Ensina-me a Viver

16 Página Virada


Notas iniciais
Ei gente, tudo bem? Muito obrigada pelos comentários, estou respondendo alguns, todos exceto os que são grandes pois esses eu irei responder depois. Eu queria agradecer à linda da Just Another Girl e ao maravilhoso do Defan (bate aqui, é nóix haha), pelas recomendações! Esse capítulo é dedicado à vocês seus lindos! Eu nem sei como expressar minha gratidão, de verdade (: Sobre o capítulo, eu adorei escrevê-lo, sério! Nele, vocês verão um outro lado da nossa maravilhosa Felicity e tudo mais. Esse capítulo tem duas músicas a mais além da música tema, aqui estão: 1º 9 Crimes - Damien Rice Link: https://www.youtube.com/watch?v=VMGh3Ts5-WQ 2º It's a Fluke - Tiago Iorc Link: https://www.youtube.com/watch?v=wLc9nCoxloY Bem, leiam as notas finais, há algumas perguntas importantes lá!

Your love is my turning page
Only the sweetest words remain
Every kiss is a cursive line
Every touch is a redefining phrase
I surrender who I've been for who you are
Nothing makes me stronger than your fragile heart
If I had only felt how it feels to be yours
I would have known what I've been living for all along
What I've been living for

Turning Page — Sleeping At Last

***

Felicity desceu as escadas do loft e sentiu o odor de comida.

— Ei! — Disse, para Thea Queen. A mais nova virou-se para ela e a lançou um sorriso. — Você deve ser a irmã do Oliver.

— Sou sim, e você deve ser a famosa Felicity Smoak — a mais nova a lançou um sorriso educado e aproximou-se, estendendo-a mão para a cumprimentar, a loira sorriu e a cumprimentou também:

— Muito prazer — soltou a mão dela. Thea foi em direção a sala e sentou-se no sofá, sendo seguida pela outra. — Como vocês se conheceram? — Perguntou, curiosa. Seu irmão não havia a contado a história inteira e ela gostaria de saber de tudo.

— O computador dele deu pane e eu o consertei — a loira sorriu com a memória. Aquele havia sido um dia que ela sabia que jamais esqueceria. Conhecer Oliver Queen mudou sua vida de muitas formas e hoje ela era extremamente grata por ter tido aquela chance. — Depois acabamos ficando presos no elevador e começamos nos aproximar mais — comentou, rindo ao lembrar daquele dia.

Thea a analisou, ponderando. Sentia que podia abrir o jogo com a mais velha:

— Quando Sara se foi... Eu pensei que ele não iria conseguir — assumiu, respirando fundo. Aqueles haviam sido tampos tão sombrios, tão ruins! Naquela fase da vida de Oliver, aproximar-se do seu irmão era uma tarefa praticamente impossível, ele jamais permitia que alguém entrasse, afetasse sua vida. O tempo passava, e mesmo assim, ele parecia afundar-se mais e mais naquele mar obscuro, e nada parecia ser capaz de arrancá-lo de lá.

Agora, dois anos depois, ela sabia que ele ainda tinha as marcas, os medos que perdê-la deixou em seu peito, sua alma. Ninguém conseguiria superar aquilo do dia para noite; contudo, perceber que ele estava disposto a tentar, a mudar, aquilo era o que mais a aliviava. Agora, Felicity Smoak surgira em sua vida e parecia aliviar aquela dor, exorcizar os demônios tão sombrios que assombravam a mente de seu irmão. Thea seria eternamente grata à jovem, essa era a verdade. Ela praticamente o salvara da ruína.

— Achou que ele seria incapaz de seguir em frente? — A loira perguntou, analisando a mais nova. A verdade era que Oliver jamais a escondera nada, isso era a fato. Mordeu o lábio inferior com o pensamento e sentiu aquela culpa a assombrar. O seu passado era tão oculto quanto o dele e ela sabia bem disso. Precisava encarar aquilo e mais do que tudo, precisa o contar tudo o que aconteceu durante sua época de faculdade, mas não tinha coragem...

