Notas iniciais
Oie... Boa tarde lindas... Nem vou comentar a correria pq já está chato... rs Obrigada pelos reviews e pelas indicações... Fico tão feliz em ver como gostam de meu padreco com sua dupla personalidade... *-* Agora vamos é mais uma capítulo... BOA LEITURA!

– Você o quê?!

Bella lamentou não ter previsto a exclamação exacerbada que não a permitiu afastar seu aparelho celular do ouvido imediatamente, apenas o fazendo por reflexo. Quando o voltou a posição ouviu Alice conversar com outra pessoa em indisfarçável tom de escusa. – Não se repetirá senhor Gordon... Se me der licença... É algo importante... Assunto de família. – Bella não pôde ouvir a resposta dada, apenas Alice cochichar apressadamente. – Não desligue... Estou saindo da sala e já — já você me explica essa loucura.

Bella nada respondeu. Acomodada sobre sua cama, apenas esperou pacientemente que a amiga voltasse á lhe falar. Tão logo deixou Charlie e Jasper, se refugiou em seu quarto e ligou para Alice. Em momentos como aquele precisava contar á futura cunhada todo o ocorrido. Sentia seu peito sufocado com os acontecimentos recentes e a necessidade fremente de verbalizar.

– Pronto sua maluca. Agora podemos conversa... – Alice começou séria. – Bom... Pode repetir o motivo por me fazer interromper uma aula de Evolução do Capitalismo aos gritos?

– Deixe de frescura Alice. Você me entendeu muito bem senão não teria surtado...

– Eu não entendi... Gritei ao constatar que estou surda o suficiente para ter ouvido errado... Você não pode ter ido para a cama do padre.

– Mas eu fui. – Bella confirmou; enquanto falava sentia que reafirmava a ação á si própria. – E levada por ele.

– Minha Nossa Senhora!... Você conseguiu enlouquecer o padre!... – Alice comentou incrédula, então acrescentou curiosa. – Agora vocês dois não são mais...

– Virgens? – Bella completou com a palavra que a amiga titubeou em proferir.

– Isso!... Minha nossa!... Você é a pior Bella! Uma virgem que faz um homem quebrar seu voto de castidade... Espero que ao menos tenham se prevenido. Já pensou ficar grávida de um padre?

– Não tivemos tempo de pensar nessas coisas Alice, nós...

– O quê?! – a amiga gritou mais uma vez, alarmada. – Você é mesmo maluca!... Onde está agora? Em casa? Espero que esteja á caminho de Wells para providenciar a pílula do dia seguinte. Se não conseguir por conta própria tenho certeza que uma de suas colegas da...

– Respire Alice. – Bella a interrompeu. – Não precisa se preocupar.

– Como não? Você acaba de me dizer que fez sexo sem preservativos com o último homem que poderia e não quer que eu me preocupe?... O padre Cullen podia ser inexperiente até você desvirtuá-lo, mas tenho certeza que seus “filhotinhos” são bem espertos... Nenhum deles usa batina e estão todos flertando com seu óvulo nesse momento. Isso se um deles já não estiver fazendo a dancinha da vitória.

Sem que pudesse se conter a moça irrompeu em sonora gargalhada. Aquele era um dos motivos que apreciava as conversas com Alice; sua capacidade em dizer besteiras em meio aos assuntos sérios sempre a divertia e distraia dos reais problemas.

– Pare de rir agora mesmo Bella. – a amiga pediu ofendida. – Já pensou na reação de seus pais?

Esforçando-se para segurar o riso, Bella a tranquilizou.

– Você realmente entendeu errado Alice. Eu estive na cama do padre... Demos um bom amasso que quase terminou em sexo sem prevenção... “Quase” ouviu bem?... Não precisa se preocupar que nada aconteceu.

– E você me diz isso com esse tom de lamento? – a interlocutora parecia ter se acalmado.

– Eu estive tão perto Alice... – Bella choramingou. – Sabe o que sinto!... Sou apaixonada e ontem tive a prova concreta que ele sente alguma coisa por mim... Você precisava ver... Edward foi não carinhoso, teria sido perfeito se meu pai não tivesse atrapalhado.

– Pode parar por aí. – Alice pediu. – Nem vou gritar novamente porque já está ficando esquisito, mas ouviu as sandices que me conta?... Charlie quase a pegou na casa do padre?... E como assim “eu deveria ver”? Está maluca?... Acho que nunca mais vou conseguir assistir uma missa dele só por imaginar a cena, como seria se eu “visse”?

