Ensina-me a Viver
17 Chamas
Notas iniciais
Baby I will find you
Baby I can hear you call
Baby I can feel your heart
Baby I will find you
Just wait a little longer
Baby I can hear you call
I won't ever let you fall
Never Let You Down — WOODKID fet. Likki Li
***
Felicity desceu as escadas sentindo o odor agradável da comida. Oliver estava na cozinha, preparando o café da manhã:
— Bom dia — ela disse, apoiando-se no balcão: — Está fazendo o café? — Questionou, sorridente. Ele assentiu virando a panqueca americana e comentou:
— Ia te levar na cama — deu de ombros e ela ajeitou uma mexa de cabelo atrás da orelha. — Mas já que você já acordou — colocou as panquecas em um prato e jogou chocolate derretido sobre as mesmas, em outro prato colocou os ovos mexidos e ela sorriu, sentindo sua boca salivar. Ele a deu um copo de suco de laranja e ela comeu:
— Não é justo você também saber cozinhar! — Falou, comendo um pouco dos ovos mexidos. Uau, isso é bom demais! Pensou, comendo. — Quer dizer, não que eu esteja reclamando nem nada, mas você já é gostoso, bonito, sabe tocar o que é incrível, saber cozinhar é demais! — Ela falou, tomando um pouco de suco para calar a própria boca. Ele abriu um sorriso lindo e juntou-se a ela, comendo.
Eles tomaram café em silêncio, ela lavou e guardou e louça.
— Há quanto tempo seus pais têm essa casa? — Felicity perguntou depois de terminar de escovar os dentes. Oliver saiu de dentro do banheiro usando apenas uma sunga azul marinha. Só então ela notara algumas cicatrizes em seu peito, o olhou confusa querendo descobrir onde ele as conseguira.
— Há trinta anos, foi um presente de casamento do meu pai para ela — ele a puxou para seus braços, fazendo-a sorrir e a deu um beijo rápido, separando-se em seguida. — Eu estou indo para a piscina, você vem junto? — A olhou e viu que a jovem usava um vestido azul claro que parecia confortável, Felicity negou com a cabeça e disse:
— Vou ler na borda da piscina — respondeu, mostrando o livro em suas mãos. Ele assentiu e os dois desceram, Oliver entrou na piscina sem nenhuma cerimônia e ela sentou em uma das cadeiras de madeira ali presentes, abrindo o livro e lendo as primeiras linhas.
Naquele momento, com o Sol acima dela, com o vento calmo e frio que batia contra seu rosto, ela finalmente conseguiu organizar seus pensamentos. Ela sabia que ter omitido tudo aquilo de Oliver o decepcionaria, magoaria. Só o que ela queria era que ele compreendesse, que ele a desse uma chance de o contar tudo. Ela não o deixaria ir, a menos que ele escolhesse aquilo. Estremeceu com o pensamento e afundou seu corpo na cadeira, sentindo o calor do Sol bater contra seus pés.
Ela nunca teve medo do amor, daquele sentimento tão intenso e profundo que nos muda de forma inigualável, e que impede que voltemos a ser os mesmos que antes. Ela faria de tudo para se redimir, para o provar a profundidade de seus sentimentos, Felicity apenas queria que ele acreditasse em seus sentimentos por ele, não permitia que ele duvidasse daquilo, nunca.
Ela precisava o contar tudo e precisava lidar com as consequências, sabia disso, mas o medo era praticamente inevitável àquela altura do campeonato, por anos ela lutara para se recompor de tudo o que acontecera durante sua faculdade, outra coisa na qual John a ajudara tanto, mas Oliver parecia ser capaz de recuperar cada pedaço de seu coração com facilidade, sem parecer ter nenhum problema para fazê-lo. Ele fora, de fato, a única pessoa que ela deixou entrar em sua vida e ainda assim, foi incapaz de o dizer toda a verdade, só o que ela sabia era que ele impedia que ela desmoronasse, que caísse aos pedaços. Era estranho estar tão fortemente vinculada ao rapaz, os dois estavam juntos há pouco tempo; contudo, de alguma maneira, ele parecia ter tudo o que ela sempre procurou em um homem.