— Eu tinha quase certeza — a outra apoiou o rosto na mão e respirou fundo: — Era como se ele estivesse morrendo e por mais que eu tentasse, a todo custo, salvá-lo... Não conseguia chegar a tempo — sua voz soturna ressoou pela casa, fazendo a loira suspirar. — E então você apareceu — comentou, lançando-a um olhar repleto de gratidão. — E o arrancou desse mundo preto e branco no qual ele vivia — inspirou e expirou. — Eu nem sei como lhe agradecer por isso.

Felicity ficou em silêncio, incapaz de dizer qualquer coisa que fosse. A encarou e respirou fundo, depois de se restabelecer:

— Não precisa me agradecer — disse, sinceramente. Ela lutaria por Oliver até quando fosse necessário, mesmo que todas suas forças lhe fossem arrancadas, mesmo que lhe acabasse a energia, ela faria o que fosse preciso para o ajudar. — Gosto muito do seu irmão — era bem mais do que isso e a jovem sabia, só não tinha certeza de que estava pronta para admitir.

— Apenas não o magoe, por favor — Thea suplicou, parecendo realmente desesperada. Ela conhecia muito bem seu irmão, sabia como ele era e tinha a consciência de que ele iria ficar muito machucado, talvez mais do que pudesse aguentar. — Ele não merece — completou, seu olhar era repleto de uma angústia real.

Aquelas palavras tiraram a mais velha de seu eixo. Não o magoar. Ela estava tentando, com afinco, mas sabia que não ter o contado tudo o que tinha para contar definitivamente o magoaria, e muito. Sentiu um pânico invisível a dominar e encolheu-se no sofá. Só o que ela queria era vê-lo feliz, isso era o que mais a importava, nada mais. Uma mistura venenosa de culpa e medo a assolaram e a jovem fechou os olhos, respirando fundo. Ela aproveitaria a viagem que faria com seu namorado naquela mesma semana para o contar a verdade, não podia mais protelar!

Ela tinha muito medo do que ele faria quando soubesse que ela havia o escondido coisas durante todo aquele tempo mas precisava encarar as consequências de sua própria atitude e sabia disso, tinha a consciência de que ter omitido coisas sobre seu passado para o rapaz o machucaria, mas ela orava para que ele ao menos a desse uma chance... Era só isso do que ela precisava.

...

Oliver fechou o porta-malas e entrou no carro, no qual Felicity já estava sentada.

— E ai, animada para viagem? — Ele perguntou, ligando a ignição. A jovem disse:

— Estou sim — o lançou um sorriso e ligou o rádio, encolhendo-se no banco e tentando não pensar; obviamente, falhou. Uma música que ela desconhecia começou a tocar, a mesma era suave, melancólica, o piano ao fundo, unido a voz feminina, a fizeram encolher-se ainda mais e desviar seu olhar do dele, que dirigia em silêncio. Ela havia cometido um erro grave, sentia-se como uma criminosa indo em direção à penitência e não havia nada pior do que aquilo. Antes, não era tão difícil lidar com aquele peso, quase nunca pensava em seu passado; agora, entretanto, aquele fardo tornara-se ainda maior, mais pesado.

Qual seria o preço de tê-lo escondido aquilo? Não quis pensar na possibilidade, preferia acreditar que ele a entenderia. Certo? Ele precisava. Na verdade, ela sabia bem que ele não tinha a obrigação de compreender nada do que ela o escondera, mas pensar que ele podia... Deixá-la, aquilo a tirou o ar. Fechou os olhos, apoiando a cabeça na janela. Ele havia sido completamente sincero com ela, a contara tudo, até mesmo sobre o crime que cometera e do qual saíra impune e agora ali estava ela, o escondendo algo. Ela não tinha nenhuma desculpa por aquilo.

A época de faculdade foi a que mais assombrara sua vida, e agora ela já não sabia o que fazer. Aqueles foram anos difíceis, bem difíceis e ela sentia aquela culpa a dominar até então. O que mais a preocupava era saber que ela escondera aquilo de seu namorado enquanto ele havia sido completamente sincero com ela, sem a esconder nada.

— Você está incaracteristicamente quieta — Oliver comentou, entrando na rodovia principal. — Há algo de errado? — Perguntou, preocupado. — Está se sentindo mal?