– Bom, meu pai não me encontrou e quanto á você ver alguma coisa foi uma figura de linguagem, não complique. – Bella pediu seriamente. – Preciso de você amiga... Estou que não caibo em mim... E para piorar, essa manhã Edward me pediu para que esquecesse.

– Não posso ajudá-la Bella. – ela disse no mesmo tom. – Sabe o que penso e se quer ouvir novamente, acho que deveria fazer como o padre Cullen pediu. Pelo visto ele pode até sentir alguma coisa, mas já fez sua escolha; que foi parar enquanto ainda é tempo. Respeite.

– Eu preciso dele Alice! – afirmou sentindo que logo voltaria á chorar. – Preciso mais do que qualquer outra coisa que já desejei na minha vida.

– Se é assim esse é mais um motivo para respeitar o pedido dele. – Alice falou carinhosamente. – Quando gostamos de alguém temos que levar em conta sua vontade também... Não só a nossa.

– Mas eu sei que ele sente o mesmo por mim.

– Sente o que Bella? – a amiga perguntou duramente. – Atração?... Tesão?... Tudo bem, o padre teve a mesma reação de um homem normal diante de uma mulher bonita que o tenta á cada cinco minutos... E daí?... Isso não prova nada. Levá-la para a cama dele não significa que também seja apaixonado; só que a deseja... Não consegue ver que isso é muito pouco para o padre colocar tudo o que acredita e prega á perder?

Sem conseguir refrear as novas lágrimas, Bella teve que reconhecer a verdade nas palavras da amiga. Ainda assim não via meios de desistir. Como Jacob sempre lhe dizia, a esperança era a última a morrer. Ninguém era conhecedor absoluto do comportamento humano nem poderia assegurar que a atração – o tesão – não se transformasse em amor. A moça sentia que poderia conquistá-lo, bastava ter tempo. Precisava apenas pensar com clareza sobre seu próximo passo. Não havia se arrependido de ter procurado pela amiga, pois conversar, mesmo não ouvindo sabe-se lá o que desejava ouvir, havia lhe acalmado o espírito. Contudo desejava ficar um pouco em silêncio para digerir tudo o que ouviu.

– Talvez você tenha razão... Vou pensar á respeito e então...

– Vai continuar tentando o padre, senão não seria você... – foi cortada rapidamente. – Não pense que me comove com essa sua voz embargada. Conheço você cunhadinha e agora mesmo que não vai sossegar enquanto não conseguir o que quer... Tenho até pena do padre então aprenda com o quase erro. Se vai atormentar o pobre até levá-lo ao limite ao menos o convença á se prevenir... Ou comece você á fazer isso desde já.

– Tentarei marcar uma hora com meu ginecologista na semana que vem. – Bella garantiu, comprovando o quanto era conhecida pela futura cunhada.

Alice poderia não apoiá-la, mas realmente a conhecia e estava certa quanto á prevenção. Se tivesse feito amor com o padre, verdadeiramente estaria desesperada com a possibilidade de uma gravidez fora de hora; não indesejada, pensou apaixonada descendo os olhos ainda úmidos para seu ventre plano. Naquele instante reconheceu ser realmente um tanto quanto desequilibrada. Mal havia conseguido alguns beijos do homem que acabou de dispensá-la impiedosamente e já pensava com carinho sobre gestações improváveis.

– Bom... Espero que até lá já tenha conseguido algum juízo... – Alice desejou, alheia ao último pensamento de sua amiga.

– Acredite, eu o tenho. – Bella assegurou mesmo que no momento nutrisse algumas dúvidas acerca de sua sanidade mental.

– Certo!... Não vamos discutir o sexo dos anjos agora, pois quero ver se ainda consigo pegar nem que seja o finalzinho de minha aula. – antes de se despedir, Alice acrescentou. – Sabe que não aprovo o que está fazendo, mas sou sua amiga... Qualquer coisa que precisar é só me procurar.

– Obrigada Alice! – Bella disse com voz firme. – Já me ajudou agora. Eu precisava contar á alguém.

– Bom saber disso... Agora preciso desligar.

– Tudo bem!... Também preciso me trocar; hoje é dia de ensaio.

– E ainda tem isso! – a amiga exclamou. – Sério Bella, até que eu me torne sua cunhada de verdade estarei com cabelos brancos e será culpa sua.

– Amigas são para essas coisas!

