Ensina-me a amar.
38 Respire fundo e fique firme.
Notas iniciais

Respire fundo. Se mantenha calma... Pensei, desnorteada.
Por que, eu estava sentindo tanta dor? O que havia acontecido? Sentia tanta vontade de chorar. Tento respirar, com o intuito de tirar essa agonia de mim.
Abri meus olhos. Eu estava na Alemanha? Como eu havia voltado para cá? Tentei me colocar de pé, com muito esforço. Deslizei minhas mãos por meu ventre. Estava liso e aquilo me encheu de pânico. Olhei para baixo e meu vestido estava cheio de sangue.
Onde meus bebês estavam? Tinha os perdido? Olhei em volta, tentando achar Tony. Ele estava a metros de mim, a armadura quebrada... Corri até ele. O segurando em meus braços.
— Baby! Amor... Chamei, desesperada. – Eu sinto muito. Sinto tanto...
Não tinha pulso... Tony havia partido. NÃO!!! Por minha culpa, eu tinha perdido tudo o que eu amado. Comecei a chorar, o abraçando apertado.
Me levantei em um susto. Sequer conseguia ficar deitada na cama, me sentei na única poltrona que havia no quarto. Olhei para o céu pela janela de vidro e voltei a descansar meus olhos em Tony. Voltando a passar a mão por meu abdômen, suspirando tranquila ao sentir meus bebês ali.
Tony tranquilo na cama e eu estava aliviada por isso. Tudo que eu não queria, era mais um de nós...Sem conseguir dormir à noite. Andei, ficando ao seu lado na cama. E deslizei minha mão por seu rosto o acariciando.
Eu o amava tanto. Esse amor parecia me esmagar, tamanha a força. Enterrei meu rosto no pescoço dele, aspirando seu perfume. O melhor dos calmantes. Beijei seu pescoço, seu rosto e sua testa.
E eu quase o perdi, deixaria o amor da minha vida escapar das minhas mãos. Depois, de tantas promessas de protege-lo. Mas, eu jamais cometeria o mesmo erro. Ninguém o tiraria de mim, hoje e nunca.
— Me atacando, enquanto durmo, Avatar? Questionou, rouco e risonho. – Você está obcecada.
— Isso não é nenhuma novidade, amor. Afirmei, tranquila. Sim, eu era obcecada por ele. Apaixonada e o amava desesperadamente, Tony era o meu motivo para viver. E eu não negava isso. Ele havia me dado amor, carinho e família. Como não ama-lo?
Era tão fácil, quere-lo... Deseja-lo. Continuei, depositando beijos em seu rosto. Ele era meu, todo meu.
— Você não nega. Disse, surpreso. Eu o olhei mais surpresa ainda por sua dúvida.
— Nunca neguei e nem pretendo. Você tem alguma dúvida que você é o amor da minha vida? Que significa tudo para mim? Amor, obsessão, possessividade, paixão... Todas são palavras, que nunca me parecem fazer jus ao que sinto por você. Disse, tendo certeza que tudo que eu sentia por ele, escorria em cada uma de minhas frases. Eu não havia provado o meu amor por ele, tantas e tantas vezes? O que mais seria necessário fazer?
— Depois de tudo que eu fiz... Escondi o tratado, assinei sem falar com você. Tentei coagi-la várias vezes. Porra! Por minha causa, você quase morreu e quase perdemos nossos filhos. A culpa é minha e eu não te mereço. Disse, seus olhos brilhando em lágrimas. Definitivamente, esse último mês havia nos dado muita coisa para pensar, muita coisa para esquecer.
— A culpa é nossa. Eu devia ter partido, assim que o tratado foi assinado. Já que eu não concordava... Devia ter ficado fora disso pelos meus bebês. Mas, eu fiquei ao lado de Steve, porque era o que eu acreditava. Não me arrependo disso. Só que... Grávida de gêmeos, não é um bom momento para entrar em brigas de família. E meu amor por você, nunca foi uma questão de merecimento. Esclareci, o olhando. Ele me faria repetir isso muitas vezes. – Estávamos tão preocupados com nossas convicções, que acabamos esquecendo um do outro e da família que começamos juntos. Você é minha prioridade, eles são a minha prioridade. Deslizei minha mão por minha barriga, os sentindo comigo. Sua mão se juntou a minha, acariciando minha barriga. Sorri aliviava ao ter aquele momento com ele. Brigamos e discutimos tanto, que estávamos curtindo nossos filhos e minha gravidez somente agora.
— Eu... Vou fazer melhor. Não quero ser igual meu pai, que nunca tinha tempo para mim. Quero ser o melhor para vocês. Afirmou, me olhando. Segurei seu rosto, o trazendo para um beijo apaixonado e cheio de carinho. O abracei, espantando o pesadelo da minha mente. E voltando a dormir nos braços de Tony.
***
Dizem que existe um nível limitado de dor e culpa que um ser humano pode sentir. Se existisse... Eu já tinha passado dele. A cada minuto do dia que via Tony naquela cadeira, eu queria me esconder em um quarto, chorar e gritar. Simplesmente, não queria aceitar que tínhamos feito isso um com o outro. Parecia que eu estava carregando o peso do mundo nas costas. Mas, eu construí cuidadosamente uma fachada para esconder minhas verdadeiras emoções.