— Não, estou bem — mentiu. Merda, Felicity! Sua consciência a lançou um olhar furioso e ela se encolheu. — Para onde estamos indo? — Perguntou, em uma tentativa de mudar de assunto e tirar sua mente daqueles pensamentos sombrios.

— Para o Tenessee, onde tenho minha casa de campo, tem uma baita piscina lá — ele respondeu, parecendo mais animado. Ela sorriu diante da expressão dele e perguntou:

— Quanto tempo demora a viagem?

— Cinco horas e meia mais ou menos — deu de ombros enquanto outra música começava a tocar. — Eu trouxe comida para você — indicou com a cabeça para o chão onde havia uma sacola com várias comidas, dessa vez, nenhuma manteiga de amendoim. Ela sorriu e disse:

— Você é um amor, muito obrigada — pegou uma garrafa da água e bebericou um pouco, molhando os lábios. Quis o contar tudo bem ali naquele carro, mas não tinha certeza de que era o melhor momento para fazê-lo.

Ela tinha que admitir que tinha muito medo das consequências, ele teria todo o direito do mundo de ficar furioso, mas ela esperava, do fundo de sua alma, que isso não afetasse o que ambos tinham, era só o que ela esperava. A loira respirou fundo e mordeu o lábio inferior, fechou os olhos e se deixou levar pelo sono.

— Lissy, acorde — Oliver murmurou, beijando sua têmpora. Ela abriu os olhos, piscando confusa e ouviu sua barriga roncar. — Chegamos, meine liebe — afastou-se dela e a lançou um sorriso que fez o coração dela saltitar feliz dentro de seu peito.

— Uau! — Ela disse, arregalando os olhos. A casa era imensa, parecia uma espécie de palacete. Ela era dividida em dois andares, no inferior havia uma ampla varanda que era coberta pelo segundo andar, a mesma dava acesso à parte interior da casa por uma grande porta de vidro. Quatro grandes toras de madeira davam sustentação ao segundo andar. Oliver estacionou o carro e saiu do mesmo, deixando uma Felicity pasma dentro do mesmo.

Ele levou as malas para dentro enquanto a jovem saia do carro e analisava o lugar ao seu redor. A casa era circundada por várias árvores e em sua varanda, havia um sofá branco, uma mesa de centro de madeira rústica, vários vasos e duas redes de tecido bege penduradas nas toras de madeira. Ela atravessou a varanda, pisando no chão de madeira que rangeu um pouco e ficou ainda mais pasma com o interior da casa.

A sala era enorme, bem maior do que seu apartamento inteiro. Ela era bem iluminada pela porta de vidro que encontrava-se ao leste. Na parede oeste havia uma bela lareira ornamentada de tijolos. Dividindo a sala ao meio, havia um amplo sofá de couro marrom com lugar para cinco pessoas, e embutida na parede norte, havia uma grande televisão LCD, entre a televisão e o sofá, havia uma mesa de centro de vidro. Em outro canto, um belo piano de calda branco fazia-se notar.

Um pouco distante daquela região, havia uma grande mesa de sinuca e mais algumas poltronas de couro. Eles atravessaram um corredor no qual havia um pequeno lavabo e foram em direção à cozinha, que também era incrivelmente grande. Ela era iluminada por dois lustres simples e tinha no seu meio um grande balcão de mármore cercado por cadeiras de madeira rústica. Na parede norte, havia um outro balcão com duas pias e colado ao mesmo, uma grande geladeira. No alto, vários armários se dispunham pelo ambiente com perfeição, dando um ar menos austero ao local.

— Meu pai mandou construir para minha mãe quando eles se casaram — Oliver disse animado e ela sorriu. — Eu vinha para cá todas as férias — comentou, e os dois foram em direção à área exterior. Ela arregalou os olhos ao deparar-se com uma piscina gigante, na qual provavelmente cabiam dos quartos seus, e mordeu o lábio inferior. Ao redor da mesma, haviam cinco cadeiras de sol de madeira e alguns guarda-sol.

— Quando falou da piscina não sabia que ela era tão... Grande — comentou, encantada.

— Bem, isso foi obra da minha irmã — ele deu de ombros. — Evite aquele lado — apontou para uma das extremidades da piscina. — É muito profundo para você — explicou.