Depois de despedirem-se, Bella atirou seu BlackBerry sobre o colchão e se deixou cair sobre o mesmo enquanto relembrava as palavras da amiga. Queria ser capaz de atender ao pedido de Edward, contudo mesmo hipoteticamente a opção a angustiava. Entendia que ele pendesse para sua vocação em um primeiro momento, mas não poderia deixá-lo ir sem lutar. Encontraria uma forma de aproximar-se sem amedrontá-lo e pouco á pouco o traria de volta. No momento respeitaria, mas não indefinitamente. Resignada se pôs de pé e rumou para o banheiro. No momento o que precisava era aprontar-se, pois o caminho até Wells seria demorado naquela quinta; talvez fosse oportuno que não fosse guiar e tivesse mais tempo livre para pensar em sua nova estratégia de ataque.

– Bella! – Kristen exclamou preocupada tão logo a moça caiu sentada. Ajudando-a á se levantar perguntou preocupada. – Machucou?

– Não. – Bella assegurou quando já se encontrava de pé. – Eu me desconcentrei.

– A estrelinha está nervosinha hoje. – Tanya comentou debochada parando ao lado das duas. – Essa é a terceira vez que cai. Se não está em condições de ensaiar libere para quem está e precisa trabalhar aqui.

– Quando meu tempo de ensaio terminar eu libero. – Bella retrucou, desanimada até mesmo para sustentar as eternas disputas com a dançarina mais velha. Tamanha apatia se dava por ainda remoer as palavras de Alice, que ameaçavam ganhar força todas as vezes que descartava uma nova forma de aproximação junto á Edward. Sem desejar embates verbais, falou sem tom especial. – Estou quase no fim então se me der licença...

Ao lhe virar as costas, Tanya lhe segurou firmemente pelo braço, detendo-a.

– Escute aqui... – ela não terminou a frase, pois antes que pudesse prever, a moça se voltou e segurou-a pelo dedo indicador torcendo-o com força para trás, provocando um grito de dor em sua captora e a obrigando á soltá-la. – Ai sua maluca... Você quebrou meu dedo!

– Não quebrei porcaria nenhuma, mas se me tocar novamente... – Bella sibilou, deixando a ameaça no ar.

– Meninas não briguem... – a colega pediu ás duas que não lhes davam atenção, medindo-se mutuamente de alto á baixo como se ela não estivesse entre seus corpos.

– Qual é o seu problema afinal? – Bella perguntou por sobre o ombro da amiga apaziguadora.

– O meu problema é você! – a loira vociferou. – Que desde o primeiro dia não faz nada mais do que brincar tomando nosso tempo quando todas as outras trabalham á sério aqui.

– Ah, entendi!... – Bella exclamou como se alcançasse a importância de suas palavras. Não era sua vontade brigar, mas não toleraria ser provocada e não reagir á altura então, falsamente consoladora, acrescentou. – Sinto muito por roubar um pouco do tempo que se esforça para continuar á ser coisa nenhuma.

– Sua vaca! – a mulher gritou enfurecida antes de emburrar Kristen para o lado e avançar sobre Bella. A moça a recebeu preparada para o ataque e, aproveitando a força com que Tanya se precipitou, segurou-a pelos braços estendidos e a fez tombar sobre o piso do palco. Ato contínuo montou sobre o dorso feminino enquanto a pretensa agressora ainda se recuperava do susto e da queda. Prendendo-a pelos punhos, Bella sibilou entre os dentes.

– Vaca é a senhora sua mãe... Antes de sonhar em partir para cima de mim novamente, lembre que posso deixar uma ou duas marcas nesse seu rosto de puta passada... Não que os velhos que chupa fossem notar ou se importar, mas ainda acho que você se importaria então me deixe em paz... Eu não falo com você, você não fala comigo. Está bem assim?

Antes que tivesse sua resposta, Bella sentiu um braço sólido segurá-la pela cintura e içá-la, forçando que liberasse a mulher caída. Quando foi depositada no chão e Tanya já se encontrava de pé encarando-a com os olhos injetados se deu conta que um dos seguranças veio intervir, evidentemente a mando de Barry que lhes encarava sério ao lado do balcão. Sem nada dizer, o dono da casa noturna somente fez sinal para que as duas seguissem-no antes de caminhar para o corredor que levava á sua sala. Talvez como forma preventiva, o mesmo segurança as acompanhou todo o percurso, não deixando que se aproximassem. Depois de praticamente empurrá-las para o interior da sala, fechou a porta sem entrar.

– Qual das duas vai me dizer o que foi aquilo que vi em meu palco? – ele começou sério encarando de uma á outra, sentado atrás de sua mesa cheia de papeis. – Sabem que não admito brigas aqui.