Ele tinha se tornado a pessoa mais importante de sua vida, havia sido aquele que realmente a possibilitara saber o que era o amor, um sentimento que ela sempre quisera mas ao qual temia. Felicity havia visto em primeira mão o que o amor podia fazer às pessoas, só que alguma forma ele conseguiu a mostrar toda a beleza daquele sentimento, toda a veracidade do mesmo. Ela jamais pensou que a vida poderia ser tão generosa, até que ele surgiu em seu caminho.
Felicity desejava ser para o rapaz tudo o que ele era para ela, no fundo sabia que era, ainda assim, precisava encontrar uma maneira de provar que não ter o contado a verdade não era por falta de confiança nele, e sim, por falta de confiança em si mesma. Naquele momento de sua vida, ela já percebera que ele era o homem de sua vida e que nada mudaria isso. Só o que precisava era saber que ele acreditava nisso também.
Oliver nadava pela piscina calmamente, sua mente vagando por coisas aleatórias. Ele amava aquele lugar, era um dos únicos nos quais o empresário sentia-se em paz, e não acuado como antes. Ali, junto dela, tudo parecia estar bem, ele não sentia aquela ameaça silenciosa pesando sobre suas costas, como um fantasma que diverte-se assombrando suas vítimas, naquele local, ele se sentia seguro.
Às vezes ele desejava apenas pegar as malas e sair pelo mundo com ela ao seu lado, mas sabia que não podia. Queen estava cansado de fugir sempre que as coisas ficavam difíceis demais, ele iria enfrentar aquilo de frente, precisa, por Tommy, por Laurel, por todos que perderam algo graças a ele, e mais importante, Oliver precisava fazer isso por si mesmo, naquele momento, enfrentar aquela assombração tornara-se uma questão de honra, de dever.
Ele apoiou-se na borda e notou que Felicity parecia perdida em pensamentos. Havia a achado estranha nos últimos dias, parecia um pouco mais introspectiva e aquilo definitivamente não era uma característica de sua loira. A observou e suspirou, sorrindo. Aquela mulher era completamente diferente de todas as outras que ele já conhecera, ela era alegre, feliz... Oliver nunca pensou que alguém poderia significar tanto assim para ele, para ser sincero, ainda mais depois de Sara...
Ele saiu da piscina, pegou a toalha e secou-se, aproximando-se da jovem que sorriu ao vê-lo.
— Eu vou tomar banho e fazer o almoço — a deu um beijo molhado na testa e sem esperar por respostas, entrou na casa. A loira respirou fundo e fechou o livro, decidida a pelo menos tentar fazer algo de diferente para seu namorado.
Em sua casa, quem cozinhava era Caitlin e ela jamais teve que se preocupar com aquelas coisas, mas agora, sentia-se na obrigação de pelo menos tentar usar as panelas. Foi para cozinha e abriu a geladeira. Não havia muita coisa ali, provavelmente por que aquela casa não era muito visitada, ela pegou uma salada, lavou e colocou em um pote, temperando-a. Depois, abriu novamente a geladeira, encontrando alguns ovos. Iria tentar fazer um omelete, era algo simples, prático e fácil.
Quebrou quatro ovos em uma tigela, colocou uma colher de chá de sal, bateu e colocou queijo. Picou algumas cebolas, as grelhou e jogou o ovo batido sobre a frigideira. Não deu muito certo no final das contas, o omelete quebrou, o que a deixou frustrada.
— Fez o almoço? — Oliver questionou, apoiado no batente da porta. Ela deu um pulinho e falou:
— Deus do Céu! Eu já falei que você precisa parar de ser sorrateiro — o lançou um olhar homicida e ele riu, aproximando-se dela:
— Me desculpe, meine liebe — ela sorriu ao ouvir o apelido e pegou um garfo, espetando a omelete e levando em direção à boca do namorado.
— E ai? — Perguntou, animada. Ele tossiu e disse:
— Er... — o sorriso dela foi se desmanchando os poucos e ele completou, mentindo: — Está uma delícia! — Ela o encarou, desconfiada, e experimentou o alimento, sentindo o sal invadir seu paladar.
