Notas iniciais
Hey gente, tudo bem? Como eu havia prometido, aqui está o capítulo de vocês! Ele ficou grande e potencialmente perigoso para minha pessoa, mas eu não ligo ashuahsahsu. Eu respondi 99% dos comentários do capítulo passado e agora seria fiel a quem comenta tentando responder o mais rápido possível! Bem, espero que gostem do capítulo!!

I will never let you fall
I'll stand up with you forever
I'll be there for you through it all
Even if saving you sends me to heaven
Cause you're my, you're my, my true love, my whole heart
Please don't throw that away
Cause I'm here for you
Please don't walk away and,
Please tell me you'll stay, stay

Your Guardian Angel — Red Jumpsuit Apparatus

***

Três meses haviam se passado. Eram treze semanas em que Thomas Merlyn vira sua vida mudar completamente. Era engraçado, e irônico, na verdade. Muitas coisas podiam acontecer em um espaço tão curto de tempo e agora ele via aquilo bem diante de seus olhos.

Há dois meses, Tommy decidira se dar uma nova chance. Ele precisava seguir em frente, tentar mesmo diante de tudo que acontecera, diante das perdas que sofrera, ele encontrou forças e coragem para ir a diante com aquele que tornou-se um dos sentimentos mais fortes que já provara.

Antes, ele era incapaz de ver o que Caitlin tornara-se em sua vida, mas agora tornara-se tão vívido e claro quanto água. Ela o dera um propósito quando ele acreditara ter perdido o mesmo nas chamas da dor. A morte havia o arrancado Laurel, mas não tirara dele a chance de seguir em frente.

Caitlin acalmava as contantes tempestades que ocorriam dentro de sua alma, o tirava os medos e ele não sabia exatamente como. Tommy sempre procurou por um sentimento como aquele e jamais o encontrara, nem mesmo com Laurel e agora ele o tinha, gritando bem diante de seus olhos, com uma força bem maior do que ele esperava.

Ele tentou negar a verdade para si mesmo, mas agora, ali, ele sabia que seria impossível viver longe dela. Caitlin o curava pouco a pouco, tão suavemente, e ele sentia-se grato por ela estar ao seu lado, por ela ter entrado em sua vida justo quando ele mais precisou de sua ajuda.

Há dois meses ele decidiu recomeçar. Ele tinha duas opções, viver o resto de sua vida imaginando como tudo poderia ter sido ou seguir em frente, tentar ser feliz, e ele sabia que queria aquele sentimento para si, não queria estar preso a seu passado, que agora mais do que nunca ficava para trás, e ele sequer tinha vontade de acessar.

Agora, ele tinha Caitlin Snow ao seu lado de forma completamente diferente de antes. Ele ainda lembrava do perfume que ela usava no primeiro encontro que ambos tiveram, lembrava de como era sentir o calor da pele dela, a maciez de seus lábios. Agora ele já não se imaginava sem aquilo. Ele percebia que uma vida sozinho jamais o faria completo, jamais permitiria que as feridas que ele carregava dentro de si se curassem. Ele recordou-se do que Oliver o dissera uma vez, durante a faculdade: Há uma diferença entre viver a apenas... Existir. Aquela era a mais pura verdade. Após a morte de Laurel, a vida de Tommy foi baseada em apenas existir, como um fantasma perambulando ao redor, ele foi incapaz de ter uma vida de verdade, mas agora tudo mudara.

Caitlin havia o mudado de uma maneira que ele jamais pensou que poderia ser mudado, ela o havia o salvo de si mesmo, dos demônios que ele criara em sua mente. Agora, dois meses depois, eles estavam juntos e ele não poderia sentir-se mais completo.

— A janta está pronta — Caitlin disse, colocando um prato de filé mignon sobre a mesa, junto com o arroz e a batata frita. Um sorriso pintado em seu rosto de traços suaves, em seu dedo anelar, uma aliança prateada com uma pequena pedra rosa.

Nem em seus sonhos mais selvagens ela esperava sentir-se tão feliz como naquele momento. Lembrou-se do pedido de namoro e sorriu, ajeitando uma mecha de seu cabelo. Havia sido há dois meses atrás, no mesmo píer no qual eles foram em seu primeiro encontro, ela não esqueceria aquilo, nunca.

— O cheiro está ótimo — ele sorriu, tateando em volta. Ela o ajudou a ir em direção à cadeira e os dois sentaram-se à mesa. — O que é?