Bella podia sentir a tensão vinda da mulher ao seu lado. Sabia que naquele momento nada tinha á ver com a contenda recente e sim por estar diante de seu chefe. Sua intolerância quanto a desentendimentos era conhecida; Barry invariavelmente dispensava funcionárias com tendências irritadiças. Nas poucas vezes que frequentava a casa noturna o ouvia propagar a boa convivência e união entre suas meninas. Nunca lhe deu a devida atenção, pois jamais se considerou uma delas. Apenas respeitava a regra por não ter motivos reais para desavenças; Tanya era a única exceção ainda assim, mesmo que sempre lhe respondesse, nunca havia sido sua intenção verdadeira agredi-la fisicamente. O fez somente em legítima defesa e se fosse ser sincera, já estava arrependida. A dançarina mais velha poderia ser despeitada, mas tinha razão; ela não fazia nada mais do que brincar.

– A culpa foi minha. – disse finalmente; não tinha nada á perder.

Barry correu seus olhos de águia velha para seu rosto, inquiridor.

– Sua? – incrédulo acrescentou. – Pelo que soube Tanya sempre a provoca, talvez hoje tenha chegado ao seu limite.

Ás suas palavras, Bella pode ouvir um soluço contido vindo da dançarina ao seu lado. Não devia nada á ela, não a suportava, mas entendia que aquele era o local de trabalho dela; não seu.

– Sim... Ela me irrita ás vezes, mas nada que nos obrigue á brigar... Hoje eu a provoquei e quando veio tomar satisfações eu me excedi e revidei como pôde ver... Como disse, a culpa é minha.

– Isso é verdade? – ele indagou diretamente á Tanya que mesmo tesa ao lado de Bella não desviou seu olhar do homem á sua frente um único segundo.

– Sim... – ela exalou prontamente. Após alguns instantes em que as encarou, Barry disse á Tanya.

– Volte para seu ensaio. E evite tomar satisfações futuramente. Se tiver alguma queixa sobre alguma colega o faça diretamente á mim. Eu resolvo os problemas entre minhas meninas.

– Sim senhor Reagin...

Sem dirigir á Bella um único olhar, Tanya se encaminhou para a porta e saiu deixando a sala no mais absoluto silêncio. Como não havia sido dispensada, Bella esperou até que Barry dissesse algo. Sem pressa em fazê-lo, o dono da casa noturna levantou de sua cadeira e, depois de contornar a mesa, se recostou contra ela. Depois de cruzou os braços sobre o peito, sustentando o olhar da moça, perguntou.

– Por que a defendeu?... Não ouvi o que diziam, mas sabe que eu estava vendo toda ação.

– Não sabia. – disse sinceramente. Em sua cabeça havia espaço para um único assunto. O mesmo que a tornava dispersa e cega á tudo em seu entorno; Edward.

– Pois eu a estou observando desde que chegou. Está distraída, caiu algumas vezes e vi quando Tanya foi provocá-la. Sei que ela implica com você e nunca tomei partido porque nunca achei necessário, afinal ciúme entre mulheres bonitas é absolutamente normal... Mas não vou tolerar que partam para agressões.

– Bom... Se estava vendo sabe que não a defendi. Tudo bem que ela tenha provocado, mas eu realmente a agredi.

– Apenas se defendeu. Sabe que eu poderia tê-la dispensado, não sabe?

– Não quero que dispense ninguém por minha causa. – Bella pediu séria. – Se alguém tiver que sair esse alguém serei eu.

– Não! – Barry exclamou alarmado, endireitando seu corpo. – Não pode sair Bella!... Você é minha estrela!

Pela primeira vez Bella se sentiu incomodada com as palavras. Não queria tal responsabilidade ou importância. Gostava de suas atividades na “The Isle”, mas elas eram somente um passatempo. Gostaria de ter seu direito de sair á hora que bem desejasse intacto. Tentando não chocá-lo, disse.

– Agradeço que me considere como tal, mas sabe que cedo ou tarde deixarei de vir, não?

– Que seja tarde então... – ele pediu se aproximando. – Não se preocupe que não vou dispensar ninguém... Apenas não fale em deixar de vir, por favor.

E lá estavam eles; os olhos indisfarçadamente cobiçosos sobre seu corpo mal coberto pela camiseta branca levemente suada e pelos shorts de jeans cortados que invariavelmente usava para seu ensaio da dança noturna. Reconhecer o desejo masculino beirava ao asco caso não viessem de seu italiano. Forçando-se á não se mover com a proximidade, disse.

