhos se negavam a abrir, e meu corpo a se mover, com medo daquilo ser apenas um sonho e qualquer movimento meu ser como uma troca de canal e o sonho mudar completamente.
Suspirei tombando a cabeça para o lado, para lhe dar mais espaço, até que senti seu hálito quente pouco abaixo do meu pescoço. Ele estava rindo?
Abri os olhos desconcertada e tentei ver seu rosto, mas ele estava escondido em meu pescoço ainda, mas agora eu tinha certeza, Aaron ria.
O empurrei irritada e o olhei com desprezo.
– Sinceramente? Essa não era exatamente a reação que eu esperava – ele disse semicerrando os olhos castanhos brilhantes.
Me mantive quieta, então ele continuou a falar.
– Na verdade eu esperava receber um tapa, ou no mínimo um empurrão, e não uma retribuição de todo o meu... Afeto – ele disse a ultima palavra como se lhe divertisse.
Trinquei o maxilar para não deixar que a lista de xingamentos que se formava em minha mente transbordasse de minha boca. Era isso o que ele esperava agora, que eu enfim lhe espancasse, mas eu não faria aquilo. Não por falta de vontade, é claro, mas apenas para contrariá-lo. Eu não desceria ao nível de infantilidade que ele atingia e esperava que eu atingisse também.
– Sabe por que não vou te bater, Aaron? Porque não tenho mais doze anos, e não sou a garotinha intocável que você pensa que eu sou. Não vou te dizer que me arrependo, ou que você me obrigou a beijá-lo, sabemos que isso não seria verdade, mas eu te prometo que isso não vai mais se repetir – falei séria e lhe dei as costas.
Não bastasse aquela própria encarnação da luxúria estar me perseguindo, ele ainda queria caçoar de mim? Isso não ia acontecer, definitivamente.
Ao chegar no hall de entrada fiquei indecisa entre ir embora ou voltar para Tyler.
Quer saber? Nem fodendo eu vou dar a Aaron o gostinho de me ver fugir de sua presença. Pensei decidida e marchei porta a fora, encontrando Tyler no mesmo lugar de antes.
Tyler era o primo de Riley, nos conhecíamos desde criança, e desde sempre ele dava em cima de mim. Resolvi que a hora dele tinha chegado, e francamente, aqueles músculos, os cachos loiros, a barba e os olhos azuis não eram nem um pouco de se jogar fora, e o melhor de tudo, ele era mais velho, além de ser um perfeito cavalheiro e engraçado.
– Hey! Melhor agora? – ele sorriu largamente para mim. Eu tinha lhe dito que ia ao banheiro, mas na verdade só queria fugir dele. Como fui tola.
– Bem melhor – sorri ainda me aproximando, e mesmo que eu imaginasse não ser possível, o sorriso dele conseguiu se alargar ainda mais.
– Então em que parte da conversa paramos? – ele semicerrou os olhos tentando recordar-se.
– Sinceramente? Não quero mais conversar Ty... – fiz careta e ele murchou visivelmente.
– Ah... Veio aqui me dizer que vai ir se divertir com outras pessoas? Bem, isso é bem... – ele falava, mas sem dizer nada, eu passei os braços ao redor do seu pescoço, o que o fez calar-se.
– Eu disse que não quero conversar, não disse que quero te deixar – falei ficando na ponta dos pés e aproximando meu rosto do dele.
Um sorriso de canto aliviado tomou seu rosto enquanto ele passava a mão pela minha cintura, puxando-me mais em direção ao seu rosto.
– Bom saber – murmurou antes de me beijar.
É agora que você fala de modo irônico: nossa que madura que você é Rachel, ficou nervosinha com Aaron e foi esquecê-lo com Tyler? Grande atitude!?
É acho que sim, mas não me julgue ok? Eu tinha acabado de beijar Aaron? Tinha.
Ele tinha rido de mim? Tinha.
Eu fiquei muito puta com ele? Fiquei.
Era errado eu pegar Tyler para esquecê-lo? Era.
Eu me importava realmente com alguma dessas coisas? Sabemos que a resposta a essa pergunta é “não”.
Foi inevitável ok? Comparei os beijos mentalmente, e não vou mentir: apesar de Tyler ter um beijo excepcionalmente bom, não se comparava ao de Aaron.
Tyler desfez o beijo com um selinho demorado, e quando abri os olhos vi as orbes azuis me encarando numa felicidade enorme.
– Vou parecer um psicopata se te disser que já sonhei com esse beijo? – ele perguntou e eu gargalhei. Um psicopata não, mas m conquistador barato sim.
– Não um psicopata, só um... Fissurado.
Dessa vez ele que gargalhou, ainda com os braços em minha cintura.
– Qual é, não me julgue por ter sonhos com as amigas da minha prima.
– É meio difícil não fazer isso Tyler...
Ele revirou os olhos divertido e voltou a me beijar.
Droga, porque esse diálogo não podia ter acontecido quando um homem de olhos castanhos me beijou?
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