Notas iniciais
Bom, aqui os cumprimentos serão breves, pois já deixei o recadinho no anterior... Só vou reforçar os agradecimentos pelos reviews e indicações. E reafirmar minha ansiedade em dividir a história publicada com vcs... :DAGORA, BOA LEITURA!

– Bella!

A irmã lhe encontrou no box, sentada no piso frio a despeito da água norma que caia sobre sua cabeça. Ao chamado a moça encolheu os ombros e abraçou-se mais às pernas como se de alguma forma milagrosa pudesse passar despercebida. Não passou.

– O que aconteceu?

– Nada. – falou sem olhá-la. Não chorava, ainda assim sabia que pareceria lamentável à irmã.

– Como nada? – Rosalie insistiu. – Acordo com o chuveiro ligado a uma e quinze da manhã, encontro você assim e me diz que não houve nada? – sem uma resposta, a irmã olhou em volta e se deteve nas roupas que jogou ao chão. – E esse monte de areia na sua camisola... E isso aqui?

Impossível não olhar ao ouvir o tom alarmado. Quando a viu, Rosalie já se erguia olhando a calcinha descartada suja com seu sangue; as sobrancelhas unidas. Ainda desconfiada reavaliou a cena, então se voltou para encará-la incrédula.

– Sei que seu ciclo já terminou. – disse intimista, ligando os pontos. – Estava na praia... Com alguém!... E vocês... Você nunca...

– Extra!... Extra! – enchendo-se de uma amargura sentida, a moça zombou. – A caçula vadia dos Swan era virgem! Quem poderia imaginar?

– Pare Bella. – Rosalie desfez a expressão de espanto e se sentou sobre a tampa do vaso sanitário, falando baixo. – Desculpe, mas... Tem que admitir que eu não tinha como pensar o contrário.

– E por que não? – perguntou ofendida. – Quantas vezes você me viu com alguém?

– Não é pela quantidade Bella, mas todos esses anos você tem estado para cima e para baixo com Jacob... Sabe muito bem o que eu pensava. Bom, isso agora não vem ao caso – falou séria. – Não tem mais como negar. Afinal todos aqueles suspiros tinham razão de ser... Quem é ele?

– Esquece Rosie. – ela pediu voltando a apoiar o queixo sobre os joelhos; queria se esvair com a água pelo ralo.

– Foi o Jacob, não foi? Ele já está recuperado?

– Não sei Rosalie... – Bella suspirou. Se negasse teria que arranjar qualquer outro nome.

– Foi ele mesmo. Eu sabia! – exclamou orgulhosa de si mesma. – Mas me conta, por que está assim com essa cara? Não foi bom? Se servir de consolo saiba que para nenhuma de nós é bom na primeira vez... Mas melhora com o tempo. – acrescentou com uma piscadela.

Não, não havia sido bom; Bella pensou sentindo o nó finalmente se formar em sua garganta. Para ser sincera estava muito bom até se desesperar. Sabia que seria dolorido, acreditou estar pronta, contudo, para que desse certo era exigido o mínimo de colaboração da outra parte. Não poderia culpar Edward por não acreditar em sua virgindade visto que até os membros de sua família não o faziam, mas ele poderia ter sido mais gentil.

O padre parecia fora de si. Como não recordar as palavras de seu tio? Ao que parecia ela de fato despertava o pior que havia nele; não criara um monstro afinal. Somente cutucou um que adormecia.

– Eu disse não. – falou para si, a voz trêmula. – Mas ele não parou.

– O que posso lhe dizer? – Rosalie tocou seus cabelos sem se importar em molhar-se. – Jacob é praticamente um moleque... Tem o quê? Dezoito anos agora?... Seus hormônios estão em fúria e vamos ser sinceras... Você já o provocou bastante. Até que demorou muito para ser atacada.

Fora a pessoa ou a idade todo o resto era a mais pura verdade, ainda assim Bella não conseguia entender tamanho descontrole.

– Quando alguém diz não é não! – retrucou teimosa, resistindo ao consenso machista que de a culpa sempre seria da mulher; não eram animais.

– Eu sei querida... Desculpe. Está doendo muito? – falou conciliadora.

A dor não era nada. Estava decepcionada, mas muito mais envergonhada de sua fuga covarde. Não sabia se teria coragem de encarar Edward no dia seguinte. Ou em qualquer outro.

