Notas iniciais
Oie... Bom dia!... Amores, muito obrigada pelos reviews... estou em falta ainda, mas esse findes foi bem conturbado aqui e não tive como responder... Com certeza assim que puder eu respondo á todos... Obrigada tbm pelas indicações... Fico realmente emocionada quando vejo alguma nova que como sempre descreve a fic como eu a imagino... Sinal que estou passando o recado como desejei desde o começo... Muito obrigada sempre! Bom, BOA LEITURA...

Nas horas seguintes, Bella se ocupou ajudando á organizar os doces que Sue recebia em sua casa e no planejamento da distribuição de mesas pelo gramado. Durante aquele tempo tentou bloquear o padre em seus pensamentos, pois tinha decidido que já havia remoído demais a raiva que sentia dele. Contudo, quando Edward chegou, por volta do meio dia, estava sob tal efeito da irritação que suas pernas nem ao menos falharam. Retribuiu-lhe o aceno distante por educação e porque todos os outros não entenderiam sua atitude caso não o fizesse.

Mesmo com toda sua má vontade para com ele, passou á ser complicado se locomover pelo jardim; parecia que Edward estava em todo lugar. Queria ignorá-lo, mas vez ou outra se pegava procurando-o disfarçadamente com os olhos. Pela primeira vez o viu de calça jeans e uma camisa sem ser preta. Se não estivesse fechada até o último botão e um pedaço de pano branco não pudesse ser visto em seu pescoço, ninguém desconfiaria de sua posição no clero.

“Inferno! Por que o padre duas caras tinha que ser tão bonito?”

Apesar do rosto ainda sombreado, aparentemente estava com um humor melhor. Pelo menos com os outros, pensou azeda. Sorria-lhes durante a conversa que parecia fluir fácil, circulava com desenvoltura entre todas as pessoas. Apenas duas vezes seus olhares se cruzaram. Nas duas ocasiões ele esboçou um leve sorriso; Bella não retribuiu, virando o rosto distraidamente como se não tivesse visto ou reparado no gesto. E assim o início da tarde seguiu.

Como a quantidade de ajudantes era grande, às duas horas tudo já estava praticamente pronto. A maioria das pessoas já haviam ido embora. Apenas Jacob e Jessica estavam sobre o palco feito por ele; Sue estava dentro de casa; em um ponto afastado do jardim Harry e James conversavam enquanto Edward perambulava pelo entorno. Bella reagrupava algumas mesas junto com a irmã que havia chegado horas depois dela na companhia do noivo. Em determinado momento durante a tarefa, a irmã se chegou á ela e comentou.

– Pensei que poderíamos conversar ontem, mas você demorou...

– Tinha alguma coisa para me dizer? – Bella perguntou enquanto aproximava uma mesa de outra para conseguir um espaço maior para as tortas doces.

– Para contar... – ela disse receosa olhando na direção do noivo. – Também pensei em fazer essa amanhã, mas acordou péssima e atrasada...

Bella inconscientemente imitou-a. Como Edward estava um pouco além de James e lhe flagrou o olhar, ela voltou a encarar a irmã rapidamente.

– Sobre James?

– Não... Sobre o que aconteceu ontem lá em Wells.

Como era próprio aos devedores, imediatamente Bella se pôs em alerta. Não era muito esperto de sua parte se expor tão perto de casa.

– O que aconteceu?

– Nós nos encontramos com Emmett... – ela disse num sussurro.

Tomada por um alívio imediato por não ser o foco do assunto e se solidarizando à irmã, a moça comentou.

– Nossa Rosie... Imagino como deva ter ficado.

– Não foi muito agradável... – ela disse sem jeito. – Mas também não foi ruim...

“Entendo o conceito!”, Bella pensou contrafeita, novamente olhando instintivamente para onde Edward estava; havia sumido. Sem que pudesse evitar vasculhou o perímetro, sem encontrá-lo, voltou a atenção para Rosalie.

– Ficou acordada até tarde só para me contar isso? – perguntou encarando a irmã.

– Precisava falar para alguém... Eu sempre nego, mas você sabe que eu ainda gosto dele e fiquei nervosa...

– Vai passar!... – Bella esperava que seu comentário fosse verdadeiro, pois ela própria precisaria que fosse assim. Então acrescentou. – Foi só um encontro casual, afinal... Emmett não vem aqui há muito tempo. Logo voltará “tudo” á ser como era antes...