— Filé mignon e batata frita — ela respondeu, colocando comida no prato dele. — Talvez tenha ficado meio salgado — fez uma careta, experimentando o bife e sorrindo ao ver que o sal havia ficado no ponto.

— Está delicioso — ele garantiu. — Você é uma excelente cozinheira — a lançou um sorriso doce.

— Obrigada — ela corou diante do comentário e comeu mais um pouco, observando-o. — Vai para a empresa amanhã?

— Acho que sim — ele deu de ombros, comendo mais. — Er... — ele colocou os talheres sobre o prato e respirou fundo. Havia tanto que ele queria a dizer, tanto que a jovem tinha o direito de saber... Ele só não sabia exatamente como a dizer.

Ele já sabia da verdade, sabia muito bem. Thomas Merlyn amava Caitlin Snow, mas falar isso em voz alta, mesmo depois de dois meses de namoro, parecia ser algo incrivelmente difícil. Tommy sabia que faria qualquer coisa por ela, que iria até os confins da Terra para a provar a profundidade e intensidade daquele sentimento que já ia além de qualquer outra coisa que ele sentira antes.

Era engraçado ele sentir algo tão profundo e forte por uma pessoa que ele conhecera durante o pior momento de sua vida. Ela entrara em seu mundo quase como um anjo que lhe arrancava os medos, que o afastava daquela dor outrora tão latente. Caitlin havia sido seu talismã, sua salvação. Entretanto, parte daquele medo ainda reinava ali, assombrando-lhe e ele não podia mais permitir que aquilo acontecesse, ela era bem mais do que ele jamais pensou que seria. Caitlin era sua luz.

Ele não tinha dúvidas de que queria passar o resto de sua vida ao lado daquela que era a melhor coisa que lhe acontecera em muito tempo. Tommy sabia que aquele sentimento perduraria por tanto tempo quanto fosse possível. Ele sabia que iria amá-la até seu último suspiro, até que não houvesse mais vida em seu olhar.

— Eu... — respirou fundo, sentindo uma extrema dificuldade de a dizer tudo que queria, que queimava em sua garganta. Ela o observou, colocando sua mãos obre a dele enquanto esperava, ansiosamente. A jovem não sabia ao certo o que ele a diria, mas tinha suas desconfianças. — Eu amo você — ele disse, sentindo alívio percorrer cada célula de seu corpo. Ela sentiu seu próprio coração acelerar violentamente e sorriu. Caitlin esperava por aquelas palavras há tanto tempo! Agora sentia aquela alegria quase incontrolável percorrer cada parte de seu corpo, um sorriso reluzindo em seu rosto:

— Eu também te amo — fez carinho no rosto dele, sentindo a barba por fazer pinicando sua mão. — Muito — garantiu.

Ele sorriu, sentindo, novamente, aquele amor o curar. Pôde ver, pela segunda vez, mesmo no escuro, aquele sentimento o chamando.

...

Três meses se passaram desde que Felicity descobrira sua gravidez. Ela apoiou a mão sobre sua singela barriga e sorriu, penteando os cabelos. Sentiu a maciez dos mesmos e respirou fundo, encarando seu reflexo no espelho. Aqueles meses haviam sido, definitivamente, os melhores de sua vida.

Felicity nunca pensou que podia ser tão feliz, mas agora via-se enganada. Aquela criança que crescia dentro dela a fez perder todas as preocupações e medos, fez esquecer da ameaçava que pairava sobre ela e seu namorado. Ela podia sentir, mesmo sem conhecer aquele serzinho, o amor crescendo em seu peito, agora mais forte do que nunca. Ajeitou a alça de seu vestido branco e saiu do banheiro descendo as escadas. Oliver estava na cozinha, fazendo o almoço, ele usava apenas uma calça de moletom preta, seu corpo ainda mais chamativo sob a luz do Sol.

— O que tem para comer? — Ela perguntou, expiando. Uma das várias coisas que havia mudado era seu apetite, que agora era praticamente insaciável. Felicity comia praticamente tudo que via pela frente e sentia que Oliver não fazia o menor esforço para impedi-la. — Uau, isso tem um cheiro muito bom! É muito estranho um homem do seu tamanho saber cozinhar, sabia? Quero dizer, obviamente você tem muitos talentos pelos quais eu não estava esperando, mas isso já é demais para o meu gosto, por isso todas as mulheres da empresa ficam te secando — fez uma careta e parou de falar. Olvier abriu aquele sorriso que ela tanto amava e murmurou:

— E eu não quero nenhuma delas — garantiu, desligando o fogo. — Vamos comer — falou, levando as panelas para a mesa. Ela bateu palminhas, sentindo-se esfomeada novamente.

