Notas iniciais
Oie... Desejo boa madrugada já com sabor de saudades... Obrigada pelos reviews, pela atenção, apoio e carinho sempre. Vcs são as melhores! Agora vou deixá-las ver o que vem no capítulo... Nos vemos no final... BOA LEITURA!

Deixaram a casa dos Black com a noite finalmente escura. Durante o trajeto de volta Bella se manteve calada aos comentários do pai sobre o quão estranhos eram os machucados de Jacob. O capitão quis saber por ela se o amigo havia lhe segredado o que de fato acontecera ao que – sem mentir – assegurou que não. Se Charlie acreditou, nada disse. Ela por sua vez, ainda cismava com a improvável queda. A seu ver, Jacob havia sido espancado, mas por quem? E por qual motivo?

Caso se permitisse fantasiar, poderia atribuir a ação ao padre. Na cidade ele era o único com motivos para tanto. Jacob não concluiu sua ameaça, mas deixou clara a intenção em delatá-lo. E naquela noite mais cedo Edward não se abalou em momento algum quando lhe alertou sobre a possibilidade de ser exposto; pareceu bastante seguro na verdade. Antes da noite de sábado o consideraria incapaz, agora, porém, não se surpreenderia. Contudo, caso pudesse provar, novamente se questionaria que tipo de vida difícil Edward levava antes de ser ordenado.

Passavam ao lado da igreja durante sua consideração muda; a visão das paredes fantasmagóricas iluminadas pela lua causou um estremecimento de excitação na moça. O padre poderia sim ter sido alguém violento, mas a desconfiança que alimentava seu temor não a incentivava a recuar. Como se não bastasse o gosto pelo proibido, agora lhe atraia a ideia de estar brincando com o perigo. Com a face quente Bella acompanhou seus pais pelo caminho de cascalho até a casa – desejando um dia conhecer a fundo o homem misterioso que amava. Ao entrar se deparou com Rosalie a andar em círculos pela sala. A aflição estampada no rosto da irmã afugentou seus devaneios inconsequentes.

– Ainda bem que chegaram! – ela exclamou tão logo os viu.

– O que aconteceu? – Renée correu para abraçar a filha. – Não está se sentindo bem?

Rosalie esperou que a irmã e seu pai também estivessem próximos para explicar a razão de sua visível agonia.

– James está desaparecido.

– Como? – indagou o pai.

– Tem certeza Rosie? – Bella perguntou sentando-se. – Como sabe?

– Os pais o procuram desde ontem. – falou. – Hoje pela manhã o Sr. Wilson me telefonou para perguntar se ele dormiu aqui em casa e não comentou sobre a desconfiança, mas me ligou agora para contar sobre o desaparecimento.

– Então já comunicaram à polícia? – a mãe perguntou ainda abraçada a filha.

– Sim. – Rosalie confirmou preocupada. – E parece que mais pessoas estão desaparecidas. Três homens estão sumidos desde a semana retrasada.

– Muitas pessoas deixam suas casas e simplesmente não voltam, querida. E isso não significa que algo ruim aconteceu a elas. – Renée tentou animá-la.

– Está querendo dizer que James simplesmente foi embora? – Rosalie se afastou para olhar a mãe de frente. – Isso não faz sentido.

– É uma possibilidade. – Renée deu de ombros.

– Por favor, querida. Vá preparar um chá para Rosalie e deixe que eu converse com ela. – Charlie se dirigiu indulgente a mulher. Á saída da esposa foi até a filha e a fez se sentar. – Não fique assim... Tenho certeza que há algum mal entendido. James deve ter saído para uma pequena viagem a serviço e ter tido algum contratempo.

– E por que não telefonou para os pais?

– Como eu disse, por algum contratempo. – ele insistiu. – Quantas vezes eu mesmo tento manter contato com vocês por celular ou via rádio e não consigo?

– Muitas vezes. – ela murmurou.

– Então! – exclamou. – Não seja alarmista. Wells não é uma cidade violenta, nem seu noivo tinha motivos para ir embora como sugeriu sua mãe... Logo ele aparecerá com uma boa explicação e todos nós vamos rir desse alarde infundado.

As duas moças trocaram olhares significativos. Bella entendia a preocupação da irmã. Também não gostava do noivo imposto, mas não desejava seu mal. Queria vê-lo longe de sua família, porém bem junto aos seus. Sorrindo de forma encorajadora para Rosalie, tentou crer que tudo se desenrolasse como o pai descreveu, contudo algo lhe dizia que não seria daquela maneira. Sexto sentido talvez; ou somente descrença vinda de seu envolvimento semanal com o lado não tão pacato de Wells.

Fosse como fosse, suas suspeitas se confirmavam a cada dia passado sem notícias de James. Na noite de terça Charlie as levou à casa de seus pais para demonstrar sua solidariedade. Estes não possuíam nenhuma novidade; apenas repetiram o relato feito ao telefone para Rosalie e externaram sua angustia pela falta de notícias. No dia seguinte a irmã mostrou conformada, deixando em Bella uma sensação de alívio. Por alguns momentos temeu que ela retrocedesse mil passos ao alimentar algum sentimento de culpa por tê-lo enganado na noite de sábado.

Por sua vez, segregou o desaparecimento a um segundo plano à medida que não conseguiu meios de ir à The Isle para se desligar das apresentações pessoalmente. Em sua ansiedade não conseguia encontrar uma boa desculpa que justificaria seu atraso no retorno das aulas vespertinas uma vez que – sem as caronas de Jacob – era obrigada a voltar de ônibus para sua pequena cidade. Como não pode seguir seu intento de se afastar desde o início da semana, restou-lhe ir à casa noturna na tarde de quinta, depois de sua consulta com a ginecologista.

Já munida com os anticoncepcionais prescritos, ia atrás de sua liberdade guiando a pick up do pai. Conseguira tomá-la emprestada ao alegar que não poderia faltar em sua aula de dança, pois seria uma das últimas; tudo corria à perfeição. Completamente esquecida de James, sorriu para a estrada a sua frente. Apesar de saudosa por não encontrar seu padre naqueles dias, não via obstáculos em seu relacionamento. O único que a preocupava era ele próprio; caso se fechasse em copas mais uma vez Edward seria o pior dos empecilhos.

– Seria muito castigo! – falou em voz alta. Então sorriu num misto de ansiedade e humor negro. Se fosse ser castigada por merecimento Edward nunca mais a olharia, aquela era a verdade. Antes do susto com Jasper não se dava conta, mas diante da ameaça real de ser descoberta, percebia o quanto seus erros e pecados poderiam causar danos irreversíveis junto a todos que amava. Consertaria enquanto era tempo.

Ansiosa, Bella apertou o volante e refreou a vontade de acelerar mais do que a velocidade máxima permitia; dar um fim naquele capítulo de sua vida se tornava urgente. E jamais teria volta. Já havia repassado todas as respostas para todos os possíveis argumentos de Barry e queria colocar o diálogo em prática. Após a conversa, esperava sair da mesma forma amigável na qual entrou, mesmo que não fosse fácil.