Ao terminar de falar olhou teatralmente na direção de James.

– Acho que não vai... Papai o convidou para vir ao piquenique.

– Papai fez isso?!... – exclamou incrédula. – Convidou Emmett para vir aqui?

“Estranho”. Charlie nunca hostilizou o adolescente abertamente, suas famílias eram próximas, mas ele sempre tratou o garoto com frieza velada. Agora o convidava para festas de igreja em sua cidade?... Decididamente muito estranho. Vendo o rosto consternado da irmã, inquiriu.

– É por isso que está nervosa?... Por que Emmett vem aqui hoje?

– Estou nervosa porque não sei... Quando papai fez o convite eu fiquei tão... Tão... Nem sei dizer!... – ela exclamou por fim, agitada. – Pedi licença e corri para o banheiro.

Se soubesse que não magoaria a irmã, Bella teria rido; Rosalie era impagável. A moça não riria, mas não refreou um gracejo.

– E agora está nervosa porque não sabe se deve se arrumar muito para Emm ou pouco para James?

– O assunto é sério Bella, não faça piada! – Rosalie pediu carrancuda. – O que eu faço?

– Não sou a melhor pessoa para lhe dar conselhos Rosie... – Bella começou voltando á se ocupar das mesas. – Sabe o que eu penso e se eu dissesse o que é para fazer, não faria... Era bem capaz de fugir para o banheiro novamente e só sair de lá quando o piquenique tivesse terminado.

– Não posso romper com James, Bella... E além do mais... Talvez fosse em vão, pois Emmett mal olhou na minha direção. – ela contou entristecida. – Acho até que me cumprimentou por educação.

– Corta essa Rosie! – Bella retrucou se impacientando com o exagero da irmã. – Mesmo que ele já tenha superado o que sentia por você, não seria assim tão frio...

“Não seria?”, perguntou-se incontinenti. Ela acreditava que o padre não era indiferente á ela, no entanto, mesmo que realmente sentisse algo, como ele á tratava na maioria das vezes?... Lembrando-se da dor que sentiu na manhã anterior quando foi tratada com indiferença e grosseria por alguém que gostava, compadeceu-se da irmã. Apenas Rosalie sabia o que sentia. Arrependida de seu pouco caso, Bella corrigiu.

– Olhe... Não pense nisso agora, está bem... Sofrer com antecedência é a maior roubada!... Aja como se não tivesse acontecido nada... Se ele não vier, não veio... Se Vier, nós veremos depois como fica... Acha que pode fazer isso?

– Posso tentar... – ela disse tentando um sorriso.

– Já é um começo... E para ajudá-la... Vou ocupar sua cabeça. – olhando em volta, determinou. – O que acha de ir ajudar Jessica com os enfeites?... Pela cara do Jake ela deve estar o enlouquecendo enquanto decide como quer aquele monte de penduricalho de papel crepom...

– Está bem!... – concordou com um sorriso incerto. – Acho que é só o que falta, não?

– Sim... Assim que terminar de arrumar essas mesas vou para casa... Você vai com James?

– Vou sim... – a irmã confirmou se afastando.

– A gente se vê em casa então...

Rosalie apenas confirmou com a cabeça. A moça ainda ficou olhando a irmã se afastar lentamente. Agora sabia como Rosalie se sentia e se pudesse, arrancaria aquela angustia do peito dela. Ninguém que estava apaixonado deveria sentir aquele incomodo; não era justo. A irmã, mais do que qualquer outra pessoa, não deveria. Era boa filha, cordata... Merecia ser feliz, Bella pensou ainda observando-a enquanto se aproximava de Jessica.

A garota insuportável não decidia como decorava o palco recém entregue por Jacob, valendo-se de sua ajuda. O rapaz a colaborava prestativamente, mas vez ou outra ainda olhava na direção de Bella. Como fez naquele exato momento lhe flagrando o olhar. Imediatamente ela baixou o seu e voltou á ajeitar a mesa; não queria que ele confundisse as coisas.

– Se a ideia é manter segredo, acho que não deveriam se olhar com tanta frequência. – Bella ouviu a voz suave e cantada ao seu lado; próximo ao ouvido.

Nesse momento, apesar da raiva que nutria por ele, todos seus pelos se eriçaram. Após alguns segundos, se obrigou á reagir e pegou a toalha disposta sobre uma das mesas, somente para ocupar a mão, então se voltou para encará-lo.