Eles sentaram-se à mesa e ela começou a comer o almoço sentindo o gosto delicioso do mesmo, seus enjoos haviam parado há algumas semanas e agora ela finalmente conseguia comer em paz, o que era a razão de toda sua recente animação.

— Amanhã temos outra consulta pré-natal — ela disse, animada: — Se tudo der certo poderemos saber o sexo bebê e poderemos dar a notícia para o pessoal — ela disse, bebendo um pouco de suco.

— Acha que eles ficarão bravos por não termos contado antes? — Oliver questionou, receoso. Ele e Felicity optaram por não contar para as pessoas sobre a gravidez antes do término do primeiro trimestre, pois sabiam dos riscos durante aquela fase da gestação.

— Acho que eles entenderão — ela murmurou, tentando soar confiante, mas não teve certeza de que atingiu seu objetivo. A jovem apenas não queria que todos se animassem, ainda mais durante os primeiros três meses, os quais eram bem complicados. Agora que ela sabia que sua saúde e a do bebê eram perfeitas, sabia que podia os contar sem medo.

— Espero que Tommy não fique bravo comigo — ele falou, olhando para a baixo, mas no fundo sabia que ele entenderia a razão de ambos não terem contado nada antes.

— Ele não vai ficar bravo com você — ela disse, soando confiante. — Podíamos jantar fora! Nós quatro — ela disse, animada. Quis quicar na cadeira mas Oliver teria um treco se ela fizesse aquilo: — Eu uso um vestido largo, assim ela não irá perceber — disse, o lançando um olhar adorável.

— Você quem manda — disse, a lançando um sorriso: — Agora coma — mandou, apontando para o prato. Ela revirou os olhos e continuou a comer, bebendo um pouco mais do suco que ele fizera.

...

Oliver sorria ao encarar John Diggle, que tentava ao máximo não expressar seus sentimentos. Poder ver toda a evolução que seu paciente fizera durante aqueles meses era algo extraordinário. Ele nunca pensou que Oliver poderia crescer tanto, se superar tanto quanto agora:

— Então você será pai — Diggle o lançou um sorriso, não podia mais evitar. Ele tinha que admitir, estava exultante com os avanços de seu paciente, muitos não evoluíam tanto quanto ele. — Deve estar bem feliz — comentou, colocando as mãos sobre as pernas:

— Feliz sequer chega perto de descrever como estou — ele foi sincero. — Ela me fez o homem mais impossivelmente feliz da face da Terra — explicou, sorrindo. — É incrível e ao mesmo tempo incrivelmente assustador — o sorriso em seu rosto de repente sumiu e Diggle percebeu que havia algo de errado. Agora, depois de quase sete meses, ele já podia ver muito da psique de seu paciente, conhecia os medos e temores internos dele:

— O que lhe assusta?

— Ser pai é... Muita responsabilidade — o mais novo explicou: — É outra vida completamente dependente de mim — completou sua linha de raciocínio. Oliver tinha que admitir, ele tinha medo de não conseguir ser um bom pai, de não poder ajudar seu filho ou Felicity.

— Eu sei que realmente pode ser algo assustador — Diggle garantiu, o encarando: — Mas eu vi sua evolução, Oliver... Sei que se sairá bem nesse trabalho — o garantiu.

— Espero que você esteja certo — ele murmurou, apoiando os cotovelos sobre os braços: — Sabe o que é mais interessante? — Questionou, direcionando seu olhar para o terapeuta: — É que ela me consertou, entende? Eu me sinto tão inteiro com ela... Antes eu era fragmentado mas agora me sinto mais completo do que nunca.

Diggle sorriu e encostou o corpo na poltrona. Ele sabia muito bem o que seu paciente estava descrevendo, já passara por isso uma vez e entendia aquela sensação maravilhosa que se apossava dele.

— Nós somos fragmentos, Oliver... E vivemos à procura de outros fragmentos que possam nos completar — o encarou, os olhos castanhos contra os negros: — Quando o encontramos, nada mais é o mesmo — explicou.

...

Tommy e Caitlin estavam abraçados juntos, as mãos dele brincando com algumas mechas de cabelo dela. A jovem tinha os olhos fechados, aproveitando a proximidade com ele. Ela esperava por aquilo há meses, tê-lo ali tão perto era algo de que ela jamais abriria mão.