– Tudo bem!... Nada de falar em não vir. Posso voltar ao meu ensaio agora?

– Acho que deveria relaxar para á noite. Apesar dos tombos não tem o que melhorar... Como sempre enlouquecerá á todos. – rouco, adicionou. – Posso me basear por mim.

Desanimada, a moça constatou que aquela seria uma das tantas tentativas de aproximação indesejada. Preparando-se para o ataque não velado, pigarreou antes de tomar o cuidado de ignorar o último comentário e concordar.

– Vou aceitar sua ideia e descansar um pouco... Também preciso escolher o que usarei, se me der licença...

Ao lhe dar as costas, Barry segurou-a pela mão, contendo-a.

– Espere!... Poderia descansar aqui... Posso ceder meu sofá por alguns minutos, talvez uma hora... Se desejar eu posso pedir á uma das meninas que venha lhe servir algo que a relaxe.

Contendo o impulso de recolher sua mão rapidamente, declinou valendo-se do tom mais gentil que conseguiu encontrar.

– Sabe que não bebo antes da apresentação. De toda forma, agradeço... Mas prefiro ficar no camarim com as outras meninas.

– Tem certeza? – ele indagou num sussurro enquanto acariciava-lhe o dorso da mão com seu polegar. – Uma bebidinha não lhe fará mal algum... Ajuda com a tensão. Sei que está nervosa por algum motivo... Se não quer ocupar nenhuma menina eu mesmo posso lhe servir.

Não seria fácil livrar-se, pensou levemente irritada. Restava-lhe apenas duas opções; iria pela mais simples que não lhe obrigaria á tomar atitudes drásticas. Abrindo-lhe seu melhor sorriso desferiu alguns tapinhas amistosos na mão que desejava afastar da sua.

– Agradeço mesmo a atenção Sr. Reagin.

– Barry. – ele corrigiu encantado.

– Barry... – ela repetiu num sussurro. – Agradeço a atenção, mas preciso ir... Aceito sua bebida antes de sair, combinado assim?

Bella ainda pôde ver a indecisão brincar no olhar falsamente acolhedor. Sabia que a deferência se dava pura e simplesmente por Barry também entender que ela não era uma de suas garotas e por esperar que seu assédio fosse aceito e finalmente pudesse apresentar sua excitação que nem ao menos tentava ocultar; que continuasse esperando. Provando-lhe que estava disposto á ser paciente, ele aquiesceu.

– Combinado.

Ainda lhe sorrindo, Bella livrou sua mão do aperto incomodo e partiu. Ao fechar a porta atrás de si bufou exasperada. Como se não bastasse todos os rolos nos quais estava metida, ainda havia aquele babão para administrar, pensou enraivecida. Esfregando a mão tocada em seu jeans, seguiu para o salão onde algumas meninas arrumavam as mesas e outras ensaiavam sobre o palco. Ignorando Tanya que estava entre elas, rumou para o camarim. Desejava ficar sozinha, contudo sua amiga dançarina não parecia disposta á colaborar.

– Você demorou. – Kristen exclamou tão logo a moça se acomodou na cadeira diante do espelho. – O que ele ainda queria com você?

– Nada demais... – Bella disse olhando para o próprio rosto no espelho. – Somente saber o que tenho.

– Então estou com ele, pois também queria saber. Nunca a vi cair durante a execução de uma sequência no mastro... Sua cabeça está nas nuvens há dias.

Bella desviou os olhos de seu rosto e focou no da amiga; tão semelhante ao seu. Distraída, como se aquele rosto fosse a outra face de si mesma, murmurou.

– O que faria se alguém que gosta de você pedisse para se afastar?

– Depende. “Eu” também gosto desse alguém? – a dançarina perguntou receosa.

– Gosta muito... – Bella disse sinceramente.

– Bom... Nesse caso eu pensaria com meus botões sobre os motivos que levou esse alguém á me pedir que ficasse longe. Se ele também é interessado deve ter sido difícil pedir tal coisa então suponho que seja por algo “grande”... E se eu chegar á conclusão de que o pedido é válido eu me afastaria.

– Mas você gosta dessa pessoa de verdade... Quer muito ficar com ela.

– Mais um motivo para atendê-la. – a dançarina falou brandamente. – Quando eu gosto de alguém a necessidade dessa pessoa vem sempre em primeiro lugar. Se ela gosta de mim, como eu acho que gosta, vai sentir minha falta e acabará correndo atrás.

