Ensinamentos de um Cafajeste
15 Aaron - Nem fodendo
Notas iniciais
– Nem fodendo. – Ela disse determinada e eu sorri.
– Nem fodendo? – ergui as sobrancelhas divertido – Acho que se fodessemos, você não imploraria apenas pelo meu beijo.
Ela finalmente me empurrou e eu ri quando ela saiu marchando irritada.
Segui a menina acerta distancia, já que toda vez que eu tentava uma aproximação, ou começava a falar ela me ignorava completamente. Já falei o quanto odeio ser ignorado?
Na noite passada minha intenção era apenas me aproximar de Rachel, e eu consegui, mas é claro que eu estraguei tudo quando não consegui segurar o riso, mas convenhamos, é muito engraçado ver a menina supostamente difícil completamente entregue a você quando na verdade ela parece te odiar.
– Rachel... – comecei pela vigésima sétima vez naquele caminho que percorríamos. Porque aquele loiro filho da puta tinha que morar tão longe?
Ela me ignorou. Palmas pra você Aaron, se enfia no carro de um cara só pra não deixar ele levar a garota pro apartamento e foder com ela, finge um desmaio pra ir pro mesmo apartamento e ainda faz cena de bêbado corno no meio da noite pro cara sair do quarto e não comer a garota e agora a incógnita que te fez criar essa porra toda nem olha na sua cara. Uma salva de palmas, você merece.
– Seus pais vão brigar com você sweetheart? – tentei de novo.
– Isso importa Balzer? – ela retrucou. Um ponto pra mim, ela já estava voltando a ficar puta comigo.
– Posso livrar sua barra como da ultima vez, se quiser – sugeri.
– Eu te odiaria menos se você pudesse manter distancia dos meus pais – ela disse fria e eu ergui uma sobrancelha mesmo sabendo que ela não me via.
– Porque? Eles pareceram gostar de mim.
– Talvez até demais – ela resmungou.
– E que papinho é esse de me odiar? Sabemos que isso é mentira, sweetheart.
– Já pedi que pare com esse apelidinho idiota.
– Me dê um motivo pra isso.
– Eu não te dei intimidade pra me chamar por apelidinhos.
Envolvi sua cintura com os braços, abraçando-a com força pelas costas enquanto ainda a fazia andar.
– Não me deu intimidade? Não foi o que pareceu ontem... Sweetheart.
– Vá pro inferno.
– Só se você for comigo.
Ela cravou as unhas nos meus braços com uma força descomunal e eu afrouxei o abraço, e ela se desvencilhou de mim, atravessando a rua quase deserta a não ser por um carro ou outro que passavam por ali esporadicamente.
– Isso doeu, só pra constar...
– Era a intenção.
– ...Quero só ver o que essas unhas vão fazer nas minhas costas.
– Argh! – ela bufou e eu gargalhei. Vê-la vermelha de ódio ou de vergonha era uma sensação impagável. – Você não se cansa de tarar suas alunas?
– No plural? – ergui as sobrancelhas interessado no que ela devia pensar de mim. Talvez achasse que eu fazia com todas as outras o que fazia com ela, mas não era verdade, com as outras não tinha graça, porque nenhuma delas ao menos fingia resistir a mim. – Você sabe que é a única, coração.
– Já falei para parar com os apelidinhos, e esse é realmente péssimo, Balzer – ela rebateu.
– Então vou voltar a usar o sweetheart.
– Porque não me chama pela porra do meu nome de uma vez? – ela me olhou enfurecida e eu sorri.
– Porque seu nome eu guardo para chamar em ocasiões especiais – falei malicioso e ela me fuzilou com os olhos.
– Imagino o que o diretor diria dessas suas insinuações pra cima de mim.
– Não estou insinuando, estou prometendo, e o diretor que se dane, ele e a opinião de merda dele.
Ela gargalhou, meio irônica e meio divertida.
– Você não devia falar isso do homem que paga seu salário.
Dei de ombros cansado daquele assunto. Eu já sabia que aquela porra era errada, ela precisava ficar naquele bate estaca me lembrando do quanto era errado?
– Além de tudo, ninguém acreditaria em você Rachel.
– Porque não? Eles me conhecem há anos, mas te conheceram há meses, Balzer.
– Pare de me chamar pelo sobrenome. E como você mesma disse: eles te conhecem há anos. Não foi você mesma que me disse que era temida por todos os professores por ser uma peste? Ninguém nunca reclamou de mim, sou um verdadeiro anjo para o diretor – sorri impertinente.
– Te chamo como eu bem entender, Balzer.
Eu ri vendo que seus argumentos sobre o porquê ninguém acreditaria nela – por maior que fosse a verdade- haviam acabado.
Vi pouco a frente sua casa e suspirei. Havíamos chegado.
– Finalmente – ela resmungou atravessando o gramado sem ao menos me olhar, e eu a observei da calçada. Ao chegar na porta ela me olhou por um segundo antes de pegar algo num bolso da saia. Seu celular, então ela discou e esperou. A observei por todo o tempo, mesmo que ela não me olhasse, até que por fim vi movimentação na casa e saí andando pouco antes de ouvir a porta da casa ser aberta e seu pai dizer algo, porém olhei por sobre o ombro antes de dar completamente as costas a casa vi a menina entrando em casa.
Depois de muitas horas, ela finalmente estava sã e salva em casa, sem nenhum loiro filho da puta nas suas costas.
No caminho para casa, deixei meus pensamentos se acertarem... Ou quase isso. Na noite passada, ao contrário do que você deve estar imaginando, eu não fiquei com Alex nem algo do tipo, na verdade sempre que ela vinha pra cima de mim eu fugia, ela – quando estava mais bêbada que eu, que não estava nem um pouco sóbrio- até mesmo me perguntou se eu era gay, o que me fez gargalhar, mas tive que me segurar para não lhe agarrar e mostrar o quão hétero eu era. Se tinha algo que me irritava, eram mulheres que duvidavam do meu poder.
Senti algo vibrar no meu bolso pouco depois, e peguei o celular atendendo meio confuso ao ver o número de Chloe na tela.
– O que foi? – perguntei impaciente.
– Hm, que rude... Gosto assim. Posso ir ao seu apartamento hoje?
Passei a mão pelos cabelos. Não estava com paciência nenhuma para Chloe.
– Não sei Chloe.
– Qual é Moreno, vai me deixar na mão?
– Não estou com cabeça pra isso.
– Então eu posso ir lá só te fazer uma massagem... O que acha?
– Não estou em casa.
– Sem problemas, eu estarei lá em meia hora, espero que também esteja – e então desligou e eu soquei o celular no bolso de novo.
Chloe era boa quando eu queria algo, mas infelizmente de uns tempos pra cá ela vinha achando que eu que era seu objeto de prazer, ao invés do contrário. Porra, ela era boa, mas eu nunca conseguiria me concentrar naquele dia, mas é claro que ela não aceitaria ouvir um não. Ela nunca aceitava afinal.
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