— Nossa, isso está uma salmoura! — O lançou um olhar severo: — Mas você disse que estava uma delícia! — Acusou.
— É que você estava tão animada e eu... Não quis te deixar triste — ele a olhou com uma expressão super fofa e ela o deu um selinho rápido, dizendo, feliz:
— Você é fofo demais, de verdade! É estranho, por que você é super grande e musculoso, tem cara de mal e tudo mais — bebeu um pouco de água para se livrar daquele gosto de sal: — Mas você é incrivelmente fofo o que é super bacana, afinal, quem não quer um namorado gostoso e lindo?
Ele riu e abriu a geladeira, iria refazer o almoço pois o dela estava praticamente não comestível. Depois de meia hora, ele já havia grelhado dois bifes de filé mignon em manteiga, e provado o arroz dela que, surpreendentemente, estava bom. Eles almoçaram em silêncio.
— Lissy, você está bem? — Oliver perguntou, preocupado. Agora mais do que nunca estava começando a achar estranha. — Você está muito quieta ultimamente — explicou.
Ela largou os garfos sobre o prato no qual sequer tocara e respirou fundo. Ele olhou o prato e antes que pudesse reclamar ela falou:
— Estou sem fome — apoiou os braços sobre o balcão e murmurou, sem coragem para encará-lo: — Nós precisamos conversar.
Oliver abriu a boca e a fechou no mesmo instante, iria a dizer algo mas não pôde. Subitamente, medos tolos e sem sentido dominaram seu interior e ele esperou, acuado, para ela dissesse logo o que queria.
— Diga — sussurrou, mas não teve certeza de que realmente queria saber o que ela tinha para falar.
Ela pensou, simplesmente não sabia muito bem como começar o que tinha para o contar:
— Há algumas coisas que você não sabe sobre mim — ela sussurrou, encarando o namorado, que franziu o cenho: — Quando eu estava na faculdade, eu namorava esse cara chamado Cooper — explicou, molhando os próprios lábios. — Eu era completamente apaixonada por ele na época — revirou os olhos para si mesma e não teve coragem de encarar seu namorado: — E ele era um hacker, assim como eu — sussurrou, olhando para baixo: — Eu criava códigos, vírus, todo tipo de coisa, mas nunca usei nada — apressou-se a dizer. — Só que ele não fez a mesma escolha... Quando estávamos no terceiro semestre da faculdade, ele usou um dos meus vírus e invadiu o banco de Starling City — as memórias agora a invadiam com força: — Ele esvaziou várias contas bancárias — riu, sem humor: — Mas ele não era tão bom quanto eu e deixou rastros — mexeu no próprio cabelo: — O FBI acabou o encontrando e por consequência, me achando — suspirou. Pela primeira vez, ela teve coragem para encarar Oliver e ficou frustrada ao perceber que o olhar dele era vítreo, não mostrava muito.
— E o que mais? — Ele questionou, o olhar sério.
— Uma certa tarde, um Agente bateu na nossa porta e prendeu nós dois — aquela foi uma época sombria. — Aquele vírus era meu, era claro que eu seria acusada — procurou pela mão dele mas teve medo dele rejeitar seu toque, ela não sabia como reagiria se ele o fizesse: — Eles tinham uma baita equipe no setor Cyber — comentou, lembrando que como seus técnicos descobriram quem realmente havia usado o vírus. — Quando Cooper invadiu o banco, ele liberou uma mensagem na Dark Net se autodenominando "Gemini". Na mensagem, ele falava sobre bancos corruptos e sobre como as riquezas eram mal dividas não só aqui como eu todo mundo — suspirou: — Acontece que o FBI era melhor, e acabaram o achando — explicou. — O dinheiro foi devolvido para os donos de direito e para não ser presa, eu concordei em testemunhar contra Cooper — falou. — Durante o julgamento, ele me ameaçou — sentiu Oliver ficar tenso. — Prometeu que me encontraria — foi sincera. — Mas os anos passaram, ele foi preso em uma cadeia de segurança máxima e nunca voltou.