Bella tentou visualizar o padre na cena descrita, sem sucesso. Daquela vez Edward lhe pareceu muito seguro em seu pedido. Poderia dar-lhe o tempo que desejasse, mas ele não viria procurá-la como das outras vezes e sentia que, caso o atendesse, poderia perder o tanto que havia conquistado até o momento. O italiano relutava, contudo era completamente atraído por ela. Ainda sentia a impressão de sua pegada e sua boca por todo o corpo onde foi impetuosamente tocada como prova.

– Acredite em mim. – a colega falou, chamando-a de volta de seus pensamentos. – Ás vezes a distância opera milagres. Ele irá procurá-la.

Bella novamente ergueu os olhos para Kristen. A semelhança entre as duas era incrível, então a moça ainda imaginou conversar com sua metade; uma ponderada e com vasta experiência sobre o comportamento masculino.

– Preciso de um milagre... – se ouviu murmurar.

– Então faça o que tem que fazer!

Não seria fácil, Bella pensou resignada. Contudo aquele era o mesmo conselho que recebeu cedo de sua melhor amiga. Melhorado na verdade, pois nas palavras de Alice deveria se afastar e desistir. A dançarina lhe incentivava á ser paciente para alcançar seus objetivos. Seria inédito, mas exatamente o que faria. Daria á Edward o tempo necessário para sentir sua falta. Aproveitaria o afastamento para confirmar suas impressões; se o padre nutria algum sentimento por ela, este seria evidenciado e ele a procuraria; teria seu milagre.

– Farei. – ela assegurou á colega com um sorriso.

– Muito bem! – a amiga exclamou. – Já que chegamos á um acordo que tal escolhermos o que vamos usar essa noite?

Ainda sorrindo para a colega, Bella se pôs de pé e a acompanhou até a arara com as roupas usadas nas apresentações. Ao revirar os modelos recordou o pensamento daquela manhã sobre conhecer várias maneiras de agarrar um bom peixe e imaginou incorporar uma pescadora, contudo considerou o tema nada erótico e decidiu não brincar com algo que lhe era sério, ainda assim optou por uma variante; seria uma caçadora.

– Não espera algum agradecimento de minha parte, não é estrelinha?

A noite está no fim, a moça pensou resignada. Apenas mais alguns minutos e poderia voltar para sua casa. Olhando para os reflexos das outras dançarinas no grande espelho reparou que, acostumadas com a conhecida implicância, continuavam suas atividades alheias ás palavras trocadas; apenas Kristen se mostrava interessada. Poderia seguir o exemplo da maioria e tolerar a mulher pelo tempo mínimo que levaria para se vestir. Sem se dar ao trabalho de se voltar para a mulher que se maquiava sentada ao extremo oposto do vasto balcão, retrucou.

– Não Tanya, não espero nada de você.

– Isso é bom, pois não é minha intenção agradecer por ter livrado minha cara junto ao Barry, afinal a culpa “é” sua.

– Certo, a culpa é minha. – disse a moça já escovando seus cabelos para retirar a marca dos grampos que usava para prendê-los antes de colocar a peruca loira. – E já que chegamos á essa conclusão vamos fazer como pedi; você não fala comigo e eu retribuo o favor.

– Fechado!

Selado o acordo, Bella relegou a dançarina á insignificância que lhe dispensava e voltou á se preparar para partir. Esperava encontrar com Jacob no estacionamento; precisava de sua carona naquela noite. Minutos depois, ao pegar sua bolsa e se despedir das colegas que apenas iniciariam suas atividades, a moça se lembrou de seu compromisso com Barry. Sua vontade era forjar um súbito esquecimento e escapar, contudo apenas adiaria para a semana seguinte. Conformada, seguiu discretamente para o salão e se misturou aos clientes. Encontrou o dono do estabelecimento a esperá-la ao lado do balcão. Ao vê-la abriu seu melhor sorriso e estendeu a mão para que a segurasse. Com um pigarro incomodado, ela estendeu a sua e deixou ser puxada para perto. Valendo-se do som alto, Barry a aproximou o suficiente para segredar-lhe ao ouvido.

– Como sempre esteve magnífica!

– Obrigada! – Bella agradeceu afastando-se; decidida á ganhar tempo se voltou para o barman e pediu. – Uma dose de gim, por favor.

– Puro? – Barry estranhou. – Vai pegar a estrada, não?

– Não estou dirigindo hoje. – ao terminar de proferir as palavras já se encontrava arrependida.

