Notas iniciais
Como vão vocês? (:

Nunca gostei tanto de Ed quanto quando descobri que ele era gay, e que eu não tinha mais todo aquele motivo para ciúme dele com Rachel, mas ainda me enervava de certo modo vê-los andando de braços dados pelo colégio, e era exatamente assim que a encontrei na terça-feira, de óculos escuros, os cabelos meio desgrenhados, um braço entrelaçado a Riley e o outro a Ed em quem ela estava praticamente grudada.

Por conta dos óculos não sei se ela me viu, mas um sorriso se abriu em seus lábios quando eu me aproximava e eu tive que me segurar para não puxá-la de Edmund e a beijar em frente a suas amigas – quem sabe assim elas paravam de me olhar da cabeça aos pés quando eu passava- e mostrar o mundo que ela era apenas minha, mas é claro que eu não podia.

Rachel me fazia querer agir como um adolescente, que não tem controle sobre os próprios hormônios, que é completamente impulsivo, e eu gostava daquilo, tudo o que ela me causava era ótimo... Menos aquele ciúme excruciante de a ver nos braços de Edmund toda vez, é claro.

As primeiras aulas foram normais, como encerraríamos o assunto “música” naquela semana, tudo o que eu fazia era reunir os alunos que sabiam tocar e falar para eles tocarem algo enquanto todos os outros cantavam, como um coral desafinado que fazia todos rirem. Na hora do intervalo eu observava de minha sala a massa de alunos, até que ao ver duas cabeleiras cor de fogo se aproximando, me preparei e quando uma delas passou ao lado de minha porta eu a puxei para dentro sem aviso prévio e sorri ao ver a cara de assustada de Rachel.

– Oi – sussurrei e ela riu.

– Oi.

– O que acha de ficar aqui comigo?

– Estou com fome, professor – ela deu um sorrisinho provocante e eu revirei os olhos. Odiava quando ela me chamava assim, parecia que era como um aviso brilhante que me mostrava o quanto aquilo era errado. Ética de merda.

– Eu também...

– Porque não vai comer então? – murmurou circulando meu pescoço com os braços e eu sorri, afundando o rosto em seu pescoço.

– Porque você não está querendo liberar – sussurrei e beijei seu pescoço.

Rachel arrepiou e me deu um tapa no ombro.

– Aaron!

– Rachel!

– Pare de ser tarado – revirou os olhos.

– Isso é meio difícil perto de você.

– Bom, o problema é seu meu caro Balzer, estou realmente com muita fome então eu vou para o refeitório – deu de ombros e tirou os braços de mim, mas eu continuei com os meus ao seu redor.

– Será que os alunos vão estranhar se eu também for? – perguntei realmente curioso e ela me olhou como se eu fosse louco.

– É claro que vão Aaron! Os professores no intervalo vão para a sala dos professores fazer, sabe se Deus o quê.

Eu ri e meneei a cabeça.

– Eu sou o único professor que influencia os alunos a sair para a balada e beber até caírem, eles não vão achar tão estranho me ver por aí no intervalo.

– Te ver por aí no intervalo comigo vai ser estranho.

– E quem disse que eu estarei com você? – ergui uma sobrancelha e ela se desvencilhou de mim irritada. Ops.

– Certo, então vá para onde quiser fazer o que quiser, com quem quiser – falou brava e saiu da sala batendo a porta.

Deus! Quem entende as mulheres? Eu só estava brincando!

Inspirei fundo e pouco depois saí da sala, mas Rachel já havia sumido no corredor, então fui em direção a sala dos professores para fazer nada e ouvir os outros professores falarem mal de seus alunos. Sim, era isso o que fazíamos, isso quando não tinha uma festinha particular com o diretor que chegava do nada com refrigerante – não era permitido bebidas alcoólicas nas dependências da escola, frustrante eu sei – e salgadinhos, colocava YMCA e os mais velhos começavam a dançar achando que estavam seduzindo. Vergonhoso, pois é.

No meio do caminho, vi Sophie me olhando de modo pervertido pouco a frente, como se me esperasse, e francamente eu não estava com paciência alguma para os joguinhos dela, então simplesmente mudei de rumo, saindo do colégio diretamente no pátio, onde os alunos estavam em grupinhos conversando em rindo, alguns jogadores me viram e me chamaram, fui até eles e conversamos por algum tempo antes de eu ver os cabelos chamativos de Rachel saindo do prédio também, ela andava entre Riley e Alex agora, mas seu Escudeiro estava vem atrás, com Amber e conversava animado com ela, enquanto a ruiva parecia ignorar tudo ao redor, então Alex me viu e cutucou Riley, que também me viu, e as duas falaram com Rachel e Edmund.

Dei um sorrisinho de canto e acenei apenas, Rachel ainda parecia puta comigo, então era melhor evitar.

Como um adolescente, que se está com raiva simplesmente ignora a presença de quem lhe causou raiva ao invés de ir conversar sobre para resolver – ou só para pirraçar, porque adultos não são tão diferentes dos adolescentes, convenhamos.

Os caras do time eram legais, me lembravam alguns de meus amigos da época de colégio e gostávamos das mesmas coisas: mulheres e festa, então era fácil manter um diálogo sobre o que quer que fosse, e o tema da vez era a festa das coelhinhas da Playboy, eles queriam saber como eu tinha conseguido entrar, e eu estava prestes a contar quando uma voz feminina soou a minhas costas:

– Professor Balzer, podemos conversar?

Me virei já suspirando e encontrei Sophie ali, ela tinha um sorriso enorme no rosto.

– É claro...

Ela gesticulou com a cabeça para um canto e eu fui com ela até lá, dizendo aos caras que já voltava.

– Sim? – falei tentando não soar muito impaciente, mas era difícil.

– Eu queria falar sobre a viagem dos últimos anos...

– Algo de errado?

– Não, na verdade meu amigo disse que já conseguiu tudo – ela sorriu e eu dei um meio sorriso forçado.

– Ótimo Sophie!

– Já viu com os alunos a autorização?

Porque diabos ela parecia estar querendo puxar assunto a qualquer custo?

– Com a maioria sim, com o resto eu vejo mais tarde. Mais alguma coisa?

Ela me olhou chateada, como se minha pergunta houvesse magoado-a. Ótimo Aaron, sua anta, duas mulheres chateadas em menos de vinte e quatro horas, acho que é um recorde cara!

– Porque está aqui fora?

– Sinceramente? – ela assentiu. Porque eu queria estar aqui com minha... Hm... Ok, preciso de algo que defina eu e Rachel Annelise, a ruiva do ultimo ano que tem um sorriso impertinente e um cheiro hipnotizante, e você Sophie, o que faz aqui? – Não queria ver o diretor dançando I Will Survive de novo.

Sophie jogou a cabeça e gargalhou suavemente, me dando um tapinha no ombro como se ensaiasse aquela cena no espelho todo santo dia. Falsa dos pés ao ultimo fio de cabelo, argh.

Notas finais
O que acharam? ^-^