Finalmente encontrou a coragem necessária para encarar seu namorado. Ele estava sério, bem sério, seu olhar era claramente perturbado, transfigurado em algo que ela foi incapaz de compreender muito bem. Oliver a encarou e murmurou:
— Preciso de um pouco de ar — desviou seu olhar. Ele levantou, sendo seguido por ela que murmurou:
— Oliver, me desculpa! — Implorou, segurando a mão dele, que soltou-se dela. Ao ver a decepção e a dor nos olhos dele, sentiu como se tivessem enfiando uma adaga em seu coração, ofegou, tendo vontade de chorar e o encarou. — Por favor — colocou a mão sobre o peito, tentando impedir que a dor se espalhasse por seu corpo.
— Eu realmente não... — respirou fundo. O que mais o incomodava foi aquela sensação de que ela não confiava nele, de que não sentia que podia confiar nele verdadeiramente. — Você não confiou em mim Felicity — sussurrou. Seus olhos azuis agora eram vazios, não pareciam refletir nada. — Podia ter me contado isso há tanto tempo! — Riu, os olhos marejados.
— Eu contei, é isso o que importa, não é? — Ela questionou, tentando muito se manter inteira ali. — Não foi falta de confiança — jurou.
— Não é o que pareceu — afastou-se dela, a decepção visível em seu olhar. — Com licença — deu de costas, pegou a chave do carro e saiu sem dizer mais nenhuma palavra sequer.
Ela estremeceu ao ouvir o som dele batendo a porta e ficou ali, parada, de pé, pelo que pareceram eras. Sua mente parecia ter sido desligada de seu corpo, o qual não aparentava estar disposto a se mover. Piscou, uma, duas, três vezes e então olhou em volta. A casa estava vazia, ela não conseguia ouvir nenhum som, a não ser a dos seus batimentos frenéticos e desesperados.
Seus lábios secaram, o aperto contra seu diafragma tornou-se mais intenso e ela não conseguiu manter-se de pé, apoiou-se no sofá e abraçou a si mesma com força, tentando diminuir aquela sensação que lenta e cruelmente lhe tomava o corpo, a alma. Aquele torpor fora gradualmente substituído por uma sensação agonizante, ela jamais pensou que algo pudesse a machucar tanto quanto aquilo. Era ridículo, na verdade. Todos diziam que não era bom se apegar, que o amor deixava as pessoas vulneráveis mas naquele momento ela não dava a mínima para o que eles tinham a dizer.
A verdade era que só agora, com ele, ela aprendera o que realmente era o amor de verdade, daquele tipo pelo qual você luta, que você sempre coloca em primeiro lugar, independente de qualquer coisa, e sentia que podia estar o perdendo, para sempre... As lágrimas finalmente caíram livres por seu rosto e ela percebeu que realmente não ligava se parecia frágil, pois era exatamente assim como se sentia por dentro. Só naquele momento compreendeu pelo que sua mãe passara quando seu pai a abandonou e deixou aquela sensação a dominar, a acolhendo em seu peito.
Oliver dirigia pela rodovia central, suas mãos pressionando o volante com uma força desnecessária, seus olhos duros, intensos. Ele podia ouvir o som da chuva caindo sobre o veículo e seus pensamentos estavam vagando por todo o tipo de coisa.
Muitas coisas haviam mudado naqueles últimos três meses, ele havia mudado. Antigamente, seria incapaz de deixar que alguém entrasse em sua vida, não conseguiria viver com as dúvidas que o cercavam. Até que ela surgiu, como um anjo vindo do Céu, o arrancou da mais profunda das escuridões, tirando daquele mar sombrio, impediu que ele se afogasse na própria tristeza.
Ele aceitara aquela paixão de braços abertos, aceitara como um cego aceita a luz quando passa a enxergar, a recebera com uma gratidão exultante. Mas agora ele sentia aquele incômodo em seu peito, aquela dor a qual ele tentava ao máximo ignorar, mas que parecia incessável, crescendo como um vírus, que corrói o corpo de suas vítimas. Ele podia ouvir seus próprios batimentos cardíacos e de repente desejou que John ou Tommy estivessem ali, para a ajudá-lo.