– Está. – disse apenas.

– Tudo bem. – Rosalie se pôs de pé. – Levante-se.

– Quero ficar aqui Rosie.

– E além de dolorida arriscar ficar resfriada, nem pensar. Pode ir tratando de se levantar. Deixe-me ver se ainda tem areia em suas costas.

Ante a firmeza da irmã, restou a ela obedecer. Ao atendê-la foi esfregada delicadamente. Cansada demais para resistir deixou que ela lavasse seu cabelo e depois a enxaguasse. Tinha cinco anos novamente e era a boneca viva de uma Rosalie compenetrada. Fazendo-a sair do box, a irmã lhe estendeu a toalha.

– Você assume daqui. Vista um pijama e vá para a cama. – ordenou recolhendo sua roupa suja. – Vou preparar uma xícara de chá e trazer Aspirina. – sem esperar que respondesse a deixou.

Bella fez como recomendado, evitando até mesmo olhar sua imagem no espelho. Em sua volta, Rosalie a encontrou sobre a cama, novamente abraçada aos próprios joelhos, mirando o vazio. Recusando-se a pensar, pois todas as vezes que tentou sentiu uma dor aguda no peito por acreditar que nunca mais conseguisse estar perto de Edward.

– Tome. – Rosalie lhe estendeu dois comprimidos; um de Aspirina e outro desconhecido. Ao notar sua estranheza, explicou. – É o mesmo da mamãe. Vai fazê-la dormir depressa... Vá por mim, ajuda a não pensar.

– Obrigada!

Não pensar era tudo o que Bella queria no momento. Tomado os comprimidos, a irmã lhe entregou a xícara fumarenta. A moça sorveu o chá sem distinguir o sabor ou perceber sua quentura. Logo estava acomodada entre as cobertas; pensando. Quanto tempo aquele remédio demoraria a fazer efeito? Não tardou, mas ainda lhe permitiu chorar ao questionar como teria sido se tivessem esperado o dia seguinte ou simplesmente não tivessem brigado antes de tentarem fazer amor; jamais saberia.

Por mais que ao se deitar Edward não acreditasse ser capaz, dormiu de pura exaustão tão logo se atirou sobre seu colchão; nu, depois de se livrar da areia e do resquício de sangue que comprovava a virgindade improvável.

Desperto, já pela manhã, considerou que deveria estar satisfeito em descobrir que Bella não mentia afinal, contudo somente conseguia se recriminar por não ter lhe dado o benefício da dúvida. E seu afoitamento fora em vão; poderia dizer que a moça era sua, mas não tivera prazer ao deflorá-la nem confirmado ter se relacionado com outras antes dela, pois detalhe algum daquela quase violação lhe foi familiar.

Depois de conferir não haver nenhuma resposta para as duas mensagens de texto que lhe enviou, o padre deixou a cama, decidido a vê-la. Vestiu-se em suas habituais roupas de corrida, calçou-se e saiu. Àquela hora da manhã já havia pessoas a circular pela rua, alguns comerciantes retardatários abriam seus estabelecimentos, entre eles Esme que lhe acenou timidamente. Retribuiu a ela – como a todos os outros – brevemente, sem cumprimentos verbais. Não se aventurou em dizê-los por medo de liberar apenas grunhidos ininteligíveis.

Conferindo as horas, reduziu a velocidade dos passos. Queria cercar Rosalie na saída de forma casual, não esperar por ela. Contou com a pontualidade da moça e obteve êxito; estava a poucos passos da casa quando a garçonete cruzou o portão.

– Bom dia Sr. Cullen. – Rosalie o cumprimentou tão logo o viu. – Indo tarde para sua corrida?

– Precisei resolver algumas coisas antes de sair – explicou indiferente. – Seria melhor nem mesmo vir, mas sinto falta.

– Sei como é... – disse já fechando o portão. Ele realmente não queria ser obrigado a perguntar, mas pareceu ser a única opção quando ela se despediu. – Preciso ir agora... Boa corrida.

– E como você está? – falou rapidamente. Ao ter sua atenção de volta, perguntou ainda. – Conseguiu resolver seus problemas?

– Consegui. – Rosalie lhe sorriu. – Sei que posso contar essas coisas ao senhor, pois as manterá em segredo, não?

– Evidente.