— Eu sei nadar muito bem, Oliver — revirou os olhos.

— Não estou questionando sua capacidade, só não quero que nada aconteça — ele respondeu, cauteloso. Ela ia o dar uma resposta afiada mas preferiu ficar quieta, não queria iniciar uma discussão.

— Ela é aquecida e como o tempo está bom — comentou, olhando para o Sol que reinava acima deles, o que era estranho pois ainda era Inverno. — Acho que podíamos entrar — falou, claramente animado.

— Okay — ela riu da animação dele e disse. Ele entrelaçou sua mão na dela e a guiou por uma escada de madeira, eles subiram e ali havia outra sala de estar com uma televisão ainda maior do que a primeira. Outro sofá igual ao outro fazia-se presente e havia um tapete persa no chão.

— A casa tem cinco quartos — ele comentou. — Um escritório e uma adega — falou, animado. — Há uma cidade próxima na qual podemos comprar algo caso você precise — ele parou diante de uma porta e perguntou:

— Você vai querer dormir sozinha? — Ela o encarou sem saber muito bem o que responder. Bem, na verdade ela preferia ficar com ele, isso era fato.

— Podemos dormir no mesmo quarto? — Questionou, falando rápido demais. Ele gargalhou quando a viu corar violentamente e disse, fazendo um carinho no rosto dela:

— Podemos sim, meine liebe — a deu um beijo no canto da boca e disse: — Vá se trocar e vamos para piscina — pediu. — Vou me trocar no outro quarto — soltou sua mão da dela que observou enquanto ele se afastava. Ela fechou a porta e pegou sua mala, abrindo-a sobre o chão e logo encontrando o que precisa. Seu biquíni predileto. Tirou as roupas e colocou aquela peça que agora parecia bem menor, fazendo-a sentir-se mais exposta.

A parte superior tinha duas alças finas e realçava seus seios semi-expostos, a calcinha não era muito pequena nem grande, e realçava seu corpo um pouco curvilíneo, ele era verde escuro e combinava perfeitamente com seu tom de pele. Ela passou protetor solar em seu corpo e levou para que ele passasse em suas costas, pegou uma toalha e seus chinelos e desceu as escadas, sorrindo ao ver as costas nuas dele. Uau, nunca me canso desse corpo! Pensou, sorrindo.

Ele se virou e não pôde evitar a avaliar de cima a baixo com um sorriso doce e ao mesmo tempo, malicioso.

— Ei — ele sorriu e puxou-a para seus braços, a deu um beijo permitindo que a loira aproximasse-se mais e enlaçasse seus braços no pescoço dele. As mãos dele percorreram os cabelos soltos, pegando os fios com delicadeza enquanto seus lábios imploravam pelos dela com avidez. — Passou protetor? — Questionou, afastando-se dela que assentiu e pediu, com a voz mais inocente possível:

— Pode passar nas minhas costas?

— Com prazer — ele a lançou um sorriso de canto que a fez corar violentamente. Ela virou-se de costas para ele, que pegou o protetor, colocou na palma da mão e espalhou sobre a pele dela. Felicity não pôde evitar fechar os olhos diante do contato e sorriu, encantada. Ele manteve suas mãos sobre a cintura dela, estava indisposto a tirar de lá. A enlaçou por trás, seus lábios tomando-lhe o pescoço com paixão, beijando-lhe a pele, suas mãos na cintura dela fizeram com que Felicity perdesse todo o foco, esquecesse seu nome, sua idade, absolutamente tudo.

Ele subiu as mãos lentamente, deixando uma trilha de calor por onde seus dedos passavam e ele mordiscou o lóbulo da orelha dela, que mordeu o lábio para não gemer. Ele definitivamente a causava um efeito e tanto! Felicity já não conseguia raciocinar, seu corpo praticamente implorava pelo dele, como um faminto que pede, desesperadamente, por comida.