Com um suspiro profundo, Bella desejou poder ligar para Alice, porém seu irmão resolvera passar todos os últimos dias de sua folga ao lado da noiva. Com sua presença constante e as obrigações com a faculdade não sobrava muito tempo ou privacidade para conversarem a vontade. A moça já havia perdido as contas de quantos dias não falava com a amiga; nunca precisou tanto de seu suporte quanto naquele momento.

Ao deixar a pick up no estacionamento reservado aos funcionários, por um minuto cogitou atender ao pedido de Jacob, dar meia volta e desaparecer. Tudo seria muito mais simples se nunca mais colocasse os pés naquele lugar. Porém não era uma covarde; entraria e sairia de cabeça erguida. Decidida deixou o carro e seguiu para a porta lateral. Após três toques um dos seguranças a deixou entrar. Daquela vez o ensaio ainda não tinha começado. As meninas deveriam estar se aprontando no camarim. Sem olhar na direção do palco, caminhou até a sala de Barry Reagin. Novamente se valeu dos três toques e esperou.

– Quem é? – ele indagou provavelmente de sua mesa.

– Sou eu. Bella. – em troca obteve silêncio. Estava prestes a repetir seu nome quando a porta foi aberta abruptamente.

– Ora, ora... – o dono da boate exclamou com um sorriso satisfeito. – E não é que é mesmo você! Entre. – pediu dando-lhe passagem. Com um sorriso pálido, ela fez como pedido. Barry fechou a porta e, depois de passar por sua dançarina e se recostar a mesa, perguntou. – Ao que devo a honra de sua visita logo cedo?

– Bom... Vou ser direta. – começou depois de respirar profundamente. – Agradeço pelo tempo que me recebeu aqui. Foi divertido... Consegui algum dinheiro, mas não dá mais para continuar. Hoje vim somente lhe dizer que encerrei com as apresentações.

Ele a ouviu em silêncio com os braços cruzados sobre o peito. Por seu rosto impassível, a moça não conseguia adivinhar o que se passava em seu íntimo.

– Você entendeu o que eu disse? – perguntou por fim, impaciente.

– Entendi perfeitamente. – falou. Ao prosseguir seu tom era um lamento debochado. – Apenas me perguntava como iria lhe dizer que não há a mínima chance de você encerrar qualquer coisa.

– Como disse?! – Bella indagou atônita.

– Foi o que você ouviu. – Barry reinterou. – Não há a mínima possibilidade de você deixar de dançar para mim.

– Desculpe lembrá-lo – Bella falou modulando sua voz para que não tremesse –, mas eu nunca fui uma de suas meninas. Estou aqui por conta própria; sabe disso. Você mesmo me assegurou que eu poderia parar quando quisesse.

– Ah... Isso foi há quanto tempo? – Barry perguntou ao léu, então se respondeu. – Seis; sete meses?... Muito tempo!Que culpa eu tenho por ser volúvel e você ter se tornado uma gostosinha rentável? Já disse que o lucro das noites de quinta é algo considerável?

A cada novo detalhe acerca de suas apresentações via o quanto fora inepta, no mínimo, uma descuidada imbecil. Enquanto sustentava o olhar de Barry, perguntava-se como pôde acreditar na palavra de alguém que vivia da exposição alheia. Friamente nomeando, um cafetão.

– Disse. – Bella ciciou secamente. – Mas sei que esse lucro não fará muita falta.

– Qual é o dinheiro que não faz falta lindinha? – zombou. – E não se trata só do vil metal!... E a diversão? Você não faz ideia de como eu curto anunciá-la, ver nos rostos ansiosos o quanto os homens normais precisam de fantasia... E você dá isso a eles. As outras já estão rodadas, mas você é aquela que eles não podem ter... Que ninguém pode porque é a “Virgem”.

Nunca antes sua condição a enojou como naquele instante. Não importava a forma colocada; ela era tão rodada quanto às outras. Não foi para a cama com nenhum daqueles homens, mas eles a tocavam; pagavam por ver seu corpo. Poderia negar o quanto quisesse, mas no minuto que aceitou ficar, se tornou uma das meninas de Barry.

– Nada disso importa. – retrucou ao encontrar sua voz. – Arranje outra garota e coloque no meu lugar, pois eu não subo mais naquele palco. Como disse, vim somente lhe colocar a par de minha decisão.

– Essa é sua palavra final? – ele indagou inabalável.

– Sim senhor. – confirmou afastando-se em direção à porta. – Obrigada por tudo senhor Reagin. E desculpe o transtorno.

– Sim senhor... Obrigada... Desculpe o transtorno... – Barry parecia se divertir ao imitá-la. – Você é sempre tão educada. Seus pais devem ser bem orgulhosos.

O enregelamento súbito de seu sangue muito quente pela contrariedade a fez travar junto à porta. Com a mão ainda sobre a maçaneta, Bella se voltou. O riso que enviesava os lábios masculinos era sardônico indicando o propósito de suas palavras.

– Sim, eles se orgulham.

– Então seria muito triste para eles descobrirem o que a filhinha tão educada faz nas quintas, não? – indagou descruzando os braços e apoiando as mãos sobre a mesa.

– Não faria isso comigo. – ela murmurou já diante dele, afastada apenas dois passos. – Pensei que gostasse de mim.

– E eu gosto! – Barry afirmou veemente. – Mas entenda que eu sou um homem de negócios então gosto mais de você quando me faz feliz. E veja só que interessante... Enquanto eu gostar de você, seus pais continuarão orgulhosos.

– Está blefando. – Bella arriscou confiante. Sempre tomara o cuidado de não falar sobre si. Barry não tinha a quem delatá-la.

– Não estou, mas talvez você consiga convencer o capitão Swan de que esteja. Pode até dizer que não me conhece, mas saiba que tenho provas. – dando a volta na mesa, Barry se sentou para então retirar uma pasta de sua gaveta. Desta tirou um maço de papéis, pouca coisa menores que sulfite e passou a folheá-los, compenetrado. Bella assistia a cena paralisada com o nome de seu pai ecoando em sua cabeça. Obrigava o ar a entrar em seus pulmões quando o chantagista sorriu para uma folha em especial antes de estendê-la. A moça conseguiu mover somente seus olhos para descobrir se tratar de uma foto. – Essa é uma das minhas preferidas.

Não era indecente; o que a denunciava era sua postura descontraída sobre o palco durante um dos ensaios. Não havia sido apresentada a todas, mas imaginava que eram similares àquela e que em cada uma estaria estampada sua familiaridade com aquela casa.

– Ah!... Como eu pude me esquecer dessa? – Barry exclamou olhando diretamente para outra foto antes de também estendê-la. – Ela me proporciona bons momentos, se é que me entende. – concluiu com uma piscadela. Bella novamente moveu os olhos para se encontrar seminua durante uma de suas trocas de roupa. Kris lhe fazia companhia. As duas riam para o espelho enquanto a dançarina a ajudava com o figurino.