– Não sei do que está falando “senhor”...

– Costumava me receber melhor. – ele comentou e, depois de perscrutar-lhe o rosto, acrescentou. – Está horrível... A noite não foi boa?

“Por sua causa a noite foi péssima!”, gritou em sua cabeça. Como estava sem os óculos, sabia que ele poderia ver seus olhos inchados. Contudo, Edward não poderia falar nada da aparência dela. Agora que o via de perto confirmou que a barba continuava por fazer, ele ainda estava abatido e com olheiras sob os olhos azuis. Também poderia dizer que a aparência dele estava horrível, mas ela não se comoveria. O padre se apresentava com a mesma expressão deplorável na manhã passada e ainda assim passou por ela como rolo compressor.

Ignorando o último comentário, disse séria.

– Costumava fazer muitas coisas que não faço mais... Está dizendo isso por causa da benção?... Posso tomá-la por obrigação, mas nunca mais vou tocá-lo.

A moça viu o lampejo de alguma coisa cruzar os olhos dele, mas não soube o quê.

– Não iria pedir por isso. – ele retrucou também sério. – Não na frente de todos... Não na frente de seu namorado que agora não tira os olhos daqui.

Ele não era seu namorado, mas como Bella sabia á quem Edward se referia, foi inevitável não procurar Jacob sobre o palco. Quando voltou á encarar o padre, notou que seus olhos haviam assumido uma cor indefinida, escura. Raivosa. Piscando algumas vezes, a moça respirou profundamente e retrucou sem se importar com o que ele pensava ou não.

– Jacob não tem com que se preocupar... Afinal estou só conversando com o padre. E se não tem nada á me dizer além de dar conselhos dos quais eu não preciso, com licença. Não quero ser obrigada á dizer, de forma não muito educada, que estão desperdiçando o meu tempo...

Sem nada mais á acrescentar, Bella estendeu a toalha sobre a mesa e a arrumou de qualquer jeito antes de ir se despedir de Sue, deixando o padre onde estava sem nem se despedir. Seu coração estava mínimo no peito, mas a raiva que sentia por ele naquele momento lhe impulsionou á falar aquelas coisas. Não poderia se render sempre àquela voz cantada. Não eram nada um do outro para aceitar ser tratada cada dia de uma maneira, conforme as variações de humor de Edward.

Se ele não a queria por perto então que também se mantivesse distante. Ela por sua vez, trataria de ignorá-lo, assim como faria com Jacob pela gracinha de beijá-la e assumir ares de namorado secreto. Mesmo que a dor de cabeça ameaçasse aumentar, aproveitaria a tarde daquele piquenique que agora considerava idiota, mas que não havia a mínima possibilidade de faltar.

Edward deixou que ela fosse. Merecia aquele tratamento; precisava dele para se colocar no seu lugar. Ainda mais agora que tinha a confirmação definitiva de que ela e o rapaz exibicionista estavam juntos. Daquela vez Bella não negou e nem poderia. A forma como seus olhos correram para Jacob quando se referiu á ele como seu namorado era prova irrefutável do relacionamento secreto. Que á ele não dizia respeito, o padre entoava á si mesmo. Assim como também não era da sua conta descobrir por que não ouviu as buzinadas na noite anterior ou a aparência abatida da moça que denunciava uma noite mal dormida.

Se realmente gostava dela, deveria desejar vê-la feliz fosse com quem fosse. Cedo ou tarde se curaria da atração; o que sentia era somente uma provação. Ainda era cedo para dormir todas as noites e esquecer, mas tinha fé que conseguiria. Começaria deixando-a em paz. Tudo estava prestes á acabar. Depois daquele piquenique não haveria razão para se verem. Ela restauraria as imagens na própria casa o que limitaria as visitas dela á igreja. Talvez, apenas a visse aos domingos. Depois que passasse aquela fase de abstinência tudo voltaria ao normal.

“Talvez ajudasse mais se não fosse obrigado á vê-la com o garoto seminu”, pensou irritado ao ver que Jacob se desocupou da arrumação do palco e seguiu atrás da moça que marchava empertigada para a casa de Sue. No namoro secreto não incluía ser discreto?... Não é da sua conta, uma voz persistente dizia em sua cabeça. Dando de ombros, Edward saiu de onde estava e foi se despedir de todos. Precisava se trocar e buscar o padrinho, que á muito custo concordou em comparecer ao evento.