Ele salpicou alguns beijos pelo pescoço dela, fazendo-a fechar os olhos diante dos toques. Tommy uniu os lábios em um beijo diferente dos outros, repleto de lascívia mas ainda assim, de amor. Ela aproximou-se um pouco mais, sentindo o calor da pele dele contra a sua. O beijo tornou-se mais intenso, exigente, e a mão dele vagou pelas costas dela. Ele apertou a coxa dela com delicadeza e ela sentiu seu corpo retesar, o que não passou despercebido por Tommy.

— Desculpa — ele pediu, afastando-se dela com uma expressão fofa de culpado.

— Tá tudo bem — ela garantiu, xingando-se mentalmente. Não queria que ele se afastasse, sabia bem disso, entendia que o queria cada vez mais perto. Caitlin confiava nele como jamais confiou em nenhum outro homem, sabia da alma boa e gentil que ele possuía.

Ela sabia que queria aquilo e queria com ele, com mais ninguém. Inspirou e expirou, o oxigênio entrando por suas vias aéreas. Tommy era sua definição de sonho, ela o amava e agora mais do que nunca sentia que precisava ser dele, de corpo e alma.

— Vou tomar banho — ela murmurou, dando-o um beijo na bochecha. Ele a soltou, contragosto, e deixou-a ir. Caitlin subiu as escadas da mansão e fechou a porta atrás de si, respirando fundo. Tirou a própria roupa e encarou seu reflexo no espelho. Seus cabelos castanhos caíam em ondas sobre sua pele pálida. Respirou fundo, sentindo a cicatriz no seu lado direito e mordeu o lábio inferior.

Caitlin ligou o chuveiro e entrou no mesmo, sentindo a água quente caindo por seu corpo. Esfregou seu corpo, tentando relaxar. A água caia por seus seios, molhando sua barriga e ela percebeu que seu coração agora batia descontrolado.

Fique calma, Snow! Sua mente exigiu, conforme ela fazia sua higiene pessoal. Mais fácil falar do que fazer! Pensou, batendo o pé no chão. Não acredito que estou discutindo comigo mesma! Revirou os olhos e secou o próprio corpo, enrolando a toalha em volta do mesmo. Escovou os dentes com uma força desnecessária e sentou-se sobre a tampa da privada, respirando fundo.

Okay. Conte até dez. Exigiu de si mesma. Você o ama. Lembre-se disso. Ela pegou um creme com odor de pêssego e passou pelo corpo, tentando ao máximo manter a calma, mas fazê-lo era bem mais difícil do que ela pensara. Ela sabia muito bem o que queria, mas tinha seus medos, suas inseguranças. Oras, as pessoas fazem isso todo dia! Pensou, irritada consigo mesma. Mas eu nunca fiz isso! Choramingou, mentalmente. Era isso o que mais a incomodava, para ser sincera. Tommy com certeza tinha muito mais experiência nisso do que ela, e aquilo era ainda mais estressante.

Você o ama. Ele te ama e te respeita, aquela era a mais pura verdade. Durante todo aquele tempo, ele nunca ultrapassou nenhum limite, e era aquilo o que ela mais amava nele. Caitlin respirou fundo e levantou-se, sentindo suas pernas bambas. Uma descarga de adrenalina percorria todo seu corpo e a jovem tentava ao máximo manter o controle das próprias emoções. Fechou os olhos e saiu do banheiro, sentindo-se acuada.

— Você demorou mais que de costume — Tommy murmurou, enquanto colocava uma calça de moletom. — Está tudo bem?

Ela ficou em silêncio, não conseguia pensar direito.

— Está — respondeu, ao perceber que ele parecia nervoso a espera de uma resposta. Aproximou-se dele, agora seu coração parecia a bateria de uma escola de samba, batendo numa velocidade praticamente surreal. Ela fechou os olhos e desenrolou a toalha do próprio corpo, agradecendo mentalmente por ele não poder vê-la.

Pegou a mão dele na sua e brincou com os dedos calmamente, agora seu coração parecia mais calmo, isso sempre acontecia quando ela estava próxima dele. Guiou a mão dele e respirou fundo, colocando sobre seu coração que agora desacelerava seus batimentos descompassados. Ela pôde perceber a confusão estampada no olhar dele e aproximou-se ainda mais.

— Me beija — pediu, sem delongas.

