Ensinamentos de um Cafajeste
3 Aaron - O primeiro dia de aula
Notas iniciais
– ... E foi por isso que mandei Rachel Heart para a Detenção – dizia Abraham Wilson com um sorriso enorme de satisfação no rosto.
Não prestei atenção em metade das palavras dele, de verdade, o cara era professor de Biologia, mas diferente dos meus amigos da faculdade que fizeram Biologia, ele era um completo chato de voz monótona além de ter até mesmo uma aparência desagradável aos olhos. Ele era gordo demais, sua camisa pólo era pequena demais e ele tinha que ficar puxando-a para baixo a cada cinco minutos, tinha os traços do rosto feio, tinha minha altura e os poucos fios de cabelo em sua cabeça eram cuidadosamente penteados para o lado para cobrir o resto que era careca.
Eu não julgaria Rachel por não dar importância à aula dele, sinceramente. Se ele fosse meu professor provavelmente eu teria feito pior, nunca tive muita paciência para professores pé no saco.
– Parabéns cara, você é um exemplo do tipo de professor que eu quero ser – falei irônico e peguei minha mochila e a pendurei no ombro.
Se Abraham notou minha ironia não a comentou, fui até a porta da sala dos professores e a abri saindo em seguida.
Aquele tinha sido meu primeiro dia de aula como professor, e não tinha sido tão ruim quanto eu pensara. Me dei bem com os garotos já que eu sabia como eles pensavam, e as garotas... Bom, elas ficaram bem interessadas em mim.
Lembrei de uma loirinha do primeiro ano que encarava descaradamente meus lábios durante a aula e ri enquanto saía da escola.
Eu sempre causei esse tipo de efeito em mulheres, mas era estranho ver que eu também causava isso em crianças para quem eu dava aula. Ok, eu tinha apenas vinte e três anos, então não era tão mais velho assim, mas elas tinham cerca de quinze e dezesseis anos, completamente inocentes – por mais maliciosas que fossem- não eram nada perto das com quem já saí, e não tinham um terço da experiência de nenhuma das com quem já dormi, como Chloe... Ah Chloe sabia fazer coisas maravilhosas.
Sorri para o chão me lembrando de Chloe e de todos os nossos jogos através dos anos. Depois de um dia de aula tentado com mini saias – elas podiam ser crianças, mas seus corpos não eram mais tão infantis-, eu definitivamente precisava descontar todo aquele tesão em alguém, e com certeza Chloe estaria disponível, afinal ela sempre estava.
O estacionamento já estava praticamente vazio, só os carros dos professores estavam parados ali, como o meu.
Aaron Balzer, professor de Artes. Soa imponente não soa? Pareço até mesmo responsável com o título de Professor... Mas é obvio que eu não sou.
Comecei a cursar artes há alguns anos porque ouvi dizer que as garotas gostosas da faculdade se candidatavam para modelos do pessoal de artes, e sabe como elas serviam de modelos? Nuas. Esse foi todo o incentivo que me faltava para entrar na faculdade de artes.
Infelizmente não tínhamos aulas apenas com modelos nuas, mas mesmo assim acabei gostando da faculdade e a terminei, para alegria do meu pai e para minha infelicidade, já que ele me chutou pra fora de casa assim que cheguei lá com um diploma e me mandou tocar uma vida de adulto sozinho.
Entrei por fim no meu carro bem a tempo de ver uma moita de cabelos cor de fogo sair correndo da escola, Rachel estava apressada, olhava sempre no celular, depois corria ainda mais.
– Como é que alguém com uma perna tão curta consegue correr tanto? – me perguntei e a observei até ela sumir na esquina da escola.
Apesar de não dar aulas para os últimos anos – Abraham frisou muito que “o demônio dos cabelos vermelhos” estava no ultimo ano- eu havia simpatizado realmente com Rachel, porque para começo de conversa ela me pareceu uma garota normal, e não uma garota que está com os hormônios a flor da pele todo o tempo e que provavelmente me mandaria uma cantada se fosse outra que ficasse debaixo de mim daquele modo, e fora isso, eu tinha a impressão de que ela era mais parecida comigo do que eu mesmo poderia suspeitar.
Claro que minha simpatia por ela nada tinha a ver com o fato de seus cabelos ruivos me atraírem, ou de suas curvas serem bem definidas, mais que a da maioria das garotas e que mesmo estando sobre ela apenas por dois minutos eu pude imaginar como seria nós dois naquela mesma posição em outro cenário – como no meu apartamento talvez-, não, é claro que minha simpatia não tinha nada a ver com isso.
Vamos lá, me julgue, diga que sou um canalha por estar me imaginando daquele modo com uma aluna quando eu disse há pouco que todas são muito crianças para mim, vamos! Me chame de hipócrita! Porque talvez eu seja isso mesmo, mas a verdade é que eu não sei controlar muito bem meus instintos masculinos, e estar entre as pernas de uma aluna em pleno primeiro dia de aula talvez tenha sido provocação demais a um homem que está há dias sem estar de fato entre as pernas de mulher alguma. Definitivamente preciso ligar para Chloe.
Inspirei fundo e liguei o carro, coloquei meus óculos escuros e fechei os vidros enquanto apertava no volante do carro a função para chamada telefônica.
– Chloe Stone. – Falei para o carro que imediatamente começou a procurar o nome em minha agenda telefônica, encontrando-o em seguida e perguntando se eu realmente queria ligar, confirmei e esperei que ela atendesse.
– Aaron?
– Oi Chloe, pode ir lá em casa hoje a noite?
– Hum, dia difícil docinho?
– Não imagina o quanto.
– Estarei lá as onze – prometeu ela.
– Certo, te vejo mais tarde então.
– Até lá – cantarolou e desligou.
Quem era Chloe? Simples, minha parceira de foda.
Sim, ela era só isso, nunca namoramos ou sequer falamos em compromisso, ela era do tipo desapegada que sabe provocar realmente um homem e sabe satisfazê-lo, Chloe não é de ninguém, e pelo o que eu saiba ela gosta de ser assim, então quando estou na seca há tempo demais, ligo para ela e ela aparece na minha casa, praticamente a qualquer hora já que ela trabalha só pela manhã como atendente numa lanchonete perto da minha casa, mas não foi lá que nos conhecemos, foi em Las Vegas, mas a história é longa demais para ser contada num espaço tão curto.
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