Ensina-me a Viver
25 Chegadas e Partidas
Notas iniciais
Now that the weight has lifted
Love has surely shifted my way
Marry Me
Today and every day
Marry Me
If I ever get the nerve to say
Hello in this cafe
Say you will
Mm-hmm
Say you will
Mm-hmm
***
A luz irradiava, queimando seus olhos, as pupilas estavam dilatadas e Felicity sentia a dor excruciante em seu baixo ventre. O suor caía sobre seu rosto e ela podia sentir o aperto de Oliver em sua mão. Berrou de dor e jogou o corpo na cama, enquanto a médica pedia:
— Vamos lá Felicity, empurra! — A mulher exigiu, percebendo a exaustão de sua paciente. A loira sentia o suor quente escorrendo por seu rosto, os lábios de Oliver contra seu ouvido conforme ele sussurrava:
— Vamos lá, meine liebe — ele implorou: — Falta só um pouco! — Falou. A jovem respirou fundo e empurrou com força, um grito gutural escapando por entre seus lábios secos, sua garganta doía e ela sentia a exaustão a dominar:
— Falta só um pouco! — A médica garantiu percebendo a cabeça do bebê. Ela empurrou novamente, sentindo aquela exaustão quase absurda a dominar, a consumir. Ela respirou fundo e empurrou novamente. E então, ouviu um choro estridente e agudo invadir o quarto e percebeu o olhar de Oliver direcionando-se para outro lugar.
— Venha cortar o cordão, senhor Queen — a médica disse, enquanto ele ainda encarava aquela criaturinha que chorava a plenos pulmões. Ele andou, receoso e cortou o cordão, vendo o bebê na sua frente sujo de sangue com os pequenos lábios tremendo. Suas mãos batiam contra o ar de forma não sincronizada. Aquela criança era, definitivamente, a melhor coisa que ele já fizera em toda sua vida. — Segure-o — a médica disse, enrolando o bebê em um cobertor amarelo. Oliver hesitou, mas pegou o bebê em seu colo.
Ele sempre achou que jamais amaria tanto alguém quanto amava Felicity, mas ali, segurando aquele bebê em seus braços, vendo os olhinhos cinza abrindo-se suavemente, ele sentiu um algo indescritível tomar conta de seu peito, era algo maior e mais forte do que qualquer outra coisa que ele vivenciara antes. Foi como se um raio o atingisse bem no peito, incendiando seu coração. Um sorriso formou-se em seus lábios e ele sentiu-se o homem mais feliz e sortudo da face da Terra.
Ele levou o bebê até Felicity, que agora sentia a dor diminuir e cessar.
— Ele é perfeito — Oliver murmurou, entregando-a o bebê com cuidado. Felicity pegou a criança em seu colo e sorriu por entre as lágrimas. Seu coração agora parecia bater mais forte do que nunca, em um sentimento que ela era incapaz de descrever em palavras. Ela contou os dedinhos da mão e do pé, alisou os fiozinhos de cabelo loiros e sorriu ao ver a boquinha dele, em formato de morango, estremecer. Ela pegou os dedinhos e sorriu, beijando a testa da criança. A médica levantou-se e perguntou:
— Vocês já sabem qual será o nome dele? — Oliver sorriu ao vê-la ali, com seu filho nos braços e os olhares se encontraram, a imensidão do mar contra a infinitude do Céu.
— Já sim — ele respondeu, alisando o cabelo da esposa: — O nome dele será Raphael.
...
Felicity sentou no sofá apoiando sua cabeça no ombro de Oliver, que observava seu filho tentando encaixar um quadrado dentro de uma forma circular. O menino agora, com onze meses, era a cópia fiel de Oliver. Seus cabelos loiros caíam em ondas sobre seus olhos incrivelmente azuis, seu nariz fino estava sujo de tinta e apenas dois dentes faziam-se presentes em sua boquinha pequena.
— Papa! — Raphael bateu as mãozinhas no chão e olhou para Oliver, que sorriu para o filho e sentou-se no chão ao lado dele, pegando-o no colo. O bebê colocou seu patinho amarelo na boca e começou a mordê-lo, olhando para Felicity:
— Eu não acho justo que ele tenha aprendido a falar "papa" primeiro! — Ela reclamou, cruzando os braços. — É super fofo e tudo mais, mas e quanto a mim? Poxa vida, eu sou ótima, não sou?! Eu espero que eu seja ótima pois tenho me esforçado muito para ser a melhor mãe possível e...
— Lissy — ele a interrompeu, lançando-a um sorriso. Era a primeira vez em um ano que ele fazia aquilo. — Você é a melhor mãe que alguém poderia querer — ele foi sincero. Ela estava se saindo muito bem e ele sentia-se feliz de ver como ela era excelente naquele papel. — E ele já fala "mama" também — acusou, dando um beijo na testa do filho, que agora finalmente havia encaixado o quadrado no lugar certo.
— Gua! — Raphael pediu, brincando com o botão da camisa do pai.
— Água? — Oliver corrigiu, erguendo o filho no ar, que agora gargalhava e batia as mãos tentando pegar os flocos de poeira. — Vamos lá, garotão! — Ele disse, dando um beijo estalado na bochecha do filho. Felicity sorriu a respirou fundo.
Agora sua vida estava melhor do que nunca. Cooper finalmente havia sido recapturado e estava preso, Slade Wilson continuava atrás das grades onde era seu lugar de direito e ela tinha tudo o que sempre quis. Oliver era o homem dos seus sonhos, na verdade, ela sempre soube disso, mas agora, vendo-o como pai, ela percebeu que não poderia querer nada mais do que aquilo. O seu namorado retornou da cozinha com o filho no colo, Raphael segurava a mamadeira com força como se tivesse medo de perdê-la por ai e sua roupinha estava um tanto quanto suja.