— Caitlin você... — ela tocou os lábios dele com o polegar e fechou os olhos, aquela paz agora crescendo ainda mais:

— Eu quero fazer isso com você — garantiu. Ela não tinha nenhuma dúvida, preocupação, sabia que era ele, que sempre seria ele. Tommy aproximou-se um pouco mais e tirou a mão de sobre a pele que pulsava. Subiu pelo rosto, sentindo a textura macia da pele. Seu polegar traçou desenhos delicados pela mandíbula, descendo pela linha do pescoço.

Agora, ele sentia seu próprio corpo exigir pelo dela. Tocou os ombros largos, sentiu as clavículas e nós entre os ossos, desceu a mão pela coluna, identificando cada vértebra, sentindo o calor que ela tanto emanava. Podia imaginar, com perfeição, ela em sua mente. Um sorriso formou-se em seu lábio, aquela pintura perfeita formando-se em sua recordação, para sempre ficaria ali.

Ele podia jurar que agora ambos os corações batiam ao mesmo tempo, como numa pulsão sincronizada. Ele a beijou no ombro, deixando rastros de fogo naquela região, e ela abraçou-se a ele, as peles unidas. As mãos dele a descobrindo, conhecendo-a com admiração, cuidado.

Ela o ajudou a chegar a cama e sentou-se. Ele passou o polegar pelos lábios dela, sentindo a textura dos mesmos sobre sua palma. Ele guiou e ela sentiu o colchão confortável da cama de casal sob suas costas nuas. Fechou os olhos com o contato entre as peles, entre os lábios. Ele a deu um beijo na testa, descendo pela bochecha. Ele não podia vê-la, mas tinha a estranha sensação de que conhecia cada parte daquele corpo, daquela alma. Seus lábios desceram pelo caminho entre seus sonhos, suas mãos contra a barriga lisa, sentindo o calor misturando-se ao ar ao redor. A pele da coxa era macia, delicada.

Ele sentia como se soubesse exatamente qual caminho percorrer, que direção seguir. Apoiou-se sobre o cotovelo, salpicando beijos sobre a barriga, encontrando o umbigo, aproximando-se da intimidade de Caitlin, que sentia sue corpo relaxar diante de cada toque, cada aproximação. Seu corpo agora agia por conta própria, sem medo, desejando pelo dele desesperadamente, como se o quisesse há muito mais tempo do que ela se dera conta.

Ele voltou a unir seus lábios dela, sentia como se sua alma pulsasse, clamando para que ele se juntasse a ela. A ausência de sua visão o proporcionou algo superior, sentia tudo com uma perfeição quase assustadora, como se outra parte de si mesmo fosse acessada, como se tomasse vida. O odor dela, o calor das peles, o sabor dos lábios, tudo aquilo o fez sentir algo que ele jamais experimentara antes.

Ela segurou a calça dele, ajudando a tirá-la e quando os corpos chocaram-se novamente, percebeu a ereção do rapaz contra si. Ela inspirou o perfume dele e sentiu-se embriagada com aquele odor, suas mãos passaram pelos cabelos negros e ela pôde sentir aquela confiança aumentando dentro de si, agora gritante. Tommy deixou rastros de beijos por toda a região abdominal e aproximou-se da intimidade da jovem.

Ela mordeu o lábio inferior e abriu mais as pernas ao senti-lo aproximando-se mais de seu clitóris. Jogou a cabeça para trás ao sentindo-o tocá-la naquela região. Seu corpo não estava habituado àquelas informações intensas, incrivelmente prazerosas, fechou os olhos e sentiu seu corpo agir sozinho, quase instintivamente. Ele brincava com o clitóris da jovem, fazendo o corpo dela reagir com sensações que ela jamais provara antes. Ela agarrou-se aos lençóis, gemidos escapando por entre seus lábios. Ele percebeu seu próprio corpo reagir e tirou a própria cueca.

Era incrível, ele não podia vê-la, mas era como se possuísse um mapa que lhe dava acesso completo a cada parte daquele corpo, daquela alma. Ele parou um pouco e sussurrou:

— Relaxe — ela assentiu. Na verdade, sentia-se mais relaxada do que nunca, ali, com ele tão perto. Ela sentiu-o entrar um pouco e fechou os olhos. Ele uniu seus lábios aos dela e terminou de penetrá-la. Caitlin sentiu uma dor suave no seu baixo ventre mas a mesma não chegava nem perto do sentimento que agora crescia em seu peito. Era algo que ia além de qualquer outra coisa que ela tivesse sentido antes. Foi como se seu coração reconhecesse o dele, sua alma, se unisse a dele em um laço eterno. Ela podia sentir aquela sensação crescendo, dominando cada parte de seu corpo.