Ela virou-se e o beijou quase que selvagemente, ele apertou-a contra si, suas mãos parecendo ter criado vontade própria. Ele separou-se dela, a contragosto e murmurou:

— Vamos para a piscina — ela ofegou, assoprando um cabelo que caía sobre seu olho e concordou. Eles entraram na água e ela sorriu ao ver que a mesma estava numa temperatura ideal, ele apoiou-se na borda e ela o encarou. Ele parecia uma espécie de anjo vindo do Paraíso sob a luz do Sol, um sorriso brincava em seus lábios e pela primeira vez, ele parecia realmente despreocupado, leve.

Oliver Queen estava completamente apaixonado por Felicity Smoak. Já não conseguia se imaginar longe dela, longe de seus braços, seus beijos. Seus sentimentos eram uma mistura intensa de desejo, carinho, cuidado, todos em seu peito, gritando. Ele queria a fazer feliz, mais do que qualquer outra coisa. Só queria vê-la sendo feliz. O empresário não compreendia como seus sentimentos podiam ter se tornado tão grandes, tão intensos. Era como se a cada momento que ambos viviam juntos os mesmos ganhassem uma nova dimensão, uma força maior do que antes e ele não compreendia como aquilo era possível.

Aquela mulher era sua perdição e sua salvação, ainda não conseguira descobrir de verdade que papel Felicity ocupava em sua vida, mas sabia o quão importante ela era, isso jamais mudaria. Ela se aninhou no peito dele, que a deu um beijo na testa.

Aquilo era perfeito. Simplesmente não havia outro local no qual ela preferisse estar, ele era sua casa, seu porto-seguro. Ela afastou-se e mergulhou completamente sob a água, nadando até a outra borda. Sabia que Oliver a xingaria pois ele disse que era muito fundo mas não ligava. Conforme sentia o ar fazer-se necessário, flashs de tudo o que os dois viveram até aquele momento apareceram em sua mente. Ela voltou para superfície e respirou fundo, sentindo que não havia chão ali no qual se apoiar. Lançou um sorriso brincalhão para o seu namorado que a encarava sério.

Ela voltou, nadando, para perto de Oliver que tinha os braços cruzados sobre o peito incrivelmente definido.

— Disse para não ir até lá — ele sussurrou, entredentes.

— E eu disse que sei nadar muito bem — revirou os olhos. Ele ficou em silêncio e fez carinho na bochecha dela. Queria dizer mais, entretanto, novamente falhou.

Eles ficaram na piscina por duas horas até que começou a escurecer e ele insistiu para que ela saísse. Felicity tomou um banho quente e colocou um vestido branco leve que adorava, deixou os cabelos soltos e sorriu ao sentir um odor delicioso de comida.

— Você cozinha? — Questionou, descendo as escadas. Ele a lançou um sorriso e deu de ombros:

— Aham — ele mexia em uma frigideira e ela olhou para ver o que era. O cheiro estava delicioso. — É um risoto com queijo brie e picanha ao molho agridoce — explicou, a lançando um sorriso.

— Uau! — Ela disse com os olhos brilhando, apoiando-se sobre a bancada. — Eu amo risoto! — Quicou no mesmo lugar, fazendo-o sorrir:

— Eu sei — comentou, provando um pouco e dizendo: — O jantar está pronto, a mesa está posta, vamos comer? — Perguntou, timidamente. Ela assentiu e ela sentou-se na cadeira, olhando para seu prato feito uma criança conforme ele colocava um pouco de risoto e a picanha com o molho.

Oliver pegou seu vinho predileto e a serviu com um pouco, enquanto Felicity se deliciava com a comida. Não era justo ele ter tantos atributos! Pensou, enquanto comia.

— Isso está dos deuses! — Disse, bebendo um pouco de vinho. Ele sorriu, animado e os dois jantaram em silêncio. — Como aprendeu a cozinhar? — Ela questionou, enquanto lavava os pratos e colocava ao lado para que ele secasse e guardasse:

— Foi depois que meus pais morreram, nossa mãe cuidava da comida durante os finais de semana pois os empregados tinham folga — ele colocou o prato dentro do armário. — Thea ainda era muito jovem, então eu tive que aprender a me virar — o olhar dele era distante e ela desejou não ter trazido o assunto à tona.