– Sei que não é certo, pois com o desaparecimento de James não consegui desmanchar o noivado, mas estou com Emmett. Sei que pode parecer estranho, afinal ele estava com minha irmã... Enfim, é uma longa estória. Qualquer dia eu lhe conto. O importante é que tudo ficará bem...

– E como ela está. – pigarreou. – Digo... Sua irmã em toda essa longa estória... Como está?

– Quanto a isso ela está bem... – a moça falou terminando a frase num sussurro incerto; Edward tinha uma nova deixa.

– Tem certeza? Pareceu que iria dizer algo mais.

– Não sei se devo... – ela exalou indecisa, levando a ansiedade do jovem padre a níveis insustentáveis.

– Não sei do que se trata, mas se a aflige, acho que deve. – foi preciso que Edward colocasse as mãos nos bolsos por acreditar que seria capaz de sacudi-la. Após um instante de reflexão ela finalmente falou.

– Ontem à noite ela brigou com o namorado. O de verdade... – não com o de verdade ele pensou amargo, cerrando os punhos ocultos em seu bolso. – Ela ficou mal e está na cama até agora. Seria bom que ela reagisse. Se fosse à praia o senhor poderia conversar com ela como fez comigo.

– Eu teria um imenso prazer em ajudar. – sua voz soou rouca demais, mas a moça pareceu não notar.

– Bom. – ela se animou. – Nada o impede de visitá-la, não é? Afinal se tornaram amigo...

– Nos tornamos... – ele repetiu alheio, cogitando fazer como o sugerido usando aquela conversa como desculpa; precisava mesmo vê-la. Confirmar que a fuga desabalada não fosse um rompimento do que nem ao menos começou. – Sua mãe está de pé eu creio.

– Está... Vai vê-la agora?

– Estou livre agora. – retrucou ocultando sua impaciência; Rosalie o serviu, poderia seguir seu caminho sem questionamentos. – E você irá se atrasar por minha causa.

– Bem lembrado. – sobressaltou-se. – Tenha um bom dia senhor... E boa sorte com minha irmã.

Ela nem poderia imaginar do quanto precisaria. Sem se despedir, cruzou o portão antes fechado por Rosalie e seguiu até a casa. Renée o recebeu surpresa depois de bater à porta contidamente.

– Senhor padre? – ela uniu as sobrancelhas. – Aconteceu alguma coisa?

– Comigo não. – tranquilizou-a. – Apenas fiquei preocupado, pois sua filha acabou de me dizer que Bella não está bem... Como ela esteve indisposta há poucos dias, e Charlie não está, vim ver se a senhora precisaria de alguma ajuda.

– Quanta gentileza, senhor! – ela exclamou enlevada. – Desculpe, nem lhe tomei a benção. – ele a abençoou rapidamente entrando ao ter passagem. Renée ofereceu. – Aceita uma xícara de café? Está quentinho...

Não; ele não queria a porcaria do café. Queria subir e ver como estava a caçula da família. Se o desculpava e se continuavam bem. Modulando sua voz, recusou pausadamente.

– Estou com um pouco de pressa... Vim mesmo somente saber como ela está, obrigado!

– Bom, nem eu mesma sei. Bella ainda está deitada... Se ficar como da outra vez nem vai à cidade.

– Entendo. – precisava subir. – Seria o caso de eu falar com ela?

– Não sei. – a mãe falou indecisa; ao que parecia a única revolvida da casa era Bella. Justamente por isso sua fuga tornava todo o quadro ainda pior. Estava em vias de insistir, quando ela aquiesceu. – Se bem não fizer, mal também não há de fazer.

Satisfeito, Edward ameaçava seguir para a escada, quando ela acrescentou.

– Mas eu conheço o gênio de minha filha... Vou ver se ela deseja recebê-lo, com sua licença senhor.

Renée pareceu demorar cinco horas não os cinco minutos que levou entre subir e descer. Por seu semblante, o padre soube que ainda não seria daquela vez que teria contato com a moça.

– Lamento, Bella está dormindo.

Va bene. – falou sem pensar. Era mentira, mas não poderia desdizê-la. – Se precisar de alguma coisa é só me chamar.

– Obrigada pela atenção senhor... Tem certeza que agora não quer um gole de café?

– Tenho – ruminou a resposta já irrompendo pela porta, lamentando não poder invadir o quarto àquela hora.