A jovem nunca pensou que poderia ter acesso a algo tão intenso, tão visceral. Tudo ao seu redor tornou-se subitamente mais colorido, conforme aquele laço apertava-se mais. Tommy pôde jurar ver seu mundo ganhar cor, tons de vermelho, âmbar, laranja, azul... As cores misturavam-se, formando tons vibrantes das mais variadas cores. Ele pôde sentir algo dentro dele pulsar, como se o dissesse que ele havia encontrado o que sempre procurou por todo sua vida.

Eles podiam sentir o ar rarefeito ao redor, as cores unindo-se, como se uma nova vida nascesse ali, os fragmentos unindo-se, formando algo inteiramente novo, real.

— Você está bem? — Perguntou, preocupado. Ela assentiu, com os olhos fechados, sentindo a dor cessar e moveu a cintura para cima, como se pedisse silenciosamente para que ele continuasse. Ele a obedeceu a estocou lentamente, esperando que ela se acostumasse com a sensação. Tommy precisava admitir, saber que ele era o primeiro a tê-la daquela forma era algo simplesmente diferente, maravilhoso... E ele sabia que faria de tudo para ser o único.

Ele a beijou conforme acelerava as estocas, aquela união, aquele enlace, tornando-se ainda mais forte, como se agora nada mais pudesse separá-los. Ela sentia seu corpo relaxar diante dos toques, dos beijos, aquela felicidade crescendo dentro de si, sem aviso. Um sorriso formando-se em seus lábios. Ela não podia esperar por nada mais do que aquilo. Ele movia-se mais rapidamente, seus lábios colados aos dela num beijo repleto de um sentimento que ele sequer era capaz de explicar. Ele sentiu seu corpo pulsar e gozou, respirando fundo.

...

Felicity estava sentada no banco do passageiro, passando a mão por sua barriga sutil, quase invisível.

— Você tem alguma preferência de sexo? — Oliver perguntou, curioso. Ela negou e disse, observando como ele ficava lindo sob aquela luz:

— Não, só quero que seja saudável — respondeu, sinceramente. O sorriso em seus lábios era mais amplo que nunca e ela sentia que podia explodir de tanta felicidade. Finalmente ela e Oliver iriam conseguir descobrir o sexo do bebê! Ela sentia-se completamente extasiada, nas nuvens mesmo. Felicity nunca pensou que pudesse ser tão feliz, mas estava completamente enganada, ele havia a dado tudo que ela sempre quis em uma relação, ele o dera esperanças, mostrara o verdadeiro sentido do amor.

Ele estacionou o carro e os dois caminharam para dentro do hospital, sentando na recepção da área de ultrassons. Oliver sentou ao lado dela e fez um carinho delicioso na mão da jovem, que ainda sentia aquela felicidade percorrer cada parte de seu corpo.

— Felicity Smoak? — Ouviram a voz de Sabrina Moore, a médica que ficara responsável pelo pré-natal dela: — Tudo bem? — Ela perguntou, cumprimentando o casal com um sorriso gentil: — Me sigam — ela pediu.

Eles a seguiram em direção ao consultório médico, as emoções agora misturavam-se de forma confusa, diferente. Ao entrar, a loira foi até o banheiro e tirou suas roupas, usando o avental com abertura para para frente, saiu e lançou um sorriso para seu namorado, que devolveu-o com aquele sorriso de canto que ela tanto amava. A médica ligou os equipamentos e disse:

— Pode deitar — pediu. Felicity obedeceu sem pensar duas vezes. Percebeu, através de sua visão periférica, Oliver aproximando-se. Ele ficou ao lado dela e a deu a mão. A técnica em TI sentiu o gel frio contra sua barriga e voltou-se para o monitor, um sorriso enorme formando-se ao ver a imagem de seu bebê na tela: — Aqui estão os batimentos cardíacos do bebê de vocês — Sabrina disse, aumentando o som.

Era a primeira vez que ambos ouviam aquelas batidas. O coração pulsava numa velocidade absurda, tão rapidamente quanto as asas de um beija-flor. Oliver encarava a imagem atônito, agora mais do que nunca ele teve dimensão do quanto amaria aquela criança, e do quanto amava Felicity por ela ter o dado o melhor presente que um homem poderia querer. Ela era o mais próximo que ele poderia chegar do Céu, e agora ele entendia a profundidade daquele sentimento. O casal sentiu aquele amor mais forte surgir, um amor que ia além de qualquer outra coisa e ela sorriu, encantada:

— Vocês querem saber o sexo? — Ela perguntou, olhando para o jovem de casal que trocava olhares profundos, intensos:

— Sim — eles responderam em uníssono. A médica sorriu e voltou seus olhos para a tela, dizendo: — Parabéns, vocês terão um menino!