Edward estava decidido á melhorar o clima entre eles, ainda mais agora que havia desistido de se acercar da moça, mas quando chegou ao seu jipe – depois de despedidas breves, afinal voltaria – ele não conseguiu sair do lugar. Sentado onde estava se apoiou ao volante e permaneceu á olhar o casal conversar de forma discreta, mas pelo pouco que Edward já havia visto dos dois na calçada da moça, sabia que os ânimos estavam exaltados.

Tudo que Bella queria era ir embora e o rapaz á impedia, perturbando-a com a mesma conversa da semana inteira há quase dez minutos. Sua vontade era poder explodir, mas era obrigada a manter ás aparências. Rogava silenciosamente para que todos se fossem ou que alguém a chamasse, mas nada acontecia. No limite de sua paciência, perguntou.

– Quantas vezes eu vou ter que repetir que não tem nada acontecendo entre mim e o padre?

– Se for para enganar á si mesma eu não sei, mas a intenção é “me” enganar, desista e admita. – Jacob sibilou.

A moça estava prestes á retrucar-lhe quando viu a movimentação no jardim, por sua visão periférica. Ao mover a cabeça notou Harry, James e Rosalie indo em direção á cooperativa e Jessica finalmente indo embora.

– Veja!... – disse tentando escapar. – Acho melhor dar carona á Jessica.

– Até parece! – Jacob exclamou segurando-a. – Você nem gosta da garota, deixe de ser falsa... E covarde.

– Não sou covarde. – retrucou se soltando. – Só estou cansada dessa estória. Já disse que tenho nada á falar sobre isso.

– Não sou cego Bella. – ele disse. – Vejo como se olham... Vejo como ele olha para você... E não adianta negar, sei que chorou porque eu disse que o padre esquisito não estava na praia. Demorei á entender, mas depois tudo fez sentido. Quando ele apareceu você esfriou comigo.

– Sempre sou fria com você Jacob. – ela replicou secamente. – E aqui não é o lugar de conversarmos...

– Se importam tanto em nos ver conversando que não sobrou mais ninguém aqui... Deixe de frescura, Bella... Todo mundo sabe que somos amigos desde criança... Não vão reparar que converse comigo. – disse sério. – Estranho é o padre cochichando com você e ninguém parece se importar quando acontece... – dando um passo para chegar mais perto, ele acrescentou. – E não me venha com essa que sempre foi fria comigo... Ontem estava bem quente.

– Eu nem me lembro do que aconteceu ontem criatura... – Bella controlava-se para não gritar. – Eu estava “bê-ba-da”! Você deveria ter me respeitado e não me agarrado.

– Pois para seu governo. – ele disse pausadamente. – Foi você que me agarrou.

– Eu não fiz isso. – a moça negou veementemente.

– E tem mais... – Jacob não completou a frase, deixando-a curiosa.

– Tem mais o quê?... Vai inventar o que agora?

– Não preciso inventar Bells... – Jacob disse com mesmo ar debochado de antes. – Foi você que me agarrou, me beijou e se esfregou em mim... E se quer saber toda a verdade, eu não teria problemas em tirar sua virgindade mesmo estando bêbada... Só não fodi com você no meu carro porque me chamou pelo nome “dele”.

Bella não sabia o que a chocava mais; saber que tinha tomado á iniciativa ou saber que havia realmente dito o nome de Edward. Incrédula, perguntou em um fio de voz depois de tomá-lo pelo braço e o afastar da casa por medo de Sue os ouvir.

– Eu disse o nome de quem Jacob?

– Como de quem? Do padre esquisito... – o rapaz praticamente cuspia a resposta amarga. – As palavras exatas foram... “Hummm, Edward, meu amor”.

Aquilo não podia ter acontecido. Não era para mais ninguém saber o que sentia; muito menos alguém que já conhecia tanto sobre ela. Uma coisa era ele ter conhecimento de suas escapadas para o “The Isle” das quais bem tirava proveito vendo-a seminua todas as semanas. Outra bem diferente era saber de sua paixão proibida e que – para ele – representava um risco. Tomada pelo pavor Bella reagiu da única maneia possível. Defendeu-se atacando. Baixando a voz ciciou.

– É mentira!... Está inventado!

– Como eu poderia inventar uma maluquice dessas? – Jacob perguntou impaciente.

– Não sei... Inventando!... Mas é mentira... Eu jamais faria isso!... “Você” se aproveitou de mim e agora vem com essa conversa sem noção.