– O que o papai Swan pensaria ao ver essas fotos? – Barry perguntou se recostando no espaldar de sua cadeira.

– As reações dos membros de minha família não interessam a um homem de negócios. – falou sem emoção. Indicando as fotos sem tocá-las prosseguiu. – Se é essa sua proposta diga o que quer. Vai me obrigar a dançar por quanto tempo?

– Obrigar?... Não! Que palavra horrível. – exclamou conciliador colocando-se de pé. Ao passar por ela, disse. – Aqui ninguém é obrigado a nada. O que ocorre são trocas de favores.

– E essa é nossa troca de favores? Eu danço nada satisfeita por um tempo indeterminado e você deixa minha família longe dessa estória?

– Correção! – disse após se jogar displicentemente sobre o sofá e abrir os braços sobre o encosto. – Você dança com todo seu entusiasmo como tem feito até hoje e depois de algum tempo eu a libero. Em troca esqueço que você tem família. Ou... Você pode dançar uma única vez e eu a deixo ir da mesma forma.

– Uma única vez. – Bella repetiu por reflexo.

– Uma única vez. – reinterou se acomodando melhor sobre o sofá, medindo-a de alto a baixo. – Exclusivamente para mim. Aqui. Agora... Nem precisa de fantasia. Gosto desse seu falso ar de “ingenuazinha campestre”. – com um suspiro profundo e lento, passou a estimular-se sobre a calça enquanto prosseguia. – Você vai tirar tudo dessa vez e antes que eu comprove que não vendi gato por lebre, vai me mostrar do que essa sua boquinha linda é capaz.

Presa a perplexidade do que ele lhe propunha, Bella entendeu que aquele sempre foi o plano. Não fora somente arrogante; fora também obtusa. Barry era realmente um homem de negócios e não deixaria uma devassa pueril dançar sobre seu palco uma vez por semana se não por interesses pessoais. As noites de quinta eram agitadas, mas não valiam uma chantagem. Aquele homem largado sobre o sofá, que evidenciava sua excitação sob a palma da própria mão, sempre a desejou e foi lhe cedendo corda suficiente para que um dia se enforcasse. Todavia, mesmo com o laço em seu pescoço, ainda era cedo para puxá-lo.

– Se é um homem de negócios então eu posso crer que mantém sua palavra. – falou lutando contra o asco em ver o volume rígido pela manipulação obscena.

– Evidente que sim. Se me fizer muito feliz não tem com o que se preocupar.

– Sendo assim eu fico com a primeira opção. – anunciou com o queixo erguido. – Continuo com as apresentações. E de “muito boa vontade”.

Ver a decepção no rosto masculino não lhe trouxe prazer algum. Assim como vê-la se transformar em descrença e então em raiva contida não lhe provocou temor algum. Bella não sentia qualquer emoção; não se sentia. Percebia apenas seu estômago revoltoso.

– Muito bem! – ele exclamou contrafeito. – Eu lhe dei as opções então nada mais justo que escolha. – tão rápido que a moça mal recuou dois passos, ele se pôs de pé e veio até ela. Segurando-a pelo queixo, alertou. – Por ora ficamos assim, mas não pense que se livrou da segunda alternativa. – soltando-a bruscamente ordenou. – Agora vá ensaiar.

Bella deixou a sala sem notar. Passou pelo salão alienada ao que acontecia a sua volta, arrastando-se. O mundo clareou ao entrar no camarim e seus olhos pousarem sobre Tanya a se trocar no canto costumeiro. Seu raciocínio poderia ser limitado no tocante à gravidade da diversão arriscada, contudo estava afiado no que se referia às fotos que a manteria presa àquele lugar. Sua vontade era ir até ela e colher um chumaço de cabelo diretamente de sua nuca, contudo agredi-la não mudaria em nada sua condição.

– Está olhando o quê? – ela indagou altiva.

– Estou tentando entender como funciona a cabeça de uma puta senil. – falou secamente. Tanya sabia bem o que fez então não havia motivos para não confrontá-la.

– Como é que é estrelinha?! – a mulher avançou, deixando as poucas meninas que estavam no camarim em alerta. – Está maluca?

– Não tanto quanto você. – disse diretamente à dançarina e então, se dirigindo as demais meninas pediu. – Poderiam nos deixar a sós?

– Não sei... – disse uma delas. – Barry não gosta de brigas e...

– Quero apenas conversar. – garantiu. – Ninguém vai se pegar a tapas aqui.

– Fale por você. – Tanya ciciou. – Quem pensa que é para me ofender?

– Posso não ser ninguém, mas você é menos ainda... Se quer tanto me ver pelas costas por que foi ajudar o Barry a me manter aqui?

– Está drogada estrelinha? Eu jamais faria isso! – exultou veemente.

– Claro! – Bella zombou. – Está tão velha que não se lembra, mas as fotos que ele tem de mim foram todas tiradas por você.

– Fotos?! – ela exclamou maximizando os olhos. Sem nada acrescentar, voltou até o canto que costumava ocupar e abriu a gaveta logo abaixo. Visivelmente nervosa, remexeu os muitos papeis em seu interior antes de vociferar. – Bastado filho de uma puta! Ele me roubou.

– Então no final foi mesmo você. – Bella falou indiferente, sem se abalar com a fúria da dançarina.

– Sim fui eu. – admitiu inutilmente. – Iria usá-las para lhe obrigar a sumir daqui.

– Pois saiba que por causa delas, agora sou obrigada a ficar... Obrigada por isso.

– Ele não tinha o direito. – Tanya exalou para si.

– Na verdade ele é o único que o tem. – a moça murmurou cansada igualmente para si. – Barry está no mundo dele. Eu é que não deveria ter me metido com ele.

Então mediu a mulher seminua livre da maquiagem carregada que usava à noite. Era bonita, mas os sinais da idade já se faziam presentes em todo seu corpo. Ou talvez fossem as marcas das noites insones e da entrega constante em troca de dinheiro. A moça considerou se ela possuía família; pais ou filhos. Se prostituir-se não teria sido sua única opção quando não encontrou um rumo decente para sua vida. Não poderia alimentar sua antipatia quando não se sentia muito diferente dela e havia fornecido a munição com que era atacada. Se alguém ali tinha que ter os cabelos arrancados pela raiz, era ela. Livre de emoção, falou.

– E talvez nem com você. – sua declaração final pareceu surpreender a mulher.

– Escute...

– Não, escute você. – Bella a cortou sem rispidez. – Sabemos que não vai se desculpar e nem adiantaria, então vamos encerrar esse assunto. Você continua no seu canto, eu continuo no meu, mas veja se agora larga do meu pé de uma vez, pois estou aqui por sua culpa.