Desde que a conhecera, sabia que Felicity mudaria sua vida para sempre, algo o gritou no momento em que ele pôs os pés naquele escritório, agora, meses depois, ele se deu conta do quão absurdamente correto ele estava. Quando ela o contou tudo, toda aquela verdade que o escondera, ele sentiu-se traído, como se tivesse sido apunhalado pelas costas. Ele, fechado como era, a contara tudo! Seus erros, suas falhas, ele se abrira com ela como jamais fizera com ninguém antes e perceber que ela não fez o mesmo foi o que mais o doeu.
Tente entender, Oliver. Sua consciência sussurrou, ao pé de seu ouvido. Cada um tem suas próprias limitações, seus próprios demônios, você, mais do que ninguém, deveria saber disso. A mesma prosseguiu. Ele esmurrou o volante e parou o carro no acostamento, frustrado. Apoiou a cabeça no volante e fechou os olhos, tentando ao máximo controlar aquela sensação que queimava em seu peito.
Saiu do carro e não se importou com a chuva que começou a molhar seu corpo. Andou pelo acostamento, sem rumo. A chuva caía por sua cabeça, molhando suas roupas e seu corpo, ele sentia frio, mas aquela sensação que queimava em seu peito era ainda pior. Ele não queria desistir daquilo, mas também não sabia como as coisas seriam depois de descobrir que ela estava ocultando coisas dele.
Ele sentia-se preso em um labirinto, sem saber que caminho seguir, que rota percorrer. Sem ela, ele perderia a luz, a felicidade. Você sabe que vocês podem dar um jeito nisso. Sua consciência manifestou-se novamente. No fundo, ele sabia que a mesma tinha razão, ele podia ajeitar aquela situação e queria tanto... Mas tanto! Queria correr e abraçá-la com toda a força, mas tinha tanto medo de que ela não o confiar seus segredos, tinha medo de não ser o suficiente para ela.
Você a ama. Sua consciência sussurrou. Acha mesmo que será capaz de simplesmente apagar todos esses momentos? Ele sabia qual era a resposta para aquela pergunta, não adiantaria mentir para si mesmo. Sabia que seu coração era dela, e sempre seria... Aqueles sentimentos conflitantes ainda reinavam em seu peito, ao mesmo tempo, a decepção e a gratidão... Mas de uma coisa Oliver tinha certeza: Ele amava Felicity Smoak.
...
Felicity despertou com o som de alguém abrindo a porta. Abriu os olhos, sendo cegada pela luz artificial, e levantou-se. Oliver estava parado na porta, completamente molhado, tremendo de frio. Seus dentes batiam um contra o outro, sua blusa estava molhada no corpo, marcando cada parte do adome dele.
— Oliver — ela sussurrou, sentindo aquele buraco reabrir-se em seu peito. Ele a encarou, uma grande batalha ocorrendo em seu peito. Ele precisava dela, tanto quanto necessitava do ar que respirava, queria-a mais do que qualquer outra coisa. Ela havia sido sua salvação, o arrancara daquele Inferno, e além de qualquer outra coisa, o ensinara a viver novamente.
Os olhares se encontraram e ele viu todas as suas muralhas desabaram bem diante de seus olhos. Viu todos os seus medos, seus receios, sumirem como se jamais tivessem existido.
A jovem se surpreendeu ao vê-lo movendo-se com rapidez pela sala. Subitamente, os lábios dele estavam contra os seus em um beijo desesperado, repleto de angústia, amor, paixão e desejo. Ele sentiu o calor da lareira aquecendo seu corpo e a apertou contra si.
As mãos dela desceram pela blusa molhada, sentindo as diferenças de temperatura entre a mesma e a pele dele. O casal pôde ouvir o som da chuva caindo do lado de fora conforme ele mordiscava o pescoço da loira, que gemeu diante do toque.
Ele apertou a cintura dela e sentiu aquele desejo primitivo crescer dentro de si. Suas mãos prenderam-se aos cabelos loiros dela, sentindo a textura dos mesmos e o contato frio da água no corpo de Felicity fez com que ela se arrepiasse. Ele abaixou uma das alças do vestido dela e criou uma trilha de beijos no vão de seu pescoço, fazendo-a fechar os olhos. Ele desceu a outra alça e a jovem sentiu o vestido escorrer por seu corpo, caindo no chão.