– Bella...

– Nada de Bella, Jacob! Enquanto insistir nesse assunto não fale comigo novamente.

Sem dar chance para que ele respondesse, ela o deixou. Correu para o interior da casa de Sue e se despediu dela rapidamente dizendo que logo estaria de volta. Quando voltou ao jardim Jacob estava no mesmo lugar e acompanhou sua passagem com os braços cruzados. Ignorando-o, correu cegamente pelo gramado e se refugiou no interior da pick up. “Que merda havia feito?”

Precisou de alguns minutos para se recuperar do choque. Depois de respirar pausadamente alguns instantes, acomodou-se no banco. Bella se preparava para sair quando viu a imagem de meio jipe em seu retrovisor. Ele não estava lá quando chegou então, em um ato reflexo, girou o espelho mínimo para ter a imagem inteira. O movimento brusco não só lhe completou a imagem, como lhe permitiu ver quem estava ao volante.

“Só pode ser brincadeira!”, pensou colocando a caminhonete em movimento. Logo viu que era seguida.

– Beleza!... – exclamou para si mesma. – Se Jacob viu isso agora vai deitar e rolar. O que esse padre maluco pensa que está fazendo?!

Depois de alguns metros a vontade de Bella era frear bruscamente para que ele batesse em sua traseira, mas logo abandonou a infantilidade. Somente estaria lhe dando audiência e a ideia era ignorar. Com esse pensamento ela acelerou ao que foi imitada prontamente. Tentando manter a calma e evitando olhar o retrovisor, seguiu seu caminho como se Edward não estivesse atrás de si. Logo chegariam á praça e se separariam, simples assim.

Como imaginou, ao chegarem á igreja, o padre manobrou o carro para estacionar á entrada de sua casa, mas não sem antes buzinar duas vezes. O queixo da moça praticamente caiu com o susto. Então aquele era o motivo de ele acreditar que Jacob e ela estavam juntos. Evidente que sim; Edward estava na praça por duas noites seguidas e a viu se despedir de Jacob quando os dois chegaram da cidade.

“O que era aquilo, afinal”; ponderou. Um complô, com certeza. Os dois tiraram o dia para azucriná-la, aquela era a verdade. O que queriam dela afinal?... Bom, Jacob ela sabia o que queria, mas o padre?!... O que ele esperava seguindo-a daquela maneira depois de destratá-la?”

– Quer saber? – perguntou para alguém inexistente ao seu lado; fora da cabine. – Não quero saber! Vou morrer louca sem nunca entender os homens... Então é melhor desistir enquanto é tempo.

Ainda resmungando sozinha, chegou á sua casa e, agradecendo por não encontrar ninguém na sala voou para o quarto. Seu desejo de ficar sozinha não foi atendido, pois ao entrar encontrou Alice á esperá-la.

– Renée disse que eu podia subir. – ela se desculpou antes mesmo que Bella dissesse alguma coisa.

– Ah, tudo bem!... – Bella falou já se despindo; precisava de um banho. Sem se importar com a amiga, seguiu para o banheiro e entrou no Box para deixar a água batesse em sua cabeça. Se ela não esfriasse, com certeza explodiria.

– Aconteceu alguma coisa Bella?

– Aconteceu! – respondeu de olhos fechados sem sair debaixo d’água. – Não estava bom como estava?... Só os bichinhos sobre a terra, povoando as matas e os mares?... Não!... Deus teve que ter a brilhante ideia de inventar um homem!

– E tem algum problema nisso? – a amiga perguntou em tom de riso.

– Não teria se Ele tivesse feito o serviço completo... De que adiantou criar um espécime bonito, forte e capaz se lhe negou um cérebro que funcionasse direito?... Depois que Adão nomeou os animais deu defeito... “Irreversível”!... De lá para cá todas as suas cópias saíram danificadas e só fizeram piorar...

Quando Alice irrompeu em uma gargalhada, Bella fechou o chuveiro de mau humor.

– Não é engraçado!

– Desculpe Bella! – a futura cunhada pediu tentando se conter. – Mas quando você desanda á falar bobagens fica impagável...

– Que seja! – retrucou saindo do Box para se secar; não adiantava descontar em Alice.

– Sério Bella. – começou, controlada. – O que aconteceu?

– O problema é o que não vai acontecer Alice...

– Ah... Enfim o “seu” cérebro funciona! – ela exclamou ao compreender.