— E aquele piano, é de quem? — Ela se apoiou na pia após terminar de lavar a última panela e ele sorriu:

— Era do meu pai, ele costumava tocar bastante — respondeu, a lançando um sorriso. — Eu nunca aprendi, mas toco violão — comentou e então teve uma ideia. — Venha — a ofereceu a mão e a guiou para a sala, onde havia uma porta. Ele abriu e entrou num quartinho pequeno e escuro, pegando seu antigo violão e levando-o para a sala.

Ele sentou-se e focou-se no instrumento, o afinando. Ela sentou-se na poltrona e sorriu ao vê-lo tão focado no instrumento. Ele começou a tocar uma canção que ela não conhecia, mas cuja melodia era simplesmente linda. Naquele momento, pareceu bem mais do que apenas uma canção. Ela sentiu, pela primeira vez, como se ele estivesse despejando naquela canção tudo o que sentia, tudo o que tentava expressar mas não conseguia.

Ele fechou os olhos, sua respiração calma, medida. Seus dedos movendo-se pelas cordas, formando acordes suaves e melódicos, a letra flutuando em sua mente, seu olhar cruzou com o dela e Felicity estremeceu. Ela jamais havia visto a olhar daquela maneira antes. O olhar dele gritava, parecendo tentar dizê-la o que seus lábios ainda não diziam. Ele só queria que ela soubesse, de uma maneira ou de outra, o quão importante era para ele. Oliver Queen não mediria esforços por ela, moveria céus e terra por Felicity Smoak, ele sabia bem disso.

Ele cantarolou o refrão da canção o que a deixou ainda mais estática. Subitamente, todo aquele momento, tudo ali fez sentido. Ela sentiu seu coração aquecer, saboreando as palavras, permitindo que mesma arrebatasse seu ar, fazendo-a suspirar. Ela sabia o que ele estava tentando dizer, entendia muito bem. Ele parou de tocar e fez um carinho no rosto dela, que aproximou-se do toque e beijou a mão dela:

— Você tem me chamado de meine liebe nos últimos dias — sussurrou, ainda de olhos fechados. — O que significa? — Sua voz era baixa, ela não queria arruinar aquele momento.

— É alemão — ele a deu um beijo no canto da boca, depois, outro no nariz e na bochecha, afagou seu pescoço e murmurou, apoiando sua testa na dela: — Significa "meu amor".

...

Caitlin bebeu um pouco de água e apoiou-se na pia, respirando fundo. A casa estava completamente silenciosa, e já era duas e meia da manhã. Assustou-se quando ouviu Tommy dizer:

— O que você está fazendo fora da cama?! — Droga! Pensou, virando-se para de onde a voz vinha.

— Vim beber água — respondeu. Tommy apenas a deixava sair da cama para usar o banheiro e ela estava começando a ficar angustiada. — Por que está acordado?

— Eu não conseguia dormir — ele deu de ombros e falou: — Não desconverse Caitlin! Vá para a cama — pediu. Ela revirou os olhos e os dois subiram as escadas e pela primeira vez ele não parecia precisar da ajuda dela. Caitlin encolheu-se com o pensamento ao perceber que logo ela não teria mais nenhuma desculpa para ficar perto dele.

— Disse que não estava conseguindo dormir — murmurou, sua mão ainda unida a dele em um aperto forte. Ele assentiu e apesar de não poder vê-la, sabia exatamente como ela estava. — Eu posso te ajudar — sussurrou, em meio ao escuro.

Ela o ajudou a entrar no quarto encostou suas costas na cama, puxando-o para si. Tommy apoiou-se no dorso da morena, que afagou os cabelos dele, sentindo uma imensa vontade de beijá-lo na testa. Havia tanto que ela queria o dizer, tanto que precisava que o rapaz soubesse! Mas não podia, talvez jamais pudesse!

Tommy fechou os olhos ao sentir a carícia suave dela em sua pele, seu coração parecia impulsionado, como se tentasse o dizer algo ali, naquele momento. Era tão... Pacífico. Sentia como se ela dissipasse seus medos, suas angústias e receios, aplacasse suas maiores tempestades. Ela o tirava a dor, o o trazia um sentimento tão forte e ao mesmo tempo tão calmo. Com ela, as coisas pareciam ganhar sentido, significado. Seu mundo pintado à carvão, marcado pela tragédia, agora parecia estar lentamente ganhando cor, vida; como se um caleidoscópio brilhante reluzisse ao redor.