Eu precisava ser forte. Eu queria que Tony visse toda a fé, o carinho e amor que eu tinha para dar a ele. Precisávamos passar por isso juntos. Por nossos filhos, por ele e por mim. Só que eu estava rachando, lenta e dolorosamente. Tinha pesadelos todas as noites e durante o dia me culpava, somado aos hormônios da gravidez, aos problemas do tratado, a separação dos Vingadores e todos estarem foragidos. Meus amigos, sendo tratados como criminosos de guerra.
Definitivamente, eu era uma bomba relógio pronta para explodir. E com os meus poderes, isso não era nada bom.
Nada bom mesmo.
Respire fundo e fique firme. Pensei, depois de vim de uma sessão de fisioterapia. Cada gemido de dor que Tony dava me enlouquecia, cada vez que ele olhava para pernas tentando ter uma reação delas e nada acontecia, eu ficava furiosa. Mas, acima de tudo e para o meu alivio, os médicos estavam otimistas. Diziam que nunca tinham visto, uma recuperação igual a dele. E não sabiam como explicar aquilo.
Mas, eu sabia... Desde que eu acordei, nós tínhamos sessões na piscina. Eu o curava gradativamente, Tony sentia muita dor quando eu usava a água para cura-lo. Outro fator, que me enervava profundamente. E sobre isso, eu tentava me manter calma pelos meus bebês. Porém, tudo trabalhava contra mim.
— Scarlet, precisamos de mais uma sessão de água mágica. Pediu, andando até mim com as próteses que ele mesmo havia criado. Eu o admirava ainda, o amava mais todos os dias que ele levantou e se sentou naquela cadeira decidido a voltar a andar. O olhei e o enlacei em meus braços. Acariciando seu rosto, estava mais super protetora com ele do que nunca. Parecia um tigre o rondando 24 horas por dia... Pelo menos, foi isso o que ele disse.
— Tem certeza disso? Questionei, tranquila.
— Claro que tenho, tigresa. Respondeu, rindo. Bufei ao ouvir o meu novo apelido. Ele deu uma gargalhada ao ver minha frustação. Ele havia me dado esse apelido, depois de mais um episódio super protetor da minha parte. Rhodes havia se mudado permanentemente para o complexo e dado uma pausa no patriota de ferro. Visão sentia falta da Wanda e estava entristecido com a situação de Tony. – Sei que você odeia me ver com dor. Ou qualquer tipo de desconforto, mas quero estar fora dessa maldita cadeira para ver meus filhos nascerem. Resmungou, me fazendo andar com ele. Até a piscina... Meus olhos se encheram de água, quando ele falou aquilo. Beijei sua testa, o vendo fechar os olhos apreciando meus carinhos.
— Vamos conseguir, amor. Disse, o abraçando.
***
O segurava firme dentro da água. Odiava fazer isso com ele. Mas, também sabia que era necessário.
— Já disse o quanto você está perfeita nesse biquíni? Super gostosa. Disse, me olhando.
— Umas 15 vezes. Mas, mesmo assim. Obrigado! Você não está nada mal. Respondi, sorrindo.
— E o melhor de tudo, é saber que você é minha. Falou, seus olhos brilhando de desejo por mim. Contive o gemido ao me sentir arder de necessidade por ele.
— Temos alguém possessivo aqui? Respondi, rindo. Segurando em sua cintura dentro da água.
— Deveria falar sobre você, tigresa? Questionou, usando seu sarcasmo. Revirei os olhos pelo apelido, sabendo que ele falaria o motivo de ter me apelidado assim. – Lembra da semana passada, quando um jornalista me fez uma pergunta ofensiva...
— Ele mereceu! Protestei, indignada. Mesmo, admitindo que havia passado dos limites. Mas, Tony não precisava saber disso. – Ele perguntou ‘’ Se você ainda se achava digno da armadura, mesmo estando em uma cadeira de rodas...’’
— Você o arremessou no carro. Quebrou o braço dele! Os jornalistas sumiram da porta do complexo e da torre por dois meses. Disse e começou a rir. Acariciando meu rosto e me dando um selinho. – Amo esse seu lado. Estou tão acostumado a proteger, a cuidar, a ser o herói que todos querem. Ser o homem de ferro. E você... Me protege, cuida de mim, luta por mim e me ama acima de tudo. Eu te amo tanto!
— Eu te amo. Respondi, acariciando suas costas. – Está pronto? Questionei, nervosa.
Tony assentiu, olhando para mim. Fechei os olhos, cobrindo o corpo dele com água. O ouvi, gemer de dor e estremecer em meus braços. Pedi dezenas de desculpas por aquilo e senti meus olhos, arderem em lágrimas. Não suportava vê-lo sofrer assim, não suportava vê-lo gemer de dor.
Acariciei seu rosto para conforta-lo, pressionando minha testa na dele.
— Já chega por hoje. Sinalizei, o encarando. Ele assentiu, me abraçando.
— Preciso te contar algo. Resmungou, me olhando. Saltei da piscina, usando o impulso do ar com ele em meus braços, pousando delicadamente fora da água.
— Diga-me. Incentivei, o envolvendo com uma toalha. Sorri, sentindo a satisfação de cuidar dele.
— No dia da queda na Alemanha... Enrijeci, por voltar naquele maldito assunto. – Eu morri, Scarlet. E só voltei por sua causa. Disse, me mostrando o colar. O colar que eu havia dado a ele em seu aniversário. O segurei em minhas mãos ao vê-lo sem a chama. O que merda, aconteceu ali? E como assim, ele havia morrido? Senti o meu corpo gelar com a informação.
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