Tanya ameaçou retrucar, mas manteve-se calada. Voltando a ignorá-la como comumente fazia Bella finalmente pendurou sua bolsa para se trocar. Antes de perder seu tempo com picuinhas que não lhe ajudariam em nada, deveria ocupá-lo para encontrar uma forma de libertação. Não estava disposta a ficar refém de um chantagista asqueroso indefinidamente.

Enquanto vasculhava a arara de figurinos para separar o que usaria aquela noite, deu-se conta do quanto àquela apresentação seria anormal; finalmente estaria sem Jacob, mas o queria presente. Não sentia animação alguma quando deveria demonstrar que sim. Ficaria nua e pela primeira vez se sentiria como tal. Se fosse uma piada do destino, deveria achar algum ponto para rir, no entanto, só encontrava motivos para chorar.

Sin Bay era minúscula se comparada a uma grande cidade, ainda assim por vezes era praticamente impossível encontrar quem se desejava; exatamente como se vivesse em uma metrópole. Era assim que Edward comparava enquanto guiava para Wells. Após o encontro de segunda não esteve com Bella uma única vez; nem mesmo a viu. Manteve breve contato com Rosalie que lhe acenava da lanchonete sempre que se viam e com Jasper que fora ajudar os homens da cooperativa no recolhimento dos andaimes. Não esteve nem mesmo com Charlie.

Estava ansioso por vê-la. Queria saber por ela o que se passou com o garoto indolente. Confirmar o acidente doméstico que soube ter sofrido por Sam e a senhora Stanley. Segundo os vizinhos o rapaz acidentado estaria de cama por recomendação do pai enfermeiro. Contrariando o que ditava sua formação, ele pouco se importava com o rapaz. Queria mesmo era saber se o sumiço de Bella fosse por ela estar constantemente na casa dos Black. Aquela seria uma dedução acertada, mesmo que Jessica tivesse se encarregado de cuidar do rapaz, segundo sua mãe dissera.

Enquanto guiava, Edward apertou o volante com força, irritado por preferir que fosse daquela maneira. Que Bella estivesse ocupando seu tempo livre para vigiar a aproximação da amiga junto ao seu “amigo” do que vê-la se despir sobre o palco como cogitou não fazer. Ela tinha que ter lhe dito a verdade, pois não mais toleraria sua mentira caso insistisse. E também não poderia vigiá-la quando se tornava cada vez mais desgastante sair indo contra Carlisle sem confrontá-lo a fundo com suas próprias ações libidinosas.

Definitivamente Bella tinha que ter lhe dito a verdade. Com esse pensamento estacionou seu jipe a alguns metros do grande galpão e colocou-se na fila de entrada. Considerou-a grande demais para a primeira noite sem a atração principal, mas quis crer que aquele não fosse um indicativo de coisa alguma. Já no interior da boate, procurou uma mesa distante do palco. Todas estavam ocupadas restando-lhe então se refugiar no canto extremo do bar.

– O que vai ser amigo? – o barman perguntou tão logo chegou junto ao balcão. Correndo os olhos ao longo dos copos variados disposto sobre o mesmo não cogitou pedir água, pois provavelmente chamaria a atenção sobre si.

– O mesmo que ele. – pediu apontando o copo mais próximo.

– Conhaque então. – o homem falou antes de se retirar. Edward aproveitou para procurar Jacob com o olhar. Àquela hora ele já estaria presente, contudo não o viu confirmando seu repouso.

– Aqui está! – o barman anunciou desnecessariamente enquanto depositava o copo bojudo a sua frente. O padre o olhou com indiferença então conferiu as horas; em poucos minutos seria a aparição que rogava aos céus para não acontecer. Com os braços cruzados sobre o peito esperou. Um banco ao seu lado vagou e foi ocupado por um homem de jaqueta preta. Edward não lhe deu importância até que dissesse.

– E não é que nos encontramos de novo?

O padre apenas moveu os olhos para o rosto sorridente disposto a nem mesmo retrucar, porém reconheceu seu salvador. Revê-lo não lhe trouxe qualquer sentimento especial a não ser a mesma sensação de reconhecimento. Como aquela impressão já havia sido comentada e prontamente negada, apenas cumprimentou sem entonação.

– Boa noite.

– Boa! – disse fazendo sinal para o barman. Depois de pedir uma dose de uísque, voltou sua atenção a Edward. – E então?... Ficou bem depois daquela noite animada?

– Sim... – não estava ali para conversas, mas não poderia ser grosseiro justamente com quem lhe livrou de ser espancado. – Mais uma vez, obrigado pela ajuda.

– Não precisa me agradecer. – o moreno exclamou jovial – Como disse, eu não curto injustiça. – olhando-o com curiosidade, perguntou. – Algum deles voltou a lhe perturbar?

– Não os vi novamente. – o padre assegurou sem desviar os olhos do rosto tão familiar

– Melhor assim! A propósito, meu nome é Meraz – apresentou-se estendendo a mão. – Paul Meraz.

– Sou Edward. – disse apenas o nome apertando a mão oferecida; não era sábio falar de si. Quebrando o aperto amistoso, intimamente lamentou que o nome nada lhe acrescentasse. Seria interessante reconhecer alguém afinal; mesmo em uma cidade improvável.

– Muito bem Edward. – Paul exclamou erguendo o copo de uísque já disposto a sua frente. – Um brinde ao nosso reencontro e que não tenha brigas dessa vez.

Indiferente a todo aquele entusiasmo, o padre se viu obrigado a tomar seu próprio copo para aceitar o brinde. Depois do tilintar do vidro, provou a bebida que ordenou à revelia. Era forte, mas não agrediu sua garganta e lhe trouxe certo conforto ao aquecê-lo inteiramente. Somente naquele instante percebeu o quanto estava gelado pela expectativa. Tomava seu segundo gole quando Paul lhe ofereceu um cigarro.

– Eu não fumo, obrigado.

– Vai se importar se eu fumar? – perguntou já acendendo seu isqueiro.

– Fique a vontade. – sua presença falastrona incomodava mais do que a fumaça que passou a vir em sua direção. O odor do tabaco – tão presente naquele lugar – daquela vez chegou puro e agradável, trazendo-lhe um reconhecimento quase palatal. Como o clima a sua volta e a bebida ingerida, contudo ainda não atinava quando em sua vida poderia ter estado em um ambiente como aquele. Cismava com as verossimilhanças daquela situação, quando sua atenção foi atraída pela movimentação a sua volta.

– Vai começar o show! – Paul anunciou ao seu lado. – Mal posso esperar para ver essa primeira garota.

Edward engoliu em seco, ignorando o apresentador sobre o palco que cumprimentava a todos e lhes recordava da necessidade do bom comportamento para com suas meninas. Depois de beber mais um gole de conhaque, comentou evasivo sem desviar os olhos do palco.

– Fiquei sabendo que essa que espera ver abandonou a casa.