Caitlin jamais imaginou que seria capaz de sentir algo tão forte quanto o que sentia. Começou a cantarolar uma de suas canções de ninar prediletas e brincou com os cabelos do rapaz, que deliciava-se com o som do coração bela batendo sobre seu ouvido. Aquele som era... Revigorante. Ele suspirou, inalando o perfume, e ela o observou. Aquele homem era maravilhoso, bom demais para ser real, mas de alguma maneira, ele era.

Por mais que não pudesse tê-lo para si, a jovem se sentia grata por Tommy ter entrado em sua vida, ele a mostrara o real significado da paixão... Do amor e era apenas isso o que importava. Sua voz suave e incrivelmente bonita ressoava, baixa, pelo quarto, e ele sentia-se cada vez mais arrastado para a escuridão, até que ele adormeceu.

...

Oliver abriu os olhos, procurando em volta. Tateou e percebeu, confuso, que Felicity não estava ao seu lado. Pôs os pés descalços no chão e sentiu o frio irradiar pelos mesmos.

— Felicity, cadê você? — Perguntou, andando pelo corredor do quarto. Abriu a porta do banheiro e não a viu lá. Franziu o cenho ao não ouvir nenhuma resposta e desceu as escadas.

Ainda estava escuro e a casa estava incrivelmente vazia. Ele sentiu todo seu corpo retesar quando chegou até a cozinha. Foi como se uma súbita paralisia o atingisse, como se todo o ar tivesse sido arrancado à força de seus pulmões. Ele não conseguia mais respirar.

Felicity estava caída no chão, o sangue escorria por seu abdome e ela arfava, seus belos olhos azuis pareciam cansados. O tecido bege de sua camisola agora era lentamente tingido de um vermelho vivo. Oliver Queen sentiu como se estivesse sendo puxado para baixo. Pegou o celular, mas não havia nenhum sinal ali.

— Ei, você irá ficar bem — prometeu, jogando-se no chão. Seus joelhos doeram mas ele não deu a mínima, tentou novamente ligar para a emergência mas ainda não havia sinal. — Fica comigo — ele implorou, os olhos azuis dela brilhavam e ela afagou o rosto dele. Ele sentiu sua garganta fechar quando percebeu que sangue escorria por sua boca, caindo por seu queixo. Ele estancou a ferida com a mão, seus dedos sentindo o sangue quente que escorria pelo ferimento. — Não me abandona! — Ele implorou, os olhos fechados, enquanto ele a balançava, apertando-a contra seu corpo.

Ele podia sentir a pulsação dela, podia sentir seus batimentos desacelerando lentamente. Cada batida, ínfima, tornando-se ainda menor. Sua pele lentamente empalidecendo, seus lábios frios e mortos, sem vida. E então, não sentiu mais nada. O coração dela havia parado. Ele piscou, atônito.

— Você vai ficar bem — beijou a testa dela, lágrimas quentes caindo por seu rosto enquanto aquela sensação espreitava em seu peito, pronta para dar o bote, a qualquer instante. — Vai ficar bem meine liebe — as lágrimas agora caiam livres.

Ele a apertou contra si, suas mãos trêmulas, esperando por um milagre. Oliver Queen nunca acreditou em Deus, nunca rezou, nunca foi de ir à Igreja, mas agora, com o corpo de Felicity em seus braços, ele orava com todas as forças. Rezava, apertando-a contra si. Entretanto, seu coração continuou lá, parado.

Oliver abriu os olhos ofegando, lágrimas escorrendo por seu rosto, um grito gutural ecoou pelo recinto, despertando Felicity, que dormia pacificamente ao seu lado. Ela levantou-se em pulo e foi agarrada por seu namorado, que a apertava com uma força quase surreal. Sentiu que iria sufocar, mas ao perceber as lágrimas dele molhando sua camisola, apenas sentiu seu coração estilhaçar. Ela jamais havia o visto tão devastado, e não era uma coisa que ela fosse querer ver novamente.