– Não tripudia. – Bella pediu indo para o quarto para se vestir.

– Só não quero que você fique como está agora... Jasper me contou que você chegou tarde... Não viu quem lhe trouxe, mas sabe que chegou de carro e bêbada. Foi ele que abriu a porta para você e lhe colocou na cama... Disse que chegou logo depois dele.

Bella ficou em silêncio olhando as roupas no armário sem vê-las, reprimindo o desejo de chorar. Então era aquilo que sua paixão por Edward fazia com ela. Embriagava-se ao ponto de agarrar Jacob imaginando ser ele e passava vergonha na frente do irmão. Muita sorte seu pai não ter visto. Não era aquilo que queria para si. Não foi daquele jeito que imaginou. E não seria assim. Depois de um suspiro profundo e engolir as lágrimas ela tirou dois vestidos e mostrou á amiga.

– Qual dos dois?

– O cor-de-rosa. – Alice escolheu, encarando-a. – Não vai me dizer mesmo o que aconteceu, não é?

– Não tem porque me aborrecer duas vezes, Alice. – ela falou calmamente. – E hoje é dia de festa, não é?

– É.

– Então vamos aproveitar e nos divertir... – abrindo um sorriso que não combinava com seu espírito, anunciou. – E eu vou com o azul... Esse rosa é muito Barbie girl...

– Sua chata! – exclamou a amiga ajudando-a á melhor o clima de tristeza. – Já que a ideia é se divertir preciso lembrá-la de nosso cinema hoje?

Devia, pois Bella não se lembrava, mas respondeu veemente.

– Claro que não precisa... É só combinarmos á sessão.

Seria aquilo que faria; se divertiria. Naquela tarde e sempre que pudesse. De preferência longe de bebidas alcoólicas. Longe de Edward.

– Acha que consegue fazer um milagre com essa minha cara de ressaca?

– Arranje-me uma boa base, corretivo e tudo o mais que tiver por aí que eu te mostro do que sou capaz.



– Posso saber por que tem andado nervoso esses dias? – Edward perguntou ao padrinho que circulava por seu quarto impaciente enquanto terminava de se vestir.

– Nada especial. – respondeu no seu habitual italiano. – Só quero que esse piquenique acabe logo... Não gosto de aglomeração.

– Não estará assim tão cheio. A cidade é pequena... Somente os locais irão então não se preocupe.

Se tinha alguém ali que deveria estar preocupado era ele mesmo. Até o presente momento ainda não sabia o que havia acontecido com ele para ficar esperando até que Bella voltasse ao carro e depois a seguisse. Novamente o casal havia brigado então agora dizia á si mesmo que apenas estava cuidado dela, pois Jacob parecia alterado. O problema era conseguir se enganar, pensou aborrecido. E pela primeira vez se irritando ao ter que se pentear mirando-se no espelho mínimo que pendurou sobre a cômoda.

– Não poderíamos arrumar um espelho maior?

– Este está muito bom... Ninguém aqui precisa ficar se olhando. – Carlisle retrucou secamente. – E então, vamos ou não para esse piquenique?

– Vamos. – Edward respondeu se olhando uma última vez. Seu cabelo começava á perder o curte rente que mantinha há anos e havia cortado o queixo ao se barbear, mas estava bem. “Estava bem?!... Desde quando sua aparência importava?”

Desde quando muita coisa que não deveria ter importância passou á ser essencial á ele, essa era a resposta. Sempre correu por correr, por sentir que devia. Para estar bem; saudável. Não por vaidade. Mas depois de ter visto o namorado de Bella sem camisa, junto á raiva que sentia pelo rapaz, alimentou uma comparação competitiva. Há pouco analisou o próprio corpo durante o banho e se encheu de orgulho por se considerar melhor do que o outro; mais bonito, maior, mais forte. Se um dia pudesse socá-lo, com certeza levaria a melhor.

E nada daquilo deveria importar, mas importava. E era perturbador saber que a vaidade e a soberba eram sentimentos nocivos que ele não deveria alimentar e que também haviam sido despertados pela moça. Ao que parecia, teria muito mais á se recuperar do que apenas sua dependência dela. Quando estivesse curado e arrependido, jejuaria por dias seguidos como penitência por todos os pecados cometidos; com atos impuros e pensamentos lascivos.

– Vamos! – repetiu firmemente ao passar pelo tio.