– Sério?! Seria uma lástima. – apesar da entonação incrédula o homem moreno não parecia convencido. Edward se preparava para retrucar-lhe quando sua atenção foi atraída para o apresentador que questionou a todos sobre sentirem saudade daquela que se apresentaria. Após respostas desencontradas, porém afirmativas, o homem prosseguiu.

– Pois então se preparem para recebê-la e não se esqueçam de serem breves em seus agrados. – então, se voltando para a parte escura do palco, falou. – São todos seus querida.

O padre sentia seu estômago revirar. Não pela bebida ou pela fumaça do cigarro que lhe envolvia, mas pela possibilidade da nova mentira. Ela não poderia tê-lo enganado.

– Ainda bem que estava mal informado, Anthony. – Paul exultou sorridente.

– Do que me chamou? – Edward indagou unindo as sobrancelhas ante a estranheza de aquele nome desconhecido lhe parecer familiar.

– Desculpe-me “Edward”. – pediu sem ser ouvido.

O padre esquecera-se de todo o resto ao ver a “querida” entrar em cena. Era ela, Bella. Como podia? Para piorar sua situação a Messalina mentirosa se apresentava como que saída de seus sonhos. Para alguém que se despiria vinha com praticamente nenhuma roupa sobre o corpo. Vestia um corpete de couro muito justo a lhe marcar a cintura mínima, roupas íntimas já reveladoras demais, meias de seda e sapatos de salto todos pretos. Em uma das mãos trazia um chicote de tira única e para a danação definitiva do jovem padre, sua máscara assemelhava-se a uma venda.

Esquecido do homem ao seu lado e de todos os outros, Edward já se encontrava excitado antes mesmo que Bella iniciasse sua dança indecente. Todas as vezes que ela passeou o instrumento pelo próprio corpo, ele considerou que sucumbiria. Como das outras vezes, ensurdeceu aos gritos e à música desejando apenas que ela se despisse para ele. E como se lhe ouvisse os pensamentos, ela se despiu. Não completamente; presenteou seus olhos somente com os seios fartos antes de açoitar-se. A cena o afetava mais pela ideia do quanto lhe doía do que pelo apelo erótico.

O padre se indagava se a mentirosa traidora estaria sentindo quanta dor quanto ele mesmo sentia ao se castigar. Ela merecia cada fustigada, mas queria ser ele a dá-las. A expectativa o excitou ainda mais.

– Ás vezes eu me pergunto se essa garota tem namorado. – ele ouviu o comentário vindo de muito longe; estava vidrado na autoflagelação. – O cara deve passar muito bem com ela. – a voz insistiu, finalmente trazendo Edward para o espaçoso salão. Sim, aquela alma perdida tinha não somente um como dois que passavam muito bem com ela; e nenhum deles era ele próprio. Com a respiração obstruída pelo ciúme, Edward ignorou as palavras de Paul e sorveu o conhaque restante a um só gole.

– Se bem que eu preferia ter uma namorada comum e morninha a ter uma que se expõe dessa maneira. – o homem ao seu lado parecia não notar sua indiferença. – Ela é bem gostosa, mas eu jamais admitiria que me traísse assim. E você Edward?

Já admitia, não? E compactuava uma vez que não tomava nenhuma providência. Era tão conivente e passivo como Jacob sempre o fora, mas tal inércia terminaria aquela noite. Decidido, Edward depositou uma nota de dez dólares sobre o balcão e o deixou esquecido de Paul. Sem desprender os olhos do palco, esperou até onde pôde para se aproximar então, sem se importar com todos os homens que praticamente se acotovelavam para depositar as notas na tira fina da calcinha, chegou-se até onde Bella estava agachada de costas. Não lhe daria dinheiro algum, apenas queria mostrar a ela que conhecia sua vida dupla.

Sua vontade era desferir-lhe um tapa, mas a aglomeração não lhe permitia, então, sem demora, estendeu a mão e espalmou-a na nádega exposta para apertá-la fortemente. Todos que presenciaram sua ousadia se voltaram para ele entre alarmados e indignados. Ignorou a todos; a única que lhe importava era Bella. Com o susto ela se voltou pronta para se defender, porém estacou assim que seus olhares se encontraram. Edward a encarou reprimindo toda raiva que sentia. Ela por sua vez não demonstrou qualquer sentimento por vê-lo ali. Apenas terminou de receber o que lhe ofereciam, ergueu-se e saiu do palco.

– “Tá” maluco?! – um dos homens perguntou. – Não sabe que não se deve quebrar as regras?

– Idiota do caralho.

– É um palhaço filho da puta, só pode!

Bom, o palhaço idiota do caralho, ao menos se fez notar, Edward pensou satisfeito. Sem responder aos que o hostilizava, deu as costas e voltou ao balcão. Seu salvador inoportuno não estava em parte alguma e antes que procurasse descobrir para onde havia ido, foi abordado por dois homens vestidos de forma discreta. Estavam à paisana, mas claramente se notava a postura de seguranças da casa. Evidente que a intenção era se misturar aos clientes habituais para que pudessem lhes vigiar mais de perto.

– Senhor, queira nos acompanhar, por favor. – disse um deles. Sem criar caso, Edward seguiu escoltado até a saída. Pensou que seria somente até aquele ponto, porém assim que pisou na calçada foi seguro discretamente por um dos braços e levado até um ponto afastado da entrada, sempre acompanhado pelo outro segurança. – Onde está seu carro?

– Não tenho carro. – respondeu desafiadoramente.

– Não teste minha paciência. As ordens são bem claras. Ninguém toca na nossa menina. Geralmente todos conseguem se comportar, mas às vezes algum cliente mais afoito burla nossa vigilância. O problema é que ela não está ali querendo mãos pegajosas sujando sua pele. Então se ela aponta algum engraçadinho é nossa função colocá-lo para fora e de preferência ensiná-lo a não repetir a dose. É sorte sua que ela o conheça e tenha pedido que apenas o colocássemos em seu carro e o instruíssemos a ir embora.

Então fora Bella que o delatara. Inflamando-se, mediu os dois de alto a baixo. Talvez por ter se saído tão bem por um tempo ao brigar com três homens, acreditasse que poderia lidar com os dois. Porém algo lhe disse para deixar que fizessem como recomendado.

– Fala logo onde está a porra do carro? – perguntou o outro, alterando-se.

– Calma! – pediu Edward erguendo as mãos. Então apontou para o final da rua. – Está há duas quadras daqui.

Sem mais palavras os dois o escoltaram até seu jipe. Esperaram que entrasse e partisse, então o observaram até que dobrasse a esquina.

– Maldita! – Edward vociferou socando o volante.

Não fizera uma cena, mas tratou de tirá-lo de perto. Cego por despeito e raiva, Edward dirigiu até um pouco além da saída da cidade; Bella não perderia por esperar. Depois de alguns quilômetros rodados estacionou no acostamento e desligou o carro ficando no mais absoluto breu. Pouco lhe importava que fosse perigoso ficar ali. Aquele era o único caminho. E uma vez que Jacob estava fora do seu, não teria problemas em abordá-la. Aquela era a noite que colocaria fim às apresentações.