— Mama! — O menino jogou seu corpo na direção de Felicity e ela sorriu, levantando-se e pegando o filho no colo, enchendo-o de beijos. O menino gargalhou e puxou o cabelo de Felicity, que gemeu de dor e tirou as mechas da mão dele. Ela sentou-se no sofá com o filho no colo e respirou fundo, inalando aquele perfume que tanto amava. Raphael, apesar da pouca idade, era uma criança bem decidida quanto a seus gostos. Ele era teimoso demais para quem era apenas uma miniatura de gente e Thea deixava seu filho ainda mais mimado.
Felicity sorriu ao lembrar do batismo de Raphael, há três meses. Ela e Oliver haviam optado por Caitlin e Tommy como padrinhos de seu pedacinho de gente e o menino era louco por Tommy, o chamando, por muitas vezes, de tio. Ela brincava com os dedinhos do menino e analisou as íris azuis como o mar do menino, que agora parecia batalhar contra o sono.
— Tem alguém querendo dormir — ela disse, sorrindo. O menino coçou os olhinhos com a palma da mão gorda e bocejou. Ela levantou-se, começando a cantarolar aquela que era provavelmente a canção de ninar predileta dele. Logo, ele adormecera. — Vou colocá-lo no berço — a jovem murmurou, subindo as escadas do loft. Ela foi até o quarto que outrora era de hóspedes e sorriu ao ver o ambiente ao seu redor.
Três das quatro paredes eram beges e apenas uma fora pintada de azul claro, o berço era branco e sobre ele pendia um mobile que Raphael adorava. Na outra extremidade encontrava-se a cama que o pertenceria quando ele fosse maior. Ela colocou o menino no berço e ele se remexeu um pouco, parecendo procurar uma posição confortável para seu pequeno corpo.
A loira desceu as escadas e se jogou no sofá, sentindo-se exausta. Ela amava seu filho mais do que tudo, mas ele definitivamente a exigia muito, até demais para alguém com apenas onze meses de idade. Ela sorriu ao ver Oliver saindo da cozinha com um copo de suco de laranja nas mãos:
— Tome — ele a entregou e ela sorriu, agradecendo. Ela nunca esperou que ele pudesse ser tão presente como de fato era. O rapaz trocava fraldas, dava banho, mamadeira e por muitas vezes levantava no meio da noite para acalmar seu filho. Ele gemeu ao sentir uma fisgada onde há alguns meses levara um tiro e disfarçou com um sorriso, não queria que ela se preocupasse.
Lembrou-se de como ela ficara depois daqueles eventos e sabia que ela ainda não superara completamente o que aconteceu. As primeiras semanas foram terríveis, ela tinha pesadelos constantes, não dormia direito e ele desejou poder fazer algo para ajudá-la, qualquer coisa. O tempo passou e ela foi ficando melhor gradativamente, mas só então Oliver percebeu como aqueles eventos a machucaram e ele sabe que o contrário também era muito possível.
Ele respirou fundo e tateou a jaqueta de couro que usava, encontrando o que procurava facilmente. Sentiu o veludo pinicar sua mão e sorriu, ajoelhando-se na frente dela:
— Felicity eu... — ele respirou fundo, sem saber certo como prosseguir: — Você foi a melhor coisa que me aconteceu — falou, sinceramente. — E não há um dia que eu não agradeça por tudo que você fez por mim, por todo seu carinho, seu amor... Você quer casar comigo? — Ele questionou, abrindo a caixa de veludo na qual encontrava-se uma bela aliança com uma solitária esmeralda envolta por uma série de diamantes.
— Sim! Claro que sim! — Felicity disse, se jogando nos braços de Oliver que sorriu e beijou a testa dela.
...
— Er... Bem, quatro anos se passaram — Thea sorriu, suspirando: — E é loucura pensar que aqui estamos nós, hoje — ela olhou para o anfiteatro repleto de pessoas e sorriu, pensando no discurso em suas mãos: — E eu... — Ela respirou fundo e amassou o papel ao perceber que o que estava escrito ali não era o que ela tanto desejava falar no seu discurso de formatura: — Hoje é o dia em que nossas vidas irão mudar para sempre — falou, seu olhar percorrendo a plateia. Encontrou Oliver ali, sorrindo para ela e Felicity ao seu lado, trajando um belo vestido preto e segurando seu sobrinho no colo. Ao lado deles, Tommy estava com a cabeça encostada no ombro de Caitlin, que prestava atenção à cerimônia: — Hoje é o dia em que olhamos para fora e percebemos que nada mais será igual — apoiou as mãos na madeira, encarando suas unhas bem feitas: — E hoje mais do que nunca, é o dia em que o resto de nossas vidas irá começar — ergueu seu olhar. — Agora, aqui, eu vejo que nossas vidas são feitas de chegadas e partidas... De idas e vindas. Durante esses quatro anos, eu percebi que a vida é muito mais do que essas paredes — riu, baixo, os olhos lacrimejando: — Nossas vidas repousam no outro, em não em nós mesmos — expirou fundo, o som abafando o microfone: — E que cada pequeno momento, cada sorriso... É precioso — lançou um olhar para Oliver, que agora tinha um olhar circunspecto. — E embora nossa vida seja feita de chegadas e partidas, há pessoas que estarão conosco não importa o que aconteça, pessoas que nos mudam, que são nossa rocha, nosso apoio. Elas estarão em nosso coração... Para sempre.
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