Ensinamentos de um Cafajeste
8 Aaron - Conhecendo os pais...
Notas iniciais
Ela deu um pulo ao me ver e arregalou os olhos.
– O que está fazendo aqui? – perguntou assustada, abaixando o violino.
– Você toca bem, muito bem – elogiei pegando o violão pendurado em um suporte na parede-, mas falta algo na sua música. Essa música é linda no violino, mas é melhor com o acompanhamento de um violão.
Ela me olhou confusa, mas antes que ela dissesse algo eu comecei a tocar novamente a música no violão, e olhei para a garota incentivando-a a tocar comigo, ela me olhou desconfiada mas por fim voltou a tocar e a fechar os olhos apreciando a música, fiquei tentado a fazer o mesmo, mas meus olhos se recusavam a perder a cena que era ver Rachel perdida na música daquele jeito.
Não lembro direito quantas outras música tocamos sem ao menos trocar uma palavra, ou eu começava a tocar e ela me acompanhava, ou ela fazia isso.
Só paramos quando o sol lá fora já tinha diminuído muito, indicando que estávamos ali há horas.
– Meu Deus, preciso ir embora não avisei meus pais que ia ficar aqui tocando – ela disse guardando o instrumento no armário e eu também coloquei o violão de volta, então segui uma Rachel apressada porta a fora.
Ela correu até o lado de fora e eu a segui também correndo.
– Espera – pedi retomando o fôlego -, eu te levo.
– Não precisa, obrigada.
– Qual é, não vou te seqüestrar – eu acho.
– Eu moro aqui perto, realmente não precisa Aaron.
– Eu insisto, posso dizer aos seus pais que estava tocando comigo se quiser.
Ela parou e ponderou por um minuto, lhe indiquei meu carro no fim do estacionamento e ela foi para lá suspirando. Dei um sorrisinho vitorioso e entrei no carro com a garota ao meu lado.
Durante o caminho, tudo o que ela falava eram instruções para o caminho da sua casa. Ao chegar em frente a casa dela eu estacionei no meio fio e antes que ela saísse eu toquei sua coxa para que ela me escutasse um minuto e ela me olhou alerta.
Pigarreei e tirei a mão de sua coxa, porque ela paralisou quando a toquei, então passei a mão nos cabelos nervoso. Nunca tive que tocar naquele assunto com garota nenhuma antes.
– Rach, sobre aquela sexta... – comecei.
– Vamos deixar isso pra lá – ela pediu.
– Eu não consigo. – Suspirei e a olhei, querendo que ela visse em meus olhos as coisas que eu não podia dizer, mas ela se recusava a me olhar, encarava suas mãos como se elas fossem as coisas mais interessantes do mundo – Por favor, olhe para mim sweetheart.
Ela se recusou.
– Rachel... – ela me olhou por fim e eu esqueci um segundo o que tinha que lhe dizer – Sei que foi errado eu ter te provocado aquele dia, ainda mais no estado deplorável em que eu estava, sinto muito... Eu acho.
Ela semicerrou os olhos para mim, como quem decide se acredita em mim ou não.
– Mas aquilo foi um erro – falei mais para mim mesmo do que para ela –e eu só queria me desculpar por ter agido daquele modo, por favor, esqueça aquilo.
Por favor esqueça, porque eu vou tentar fazer o mesmo para o bem da minha sanidade. Era o que eu queria dizer, mas não o fiz.
– Já esqueci, nem lembrava mais daquilo – ela deu de ombros e eu assenti sem saber se ficava magoado com aquilo ou não.
– Tudo bem, vamos lá? Provavelmente seus pais querem saber o porquê da sua demora.
Ela assentiu e ambos saímos do carro.
Assim que chegamos a porta da casa, a porta foi aberta revelando um homem pouco mais alto que Rachel, provavelmente era seu pai.
– Hã, oi pai. Esse é o senhor... – ela me olhou em certo pânico, afinal ela não sabia meu sobrenome.
Sorri e estendi a mão.
– Balzer. Aaron Balzer – falei enquanto o homem aceitava minha mão e a sacudia.
– Ele é o professor de Artes do colégio – Rachel explicou rapidamente.
– Professor? – o pai da menina forçou os olhos desconfiados para mim.
– Sim, foi por minha causa que Rachel se atrasou, sinto muito, começamos a tocar e acabamos perdendo a hora. Sua filha tem grande talento com o violino.
– É verdade, ela é muito boa com violino... Você também toca?
– Na faculdade tivemos que aprender no mínimo três instrumentos, então eu toco, mas não violino – falei.
– John, querido, Rachel já... – uma mulher ainda menor que Rachel apareceu, ela tinha os mesmos cabelos da filha, mas era bem mais velha. Ela me olhou por um minuto, depois voltou-se ao esposo e a filha — chegou?
– Já, querida esse é o professor de Artes da Rachel, senhor Balzer.
– Por favor, me chame de Aaron – pedi e estendi a mão para a mãe de Rachel, em cumprimento.
– Rachel aprontou alguma coisa? –a mãe ela olhou desconfiada para a menina que bufou.
– Não, só vim explicar o motivo do atraso dela. Foi culpa minha, peço desculpas.
– Ah, tudo bem... Gostaria de jantar conosco, senhor Balzer? Digo... Aaron – a mãe dela deu uma risadinha e eu sorri.
– Obrigado pelo convite, mas não posso, já tenho um compromisso marcado senhora Heart.
Rachel me olhou questionador e eu lhe dei uma piscadinha sem que seus pais vissem, então acenei para a família.
– Preciso ir, e peço desculpas mais uma vez pelo atraso de Rachel.
– Tudo bem, Balzer – falou o pai dela e a mãe da garota acenou sorridente para mim enquanto eu me afastava de volta para meu carro.
Diabos, porque me imaginei num outro cenário? Aceitando aquele convite, mas ao invés de chegar lá sendo apresentado como Professor, eu era apresentado como “amigo”... Merda, você precisa se afastar, definitivamente, Aaron.
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