Impaciente demais para ficar parado, seguiu para a trilha. Correu até a praia e ao chegar, correu toda sua extensão. Ao cair sentado sobre a areia, extenuado, maldizia o mau gênio comentado por Renée. Seu crime não havia sido tão grave para que fosse daquela forma castigado. Qual o problema em responder-lhe as mensagens quando em parte era também a culpada? Se aquele era mesmo o fim Bella poderia ao menos ter a decência de lhe dizer com todas as palavras.

– Covarde maldita! – Edward rosnou; era o que ela era.

De volta à praça, o padre a cruzou muito rígido, sua irritação aumentada em ver as primeiras moças a esperar que abrisse a igreja para começar com as confissões. Dispensou-as todas, sem explicações, apenas comunicando que a igreja permaneceria fechada aquele dia. Já em seu quarto, desobrigou também Sarah Williams que foi bater à sua porta para perguntar sobre o que desejava almoçar. Não a faria preparar o que não passaria por sua garganta obstruída.

Bella tinha razão em não recebê-lo então não mais a considerava uma covarde maldita ao se atirar sobre o colchão, suado e sozinho. Descobriu que era exatamente daquela forma que queria estar. Reconheceu a total necessidade de solidão ao ouvir batidas insistentes vindas da porta principal. Cogitou ignorar, porém a certeza súbita de ser a moça o fez saltar da cama para recebê-la. Ao abrir a porta, sufocou a exclamação que exprimiria sua decepção.

– Boa tarde! – Esme lhe sorriu vacilante, trazia uma sacola de papel pardo. – Desculpe perturbá-lo senhor, mas... Fiquei preocupada ao ver a igreja fechada toda manhã.

Edward não sabia o que lhe dizer. Nem mesmo os cumprimentos costumeiros lhe vinham à boca. Como se sua falta de ação não fosse anormal, ela prosseguiu:

– Encontrei Sarah no armazém e ela comentou que o senhor a dispensou, então tomei a liberdade de lhe trazer isso.

O padre tomou a sacola e sem conferi-la, finalmente falou.

– Obrigado!

– Espere. – ela pediu ao perceber que fecharia a porta. Com um suspiro exasperado a encarou. – Não quero ser intrometida, mas não se sente bem? Sei que está sozinho... Posso ajudar.

– Agradeço, mas não preciso de nada. – anunciou seco.

– Parece abatido. – ela comentou rapidamente. – Tem certeza que não está doente?

– Tenho! – afirmou. – Escute, preciso mesmo entrar...

– É que eu me pergunto se não vem por aí um surto de gripe... Rosalie me contou que a irmã dela também está mal.

– E acaso eu disse à senhorita que estou gripado? – indagou em alerta. E beirando a rispidez, acrescentou. – Não vejo qual relação pode ver entre minha igreja estar fechada com seja lá o que estiver acontecendo com a Srta. Swan.

– Não eu... – atrapalhou-se, mas logo se recompôs. – Não associei, só fiquei mesmo preocupada... O senhor aqui sozinho... Enfim, vou deixá-lo descansar, coma o que lhe trouxe. Ninguém fica bem de barriga vazia. Boa noite! – então ela finalmente se foi.

Para quem esteve em vias de lhe bater a porta no nariz, Edward somente a fechou quando não tinha Esme em seu campo de visão; a última frase martelando em sua cabeça. Tivera a certeza de já tê-la ouvido, mas logo se esqueceu das palavras que poderiam ser ditas por qualquer pai ou mãe. Deixaria a sacola com a comida intocada sobre a mesa da cozinha, para retornar ao quarto, contudo foi atraído pelo som do telefone vindo de muito longe. Sabia ser da sacristia, cogitou não atendê-lo, mas logo se lembrou de seu tio.

Tudo o que não precisava era ter Carlisle de volta antes do tempo por estar preocupado com ele. Correu o tanto que pôde para atender antes que desistissem. Ao fazê-lo, soube estar certo.

– Edward?! – Carlisle começou exaltado. – Onde esteve? Desde ontem que tento contato.

– Estive em meu quarto. – mentiu sem remorsos. – Não tem como ouvir o telefone de lá.

– E suponho que hoje pela manhã estivesse na praia.

– Estive. – não mentia afinal. Para encurtar o assunto, perguntou. – Como foi sua viagem? À que horas chegou?