Seguiram para o jardim da cooperativa em silêncio. Cada qual imerso em seus próprios pensamentos. Daquela vez não foi fácil estacionar, pois alguns carros tomavam á passagem. O padre deixou seu jipe há uma quadra do local da festa e os dois homens seguiram á pé. Ao que parecia, mesmo a cidade sendo pouco mais que uma vila, o jardim estava tomado. Edward pôde ouvir um resmungo baixo vindo do tutor; estava cheio.

Sem se importar com a expressão contrafeita do tio, Edward o arrastou até a pequena turba barulhenta. Logo foram cercados, cumprimentados. O padre abençoou tantas pessoas que havia perdido as contas, mas apenas uma lhe interessava. Tentando ver além das cabeças espalhadas pelo jardim, Edward a procurou. Sem conseguir encontrá-la seguiu até a dona da casa com Carlisle em seu encalço.

– Oi Sue... – cumprimentou ao alcançá-la.

– Oi de novo padre! – ela exclamou animada. – Viu como está cheio?

– Vi. – ele respondeu sorrindo complacente com a pergunta impensada; como ele não veria? Em voz alta perguntou. – Os Swan ainda não chegaram?

– Apenas Rosalie e o noivo. O senhor desejava alguma coisa deles?

– Não... Apenas curiosidade.

Quando se voltou e encontrou o olhar do padrinho, pôde ver seu desagrado por sua pergunta. Esperou qualquer comentário, contudo o ele nada disse. Logo foram incluídos em rodas de conversas onde ele pouco se aprofundava nos assuntos. Edward não pode deixar de notar que seu tio á todo instante olhava em seu redor e além, para as árvores que cercavam o lugar, preocupado. Gostaria de perguntar o motivo da vigilância insistente e estranha, mas conhecia-o o suficiente para saber que tentaria descobrir em vão.

Ainda cismava com o padrinho quando de repente ele a viu. Sem que pudesse evitar ou prever, seu coração saltou no peito trespassado por uma saudade doída como se não a tivesse visto durante anos e não há pouquíssimas horas. Bella vinha acompanhada dos pais. Primeiro Edward viu-lhe só a cabeça; ela estava novamente com os cabelos soltos. Tanto melhor, considerou.

Quando pai, mãe e filha driblaram as rodas formadas pelo jardim e apareceram inteiros no campo de visão do padre, ele viu a moça completamente. Trajava um vestido azul claro de tecido leve – curto demais para uma festa cristã – e que a deixava linda; più bella. Edward sabia que não deveria ficar reparando, mas era inevitável. Sua parte convicta ainda não controlava totalmente aquele homem desperto que era ligado á ela.

Quando Bella lhe acenou a alguns passos – antes mesmo que seus pais dissessem qualquer coisa – sem sorrir ou falar, ele soube que ela apenas cumpria a etiqueta e como lhe avisou á tarde, não o tocaria nunca mais. Novamente a dor cortante cruzou seu coração, mas disse á si mesmo, “é o certo!”

– Boa tarde, padre!... Sua benção!... – disseram Charlie e Renée quase que em uníssono.

Depois de abençoar-lhes, comentou.

– Não imaginei que viessem tantas pessoas.

– Ah... Sempre alguém chama algum conhecido de Wells ou de outras cidades. – o pai de Bella explicou. – Acredite. Nem está tão cheio. O baile mensal na cooperativa costuma juntar muito mais pessoas. – então, como se estranhasse algo, se voltou para a filha e perguntou. – Não vai falar com o padre?

Depois de um pigarro Bella encarou Edward brevemente.

– Já nos vimos hoje, não é mesmo senhor? – e sem esperar pela resposta anunciou. – Vou ver como está tudo por aí, com licença.

Á Edward coube engolir sua resposta e vê-la se afastar. “É o certo!”

Depois de sua saída, Charlie comentou com o padre a necessidade de ele subir ao palco para fazer um discurso breve onde lembraria o motivo de todos estarem reunidos ali e que seria interessante fazer uma oração, como o antigo padre fazia em eventos parecidos. Naquele momento em que seu coração sofria com a falta da moça, Edward não se sentia em condições morais de se dirigir á Deus, mas como era seu dever fazê-lo, agradeceu á boa ideia e, depois de subir no palco feito pelo namorado de Bella, chamou a atenção de todos.

– Boa noite á todos! – disse em seu tom mais alto.

Quando a maioria dos presentes olhou em sua direção, o padre continuou.