Oliver a lançou um sorriso amplo, repleto de gratidão. Ele era grato por tudo, por cada momento. Ela havia o dado a vida que ele jamais soube que queria, mas que o tornara inteiro novamente, que o fizera o homem que ele era hoje, uma pessoa que estava completa, apesar de tudo. Ela acalmava as tempestades torrenciais, abrandava as dores, por Felicity Smoak ele iria até o final do mundo.

...

Oliver entrelaçou suas mãos as de Felicity e abraçou a cintura dela, encarando-a:

— Joseph irá começar a trabalhar amanhã e como prometido, hoje à noite irei entrevistar meu segurança — ele falou brincando com os cabelos dela:

— Ótimo! — Ela aproximou-se do toque, percebendo a lua brilhando singelamente no céu. Ele a segurou com mais força e os dois aceleram o passo em direção ao carro de Oliver. A jovem ouviu seu celular tocando e revirou a bolsa, encontrando-o: — Alô?

— Ora, ora... — ela sentiu seu corpo retesar, reconheceria aquela voz em qualquer lugar, sob qualquer circunstância: — Finalmente consegui te encontrar, Felicity Smoak — Cooper estava do outro lado da linha e sua voz soava mórbida, fria, sem vida: — Não achou que conseguiria se esconder para sempre, achou?

— O que você quer de mim? — Perguntou, tentando manter a calma. Ouviu a risada do outro lado da linha e estremeceu, fechando os olhos:

— Eu quero que você sofra — a última palavra fora dita com uma precisão quase assustadora, fazendo-a colocar a mão sobre a barriga instintivamente: — Olhe em volta, Felicity — ele indicou, sua voz contida, mas repleta de uma maldade latente. — Não me vê?

Ela travou. Percebeu o olhar de Oliver constrito, quase como se ele soubesse o que estava havendo ali. Olhou em volta, a rua era bem iluminada, mas ninguém passava por ela.

— É claro que você não me vê — ela pôde sentir uma pitada de frustração na voz dele. Ouviu passos aproximando-se e virou. De um beco, saia uma figura esguia, não podia vê-lo devido as sombras, mas sabia que era ele, sentia. Estremeceu e segurou-se a Oliver, seu corpo um pouco na frente do dele.

Os passos tornaram-se mais próximos e então ela o viu:

— Te peguei — ela ouviu-o dizer e então finalmente o enxergou. Cooper estava diferente do que ela se lembrava, seus olhos agora pareciam vítreos, vazios, inexpressivos, sua boca contorcida em um sorriso quase que maníaco. — Esse deve ser Oliver Queen... Muito prazer, sou Cooper — disse. Ela arregalou os olhos ao notar a arma prateada na mão de seu ex-namorado e perguntou, gaguejando:

— Como me achou?

— Não foi difícil — ele riu, sem humor: — Usei seu namoradinho — cuspiu as palavras: — Hackeei o celular dele, observei cada movimento, cada conversa — falou, os olhos selvagens, cruéis. Ela percebeu, com sua visão lateral, Oliver movendo-se.

Queen moveu-se lentamente, colocando seu corpo na frente do dela, impedindo que ela tivesse uma boa visão do que estava havendo, ele predeu sua mão ao pulso da jovem, impedindo-a de se mover.

— Agora aqui estou eu — murmurou.

— Cooper, eu sinto muito!

— Sente muito?! Você me fez apodrecer na cadeia por anos! — Ele gritou, e ela percebeu a mão dele movendo-se em direção a Oliver e tentou mover-se, sendo impedida pelo aperto dele. — Agora, você irá pagar caro por isso — garantiu. — Sai da frente dela — ele exigiu, apontando a arma para Oliver.

— Não — o empresário respondeu simplesmente, meneando a cabeça: — Você quer vingança, não é? — Perguntou, calmamente: — Então fique comigo — tentou barganhar.

— O que?! — A loira perguntou, arregalando os olhos. Não podia acreditar no que acabara de o ouvir falar. — Oliver não ouse! — Ela foi interrompida pela voz de seu namorado:

— O melhor jeito de se vingar dela é me usar — ele explicou sua linha de raciocínio. Ele sabia que Felicity dificilmente o perdoaria por aquilo, mas a segurança dela era mais importante do que qualquer outra coisa. — Acredite.