Bella seguia pela estrada sem notar a escuridão da noite. Nunca tivera medo de percorrer aquele trecho com ou sem Jacob. Nem mesmo quando ele cismara que foram seguidos. Sabia que a impressão era fruto de sua fértil imaginação. Além do mais, qualquer receio que pudesse sentir naquela noite seria sufocado pelo desespero que se apossara dela desde que viu Edward entre todos aqueles homens que pagavam por sua apresentação bizarra, encarando-a com reprovação.

Seu temor se concretizou da pior forma possível. De todos os homens de Sin Bay, o padre estava entre os últimos que poderiam vê-la naquela situação. Enquanto se trocava automaticamente em choque, questionava-se como ele fora aparecer na boate. Seguiu-a? Como a reconhecera afinal? Na verdade nada daquilo importava. Edward descobrira que não servia mesas porcaria nenhuma e agora ela poderia dar adeus ao breve envolvimento. Um padre jamais ficaria com uma stripper, sentenciou subitamente enraivecida.

– Que direito aquele padre bipolar pensa que tem? – perguntou ao léu a plenos pulmões. – Errada ou não é a minha vida e ele não tinha que se meter.

Alheia ao caminho e lutando contra as lágrimas, ponderou se a raiva sentida não era por si mesma afinal indiretamente o chamou. Para demonstrar um prazer que não sentia, decidiu que dançaria para ele. Edward influenciara até na escolha do figuro ao se lembrar de seu chicote e de sua autopunição. Aquela noite ela merecia todo o castigo que pudesse receber por sua estupidez e arrogância que agora a mantinham cativa.

– Não importa! – gritou para si mesma mais uma vez. – Era para Edward estar na casa dele, com as hóstias dele. Com toda sorte de quinquilharias litúrgicas, não em uma boate apertando minha bunda e...

Bella se interrompeu ao passar por um carro estacionado com as luzes apagadas. Seu coração afundou no peito assim que viu por seu retrovisor que o tal carro passou a seguir o seu. Os faróis praticamente a cegavam impossibilitando que visse sequer qual a marca do veículo.

– Um dia aconteceria Bella. – disse a si mesma. – Edward a reconheceu então qualquer outro pode fazê-lo.

Tentando manter a calma, Bella acelerou o máximo que sua habilidade ao volante permitia. Pela primeira vez sentiu falta de Jacob. Expectante, viu que o veículo se aproximava sem o mínimo esforço para se emparelhar ao dela. Nesse momento seu temor retornou à raiva. Ele nem ao menos esperaria para dispensá-la?

– Encoste. – Edward ordenou. Pois o bom pastor que fosse dar ordens à suas ovelhas, pensou rancorosa sem reduzir ou olhar em sua direção. Não tinha pressa em ser destratada. Contudo, o mesmo não se dava com o padre. – Droga Bella, encosta!

A raiva contida no tom de comando a assustou. Definitivamente não estava preparada para obedecê-lo. O padre que esperasse, pois pararia somente ao chegar à proteção de sua casa. Como se entendesse sua intenção, depois de liberar um impropério nada próprio a um padre, Edward acelerou até ultrapassá-la.

– Isso mesmo, vá esfriar a cabeça com água benta. – disse sem achar graça alguma da piada imprópria. Na verdade, enquanto o via ganhar distância já se encontrava arrependida por não ter atendido. Era inútil protelar o inevitável. Aceitava o seu erro quando as luzes de freio do jipe se acenderam antes que seu condutor o atravessasse na pista.

– Padre maluco! – Bella exclamou freando imediatamente. Parou a pouquíssimos metros. Ainda se recuperava do susto quando Edward apareceu ao seu lado.

– Por que não parou? – perguntou alterado.

– Você é maluco ou o quê? – ela perguntou igualmente irritada.

– Vamos sair daqui – Edward comunicou sem dar-lhe ouvidos – Não quero que aconteça um acidente por sua causa.

– Minha causa?!

– Se não parar da próxima vez reze para nunca cruzar meu caminho. – ignorando seu comentário, instruiu. – Vamos sair da estrada. Quando eu parar faça o mesmo.

Sem esperar por resposta Edward seguiu duramente até seu carro para tirá-lo do meio do caminho. Guiou-o até que entrassem na estradinha vicinal que os levaria a Sin Bay. Àquela hora da noite era praticamente deserta e a polícia rodoviária não os perturbaria. Lugar perfeito para trazer a moça à razão. Tentando domar a raiva que o movia, Edward logo estacionou a beira do caminho.

Bella o imitou, mas não se furtou em passar a sua frente e parar adiante. Quando olhou pelo retrovisor, viu satisfeita que o padre se preparava para segui-la. Porém o prazer da pirraça durou parcos segundos. Subitamente se sentiu temerosa em estar em um lugar ermo com alguém fora de seu estado normal. Nem poderia usar seu taco contra ele, pensou saltando do carro para ir até Edward. Como não havia outra forma de se defender, atacou.

– Qual o problema com o senhor? – antes que pudesse prever foi agarrada pelos ombros e chacoalhada violentamente.

– Qual o problema comigo?!... Qual o problema com “você”? – ele perguntou com a voz contraditoriamente controlada. Recuperada do susto, Bella passou os braços entre os dele e o forçou a soltá-la.

– Não encoste! – ordenou furiosa, equilibrando-se para não cair.

– Ah... Esqueci que a virgem imaculada não gosta de ser tocada. Scusami.

– Poupe-me do deboche e vá direto ao ponto. – pediu cruzando os braços para disfarçar seus tremores.

– Vou direto ao ponto. – Edward ciciou mordaz. – Essa foi a última vez que você foi àquele lugar.

– O quê?!... – ela perguntou incrédula. Era certo que deixaria de ir a boate tão logo se livrasse da chantagem, mas não o deixaria ditar sua vida já que a mandaria embora. – Só pode ser brincadeira!

– Não brinco com coisas sérias. – retrucou duramente.

– E quem o senhor pensa que é para me dar ordens? Já sou bem grandinha para ir aonde bem entender.

– Trabalhar em uma casa de prostituição não é direito.

– Não estou me prostituindo se é essa a preocupação. – no fundo sua vontade era explicar o que de fato ocorria, mas simplesmente não conseguia evitar se defender quando sabia o quanto Edward era capaz de ferir.

– Não ir para cama com eles não a torna diferente ou melhor do que aquelas mulheres. Você talvez seja pior do que elas, pois tira vantagem da crença alheia.

– O quê...? – Bella encarava-o atônita. Como se não bastasse se materializar onde o imaginava, agora partilhava dos mesmos pensamentos? Deveria aproveitar que Edward ainda não a escorraçara para se justificar, contudo percebeu que revelar a verdade não a ajudaria. Um padre não poderia libertá-la da armadilha que entrou por vontade própria. Se o amava, o melhor naquele momento era afastá-lo daquela sujeira. Para acelerar o inevitável, debochou.