– Em primeiro lugar gostaria de agradecer a presença de todos em nosso piquenique. Gostaria de agradecer também a doação dos bolos, tortas e bebidas que serão vendidas aqui, cuja renda será usada na reforma da igreja. Agradeço também ás moças da cidade pela decoração e arrumação desse espaço e á senhorita Isabella Swan, que dedicou horas preciosas de seu tempo à organização do evento. À todos, meus mais humildes e sinceros agradecimentos.

Á menção de seu nome a moça o encarou e, por educação, como havia feito mais cedo naquela mesma tarde, lhe acenou em um gesto curto e frio antes de virar o rosto. Aquele tratamento o feria, mas não se ressentia com ela; havia provocado aquela situação. Perturbado em sua luta interna, ele concluiu seu discurso.

– Agora convido todos á se juntarem á mim em oração não para rogar que esse encontro seja bem sucedido, mas para agradecer pela oportunidade de estarmos todos juntos e pedir que nossos laços se reafirmem e fortaleçam.

Em momento algum Bella lhe lançou um olhar ou virou em sua direção novamente. Enquanto recitava um Pai-Nosso, o padre pedia perdão mentalmente por ter pensado que, se fosse possível, os únicos laços que desejava fortalecidos eram os dele á ela. Ao final da oração ensaiada e decorada, deixou o palco para se juntar á Charlie e Renée. Depois de parabenizá-lo pelas palavras, os pais da moça entabularam uma conversa animada sobre o próximo baile que teria na cooperativa.

Edward fazia um esforço sobre humano para acompanhar-lhes no assunto e na animação, contudo, vez ou outra se pegava á procurar a caçula deles com os olhos ao redor do jardim. Invariavelmente á encontrava ziguezagueando pelo gramado, conversando com um e outro animadamente. Desmanchando-se em sorrisos que nunca mais lhe daria. “Era o certo”... E nada mais justo que ela aproveitasse a festa. O trabalho conjunto, organizado por ela havia tido bons resultados e mesmo que não arrecadassem muito dinheiro, valeria por vê-la contente.

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Como hoje é dia dos namorados, vou deixar o spoiler do primeiro beijo... mas não quer dizer que seja no próximo capítulo... =)

FELIZ DIA DOS NAMORADOS!

Sem receio, sem restrições, sentindo a boca formigar em expectativa, procurou pela dela. Para quem nunca havia beijado a sensação foi de reencontro. Suas bocas se encaixavam perfeitamente. Mover os lábios junto aos dela pareceu certo. Quando ouviu o gemido abafado e sentiu os braços passarem em volta de seu pescoço, Edward soube que não havia outro lugar no mundo onde desejasse estar.

Quando tudo parecia perfeito, Bella abriu a boca e tocou a sua com a ponta da língua. Sem saber ao certo o que fazia, Edward imitou-a e, antes que percebesse seus próprios avanços, havia invadido a boca feminina com sua língua e capturado á dela. Logo elas se enroscavam, procuravam-se da mesma forma que seus corpos se fundiam.

Enquanto Bella tinha sua boca invadida. Dizia á si mesma para não se animar ou criar falsas esperanças, apenas aproveitar o que lhe era oferecido.

“E como estava sendo oferecido!”

Nem se importava por ele dizer coisas que não entendia; só importava que finalmente experimentava o beijo de Edward.

“E que beijo!”

Onde um padre aprendeu á beijar daquela maneira, pensou quando ele começou a chupar sua língua, enlouquecendo-a. Definitivamente não importava... Acomodando-se sob seu corpo pesado, ela retribuiu ao beijo sentindo o seu próprio ainda sensível depois dos toques anteriores, voltar á pulsar dolorosamente. Com um gemido, Edward também se acomodou sobre ela até que seus sexos se tocassem. Ao senti-lo rígido a moça novamente gemeu; seus sons eram todos sufocados pela boca ávida do padre.

Notas finais
Bom, espero que tenham gostado... Do post e do beijo... Infelizmente ainda vai demorar um tiquinho para chegarmos á ele... algumas coisas ainda acontecerão nesse meio tempo... Mas o capítulo há muito tempo está escrito e quando vcs menos esperarem ele chega... Até lá vamos vendo o que a fic nos reserva... Como sempre, se puderem me deixar saber o que estão achando, agradeço... Se não, obrigada pela companhia msm na qualidade de fantasminha... Bjus em todas... Muito amor no dia de hoje e sempre!