Cooper o encarou, abismado, processando as informações. Felicity não pôde deixar mais nada, quando se deu conta, ouviu o som do tiro ecoando ao redor. Sentiu o oxigênio ser arrancado de seus pulmões quando viu Oliver caindo de joelhos diante dela. A dor que ela sentira foi maior e mais forte do que qualquer outra coisa, lhe tirava as forças. Aquele sentimento corroía seu peito, como um veneno ácido passava por suas veias, comendo seus órgãos vivos. As lágrimas quentes caíram de seu rosto e ela viu, em uma angústia indescritível, o corpo dele colidir no chão.

Um grito escapou de seus lábios, um grito de desespero, de medo. Suas pernas não conseguiram suportar o peso, ela caiu de joelhos no chão, olhando naqueles olhos que agora estavam fechados. O sangue escorria do ferimento e ela sentia como se parte de si tivesse sido arrancada e jogada a quem quer que quisesse fazer proveito. Olhou em volta e percebeu, atônita, que Cooper havia sumido.

— Você vai ficar bem — ela murmurou, colocando as mãos sobre o ferimento no peito dele, tentando fazê-lo estancar. Suas mãos sujas, o sangue quente escorrendo por entre sues dedos, sujando suas unhas. As lágrimas caíam de seus olhos e ela pegou o celular, discando o número da emergência. — Meu namorado foi baleado — ela soluçou, as lágrimas misturando-se ao sangue.

Felicity sentia-se tonta ao ouvir a voz do atendente:

— Senhorita, nós rastreamos a ligação, a ajuda está a caminho — o homem garantiu. Ela sentiu seu peito queimar e falou:

— Não ouse me deixar — pediu, suas mãos sujas com sangue, ela pôde perceber que a pulsação dele era fraca e soluçou: — Não faz isso comigo, pelo amor de Deus! — Seus dentes estavam trincados, seu corpo sobre o dele enquanto ela tentava a todo custo estancar o ferimento: — Eu amo você, eu amo tanto você — murmurou, unindo seus lábios aos dele.

Os minutos passavam e ela sentia como se estivesse a segundos de um colapso nervoso, o sangue ainda escorria do ferimento, sujando a blusa branca, os olhos azuis não estavam a mostra. Felicity sentia-se entorpecida, incapaz de processar o mundo ao seu redor. Sentiu braços ao seu redor conforme era arrancada de perto dele:

— Não! — Se debateu: — Eu quero ficar com ele! — Exigiu, sua voz alta, o desespero era visível na mesma: — Me deixa ficar com ele! — Implorou, seu coração quase em chamas, num ardor insuportável.

— Senhorita, fique calma... Estamos cuidado do seu namorado — o paramédico implorou, ajudando-a a sentar na lateral da ambulância. Felicity não conseguia respirar, sua visão estava turva e ela tentava ao máximo respirar fundo, mas falhava.

Ela viu o corpo de Oliver ser levado para dentro da ambulância, mas as imagens eram rápidas demais e ela não conseguia processá-las.

— Pressão 9.8 — o paramédico disse para o assistente. — Sangramento extenso, a bala perfurou a pele e parece estar alojada no ventrículo direito — ele gritou, enquanto o assistente anotava o quadro. Ela ouviu o som das máquinas e voltou seu olhar para o monitor, no qual apenas uma linha reta fazia-se presente: — Ele está em assistolia! Injete cinco miligramas de epinefrina e me passe o desfibrilador!

O assistente injetou o hormônio na veia de Oliver e o paramédico rasgou a blusa dele:

— Carga de 200 volts! Afastem-se! — Exigiu. Ela fechou os olhos ao ver o corpo dele convulsionar e sentiu aquela solidão, aquele medo, tornar-se ainda maior. — De novo! Afaste-se! — Ele deu outra carga e ela viu, em um desespero surreal, que a linha continuava reta: — Afaste-se! — A linha continuava reta...

Notas finais
Well, vou me esconder nos Alpes e vocês nunca me acharão! Eu queria que vocês falassem sobre o hot que tivemos nesse capítulo, novamente, não sei se ficou bom mas tentei o máximo que pude deixá-lo romântico e real. Queria também dizer que eu já tinha em mente esse sexo pro bebê há algum tempo, já tenho até um nome para ele então decidi por ficar assim mesmo (: Novamente, não me xinguem e amo vocês