– Vim de ônibus. Cheguei pela manhã...

– Já descobriu o motivo de ser chamado? – indagou realmente interessado.

– Ainda não tivemos nosso encontro. Está marcado para a tarde.

– Transmita minhas lembranças ao Reitor Ramiro. – Edward pediu já impaciente. Ainda precisava encontrar uma forma de estar com Bella. Ou falar-lhe. Cedo ou tarde a moça teria que atendê-lo.

– O farei. – o tio assegurou, trazendo à conversa. – E como você está?

– Estou bem. Atarefado, afinal hoje é quarta... Tenho que ouvir confissões.

– Muito bem... Não vou tomar mais do seu tempo. Só queria avisá-lo que cheguei com segurança já que não me ligou.

– Desculpe-me. – pediu sincero. – Foi uma falta imperdoável.

– Não foi tão grave. – Carlisle falou resumido, mesmo que seu tom indicasse haver mais. – Fique com Deus Eddie.

– Que Ele também nunca o desampare. – disse em resposta, livre de duplo sentido.

Antes de recusar a quarta ligação do dia, Bella permaneceu a olhar o nome no visor como se dele surgisse a coragem para atender; não aconteceu então apenas apertou “cancelar”. E à medida que ignorava os contatos de Edward, parecia se tornar mais difícil fazê-lo.

Como das outras vezes, colocou seu BlackBerry de lado com a mão trêmula, o coração disparado. Os textos breves não lhe davam nenhuma indicação de como ele a receberia. Após o primeiro – um pedido de desculpas óbvio depois do que lhe fez – todos os outros diziam apenas:

“Ligue-me”

Não o fez, restando a ele tomar a iniciativa; não conseguiria fugir para sempre. Corria o risco de ele novamente vir visitá-la como naquela manhã segundo soube por sua mão tão logo desceu para o café tardio; ainda aérea depois do calmante ministrado por sua prestativa irmã. Agradeceu intimamente que estivesse dormindo, caso contrário seria bem capaz de denunciar seu nervosismo. Recuperada da dor em seu corpo, considerava-se ainda mais idiota por ter corrido; e pior, por ter chutado Edward para longe de si. Queria vê-lo e ao mesmo tempo não queria.

– Não tinha uma abertura para ir hoje? – Renée perguntou a certa altura, quebrando o silêncio. Estavam na cozinha onde a moça comia um sanduiche por imposição de sua mãe, preocupada com sua reclusão no atelier. Com um suspiro, Bella mirou o celular; mudo há algumas horas. Esteve evitando aquele assunto citado pela mãe por não saber o que faria. Com pesar na voz falou

– Não sei se vou...

– Não fez as pazes com Emmett? – ela perguntou colocando seus afazeres de lado para encarar a filha.

– Não. Na verdade brigamos mais.

– É uma pena... Gosto daquele rapaz. – falou voltando ao trabalho.

Rosalie gostará de saber, Bella pensou a guisa de zombaria, porém livre de humor. E então seu BlackBerry cantou; a música indicando mensagem. Com os dedos incertos abriu o texto.

“Nada mudou. Local indicado. Quarto 22. Nome A. Hughes. Venha na hora combinada, já estou esperando.”

Sem conseguiu dominar suas mãos, Bella as espalmou sobre o tampo da mesa tão logo deixou o aparelho sobre ela. Com os olhos fechados, abaixou a cabeça e passou a respirar com dificuldade; nada mudou dizia a mensagem truncada.

– Bella? – e então a mãe estava ao seu lado. – Você está bem? Quem era?

– Só uma menina da galeria confirmando se irei à abertura. – falou, ainda de cabeça baixa, os olhos cerrados.

– Avisou que não vai, não é? Não pode sair assim...

– Eu estou bem, juro... Foi só uma tontura por ter ficado tanto tempo sem comer... Vou me deitar um instante.

– Ainda acho melhor ficar em casa.

– Não se preocupe... Não sei se vou. – falou antes de deixar a cozinha.

Fora sincera; ainda não atinava como poderia encará-lo depois do que acontecera, mas queria conferir se nada havia mudado. A droga toda era que no momento sua vontade parecia depender de seu equilíbrio. Este subitamente muito abalado pelo o que parecia ser uma violenta crise de pânico.

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SPOILER...

