Ensinamentos de um Cafajeste
20 Aaron - Excursões
Notas iniciais
Pessoas normais diriam que eu estava apaixonado por Rachel apenas porque fiquei sorrindo feito idiota a próxima aula inteira, até meus alunos perceberam meu comportamento atípico, mas pessoas normais não entendem nada sobre mim.
Aaron Balzer não se apaixona, nunca aconteceu antes e nunca aconteceria futuramente se dependesse de mim. Já vi muitos amigos na merda por causa de mulher e jurei que isso nunca aconteceria comigo. Eu cumpriria meu juramento, se dependesse de mim.
Ah merda, porque eu tinha quase certeza de que não dependia apenas de mim?
. . .
– Balzer! – o diretor me chamou e eu ergui a cabeça para vê-lo.
A sala estava vazia a não ser por nós dois. Uma de minhas turmas havia ido numa excursão com o professor de Biologia, então eu tinha uma aula vaga.
– Sim, senhor? – falei confuso. Geralmente nós não conversávamos e aquela mudança não estava me agradando muito.
– Todos os professores do colégio estão com projetos para excursões com suas turmas, você não tem nenhum? – ele indagou.
Abaixei a cabeça por um momento, imaginando onde poderia levar aquelas crianças para se divertirem... Com certeza uma boate estaria fora de cogitação, quem sabe eu pudesse levar pelo menos os meninos a um inferninho ou talvez... Ok, o diretor nunca permitira isso. Velho maldito.
– Talvez um teatro...? – ele sugeriu – Não estão estudando teatro esse semestre?
– Na verdade estamos estudando música com instrumentos alternativos...
– Instrumentos alternativos? – indagou Sophie Connor entrando na sala.
Sophie – gostosa – Connor era a professora de Inglês que eu gostaria de ter tido quando tinha a idade dessas crianças, além de linda era engraçada e o melhor: dava bola pra mim. Mas eu estava numa fase um tanto quanto estranha de não estar mais desejando mulher alguma. Onde foi parar minha virilidade?
– Sim, semana passada mostrei a eles o cup song e pedi que cada um treinasse sozinho, ou em grupo uma música para apresentar na próxima aula.
– Que legal! – Sophie deu um sorriso enorme – Um amigo meu estava organizando um festival exatamente desse tipo, um festival musical onde só são permitidos instrumentos alternativos, nada dos clássicos: violão, teclado, guitarra, etc.
– Jura? Quando vai ser – perguntei animado.
– Daqui a duas semanas, mas é em Bastille.
Bastille era uma cidade há cinco horas dali, um lugar lindo no litoral, porém a viagem era cansativa demais e mesmo com o consentimento do diretor, os alunos ainda precisariam da permissão dos pais e talvez eles não deixassem seus filhos na mão de seu amado professor de artes.
– Bastille é bem longe – comentou o diretor.
– Mas seria uma experiência realmente única para os alunos, eles veriam que dá pra tirar som de muitas coisas sem ser necessário um instrumento clássico.
– A maioria dos seus alunos tem quatorze anos, Balzer, vai conseguir lidar com todos eles? – o homem desafiou. Ha ha, palhaço, ele não conhece o Grande Aaron Balzer? Eu consigo lidar com tudo.
– As crianças dos primeiros anos são realmente difíceis de lidar, e com certeza a maioria dos pais não iriam deixar seus filhos viajarem e talvez dormirem fora, já que é uma viagem bem longa e o festival está planejado para terminar tarde – disse Sophie-, mas talvez os últimos anos se comportem melhor.
Ninguém informou a essa mulher que Rachel Annelise está no ultimo ano? Acho que não né, se não ela não diria que os últimos anos eram mais fáceis que os primeiros mas...
Espera...
Rachel está no último ano.
Se eu fosse viajar com a sala dela...
– Tem razão, Sophie. – Falei sem pensar muito mais — O que acha de eu fazer uma excursão para Bastille com os últimos anos do Senior High para um festival de música, diretor?
– Não sei, teríamos que planejar isso com os alunos e depois com seus pais, como a senhorita Connor disse, e ainda acho que sejam muitos alunos para você dar conta Balzer.
– Eu posso ajudá-lo, se quiser – disse Sophie olhando para mim com um olhar completamente devasso. Andem hormônios, por favor funcionem, essa mulher está louca pra para de quatro na minha cama, porque vocês não podem ligar agora? Porra eu ainda sou homem!
– Mas e suas aulas, senhorita Connor? – indagou o diretor.
– O festival é na sexta feira, e sexta é meu dia de folga – disse a morena dos olhos azuis para o diretor.
Que coincidência!
– E você não se importa de perder seu dia de folga? – perguntei interessado.
– Não muito, eu não faria nada de importante de todo modo, e vai ser bom sair um pouco dessa cidade – ela deu de ombros sorrindo maliciosa para mim.
– Então está tudo certo, vou convocar uma reunião o mais rápido possível – disse o diretor e saiu da sala, deixando Sophie e eu a sós.
– Muito gentil de sua parte se candidatar para ir comigo, Sophie – comentei me sentando num sofá da sala dos professores.
– Sim, sei ser muito gentil quando quero – ela comentou indo até o bebedouro e enchendo um copinho de água.
– Estou percebendo, acho que ficarei te devendo uma então? – indaguei nem estar lá muito interessado. Eu na verdade estava era mesmo entediado por não fazer nada a manhã inteira.
Sophie não respondeu, porque estava ocupada demais bebendo sua água, que escorria um pouquinho pelo canto dos lábios e observei uma gota escorrer por seu pescoço até sumir dentro de seu decote.
Foco Aaron, você está na escola e não quer perder seu emprego, certo?
Sophie terminou e jogou seu copo descartável na lixeira, depois virou-se de frente para mim novamente abrindo alguns botões da camisa que usava para secar a pele. Tentei desviar o olhar ao ver parte de seu sutiã vermelho aparecendo, mas não consegui e só tirei os olhos de lá quando notei que a mulher se movia em minha direção, com a camisa exatamente como estava antes.
– Me devendo uma? – ela disse como quem não quer nada enquanto andava lentamente até mim. Porra aquilo estava me excitando. – Acho que sei exatamente como pode me pagar...
– Como? – perguntei sorrindo de canto já sabendo onde aquilo ia dar.
Sophie deu um sorriso como o meu e no instante seguinte estava sentada sobre meu colo, com uma perna de cada lado do meu corpo e me puxava pelo coralinho da blusa para me beijar ferozmente.
Aaron Balzer está de volta ao jogo.
Mas eu queria mesmo estar de volta ao jogo? Algo dentro de mim dizia que não, não se não fosse especificamente para jogar com uma garota em especial.
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