– Posso levá-la? – Barry se ofereceu esperançoso.

– Ela já tem um chofer para essa noite.

Bella não se lembrava de outra vez que agradeceu a aparição de Jacob.

– E você é quem? – o homem indagou medindo-o de alto á baixo. A moça conhecia o amigo o suficiente para não deixá-lo responder então se adiantou.

– Barry, esse é meu amigo Jacob... Jacob, esse é Barry, o dono do “The Isle”. – se voltando ao homem mais velho, explicou. – Ele me levará para casa, mesmo assim obrigada pelo oferecimento.

Aparentemente sua interferência não surtiria o efeito desejado. O dono da casa noturna continuava á medir o garoto, agora com indisfarçado aborrecimento que era prontamente retribuído por Jacob.

– Tem idade para estar aqui Jacob? – Barry inquiriu com o cenho franzido.

– Acho que deveria se preocupar mais com a idade das moças que ficam peladas no seu palco do que com a dos clientes.

Apesar da iluminação multicolorida, a moça pôde ver claramente o vermelho tingir o rosto de Barry. Imediatamente interveio para evitar novo atrito entre eles. Deixando sua bebida intocada, afastou-se do balcão puxando Jacob pelo braço para desfazer sua atitude desafiadora. Colocando-o ás suas costas, pediu á Barry.

– Desculpe-o, por favor. Jacob não aprova que eu venha, então não mede as palavras...

O homem ainda o encarava com as narinas dilatadas, contudo, após alguns segundos encarou a moça e desfez a expressão enraivecida.

– Tudo bem!... E não posso tirar-lhe a razão não é mesmo?

– Bom... Acho que é melhor irmos embora. Obrigada pelo drink... Até quinta, Barry.

– Até quinta! – retrucou girando para o balcão, dando a conversa por encerrada.

Antes que Jacob considerasse boa ideia prosseguir com as provocações, Bella o arrastou para fora do salão, novamente agradecendo intimamente por sua interferência que abreviou o encontro indesejado. Ainda assim, tão logo chegaram ao estacionamento o repreendeu.

– Não deveria ter dito tal coisa.

– Se tem alguma coisa errada aqui é essa sua ideia idiota de ficar pelada na frente desse bando de velho babão. – o rapaz replicou abrindo a porta do Rabbit para que ela entrasse.

– Sério. – Bella começou quando ele se acomodou ao volante. – Não estou com cabeça para discussões hoje.

– Sua falta de cabeça tem a ver com o fato de o padre esquisito ter saído da praia como se o diabo estivesse em seus calcanhares ou com você ter ficado toda chorosa sentada na areia?

– Evidente que você viu isso, não? – ela comentou sem responder diretamente.

– Evidente que sim... Mas não quis me meter. Depois que Jasper chegou, eu fui embora. – olhando-a de esguelha, perguntou. – Vai me dizer o que houve?

– É melhor você continuar á não se meter... – ela retrucou simplesmente. Não tocar naquele assunto justamente com Jacob, mas algo na forma com que ele descreveu o comportamento de Edward lhe renovou a esperança de conseguir seu milagre.

– É... – Jacob replicou despeitado. – Talvez seja mesmo melhor não me envolver. Não quero ficar enjoado caso você me diga que está dando mole para um padre.

Bella achou por bem não retrucar. Estava cansada de negar um envolvimento com Edward quando era fato que Jacob – mesmo sem sua confirmação – o conhecia. Quando o silêncio recaiu sobre eles, a moça soube que o amigo compartilhava de seu desejo em não prolongar o assunto. Olhando pela janela, Bella se arrependeu de não ter dado um único e sufocante gole na bebida descartada sobre o balcão. O torpor que ela lhe causaria seria bem vindo naquele instante em que se dava conta que ficaria dias longe do padre. A moça esperava apenas que o sacrifício valesse á pena.

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SPOILER

Com um suspiro exasperado, Edward colocou o grande livro com os registros dos batismos de lado. Tentava se inteirar da rotina do padre anterior, mas não estava conseguindo o mínimo de concentração. De tempos em tempos, sua mente se dividia entre a cena vivida em seu quarto e a da praia. Em todas elas a imagem da moça lhe provocava um calafrio distinto assim como lhe incutia uma nova culpa; todas contraditórias. O problema é que não havia nada que pudesse fazer para acabar de vez com tais pensamentos. Como não voltou á praia, há três dias não a via e nunca mais se encontraria com ela intimamente, então seu corpo deveria se habituar á necessidade que agora sentia dela.