Ele se afastou dela e a analisou, encantado com o quão bela ela ficava sob a luz vermelha do fogo que esquentava os corpos. Ela aproximou-se dele e tirou a blusa de Oliver, jogando-a em um quanto qualquer. Aproximou-se, o encarando, e o beijou no ombro. Sentiu a mão dele contra suas costas e estremeceu. Ele alisou a região, subindo lentamente, a causando uma expectativa quase surreal. Oliver desabotoou o sutiã e jogou sobre o sofá, puxando-a para si novamente.
A pele dela contra sua, seus seios túrgidos encostando em seu peito, o fizeram querer mais, bem mais. O toque dela era quente, alastrando um fogo suave por cada terminação nervosa de seu corpo e ele apenas queria mais. Ele tirou os sapatos, jogando-os para trás enquanto fazia uma trilha pela linha da coluna de Felicity, que desabotoou a calça de Oliver sem nenhuma cerimônia. Só o que queria era tê-lo mais perto. Ele a ajudou a tirar as próprias calças e as jogou para outro canto.
O rapaz a puxou para si, seus lábios unidos novamente aos dela, que entrelaçou suas pernas na cintura dele. Felicity sentiu a ereção de Oliver contra sua intimidade e agarrou-se ao rapaz, que a segurou pela cintura, deitando-a cuidadosamente sobre o tapete incrivelmente confortável da sala. Mordiscou novamente o pescoço de Felicity, que respondeu ao toque, sentindo seu corpo praticamente exigir pelo dele. Ele podia sentir o calor intenso da lareira, podia ver a claridade dos raios do lado de fora da casa, e então ouvia os trovões que imperavam sem medo.
Criou uma trilha de beijos pelo vão dos seios dela, que fechou os olho e tensionou diante dos toques incrivelmente íntimos. Seu corpo já não parecia estar ligado a sua mente, e só o que ela queria era tê-lo ainda mais perto. Oliver aproximou-se do umbigo, e desceu até uma região perigosamente excitante. Voltou a unir seus lábios aos dela enquanto tirava a calcinha rendada que ela usava, fazendo questão de dedilhar as coxas grossas de Felicity, que agora sentia-se em estado de torpor.
Ela sentia seu corpo inteiro implorar por ele, em uma necessidade quase que absurda. Ela o queria, muito. Sentiu eletricidade percorrer cada terminação nervosa existente em si quando ele desceu seus lábios por outras regiões do corpo dela. Beijou-lhe um dos mamilos, fazendo-a se contorcer na cama. Mordiscou o mamilo, com delicadeza, arrancando um gemido languido dos lábios de Felicity.
Ela arqueou o corpo para frente, tentando tornar o contato mais intenso, porém, ele permaneceu com os movimentos leves. Ele passou a língua pelo mamilo lentamente e depositou outro beijo na região.
Com um sorriso, ele desceu os lábios pela barriga da loira dando alguns chupões na pele dela, que sentia o corpo em chamas diante daquela aproximação.
Soltou um gemido alto ao sentir os lábios de Oliver contra sua intimidade. Cada terminação nervosa de seu corpo pulsou ao senti-lo contra seu clitóris. Jogou a cabeça para trás, sentindo todo seu corpo agir por contra própria. Ele chupou-lhe a intimidade, sentindo sua ereção aumentar ainda mais. Passou a língua lentamente, enquanto gemia ainda mais alto. Ela agarrou-se aos carpete, sentindo seu corpo pulsar exigindo por mais. Os movimentos da língua dele tornavam-se cada vez mais intensos, e ela mordia o lábio inferior sentindo seu corpo pegar fogo. Jogou o corpo para frente, tentando intensificar as sensações, os toques dele.