— Deus, você está aqui! — Ele a beijou no pescoço, nas bochechas, seus dedos a apertando com força. Sua barba roçou na pele da jovem, que murmurou:

— Eu estou aqui — murmurou, afagando os cabelos dele com carinho. Ele continuou a apertando contra si, seu coração praticamente saltando em seu peito. — Não irei sair daqui — prometeu. Ele apoiou a cabeça no vão do ombro dela, inspirando aquele perfume que tanto amava.

Oliver Queen fora um homem quebrado. Aquele passado ainda estava lá, mas dessa vez, já não o queimava mais, não machucava sua carne, agora, ele estava mais forte do que antes e ele sabia que tudo isso era graças à ela, fora ela quem o salvara da escuridão.

— Foi um pesadelo? — Ele assentiu e ela quis apenas o proteger de tudo aquilo, ela sempre iria.

Oliver esperara por aquela mulher por dois anos. Anos nos quais ele vivera na mais profunda escuridão, incapaz de acreditar que algum dia seria resgatado, seria salvo. Entretanto, Felicity surgiu e mostrou o quão errado dele estava. Nada havia o preparado para aquilo, para ser de fato dela, principalmente pois ele passou anos acreditando que sempre seria de Sara. Entretanto, ali estava ela, o tomando para si completamente.

Agora, ele havia encontrado outra razão para continuar tentando. Ela era tudo o que ele sempre quis, sua segunda chance, seu farol. O amor dela era como uma página virada, como uma espécie de novo começo. Ele jamais imaginou que seria capaz de evoluir tanto quanto naquele momento, que seria capaz de deixar outra pessoa entrar. Ela; contudo, não parecia fazer nenhum esforço. Seus sorrisos, suas atitudes desajeitadas e incrivelmente graciosas eram seu combustível, sua alegria.

Ele podia enxergá-la sob a luz da Lua, os cabelos que agora brilhavam de forma diferente, os olhos que pareciam possuir uma miríade de sentimentos os quais ele provavelmente jamais saberia identificar. Queria tanto a dizer, mas não sabia como. As palavras eram tão efêmeras, podiam se tornar insignificantes e jamais seriam capazes de descrever com perfeição o que ele sentia por ela. Às vezes aquelas três pequenas palavras não bastavam.

Havia tanto para se dizer e tão poucas palavras que realmente podiam descrever. Ele afagou o rosto dela, passou o dedão pelos lábios macios, fazendo-a fechar os olhos e suspirar, encantada. Ele aproximou-se e tomou os lábios dela com calma, delicadeza.

— Você foi a melhor coisa que me aconteceu — era o melhor que ele conseguia fazer, por enquanto. — Obrigado por aparecer na minha vida — a deu um beijo na testa. A jovem, que estava pronta para o contar toda verdade, sentiu a coragem esvair de seu corpo ao ouvir aquela sentença, ela o apertou contra si e e murmurou:

— E obrigada por aparecer na minha — ela encolheu-se nos braços dele e logo adormeceu...

Notas finais
E então galera, nossa Felicity está escondendo algo do Oliver, o que será que é? Vocês têm algum palpite? Caso tenham, podem falar hahaha. Gente, eu tenho várias perguntas importantes, quando forem comentar, por favor tentem responder okay, isso é para a evolução da história: 1º Quando vocês acham que deve acontecer o primeiro hot do nosso casal maravilha (Oliver e Felicity)? Eu pensei em fazer nesse capítulo mas achei que era cedo demais então optei por perguntar para vocês. 2º Quando vocês acham que o Oliver deve dizer à Felicity que a ama e vice-versa e quem vocês acham que deve dizer primeiro? 3º Vocês conhecem alguém que faça trailer pelo Sony Vegas? Se sim, me mandem o contato da pessoa pois queria muito um trailer decente para essa fanfic haha. 4º O que vocês estão achando de Tomlin? Quando acham que eles devem ter o primeiro beijo? 5º O que vocês acharam do apelido da Felicity? Só para constar, para aqueles que não souberem, meine liebe significa mesmo "meu amor", gente haha. Bem, é isso, sei que são muitas perguntas mas é importante para mim haha. Bem, não saiam sem comentar e responder *u* Espero que tenham gostado!!