Não a teria por perto nem mesmo como amiga, o que igualmente lhe obrigava á se acostumar com a falta. Falta essa agravada ao não tê-la entre os fieis que lotaram os bancos de sua igreja naquela manhã. Durante todo dia na sexta e no sábado se preparou para encontrá-la ao menos nas missas dominicais de forma que sua ausência logo na primeira delas o causou uma decepção inesperada e inquietante.

Deveria ser agradecido que ela o atendesse prontamente, contudo aquela metade que ainda ansiava vê-la não lhe ouvia. Impaciente, Edward se pôs de pé e passou a andar pela sacristia, ainda cismava com os sentimentos que não conseguia nomear ou sufocar quando duas batidas leves na porta chamaram sua atenção. Ao se voltar deparou-se com Charlie e Renée Swan. Por um segundo seu coração se negou uma batida ao antever o rosto da moça á lhes seguir, contudo, ao perceber que estavam sozinhos, voltou á bater; aceleradamente.

– Boa tarde! – Charlie começou entrando sem ser convidado. – Viemos fazer uma visita ao seu tio.

O jovem padre cogitou vetar-lhes o desejo, contudo acreditou ser infantilidade de sua parte. Nem ao menos haviam trazido sua filha caçula e uma vez que Bella cumpria sua parte no pedido, deveria fazer a sua e conviver pacificamente com todos; arcar com sua decisão. Depois de lhes sorrir, disse.

– Meu padrinho está lá na casa.

– Então acho melhor darmos a volta... – Renée falou já seguindo para a saída.

– Não é necessário. – Edward assegurou. – Venham por aqui.

Enquanto os guiava pelo corredor que os levaria até a casa, explicou.

– Ele está no quarto... Vocês podem esperar na sala. Logo ele virá.

– Não queremos incomodar... — Charlie falou incerto.

– não incomodam. – Edward exclamou. – Ele precisa mesmo sair do quarto, assim como se distrair. Levarei somente um minuto, esperem...

Depois de dar-lhes passagem e lhes indicar o sofá, o padre seguiu rumo ao corredor. Encontrou seu tio deitado sobre a cama a mirar o teto, pensativamente.

– O senhor tem visitas. – anunciou.

Após um resmungo baixo e ininteligível, perguntou laconicamente.

– Quem?

– O senhor e a senhora Swan.

– Os pais da Bella. – Carlisle disse o óbvio com desgosto aparente.

Edward nada comentou sobre suas últimas palavras, pois qualquer confirmação era desnecessária. Depois de um suspiro explicou também o que era evidente.

– Eles vieram ver como o senhor está.

– Você poderia ter dito que estou bem e pronto. – o padre mais velho resmungou voltando o rosto para encarar o afilhado. – Não queria estreitar os laços justamente com eles.

– Deixe de bobagens. – Edward pediu seriamente. – Eles nada têm a ver com o que aconteceu entre mim e a filha deles.

– Não repita isso. — o padrinho ralhou, sentando-se na cama com certa dificuldade. – Não houve nada entre vocês dois.

Edward não poderia responder àquilo então somente pediu.

– Desculpe-me, não repetirei, mas o que disse á válido. Os pais da moça não têm culpa de nada.

– Se tivessem educado a filha como se deve ela não ficaria por aí agindo feito uma...

– Carlisle! – Edward interrompeu bruscamente.

O padrinho o encarou inquiridoramente com o cenho franzido por um instante antes de suavizar o semblante e falar sentido.

– Nunca me chamou assim... Não com esse tom. O que está acontecendo com você Eddie?

Aquela era uma das tantas perguntas que ficariam sem resposta, pois Edward não sabia o que havia acontecido á ele. Agora, mais do que nunca, queria ter conhecimento próprio de sua vida. Queria saber quando se perdeu no caminho, pois não poderia ser somente culpa do assédio de Bella. Cada vez mais custava á crer que fosse tão fraco ao ponto de renegar sua vocação por uma moça leviana e caprichosa. Fosse como fosse, aquele não era o momento para especulações e jamais poderia permitir que o padrinho se referisse á ela de forma vilipendiosa.

Notas finais
Bom... Espero que tenham gostado e se possível, me deixem saber... Semana que vem tem mais, amores!... E para áquelas que seguem o vampirão... Se tudo der certo, na quinta trago um capítulo dele... não é promessa, mas vou me esforçar bastante para conseguir terminar e postar... =) Bjus lindas...