Para alguém que esperava desde o final da tarde, meia hora de atraso não era considerada normal. Nervoso, Edward se colocou a janela para olhar a noite, ainda clara àquela hora. De onde estava não tinha a visão da estrada, mas podia ouvir o som dos veículos que iam e vinham; nenhum reduziu sua velocidade ou entrou no estacionamento. Bella não iria, era a verdade. Aflito, fechou a cortina listrada de tecido barato e foi até o pequeno sofá do quarto escolhido. Não sentou sobre ele e sim no chão, recostando contra a base.

Manteve os olhos fixos na garrafa de conhaque deixada sobre o criado mudo. Comprou-a num impulso na mesma loja de conveniência em Wells onde conseguiu os preservativos que trazia no bolso traseiro de seu jeans.

Riu escarninho ao recordar o constrangimento durante o pagamento; era um clérigo otimista com a possibilidade de reconciliação e de usar camisinhas. E que consumia álcool, acrescentou alcançando a garrafa. Achou que poderia evitá-la, mas naquele momento precisava do mesmo calor atenuante que sentia ao beber na boate.

Recordar o motivo que desencadeou a briga e logo após, sua péssima conduta, agravou a inquietação de Edward. A função de Bella naquele lugar maldito o transformava; lutou como um arruaceiro, surrou-a e como se não bastasse a violentou. Pensando friamente, deveria ser grato caso ela ainda quisesse alguma coisa com alguém tão instável.

Não, argumentou consigo mesmo. Bella não tinha como saber que brigou. E tirando o ocorrido na noite anterior, ela havia gostado tanto quanto ele das palmadas recebidas; tão eróticas ao final.

Somente por vislumbrar a cena o padre estremeceu de pura luxúria e antecipação, contudo as reteve. Estava naquele motel primeiramente para recuperar a confiança de Bella. Caso tivesse a chance, considerou finalmente rompendo o lacre da garrafa. Lamentou não ter um copo, mas não se importou em beber no gargalo.

Pondo-se de pé, passou a andar de um lado ao outro; logo estralava os dedos da mão livre. Ainda com a garganta seca e desejosa de alguma ardência, tomou outro gole. Aquele sim, aquecendo-o por inteiro.

A noite seria longa, mas estava convicto que a esperaria. Não era hipócrita; desejava-a mais depois do encontro desastrado. Tão logo a reconquistasse terminaria o que começou. O padre que sufocasse sua mortificação diante do ato que cometeria; aquela noite era do homem apaixonado que habitava em seu íntimo. Decidido, tomou seu terceiro gole.

– Cadê você? – Edward murmurou.

Impaciente, deixou a garrafa no chão para verificar além da janela. Escurecia. Fora isso, nada novo. Cerrando as cortinas, Edward voltou ao sofá e mirou a cama. Não a experimentou. Quando caísse sobre ela seria com Bella. Não antes, não sozinho. Onde ela estaria? Em resposta ouviu batidas tímidas; tão fugidias que acreditou tê-las imaginado.

– Senhor?... Ainda está aí? – soou a voz incerta.

E então não era o álcool que o aquecia. Sem saber nomear o que sentia, Edward cruzou a distância até a porta com longas passadas e a escancarou. E Bella estava lá. Em segundos registrou sua beleza jovem – não abalada pela notável palidez – e reparou como estava desejável metida num vestido de festa azul escuro. Ao perceber o brilho receoso nos olhos castanhos, todo seu corpo vibrou.

– Desculpe-me a demora eu...

Antes que terminasse a frase, Edward a puxou bruscamente contra o peito e sem maiores reservas capturou-lhe a boca de forma voraz. Segurou-a em um dos braços para fechar a porta com a mão livre, então a prendeu novamente num abraço esmagador enquanto explorava os recantos de sua boca com a língua sedenta. Estimulada, a moça gemeu languidamente deixando a bolsa que trazia escorregar até o chão para poder abraçá-lo.

CONTINUA...

P.S. Para todas que me pediram para ler a 1ª vez deles como Beward, saibam que a editora liberou. Ainda teremos mais um bônus e com ele a data do lançamento do livro. Espero encontrá-las em breve. Bjus em todas...

Notas finais
Minhas lindas... Espero que tenham gostado. Eu agora vou com gosto de saudades. O próximo bônus será o último, então começaremos outra etapa... :D