– Agora eu sou a menina má? Faça-me o favor... Apenas danço para eles. Não estou partindo corações.

Não era verdade, Edward negou em silêncio. Feria o dele e com certeza o dela própria ao fazer algo tão imoral; ainda que não percebesse.

– Não importa! – bradou. – Não estou aqui par defender ou julgar ninguém. Apenas vim lhe dizer que acabou! Você não volta para lá. Não se expõe daquela maneira nunca mais.

– Veremos. – ela retrucou dando-lhe as costas. Aquela conversa não tinha fundamento uma vez que não poderia atendê-lo. Ainda de costas, pois não aguentaria encará-lo, falou. – Vossa Senhoria não é meu pai, meu marido ou meu dono. Entendo que esteja decepcionado então é melhor cuidar de sua vida que da minha cuido eu. Para onde vou não é problema seu; se me exponho não é problema seu. Enquanto existir um pobre inocente disposto a pagar para me ver dançar nua, eu o farei. E ninguém vai me impedir. Buonanotte!

Após se despedir, Bella marchou para sua pick up dando o assunto por encerrado. Antes que desse o terceiro passo, ouviu os dele atrás de si. Virou-se para enfrentá-lo, porém nunca estaria preparada para a ação que se seguiu. Sem que esperasse, Edward a ergueu nos ombros e a carregou, como a um saco de batatas, em direção ao jipe.

– Me larga seu desgraçado. – gritou socando-lhe as costas enquanto esperneava. – O que pensa que está fazendo?

– Acertou no “desgraçado” – Edward sibilou enraivecido; o eco de suas palavras o ferindo continuamente. Bella pagaria pela dor que lhe causava. – e talvez tudo que disse realmente não seja da minha conta, mas vou mostrar-lhe que mesmo não sendo seu pai, seu marido ou seu dono, deve me obedecer.

– Ah, claro! – Bella exclamou desistindo de lutar. Todo seu esforço aquela noite seria em vão, pois Charlie descobriria sua vida dupla afinal. – Vai me delatar não é seu italiano linguarudo de uma figa?

– Vou fazer melhor! – o padre anunciou ao colocá-la no chão e a segurando de forma que o encarasse. – Vou fazer o que seu pai deveria ter feito antes que se tornasse tão irresponsável, malcriada e viperina.

A voz sempre melodiosa soou baixa e ameaçadora. Apesar da pouca luminosidade, Bella pôde ver um brilho perverso cruzar os olhos azuis. Ainda não havia assimilado o significado do discurso quando Edward caiu de joelhos levando-a consigo para prendê-la firmemente atravessada sobre suas coxas. Antes que se refizesse do susto, ele desceu a mão espalmada e bateu contra uma de suas nádegas como em alguém que merecesse correção.

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Spoiler...

Edward muitas vezes se mostrou ameaçador, contudo Bella jamais acreditou que um dia ele de fato tomasse a liberdade de lhe bater; e com tamanha força.

– Maluco!... – ela gritou finalmente liberando as lágrimas que tanto represou. – Me solta seu comedor de hóstias desgraçado!

Fato! Era um maluco desgraçado sem chances de recuperação. Perdera o bom senso e o pouco controle que ainda lhe restava após a espera e a abordagem temerária. Ultrapassou todos seus limites, porém pouco se importava. Edward estava cansado do ciúme e do desejo degradante que sentia quando a via sobre aquele palco. E acima de tudo, não suportava ouvir dos lábios dela o que sabia de cor; não tinha direitos. E o que era ainda pior, que continuaria a expor o que deveria ser somente seu.

Todas as vezes que descia sua mão, esta carregava toda a frustração por não ser livre. Por saber-se tão amoral e depravado quanto ela. Ressentia-se por Bella ter o poder de desmascará-lo; desnudá-lo de todas suas armaduras. Por deixá-lo miserável e fraco quando havia sido moldado para resistir às mais diversas tentações. Sim, naquele momento a odiava e em contrapartida se odiava na mesma proporção.

– Pare! – ela gritou novamente, decepcionada consigo mesma por ser tão fraca. Jasper a ensinou como se livrar de situações piores, no entanto, não conseguia se desprender daquele aperto de ferro. Sua carne espancada ardia a cada novo golpe. Seus joelhos e cotovelos nus já estavam arranhados o suficiente pelas pedras mínimas. As lágrimas roubavam-lhe a força então – machucada e com o orgulho ferido – desistiu de lutar.

– Eu o odeio... – ela murmurou embargada.

Edward queria dizer o mesmo, porém sentir sua derrota enquanto ainda lhe batia tornou-o consciente da proximidade de seus quadris. Sua mão ardia tanto quanto a carne sob o tecido fino da saia, porém ainda desferiu mais três tapas. Esses últimos, com um sabor diferente. Entre cada uma das vezes que tocou o monte quente, acariciou-o fortemente deixando que seu corpo liberasse o desejo recolhido em todas as vezes que precisou recuar quando poderia possuí-la ou das vezes que a viu sobre o palco.

Quase que imediatamente à sua declaração inflamada, Bella o sentiu enrijecer sob seu quadril. Queria repetir que o odiava; indignar-se por Edward se excitar enquanto lhe aplicava as palmadas perversas. Porém seu corpo traiçoeiro respondeu prontamente ao dele que nas últimas vezes, antes de machucá-la a estimulou apertando-a com a mão violenta. Sem que pudesse conter ela liberou um gemido de puro deleite. Ouvir tal rendição inflamou o padre que, sem forças para resistir, se curvou para apertá-la mais contra si.

Guarda... – murmurou muito rouco. – Sinta o que fez comigo...

Então sempre seria a culpada? Pensou parcialmente recuperada; parecia que sim. Sabendo bem como terminaria, aproveitou a trégua para escapar de seu algoz. Livre, pôs-se de pé e, mesmo vacilante tentou correr. Porém novamente não deu dois passos antes de ser capturada e presa por braços fortes. Ainda tentou se libertar, mas sem forças, desistiu e se deixou abraçar, morrendo lentamente ao sentir a dureza do padre comprimida contra suas nádegas doloridas.

Edward não a deixaria se afastar. Não tão ciente de seu corpo pequeno; quando estava longe de tudo e de todos sem nada para lembrar-lhe quem era. Com Bella presa entre seus braços, sem lutar, ele a voltou e ergueu pela cintura para prensá-la contra o capo de seu jipe. Já não sabia mais o que sentia por ela aquela noite, somente que não resistiria se a deixasse ir embora. E com aquela ânsia desesperada a correr por suas veias, segurou-lhe o rosto e a beijou.