Aquela eletricidade, aquele impulso, tornaram-se ainda mais intensos e todo seu corpo parecia apenas ter ganhado vontade própria. Ele se deliciou ao ouvir os gemidos languidos de Felicity ecoando pela casa, o fogo da lareira fazendo-a ficar mais linda do que antes. Seu corpo reagindo ao dele, em um impulso quase famigerado, ela mordeu o lábio, tentando não se deixar levar, mas o mesmo parecia falar mais alto. Sentia o intensificar os movimentos de sua língua contra seu clitóris e já não conseguia mais respirar. Seu corpo respondia sozinho, como se já conhecesse cada toque dele.
Ela sentiu aquele formigamento começar e sentiu suas entranhas se contraírem e aquela deliciosa sensação tomou seu baixo ventre, enviando, por todo seu corpo, pequenas descargas de dopamina. Ela soltou um gemido alto, incapaz de se conter mais e sentiu seu corpo relaxar, aquele prazer indescritível ainda percorreria suas vezes e ela sentiu os lábios dele contra seu pescoço.
Agarrou os cabelos dele ao perceber que agora ele estava completamente nu e quis implorar para que ele fizesse algo. Abriu mais as pernas, movendo seu quadril em direção ao dele, em um pedido silencioso. Ele a beijou no ombro, desceu a mão pela pele macia, disposto a decorar cada parte daquele corpo ao qual ele tanto amava. Logo, ela o sentiu penetrando-a a soltou um gemido. Aquilo foi bem mais do que ela esperava.
O calor do fogo, o som dos trovões, os raios que brilhavam com intensidade do lado de fora, os seus corpos unidos... Ela já havia tido outros homens, mas aquilo foi sem dúvida uma sensação que ela incapaz de descrever. Era como se sua alma pulsasse pela dele, em um desespero silencioso, como se as duas fossem velhas conhecidas que finalmente conseguiram se encontrar. Ele sentou-se, e permitiu que Felicity se movesse. Sentiu uma entrega completamente diferente das outras, como se tudo dentro dela o pertencesse... Como se ela fosse dele de corpo e de alma, como jamais fora de qualquer outro homem.
Felicity elevou o quadril e desceu novamente com suavidade, sentindo-o preenchê-la perfeitamente. Ele soltou um gemido diante do contato e apertou a cintura, ela o beijou o ombro, segurou seus cabelos e repetiu a mesma ação. Seu corpo e o dele pareciam se encaixar com perfeição, como se tivessem sido moldados um para o outro. Ela não queria apressar as coisas, queria apenas o sentir tão perto quanto naquele momento. Era como se aquele fogo das chamas penetrasse em sua alma, conforme um novo tipo de amor surgia em sua alma, indo para superfície em um salto quase absurdo.
Ela elevou o quadril e desceu novamente, dessa vez com mais força, fazendo-o gemer novamente contra os lábios dela. Ambos tinham os olhos fechados e Oliver sentia seu coração pulsar quase que como se conhecesse o dela. Sentia a pulsação dela, que era iluminada pelos raios que brilhavam intensamente do lado de fora. Ele nunca sentira algo tão intenso quanto aquilo antes, quase como se tivesse esperando por aquilo sua vida toda. Seu coração parecia ter reconhecido o dela e Oliver sentiu como se tivesse nascido para amar aquela mulher, como se aquele fosse estivesse predestinado a ser dela, completamente.
Felicity repetiu a ação novamente, de de novo, os gemidos altos e intensos ressoando pela casa, os corpos colados, quentes, implorando por mais. Ela apertou seu aperto contra o corpo dele conforme o sentia estocar novamente e seus gemidos tornaram-se ainda mais altos, seus olhos fechados, se entregando ao sentimento mais profundo que ela já provara.
Os gemidos tornaram-se mais altos e ele sentiu todo seu corpo responder ao prazer, gozou chamando por ela. Instantes depois, a loira sentiu todo seu corpo pulsar, mordeu o lábio conforme um segundo orgasmo dominava seu corpo. Ela relaxou no abraço dele, sentindo-o ainda dentro dela.
— Oliver — ela murmurou, depois de alguns segundos. Ele saiu de dentro dela, fazendo-a fazer uma careta diante da ausência. A loira aninhou-se no peito dele e murmurou, fazendo desenhos ali: — Eu te amo — fechou os olhos, sentindo-se incrivelmente confortável.