Completamente rendida, Bella o abraçou e retribuiu ao beijo quase hostil, enroscando-se ao padre também com suas pernas deixando que o desejo despertado de forma violenta ganhasse força dolorosa ao ter aquele monte túmido prensado contra si. Rogando que daquela vez nada os detivesse, correu as mãos pelo abdômen plano e as subiu até alcançar-lhe os ombros para livrá-lo da jaqueta. Antevendo a intenção ao sentir as mãos pequenas correr por seu corpo, Edward retirou a peça, deixando que caísse ao chão.

Não tinha mais consciência de onde estavam. Apenas sentia a quentura convidativa da boca dela e aproveitava o máximo daquele beijo. Todo seu corpo respondia ao esfregar de línguas, levando-o a ansiar por mais. Afastou-se da boca arfante somente para retirar a camiseta rapidamente, então a prendeu em seus lábios abafando um gemido ao ter as mãos delicadas diretamente em sua pele. Lamentando apenas a escuridão que não lhe permitia vê-lo, Bella passeou os dedos por todo o dorso oferecido para si. Ainda tinha seus lábios cativos enquanto acariciou o peito forte e coberto de pelos.

Maldosamente, Bella apertou um dos bicos mínimos e como recompensa teve outro gemido alto abafado em sua boca. Continuando a exploração sua mão tocou acidentalmente no pingente do cordão que ele carregava sempre ao pescoço. Ignorando-o, Bella afastou os dedos daquele símbolo que a recordava do compromisso eterno, vagando as mãos até as costas largas. Outro erro, pois sentiu as ondulações que as deixavam áspera. Imediatamente se arrependeu de suas palavras anteriores. Edward não a feriria deliberadamente, apenas lhe deu o que procurou. Ele possuía uma alma torturada e só; não ajudaria ouvir que era odiado.

– Senhor... – tentou se retratar, porém nem fora ouvida. Edward liberou outro gemido e, para sua alienação, introduziu as mãos pela barra de sua camiseta para tocar-lhe os seios. Ao sentir as mãos grandes se fechando sobre eles toda e qualquer declaração se calou. E quando ele acomodou-se sobre si, perdeu o ar. Ele poderia torná-la mulher ali, no acostamento daquela estradinha de terra que ainda assim seria especial. Como se tivesse ouvido seus pensamentos, ou talvez também enfraquecido, Edward a deitou no solo arenoso para se estender sobre ela.

Não aguentava mais; precisava prová-la como havia feito antes. Imediatamente ergueu a camiseta para liberar os seios firmes e macios. Após três apresentações, conhecia-os de cor. Preso ao ciúme daninho vindo com a recordação tomou um deles em sua boca e esmagou outro em sua palma ainda dolorida.

– Ai... – Bella exclamou lamuriosa. Não de dor, apenas confirmação de sua volúpia que terminou por instigá-lo a prová-la com sofreguidão. Ansioso, Edward se comprimiu contra ela desejoso por se colocar dentro; sentir de uma vez por todas como era estar em uma mulher. E não de qualquer mulher, mas na única que lhe despertava tal vontade.

– Bella... – gemeu em agonia ao sentir a mão delicada correr por seu abdômen e parar somente quando o tocou, exalando palavras desconexas antes de afundar o rosto na curva do pescoço feminino. – Bella mia...

As pedrinhas soltas arranhavam, mas Bella simplesmente não tinha como protestar. Apesar de apreensiva, adorava perceber as reações que provocava no padre. Se conseguisse se entregar a ele ficariam juntos para sempre. Edward ficaria viciado nela, assim como ela própria já estava irremediavelmente dependente dele.

– Estou aqui Edward... – ouvi-la sussurrar seu nome de forma lamuriosa enquanto o acariciava daquela maneira indecente despertou o fio de sanidade que ainda lhe restava. Vinha agindo como um ultimamente, mas não era nenhum animal.

Per favore, pare!... – pediu em um fio de voz.

– Não! – foi a resposta firme. Contudo não cabia a ela decidir.

– Pare Bella. – Edward demandou. Precisava voltar totalmente à razão, então ignorou os protestos e se pôs de pé trazendo-a consigo.

– Por que parar agora?... Faltava tão pouco... – choramingou abraçando-o. Trêmula de desejo; de frustração; de medo.

– Justamente. – Edward concordou retribuindo o abraço. – Faltava pouco para que fizéssemos uma loucura na beira dessa estrada.

– Eu não me importo! – ela declarou beijando seu peito amplo.

Evidente que não, o padre pensou mais uma vez sendo visitado pelo despeito. Com certeza a Messalina já havia copulado em locais piores; tal consciência também fez voltar a sua raiva. Não lhe era permitido desejar mulher alguma e querer uma perdida como Bella agravava seu pecado. Todavia já havia aceitado sua desgraçada sina, considerou enquanto ainda se comprazia com os lábios a passearem por sua pele. Não havia mais retorno, pois mesmo que a parasse, procurá-la-ia depois. Então, engolindo sua revolta por se saber irremediavelmente corrompido, disse seriamente.

– Mas eu me importo... Aqui não é o lugar apropriado para o que pretendemos fazer. Já nos arriscamos demais.

Bella sentiu seu peito se encher de esperança; Edward não fugiria. Estava livre do arroubo apaixonado, consciente de sua vida dupla e ainda assim indicava que ficariam juntos.

– Haverá um lugar adequando? – tentou uma confirmação acariciando-lhe o abdômen. Após um breve silêncio, ao qual a moça acreditou ter brincado com a sorte, o padre assegurou duramente.

– Haverá.

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Notas finais
Bom, por ora é isso... Agora não tem mais jeito para o padre. Já aceitou a Bella como é, só não quer que ela continue a fazer coisa errada; basta se envolver com ele... Meninas, novamente obrigada pelos reviews, desculpe não responder todas. Queria muito, ainda mais que já está acabando nosso tempo aqui, mas ainda é complicado. Fiquei feliz em ver que entenderam a atitude da Bella e tbm o impedimento do apdre que não deixa se jogar assim fácil e largar a vida que conhece... O importante no momento é isso que aconteceu hoje; ele a aceitar como "acredita" que ela é. Semana que vem será o último. Acredito que não virá na segunda, pois tenho uns trabalhos para fazer que me tomarão mais tempo. E vcs vão pensar: mas já não está escrito? Sim, está, mas com os nomes novos... eu teria que trocá-los para os da saga e não terei tempo para me dedicar à isso. Enfim, espero quie tenham gostado de Edward finalmente ter mostrado à ela que sabe de sua vida dupla e de tudo o que veio em seguida. Vejo-as nos revires ou no próximo... Tenham uma ótima semana... APROVEITEM MUITO A ESTRÉIA DE AMANHECER - PARTE II. Sejam fortes e boa sorte com o que virá nessa nova e última fase desse filme de uma saga que agitou nossos últimos anos... Que ela deixe para cada uma de vcs, somente coisas boas como será para mim que me descobri novamente sendo fã incondicional, fiz maravilhosas e duradouras amizades que ultrapassaram os limites da caixinha e tive a oportunidade de ver um sonho se tornar realidade. BOA NOITE MEUS AMORES!... ♥