Ele sentiu o efeito das palavras e não teve dúvidas:
— Eu também te amo, meine liebe.
...
Caitlin colocou um de seus vestidos prediletos e viu seu reflexo no espelho, prendeu os cabelos e colocou um par de rasteirinhas confortável. Desceu as escadas e sorriu ao ver Tommy no sofá, dedilhando alguns papeis. Ele estava começando a aprender braile e aquilo a deixava extremamente animada!
— Oi — ele murmurou, colocando os papeis sobre a mesa de centro e abrindo o sorriso mais lindo que ela vira.
— Oi — ela sentou-se em frente ao piano e voltou-se para o rapaz. — Você está vendo os papeis em braile?
— Sim — ele se moveu um pouco, parecendo saber exatamente onde ela estava. — Obrigado por me ajudar — passou a mão pelos cabelos em um ato tímido, fazendo-a sorrir.
— Não precisa agradecer — foi sincera.
— Você passou mais perfume do que o comum, vai sair? — Perguntou, tentando fingir desinteresse.
— Não — ela riu.
— Depois que você encontrou seu ex-namorado achei que o daria uma segunda chance — foi sincero. Ela revirou os olhos e sussurrou:
— Não, não vou dar — apoiou a cabeça na mão e quis muito o tocar.
Tommy levantou-se, pegando sua bengala, e tateando em volta. Logo, encontrou o piano, sentando-se no banco que vinha acoplado ao mesmo. Procurou pela tecla certa e Caitlin ficou espantada ao reconhecer a música em seus primeiros acordes. Os sons de "Over You", de Ingrid Michaelson com A Great Big World invadiram o recinto e ela fechou os olhos, deixando que as notas adentrassem em sua mente.
Aquela música era a descrição perfeita de como ela se sentia, era como se estivesse caindo, constante, e ele estivesse sendo a razão daquela queda; mas, por alguma razão, ela não tinha medo da altura, não daquela vez. Dessa vez, Tommy não errou uma nota sequer, parecia saber exatamente aquilo o que seu coração parecia querer gritar. Ele tirou as mãos das teclas e molhou os lábios.
— Você toca muito bem — ela murmurou. O rapaz hesitou um pouco, mas não conseguiu controlar-se, precisava tocá-la, de alguma maneira. Aquele sentimento queimava em seu peito, ardendo, deixando-o em carne viva, mas não machucava, não doía. Ele passou a mão pelos cabelos dela, desceu pela bochecha, sentindo a textura da pele, não conseguia vê-la, mas sentia como se seu coração já conhecesse o dela.
Caitlin sentia seu corpo todo exigir pelo dele, mas permaneceu parada, conforme os dedos dele traçavam uma linha por seu maxilar. O oxigênio ao redor deles tornara-se rarefeito. Ele passou o polegar pelo pescoço da jovem, fazendo-a fechar os olhos e se aproximar mais do toque. Tommy sentiu sua pele coçar, numa ânsia por maior contato, beijou-a no bochecha, seu coração parecendo inflar em seu peito, incontrolável, retumbando com uma força surreal.
A deu outro beijo, mais próximo dos lábios e fechou os olhos, inalando aquele perfume que tanto adorava. Seu corpo parecia reagir ao dela, como uma chama que reage ao álcool, ao oxigênio. Ela sentiu os lábios dele nos seus e então, o mundo simplesmente parou. Seu coração pulsou, aliviado, como se esperasse por aquele contato há milênios.
Ele a puxou pela cintura, sua boca tomando a dela faminto, quase como se quisesse aquilo bem mais do que imaginava. Caitlin enlaçou o pescoço dele com os braços e simplesmente se deixou levar belo beijo pelo qual tanto esperara.
...
Felicity ouviu o som do telefone residencial da casa tocando e correu para atendê-lo.
— Alô? — Perguntou, mordendo o lábio inferior. Ouviu um chiado do outro lado da linha e em seguida, ouviu apena suma canção macabra tocando ao fundo, conforme uma voz modificada por computador dizia: — Eu vou te achar, Felicity Smoak... De um jeito, ou de outro.
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